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  • Contrair dívidas — um modo de vida agora
    Despertai! — 1977 | 8 de novembro
    • Contrair dívidas — um modo de vida agora

      JÁ CONTRAIU dívidas alguma vez? Já pediu dinheiro emprestado, alguma vez, ou comprou algo a crédito, prometendo pagá-lo mais tarde?

      Se assim for, não foi o único a fazer isso, nos dias atuais. Nunca antes em toda a história do mundo houve tantas pessoas endividadas como agora.

      A mesma coisa acontece a empresas, cidades e nações inteiras. Afundaram-se todas muito mais em dívidas do que nunca antes. Como resultado disso, a presente carga de todos os tipos de dívida do mundo atinge, não apenas bilhões de dólares, mas trilhões de dólares!

      Modo Diferente

      Assim, contrair dívidas tornou-se um modo “normal” e aceito de vida. E cada vez mais milhões de pessoas fazem isso. Mas esta atitude atual para com a dívida destaca-se em nítido contraste com a atitude das gerações passadas.

      Lá naquele tempo, a maioria das famílias achava ser quase vergonhoso contrair dívidas, algo a ser evitado, se de todo possível. As pessoas usualmente passavam sem as coisas, ao invés de contraírem dívidas.

      Naturalmente, no passado, o modo de vida não era tão complicado como é hoje. E, para a maioria das pessoas através do mundo, predominava um modo de vida agrícola.

      À guisa de exemplo, as casas eram muito mais simples naqueles dias. Em muitos países, abundavam as florestas; assim, era possível construir de forma um tanto barata as casas de madeira. Em algumas nações, misturava-se barro ou argila com palha, usando-se tal mistura para construir casas simples. Nos países tropicais, folhas de palmeira ou palha resolviam o problema. Não havia grandes custos envolvidos em tais casas.

      Quanto ao transporte, amiúde tudo que era preciso era andar. Caso se desejasse um meio mais rápido de transporte, talvez se usasse um cavalo ou uma mula, ou até mesmo um camelo. Cargas pesadas eram puxadas numa carroça por um boi, uma mula ou um cavalo. Poucas famílias tinham de pedir emprestado uma grande soma para comprar tais itens.

      Mudanças Dramáticas

      Atualmente, tudo isso mudou dramaticamente nas sociedades industriais, e até mesmo nas cidades dos países agrícolas. Continuar no meio de vida anterior simples e econômico, é quase que impossível agora.

      Em tais lugares, hoje, as casas são muito mais complicadas e caras. O transporte é feito por custosos carros, trens ou aviões. Caminhões e vagões ferroviários transportam grandes cargas, mas são onerosos. Também o são os prédios de escritório, as máquinas e os outros equipamentos usados pelas firmas comerciais.

      As nações se munem de armas altamente sofisticadas da guerra moderna. Ora, um novo tipo de submarino pode custar agora cerca de um bilhão de dólares! E os governos fornecem muitos serviços para seu povo: forças policiais, corpos de bombeiros, coleta de lixo, tratamento de esgotos, conservação de ruas, abastecimento de água, benefícios e pensões da previdência social, e muitos outros. Tudo isso envolve grandes somas na sociedade moderna.

      Poucas pessoas, poucas empresas, poucas cidades ou países conseguem economizar de antemão para financiar todas essas coisas. Assim, fazem empréstimos, contraindo dívidas.

      Outra Razão

      No caso de dívidas individuais, a perda dum emprego ou outro revés econômico podem obrigar uma pessoa a contrair dívidas. Também, é compreensível que a maioria das pessoas não consiga pagar à vista grandes itens, tais como casas ou carros.

      Um vasto e sempre crescente número de pessoas, porém, contrai dívidas para obter coisas não essenciais. Para exemplificar, há algumas décadas, o televisor, custoso equipamento de rádio, ampla gama de aparelhos elétricos e de outros produtos não existiam. Mas, atualmente, são considerados quase que como necessidades.

      A fim de obter tais coisas agora mesmo, cada vez mais pessoas se dispõem a contrair dívidas, esperando pagá-las mais tarde. Torna-se uma raridade a pessoa que poupa primeiro o dinheiro para pagá-las à vista.

      Mas, poderá continuar o dispêndio livre e o pesado endividamento do mundo? É possível acumular uma dívida em cima da outra sem que, algum dia, surjam duras conseqüências? Deveras, será que a carga de dívidas do mundo já atingiu o ponto perigoso?

  • Estão as dívidas chegando ao ponto perigoso?
    Despertai! — 1977 | 8 de novembro
    • Estão as dívidas chegando ao ponto perigoso?

