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Será que Deus realmente existe?Despertai! — 1986 | 22 de fevereiro
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Será que Deus realmente existe?
Mesmo antes de Netuno ser visto, sua existência já era indicada pela atração gravitacional que exercia sobre Urano. De forma similar, pode-se confirmar a existência de Deus?
EXISTE realmente um Deus de paz? Para muitos, esta indagação devia ser mais precisa — será que Deus realmente existe?
Milhões de ateus respondem Não! Os agnósticos expendem o conceito de que “qualquer realidade última (como Deus) é desconhecida e provavelmente incognoscível”. Todavia, mais de um bilhão e meio de pessoas religiosas afirmam que Deus existe, embora se mostrem profundamente divididas quanto às suas crenças sobre ele.
Existe algum meio de se chegar a uma resposta satisfatória sobre essa questão? Por resposta satisfatória queremos referir-nos a uma condizente com nossa faculdade de raciocínio, bem como com nossas emoções.
Quais, então, são alguns dos obstáculos para se crer em Deus? Temos um deles nas palavras de João, escritor bíblico: “Nenhum homem jamais viu a Deus.” (João 1:18) Milhões arrazoam que, visto não terem visto a Deus, ele não existe. “Ver para crer”, afirmam. Mas será isso estritamente lógico?
Na realidade, todos nós cremos em coisas que jamais vimos. Por quê? Porque sabemos, pelas evidências circunstanciais e por dedução, que tais coisas têm de existir. Ilustrando: Quem já viu as ondas de rádio? Ou as ondas de televisão? Ou raios X? Todavia, sabemos que existem por causa dos efeitos produzidos num rádio, num televisor ou numa chapa de raios X.
Similarmente, podemos empregar as evidências circunstanciais e a dedução para confirmar a existência de Deus?
Seguir os Indícios
Atualmente, consideramos corriqueiro o sistema solar. Todavia, há apenas 140 anos, o entendimento do homem a respeito dele era limitado. Naquele tempo, Netuno e Plutão — os dois planetas mais afastados da Terra e do Sol, não eram conhecidos. Todavia, suspeitava-se da existência de Netuno. Por quê? Por indícios — efeitos — que apontavam a existência dele.
Explica a revista National Geographic: “Na década de 1840, um francês e um inglês, trabalhando em separado, concluíram que a atração gravitacional de um planeta desconhecido [e, até então não visto] forçava Urano a desviar-se de sua órbita predita.” Assim, o que fizeram? Calcularam onde deveria estar o planeta que faltava, “e Netuno foi encontrado após uma hora de busca”.
Como em tantos outros casos, os astrônomos estudaram os efeitos, ou indícios, e então, pela pesquisa, encontraram a causa. Existem quaisquer efeitos que confirmem a existência de uma inteligência superior à do homem?
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Podemos saber se Deus existe?Despertai! — 1986 | 22 de fevereiro
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Podemos saber se Deus existe?
EXISTE um indício notável da existência dum Criador que todos portamos conosco. Utilizamo-lo diariamente, em grau menor ou maior, e, todavia, tendemos a considerá-lo corriqueiro. Pesa cerca de 1 quilo e 400 gramas, tem o tamanho duma laranja grande, parece-se um tanto com uma noz-de-natal, e situa-se bem protegido no crânio. Sim, trata-se do cérebro humano.
Todavia, essa descrição simples de forma alguma faz justiça a esta maravilha de design. O neurobiologista francês, Dr. Jean-Pierre Changeux, descreveu-o do seguinte modo: “O cérebro humano nos leva a pensar num gigantesco ajuntamento de dezenas de bilhões de teias de aranha neuronais intercruzadas, percorridas por miríades de impulsos elétricos, emitidos de tempos a tempos por rica gama de sinais químicos. A organização anatômica e química desta máquina é fantasticamente complicada.” — Neuronal Man (Homem Neuronal).
