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Reconheça a faculdade do discernimentoA Sentinela — 1961 | 1.° de novembro
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Reconheça a faculdade do discernimento
“O alimento sólido é para as pessoas maduras, para aqueles que, pela prática, têm suas faculdades perceptivas exercitadas para discernir tanto o certo como o errado.” — Heb. 5:14, NM.
1, 2. Por que é que Jesus nunca se enganou?
JESUS nunca se enganou. Quando desafiado pelos líderes religiosos, em certa ocasião durante o seu ministério terrestre, ele disse: “Qual de vós pode achar-me culpado de pecado?” (João 8:46, NM) Deu-se isso porque ele era perfeitos Não de todo. Adão e Eva também eram perfeitos, no entanto, fizeram um dos erros mais sérios já cometidos. Desobedeceram a Jeová Deus. Esta foi a diferença! Adão e Eva negaram-se a usar suas faculdades perceptivas.
2 Jesus tinha sido ensinado por Deus. Tinha estado durante incontáveis milênios ao lado de Jeová, bebendo abundantemente da Fonte da sabedoria. Era vasto seu conhecimento dos caminhos de Jeová e ele entendia plenamente os princípios envolvidos no seu cumprimento da vontade divina para com ele. Outrossim, Jesus foi sempre obediente e sempre seguiu o perfeito exemplo dado pelo seu Pai celestial, confiando completamente na força ativa ou no espírito de Deus para o cumprimento de qualquer comissão que lhe fosse designada. E m resultado disso, Jesus não só pôde prever o resultado de cada rumo possível que pudesse tomar, mas ele pôde também discernir claramente que proceder resultaria no maior louvor para o nome de seu Pai e no seu próprio bem-estar eterno. Visto que ele amava a seu Pai acima de tudo, nunca hesitou em adotar o proceder correto. Por isso estava sempre certo. — João 8:38; Heb. 10:7.
3. Que induziu Eva a adotar um proceder que a levou à perda da vida? De que maneira contribuiu a salta do uso das faculdades perceptivas da parte dela para esta perda?
3 Adão e Eva, por outro lado, falharam em fazer o que era correto, porque não tinham aquele amor por Deus. No caso de Eva, ela tinha sido corretamente informada da vontade divina por intermédio de Adão, sua cabeça, e tinha sido informada do que resultaria se falhasse em cumpri-la. Por algum tempo, ela tinha um registro de integridade imaculada, e por isso era mulher perfeita. Depois ela ficou repentinamente confrontada por um proceder alternativo, diferente do ordenado por Jeová. Ela tinha então a oportunidade de provar seu amor a Deus, de exercer as suas faculdades perceptivas e fortalecer o seu conhecimento do certo e do errado, progredindo à inteireza de integridade e madureza. Mas, o seu interesse pessoal entorpeceu as suas faculdades perceptivas. Ela se negou a se dirigir a Adão ou a Jeová para obter orientação e seguiu antes o exemplo e o conselho de alguém que não estava autorizado como canal de comunicação de Deus, e foi assim enganada. Esperando receber benefícios pessoais não autorizados, abandonou a sua crença na palavra de Deus; para ela, o errado tornou-se o certo, e ela violou deliberadamente o mandamento de Deus. Seu ato de desobediência desfez o seu registro de integridade e ela perdeu a sua condição de perfeita. Seu erro de desobediência custou-lhe a vida.
4. Que atitude mental da parte de Adão induziu-o a participar com Eva na rebelião?
4 E que se pode dizer de Adão? Adão também se apercebia plenamente da vontade divina para com ele, mas, dessemelhante de Eva, não foi enganado quanto ao resultado para ele se desobedecesse. (1 Tim. 2:14) Contudo, igual a Eva, seu interesse pessoal venceu o seu amor por Deus e ele se juntou a Eva em violar voluntariamente o mandamento de Deus, apoiando Eva na norma que ela estabeleceu quanto ao bom e ao mau. O completo descaso de Adão para com o beneplácito de Jeová e quanto a como o proceder que escolhera afetaria o nome e o louvor de Jeová, mergulhou-o na desobediência e na morte, sem esperança de redenção. As faculdades perceptivas que Deus lhe dera, que o habilitavam a falar, a escrever, a adorar a Deus e a procurar a sua presença “ao fresco do dia”, a fim de conversar com ele — estas faculdades perceptivas bem aguçadas do homem perfeito foram abandonadas a favor da gratificação de si mesmo. Que contraste com o, proceder adotado por Jesus ao se humilhar e ao procurar sempre fazer a vontade de Deus! — Fil. 2:5-8; João 5:30.
5. (a) Como podemos evitar o erro fatal de nossos primeiros pais? (b) Como afetou este erro as normas modernas do bem e do mal, e que, portanto, é tolo de se presumir?
5 Nós, como filhos imperfeitos de Adão e Eva, não podemos esperar poder duplicar as faculdades perceptivas de Jesus, nem podemos agora viver completamente livres de erro. (Rom. 3:12) Mas podemos evitar o erro fatal feito pelos nossos primeiros pais humanos. Para fazer isso, precisamos desenvolver e exercer nossa faculdade de discernimento. As crianças nascem sem conhecimento do certo e do errado. Conforme avançam à madureza, seu conceito do que é bom e do que é mau desenvolve-se usualmente pelo treinamento fornecido pelos pais e por meio das experiências que encontram no ambiente em que se criam. Se Adão e Eva tivessem permanecido fiéis, então nós, como seus filhos, teríamos sido corretamente instruídos segundo a Palavra de Deus e criados num clima de justiça. Mas, os nossos primeiros pais abandonaram deliberadamente a norma de Deus, estabelecendo o seu próprio substituto, o qual transmitiram à sua posteridade, e assim temos uma herança básica de desobediência e uma tendência para o erro. (Jó 14:4) Outrossim, durante os séculos, as crenças e os costumes mudaram completamente entre um extremo da terra e o outro. Quão tolo e imprevidente é, em face de tais diferenças, que alguém presuma que a sua norma é a certa e segura, só porque ele foi criado deste modo e esta é a única que ele conhece!