      O QUE acontece quando uma pessoa pede dinheiro demais emprestado e então não consegue pagá-lo? Abre falência. Seus bens podem ser tomados por aqueles a quem deve dinheiro — seus credores.

      Quando uma empresa não pode pagar suas dívidas, e abre falência, usualmente deixa de existir. Seus bens podem ser vendidos pelos credores. E os empregados da empresa ficam sem trabalho.

      Algo similar também pode ocorrer com um país inteiro. Na Grande Depressão da década de 30, o padrão de vida de países inteiros foi drasticamente reduzido. Dezenas de milhões de pessoas se viram mergulhadas na pobreza, ao aumentar vertiginosamente o desemprego.

      Poderia isto acontecer de novo com nações inteiras? Será que a carga de dívidas já atingiu tal ponto perigoso?

      Dívida Governamental

      Talvez o tipo mais perigoso de dívida, um tipo que poderia atingir o maior número de pessoas, seja a dívida contraída a nível governamental. Caso um governo abra falência, então muitos de sua gente sofrerão.

      Qual é a situação dos governos deste mundo no que tange às dívidas? A resposta é: péssima. Acham-se afundados em dívidas. E essas dívidas, que já são grandes, aumentam rapidamente.

      Tais dívidas assumem duas formas: (1) as contraídas em suas transações com outros países, e (2) as contraídas no próprio país.

      Como é que um governo contrai dívidas com outro país? Da mesma maneira que o leitor pode contrair dívidas: por gastar mais do que ganha.

      Por exemplo, a França precisa importar a maior parte de seu petróleo. O petróleo é oneroso. Assim, a França paga muito dinheiro às nações exportadoras de petróleo. Também, a França compra outros produtos de vários países. Bem, nos tempos recentes, a França tem comprado mais de outras nações do que tem vendido a elas. Isto resultou num déficit, uma dívida para com esses outros países. Para pagar tal dívida, a França tem de pedir dinheiro emprestado de outras nações, ou de vários bancos.

      Muitos outros países acham-se na mesma situação. Gastam mais com outros países do que recebem. E, entre as razões de seu crescente endividamento internacional se acha, como no caso da França, a compra de petróleo. Não produzem petróleo suficiente, ou nenhum, e, assim, precisam importá-lo. De modo que as relativamente poucas nações que dispõem de reservas de petróleo se tornam ricas, ao passo que a maioria das demais nações afundam-se cada vez mais em dívidas.

      Naturalmente, outros fatores, além do petróleo, estão envolvidos no aumento das dívidas externas. As nações também importam maquinaria, produtos acabados, alimentos, armamentos e amplo leque de outros produtos. E, quando não exportam o bastante, o resultado é a dívida.

      Dívida Alarmante

      Em fins de 1976, o Times de Nova Iorque estampava o artigo com a seguinte manchete: “O Problema do Enorme Aumento da Dívida Internacional.” O artigo declarava o seguinte:

      “A maior preocupação, de per si, nos mercados financeiros dos dias atuais, é o enorme aumento da dívida internacional — grande parte dela sendo devida aos bancos comerciais. Não existe um meio de se ocultar o perigo de que alguns dos maiores tomadores de empréstimos do exterior não consigam cumprir suas obrigações.”

      À testa da “lista” da dívida externa acha-se a Grã-Bretanha. Possui dívidas internacionais de cerca de US$ 45 bilhões, quantia estonteante para uma nação que possui limitados recursos naturais. O Brasil e o México possuem, cada um, uma dívida externa superior a US$ 20 bilhões. A Finlândia e a Indonésia devem cerca de US$ 10 bilhões cada uma. A União Soviética e seus aliados da Europa Oriental devem cerca de US$ 40 bilhões em conjunto.

      A França possui dívidas externas de cerca de US$ 10 bilhões, e estas estão aumentando. Declarava certa manchete da imprensa de Paris: “Vermelho Chamejante Para a Economia Francesa.” A publicação se referia ao desemprego de mais de um milhão de pessoas, o triplo do nível do início da década de 70; à inflação que já estava em dígitos duplos; e ao recente déficit de intercâmbio comercial, de um mês, de cerca de US$ 1 bilhão, o triplo do que era há um ano atrás.

      A situação da dívida da Itália é ainda pior, de cerca de US$ 20 bilhões. Ali, o dirigente aposentado do Banco da Itália declarou: “Os déficits na Itália já se expandiram além da capacidade de absorção da economia.”

      Nações Pobres em Dificuldades

      Quase todas as nações em desenvolvimento lutam contra uma montanha de débitos, especialmente as que importam petróleo. Suas dívidas externas são agora de cerca de US$ 170 bilhões, e aumentam rapidamente. Devem duas vezes mais do que deviam há apenas alguns anos atrás.