Segundo o neurologista, Dr. Richard Restak, cada um dos até 100 bilhões de neurônios, ou células nervosas, do cérebro “talvez tenha mais de mil sinapses — pontos de contato entre as células nervosas. No caso de algumas células do interior do córtex cerebral, os totais podem aproximar-se das duzentas mil conexões.”
O Dr. Changeux calcula que existe “algo em torno de 600 milhões de [sinapses] por milímetro cúbico”. Um milímetro cúbico tem cerca do tamanho da cabeça dum diminuto alfinete! Assim, quantas sinapses, ou regiões de contato, há num cérebro? O Dr. Restak responde: “Talvez haja de dez a cem trilhões de sinapses no cérebro, e cada uma opera como diminuta calculadora que tabula os sinais que chegam como impulsos elétricos.” O que significa isso? Como afirma Restak: “O número total de conexões no interior da ampla rede do sistema neuronal do cérebro é deveras astronômico.”
Como se Transmitem as Informações?
Mas isto não é o fim da história. Os neurônios do cérebro fazem conexões por meio de prolongamentos fibrosos chamados dendritos. O Dr. Restak declara: “Cálculos da dimensão total dos dendritos no interior do cérebro humano excedem centenas de milhares de quilômetros.” E tudo isso dentro da massa compacta do cérebro no interior de seu crânio!
Mas, como são transmitidas as informações no interior do universo fascinante do cérebro? Como é transposto, de célula para célula, o espaço entre as sinapses, de 0,000025 milímetro de largura? Por uma “simples” conversão dum impulso elétrico num impulso químico que transpõe o espaço como neurotransmissor. Há dezenas de diferentes compostos químicos que atuam como neurotransmissores, diversos dos quais também “desempenham papéis totalmente diferentes em outras partes do organismo”. — Neuronal Man.
Pare e pondere sobre o que acaba de ler. Poderia tão ampla complexidade, comprimida em tão reduzido espaço craniano, ser realmente resultado da natureza cega ou de um processo de ensaio e erro não-dirigido? Ou é antes o brilhante design dum Criador?
“O Mais Notável Fenômeno”
O cérebro humano é responsável pelo escancarado abismo existente entre até mesmo o mais inteligente animal e o humano mediano. Como observaram os professores de biologia humana, Drs. Ornstein e Thompson, em The Amazing Brain (O Surpreendente Cérebro): “A capacidade da mente humana de aprender — estocar e relembrar informações — é o fenômeno mais marcante do universo biológico. Tudo que nos torna humanos — a linguagem, o pensamento, o conhecimento, a cultura — é resultado desta extraordinária capacidade.”
Então, se este escrutínio do cérebro o deixou deveras impressionado, não deveria pelo menos considerar a possibilidade de que um Projetista e Criador inteligente seja responsável por este órgão complexo? O escritor bíblico e advogado, Paulo, arrazoou do seguinte modo: “Tudo que pode ser conhecido sobre Deus, por parte dos homens, acha-se diante dos seus olhos . . . Seus atributos invisíveis, isto é, seu poder eterno e sua divindade, têm sido vistos, desde o começo do mundo, pelo olho da razão, nas coisas que ele fez.” — Romanos 1:19, 20, The New English Bible.
O Milagre Ocorrido no Útero
Consideremos uma pergunta quiçá ainda mais intrigante: Como foi que tal cérebro complexo se desenvolveu, a partir de uma única célula fecundada, no útero da mãe? Comenta o evolucionista Dr. Restak: “Alguns respondem levianamente que tudo isso está geneticamente programado, esquecendo-se por um instante que um programa não tem sentido sem um programador.” No entanto, visto que os evolucionistas em geral não crêem na existência dum “programador” superior, buscam uma explicação alternativa. Bem, o que encontramos ao estudar o desenvolvimento do cérebro a partir daquele minúsculo óvulo fecundado, implantado no útero da mãe?
