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  • Busque a Deus enquanto pode ser achado
    A Sentinela — 1974 | 15 de janeiro
    • Busque a Deus enquanto pode ser achado

      “[Deus] decretou os tempos designados e os limites fixos da morada dos homens, para buscarem a Deus se tateassem por ele e realmente o achassem.” — Atos 17:26, 27, NM ingl. 1971.

      1. Como veio Paulo a ser um homem desconhecido numa cidade desconhecida levando a que resultado?

      O HOMEM era desconhecido na cidade, e ao chegar à cidade, esta lhe era desconhecida. Olhando em volta, notou um altar dedicado “A um Deus Desconhecido”. Gostaria de envolver-se na adoração dum Deus a quem considerasse como desconhecido? Era uma situação muito insatisfatória, e sem dúvida foi assim que o apóstolo Paulo pensou, depois de chegar a Atenas no decorrer de sua segunda viagem missionária, por volta de 50 E.C. Aconteceu que os irmãos cristãos de Paulo o trouxeram da Beréia até Atenas e o deixaram ali, segundo as instruções dele. Fora apenas depois de receber orientação celestial que Paulo visitara um pouco antes a Macedônia, ao norte de Atenas, e parece que ele nunca antes pusera os pés em Atenas. É provável que ele soubesse que era um centro de erudição, bem como de religião. Ele ficou perturbado com este último aspecto e “seu espírito, no seu íntimo, ficou irritado ao observar que a cidade estava cheia de ídolos”. Como reagiu Paulo a esta situação? Como teria reagido você, leitor, se fosse judeu cristão? — Atos 16:9, 10; 17:15, 16, 23.

      2. Como pode ser prejudicial aquilo que é “desconhecido” e como procurou Paulo vencer isso?

      2 O que é “desconhecido” não tem delimitações bem definidas ou “limites fixos”. Isto pode resultar em muito dano e levar facilmente a uma tragédia. Portanto, se for possível, trata-se duma circunstância que devemos vencer. Paulo a venceu. Ele começou a dar-se a conhecer, bem como sua missão, e ao mesmo tempo familiarizar-se mais com os atenienses e seus modos de pensar. “Conseqüentemente, começou a raciocinar na sinagoga com os judeus e com as outras pessoas que adoravam a Deus, e cada dia, na feira, com os que por acaso estivessem ali.” (Atos 17:17) É provável que sua experiência com os judeus ali em Atenas não fosse muito diferente do que acontecera nas outras cidades. Mas, na feira, entrou em contato com muitos dos que se orgulhavam de seu interesse na erudição e na filosofia. Visto que “todos os atenienses e os estrangeiros residentes temporariamente ali gastavam seu tempo de folga em nada mais do que em contar algo ou escutar algo novo”, podia-se dizer que eles estavam buscando a Deus dentro dos limites religiosos conhecidos? Dificilmente. Examinemos um pouco os que enchiam a feira. — Atos 17:21.

      3. O que destacava os epicureus e os estóicos, e como se vê hoje uma atitude similar?

      3 Mencionam-se os epicureus. Estes acreditavam que o principal objetivo na vida era obter o maior prazer sem os maus efeitos dos excessos. Paulo “declarava as boas novas de Jesus e a ressurreição”, o que era contrário à idéia deles de “comamos e bebamos, pois amanhã morreremos”. (Atos 17:18; 1 Cor. 15:32) O único limite que procuravam não ultrapassar era tudo aquilo que ameaçava negar-lhes seu empenho pelo prazer e obter o mesmo. Não, não procuravam o verdadeiro Deus dentro dos limites que Este havia estabelecido. Mencionam-se também os estóicos. Estes não acreditavam na pessoa dum Deus, mas, antes, pensavam numa divindade impessoal, da qual emanasse a alma humana. Para eles, a vida de virtude significava ‘seguir a natureza’, visto que acreditavam que a matéria e a energia eram os princípios elementares do universo. Acreditavam que o destino governava os assuntos humanos. Também eles, por não serem verdadeiros buscadores da verdade, não estavam prontos para aceitar a mensagem de Paulo, dada por Deus. Diga-se de passagem que não é difícil de ver uma grande similaridade entre os princípios dos grupos precedentes e os ensinos de muitos da atualidade, com as prioridades que dão ao materialismo e ao amor do prazer. Para eles, quer o digam, quer não, “Deus está morto”, pelo menos no que se refere ao seu interesse em o buscarem sinceramente ou mesmo em tatearem por ele.

      4. Por que foi Paulo levado ao Areópago e como deve ter encarado isso?

      4 A atitude geral para com Paulo era desfavorável. “Passaram a conversar com ele polemicamente”, e chamaram-no de “paroleiro” e de “publicador de deidades estrangeiras”. Levaram-no ao Areópago, possivelmente para dar-lhe uma audiência. Paulo se agradou com esta oportunidade de dar um bom testemunho, e nós nos alegramos de que o seu discurso, nesta ocasião, foi registrado para nosso benefício. Estaremos interessados em ver como ele atacou o problema do “desconhecido” e da questão relacionada dos limites. Vamos imaginar que estamos lá para ouvi-lo. — Atos 17:18-22.

      LIMITES TEOCRÁTICOS

      5. (a) O que é digno de nota nas observações iniciais de Paulo? (b) Como ataca ele o problema do “desconhecido”?

      5 “Homens de Atenas, eu observei que em todas as coisas pareceis mais dados ao temor das deidades do que os outros. Por exemplo, passeando e observando cuidadosamente os vossos objetos de devoção [veneração, ed. ingl. 1971], encontrei também um altar em que tinha sido inscrito: ‘A um Deus Desconhecido.’ Portanto, aquilo a que sem o saber dais devoção piedosa, isso é o que eu vos publico.” (Atos 17:22, 23) Quanto tato demonstram estas palavras iniciais! Não se diz nada para contrariar os ouvintes ou os fazer sentir-se em oposição a ele. Escolhe um dos próprios “objetos de veneração” deles e como que participa com eles na contemplação deste altar específico. Sem parar para questionar em que espécie de Deus os adoradores estariam pensando, começa a desenvolver um argumento lógico e persuasivo, acumulando um fato sólido de verdade sobre outro. Primeiro, ele se afasta do “desconhecido”. Não diz bruscamente que é errado, mas só diz que ele publicará ou explicará o único que merece devoção piedosa. Note como ele faz isso.