6. O que tornou possível para nós conhecermos a norma perfeita de Deus, e qual é o primeiro passo no uso de nossas faculdades perceptivas?
6 Embora sejamos descendentes carnais de Adão e Eva, podemos ser gratos que Jeová Deus ainda é o Criador da raça humana, embora sejamos para ele criaturas imperfeitas e tèmporàriamente alienados dele pela nossa herança de Adão. Podemos também ser gratos que Jeová não esqueceu o amor de Criador por nós e não nos abandonou a um proceder de erro sem nos mostrar a saída. Hoje seria impossível que alguém chegasse a ter um conhecimento acurado da norma perfeita de Deus, se o próprio Jeová não a tivesse claramente delineado para nós. Ele fez isso no seu próprio Livro de requisitos, a Bíblia Sagrada, enviando até mesmo seu próprio Filho perfeito para dar o exemplo correto. (2 Tim. 3:16, 17; João 13:15) Quão vital é, então, obter o pensamento de Jesus Cristo, em vez de se apegar ferrenhamente a um conceito falso que herdamos de nossos primeiros pais e que ficou ainda mais corrompido pelas normas aceitas deste presente sistema iníquo. Seguir o exemplo de Jesus é deveras o proceder de sabedoria. É o primeiro passo para se evitar o erro cometido por Adão e Eva. (2 Cor. 11:3) É o primeiro passo no uso de nossas faculdades perceptivas, o exercício do discernimento para não nos deixar enganar pelas normas morais confusas e corrutas deste velho mundo dividido, e para transformarmos a nossa mente para se harmonizar com a perfeita e completa vontade de Deus. — Fil. 2:5; Rom. 12:2.
7. A adquisição da percepção traz que recompensa, e de que é isso evidência?
7 A criança sensível e suscetível sabe quando o pai ou a mãe ficaram desgostosos com ela e fará esforço para apaziguá-los e satisfazer os seus desejos. Devemos nós ter menos discernimento em nossa relação com o Pai celestial? Como podemos dizer que temos alguma relação com ele, se formos insensíveis à sua direção ou se, constantemente desconsiderarmos as muitas evidências de que ele nos guia? Mas, reconhecermos o nosso alheamento de Deus e procurarmos uma reconciliação é apenas o começo do uso de nossas faculdades perceptivas. Então, depois de pormos de lado as muitas vontades divergentes deste presente sistema de coisas e nos dedicarmos a Jeová, para fazer a Sua vontade, como poderíamos estar contentes em passar apenas com o entendimento mais básico da doutrina bíblica e dos requisitos de Deus para nós como cristãos? Procurarmos avançar no conhecimento de Deus não é somente uma evidência de nosso amor a Jeová, mas é também indício da verdadeira madureza e do reconhecimento da provisão que Deus fez para nos instruir, a fim de discernirmos acuradamente o certo do errado. A adquisição de tal percepção traz uma rica recompensa. Significa não só maiores responsabilidades, mas também progresso na educação teocrática, coroado com a vida eterna. Que isto é essencial à madureza se torna claro das palavras de Paulo: “Mas o alimento sólido é para as pessoas maduras, para aqueles que, pela prática, têm suas faculdades perceptivas exercitadas para discernir tanto o certo como o errado.” — Heb. 5:14, NM.
8. Por que estavam alguns dos primitivos cristãos judeus em necessidade especial da admoestação de Paulo em Hebreus 5:14, e o que lhes proveria o alimento sólido?
8 Na primitiva congregação cristã, os que tinham sido criados segundo a religião judaica tinham necessidade especial de tal admoestação. Paulo escreveu-lhes estas palavras porque muitos cristãos judeus, naquele tempo, tinham progredido tão pouco no entendimento, que ele sabia que seriam incapazes de reconhecer os assuntos mais profundos, que ele considerava vital para a preservação e o progresso espiritual deles. De fato, Pedro disse a respeito dos escritos de Paulo: “Nelas, porém, há algumas coisas difíceis de entender, cujo significado os incultos e instáveis estão deturpando, como fazem também com o resto das Escrituras, pára a sua própria destruição.” (2 Ped. 3:16, NM) Se estes primitivos cristãos haviam de permanecer na verdade, não podiam continuar como “incultos e instáveis”. Necessitavam de alimento sólido, um firme fundamento em que edificar, uma firme convicção quanto aos elementos básicos da verdade e quanto ao que o próprio Jeová reconhecia como bom e como mau: Do mesmo modo nós, também, para a nossa proteção, precisamos progredir em entendimento da doutrina cristã.
AGUÇANDO AS FACULDADES PERCEPTIVAS
9. Como se mostraram os discípulos de Jesus ansiosos de aguçar as suas faculdades perceptivas, e que contraste com outros foi demonstrado por Jesus na descrição que fez dos que ouviram a sua ilustração do semeador?