Afirma o Dr. Restak: “Nada muito parecido com o cérebro pode ser encontrado no embrião humano senão por volta das três semanas de idade. [Nesse ponto, o embrião mede menos de 6 milímetros.] Depois disso, o cérebro, junto com o restante do sistema nervoso central, começa a desdobrar-se de uma folha de células que cercam o embrião.” É fácil dizer isso, mas lembre-se de que começamos de apenas uma única célula fecundada. Daí, tal célula aciona incrível série de multiplicações rápidas que duram nove meses, a uma taxa de 250.000 novos neurônios por minuto, até que se produz um cérebro humano plenamente formado com até 100 bilhões de células!
Pouco é de admirar que alguns cientistas adotem um conceito humilde ao estudarem o cérebro! O Dr. Miles Herkenham, neurocientista, afirma: “Sempre haverá algo que nos deixará estupefatos, que nos surpreenderá, que nos manterá humildes . . . O cérebro humano é simplesmente o órgão mais maravilhoso do universo conhecido.”
Tal humildade deveria levar-nos a reconhecer a inteligência superlativa por trás do cérebro humano, a mente inigualável por trás da mente humana. Como o próprio Criador declarou: “Pois os vossos pensamentos não são os meus pensamentos, nem os meus caminhos, os vossos caminhos. . . . Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim os meus caminhos são mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, do que os vossos pensamentos.” — Isaías 55:8, 9.
Milhares de Indícios
Existem incontáveis outros indícios de que algo muito maior do que o acaso cego foi responsável pela enorme variedade e complexidade da vida na Terra. Por exemplo, o instinto migratório inato das aves e dos peixes deixa perplexos os cientistas. Qual a origem dessa capacidade instintiva?
O jornal The New York Times recentemente informou: “A cada primavera e outono setentrionais, milhões de cegonhas, pelicanos, falcões, águias e outras grandes aves sobrevoam Israel ao migrarem entre a Europa e a Ásia Ocidental e a África, procurando o caminho mais curto em torno do Mediterrâneo.” Por que simplesmente não cruzam em linha reta aquele mar? O informe continua: “Diferente das aves menores que podem ir batendo asas e cruzar a água em um só dia, as aves maiores e mais pesadas precisam ascender e planar em colunas de ar quente que ascendem do solo. . . . As aves descem planando do topo de uma corrente termal até o fundo da seguinte, e repetem esse processo por todo o caminho até a África, e ao voltarem.” E isto sem nenhum mapa ou bússola e, em muitos casos, sem nenhuma experiência prévia!
Também é impressionante a oportunidade da migração. A mesma fonte declarou: “Cada espécie vinha quase na mesma época e pelo mesmo corredor aéreo todo ano. Por exemplo, em 4 de setembro de 1984, e em 4 de setembro de 1985, os falcões-abelheiros começaram seu desfile sobre Israel, calculadamente 220.000 deles em dois dias.” Quem programou esta capacidade instintiva nos genes destas aves? Ninguém? Ou foi um inteligente Criador?a
Grande Pedra de Tropeço Para a Crença em Deus
Em face destas evidências circunstanciais da existência dum Criador inteligente, como é que tantas pessoas sinceras e cultas ainda assim não crêem em Deus? Há vários fatores que podem ter influenciado o modo de pensar delas.
Por exemplo, a religião, no decorrer das eras, pintou a Deus como uma misteriosa Trindade, de três pessoas em uma só, e que destina as almas à tortura eterna num inferno de fogo. Também, a religião projetou uma imagem deturpada de um Deus egoísta que permite que os entes queridos morram, de modo que possa povoar o céu dele. Outros têm notado quão comumente as religiões pregam uma coisa e fazem outra. Não é de admirar que muitos se tenham desviado de Deus.
Todavia, outro motivo de muitos duvidarem de que Deus existe é o sofrimento humano. Como poderia um Deus justo permitir tanto sofrimento durante a história registrada do homem? Se ele é Todo-poderoso, por que não põe fim à guerra e ao sofrimento?