      6. Que verdade confirma Paulo a respeito do propósito de Deus para com o homem e o lar deste?

      6 Ele explica que Deus, o Criador de todas as coisas e Dador da vida e do fôlego, não mora em templos feitos por mãos, nem precisa ser servido por mãos humanas. Caso isto dê a impressão de que Deus está inteiramente fora do alcance do homem, as suas próximas palavras lançam a perspectiva certa. “E ele [Deus] fez de um só homem toda nação dos homens, para morarem sobre a superfície inteira da terra, e decretou os tempos designados [as épocas designadas] e os limites fixos da morada dos homens, para buscarem a Deus, se tateassem por ele e realmente o achassem, embora, de fato, não esteja longe de cada um de nós.” (Atos 17:24-27) Tanto a ciência como a Bíblia atestam que toda a família humana pode remontar sua origem a um só homem; este homem, por sua vez, recebeu sua vida e seu fôlego de Deus, seu Criador. O ponto de interesse que se suscita então é que o limite amplo da morada do homem é “a superfície inteira da terra”. Isto, naturalmente, não concorda com a declaração ambiciosa de que o céu é o limite. O homem poderá viajar através da atmosfera e até mesmo fazer sondagens tão longe quanto a lua, mas não pode permanentemente residir em nenhuma das duas. Deve estar contente de morar dentro dos limites que lhe foram dados por Deus.

      7. Quando Deus emite um decreto ou algo similar, o que envolve isto sempre?

      7 A que se refere Paulo quando diz a seguir que Deus “decretou os tempos designados e os limites fixos [literalmente: uma ‘fixação de limitações’] da morada dos homens, para buscaram a Deus”? Note a palavra “decretou”. Quando Deus, o Soberano Senhor, emite um decreto ou algo similar, tal como um edito, uma lei ou uma ordem, então se estabelece imediatamente uma delimitação teocrática, um limite fixo ou uma linha de demarcação. Sempre deve ser assim, pois a sua emissão estabelece e impõe certos requisitos e certas obrigações que precisam ser observados. A obediência exige que se permaneça dentro das limitações. A desobediência significa que se está ultrapassando ou violando estas limitações ou estes limites, passando assim além dos limites, como dizemos, e talvez ficando culpado de infringir os direitos de outros. Um exame adicional disso, à luz das Escrituras, nos ajudará na busca de Deus, mas primeiro indagamos a respeito destes “tempos designados” e dos “limites fixos da morada dos homens”.

      8. Como revela a promessa de Deus a Abraão, certos limites ou limitações?

      8 Guiado pela Palavra e pelo espírito de Deus, Paulo cita em ordem os acontecimentos que se seguiram à criação para mostrar como o único Deus verdadeiro estabeleceu certos limites ou certas limitações, tanto no tempo como no lugar. Quais são? Embora a primeira promessa e profecia fosse dada no Éden, encontramos o elo desejado, as primeiras alpondras, quando Deus fez um pacto juramentado com Abraão. Jeová fez o pacto com as seguintes palavras: “E todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio de tua descendência, pelo fato de que escutaste a minha voz.” (Gên. 22:18) Isto certamente mostra que Abraão não estava ‘sem o saber dando devoção piedosa a um Deus Desconhecido’. Longe disso! Significava também que as nações não podiam ser bem sucedidas em procurar abençoar a si mesmas permanecendo em ignorância segundo as suas próprias idéias. Os homens podem achar a Deus e obter a sua bênção apenas do modo designado por Deus. Conforme disse Isaías: “Buscai a Jeová, enquanto pode ser achado.” Terá de buscá-lo também onde pode ser achado, “enquanto mostra estar perto”. (Isa. 55:6) Está pronto para escutar com receptividade a voz de Deus, igual a Abraão?

      9. Em que resultou aquela promessa, envolvendo limites tanto de tempo como de lugar?

      9 Agora, veja em que resultou a promessa de Deus, com limites tanto de tempo como de lugar. Deus disse a respeito da descendência de Abraão: “Sabe com certeza que o teu descendente se tornará residente forasteiro numa terra que não é sua . . . por quatrocentos anos. . . . Na quarta geração, porém, voltarão para cá.” Jeová prosseguiu, prometendo: “À tua descendência hei de dar esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio, o rio Eufrates.” No tempo certo, depois daquele período de quatrocentos anos, Jeová prometeu especificamente, quando os israelitas, os descendentes de Abraão, recebiam a Lei no monte Sinai: “Vou fixar o teu termo desde o Mar Vermelho até o mar dos filisteus, e desde o ermo até o Rio.” Por outro lado, ao peregrinarem no ermo, os israelitas foram advertidos de não violarem as fronteiras de outras nações, tais como Moabe e Amom. Isto nos leva a reconhecer quão apropriadas eram as palavras do cântico de Moisés, em Deuteronômio 32:8: “Quando o Altíssimo deu às nações uma herança, . . . passou a fixar o termo dos povos com respeito ao número dos filhos de Israel.” — Gên. 15:13-21; Êxo. 23:31; Deu. 2:4, 5, 18, 19.

      10. (a) Para que fim estabeleceu Deus “tempos designados” e “limites fixos”? (b) Baseado nisso, que argumento e advertência adicionais foram dados então?

      10 Podemos agora entender melhor o que Paulo queria dizer com “tempos designados” e “limites fixos da morada do homem”. Para que fim foram estes decretados por Deus? Na maioria das vezes, os homens estabelecem limites, tais como um muro alto, para manter fora os desconhecidos e indesejáveis. Mas, neste caso, temos um contraste agradável. Paulo diz que sua finalidade é atuar como marcos indicadores ou guias úteis, para os homens ‘buscarem a Deus e realmente o acharem, embora, de fato, não esteja longe de cada um de nós’. Isto é apoiado pelo lembrete de que o homem depende de Deus quanto à vida e à locomoção, “assim como disseram certos dos poetas entre vós: ‘Pois nós também somos progênie dele’”. Paulo adverte então contra ser desencaminhado pela idolatria, uma forma de adoração baseada na ignorância: “Visto, pois, que somos progênie de Deus, não devemos imaginar que o Ser Divino seja . . . semelhante a algo esculpido pela arte e inventividade do homem.” Ao escutarmos, queremos saber o que se espera que façamos em vista disso. Somos informados, sem demora: “É verdade que Deus não tem tomado em conta os tempos de tal ignorância, no entanto, agora ele está dizendo à humanidade que todos, em toda a parte, se arrependam.” — Atos 17:27-30.