9 Os apóstolos e outros discípulos que seguiam Jesus durante o seu ministério mostraram-se ansiosos, em todas as ocasiões, de aguçar as suas faculdades perceptivas e de edificar sobre o fundamento de conhecimento já colocado. Encontramos um caso disso no relato de Mateus. Jesus, pregando dum barco, por causa das multidões que se ajuntaram em volta dele na praia, contou à multidão reunida a ilustração dum semeador que lançou semente que caiu em vários tipos de solo, alguma s sementes não produzindo nada e outras se desenvolvendo plenamente em frutos. Sem explicar o significado disso, ele concluiu o seu relato com as palavras: “Quem tem ouvidos, ouça.” Dentre todos os que ouviram as suas palavras, parece que só os discípulos de Jesus tinham a perspicácia do discernimento para ‘ouvir’, porque o relato de Mateus continua: “Assim, os discípulos aproximaram-se e disseram-lhe: ‘Por que lhes falas pelo uso de ilustrações?’ Em resposta ele disse: ‘A vós é concedido entender os segredos sagrados do reino dos céus, mas àquelas pessoas não é concedido. Pois àquele que tem, mais será dado, e se fará que abunde; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo pelo uso de ilustrações, que, olhando, olham em vão, e ouvindo, eles ouvem em vão, nem compreendem o sentido disso; e é para com eles que tem cumprimento a profecia de Isaías, que diz: “Ouvindo, ouvireis, mas de maneira alguma compreendereis o sentido disso; e, olhando, olhareis, mas de maneira alguma vereis. Pois o coração deste povo se engrossou, e com os seus ouvidos ouviram. com aborrecimento, e fecharam os seus olhos; para que nunca vejam com os,olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem compreendam o sentido disso com os seus corações e ,voltem para trás, e eu os sare,” No entanto, felizes são os vossos olhos porque vêem, e vossos ouvidos, porque ouvem. Pois, em verdade eu vos digo: Muitos profetas e homens justos desejavam ver as coisas que vós observais e não os viram, e ouvir as coisas que vós ouvis, e não as ouviram.’ — Mat. 13:9-17, NM.
10. A palestra de Jesus com seus discípulos mostra que falta da parte de alguns na multidão, e o que indicou Jesus como necessário para o verdadeiro discernimento?
10 Talvez alguns dos na multidão que ouviram a ilustração de Jesus pensaram que compreenderam o seu significado sem a explicação dele, mas a palestra de Jesus com seus discípulos mostrou que o fato de não investigarem mais a fundo este relato tinha implicações muito mais sérias do que apenas complacência ou falta de curiosidade. Sua verdadeira falta era a de discernimento espiritual, falta que nutriam dentro dos seus próprios corações, como impedimento para a verdade, para que não compreendessem realmente o pleno significado das palavras de Jesus e se tornassem assim responsáveis. Como verdadeiros filhos de Adão e Eva, preferiram seguir seu próprio conselho e o de seus líderes, que sozinhos se arvoraram em tais, em vez de escutar com todo o seu coração o canal autorizado de comunicação que Jeová colocara nó meio deles. Os discípulos de Jesus, por outro lado, reconheciam que, uma vez que voltaram seus corações para Deus e aceitaram os primeiros rudimentos dos proferimentos sagrados de Deus, precisavam avançar à madureza. Por isso se voltaram para Jesus, em busca duma explicação de sua ilustração. Em resposta, Jesus disse-lhes: “Vós, então, ouvi a ilustração do homem que semeou. Onde quer que alguém ouve a palavra do reino mas não entende o sentido dela, vem o iníquo e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o semeado ao longo da estrada . . . . Quanto ao que foi semeado ria espécie correta de solo, este é o que ouve a palavra é percebe o sentido dela, o qual realmente dá fruto e produz, este cem vezes mais, aquele sessenta e outro trinta.” — Mat. 13:18-23, NM.
11. De que depende o discernimento, e como se torna evidente a necessidade de treinarmos as nossas faculdades perceptivas?
11 Tal discernimento espiritual requer treinamento. Os que o possuem, têm estudado. Estiveram atentos às suas oportunidades, tendo usado suas faculdades perceptivas, treinando-as para distinguir a verdade do erro, o certo do errado. A semente espiritual semeada em tal solo bom penetrou profundamente nos bons corações e criou fortes raízes. Tampouco podemos desculpar-nos por dizer: “Eu não sou do tipo estudioso.” Os discípulos de Jesus não eram homens eruditos, mas usavam as suas habilidades naturais ao máximo e foram ricamente recompensados pelos seus esforços. (Mat. 11:25) O estudo da Bíblia exige o exercício das faculdades mentais, isto é verdade, mas o verdadeiro discernimento depende mais de ceder ao espírito de Deus, para se ter êxito. (1 Cor. 2:11-13) Absorver o sentido da instrução recebida significa reconhecer e aceitar os princípios envolvidos e então usar este conhecimento para fazer as decisões corretas. Torna-se mais uma questão de critério do que de faculdade do intelecto, e, visto que o nosso proceder no ministério depende de nosso bom critério, e o critério equilibrado depende de quão agudas são as nossas faculdades perceptivas, torna-se evidente a necessidade de se treinar estas faculdades. Não se torna claro que, se não entendemos o sentido do que ouvimos e do que estudamos na Palavra de Deus, não temos realmente nenhuma base para distinguir entre o certo e o errado e tornamo-nos presa do ataque de Satanás? Tal fracasso ou negligência nos coloca numa posição perigosa, porque as nossas faculdades de discernimento, mal desenvolvidas, são incapazes de nos fornecer a orientação correta num critério equilibrado, e podemos ser vencidos. No entanto, se estamos inclinados a ficar desanimados por causa de faltas pessoais, temos de nos lembrar que Adão, embora suas faculdades mentais fossem perfeitas, não usou de critério e morreu, ao passo que nós, embora imperfeitos na mente e no corpo, podemos exercer a sabedoria de Jesus Cristo e viver. — 1 Cor. 1:26, 27.
12. De que princípio registrado na Bíblia em Mateus 25:21 podemos concluir que as decisões aparentemente não importantes afetam as nossas decisões maiores?
12 Para avançar às coisas mais profundas da Palavra de Deus, precisamos aprender a reconhecer também as coisas menores, as que às vezes são consideradas sem importância. Sem uma base sólida de conhecimento acurado, o edifício se torna instável e pouco firme. Assim, nossas decisões maiores se baseiam no acúmulo de decisões menores, e nosso critério em tais coisas determina nossa utilidade e nosso progresso no serviço de Jeová. — Mat. 25:21.
