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Precisa pagar o dízimo?A Sentinela — 1961 | 15 de janeiro
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Os filhos de Israel foram os primeiros a quem se ordenou pela lei de Deus que pagassem dízimos. Visto que a adoração de Jeová havia de ter o primeiro lugar nas vidas dos israelitas, era necessário que houvesse algum arranjo para financiar esta adoração. Isto foi feito através da lei do dízimo. A tribo de Levi, que não recebeu herança, foi sustentada pelo dízimo. Outro dízimo foi reservado para uso em relação com as festas de Jeová, e este foi substituído por um dízimo para os pobres, no terceiro e no sexto ano de cada período de sete anos. Nunca lemos que o dízimo fosse uma carga excessiva. De fato, quando o povo guardava a lei de Deus, ficava mais próspero. Este arranjo resultou no bem de todos. — Núm. 18:21-27; Deu. 14:22-24, 28, 29.
Não há dúvida de que o dízimo se aplicava aos israelitas, mas estão os cristãos obrigados a pagar o dizimo? O fato de que os israelitas pagavam dízimos não significa que os cristãos estejam obrigados a fazer o mesmo. Alexander Cruden diz na sua concordância: “Nem o nosso Salvador, ‘nem os seus apóstolos, ordenaram algo na questão do dízimo.” Clarke diz: “Durante séculos depois da Era Cristã, os cristãos não pagavam dízimos.” Não há nem mesmo uma única palavra das Escrituras Gregas Cristãs que diga que os cristãos precisam pagar dízimos ou que cobravam dízimos. De fato, Lorde Selborne, no seu livro Fatos Antigos e Ficção Referentes às Igrejas e aos Dízimos, em inglês, diz: “Não há menção de dízimos em nenhuma parte da antiga lei canônica da Igreja Romana, coligida no fim do quinto século por Dionísio”, frade cita que coligiu 401 cânones orientais e africanos.
No sexto século começou a desenvolver-se o hábito de considerar os clérigos como sucessores e representantes dos levitas sob a antiga lei mosaica. Isto deu origem à idéia de que tinham direito ao pagamento de dízimos por parte dos leigos. Este desenvolvimento foi gradual. Só foi no Concílio de Tours, em 567 E. C., que o dízimo foi feito obrigatório pela primeira vez. No nono século, Carlo; Magno promulgou a primeira lei do dízimo no seu domínio. O povo, porém negou-se obstinadamente a pagá-lo. A Encyclopedia Americana declara: “Os dízimos criaram grandes dificuldades em cada país em que eram cobrados . . . Foram, por isso, abandonados em quase todos os países.”
Nos tempos apostólicos, os ministros cristãos foram mantidos puramente segundo o princípio voluntário e o povo oferecia voluntariamente as suas contribuições. Os que proclamavam as boas novas haviam de viver por meio das boas novas. Hoje, porém, muitas organizações religiosas da cristandade têm desconsiderado este princípio cristão bem comi aquele que disse: “De graça recebeste. de graça dai”, e exigiram que seus membros pagassem dízimos. “A ênfase dada ao dízimo cristão desenvolve-se rápida mente como tema principal nas igrejas” disse um porta-voz do Conselho Nacional das Igrejas de Cristo nos E. U. A. Houve tempos, no passado, quando se encarceraram homens, confiscaram-se bens e alguns foram até fuzilados por recusarem pagar o dízimo. Hoje em dia há religiões que esperam que cada adepto contribua um décimo de sua propriedade por ocasião da conversão e um décimo de sua renda depois disso. Os que fazem tais exigências procedem assim sem autorização bíblica. Deus pôs término à lei mosaica quando a pregou no madeiro. Isto significa que ele pôs também término lei do dízimo. Paulo disse aos cristãos “Não estais debaixo de lei, mas debaixo de benignidade imerecida.” — Mat. 10 8; Rom. 6:14; 1 Cor. 9:14; Col. 2:14 Heb. 7:12, NM.
Quando os cristãos foram ungidos cor o espírito de Deus, em Pentecostes de 33 E. C., seus dízimos ao templo de Herodes findaram no mesmo instante. Deus tinha rejeitado àquele templo material e mais tarde permitiu que os romanos destruíssem. Como apoiariam, então, aquilo que o próprio Deus rejeitou? O pagamento do dízimo foi para aqueles cristãos judeus uma “sombra dos bens vindouros”, do novo sistema de coisas posto em vigor por Jesus Cristo. Prefigurou o dízimo espiritual, nosso dinheiro e outras contribuições, sejam pequenas ou grandes, contribuídas para o sustento do serviço de Deus, tudo o que, junto, é sinal ou símbolo do fato de que nós dedicamos o nosso todo a Jeová, nosso Deus; é um memorial de nossa dedicação. — Heb. 10:1.