      11. Qual foi o clímax do argumento de Paulo envolvendo que limites teocráticos?

      11 O apóstolo atinge prontamente o clímax de seu argumento, pelo menos ao ponto em que se lhe permite isso. Em poucas palavras, ele remontou ao início da criação, mostrou então o que Deus diz que os homens devem fazer e forneceu a seguir o motivo disso por tocar no futuro. Por que a chamada ao arrependimento? “Porque ele [Deus] fixou um dia em que se propôs julgar em justiça a terra habitada, por meio dum homem a quem designou, e ele tem fornecido garantia a todos os homens, visto que o ressuscitou dentre os mortos.” (Atos 17:31) Observou os limites teocráticos, o “dia” fixo e o “homem” designado, a respeito do qual Deus garante que ele fará um julgamento justo, favorável aos que sinceramente o buscarem? Esta limitação fixa do tempo fala de coisas maiores do que “os limites fixos da morada dos homens”, mencionados anteriormente em Atos 17:26. Se desejarmos obter um julgamento favorável, precisaremos hoje obter uma visão clara da linha de demarcação entre a obediência e a desobediência para com Deus, entre o certo e o errado. Não trace esta linha por si mesmo. Conforme veremos, exige mais cuidado do que se reconhece em geral, envolvendo tanto o coração como a mente.

      12, 13. (a) Que efeito geral produziu a menção duma ressurreição, mas com que exceções? (b) De que modo podemos esperar tirar proveito por olharmos para trás?

      12 Mencionar Paulo a ressurreição dentre os mortos foi demais para a maioria dos ouvintes. “Alguns começaram a mofar, enquanto outros diziam: ‘Nós te ouviremos sobre isso ainda outra vez.” Contudo, o testemunho excelente que Paulo deu não ficou de todo sem frutos. “Alguns homens juntaram-se a ele e se tornaram crentes, entre os quais havia também Dionísio, juiz do tribunal do Areópago, e uma mulher de nome Dâmaris, e outros além deles.” Nós nos alegramos de saber que alguns escutaram com aceitação e se mostraram obedientes. — Atos 17:32-34.

      13 Naquela ocasião, Paulo teve de ser breve. Nós mesmos, porém, não estando hoje sob tal pressão imediata, acharemos de valor examinar e ver como e porque surgiu a necessidade de se buscar a Deus, antes dos dias de Paulo, como se satisfez esta necessidade e que obrigações recaem sobre nós.

      COMO E POR QUE A BUSCA COMEÇOU

      14. (a) O que dá a entender o fato de Jeová ter de procurar o homem? (b) Como revelou Adão ter uma consciência perturbada, mas houve qualquer evidência de verdadeiro arrependimento?

      14 É surpreendente achar na Bíblia que a primeira menção de busca não é uma busca por parte do homem para procurar a Deus, mas o inverso. Lemos em Gênesis 3:9: “E Jeová Deus chamava o homem e dizia-lhe [repetidas vezes]: ‘Onde estás?’” Que situação espantosa! Havia acontecido algo de errado? Sim, houve uma ação errada, em resultado da qual, quando Adão e sua esposa “ouviram a voz de Jeová Deus que andava pelo jardim . . . foram esconder-se da face de Jeová Deus entre as árvores do jardim”. Quando procuramos esconder-nos de alguém, amiúde é por causa duma consciência atribulada, criando medo e vergonha. Deve conhecer este sentimento. Adão sentiu-se assim quando respondeu a Deus: “Ouvi a tua voz no jardim, mas tive medo, porque estava nu, e por isso me escondi.” Ter medo e querer esconder-se é uma coisa, mas sentir-se arrependido e procurar restabelecer uma boa relação é algo bem diferente. Em nenhuma ocasião houve qualquer indício desta última ação da parte de Adão ou de sua esposa. Naturalmente, eles lamentaram amargamente o resultado de sua ação, mas não fizeram nenhuma expressão de pesar ou de vergonha por causa da própria ação. Qual foi a sua ação errada? — Gên. 3:8, 10.

      15. De que modo estabeleceu a ordem de Deus, em Genesis 2:16, 17, um limite, tanto em sentido literal como em sentido moral?

      15 Tanto Adão como sua esposa haviam ultrapassado certos limites teocráticos, tanto de modo literal como figurativo ou moral. Eram também culpados de infringir os direitos de outros. Quando Deus primeiro colocou Adão no Éden, não convidou apenas Adão a comer livremente de toda árvore, exceto de uma. Antes, lemos que Deus deu “esta ordem ao homem: ‘De toda árvore do jardim podes comer à vontade. Mas, quanto à árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau, não deves comer dela, porque no dia em que dela comeres, positivamente morrerás.’” Posteriormente, Deus falou duas vezes disso como sendo uma ordem. (Gên. 2:16, 17; 3:11, 17) É interessante que, quando Satanás, por meio da serpente, interrogou Eva sobre esta ordem, nenhum deles falou dela como sendo uma ordem, mas simplesmente como algo que Deus havia dito. (Gên. 3:1, 3) Entretanto, conforme já mencionado, uma ordem sempre cria um ou mais limites. Neste caso, a “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau” estava literalmente fora dos limites para Adão e Eva. Não deviam comer do seu fruto, nem mesmo tocar nele. Mas não estava fora do alcance físico; portanto, estabeleceu-se ali o todo-importante limite moral. A ordem de Deus impôs uma prova à sua obediência.

      16. No caso de Eva, o que produziu uma violação do limite moral, levando a que erro adicional?

      16 Escutar a serpente com aceitação levou à violação do limite moral. “A mulher viu que a árvore . . . era algo para os olhos anelarem, sim, a árvore era desejável para se contemplar.” Os anelos e os desejos surgem do coração. Embora ela acabasse de repetir a ordem de Deus, permitiu que a informação falsa alimentasse-lhe o coração por intermédio da mente. Foi enganada a pensar que ela mesma podia traçar a linha de demarcação, saber por si mesma ‘o que é bom e o que é mau’. Não é isto o que a maioria das pessoas faz na vida, estabelecer suas próprias normas do que é direito e do que é errado ou aceitar as normas de outros? É isto que você talvez tenha feito com o estímulo de outros separados de Deus, crendo que a sinceridade seja um guia suficiente? — Gên. 3:5, 6.

