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O batismo vem depois de se fazer discípulosA Sentinela — 1973 | 1.° de novembro
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14. Como se ilustra com um jugo a relação do discípulo com Cristo Jesus e por que é isto animador para nós?
14 Jesus Cristo tinha a atitude mental de fazer a vontade de Jeová, de modo que os que são seus discípulos desejarão ter a mesma determinação forte, mesmo que haja sofrimentos por causa disso. De fato, devem seguir o mesmo modelo de Jesus, se hão de ser verdadeiros discípulos, pois ele disse: “Tomai sobre vós o meu jugo e tornai-vos meus discípulos, pois sou de temperamento brando e humilde de coração, e achareis revigoramento para as vossas almas. Pois o meu jugo é benévolo e minha carga é leve.” (Mat. 11:29, 30) Se o “jugo” a que Jesus se referiu era aquele que lhe foi imposto por Jeová, então significa fazer a mesma obra que Jesus fez, ou, na realidade, trabalhar ao lado dele, porque o jugo duplo permite que duas pessoas cuidem juntas da mesma carga. Quem serve sob o mesmo jugo junto com Jesus acha a carga leve e tem uma ajuda maravilhosa para lidar com bom êxito com o trabalho, como servo ou escravo de Jeová Deus.
15. (a) Os que esperam ser salvos sob a provisão do resgate têm que ter que relação com Jeová Deus? (b) Nesta relação, o que devem fazer?
15 Acontece que a salvação só é possível em virtude do sacrifício resgatador de Cristo Jesus. Jesus pagou este preço ao seu Pai no céu. Todos os que vêm ao rebanho de Jeová, em virtude da fé no sangue derramado de Cristo, da dedicação e do batismo, são como escravos comprados por um preço no mercado de escravos. Paulo disse a superintendentes cristãos: “[Pastoreai] a congregação de Deus, que ele comprou com o sangue do seu próprio Filho.” Paulo disse aos Coríntios: “Não pertenceis a vós mesmos, pois fostes comprados por um preço. Acima de tudo, glorificai a Deus no corpo de vós em conjunto.” (Atos 20:28; 1 Cor. 6:19, 20) O escravo faz o que seu Dono manda; por isso, Paulo disse à congregação romana: “Nenhum de nós, de fato, vive somente para si mesmo, e ninguém morre somente para si mesmo; pois, quer vivamos, vivemos para Jeová, quer morramos, morremos para Jeová. Portanto, quer vivamos, quer morramos, pertencemos a Jeová.” (Rom. 14:7, 8) E aos Coríntios: “Pois o amor de Cristo nos compele, porque foi isso o que julgamos, que um só homem morreu por todos; de modo que, então, todos tinham morrido; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivessem mais para si mesmos, mas para aquele que morreu por eles e foi levantado.” — 2 Cor. 5:14, 15. (Veja também Lucas 17:7-10.)
16. Como é o ato do batismo uma boa indicação da mudança da situação da pessoa perante Deus?
16 Portanto, quando alguém é batizado, é como se fosse sepultado sob a água, terminando seu proceder passado, e ele é levantado como pessoa devotada a fazer a vontade de seu Dono.
QUEM PODE SER DISCÍPULO?