[Nota(s) de rodapé]
a Para obter mais informações pormenorizadas sobre a origem da vida, leia A Vida — Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação?, um livro de 256 páginas, bem ilustrado, editado em 1985 pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.
[Fotos na página 5]
O cérebro possui até uns 100 bilhões de neurônios como este, com milhares de quilômetros de dendritos e trilhões de sinapses.
“A capacidade da mente humana de aprender . . . é o fenômeno mais marcante do universo biológico.” — The Amazing Brain.
[Foto na página 6]
Em 9 meses, uma célula fecundada torna-se um bebê que possui um cérebro contendo até 100 bilhões de células.
[Foto na página 7]
Cegonha-branca européia.
O instinto migratório é outra evidência de que existe uma inteligência superior por trás da criação.
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Por que Deus permite o sofrimento?Despertai! — 1986 | 22 de fevereiro
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Por que Deus permite o sofrimento?
“Os seres humanos são ímpares no sentido de poderem ser iníquos, porque são ímpares em ter consciência do que fazem e de fazerem escolhas deliberadas.” — Arnold Toynbee, historiador, em Mankind and Mother Earth (A Humanidade e a Mãe Terra)
TODOS nós fazemos escolhas deliberadas. Fazemo-las todo dia. A maioria de nossas decisões têm que ver com coisas triviais da vida cotidiana — o que comeremos, o que beberemos, o que vestiremos, onde iremos. Algumas decisões, porém, têm conseqüências mais graves que podem influir em nós pelo resto da vida ou podem até mesmo encurtar-nos a vida.
Quando um médico recomenda uma operação, surge de imediato a necessidade de tal escolha. Valerá a pena o risco? Quão experiente e confiável é o cirurgião? Isso vai estender ou encurtar minha vida? Séria decisão tem de ser tomada.
Nos primórdios da História, fizeram-se algumas escolhas deliberadas que influíram desde então sobre a humanidade. E tais decisões têm diretamente que ver com nossa pergunta: Por que Deus permite o sofrimento?
O Homem — ‘Ímpar em Ser Iníquo’?
O relato bíblico da História primitiva indica que o homem não era a primeira criatura inteligente, dotada de livre-arbítrio, e da capacidade de escolha. Com efeito, não era tampouco o primeiro ou ‘ímpar em poder ser iníquo’. Já existia uma forma superior de vida — “os semelhantes a Deus”, criaturas espirituais, também chamadas de anjos. —Salmo 8:5. Um destes “semelhantes a Deus”, dos quais existem milhões, viu a oportunidade de se tornar real deus-governante do primeiro homem e da primeira mulher, em lugar de Jeová, o Criador deles. Utilizando seu livre-arbítrio, mentiu deliberadamente à mulher, com o fito de induzir a ela, e, por meio dela, ao marido dela, a desobedecer a Deus. Deu a entender que Deus era mentiroso e enganador. Disse a ela que o modo independente de pensar e de agir não levaria à morte, como Deus declarara, mas asseverou: “Forçosamente sereis como Deus, sabendo o que é bom e o que é mau.” — Gênesis 3:1-5.
Por seu proceder, este semelhante a deus começou uma rebelião contra o governo de Deus — rebelião testemunhada por milhões de anjos. Desta forma, o exercício da soberania legítima tornou-se uma questão universal. Esse anjo opositor tornou-se, para Deus, um adversário, termo que se traduz do hebraico como “Satanás” (ou “Satã“). Ao pôr em dúvida a veracidade de Deus, Satanás tornou-se também o primeiro caluniador, termo que se traduz do grego como “Diabo”. Esta rebelião inicial acionou a cadeia de eventos que levou aos sofrimentos da humanidade. ‘Como assim?’, talvez pergunte.