13. Que admoestação bíblica nos adverte da necessidade adicional de progredirmos em conhecimento acurado?
13 Isto nos indica outra necessidade para progredirmos em conhecimento acurado. Conforme Paulo escreveu aos coríntios: “Cooperando com ele, também vos exortamos a não aceitardes a benignidade imerecida de Deus, desacertando o propósito dela.” (2 Cor. 6:1, NM) Uma vez que fomos chamados das trevas deste mundo para a maravilhosa luz do propósito de Deus e tendo sido restaurados ao favor de Deus, andando na vereda da justiça, pela benignidade imerecida de Deus, somos advertidos por Paulo contra o conceito complacente de considerar isso como favor da parte de Deus, simplesmente para a nossa própria salvação e proteção. Precisamos agir segundo a instrução de Deus por nos tornarmos fazedores de sua vontade. Tiago acrescenta a seguinte palavra de testemunho: “Contudo, tornai-vos praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos com falso arrazoamento.” — Tia. 1:22, NM.
É TEMPO DE SE TORNAR INSTRUTOR
14. Que disse Paulo aos cristãos judeus, revelando o propósito de Deus em nos dar instrução?
14 Desconsiderar o propósito de Jeová em dar-nos instrução na sua Palavra é enganar-se com falso arrazoamento. É isto exercer a faculdade de percepção? Agora que o nosso discernimento nos conduziu ao caminho da verdade, por que se desviar tão prontamente? Para mostrar quão indiferentes alguns dos cristãos judeus tinham sido para com sua responsabilidade naqueles tempos, Paulo achou necessário dizer-lhes na sua carta aos hebreus: “Pois, com efeito, embora devêsseis ser instrutores, em razão do tempo, tendes novamente necessidade de que alguém vos ensine desde o começo os princípios elementares dos proferimentos sagrados de Deus, e vos tornastes tais que precisais de leite, e não de alimento sólido. Pois todo aquele que participa de leite não conhece a palavra da justiça, pois é criancinha.” Escreveu-lhes, a seguir, que o alimento sólido é para “aqueles que, pela prática, têm suas faculdades perceptivas exercitadas”. — Heb. 5:12-14, NM.
15. Por que era importante para estes cristãos judeus que dominassem os fortes argumentos de Paulo na sua carta aos hebreus?
15 Paulo reconheceu que muitos entre aqueles primitivos cristãos estavam vagarosos em compreender a sua responsabilidade como instrutores e ainda estavam contentes em permanecer, completamente no primeiro estágio do desenvolvimento cristão, simples aprendizes. Sua carta aos hebreus destinava-se a fornecer aos judeus crentes um forte argumento em apoio de Jesus como o prometido Messias, e instrução e conselho para a própria salvação deles, bem como para o eterno bem-estar dos a quem eles pregavam. Os maduros cristãos judeus, portanto, estariam ansiosos de se aproveitar desta provisão de Deus para fortalecer a sua posição, e eles dominariam prontamente estes argumentos persuasivos em defesa da verdadeira fé. Mas, como poderiam os vagarosos em aprender chegar a reconhecer a sabedoria contida na apresentação inspirada de Paulo? Como podiam eles saber se estas coisas eram realmente assim, visto que suas faculdades perceptivas, pela falta de uso, não estavam treinadas para distinguir o certo do errado? Quem havia de dizer se estas coisas mais profundas não estariam entre as que eles estariam “deturpando, . . . para a sua própria destruição”? De qualquer modo, se não estivessem suficientemente avançados para absorver estas verdades, como poderiam cumprir o propósito de serem instruídos, isto é, de ensinarem outros? A “doutrina elementar acerca do Cristo”, que, segundo Paulo, se aprende primeiro, não é difícil: “O arrependimento de obras mortas, e a fé em Deus, o ensino sobre batismos e a imposição de mãos, a ressurreição dos mortos e o juízo eterno.” (Heb. 6:1, 2, NM) Mas, junto com a aprendizagem destes “princípios elementares dos proferimentos sagrados de Deus” precisa vir a capacidade de determinar e argumentar a sua exatidão. Somente em tal alicerce se pode edificar a extensiva madureza cristã.
16. Como demonstrou Jesus aos seus discípulos a razão mais importante para nós reconhecermos o valor do discernimento?
16 Não importa quão aguçado seja o nosso discernimento natural, ainda precisamos da orientação de Deus para obter resultados. Jesus demonstrou isso aos seus discípulos, alguns dos quais eram pescadores peritos. Ele estivera ensinando as multidões de dentro do barco de Simão Pedro: “Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. Respondeu-lhe Simão: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos, mas sobre a tua palavra lançarei as rêdes. Isto fazendo, apanharam grande quantidade de peixes; e rompiam-se-lhes as redes. Então fizeram sinais aos companheiros do outro barco, para que fossem ajudá-los. E foram e encheram ambos os barcos ao ponto de quase irem a pique. Vendo isto, Simão Pedro prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador. Pois, à vista da pesca que fizeram, a admiração se apoderou dele . . . Disse Jesus a Simão: Não temas doravante serás pescador de homens. E, arrastando eles os barcos sobre a praia, deixando tudo, o seguiram.” (Luc. 5:4-11, ALA) Em vista do convite de Jesus, podemos nós desconsiderar esta razão mais importante para reconhecermos o valor de nossas faculdades perceptivas e para avançarmos à madureza, recorrendo à Palavra de Deus para treinar a tais?
17. Qual é, então, o primeiro requisito em cumprimento de nossa comissão como ministros, e por que é isso, assim?
17 Os verdadeiros cristãos precisam hoje ser igualmente pescadores de homens. A carreira do ministério está claramente delineada como vocação para todos os que vêm à vida. É uma vocação de tempo integral, quer o cristão gaste todo o dia quer apenas parte dele na pregação de porta em porta, e exige todas as faculdades e capacidades da pessoa para ser bem sucedida. O treinamento de nossas faculdades perceptivas é também um assunto de tempo integral e um dos primeiros requisitos no cumprimento de nossa comissão como ministros. Se reconhecermos este fato, então as treinaremos diariamente de modo tão diligente, como se nossa vida dependesse disso, porque ela depende disso.