      17. Como se seguiu a isso uma violação do limite literal, e também o infringimento dos direitos de outros?

      17 Quando Eva violou o limite moral, em erroneamente desejar comer do fruto proibido e decidir fazer isso, seguiu-se rapidamente a violação do limite literal. Ela “começou a tomar do seu fruto e a comê-lo. Depois deu também dele a seu esposo, quando estava com ela, e ele começou a comê-lo.” (Gên. 3:6) Ultrapassar um limite amiúde significa infringir os direitos dos outros. Neste caso, Eva primeiro infringiu os direitos de seu marido com respeito à chefia, tomando a iniciativa por conta própria. Mais importante, ambos infringiram os direitos de Jeová Deus por decidirem seu próprio proceder num ato e espírito de desobediência. Saíram deliberadamente fora da linha. Quer dizer, desconsideraram propositalmente a linha de demarcação de Deus entre o que era permissível comer e o que não era, e traçaram a sua própria. Com que resultado?

      18. (a) Como protegeu Deus os seus direitos? (b) Até que ponto ficou a humanidade afetada pela desobediência de Adão, suscitando que perguntas?

      18 Depois de Deus proferir a sentença, Adão e sua esposa foram expulsos de seu lar ajardinado. A volta a ele foi tornada impossível. Jeová “expulsou assim o homem, e colocou ao oriente do jardim do Éden os querubins e a lâmina chamejante duma espada que se revolvia continuamente para guardar o caminho para a árvore da vida”. (Gên. 3:24) Este era um marco de fronteira proibida; era uma barreira intransponível para eles. Pior ainda, foram banidos da face e presença de Jeová. Todos nós, como filhos de Adão, feitos “de um só homem”, ficamos assim grandemente afetados. Por causa do pecado e da imperfeição herdados, sem se mencionarem os ‘tempos de ignorância’ em que vivemos, ficamos alheados de Deus. (Atos 17:26, 30) É verdade que há muita religião praticada entre os homens alheados de Deus. Há muitas religiões, e muitos estão satisfeitos com sua respectiva religião. Decidem por si mesmos entre o que é bom e o que é mau em questão de religião ou quando há uma questão de moral a ser considerada. Faz o mesmo? E significa isso que não há esperança? É a busca do verdadeiro Deus e da verdadeira religião toda em vão? Pode a busca acabar em bom êxito para nós? Veja o que aconteceu após a expulsão do homem do Éden e o encorajamento que tiramos disso.

      COMO SE PODE TERMINAR A BUSCA

      19. Que contraste se vê entre os dois primeiros filhos de Adão, e em que resultou o proceder de Caim?

      19 Os primeiros dois filhos de Adão, em seu contraste, forneceram muita coisa que nos ajudará na nossa busca. Cada um deles trouxe uma oferenda a Jeová, mas, conforme se mostrou, cada um com um motivo diferente. A oferenda de Caim, de “alguns frutos do solo”, talvez fosse apenas formalidade, para não ser ultrapassado por seu irmão mais novo, Abel, que trouxe uma oferenda seleta “dos primogênitos de seu rebanho, sim dos seus pedaços gordos”. Jeová, dum modo que não foi revelado, mostrou favor a Abel e sua oferenda, mas “não olhava com favor para Caim e para sua oferenda”. Por isso, “acendeu-se muito a ira” de Caim. Jeová o advertiu então bondosamente: “Se te voltares para fazer o bem, não haverá enaltecimento? Mas, se não te voltares para fazer o bem, há o pecado agachado à entrada e tem desejo ardente de ti; e conseguirás tu dominá-lo?” Isto revela que Caim já havia agido de modo mau, evidentemente procurando um “enaltecimento” num espírito egoísta e obstinado. Ele estava perigosamente perto de ultrapassar a raia do autodomínio. Ultrapassou-a e tornou-se o primeiro assassino. Ele “foi embora de diante da face de Jeová e foi morar na terra da Fuga”, a terra da fuga da justiça. — Gên. 4:3-16.

      20. De que modo pôde Abel fortalecer a fé, conjugado com que outras qualidades excelentes?

      20 Que contraste feliz, quando olhamos para Abel! De algum modo, Deus mostrara favor a ele. Abel se apercebera disso plenamente. Paulo enfatizou isso, dizendo que “pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício de maior valor do que Caim, sendo por esta fé que se lhe deu testemunho de que era justo, dando Deus testemunho com respeito a suas dádivas; e por intermédio dela, embora morto, ainda fala”. (Heb. 11:4) A fé que Abel tinha se fundava num bom alicerce. Sem dúvida, recebera uma descrição detalhada das provisões abundantes de Jeová, usufruídas no jardim do Éden. Ele certamente sabia que Jeová falara a Adão assim como um pai fala ao seu filho. Conhecia a promessa e profecia edênica de Jeová Deus a respeito de machucar a cabeça da serpente, e tinha esperança certa de seu cumprimento, embora não soubesse exatamente quando ou como. Além de fé e esperança, possuía também aquela outra qualidade proeminente. Cultivava verdadeiro amor a Jeová, conjugado com um forte senso de lealdade e apreço, bastante forte para vencer a má influência e o exemplo de seus pais e de seu irmão mais velho. — Gên. 3:15; 1 Cor. 13:13.

      21. Que encorajamento podemos tirar por considerarmos Abel?

      21 Para Abel havia acabado a busca do verdadeiro Deus, em vista da evidência da bênção de Jeová sobre ele. Não precisava mais buscar a Deus, exceto no sentido de sempre procurar reter o favor Dele pela conduta correta no espírito de verdadeira obediência de coração. O que foi possível para Abel, também é possível para você, leitor. Esperamos confiantemente pesquisar a Palavra de Deus para obter mais orientação e encorajamento. Lembre-se do modo em que Jeová ajudou Abel, e, poderemos dizer, até mesmo ofereceu ajuda a Caim.

  • Os limites do Reino de Deus
    A Sentinela — 1974 | 15 de janeiro
    • Os limites do Reino de Deus

      1. Que dois requisitos se mencionam em Mateus 5:3, 19 com respeito ao reino de Deus?

      JESUS salientou, no seu bem conhecido Sermão do Monte, a importância de se buscar o reino de Deus em relação direta com os seus limites, quer dizer, as pessoas que este incluiria no seu rol de membros. Mencionando primeiro a necessidade de os herdeiros do Reino terem humildade e uma atitude suplicante, ele disse: “Felizes os cônscios de sua necessidade espiritual, porque a eles pertence o reino dos céus.” Como aviso e encorajamento, ele salientou também a necessidade de os herdeiros do Reino se manterem dentro dos confins dos mandamentos de Deus, dizendo: “Quem, portanto, violar um destes mínimos mandamentos [da Lei mosaica] e ensinar a humanidade neste sentido, será chamado ‘mínimo’ [portanto, impróprio] com relação ao reino dos céus. Quanto àquele que os cumprir e ensinar, esse será chamado ‘grande’ com relação ao reino dos céus.” — Mat. 5:3, 19.

