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Deuses E DeusasAjuda ao Entendimento da Bíblia
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Assim, com efeito, a morte do primogênito de Faraó realmente significava a morte de um deus. (Êxo. 12:29) Isto em si teria sido um duro golpe na religião do Egito, sem se mencionar que estava envolvida a completa incapacidade de todas as deidades de salvarem da morte os primogênitos dos egípcios.
DEIDADES CANANÉIAS
O mais proeminente dos deuses cananeus era Baal, o deus da fertilidade, uma deidade do céu, da chuva e da tempestade. Nos textos de Ras Xamra, Baal muitas vezes é chamado de filho de Dagom, embora fale-se também de El como sendo seu pai. Anate, irmã de Baal, aparece referindo-se a El como pai dela e este, por sua vez, chama-a de sua filha. Assim, provavelmente Baal era considerado filho de El, embora possa ter sido também considerado como neto de El. Nos relatos mitológicos, descreve-se a Baal como atacando e vencendo a Yam, o deus que presidia sobre as águas e que parece ter sido o filho favorito ou amado de El. Mas, em sua luta com Mot, o deus da morte e da aridez, e um dos filhos de El, Baal é morto. De modo que Canaã, tal qual Babilônia, tinha seu deus que sofrera morte violenta e fora depois disso trazido de volta à vida.
Anate, Axerá e Astorete são as principais deusas mencionadas nos textos de Ras Xamra. Contudo, parece ter havido considerável coincidência nas funções de tais deusas. Na Síria, onde os textos de Ras Xamra foram achados, Anate poderia ter sido considerada esposa de Baal, visto que ela, embora repetidas vezes mencionada como “donzela”, é apresentada como alguém que mantinha relações sexuais com Baal. Em conexão com Baal, porém, o registro das Escrituras menciona apenas Astorete e o poste sagrado, ou Axerá. Assim, às vezes, Axerá, ou então Astorete, podem ter sido consideradas esposas de Baal. — Juí. 2:13; 3:7; 10:6; 1 Sam. 7:4; 12:10; 1 Reis 18:19.
DEIDADES DA MEDO-PÉRSIA
Os indícios são de que os reis do Império Medo-Persa eram zoroastrianos. Embora não se possa provar nem refutar que Ciro, o Grande, tenha aderido aos ensinamentos de Zoroastro, desde a época de Dario I as inscrições dos monarcas repetidas vezes referem-se a Auramazda (Ormuz), a deidade principal do zoroastrismo. Dario I referiu-se a Auramazda como criador do céu, da terra e do homem, e reconheceu a este deus como aquele que lhe conferira sabedoria, destreza física e o reino.
Um aspecto característico do zoroastrismo é o dualismo, isto é, a crença em dois seres divinos independentes, um bom e o outro mau. Auramazda era considerado criador de todas as coisas boas, ao passo que Angra Mainyu (Arimã) era considerado o criador de tudo o que é mau. Pensava-se que este último pudesse provocar terremotos, tempestades, doenças e mortes, bem como instigar tumultos e a guerra. Acreditava-se que espíritos inferiores ajudavam a esses dois deuses a se desincumbirem de suas funções.
DEIDADES GREGAS
Um exame dos deuses e das deusas da antiga Grécia revela os traços da influência babilônica. O professor George Rawlinson, da Universidade de Oxford, Inglaterra, comentou: “A notável semelhança entre o sistema caldeu e o da Mitologia Clássica parece merecer atenção especial. Esta semelhança é geral demais, e demasiado similar em alguns aspectos, para permitir a suposição de que a coincidência foi produzida por mero acaso. Nos Panteões da Grécia e de Roma, e no da Caldéia, pode-se reconhecer o mesmo agrupamento geral; não é incomum verificar-se a mesma sucessão genealógica; e, em alguns casos, até mesmo os nomes familiares e os títulos das deidades clássicas admitem a mais curiosa ilustração e explicação de fontes caldéias. Dificilmente podemos duvidar de que, dum modo ou de outro, houve uma comunicação de crenças — uma transmissão em tempos bem primitivos, desde as margens do golfo Pérsico até as terras banhadas pelo Mediterrâneo, de noções e de idéias mitológicas.” — Seven Great Monarchies (Sete Grandes Monarquias), Vol. I, pp. 71 e 72.