17. O que salientou Jesus em Lucas 14:25-33?
17 Às vezes, havia multidões que se sentiam atraídas a Jesus, de modo que as deixou saber o que estava envolvido em se tornar discípulo: “Quem se chegar a mim e não odiar seu pai, e mãe, e esposa, e filhos, e irmãos, e irmãs, sim, e até mesmo a sua própria alma, não pode ser meu discípulo. Quem não levar a sua estaca de tortura e não vier após mim, não pode ser meu discípulo. Por exemplo, quem de vos, querendo construir uma torre, não se assenta primeiro e calcula a despesa, para ver se tem bastante para completá-la? Senão, ele talvez lance o alicerce dela, mas não a possa completar, e todos os espectadores comecem a ridicularizá-lo, dizendo: ‘Este homem principiou a construir, mas não pôde terminar.’ . . . Podeis estar certos, assim, de que nenhum de vós que não se despedir de todos os seus bens pode ser meu discípulo.” (Luc. 14:25-33) O que enfatizava Jesus ali? Que aquele que quiser ser discípulo de Cristo precisa estar disposto e ser capaz de colocar este discipulado em primeiro lugar na vida, antes de todas as outras coisas, e estar disposto a suportar quaisquer sofrimentos ou provações que acompanham este privilégio. Logo de início, deve-se poder aceitar tudo o que está envolvido nisso e calcular se se pode completar o curso do discipulado, assim como o homem que quer construir uma torre termina com a construção dela.
18. (a) Portanto, por que é prático que o ensino preceda ao batismo? (b) Por que se precisam cortar todas as relações com a religião falsa?
18 É por isso que se faz a obra de ensino antes do batismo. O prospectivo escravo de Jeová precisa aprender e chegar a entender tudo o que está envolvido, e precisa estar disposto a passar por todas as mudanças necessárias e afastar todas as coisas a que seu novo Dono objeta. Apenas quando ele puder entregar-se de toda a alma em dedicação, deve dar o passo de ser batizado. Em Filipenses 3:4-8, o apóstolo Paulo descreveu sua situação vantajosa na religião dos judeus, a qual ele abandonou ao empreender o discipulado cristão, e depois acrescentou: “Por causa dele tenho aceitado a perda de todas as coisas e as considero como uma porção de refugo, para que eu possa ganhar a Cristo.” (Veja também Atos 22:3; Gálatas 1:14.) É preciso cortar todas as relações com a religião falsa. — 2 Cor. 6:17, 18; Rev. 18:4.
19. Quais são algumas más práticas de que se precisa estar livre antes do batismo, conforme mostram as Escrituras?
19 O aprendiz precisa compreender a necessidade do arrependimento e do afastamento de quaisquer anteriores práticas más. “Amortecei, portanto, os membros do vosso corpo que estão na terra, com respeito a fornicação, impureza, apetite sexual, desejo nocivo e cobiça, que é idolatria. Por causa destas coisas é que vem o furor de Deus. Nestas mesmas coisas vós também andastes outrora, quando costumáveis viver nelas. Mas, agora, realmente, afastai de vós a todas elas, o furor, a ira, a maldade, a linguagem ultrajante e a conversa obscena da vossa boca. Não estejais mentindo uns aos outros. Desnudai-vos da velha personalidade com as suas práticas e revesti-vos da nova personalidade, a qual, por intermédio do conhecimento exato, está sendo renovada segundo a imagem Daquele que a criou.” (Col. 3:5-10) Muitos dos que aprendem os requisitos de Deus não sabiam que todas estas coisas são más aos olhos de Deus, mas quando obtêm tal conhecimento e têm a condição correta de coração, abandonam imediatamente a prática má e se aproveitam da provisão de Cristo Jesus por meio de seu sacrifício, para ser lavados para ficar limpos. (1 Cor. 6:9-11; Gál. 1:4) Esta ação tem de anteceder ao batismo.
20. O que significa ‘não fazer parte do mundo’?
20 Também se precisa acabar com o envolvimento nos assuntos políticos do mundo, porque Jesus disse em oração a Deus, a respeito de seus discípulos: “Tenho-lhes dado a tua palavra, mas o mundo os tem odiado, porque não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo.” (João 17:14) E quando estava perante Pilatos, Jesus disse: “Meu reino não faz parte deste mundo. Se o meu reino fizesse parte deste mundo, meus assistentes teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, assim como é, o meu reino não é desta fonte.” — João 18:36; veja também Isaías 2:4.