      2. Como podem e devem ser aplicadas pessoalmente as petições iniciais da oração do Pai-Nosso?

      2 Considere a seguir as palavras iniciais da oração modelo, que forma parte deste discurso: “Nosso Pai nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.” (Mat. 6:9, 10) Não se trata apenas de petições gerais. De fato, constituem limites ou demarcações orientadoras que devemos aplicar a nós pessoalmente. Temos de santificar o nome de Jeová no coração e na mente, bem como em toda a nossa conduta. Conforme o apóstolo Paulo escreveu a respeito de nossa conduta: “Isto é o que Deus quer, a vossa santificação, que vos abstenhais de fornicação; que cada um de vós saiba obter posse de seu próprio vaso em santificação e honra . . . Pois Deus nos chamou, não com uma concessão para a impureza, mas em conexão com a santificação. O próprio Deus de paz vos santifique completamente.” Não só devemos desejar ver a vontade de Deus feita na terra, de modo geral, mas devemos sinceramente procurar conhecer e cumprir a sua vontade em nossa própria vida, agora mesmo, e assim provar nosso amor a ele. Este é o significado de nossa dedicação. O apóstolo João escreveu: “Não estejais amando nem o mundo, nem as coisas no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele . . . o mundo está passando, e assim também o seu desejo, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” — 1 Tes. 4:3-7; 5:23; 1 João 2:15-17.

      3. Além de se buscar o Reino, que mais mencionou Jesus e como tropeçaram muitos por causa disso?

      3 Mais adiante, no discurso de Jesus, depois de advertir contra os perigos do materialismo, “as coisas pelas quais se empenham avidamente as nações”, ele disse: “Persisti, pois em buscar primeiro o reino e a sua justiça [a de Deus], e todas estas outras coisas vos serão acrescentadas.” (Mat. 6:32, 33) Estranho como talvez pareça, Jesus tocou ali numa das principais barreiras encontradas em se buscar a Deus, não só para os judeus, mas para o povo em geral. A maioria das pessoas estão ansiosas de se justificar e parecer estar certas, pelo menos aos olhos de seus companheiros. Isto é determinado pelas suas próprias normas, que variam grandemente entre os diversos povos, especialmente na moderna sociedade permissiva. Os judeus, em geral, procuravam estabelecer a sua própria justiça, confiando na sua capacidade de guardar a Lei dada por intermédio de Moisés. Conforme disse Paulo: “Têm zelo de Deus, mas não segundo o conhecimento exato; pois, por não conhecerem a justiça de Deus, mas buscarem estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus. Porque Cristo é o fim da Lei, para que todo aquele que exercer fé possa ter justiça.” — Rom. 10:2-4; veja também Gálatas 3:10-14.

      4. Qual é o motivo desta dificuldade? Como opera e como pode ser vencida?

      4 Por certo, o orgulho, o oposto da humildade, é a raiz de tal dificuldade. Ele começou com o Diabo, “o deus deste sistema de coisas”, e é um meio pelo qual ele “tem cegado as mentes dos incrédulos, para que não penetre o brilho da iluminação das gloriosas boas novas a respeito do Cristo, que é a imagem de Deus”. O orgulho age como barreira a buscarmos o verdadeiro Deus. Inverte nosso coração para dentro, para nós mesmos, em admiração. De modo que nossas faculdades mentais ficam obtusas em descrença, e isto age como véu. “Mas, quando há um retorno a Jeová, [em humildade e sinceridade,] é retirado o véu.” O orgulho talvez seja parte de nossa constituição natural, mas, conforme disse Paulo, devemos ‘desnudar-nos da velha personalidade’, e, em vez disso, ‘revestir-nos de humildade mental’. — 2 Cor. 4:4; 3:13-16; Col. 3:9, 12.

      5. (a) Como descreveu Jesus os requisitos para se buscar a vida e por que assim? (b) É o caminho do mundo realmente um de verdadeira liberdade?

      5 Perto do fim de seu discurso naquele monte da Galiléia, Jesus especificou limites definidos para os que buscam a vida, dizendo: “Entrai pelo portão estreito; porque larga e espaçosa é a estrada que conduz a destruição, e muitos são os que entram por ela; ao passo que estreito é o portão e apertada a estrada que conduz a vida, e poucos são os que a acham.” (Mat. 7:13, 14) Não se deixe desanimar por isso. Jesus não disse que era da vontade de Deus que apenas poucos a achassem. Poderá estar entre os que acham esta entrada e estrada restritas que conduzem à vida, se estiver preparado para aceitar os termos do discipulado envolvido. (Luc. 9:23, 24) De passagem, poderíamos acrescentar que o caminho do mundo, o proceder de satisfazer os próprios apetites e a autodeterminação, embora aparentemente sem limites, ‘largo e espaçoso’ é realmente um proceder de escravidão, confinado pelo pecado e pelo egoísmo, e conduzindo à frustração e à destruição. — Rom. 6:16, 21.

      6. Que advertência final deu Jesus, apoiada por meio de que ilustração vigorosa?

      6 Finalmente, de novo destacando a necessidade de obediência e advertindo contra a mera profissão de se buscar a Deus, Jesus disse: “Nem todo o que me disser: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus, senão aquele que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus.” Ele concluiu com uma ilustração vigorosa, mostrando o resultado para aquele que “ouve estas minhas palavras e as pratica” e o resultado para aquele que “ouve estas minhas palavras e não as pratica”. — Mat. 7:21-27; 15:7-9.

      APREÇO QUE LEVA À MOTIVAÇÃO

      7. (a) Que qualidades são vitais em se buscar a Deus, levando a que bom resultado? (b) Como foi isto demonstrado por Abel, Enoque e Noé?