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Treine suas faculdades perceptivasA Sentinela — 1961 | 1.° de novembro
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Treine suas faculdades perceptivas
1. A que foi comparado na profecia a ocupação do ministério cristão, e como esclareceu Jesus o significado disso?
OS QUE hoje seguem a ocupação de verdadeiros ministros cristãos foram na profecia comparados a pescadores e caçadores. Jeremias, ao predizer o tempo em que Deus realizaria uma obra de reconciliação, registrou: “Eis que mandarei vir muitos pescadores, diz Jehovah, e elles os pescarão; depois mandarei vir muitos caçadores, e elles os caçarão de todos os montes e de todos os outeiros, e das fendas dos penhascos.” (Jer. 16:16) O significado desta profecia tornou-se claro quando Jesus disse aos seus discípulos: “Vinde após ‘mim, e eu vos farei pescadores de homens.” — Mat. 4:19, ALA.
2. Por que é importante para o ministério o treinamento de nossas faculdades perceptivas, e como foi isto ilustrado?
2 Se havemos de estar qualificados como caçadores e pescadores peritos de homens, precisamos ser seguidores e imitadores de Cristo Jesus. Precisamos em primeiro lugar adquirir um conhecimento acurado da Palavra de Deus, assim como Jesus fez, compreendendo seu pleno significado, para que possamos discernir claramente o resultado de nosso curso de ação. Isto significa esforçar-nos seriamente no treinamento de nossas faculdades perceptivas para o uso no ministério. Ao sairmos do mundo, somos novatos na arte, calouros. Qualquer um pode levar uma espingarda para a floresta, mas isto não o torna ainda caçador. O caçador perito está atento ao seu objetivo, mantendo os olhos e os ouvidos alertas para observar quaisquer indícios da caça. Sabe que de outro modo poderia passar fome, ou, pior, tropeçar numa cova de leão ou pisar numa cobra venenosa. O caçador bem sucedido aprende a reconhecer todos os indícios de caça, aprende a interpretar corretamente estes sinais no ambiente e aprende a usar estes indícios para achar a sua caça. Assim como a perícia do caçador se aperfeiçoa com a própria experiência, o treinamento de nossa faculdade de discernimento como ministros cristãos não é apenas compreender idéias teóricas. (Heb. 5:8) Precisamos fazer uma aplicação no ministério de campo, da excelente sabedoria obtida do alto, se ela há de ser prática e se há de produzir a plenitude dos seus frutos. Só assim pode resultar em nossa própria salvação e na salvação dos que são assim procurados. — 1 Tim. 4:16.
3. Por que são importantes a disciplina e uma estrita organização pessoal para treinarmos as nossas faculdades perceptivas?
3 Tal proceder não pode ser seguido sem um considerável esforço. “Deveras, nenhuma disciplina parece de momento ser alegre, mas é dolorosa; contudo, depois, para os que foram treinados por ela, produz fruto pacífico, a saber, a justiça.” (Heb. 12:11, NM) A. justiça é um proceder de se fazer o que é correto, e, se lavemos de apegar-nos a ela, precisamos ter as nossas faculdades perceptivas treinadas pela disciplina correta. Isto significa organizarmos bem a nós mesmos para não desenvolvermos hábitos preguiçosos ou para não nos desviarmos para a indiferença. A pesquisa dos tesouros escondidos da Palavra de Deus e o uso do conhecimento de maneira mais eficiente no campo exigem que a mente seja atenta e observante. Que resultados acha que o caçador obteria se ficasse sentado na sombra, sonhando, com a espingarda encostada numa árvore?
4. Especialmente de que dois modos pode ser treinada a nossa faculdade do discernimento?
4 O provérbio diz: “A pessoa sábia ouvirá e absorverá mais instrução, e o homem de entendimento é quem adquire orientação perita.” (Pro. 1:5, NM) Visto que adquirir conhecimento acurado e entender o sentido dele é um dos primeiros requisitos no treinamento de nossas faculdades de discernimento, precisamos esforçar-nos seriamente nesta arte. Consideremos duas maneiras em que isto pode ser feito pelo estudo e pela observação. O caçador experiente reconhece que saber o que procurar constitui conhecimento básico na sua profissão. Por isso ele aprende a reconhecer e distinguir os diferentes rastos de animais. Ele chega a conhecer os hábitos de alimentação das diversas espécies de caça, o significado de todos os sons diferentes que ouve e se são de interesse imediato para se alcançar o objetivo. Equipado assim, ele está preparado para seguir o rasto da caça e para alcançá-la. Só o novato ou principiante anda em volta até que a caça salte na frente dele.
5. Por que não podemos ficar satisfeitos em ter apenas um conceito superficial sobre o que estudamos na Bíblia?
5 Nosso estudo da Bíblia precisa seguir o mesmo sistema. Visto que precisamos ter um conhecimento acurado, se quisermos ser eficientes na nossa comissão como caçadores e pescadores de homens, precisamos em primeiro lugar empregar estas mesmas técnicas de caçar e pescar na nossa pesquisa das verdades escondidas da Palavra de Deus. Por isso precisamos aprender a desenvolver uma vívida percepção do que estudamos e como se relaciona com a nossa comissão ministerial. Não estaremos satisfeitos com um mero conceito superficial, mas estaremos alertas a cada aspecto do significado da matéria em consideração.
6. Na preparação para o estudo da Sentinela, que mais se pode fazer além de apenas marcar as respostas às perguntas impressas, e por que é tão importante fazer mais?