Portanto, precisa pagar o dizimo? A resposta é: Não. Paulo disse: “Cada um faça segundo resolveu no coração, não ressentido ou sob compulsão, pois Deus ama ao dador alegre.” Portanto, dê alegremente, dê livremente, dê liberalmente, mas qualquer lei que diz que “precisa” fazer isso, é alheia às Escrituras. — 2 Cor. 9:7; 1 Cor. 4:6, NM.
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Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1961 | 15 de janeiro
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Perguntas dos Leitores
● Por que não se mencionam as tribos de Efraim e de Dã entre os da casa espiritual, em Apocalipse 7:4-8? — P. R., E. U. A.
As Escrituras tornam claro que Jeová teve o propósito que o número doze, um múltiplo de dois números simbolicamente completos, três e quatro, representasse inteireza em matéria de organização. Isto não só se vê nos doze filhos de Jacó e nas doze tribos de Israel, mas também nos “doze apóstolos do Cordeiro”. — Apo. 21:14.
Cedo na peregrinação através do deserto, a tribo de Levi foi escolhida em troca de todos os primogênitos sobreviventes, que pertenciam a Jeová em razão de ele os ter poupado na noite da primeira Páscoa. A fim de que houvesse novamente doze tribos, dividiu-se a tribo de José em duas tribos, as dos seus dois filhos Efraim e Manassés. — Núm. 3:12, 13, 41; 10:14-28.
Segue-se daí que, ao se alistarem as doze tribos do Israel espiritual, não se podia mencionar o nome de todas as tribos e, ainda haver apenas o número simbólico de doze. Talvez se pense que as doze tribos originais seriam as mencionadas no livro de Apocalipse, mas isto não se dá. Omitem-se ali as tribos de Efraim e de Dã, como não merecendo significado simbólico. Por quê?
Efraim teve o começo mais auspicioso. O próprio Jeová disse a respeito de Efraim: “Efraim é o meu primogênito.” (Jer. 31:9, Al) Efraim, embora o mais jovem dos dois filhos de José, herdou o direito da primogenitura em razão da bênção que Jacó lhe deu. — Gên. 48:13-20.
Apesar deste inicio auspicioso, a tribo de Efraim criou fama notòriamente má. Resmungaram contra a sua herança na terra; ‘contenderam com Gedeão fortemente’; lutaram contra Jefté; e lemos a respeito dos desta tribo: “Os filhos de Efraim, armados e trazendo arcos, retrocederam no dia da peleja.” Portanto não é de admirar-se que Jeová. “rejeitou a tenda de José, e não elegeu a tribo de Efraim. Antes elegeu a tribo de Judá; o monte de Sião, que ele amava”. — Jos. 17:14, 15; Juí. 8:1; 12:1-6; Sal. 78:9, 67, 68, Al.
Efraim tomou a dianteira na rebelião contra a casa de Davi, representada por Jeroboão. Ainda mais, desprezou o pacto para o reino, lutou contra o reino de Judá e lançou vitupério sobre o pacto com Levi por estabelecer uma adoração rival de bezerros através do reino das dez tribos. Lemos ainda mais a respeito de. Efraim: “Não guardaram o concêrto de Deus, e recusaram andar na sua lei.” “Agora te tens prostituído, ó Efraim.” “Efraim é um bôlo que não foi virado”, querendo dizer que era tíbio na sua devoção a Jeová Deus. — 1 Reis 12:25-30; 2 Crô. 13:3-20; Sal. 78:10; Osé. 5:3; 7:8, Al.
No entanto, note-se que Efraim está realmente representado em seu pai, José, pois o outro filho de José, Manassés, recebe menção individual separada e está incluído na lista.
A tribo de Dá também ficou com má reputação. Os próprios termos da bênção proferida por Jacó no seu leito de morte indicam que esta tribo tomaria um rumo desfavorável: “Dá será serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os calcanhares do cavalo, e faz cair o seu cavaleiro por detrás.” — Gên. 49:17, Al.
É também digno de nota que o único incidente histórico antigo tratando especificamente dos danitas conte como se desviaram para a idolatria. Aparentemente foram os primeiros a fazê-lo. Assim é que no Targum de Jônatas, a palavra “Dã” é sinônima de idolatria. Quando Jeroboão instituiu a
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