      7 Com estas declarações de Jesus em mente, podemos apreciar de modo mais cabal que, ao buscarmos a Deus, temos de estar prontos e ansiosos de satisfazer todos os seus requisitos. A fé e a devoção são essenciais. Não se trata apenas de qualidades abstratas. Se forem cultivadas corretamente, elas nos motivarão a nos achegarmos a Deus numa relação íntima com ele, fazendo-nos andar com ele. Isto se deu com aqueles homens e aquelas mulheres de fé mencionados em Hebreus, capítulo onze. Igual a Abel, Enoque “teve o testemunho de que agradara bem a Deus”. A seguir, Noé “mostrou temor piedoso e construiu uma arca para a salvação de sua família”. A respeito de tais homens, diz-se que estavam “andando com o verdadeiro Deus”. Naturalmente, não se pode estar buscando uma pessoa se já se está andando com ela, ou se pode? Para tais homens, a busca havia terminado, embora sempre procurassem reter o favor e a aprovação de Jeová. Todas estas testemunhas pré-cristãs provaram sua fé e devoção pelas suas obras, pela sua fidelidade e perseverança. — Heb. 11:5, 7; Gên. 5:22; 6:9; Tia. 2:17; 1 João 3:18.

      8. Que verdade se declara em Hebreus 11:6 e como temos hoje fortes motivos para ter fé?

      8 Tome a peito a verdade fundamental expressa por Paulo neste mesmo sentido: “Sem fé é impossível agradar-lhe bem, pois aquele que se aproxima de Deus tem de crer que ele existe e que se torna o recompensador dos que seriamente o buscam.” (Heb. 11:6) Na realidade, temos motivos mais fortes para ter fé do que aquelas testemunhas primitivas. Possuímos a Palavra completa de Deus com a sua abundância de informação e experiência. Temos também as boas experiências duma grande multidão de testemunhas hodiernas, conforme apresentadas anualmente no Anuário das Testemunhas de Jeová. Além disso, podemos ver em nossos dias o cumprimento de muitas das profecias dadas por Deus, registradas pelos homens fiéis da antiguidade. Conforme predito, toda a evidência indica que Cristo Jesus, o Rei celestial, foi entronizado em 1914 E. C. Hoje é o dia em que as pessoas de todas as nações são separadas, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Dentro em breve virá o Armagedom, seguido pelo dia de juízo de mil anos, no qual Deus irá “julgar em justiça a terra habitada” por aquele a quem designou e garantiu, o Filho do homem. Vivemos no dia aguardado por Abel e Enoque, e prefigurado pelos dias de Noé. E Jesus disse que, “quando estas coisas principiarem a ocorrer, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque o vosso livramento está-se aproximando . . . [porque sabeis] que está próximo o reino de Deus”. — Atos 17:31; Luc. 21:28-31; veja também Gênesis 3:15; Mateus 24:37-39; Judas 14, 15; Revelação 20:1-3.

      9. Como relacionou Tiago a fé com a perseverança e que conselho adicional deu ele?

      9 Para aumentar nosso apreço, nosso senso de valores, a fim de que nosso coração nos induza a manter o proceder correto, notemos o conselho prático de Tiago: “Considerai tudo com alegria, meus irmãos, ao enfrentardes diversas provações, sabendo que esta qualidade provada da vossa fé produz perseverança.” Se deixarmos que “a perseverança tenha a sua obra completa”, resultará isso na “coroa da vida, que Jeová prometeu aos que continuarem a amá-lo”. Tiago salienta também a humildade e a ação definida em se buscar a Deus: “‘Deus opõe-se aos soberbos, mas dá benignidade imerecida aos humildes.’ Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas oponde-vos ao Diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós.” Adquirir tal profundeza de apreço, motivando-nos a um proceder de devoção inabalável, exige paciência, conforme Tiago explica: “O lavrador fica esperando o precioso fruto da terra, exercendo paciência com ele, até que venha a chuva temporã e a chuva serôdia. Vós também exercei paciência; firmai os vossos corações.” — Tia. 1:2-4, 12; 4:6-8; 5:7, 8.

      10. Segundo que princípio bidirecional age Deus e para com quem?

      10 Tiago não foi o primeiro a mencionar o princípio bidirecional segundo o qual Deus age, indo como que meio caminho ao encontro dos que desejam chegar-se a ele. Séculos antes, Davi foi inspirado a dar o seguinte encorajamento e aviso ao seu filho: “E tu, Salomão, meu filho, conhece o Deus de teu pai e serve-o de pleno coração e de alma agradável; porque Jeová sonda todos os corações . . . Se o buscares, deixar-se-á achar por ti; mas, se o deixares, deitar-te-á fora para sempre.” De modo similar, o vidente Hanani disse mais tarde ao Rei Asa: “Quanto a Jeová, seus olhos percorrem toda a terra, para mostrar a sua força a favor daqueles cujo coração é pleno para com ele. Agiste nesciamente no que toca a isto [de se estribar no rei da Síria, em vez de em Jeová], pois doravante haverá guerras contra ti.” — 1 Crô. 28:9; 2 Crô. 16:9.

      11. Como e por que pode este princípio bidirecional operar de modo inverso?

      11 Sim, este princípio bidirecional pode operar em sentido inverso. Jeová, pelo seu espírito, sua invisível força ativa, revela-se e mostra sua força a favor daqueles que têm a correta atitude de coração. Deus, “que conhece o coração”, dará seu espírito santo aos que sinceramente lho pedirem. Mas ele pode retirar e retirará seu espírito quando alguém desvia Dele o coração, assim como aconteceu com Salomão. Conforme se registrou sobre ele: “Sucedeu, no tempo da velhice de Salomão, que as próprias esposas dele lhe haviam inclinado o coração para seguir outros deuses; e seu coração não se mostrou pleno para com Jeová, seu Deus, como o coração de Davi, seu pai.” — Atos 15:8; Luc. 11:13; 1 Reis 11:4.

      12. (a) O que se enfatiza nas palavras de Deus a respeito de Salomão, levando a que boa motivação? (b) Mas o que resultou finalmente para Salomão, e por quê?

      12 Note a ênfase dada à importância de se chegar a conhecer os mandamentos de Deus e de se manter bem dentro dos seus confins teocráticos. Pouco antes das palavras faladas em 1 Crônicas 28:9, Davi disse a Salomão o que Deus lhe havia dito: “Hei de estabelecer firmemente o seu reinado [o de Salomão] por tempo indefinido, se ele estiver firmemente resolvido a cumprir os meus mandamentos e as minhas decisões judiciais como neste dia”, ao qual Davi acrescentou seu próprio apelo. Davi concluiu, por dar ao seu filho a seguinte exortação emocionante: “Vê agora, porque o próprio Jeová te escolheu para construíres uma casa como santuário. Sê corajoso e age.” Ele cumpriu esta comissão, mas depois falhou na prova vital de manter verdadeira devoção de coração a Jeová. Com que resultado? “Jeová disse então a Salomão: ‘Visto que se deu isto contigo [de ir após outros deuses] e por não teres guardado o meu pacto e os meus estatutos que te impus como ordem, sem falta arrancarei de ti o reino e o hei de dar ao teu servo.’” — 1 Crô. 28:7, 8, 10; 1 Reis 11:9-11.