6 Por exemplo, quando se prepara para o estudo da Sentinela na congregação, faz mais do que apenas localizar e marcar as respostas às perguntas impressas ao pé da página? Lembre-se do exemplo do caçador que segue o rasto de sua presa para apanhá-la. Considerar apenas um parágrafo por vez é como o caçador que vê apenas uma pegada por vez, sem reconhecer o que representa em relação ao rasto deixado pela caça. Tal caçador perderá logo o rasto completamente, e, em resultado, voltará ao seu acampamento sem caça. Embora, sem dúvida, tiremos proveito por aprendermos apenas algumas respostas a umas poucas perguntas em nosso estudo, não devemos esquecer o conselho do sábio caçador Paulo, que disse: “É por isso que é necessário darmos mais do que a costumeira atenção às coisas que ouvimos, para que nunca nos desviemos.” (Heb. 2:1, NM) Quanto mais benéficos e duradouros serão os resultados de nossos estudos se compreendermos o “sentido” do artigo inteiro, reconhecendo e aplicando cada ponto do estudo ao desenrolar do tema do artigo, considerando a aplicação de todos os textos bíblicos mencionados, mas não citados, esboçando na mente os argumentos principais e as provas bíblicas que indicam o caminho claro às conclusões importantes que são sempre o objetivo de cada artigo de estudo, impresso na Sentinela.
7. Que percepção aumentada resultará da conversação com os nossos irmãos sobre pontos novos e difíceis aprendidos?
7 O estudo pessoal é intensificado se estivermos alertas a palestrar com nossos irmãos sobre os pontos novos ou difíceis aprendidos. Estes pontos não só se tornam assim claramente discerníveis, mas se tornarão com mais certeza uma parte, útil em nosso depósito de conhecimento, prontamente disponível como pedras de construção com que se podem edificar outras verdades novas e avançadas. Este constante uso da informação adquirida garantirá contra a estagnação e os importantes princípios, primeiro aprendidos muitos anos antes, estarão sempre frescos quando forem necessários para se fazerem decisões. Nas conversações com os irmãos, antes e depois das reuniões, indo ao território e voltando dele, na preparação para as revisões escritas na escola do ministério teocrático, seu interesse em aguçar sua própria perspectiva estimulará o interesse de outros e assim produzirá o bem, tanto para si mesmos como para os seus irmãos. “Onde não há conselho fracassam os projetos, mas com os muitos conselheiros, há bom êxito.” — Pro. 15:22, ALA.
A NECESSIDADE DO ESTUDO EM GRUPO
8. Por que são tão vitais os estudos em grupo, para se ter um pleno e acurado discernimento da Palavra de Deus?
8 No entanto, útil como seja o estudo pessoal e nossas palestras particulares com outros, ainda precisamos assistir às reuniões de grupo em nossa vizinhança, se havemos de desenvolver plenamente as nossas faculdades perceptivas no estudo. Assim como olhamos para o canal de comunicação de Deus para instrução na sua Palavra, assim devemos procurar a palestra organizada sobre estas instruções, para as compreendermos plenamente. Quando estudamos num grupo com outros maduros, somos protegidos contra as conclusões imprudentes, em resultado da interpretação particular de algum ponto de conselho. Estamos em condições de comparar as respostas de nossos irmãos com as que nós preparamos. Está alerta a esta oportunidade e provisão? Compara o seu. conhecimento e entendimento com o que tem sido discutido? Talvez esteja de pleno acordo com o que foi dito. Ainda assim aprenderá novos modos de expressar o mesmo pensamento e certamente adquirirá algumas novas idéias em cada reunião. Mas, se ouvir um ponto expresso que não compreende plenamente ou que entendeu de modo diferente, então desejará certamente tomar nota disso para posterior esclarecimento, a fim de que a sua busca da verdade não seja desviada por meio de conclusões vagas e errôneas. O caçador experiente e sábio nunca se deixará desviar do rasto quando se torna mais difícil segui-lo. Andará mais devagar e reconhecerá o terreno até estar certo da direção, e então avançará novamente com todo o empenho em perseguição de sua caça.
9. (a) Que atitude mental nas conferências públicas, nas reuniões de serviço e na escola do ministério teocrático será de maior proveito para nós? (b) Por que devemos aproveitar cada oportunidade para exercer o nosso discernimento?
9 Nós, de modo similar, devemos estar atentos e despertos ao escutarmos discursos instrutivos, apresentados nas conferências públicas, nas reuniões de serviço e na escola do ministério teocrático, realizadas no Salão do Reino. Às vezes sentimo-nos talvez inclinados a simplesmente ficar sentados e deixar os discursos passar por cima de nós, absorvendo apenas os pontos que por acaso penetrem na nossa mente. Isto é muito parecido ao caçador que passiva, mas otimistamente espera que a caça lhe caia do céu. O verdadeiro estudante da Palavra de Deus aprenderá a escutar assim como fizeram os discípulos de Jesus, atento a compreender mais do que apenas os essenciais. (Mar. 4:10) Se estivermos realmente atentos quando ouvimos um discurso, não só escutaremos as palavras proferidas, mas estaremos também pensando, aprendendo a seguir o esboço do orador, avaliando as idéias do orador, associando os pontos introduzidos com os que já foram apresentados, pesando as evidências oferecidas em apoio dos argumentos, considerando a inteireza das provas apresentadas ou das respostas às perguntas suscitadas pelo assunto. Mais tarde, para provar a nossa percepção e para cumprir a nossa responsabilidade adicional de fazer bom uso do que aprendemos, podemos tentar fornecer um resumo de um dos discursos a alguém que não estava presente. Cite os pontos abrangidos, e os argumentos e textos usados em prova. Tal atenção cuidadosa e refletida do que se diz exige prática e perspicácia, porém muitos principiantes se tornaram caçadores peritos depois de se empenharem diligentemente na arte. Além disso, quando a Palavra de Deus está sendo exposta em nossa presença, que atitude deveríamos ter? O simples reconhecimento das verdades apresentadas e o sincero desejo de aprender deviam bastar para nos induzir a “darmos mais do que a costumeira atenção”, mas, quando reconhecemos quão vital é o treinamento de nossas faculdades perceptivas para o progresso e a madureza espiritual, aproveitaremos cada oportunidade para exercer nosso discernimento.