      Business Week declarou que a dívida dessas nações “ultrapassa em muito sua capacidade de pagamento, por qualquer padrão normal”. A respeito de sua luta, Baxter, um serviço de consultoria econômica, noticia: “Já esticaram ao máximo sua capacidade de pagar o serviço de sua dívida, mas têm de aparecer com outras enormes somas este ano, e a cada ano depois disso. De onde virá o dinheiro? Sua tarefa parece desesperadora.”

      O grau de suas dificuldades pode ser deduzido do seguinte comentário adicional de Baxter: “O dinheiro que presentemente tomam emprestado está sendo usado, não para os desesperadamente necessários aumentos de capital, mas para pagar as dívidas que presentemente vencem. Os eurobanqueiros estão participando deste jogo e continuam a conceder empréstimos. Mas, algum dia, alguém vai empacar, e empacar de vez. É somente uma questão de tempo.”

      O sistema monetário mundial está intimamente vinculado. Assim, alguns economistas receiam que, se apenas alguns países ficassem falidos, o inteiro sistema poderia ir por água abaixo.

      Nenhuma Melhora É Prevista

      Em fins de 1976, o demissionário Secretário do Tesouro americano, William E. Simon, disse a mais de cem nações importadoras de petróleo que elas confrontavam outro enorme déficit para o ano de 1977. Calculou que seria de outros US$ 50 bilhões, além dos enormes déficits já existentes.

      Simon também avisou que a situação tinha mudado para pior desde 1973, quando o preço do petróleo ascendeu grandemente. Naquela época, algumas das nações tinham reservas monetárias e puderam financiar o petróleo de preço mais alto. Mas poucas possuem reservas atualmente.

      Resumindo a situação econômica mundial, o Times de Nova Iorque disse: “Nos centros comerciais e financeiros da Europa, espalha-se um ar sombrio quanto às perspectivas da economia mundial e de sua capacidade de enfrentar os avolumantes problemas dos encargos da dívida, de crescimento vagaroso e de crescente desemprego. As dificuldades altamente anunciadas da Grã-Bretanha e da Itália desviaram a atenção do fato de que pelo menos um terço dos países industrializados acham-se em graves dificuldades financeiras. . . . As nações pobres do mundo em desenvolvimento estão numa situação ainda pior, labutando sob uma montanha de . . . dívidas.”

      Adicionadas a todas essas dívidas externas, há as dívidas internas que os governos possuem. Estas surgem quando eles gastam mais do que percebem dentro de seus próprios países. E, não raro, essas dívidas internas são muito maiores do que suas dívidas externas.

      À medida que muitas nações afundam-se ainda mais em dívidas, surge a pergunta: Quem as socorrerá? Um país para o qual amiúde se voltam em busca de ajuda é os Estados Unidos. Mas quais são as condições de suas finanças?

      [Gráfico na página 5]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Dívida Internacional

      Total da Dívida Externa, Pública e Privada

      Bilhões de dólares

      45

      40

      35

      30

      25

      20

      15

      10

      5

      Iugoslávia

      Espanha

      Indonésia

      Finlândia

      França

      Itália

      México

      Brasil

      Europa oriental

      Grã-Bretanha

      [Nota(s) de rodapé]

      Países comunistas da Europa Oriental.

  • Quão sólida é a nação mais rica?
    Despertai! — 1977 | 8 de novembro
    • Quão sólida é a nação mais rica?

      MEDINDO-SE pelo valor dos bens e serviços produzidos, os Estados Unidos são a nação mais rica do mundo. Também possuem um dos mais altos padrões de vida.

      Em Vital Speeches of the Day (Discursos Vitais do Dia), comentou certo economista: “É verdade que a economia dos Estados Unidos elevou nosso padrão de vida a um nível de afluência sem precedentes. Não é menos verídico, porém, que no espaço de uma única geração impusemos à nossa economia a maior estrutura de dívidas da história humana.”

      Sim, grande parte do alto padrão de vida da atualidade foi conseguida graças a dinheiro tomado emprestado.

      Enormes Dívidas

      Como resultado, os Estados Unidos possuem enorme carga de dívidas, acumulando-se, a cada ano, ainda mais dívidas. No campo externo, o país com freqüência apresenta déficits. Internamente, suas dívidas são enormes.

      Robert Swinarton, vice-presidente de Dean Witter & Co., declara: “Como nação, temos sido afligidos por louco impulso de endividar-nos, ou, como expressou recente editorial de Barron’s: ‘Virtualmente a nação inteira, do burocrata ao ganha-pão da família, evidencia uma espécie de fúria em tomar empréstimos. Esta propensão quase que universal de queimar o futuro continua sendo, estamos convencidos, um dos excessos para os quais ainda terá de haver um dia de prestação de contas.’”

