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O Sermão do Monte — como evitar adultério e divórcioA Sentinela — 1978 | 15 de novembro
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De modo similar, é preciso precaver-se para que aquilo que se faz com as mãos ou com outros membros do corpo não viole normas de moralidade da Bíblia. Neste respeito, o apóstolo Paulo escreveu: “Amortecei, portanto, os membros do vosso corpo que estão na terra, com respeito à fornicação, impureza, apetite sexual, desejo nocivo e cobiça.” — Col. 3:5.
É comum alguém estar disposto a perder literalmente um membro, a fim de preservar a vida. Ainda mais vital, segundo Jesus, é figurativamente ‘lançar fora’ olho e mão, a fim de evitar pensamentos e ações imorais, pois, só assim se pode escapar da destruição eterna simbolizada pela ardente Geena, “o depósito de lixo” perto de Jerusalém, que ardia noite e dia para consumir o lixo. — Mat. 5:29, 30, J. B. Phillips, em inglês.
“Outrossim, foi dito”, continuou Jesus, “‘Quem se divorciar de sua esposa, dê-lhe certificado de divórcio.’” (Mat. 5:31) A lei de Deus, por meio de Moisés, permitia que um homem se divorciasse de sua esposa, “se ela não achar favor aos seus olhos por ele ter encontrado alguma coisa indecente da parte dela”. (Deu. 24:1-4) “Alguma coisa indecente” evidentemente significava algo diferente do adultério, pois, conforme já mencionado, este crime incorria na pena de morte, sob a lei mosaica. Mas, visto que Deus “tem odiado o divórcio”, é razoável que os motivos válidos para ele devem ter sido sérios, tais como a esposa mostrando grave desrespeito pelo marido ou envergonhando a família. — Mal. 2:16.
Contudo, mesmo em tais casos sérios, as Escrituras não ordenavam, nem incentivavam o divórcio. Para prevenir o rompimento precipitado de matrimônios, Deus decretou que o homem que se divorciava de sua esposa tinha de dar-lhe um “certificado de divórcio”. Isto exigia tempo para a preparação e a legalização. E pode ter envolvido consultas a pessoas devidamente autorizadas, que talvez primeiro tentassem causar uma reconciliação.
Com o passar do tempo, porém, os maridos judeus começaram a ‘agir traiçoeiramente’ com suas esposas, divorciando-se delas por toda espécie de motivos triviais. (Mal. 2:13-16) Nos dias de Jesus, uma opinião rabínica, prevalecente, afirmava que o homem podia divorciar-se da esposa “até mesmo se apenas lhe estragasse uma comida”. Segundo o comentário bíblico, em alemão, de Strack e Billerbeck, muitas declarações em antigos escritos judaicos mostram “que, entre o povo judeu, no período mixenaico [que incluía os dias de Jesus], não havia matrimônio que o homem não pudesse sumariamente dissolver, de maneira totalmente legal, por entregar um certificado de divórcio”. Assim, não deve surpreender que os fariseus perguntaram a Jesus se o divórcio era lícito “por qualquer motivo”. — Mat. 19:3.
Qual era o conceito de Jesus sobre o divórcio? “Eu vos digo”, prosseguiu, “que todo aquele que se divorciar de sua esposa, a não ser por causa de fornicação, expõe-na ao adultério, pois quem se casar com uma mulher divorciada comete adultério”. (Mat. 5:32) Jesus, com plena autoridade qual Messias e Filho de Deus, mostrou que seu Pai não se agradava de homens que se divorciavam de sua esposa mesmo pela biblicamente declarada “coisa indecente”. (Veja Mateus 19:8.) Antes, o homem que se divorciasse de sua esposa por outros motivos, alheios à imoralidade sexual, expunha-a ao adultério, se ela tivesse relações sexuais com outro homem, visto que, aos olhos de Deus, o casamento permanecia intato. Jesus acrescentou que “quem se casar com uma mulher divorciada”, isto é, divorciada por outro motivo, que não o da imoralidade sexual, “comete adultério”.
Essas palavras de Jesus são deveras benéficas. Determinar ele a imoralidade sexual como a única base para um divórcio refreia os casais que querem agradar a Deus de se separarem por diversos outros motivos. E condenar ele o modo imoral de pensar, que leva ao adultério, serve para reduzir ainda mais os casos de dissolução de matrimônios. Para os que acatam a sua admoestação, o Sermão do Monte é uma poderosa ajuda para evitar adultério e o divórcio.
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O vale da torrente do CédronA Sentinela — 1978 | 15 de novembro
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O vale da torrente do Cédron
O vale da torrente do Cédron (nome que talvez venha duma raiz significando “preto, sujo”, ou de uma que significa “fulgor, queima, calor radiante”) é um vale fundo que separa Jerusalém do Monte das Oliveiras, e se estende primeiro na direção sudeste e depois para o sul, ao longo da cidade. Não tem água, nem mesmo no inverno, exceto em caso de aguaceiro forte, o vale do Cédron começa a certa distância ao norte das muralhas de Jerusalém. No início é um vale largo e raso, que depois se estreita e aprofunda. Quando atinge a altura do portão de S. Estêvão, perto da anterior área do templo, tem aproximadamente 30 metros de profundidade e uns 120 metros de largura. Ao sul da antiga área do templo, junta-se ao vale do Cédron o vale do Tiropeom e também o vale de Hinom. Daí para diante, prossegue em direção sudeste, atravessando o ermo árido de Judá, até o Mar Morto. O nome moderno, que se aplica à parte inferior do vale, é Uádi en-Nar (“uádi de fogo”), indicando que é quente e seco, na maior parte do tempo.
Defronte de Jerusalém, sepulcros esculpidos na rocha ocupam as ladeiras íngremes e rochosas do lado este do vale. No seu lado oeste, a meio caminho entre a antiga área do templo e a junção com os vales do Tiropeom e de Hinom, encontra-se a fonte de Giom. Perto desta fonte, o Vale do Cédron se abre e provê um espaço amplo. Sugeriu-se que esta área aberta talvez corresponda ao antigo “jardim do rei”. — 2 Reis 25:4.
O Rei Davi, quando fugiu de diante do rebelde Absalão, atravessou o vale do Cédron a pé. (2 Sam. 15:14, 23, 30) Visto que Simei, naquela ocasião, amaldiçoou Davi, Salomão restringiu Simei a Jerusalém, não lhe permitindo atravessar o vale do Cédron sob pena de morte. (1 Reis 2:8, 9, 36, 37) Jesus atravessou este mesmo vale em caminho para o jardim de Getsêmane. (João 18:1) Durante os reinados dos reis judeus Asa, Ezequias e Josias, o vale do Cédron foi usado como lugar para se eliminarem os apetrechos da idolatria. (1 Reis 15:13; 2 Reis 23:4, 6, 12; 2 Crô. 15:16; 29:16; 30:14) Serviu também como lugar de enterro. (2 Reis 23:6) Isto transformou o vale do Cédron numa região impura, e, por isso, é significativo que a profecia de Jeremias aponte para um tempo em que, em contraste, “todos os socalcos até o vale da torrente do Cédron” seriam “algo sagrado para Jeová”. — Jer. 31:40; Ajuda ao Entendimento da Bíblia, em inglês p. 991
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