10. Que observação recomendou Paulo para a edificação da fé, e o que exige isso?
10 Outra maneira importante de adquirirmos conhecimento e informação é a observação. O apóstolo Paulo admoesta: “Lembrai-vos dos que vos governam [isto é, dentro da organização de Deus], os quais vos falaram a palavra de Deus, e, ao contemplardes em que resulta seu comportamento, imitai-lhes a fé.” (Heb. 13:7, NM) Note que o apóstolo não diz aqui que apenas “copiemos” as ações destes homens. Ele diz que devemos absorver a mesma fé que os motivou aos seus atos. exemplares. Isto exige discernimento, viva percepção. O conselho prático de Paulo significa aqui que precisamos observar a direção de Jeová por meio de sua organização, isto é, os que representam a organização de Deus na congregação como superintendentes. Podemos observar com especial proveito os da classe do “escravo fiel e discreto”, que ele nomeou sobre todos os interesses do seu Reino. “Pela sabedoria se edificará uma casa e pelo discernimento ela se mostrará firmemente estabelecida. E pelo conhecimento se encherão os quartos interiores com todas as coisas preciosas e agradáveis de valor. O sábio em força é homem robusto, e o homem de conhecimento reforça o poder. Pois, pela direção hábil travarás a tua guerra, e na multidão de conselheiros há salvação.” — Pro. 24:3-6, NM.
11. Que perigos e que maus resultados serão evitados por seguirmos individualmente o proceder pelo qual Deus tem orientado sua organização?
11 Jeová está dirigindo o proceder de sua organização por meio do seu espírito santo, sua força ativa. Já pudemos observar a fidedignidade deste proceder por um período de oitenta anos, nos tempos modernos. Ao reconhecermos as ricas bênçãos que Jeová tem derramado sobre o “escravo fiel e discreto” como classe, não podemos concluir que estes mesmos benefícios resultarão para as pessoas que seguem este exemplo, que modelam seu proceder segundo o adotado pela sua organização? Por que, então, devemos insistir em escolher o nosso próprio caminho, estabelecer as nossas próprias normas ou esforçar-nos em dar mais valor ao nosso próprio critério do que ao deste “escravo” provado fiel? Isto seria tão infrutífero como o proceder do caçador que segue o rasto errado. Não importa quanto a pessoa se convença de que está na trilha certa, a realidade é que não encontrará a caça no fim da trilha. Por que nos deveríamos enganar a nós mesmos com falsas esperanças ou com idéias pessoais? Não importa como nos convençamos talvez ou quão arduamente tentemos, o prêmio da vida não pode ser alcançado por seguirmos fábulas, engenhosamente inventadas. (2 Ped. 1:16) “O caminho do tolo é reto aos seus olhos, mas o que dá ouvidos ao conselho é sábio.” — Pro. 12:15, Al.
12. No entanto, contra que laço, neste respeito, precisamos precaver-nos, e que palavras de cautela estão contidas na admoestação de Paulo?
12 No entanto, não devemos cair no laço de seguirmos cegamente uma organização de homens. Observe a admoestação de Paulo: “[Contemplai] em que resulta seu comportamento.” (Heb. 13:7, NM) Precisa-se assim observar de perto os resultados de sua atividade, se são bons ou maus. Isto está em completa harmonia com as seguintes palavras de Paulo: “Tantos de nós, pois, quantos somos maduros, tenhamos está atitude mental . . . à medida que temos feito progresso, continuemos a andar ordeiramente nesta mesma rotina. Unidamente, tornai-vos meus imitadores, irmãos, e atentai para aqueles que andam de modo que se harmoniza com o exemplo que tendes em nós.” — Fil. 3:15-17, NM.
13. (a) Por que é tão essencial o verdadeiro discernimento para se seguir os que tomam a dianteira? (b) Qual é o significado mais profundo de se ‘distinguir o certo do errado’, e como precisamos aprender a avaliar um assunto?
13 Às vezes acontece que um superintendente ou alguém destacado na organização de Deus adota um proceder errado e os maus resultados não se tornarão evidentes por algum tempo. É por isso que o discernimento é essencial para se seguir o exemplo dos que tomam a dianteira. Se estivermos imitando homens, seríamos facilmente desencaminhados, mas se seguirmos o conselho de Paulo e procurarmos imitar a fé daqueles homens, então seremos guiados pela Palavra de Deus e conduzidos pelo espírito de Deus. O exercício de nossas faculdades perceptivas nos treinará a distinguir entre o certo e o errado. Tal distinção entre o certo e o errado não significa apenas ver e fazer contrastes ou comparações. O erro precisa ser visto e odiado pelo que é uma violação da lei de Deus. (Amós 5:15; 1 João 3:4) Ao fazermos isso, não consentiremos nele só porque é praticado por alguém a quem talvez amemos ou respeitemos. (Deu. 13:6-9) Adão cometeu este erro de cálculo. Ele sabia a diferença entre o certo e o errado, e sabia que Eva tinha adotado o proceder errado, iras ele não odiou a transgressão o suficiente para deixá-lo controlar o amor que pensava ter por Eva. Se tivesse realmente amado Eva, teria procurado o bem-estar dela e teria adotado um proceder que estivesse em harmonia com o seu reconhecimento de que Jeová irão pode abençoar e nem abençoa atos errados. A violação dum princípio é errada, não importa quem seja o culpado. Se quisermos desenvolver o verdadeiro discernimento, teremos de aprender a avaliar os assuntos à luz da Palavra de Deus, não pelas pessoas que estão envolvidas. — Pro. 3:5, 6; 10:23.
COMPREENDA O SENTIDO DO CONSELHO
14. Qual é outro fator ao se aprender por observação, e o que está envolvido em se tirar o máximo proveito dela?
14 Outro fator útil na observação é compreender o sentido do. conselho quando é dado. A disciplina, corretamente aplicada, servirá de treinamento, quer seja administrada individualmente, quer coletivamente. “O que repreende ao homem achará depois mais favor do que aquele que lisonjeia coma língua.” (Pro. 28:23, ALA) Sabendo que o conselho é para o bem, nós o prezamos, assim como ao nosso Pai celestial, por dá-lo amorosamente para a nossa salvação. Mas, compreender o sentido do conselho requer consideração com oração. Assim como não podemos esperar obter conhecimento e retê-lo sem plenamente digeri-lo, tampouco podemos compreender o pleno significado da disciplina e do treinamento, aplicando-os sabiamente, sem meditarmos honestamente sobre eles, considerando os fatos à luz das escrituras apresentadas, do mesmo modo como o caçador perito soma as evidências a respeito da caça para o levar numa trilha infalível.