      A dívida total nos Estados Unidos é bem superior agora a três trilhões de dólares! Isso é cerca de duas vezes mais o valor de todos os bens e serviços que produz num ano inteiro.

      A respeito dessa enorme dívida, U. S. News & World Report indaga: “Está Além de Controle?” E responde: “A montanha de dívidas tornou-se por demais pesada para intuitos tomadores de empréstimos.”

      Do gigantesco total devedor, o governo federal dos EUA deve cerca de US$ 650 bilhões, as empresas cerca de US$ 1,5 trilhões, os indivíduos cerca de US$ 1 trilhão, e os governos municipais e estaduais cerca de US$ 230 bilhões.

      Dívida Federal

      O governo federal dos EUA tem apresentado enormes déficits nos últimos anos. Estes resultaram, naturalmente, de ele gastar mais do que recebe em impostos.

      Em cada um dos últimos dois anos, os déficits foram enormes. No ano fiscal de 1975, o déficit foi de US$ 43,6 bilhões, sendo maior do que em qualquer tempo desde a Segunda Guerra Mundial. No ano fiscal de 1976, foi de US$ 65,6 bilhões, o maior da história dos EUA! Ora apenas os juros da dívida federal são agora de cerca de US$ 40 bilhões por ano! Em 1939, eram de US$ 1 bilhão.

      Nem seria fácil reduzir os custos. As obrigações “inerentes” do governo continuam a aumentar. Por exemplo, continua a subir o custo dos armamentos modernos, sendo agora de bem mais de US$ 100 bilhões anuais. O custo das pensões para os funcionários públicos é seis vezes maior do que era há dez anos, e espera-se que duplique ou triplique em outros dez anos. O Fundo de Aposentadoria do Serviço Público tem gastos maiores do que sua receita. Também a Previdência Social.

      The Wall Street Journal afirma que as obrigações do governo, relativas apenas aos pagamentos da Previdência Social aos idosos, aposentados ou incapacitados, significarão um déficit futuro de cerca de 2,5 trilhões de dólares. O jornal afirma: “Como gostam de argüir os liberais, a nação tem esta dívida consigo mesma, e ela será paga com a elevação de impostos no futuro. Naturalmente, isto é tolice. Aumentar os impostos futuros em tal magnitude só poderá desintegrar a base dos impostos.”

      Financiamento das Dívidas

      Quando o governo incorre em déficit durante o ano, tem de tomar dinheiro emprestado para custear suas despesas. Um meio de fazê-lo é pela venda de títulos e valores, tais como letras do tesouro, a indivíduos, bancos e empresas.

      Mas o governo também financia de outro modo seus empréstimos. Consegue ‘criar dinheiro do vento’. Sobre isso, comenta o Times de Nova Iorque: “Em uma única coisa há plena concordância, aceitação e compreensão, no que tange ao assunto um tanto misterioso e não raro controversial da política monetária do Governo, que é dirigida pela semi-independente Junta de Reserva Federal. Isto significa que a Fed, como é comumente conhecida, pode criar dinheiro do vento, por emitir um cheque para si mesma sem haver quaisquer depósitos para lastrear tal cheque. Pode fazê-lo em quantias ilimitadas.” Na verdade, o Congresso tem de aprovar continuamente novos e mais elevados limites da dívida, mas quase sempre os aprova.

      Naturalmente, o governo espera captar suficiente dinheiro por meio de impostos futuros para lastrear o valor dos títulos que lançou, cancelando efetivamente a dívida. Mas, nos últimos dezesseis anos, os Estados Unidos só tiveram um pequeno superávit, tendo déficits nos outros quinze anos. E, recentemente, os déficits tornaram-se muito maiores.

      Alimentar a Inflação

      Muitos economistas acham que a dívida governamental é uma das razões primordiais da inflação. Tanto dinheiro em excesso bombeado na economia faz com que os preços dos bens e dos serviços se elevem.

      Um resultado de todos esses gastos excessivos é que, nas últimas quatro décadas, o dólar estadunidense perdeu cerca de 75 por cento de seu poder aquisitivo. Mas isso também aconteceu em outras partes do mundo.

      O Instituto Americano de Pesquisa Econômica declara: “Todas as moedas têm sido e estão sendo degradadas continuamente. Todas já perderam cerca de três quartos, pelo menos, do seu poder aquisitivo de antes da Segunda Guerra Mundial, e todas parecem destinadas à maior depreciação nos próximos anos . . . antes de se tornarem praticamente sem valor.”

      O Instituto responsabiliza mormente os “meios inflacionários de compra, criados para financiar os déficits governamentais”, por essa degradação do dinheiro.