“O Defeito É Deles”
O primeiro homem e a primeira mulher tinham diante de si a perspectiva de infindável vida perfeita num ambiente paradísico que eles, junto com seus filhos, com o tempo se expandiriam para todos os cantos da Terra. Mas essa perspectiva dependia de sua lealdade a Deus. A desobediência introduziria no quadro um novo elemento genético — a imperfeição e a morte — a ser transmitido a futuras gerações. O que aconteceu? — Gênesis 2:15-17.
O apóstolo Paulo explica a situação de forma muito simples, afirmando que “pela desobediência de um só homem [Adão] muitos foram constituídos pecadores”, e que “a morte reinou por intermédio daquele”. (Romanos 5:17-19) Por rejeitarem a soberania de Deus, Adão e Eva colocaram a humanidade na vereda do sofrimento, da doença e da morte. O que Moisés disse a respeito de Israel também se pode dizer sobre a humanidade em geral: “Agiram ruinosamente da sua parte; não são seus filhos, o defeito é deles. Geração pervertida e deturpada!” — Deuteronômio 32:5.
Em conseqüência disso, os homens têm resolvido ser independentes de Deus e desviar-se de sua regência. Mas para o que se voltaram? Quer o saibam, quer não, submeteram-se à soberania do “deus deste sistema de coisas [que] tem cegado as mentes dos incrédulos”. (2 Coríntios 4:4) Tornaram-se peões nas mãos do Diabo, “o pai da mentira”. (João 8:44) Fizeram isso por escolherem governos políticos e religiosos humanos que conduzem ao ódio, ao desastre e ao sofrimento. Não é de admirar que a Bíblia afirme que Satanás, o Diabo, “está desencaminhando [‘enganando’, A Bíblia na Linguagem de Hoje] toda a terra habitada”. — Revelação 12:9.
Por Que se Tem Permitido o Sofrimento?
Por que foi que Jeová não sufocou a rebelião no nascedouro por destruir a Satanás lá no Éden? Como Onipotente, certamente dispunha do poder de fazê-lo. No entanto, Satanás não questionara o poder de Deus, mas, em vez disso, o Seu modo de exercê-lo.
Por argumentar contra a lei expressa de Deus, Satanás afirmara efetivamente que o modo de Deus de governar é errado, e que realmente não traz benefícios às Suas criaturas. Argumentou, também, que os humanos, uma vez sob prova, não permaneceriam leais a Deus. (Jó, capítulos 1 e 2.) Como se poderia enfrentar tal desafio e resolvê-lo de uma vez por todas?
Talvez possamos comparar o modo de Deus de lidar com a humanidade transviada ao filho pródigo, ou esbanjador, de uma das parábolas de Jesus. Mencionou Jesus um homem que tinha dois filhos, o mais jovem dos quais exigiu seu quinhão da herança enquanto seu pai ainda vivia. Queria ser independente, ir embora de casa e provar que poderia viver por sua própria conta. O pai podia prontamente recusar o pedido do filho e trancá-lo num quarto, de modo que não pudesse escapar. Serviria isto para algum propósito duradouro? Não, porque assim o filho teria permanecido a contragosto. Ademais, isto lhe negaria o exercício do livre-arbítrio. Assim, que fez o pai?
Jesus explicou: “O pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, ajuntando seus haveres, o mais jovem partiu para uma região longínqua, dissipando sua herança numa vida devassa.” As coisas ficaram tão ruins que este filho judeu teve de trabalhar como porcariço. Muito embora houvesse comida para os porcos, não havia nenhuma para ele. Prosseguiu Jesus: “E caindo em si, disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome!’” Assim, que fez ele? Decidiu voltar para casa, arrependido, e submeter-se inteiramente à misericórdia de seu pai. — Lucas 15:11-32, A Bíblia de Jerusalém.
Daí, que foi preciso para que tal jovem caísse em si? Tempo e experiência. O pai não tomou medidas drásticas, mas deu tempo para o filho discernir a tolice de seu modo de agir. Na verdade, o rapaz sofreu com tal experiência, mas isso o fez cair em si.