Uma distorção da declaração de Deus a respeito do descendente da promessa pode ser percebida nos contos mitológicos que falam de o deus Apoio matar a serpente Píton e de o infante Hércules (filho de Zeus e de uma mulher terrena, Alcmena) esganar duas serpentes. Novamente nos confrontamos com o conhecido tema de um deus que morre e é, em seguida, trazido de volta à vida. Anualmente era comemorada a morte violenta de Adônis e o retorno dele à vida, principalmente por mulheres que choravam sua morte e conduziam imagens do seu corpo como numa procissão fúnebre, mais tarde atirando-as ao mar ou em fontes de água. Outra deidade, cuja morte violenta e retorno à vida costumavam ser celebrados pelos gregos, era Dioniso, ou Baco, o qual, como Adônis, tem sido identificado com o babilônio Tamuz.
DEIDADES ROMANAS
A religião dos romanos foi grandemente influenciada pelos etruscos, um povo que em geral se pensa ter vindo da Ásia Menor. As práticas da advinhação e do augúrio ligam definitivamente a religião dos etruscos à dos babilônios. Por exemplo, os modelos de fígados de barro usados para adivinhação encontrados na Mesopotâmia são parecidos ao modelo de um fígado de bronze encontrado em Piacenza, na província de Emília, Itália. De modo que, quando os romanos adotaram as deidades etruscas, estavam, na verdade, recebendo uma herança babilônica. (Veja ASTRÓLOGOS.) A grande tríade romana de Júpiter (o deus supremo, deus do céu e da luz), Juno (a consorte de Júpiter, considerada como presidindo sobre assuntos de interesse especial para as mulheres) e Minerva (deusa que presidia sobre todas as artes e ofícios), corresponde aos etruscos Tínia, Uni e Menerva.
Com o passar do tempo, os principais deuses gregos introduziram-se no panteão romano, embora conhecidos por outros nomes. Também, deidades de ainda outros países foram adotadas pelos romanos, incluindo a persa Mitra (cujo aniversário natalício era celebrado em 25 de dezembro), a deusa frígia da fertilidade, Cibele, e a egípcia Ísis, as duas últimas sendo identificadas com a babilônica Istar. Também, os próprios imperadores romanos eram deificados.
Saturno era adorado por ter dado a Roma uma era áurea. As saturnais, originalmente uma festa de um dia em sua honra, foram mais tarde prolongadas para uma celebração de sete dias, na última quinzena de dezembro. O evento era marcado por uma grande orgia. Eram trocados presentes, tais como velas e frutas de cera, e as crianças, em especial, eram presenteadas com bonecas de barro. Durante o festival, nenhuma punição era aplicada. As escolas e os tribunais tinham um feriado; até mesmo as operações de guerra eram suspensas. Os escravos trocavam de lugar com os seus amos e se lhes era permitido falar o que quisessem, sem necessidade de temerem castigo.