      “Lições Amargas” à Frente

      Sobriamente, este relatório também declara: “Vemos pouca possibilidade de que haja um retorno a sólidos processos, creditícios e monetários, até que, durante uma futura depressão, aprendam-se algumas lições amargas.”

      Similarmente, Baxter afirma: “O impacto inflacionário de grandes e persistentes déficits orçamentários está destruindo o alicerce financeiro da economia dos E.U.”

      Gilbert M. Haas, diretor de uma firma consultora de investimentos, também comenta: “A extensão demasiada e constante dos prazos de pagamento da dívida provocou contínua deterioração da liquidez financeira [dinheiro ou bens facilmente convertidos em dinheiro]. Por fim, isto levará ao pânico monetário internacional, seguido por uma depressão mundial.”

      Poderia o governo simplesmente cortar as despesas, equilibrando seu orçamento? Sim, mas isso poderia significar maior desemprego. O sistema econômico acha-se estruturado de tal modo que, se o governo parasse agora de bombear na economia o dinheiro “criado”, muita gente perderia seu emprego. E já existem muitos desempregados. Também, os impostos já são elevados, de modo que aumentá-los ainda mais para tentar equilibrar o orçamento poderia enfrentar grave resistência, talvez até mesmo uma ‘revolta contra os impostos’.

      Assim, o país mais rico do mundo tem suas próprias dificuldades financeiras graves. Está afundado em dívidas, e se acha em péssima situação para ajudar outras nações que se afogam em dívidas.

      [Foto na página 8]

      ‘Todas as moedas perderam cerca de três quartos do seu poder aquisitivo de antes da Segunda Guerra mundial.’

  • As pressões das dívidas acumulam-se sobre outros
    Despertai! — 1977 | 8 de novembro
    • As pressões das dívidas acumulam-se sobre outros

      HÁ OUTROS que igualmente enfrentam a luta dos governos nacionais no que respeita à dívida. Empresas, governos municipais e locais, e indivíduos de per si também confrontam graves pressões, em virtude de dívidas em demasia.

      Torna-se cada vez mais difícil subtrair-se a tais dívidas. Esta é a razão principal pela qual a recessão dos últimos anos resultou tão difícil para muitos. Empréstimos não puderam ser pagos; assim, aumentaram vertiginosamente as falências.

      Dificuldades Empresariais

      Como exemplo, noticiou Industry Week: “As insolvências de empresas alemães ocidentais atingiram um recorde . . . As insolvências que envolviam perdas e compromissos dos devedores acima de US$ 400.000 aumentaram em 30%.”

      Em dezembro de 1976, The Wall Street Journal comentou que as insolvências de empresas japonesas atingiram um recorde no mês anterior, acrescentando: “As falências de empresas durante todo o ano de 1976 atingirão um recorde total de 15.000, acima do recorde anterior de 12.600, atingido no ano passado.”

      Na Inglaterra, o Daily Mail noticiou que as falências na Grã-Bretanha ascenderam ao nível máximo em sessenta anos, “nada se aproximando disso, nem mesmo nas profundezas da depressão da década de 30.”

      Nos Estados Unidos, várias grandes empresas faliram, assim como outras. Mais bancos fecharam do que em qualquer outro período desde a entrada do país na Segunda Guerra Mundial. Todavia, o Instituto de Pesquisas Econômicas avisou que “essas são apenas as pontas dos icebergs de falência que flutuam num vasto mar de dívidas”.

      Cidades em Dificuldades

      Quase a mesma coisa acontece com vários governos municipais, estaduais e locais. Talvez o mais difundido de todos seja o caso da cidade de Nova Iorque, EUA. Suas dívidas atingiram cerca de US$ 13 bilhões. No ano passado, a cidade viu-se obrigada a cessar os pagamentos da dívida a curto prazo, embora os tribunais declarassem mais tarde que tal ação era ilegal.

      Mas, Business Week disse em editorial: “Em realidade, as dificuldades da cidade de Nova Iorque são prenúncios dum problema maior. Toda grande cidade dos E. U. irá enfrentar grave aflição financeira nos próximos três a cinco anos.”

      Uma cidade após outra mergulha, deveras, cada vez mais em dívidas. Seus impostos simplesmente não bastam para financiar as coisas que fazem. Por exemplo, os gastos da capital daquela nação, Washington, D.C., desde a década de 60 aumentaram cerca de 15% ao ano, mas os impostos só aumentaram cerca de 6 por cento.

      O Japão revela que 39 das 47 prefeituras, ou estados, do país, apresentariam déficits. Duas cidades já declararam falência. A revista U. S. News & World Report calculava que “cerca de 100 das 643 cidades do Japão terão déficits, aumentando das 53 há dois anos atrás”. Muitas cidades em outros países verificam que aumentam similares pressões das dívidas.