      13. Que apelo fez Jeová mediante Malaquias e como teve este um cumprimento menor e outro maior?

      13 Para Salomão, o princípio bidirecional terminou de maneira inversa, para a sua vergonha e o seu vitupério. Mas não precisa ser assim. Embora Israel, nos dias de Malaquias, tivesse uma longa história em seu desfavor, Jeová lhe fez este apelo direto e positivo: “Desde os dias de vossos antepassados vos desviastes dos meus regulamentos e não os guardastes. Retornai a mim e eu vou retornar a vós.” Num dia final de julgamento sobre Israel, um restante realmente retornou e se tornou discípulos de Jesus, seu Messias. Do mesmo modo neste dia de julgamento sobre a cristandade, que é a parte mais destacada de Babilônia, a Grande, um restante de verdadeiros cristãos foi refinado e purificado, e mostra ser testemunhas cristãs de Jeová. Note o que os distingue. “‘E eles hão de tornar-se meus’, disse Jeová dos exércitos, ‘no dia em que eu produzir uma propriedade especial. . . . E vós haveis de ver novamente a diferença entre o justo e o iníquo, entre o que serve a Deus e o que não o serviu’.” — Mal. 3:2-4, 7, 17, 18; veja também Lucas 12:8, 9.

      14. (a) Que boa obra de edificação iniciou-se em Pentecostes de 33 E. C.? (b) Que colheita mundial está em operação hoje em dia? (c) Conforme observado por Pedro, que requisitos são essenciais para uma boa edificação?

      14 Salomão tinha realmente uma comissão excelente na construção do templo, do santuário de Deus, mas nós temos hoje um privilégio ainda maior. Os muitos edifícios pelos quais Salomão foi responsável foram construídos de madeira e de pedra. No entanto, desde Pentecostes de 33 E. C., a congregação cristã é identificada como “edifício de Deus”. “O próprio Cristo Jesus é a pedra angular de alicerce. Em união com ele, o edifício inteiro . . . desenvolve-se num templo santo . . . como lugar para Deus habitar por espírito.” Que concepção elevada do “edifício de Deus”, composto de “pedras viventes”! Hoje, além do restante da congregação cristã, Jeová inaugurou uma colheita mundial, na qual você, leitor, poderá participar, resultando numa “grande multidão” que toma sua posição do lado de Deus e de seu reino, em associação íntima com o restante dos herdeiros do Reino. Referindo-se a Cristo Jesus como a principal “pedra vivente”, Pedro cita a profecia de Isaías: “Assim disse o [Soberano] Senhor Jeová: ‘Eis que lanço por alicerce em Sião uma pedra, uma pedra provada, ângulo precioso de um alicerce seguro. . . . E eu vou fazer do juízo o cordel de medir e da justiça o nível.’” Quão importante é que observemos os limites demarcados pelo “cordel de medir” e pelo “nível” de Deus, neste dia de julgamento! — 1 Cor. 3:9, 17; Efé. 2:20-22; 1 Ped. 2:4-6; Isa. 28:16, 17.

      A JUSTIÇA — O LIMITE PRINCIPAL

      15. Como se pode definir a justiça salientando que dois atributos de Deus?

      15 Em contraste com o atual sistema iníquo de coisas, Pedro diz: “Há novos céus e uma nova terra . . . e nestes há de morar a justiça.” (2 Ped. 3:13) A justiça delineia aquilo que é reto, eqüitativo e justo. No entanto, aos olhos dos homens e nos assuntos deles, a norma do que é direito varia consideravelmente, e muitas vezes é influenciada, se não governada, pela conveniência. Nos conflitos amargos por causa de fronteiras territoriais entre as nações, cada lado afirma estar no seu direito, mas o resultado é segundo aquele velho ditado de que ‘o direito reside na força’. Nunca é assim com Jeová. É verdade que ele é “Deus, o Todo-poderoso”. Ele é também infinitamente sábio. De fato, todos os seus atributos estão num grau superlativo e em perfeito equilíbrio. Sua justiça, porém, é especialmente exemplificada no seu amor e na sua eqüidade. Ele é “A Rocha, perfeita é a sua atuação, pois todos os seus caminhos são justiça. Deus de fidelidade e sem injustiça, justo e reto é ele”. Sua soberania, especialmente com relação ao seu reino sob Cristo, o qual deu a sua vida como resgate, enaltece o amor e a justiça de Deus de modo maravilhoso. — Rev. 16:14; Deu. 32:4; veja também Malaquias 3:6.

      16. (a) É possível modelarmos nossa vida segundo a norma de Deus, e como? (b) Que bela provisão fez Deus para nos ajudar a permanecer dentro dos limites corretos?

      16 Quanto mais apreciarmos isso, tanto mais nosso coração manifestará profunda gratidão, motivando-nos a modelar nossa própria vida segundo a mesma norma. Conforme disse Paulo: “Deveis ser feitos novos na força que ativa a vossa mente, e . . . vos deveis revestir da nova personalidade, que foi criada segundo a vontade de Deus, em verdadeira justiça e lealdade.” Especialmente no que se refere ao amor, lembre-se de que ele nos é imposto como lei e ordem, não apenas como convite. (Efé. 4:23, 24; veja também Mateus 22:36-40; João 13:34; Tiago 2:8; 1 João 4:7-12.) A fim de ajudá-lo e orientá-lo neste sentido, Jeová tem ajuntado seu povo numa unidade bem fechada, como que morando numa cidade dos tempos bíblicos, cercada por uma forte muralha para proteção. Isto é belamente descrito em Isaías 26:1-4, 7: “Temos uma cidade forte. Ele põe a própria salvação por muralha e por parapeito. Abri os portões, para que entre a nação justa que mantém uma conduta fiel. . . . Confiai em Jeová para todo o sempre, pois em Já Jeová está a Rocha dos tempos indefinidos. A vereda do justo é retidão. Sendo tu reto, aplainarás o próprio rumo do justo.” — Veja também Revelação 22:15-21.