Estabelecido um Precedente
Semelhantes ao filho da parábola, nossos primeiros pais humanos escolheram a vereda da independência para com Deus. Naturalmente, Adão e Eva, diferentes do filho pródigo, jamais retornaram para seu Pai, mas, devido à rebelião deles, a humanidade entrou numa questão que só podia ser decidida aos olhos da criação inteligente, visível e invisível, por se dar tempo ao tempo. Agora, depois de 6.000 anos de independência de Deus e de seu governo, o que ficou provado? Conforme expresso pelo profeta Jeremias: “Bem sei, ó Jeová, que não é do homem terreno o seu caminho. Não é do homem que anda [sequer] o dirigir o seu passo.” (Jeremias 10:23) A história do homem tem demonstrado que o “homem tem dominado homem para seu prejuízo”. Como o filho pródigo, muitos que reconheceram isso se voltam para seu Pai celeste, em busca de direção, provando que Satanás é mentiroso em sua afirmação de poder desviar a todos de servir a Deus. — Eclesiastes 8:9.
Jeová atuará em breve contra o impenitente Satanás e os que apóiam o proceder independente dele, pondo assim fim à rebelião e a todas as suas conseqüências. Passou-se suficiente tempo para que se estabelecesse um precedente para todas as eras futuras. Com tal precedente, jamais será de novo necessário que Jeová permita qualquer rebelião futura, quer no domínio visível, quer no invisível. O tempo e a experiência demonstraram que nem Satã, nem o homem, separados de Deus, podem exercer o governo de forma justa. — Revelação 16:14-16; 20:1-3.
Na verdade, no ínterim, a humanidade teve de suportar imenso sofrimento e, muitas vezes, a morte precoce. Jeová, porém, também prometeu compensar isto. Como assim? Conforme declarou o apóstolo Paulo: “Eu tenho esperança para com Deus . . . de que há de haver uma ressurreição tanto de justos como de injustos.” (Atos 24:15) A ressurreição dos mortos para terem a oportunidade de obter vida perfeita na Terra será um supremo ato de misericórdia. Daí, cada um poderá mostrar apreço pela dádiva da verdadeira vida.
Sob o arranjo dos “novos céus e uma nova terra”, os sofrimentos anteriores serão gradualmente olvidados, sendo substituídos pelas bênçãos de uma vida frutífera, feliz e infindável. Como a Bíblia diz: “Não haverá recordação das coisas anteriores, nem subirão ao coração.” (Isaías 65:17; 2 Pedro 3:13; Revelação 21:1-4) Mas, como podemos estar seguros de que isto será possível? Que mudanças tornarão realidade a paz interminável?
[Destaques na página 9]
O homem não era a primeira criatura inteligente de Deus dotada de livre-arbítrio e da capacidade de escolha.
A desobediência introduziria novo elemento no quadro.
[Foto na página 10]
Assim como o tempo e a experiência fizeram que o filho pródigo reconhecesse sua dependência de seu pai, da mesma forma, hoje em dia, muitos vieram a reconhecer a necessidade que têm de Deus.
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Como é que Deus trará a paz? E quando?Despertai! — 1986 | 22 de fevereiro
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Como é que Deus trará a paz? E quando?
“Desde o alvorecer da civilização, a instituição-mestra do Homem tem sido os estados . . . Jamais houve um único estado que abrangesse toda a geração viva da humanidade, ao redor de todo o globo.”
“Sempre houve uma multidão de estados . . . e suas colisões precipitaram as guerras que têm sido um dos males da civilização.”
“O atual conjunto global de estados soberanos locais não é capaz de manter a paz.” — Arnold Toynbee, Mankind and Mother Earth.
À LUZ das declarações acima, qual é um dos principais obstáculos para o estabelecimento da paz? É a divisão da humanidade em estados soberanos. Expresso de forma mais simples, é o nacionalismo.