OS DEUSES DAS NAÇÕES CONTRASTADOS COM JEOVÁ
Atualmente, muitos dos deuses mencionados na Bíblia não são nada mais do que um nome. Embora seus adoradores às vezes até mesmo sacrificassem seus próprios filhos a eles, os deuses falsos eram incapazes de salvar os que recorriam a eles, em busca de ajuda, em seus momentos de maior necessidade. (2 Reis 17:31) Foi assim que, por causa de seus sucessos militares, o rei da Assíria, por meio de seu porta-voz, Rabsaqué, jactou-se: “Livraram deveras os deuses das nações cada um a sua própria terra da mão do rei da Assíria? Onde estão os deuses de Hamate e de Arpade? Onde estão os deuses de Sefarvaim, de Hena e de Iva? Livraram eles a Samaria da minha mão? Quais dentre todos os deuses dos países livraram a sua terra da minha mão, de modo que Jeová livre Jerusalém da minha mão?” (2 Reis 18:28, 31-35) Mas Jeová não desapontou seu povo, como fizeram aqueles pseudodeuses aos quais o rei da Assíria entregou ao fogo. Numa só noite, o anjo de Jeová matou 185.000 no acampamento dos assírios. Humilhado, o orgulhoso monarca assírio, Senaqueribe, voltou a Nínive, onde mais tarde foi assassinado por dois de seus filhos, no templo de seu deus, Nisroque. (2 Reis 19:17-19, 35-37) Na verdade, “todos os deuses dos povos são deuses que nada valem; mas, quanto a Jeová, ele fez os próprios céus”. — Sal. 96:5.
Os falsos deuses não só têm as características dos seus criadores, mas as pessoas também se tornam muito semelhantes aos deuses que adoram. Para ilustrar: O Rei Manassés, de Judá, era devoto dos deuses falsos, mesmo a ponto de sacrificar seu filho no fogo. O zeloso empenho de Manassés na adoração falsa, porém, não fez dele um rei melhor. Antes, por derramar sangue inocente em quantidade muito grande, provou ser semelhante às deidades sedentas de sangue que adorava. (2 Reis 21:1-6, 16) Em nítido contraste com isso, os adoradores do verdadeiro Deus diligenciam em ser imitadores do seu Criador perfeito, exibindo os frutos do seu espírito: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura e autodomínio. — Efé. 5:1; Gál. 5:22, 23.
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Deuteronômio, Livro DeAjuda ao Entendimento da Bíblia
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DEUTERONÔMIO, LIVRO DE
Tanto a autenticidade de Deuteronômio como livro do cânon da Bíblia, como a autoria de Moisés, acham-se bem alicerçadas no fato de que Deuteronômio sempre foi reputado pelos judeus como parte da Lei de Moisés. A evidência da autenticidade de Deuteronômio é, em geral, a mesma que a dos outros quatro livros do Pentateuco (queira ver). Jesus é a principal autoridade que atesta a autenticidade de Deuteronômio, citando-o três vezes ao afastar as tentações de Satanás, o Diabo. (Mat. 4:1-11; Deut. 6:13, 16; 8:3) Também, Jesus respondeu à pergunta quanto a qual era o maior e o primeiro mandamento por citar Deuteronômio 6:5. (Mar. 12:30) Paulo cita Deuteronômio 30:12-14; 32:35, 36. — Rom. 10:6-8; Heb. 10:30.
O tempo abrangido pelo livro de Deuteronômio é um pouco superior a dois meses, no ano de 1473 A.E.C. Foi escrito nas planícies de Moabe, e consiste em quatro discursos e em um cântico e uma bênção, da parte de Moisés, à medida que Israel acampava nas fronteiras de Canaã, antes de entrar nessa terra. — Deut. 1:3; Jos. 1:11; 4:19.
PROPÓSITO
Deuteronômio não é uma segunda lei, nem uma repetição da inteira Lei, mas é uma explicação, como diz Deuteronômio 1:5. Exorta Israel à fidelidade a Jeová, usando a geração que peregrinou por 40 anos como exemplo a ser evitado. Moisés explica e discorre sobre alguns dos pontos essenciais da Lei, e os princípios nela contidos, tendo em vista as circunstâncias mudadas de Israel quando se fixassem de forma permanente naquela terra. Faz ajustes em algumas das leis, em conformidade com isso, e provê outros regulamentos concernentes à administração do governo em sua condição de povo fixado na Terra Prometida.
Ao exortá-los e convoca-los a entrar neste pacto renovado com Jeová, mediante Moisés,
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