      Pressões dos Consumidores

      O consumidor mediano, em muitos países, sente cada vez mais as pressões das dívidas. Nos Estados Unidos, grande parte do que sobra para o estadunidense típico, depois das despesas, é usado para pagar dívidas.

      Por isso, quando assolou a recente recessão, muitos não conseguiram pagar essas dívidas acumuladas. É por isso que as falências atingiram um auge de todos os tempos.

      Todavia, continuam a aumentar as dívidas dos consumidores. Veicula o Herald-Examiner de Los Angeles: “O assalariado típico de Los Angeles gasta quase tudo que ganha. Vive próximo dos limites de sua renda. Até mesmo uma pequena emergência poderia ser desastrosa.”

      O jornal comentou que a “pessoa típica”, com problemas de dívidas, possuía uma renda mensal de US$ 800-900, mas devia “cerca de US$ 10.000, usualmente ao banco, às companhias de cartões de crédito, às lojas varejistas, e às companhias de gás. Ele está com os nervos em frangalhos.”

      O Journal de Milwaukee mencionou uma cadeia de prostitutas que incluía donas-de-casa que “usavam seus proventos para suplementar a renda familiar”. O Daily Yomiuri, de Tóquio, noticiou o suicídio de uma dona-de-casa, “porque ela se sentia pressionada demais a pagar um empréstimo feito para a construção duma casa”

      Na verdade, alguns dos que enfrentam dificuldades hoje não estão gastando totalmente seu dinheiro. Dá-se simplesmente que os preços são tão elevados que sua renda não cobre as despesas. Mas, por outro lado, muitos têm gasto totalmente com coisas de que realmente não precisam. Mergulharam em dívidas, e tiveram de assumir as conseqüências.

      “Segurança” Questionável

      Mesmo as pessoas que têm dinheiro no banco começam a sentir-se um tanto inseguras, nos anos recentes. Isto se deve a que houve falências de grandes bancos.

      Nos Estados Unidos, o “Franklin National”, um dos vinte maiores bancos daquela nação, faliu. Na Alemanha, sofreu insolvência o grande “Bankhause Herstatt”. Vários outros bancos também faliram. E outros deixaram de receber tantos empréstimos, com datas de pagamento já vencidas, que Martin Mayer, numa pesquisa meticulosa, intitulada “Os Banqueiros”, declarou: “Há bilhões de dólares de perdas potenciais dos empréstimos no sistema, e o relógio tiquetaqueia em direção ao momento de sua detonação. A estrutura bancária que se está gerando agora pode entrar em colapso.”

      Mas não seria isso impossível nos Estados Unidos? Não são “seguros” os depósitos de até US$ 40.000, sendo garantidos por agências tais como a “Federal Deposit Insurance Corporation” (Empresa Federal de Seguros de Depósitos)?

      É verdade, mas é interessante o que Alvin Toffler diz em seu livro The EcoSpasm Report (O Espasmo da Economia, tradução de Marina de Távora, p. 55): “Os responsáveis pela FDIC . . . [sabem] o que a maioria do público ignorava: que a agência tinha apenas dinheiro suficiente para cobrir aproximadamente um por cento dos depósitos. Não seria possível enfrentar a corrida desenfreada de centenas de milhares de correntistas apavorados.”

      É tal demanda desenfreada que as autoridades temem. Isto poderia acontecer no caso de apenas alguns países falirem, ou se, devido a uma série de insolvências de empresas ou de cidades, um grande número de bancos começasse a ir por água abaixo.

      No entanto, em 1976, não houve certa recuperação econômica com relação à recessão anterior? Houve, sim, e espera-se que haja ainda mais. Esse é o padrão nas décadas recentes. Mas as recessões estão ficando mais graves, e as recuperações mais moderadas, havendo uma taxa mais elevada de desemprego permanente.

      No que tange a isto, Baxter disse, no ano passado: “A economia, por certo, está-se recuperando. Mas, está sendo apoiada apenas por fina camada de liquidez [dinheiro, ou bens facilmente conversíveis em dinheiro] por um lado, e por maciços déficits orçamentários do outro. A história tem provado que estes últimos destroem a liquidez, a longo prazo.”

      Mas, em que situação isso lhe deixa? Que pode fazer a pessoa mediana para proteger-se?

      [Destaque na página 10]

      ‘O assalariado típico gasta quase tudo que ganha. Vive próximo dos limites de sua renda. Até mesmo uma pequena emergência poderia ser desastrosa.’