21. (a) Devemos esperar que empreendermos o serviço de Deus agrade a todos os que conhecemos? (b) Em Mateus, capítulo 10, como mostrou Jesus que a oposição pode surgir dentro da própria família, mas o que se deve fazer a respeito disso?
21 Deve-se esperar que a nova adoração ou o modo mudado de vida não agrade aos anteriores colegas, pois, Pedro disse: “Visto que não continuais a correr com eles neste proceder para o mesmo antro vil de devassidão, ficam intrigados e falam de vós de modo ultrajante.” (1 Ped. 4:4) Mas, o proceder vitorioso de Jesus é neste respeito consolador para nós: “Deveras, considerai de perto aquele que aturou tal conversa contrária da parte de pecadores contra os próprios interesses deles, para que não vos canseis nem desfaleçais nas vossas almas.” (Heb. 12:3) A oposição pode surgir na própria família. (Mat. 10:35, 36) Isto está em harmonia com o que Jesus disse sobre se calcular o custo do discipulado.
22. Por que não devemos ficar surpresos ao surgir perseguição, e como a devemos encarar?
22 O estudante precisa também saber que há mesmo perseguições. Jesus explicou: “Se vós fizésseis parte do mundo, o mundo estaria afeiçoado ao que é seu. Agora, porque não fazeis parte do mundo, mas eu vos escolhi do mundo, por esta razão o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: O escravo não é maior do que o seu amo. Se me perseguiram a mim, perseguirão também a vós; se observaram a minha palavra, observarão também a vossa. Mas, farão todas estas coisas contra vós por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.” (João 15:19-21; 16:1) Os apóstolos compreenderam a questão, e, quando perseguidos, alegraram-se porque tinham sido considerados dignos de serem desonrados a favor do nome dele”. (Atos 5:41) Saber estas coisas ajuda o prospectivo cristão a calcular o custo do discipulado, para ‘ver se tem bastante para completá-lo’. Precisa perguntar-se se está preparado para seguir o proceder de Jesus e de seus apóstolos fiéis no serviço de Deus, não só se empenhando na obra de fazer discípulos, mas também defendendo a justiça, mesmo quando sob pressão do mundo.
23. Que garantia de ajuda há para os que empreendem o serviço de Deus?
23 Quando o estudante se dedica e é batizado, pode depender de Jeová e de Cristo Jesus para o ajudarem a ser bem sucedido em se mostrar fiel. A Palavra de Deus nos assegura seu cuidado amoroso: “Porém, depois de terdes sofrido por um pouco, o próprio Deus de toda a benignidade imerecida, que vos chamou à sua eterna glória em união com Cristo, completará o vosso treinamento; ele vos fará firmes, ele vos fará fortes.” (1 Ped. 5:10) A oração é essencial, conforme enfatizou Paulo: “Persisti em oração.” Ele disse também: “Fazei orações por nós, para que a palavra de Jeová prossiga rapidamente e seja glorificada, assim como de fato se dá convosco; e que sejamos livrados de homens nocivos e iníquos, pois a fé não é propriedade de todos. Mas o Senhor é fiel, e ele vos fará firmes e vos guardará do iníquo.” — Rom. 12:12; 2 Tes. 3:1-3.
24. Que conhecimento deve o estudante ter antes do batismo?
24 O aprendizado não cessa com o batismo, o que significa que o discípulo não precisa saber tudo antes de poder fazer uma dedicação e ser imerso em água. Os apóstolos aprenderam muita coisa depois de se tornarem seguidores de Jesus Cristo, e ele prometeu: “O espírito santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar todas as coisas que eu vos disse.” (João 14:26; veja também Provérbios 4:18.) Portanto, o importante é que o discípulo tenha conhecimento suficiente para compreender qual é a vontade de Deus, para ter fé, mostrar arrependimento do proceder anterior, decidir no coração tornar-se seguidor dedicado de Cristo Jesus e depois ser imerso em água. Daí, Deus requer dele que sirva com a mesma atitude que Jesus tinha em tudo, e Jesus disse: “Ocorra, não a minha vontade, mas a tua.” — Luc. 22:42.