15, 16. Qual deve ser sempre a nossa atitude para com o conselho, quer se aplique diretamente a nós, quer não?
15 Não importa qual o conselho dado ou a quem é dirigido, podemos quase certamente achar algum modo em que ó podemos aplicar a nós mesmos, se estivermos atentos. “Repreende perante todos os espectadores as pessoas que praticam o pecado, para que o resto também tenha temor”, disse Paulo. (1 Tim. 5:20, NM) Jesus não deu aos que ouviram seu sermão do monte nenhuma justificação para se sentirem virtuosos aos seus próprios olhos, quando os acautelou: “Ouvistes que se falou aos dos tempos antigos: ‘Não assassinarás; mas todo o que cometer homicídio prestará contas ao tribunal de justiça.’ Entretanto, eu vos digo que todo aquele que continua irado contra seu irmão, estará sujeito ao tribunal de justiça.” Podiam alguns dos seus ouvintes dizer que nunca sentiram nenhuma amargura contra qualquer dos seus irmãos? Jesus avisou ainda mais os seus ouvintes: “Ouvistes que se disse: ‘Não deves cometer adultério.’ Mas eu vos digo que todo aquele que continuar a olhar para uma mulher, ao ponto de sentir paixão por ela, já cometeu adultério com ela no seu coração.” (Mat. 5:21, 22, 27, 28, NM) fluem dos ao alcance da voz de Jesus podia dizer que tinha consciência limpa sem nenhum sentimento de culpa? Nestes dias de crescente iniqüidade, nós também precisamos estar alertas para discernir o sentido de todas as palavras de conselho que recebemos da Palavra de Deus por meio de sua organização.
16 Quando se lê perante a congregação uma carta desassociando alguém por uma transgressão, como se sente? Está triste de que uma irmão ou uma irmã tiveram falta ou se negaram a usar de suficiente discernimento para imitar a fé do “escravo fiel e discreto” de Deus? Isto nos entristece. Mas, sente a necessidade de fortalecer a sua própria posição dentro da proteção da provisão de Deus pára fazer o que é correto? Está tomando em séria consideração os atos de conduta que contribuíram passo a passo para as conseqüências do proceder de seu irmão? Investiga honestamente o seu próprio proceder para eliminar qualquer possibilidade de repetir o erro do outro, ou considera as violações menores apenas superficialmente, como sendo insignificantes, não sendo suficientemente grandes para se preocupar com elas? O cristão maduro sabe que nunca pode considerar nada como pressuposto, não importa quão estranhos pareçam os resultados finais de qualquer falta. — 1 Cor. 10:12.
17. (a) Qual pode ser o resultado se não aplicarmos a nós mesmos o conselho e o treinamento recebidos por meio da organização de Deus? (b) Que precisamos nós, individualmente, fazer para avançar à madureza?
17 Se não aplicarmos a nós mesmos o conselho e o treinamento recebidos regularmente pela organização de Deus, então nos tornamos como o caçador que vê os indícios da caça, mas que as desconsidera e vai em outra direção. Este proceder significa falhar já no primeiro passo para se fazer decisões sábias, deixando-nos completamente desqualificados para cumprir o propósito principal de recebermos conhecimento e instrução, isto é, o de nos tornarmos “praticantes da palavra”, usando-a na pregação e no ensino destas “boas novas do reino”. As testemunhas de Jeová têm uma organização da verdade. Esta foi conseguida por se seguir fielmente a orientação de Jeová em cada passo do caminho, sem se deixar desviar por rastos falsos que cruzavam o caminho. Se nós, individualmente, havemos de progredir à madureza, precisamos apoiar a verdade desta organização. Precisamos obter conhecimento acurado por usar as nossas faculdades perceptivas, por compreender o sentido dele e aderir a ele estritamente, não se deixando desviar por rastos falsos. (1 Tim. 1:3, 4) Nossa proteção está num estudo cuidadoso e contínuo da Palavra de Deus, em aceitarmos a repreensão e buscarmos constantemente o conselho da organização, de Deus ou dado por meio dela.
18, 19. Que proveito podemos tirar de aumentarmos a nossa capacidade de raciocínio e de treinarmos as nossas faculdades perceptivas?
18 Não é tempo de se ficar parado. Ao nos separarmos deste presente sistema de coisas por mudarmos o nosso modo de pensar e por nos associarmos com o arranjo de Deus, demos um passo para a frente. Se não aumentarmos a nossa capacidade de raciocínio, perderemos o nosso lugar na sociedade do Novo Mundo. Ouça a Palavra de Jeová: “Quando a sabedoria entrar no teu coração e o próprio conhecimento se tornar agradável para a tua alma, então a própria faculdade de raciocínio te guardará, o próprio discernimento te protegerá.” “A paz de Deus, que excede todo o pensamento, guardará os vossos corações e vossas faculdades. mentais por meio de Cristo Jesus . . . .As coisas que aprendestes, bem como aceitastes, e ouvistes e vistes em relação a mim, praticai-as; e o Deus de paz será convosco.” — Pro. 2:10, 11; Fil. 4:7-9, NM.
19 Treine suas faculdades perceptivas. Por fazer isso, não só ficará qualificado para absorver o sólido alimento espiritual que Jeová fornece à sua organização madura, mas, pelas suas decisões corretas, sob quaisquer circunstâncias provadoras, estará habilitado a se manter firme com confiança nas fileiras dos que são caçadores e pescadores peritos de homens, instrutores da Palavra na sociedade do Novo Mundo de Jeová.
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