      [Destaque na página 11]

      “Os responsáveis pela FDIC . . . [sabem] o que a maioria do público ignorava: que a agência tinha apenas dinheiro suficiente para cobrir aproximadamente um por cento dos depósitos.”

  • O que pode fazer a respeito disso?
    Despertai! — 1977 | 8 de novembro
    • O que pode fazer a respeito disso?

      REALMENTE, há pouca coisa que pode fazer para influenciar as atuais condições econômicas aflitivas mundiais. O leitor não as provocou, mas, ao invés, é vítima delas.

      Todavia, há coisas que pode fazer para ajudar a aliviar a carga do seu ganha-pão atual. Não raro, isto gira em torno do domínio de si. Como assim?

      Dominar a Si Mesmo

      Um dos maiores problemas, no que tange às dívidas, atualmente, é que muitos não conseguem dominar-se quando se trata de comprar coisas. Antes que o discirnam inteiramente, gastaram demasiado, e têm de pedir dinheiro emprestado desnecessariamente.

      Mas, em tempos econômicos difíceis, é preciso tomar medidas rígidas. As necessidades da família precisam ser cuidadosamente reavaliadas. Está a família vivendo segundo sua renda?

      Caso contrário, então as coisas não essenciais precisam ser eliminadas, ou, pelo menos, reduzidas. Na verdade, o vizinho talvez possua, digamos, um custoso televisor em cores. Mas se isto vai afundar a família ainda mais em dívidas, por que não esperar até que possam dar-se ao luxo de comprá-lo?

      Diversões custosas e alimentos de luxo, bem como bebidas alcoólicas caras, podem ser eliminados sem perda alguma. O fumo deve ser eliminado; isto não só poupará muito dinheiro no decorrer dum ano, mas talvez salve a própria vida da pessoa!

      Quanto aos que jogam a dinheiro, seria bom perguntarem-se como é que existem os estabelecimentos de jogo, tais como os hipódromos e “casas” de apostas. Só podem existir porque a jogatina é algo em que a sobrepujante maioria sai perdendo. Se não fosse assim, então as casas de jogo não conseguiriam enormes lucros. Assim, o domínio de si nesse caso pode poupar grandes somas que poderiam ser melhor utilizadas, ou poupadas para compras futuras.

      A chave para economizar dinheiro é reduzir os desejos e as expectativas da pessoa, de modo que se ajustem realisticamente à sua renda. Não resulta nenhum bem meditar constantemente no que seria muito bom possuir. Antes, considere aquilo que pode comprar sem incorrer em dívidas.

      Pague à Vista

      Há grande incentivo, nos dias atuais, para se tomar dinheiro emprestado. Por toda a parte há oferta de dinheiro. Mas, por quê? Porque os agiotas usufruem bons lucros.

      Na verdade, o custo de 6, 7 ou 8 por cento, nos EUA, para o dinheiro tomado emprestado, talvez não pareça alto. Mas, em realidade, ele atinge o dobro ou o triplo no período do empréstimo. Por quê? Por que não dispõe de todo o dinheiro por esse período inteiro, mas tem de começar a pagá-lo quase que de imediato.

      Por exemplo, num ano recente, os empréstimos médios para automóveis nos Estados Unidos custavam US$ 860 em taxas de juros. Isto era acima do preço real do automóvel. Bem, ao passo que usualmente não é possível que a maioria das pessoas poupe de antemão para esse item grande, isso bem demonstra quanto podem custar os empréstimos. O mesmo princípio se aplica aos empréstimos menores. Assim, comprar a crédito é deveras oneroso. Pague a dinheiro (ou por cheque) sempre que puder.

      Um dos principais problemas é o uso de cartões de crédito. Cada vez mais pessoas os usam para fazer compras, inclusive de alimentos. Mas os cartões de crédito deveriam ser usados como se fossem armas perigosas. É fácil comprar coisas quando não se tem de pagar à vista. Tentar pagar compras precipitadas e desnecessárias, feitas com cartões de crédito, porém, pode causar-lhe dificuldades financeiras mais tarde.

      Se for de todo possível, poupe dinheiro para as compras, ao invés de tomá-lo emprestado. Isto não só impedirá o endividamento e os grandes pagamentos de juros, mas, se o dinheiro for depositado em banco (a prazo fixo ou em caderneta de poupança), renderá juros e terá a correção monetária.

      A Caminho do Fim

      Há algumas coisas, então, que pode fazer para proteger-se financeiramente na atualidade. Mas não há nada que possa fazer para ajudar o atual sistema econômico a sobreviver. Por que não? Porque qualquer recuperação que este consiga no futuro próximo será apenas temporária.