      17. Se acharmos que a norma é elevada demais, como nos provê a Palavra de Deus ajuda e encorajamento?

      17 Talvez se sinta um pouco desanimado, achando que a norma é elevada demais para sua pessoa. Talvez diga que se conhece bem demais. Neste caso, não se esqueça de que Jeová o conhece muito melhor do que você mesmo. “Assim como o pai é misericordioso para com os seus filhos, Jeová tem sido misericordioso para com os que o temem. Porque ele mesmo conhece bem a nossa formação, lembra-se de que somos pó.” Grande parte da dificuldade, mesmo grande parte da iniqüidade, deve-se mormente ao desconhecimento do propósito de Deus e das suas provisões bondosas. Lembra-se das palavras de Paulo ao Tribunal do Areópago sobre isso? “Deus não tem tomado em conta os tempos de tal ignorância, no entanto, agora ele está dizendo à humanidade que todos, em toda a parte, se arrependam.” Esta não foi uma declaração vã. Já passou o tempo de ignorância; chegou o tempo do arrependimento. As Escrituras mostram repetidas vezes que, afinal, não só há a questão da responsabilidade individual, mas também a possibilidade de se fazer uma escolha individual. Seus próprios antecedentes e sua personalidade talvez revelem fraquezas inerentes ou coisas ainda piores, de que acha que não as possa vencer. Entretanto, ter Deus muitas vezes apelado até mesmo aos iníquos mostra que o caso de ninguém está além de esperança, a menos que ele se tenha deliberadamente oposto a Deus e às suas normas, sem alegar ignorância nem demonstrar arrependimento. A advertência e o apelo de Deus a Caim mostra que naquela ocasião ele se poderia ter restabelecido, especialmente se tivesse pedido ajuda. — Sal. 103:13, 14; Atos 17:30; Gên. 4:6, 7.

      18. Relacionados com a responsabilidade individual, que apelos se fazem aos iníquos, na profecia de Ezequiel?

      18 Em toda a profecia de Ezequiel, capítulo 18, enfatiza-se a responsabilidade individual. “A alma que pecar — ela é que morrerá.” Apela-se também repetidas vezes “quanto ao iníquo, se ele recuar de todos os seus pecados que praticou e realmente guardar todos os meus estatutos e praticar o juízo e a justiça, ele positivamente continuará a viver. Não morrerá.” Um apelo similar foi feito à nação: “‵Retornai, sim, fazei um recuo de todas as vossas transgressões, . . . e fazei para vós um novo coração e um novo espírito . . . Pois, não me agrado na morte de quem morre’, é a pronunciação do [Soberano] Senhor Jeová. ‘Portanto, fazei um recuo e continuai a viver.’” — Eze. 18:4, 20, 21, 27, 30-32; 33:11, 14-19; veja também Joel 2:12-14.

      19. Que responsabilidade e possibilidade recaem sobre cada um de nós e como nos ajuda neste respeito a atuação do próprio Paulo?

      19 Conforme já notado, o mesmo princípio pode operar de modo inverso. (Eze. 18:26) De qualquer modo, existem a escolha e a responsabilidade. Poderá fazer uma escolha nova, a certa e começar novamente a ‘buscar a Deus, se desejar tatear por ele e realmente o achar’. Ele não está longe. Sabia que Paulo se apresentou como exemplo notável de alguém que tinha antecedentes extremamente maus, no que se referia à sua anterior personalidade e aos seus atos, mas a quem, conforme ele disse, foi “concedida misericórdia, porque eu era ignorante e agi com falta de fé”? — Atos 17:27; 1 Tim. 1:12-16; Gál. 1:13.

      20. Como salientou Jesus esta mesma possibilidade e responsabilidade?

      20 O mesmo argumento misericordioso é inerente nas palavras de Jesus em João 3:16-19: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, . . . não para julgar [condenar] o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por intermédio dele.” Isto não foi dito em zombaria. Tratava-se duma possibilidade real. Jesus era a “verdadeira luz que dá luz a toda sorte de homem”. Mas, conforme Jesus disse: “Os homens amaram mais a escuridão do que a luz, porque as suas obras eram iníquas.” Esta era a escolha deles. Preferiam ficar assim. — João 1:9.

      21. Como se descreve no Salmo 24:3-6 a geração dos que buscam a Jeová?

      21 Da sua parte, leitor, por que não se junta à geração descrita no Salmo 24:3-6? “Quem pode subir ao monte de Jeová e quem pode levantar-se no seu lugar santo? O de mãos inocentes e de coração limpo, que não levou Minha alma à mera futilidade, nem fez um juramento enganoso. Ele carregará com a bênção da parte de Jeová e com a justiça da parte do seu Deus de salvação. Esta é a geração dos que o buscam, dos que procuram a tua face, ó Deus de Jacó.”

      22. Que bom apelo se expressa em Isaías 55:6, 7?

      22 Por que não atende o apelo expresso em Isaías 55:6, 7? “Buscai a Jeová enquanto pode ser achado. Chamai-o enquanto mostra estar perto. Deixe o iníquo o seu caminho e o homem prejudicial os seus pensamentos; e retorne ele a Jeová, que terá misericórdia com ele, e ao nosso Deus, porque perdoará amplamente.” Isto se poderá dar no seu caso, leitor, e poderá receber esta bênção.

  • Incidente estimula interesse na verdade
    A Sentinela — 1974 | 15 de janeiro
    • Incidente estimula interesse na verdade

      ● Certo homem, na República Centro-Africana, parecia muito indiferente à mensagem do reino de Deus, dizendo que todas as religiões eram iguais e que todas ensinavam apenas coisas boas. Mas, certo dia, seu filho foi mordido por um cão, cujo dono era o pastor protestante. Quando isto foi trazido à atenção do pastor, este zombou e disse que, na realidade, a culpa cabia à criança e que foi bom que o cão a mordeu. O pai da criança levou a questão perante as autoridades. O pastor foi intimado, e quando o chef de brigad ouviu ambos os lados, voltou-se para o pastor e disse-lhe numa voz causticante: “O senhor supostamente deve ensinar às pessoas a amarem seu próximo, e agora está agindo aqui dum modo tão empedernido! Seria melhor que se eliminasse a todas estas religiões e que permanecessem apenas as testemunhas de Jeová, porque elas ensinam às pessoas a se fazerem mutuamente o bem.” O pai da criança correu para casa e contou à sua esposa o que o chef havia dito. Eles concordaram em convidar as testemunhas de Jeová ao seu lar para os ajudar a estudar a Bíblia. Agora sabem que nem todas as religiões são iguais.

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