O historiador Arnold Toynbee descreveu o nacionalismo como “a mais potente e a mais perversa das três ideologias ocidentais pós-cristãs. [As outras sendo, de acordo com Toynbee, ‘o comunismo mundial’ e ‘o capitalismo mundial’.] . . . O nacionalismo é cerca de noventa por cento da religião de cerca de noventa por cento da inteira raça humana”. Todavia, o nacionalismo tem dividido a humanidade já por milhares de anos. Daí, como pode o Deus de paz livrar a Terra desse flagelo?
Base de Mudança
De modo tranqüilo, a mudança já está ocorrendo. A semente da paz e do modo de pensar supranacional está sendo semeada na mente de milhões de pessoas ao redor do mundo. Como isto está sendo feito? Pela obra educativa realizada pelas Testemunhas de Jeová em toda a Terra. Este grupo religioso tem demonstrado, por sua folha de serviços, que é apolítico — completamente neutro em questões políticas e nacionalistas. Esta posição baseia-se em seguir os ensinos de Cristo, os quais, por sua vez, baseiam-se na verdade fundamental de que “Deus é amor”. — 1 João 4:8.
Jesus disse: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” Também declarou: “Continuai a amar os vossos inimigos e a orar pelos que vos perseguem.” (João 13:35; Mateus 5:44) Em vista das palavras de Jesus, como é que seus verdadeiros seguidores poderiam aprender a guerrear? Como poderiam odiar e matar outros à base arbitrária do nacionalismo? Realmente, não poderiam!
É por isso que as Testemunhas de Jeová já formam uma fraternidade mundial que se prepara para a vida numa nova ordem aqui na Terra, sob a regência do Reino celeste de Deus. Constituem prova viva de que é possível reeducar pessoas, de modo que elas vivam em paz com seu vizinho de todas as raças, e tribos, e línguas. Em certo sentido, já formam um só grupo organizado que abrange representantes de toda a humanidade, ao redor do mundo. Mesmo agora, milhões de Testemunhas, e de associados a elas, ‘transformaram suas espadas em relhas de arado, e suas lanças em podadeiras’. Não se dispõem a pegar em armas contra seu próximo, nem aprendem mais a guerra. — Isaías 2:4.
Grandes Mudanças Para Breve
Há mais de 2.500 anos, a Bíblia disse a respeito dos eventos no tempo do fim: “O Deus do céu estabelecerá um reino que jamais será arruinado. . . . Esmiuçará e porá termo a todos estes reinos [políticos competidores], e ele mesmo ficará estabelecido por tempos indefinidos.” (Daniel 2:44) Trata-se do próprio Reino que se ensina os cristãos a pedir, na oração do Pai Nosso. As Testemunhas de Jeová anunciam tal governo do Reino, e elas sabem que Deus não deixará de trazê-lo, porque “é impossível que Deus minta”. — Hebreus 6:18; Tito 1:2.
Para que Deus traga paz à Terra, é mister que haja outra grande mudança — uma mudança de governança espiritual. Satanás tem de sair. Esse é um dos motivos pelos quais Cristo Jesus teve de morrer como mártir, “para que, pela sua morte, reduzisse a nada aquele que tem os meios de causar a morte, isto é, o Diabo”. (Hebreus 2:14) De acordo com a profecia de Revelação (Apocalipse), Satanás dentro em breve será posto fora de ação. Daí não haverá mais governantes políticos influenciados por ele para lançar propaganda belicista. As pessoas amantes da paz poderão voltar-se para o Deus de paz, em busca de governo e tranqüilidade. — Revelação 20:1-3.
Numa linda visão, João viu este novo governo celeste em operação para com a Terra, e ouviu uma voz do céu que lhe disse: “Eis que a tenda de Deus está com a humanidade, e ele residirá com eles e eles serão os seus povos. . . . E enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” — Revelação 21:1-4.
Poderá, também, encontrar paz até mesmo agora, e perfeita paz no futuro, por vir a conhecer os propósitos de Deus para com a humanidade e esta linda, embora maltratada, Terra.
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