      A inerrante Palavra profética de Deus nos diz que todos os sistemas da atualidade, inclusive seus sistemas econômicos, estão “passando”. (1 João 2:17) Não podem durar muito tempo, porque é o propósito de Deus intervir dentro em breve nos assuntos do homem e pôr fim a este sistema insatisfatório. — Dan. 2:44.

      É por isso que a Palavra de Deus nos acautela: “Não estejais amando nem o mundo, nem as coisas no mundo.” (1 João 2:15) De nada adiantará tentar apegar-se a este sistema, ou perpetuá-lo. Dentro em breve, predisse Jesus Cristo, “haverá grande tribulação, tal como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem tampouco ocorrerá de novo.” (Mat. 24:21) Durante essa “grande tribulação”, o atual sistema monetário hodierno sem dúvida entrará em colapso.

      Divisando as montanhas de dívidas que se acumulam agora em toda a parte, pode-se avaliar quão rapidamente poderia ocorrer tal colapso econômico. Deveras, a Bíblia mostra que, como já aconteceu antes, “a própria prata deles lançarão nas ruas e o próprio ouro deles tornar-se-á uma coisa abominável”. — Eze. 7:19.

      Isso não é algo “artificial”. Até mesmo muitos observadores do cenário mundial acham que tem de acontecer algo drástico. À guisa de exemplo, em O Espasmo da Economia (edição em português, p. 15), o autor Alvin Toffler declara: “O que estamos presenciando atualmente não é uma mera catástrofe econômica, mas algo de muito mais profundo, algo impossível de entender dentro da estrutura econômica convencional. Esta é a razão pela qual os economistas, que se vêem cada vez mais enganados, queixam-se de que ‘as velhas regras não funcionam mais’. Estamos assistindo à crise generalizada do industrialismo . . . O que está ocorrendo não é nem mais nem menos do que a desintegração da civilização industrial de nosso planeta.”

      Toffler observou que as predições pessimistas sobre a economia mundial certa vez eram desprezadas como sendo “dementes”. Mas, comenta ele, “são agora levadas a sério”.

      Em virtude do que é certo que acontecerá no futuro, fará bem em não depositar indevida confiança nas coisas materiais. O dinheiro é necessário, é verdade, para se viver o dia-a-dia. Mas depositar sua confiança nele resultará certamente em desapontamento.

      Aquilo a respeito do qual todos precisamos aprender mais, e em que devemos confiar, é o que substituirá este velho sistema. Trata-se da nova ordem de Deus, sob o governo de seu Reino celeste. (Mat. 6:10) Aqui, na terra, sob uma administração justa, serão equacionados todos os problemas angustiantes da humanidade. Isto inclui os problemas econômicos. E serão solucionados para nossa total satisfação, visto que a Bíblia afirma sobre o Criador Todo-poderoso da nova ordem: “Abres a tua mão e satisfazes o desejo de toda coisa vivente.” — Sal. 145:16.

  • O maior porto interior da Europa
    Despertai! — 1977 | 8 de novembro
    • O maior porto interior da Europa

      Do correspondente de “Despertai!” da Alemanha Ocidental

      QUANDO eu e minha esposa deixamos alguns amigos numa linda parte do sul da Alemanha, eles nos perguntaram: “Onde vão?” Explicamos que nosso destino estava à margem do Reno, nas proximidades de Duisburg. “Oh”, exclamaram nossos amigos, “vocês vão para um lugar de centelhas e fumaça!”

      Qualquer pessoa que já visitou Duisburg sabe o que queriam dizer. Durante o dia, nuvens de fumaça, lançadas de enormes chaminés, escurecem o céu. À noite, os altos-fornos fazem com que o céu adquira o aspecto vermelho chamejante.

      Mas, ao invés de deixar que isso nos desanimasse, decidimos ir vê-la. Soubemos que Duisburg é o maior porto interior da Europa. Seus cais se estendem por uma distância de 43 quilômetros, e abrangem 22 docas. Trata-se dum porto importante. Em 1974, passaram por ele 68 milhões de toneladas métricas de mercadorias. Em contraste, no mesmo período, pelo maior porto marítimo de Hamburgo passaram apenas 57 milhões de toneladas métricas.

      Localização Ideal

      Um motivo da importância deste porto interior é sua localização ideal. Os altos-fornos de alguns dos maiores produtores de ferro e aço do mundo se localizam em Duisburg. Sua vizinhança contém ricos depósitos de carvão betuminoso. E, nos limites da cidade, há grande usina de cobre e várias indústrias químicas. A concentração industrial ao longo desta parte do Rio Reno e seu rebento próximo, o Ruhr, exigia um porto eficiente.

      Ressaltando ainda mais seu valor como porto, Duisburg está ligado a uma via navegável internacional e com a Alemanha Oriental, por meio de canais. Com efeito,

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