25. (a) Como sabemos que Jeová quer que nos acheguemos a ele e nos dediquemos a ele? (b) Que perguntas básicas poderá considerar aquele que pretende batizar-se? (c) Quando alguém deseja ser batizado, o que deve fazer?
25 Depois de considerar o que se publicou aqui nas páginas precedentes, se for um dos que está aprendendo e se desejar cumprir os mandamentos de Jesus Cristo, o que deverá fazer? Pedro lhe lembra o caminho que se lhe abre; Jeová quer que venha a estar em harmonia com ele: “Jeová . . . é paciente convosco, porque não deseja que alguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento.” (2 Ped. 3:9; veja também 2 Coríntios 5:18 a 6:2; Revelação 22:17.) Depois de o etíope ter aprendido de Filipe, ele perguntou: “O que me impede ser batizado’” (Atos 8:36) Se pensar o mesmo a respeito de servir a Jeová Deus e tomar sobre si o jugo de Cristo, sugerimos que considere as duas perguntas seguintes, feitas aos batizandos:
(1) Arrependeu-se de seus pecados e deu meia-volta, reconhecendo-se perante Jeová como pecador condenado que precisa de salvação, e reconheceu perante ele que esta salvação procede dele, o Pai, por intermédio de seu Filho Jesus Cristo?
(2) À base desta fé em Deus e na sua provisão de salvação, dedicou-se sem reserva a Deus, para fazer doravante a Sua vontade, conforme ele lhe revela por meio de Jesus Cristo e mediante a Bíblia, sob o poder esclarecedor do espírito santo?
Se achar que pode responder “SIM” a estas perguntas, então será apropriado que fale com o superintendente presidente da congregação das testemunhas de Jeová com que se associa, visando ser batizado. Depois do batismo, também poderá esperar participar na obra mundial de fazer discípulos com a bênção de Cristo Jesus, que prometeu estar com os seus seguidores “até à terminação do sistema de coisas”. — Mat. 28:18-20.
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É possível a união internacional?A Sentinela — 1973 | 1.° de novembro
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É possível a união internacional?
A UNIÃO entre as nações é hoje algo muito desejável. O advento das armas nucleares a torna mais que desejável. De fato, os cientistas e estadistas exortam a maiores esforços em prol da união, temendo que de outro modo a civilização, como a conhecemos, desapareça da terra.
Existe o problema por que o mundo não progrediu o suficiente para cuidar de suas necessidades de modo técnico ou industrial? Não. O atual conhecimento científico e técnico poderia cuidar da produção e da distribuição de gêneros alimentícios para alimentar a todos. Poderiam ser providos lares, roupa e todas as outras necessidades, especialmente se todos os esforços e recursos gastos agora em guerras e empreendimentos militares fossem usados para fins construtivos.
Daí, qual é o problema que tornou a união mundial uma ilusão, sobre a qual sempre se fala, mas que nunca se alcança? Não são as pessoas — sua atitude mútua? Há rivalidade entre as nações. Mais sério ainda, de lá para baixo, até o nível dos bairros, encontramos ódio entre raças e nacionalidades, e muitas vezes simples desagrado do próximo. As pessoas se irritam mutuamente. A “brecha entre as gerações” e outros fatores desunem as famílias.
Portanto, não poderá haver paz e união mundiais até que haja uma mudança na atitude do povo. Não importa quais os pactos de paz ou leis que as nações façam, não haverá união duradoura até que as próprias pessoas venham a amar-se mutuamente, cada uma agindo nos melhores interesses da outra. É na maior parte uma questão de educação, incutindo-se na mente e no coração das pessoas o verdadeiro motivo da união.
Os homens não puderam prover esta base, apesar das promessas e dos programas políticos. Não obstante, realizar-se-á
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