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Mamão — fruta muito apreciadaDespertai! — 1979 | 8 de fevereiro
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é usualmente amarelada ou alaranjada, às vezes tem cor de salmão, e tem cerca de 2,5 centímetros de espessura. Possui muito pouca fibra, e seu sabor caraterístico, diferente de qualquer outra fruta, é ligeiramente adocicado, com agradável sabor almiscarado.
Gostaria de provar o mamão como parte do café da manhã ou como sobremesa? Alguns o apreciam cru — naturalmente maduro — com ou sem açúcar, ou limão. Muitos brasileiros o preferem na salada de frutas, junto com bananas, mangas e abacaxis. Ou o transformam em deliciosa vitamina por misturarem a polpa madura num liqüidificador com abacaxi e outras frutas. Outros preferem o mamão como doce, preparando-o por cozer frutas verdes e adicionar açúcar e, talvez, coco ralado.
A polpa da fruta verde, cozida com açúcar queimado, também é mui deliciosa. Ainda outros usam mamão verde como legume (cozido como abóbora), especialmente em ensopados. Também é usado em tortas, refrescos e confeitos. Faz-se também uma compota do fruto verde, quer cortado em cubinhos quer ralado. Corte o fruto em cubos e os deixe de molho com um pouco de cal virgem (embrulhados num guardanapo) até o dia seguinte. Daí, enxágüe os cubos e os cozinhe com açúcar ou, para obter o sabor caramelado, com açúcar queimado. A cal virgem deixa a parte externa endurecida, ao cristalizar a fruta. Infelizmente o mamão é altamente perecível e é difícil de exportar, exceto em forma de conserva ou como suco, em refrigerantes.
Propriedades Medicinais
O mamoeiro é às vezes chamado de “árvore medicinal”. E isso, por certo tem sua razão, visto que cada parte dele possui algumas propriedades medicinais. O caule herbáceo, oco, é rico em vitaminas A, B, e C, bem como em cálcio, fósforo e ferro. No tronco da árvore fêmea encontra-se 1,5 por cento de proteína e de 7 a 10 por cento de açúcar. O látex das hastes, das folhas e do fruto verde é altamente anti-helmíntico (o que significa que destrói os vermes intestinais). Também, as pequenas sementinhas negras digerem, e, portanto, eliminam todos os tipos de parasitos intestinais indesejáveis. O mamão ajuda a digerir a proteína da carne, dos ovos, do leite, do feijão e dos alimentos similares, e, por isso, promove o funcionamento correto do pâncreas. Ademais, o mamão alivia a indigestão, protege contra a infecção, ajuda os diabéticos e os portadores da hepatite, e é usado para clarear o vinho e a cerveja.
Mas, talvez fique imaginando: O que torna o mamão tão valioso como remédio? Não podem ser apenas as vitaminas e sais minerais. É verdade. Mas, já ouviu falar na enzima papaína? É esta enzima que torna o mamão tão ímpar na digestão de proteínas. A papaína, só encontrada no mamão, é similar à enzima animal, pepsina. A indústria farmacêutica há muito se tem beneficiado da papaína. Aliás, a maior quantidade de papaína é encontrada logo abaixo da casca do fruto verde. Assim, enquanto o mamão ainda está pendurado numa árvore, fazem-se cortes longos na casca. O látex branco exsuda, similar ao látex que exsuda das seringueiras, e é captado em coletores. Os cortes são repetidos a cada três a cinco dias. Quando o mamão amadurece, o fluxo gradualmente diminui e cessa quando o fruto fica plenamente maduro. O suco seco está então pronto para ser despachado.
Caso more nos trópicos ou os visite, apreciará ainda mais o mamão, visto que, em tais países, poderá estar infestado de parasitos, tais como ancilóstomos, que se fixam no seu intestino delgado e no cólon. No entanto, a papaína ataca e dissolve a epiderme queratinosa da maioria dos parasitos comuns. A papaína é inofensiva e é o vermífugo mais barato nos trópicos. Se não aprecia comer mamão verde, um tanto amargo, por que não mastiga e engole um pedaço da folha ou uma colher de sopa das sementes, depois de cada refeição? Embora tal idéia talvez não seja muito agradável, certamente poderia proteger seu organismo da invasão de parasitos. As sementes possuem um sabor pungente, não muito diferente do agrião ou dos rabanetes.
Sempre que saborear uma refeição pesada, rica em proteínas, coma uma fatia de mamão maduro. Poderá poupá-lo dum ataque de indigestão. Caso seja a cozinheira, envolva a carne crua em uma folha grande de mamoeiro, de um dia para o outro. Ficará surpresa diante de seu efeito amaciante. Os caçadores e as donas-de-casa, no Brasil interiorano, fazem isso há muito tempo. Quando matam um animal velho, envolvem sua carne rija em folhas de mamoeiro e, no dia seguinte, ela é tão tenra quanto a de um animal jovem. Uma galinha velha pode ser amaciada do mesmo jeito, ou por esfregar-se a carne com látex de mamão. Por esse motivo, a maioria dos produtos comerciais para amaciar a carne contêm papaína.
Mas, há outros benefícios. Será que alguém em sua família sofre de vez em quando com muito catarro? Bem, então, cozinhe flores de mamoeiro em água, açúcar queimado ou mascavo, e coe o xarope. Resulta num excelente xarope contra a tosse. No Brasil, muita gente simples coloca um pedaço de folha de mamão sobre feridas, para apressar a cura. Simplesmente amarram a folha diretamente sobre a ferida ou o machucado. Também, a polpa do mamão é usada, externamente, para tratar manchas da pele.
Agora que “conhece” muito melhor o mamão, deixe-nos lembrar-lhe onde o poderá encontrar. Embora parecido ao “melão”, não crescem em trepadeiras. Antes, olhe para o alto à procura deles, pois são frutas que dão em árvore.
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Médico avalia os riscos transfusionaisDespertai! — 1979 | 8 de fevereiro
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Médico avalia os riscos transfusionais
SOB a manchete “Os perigos da transfusão”, o Dr. Salomão A. Chaib escreveu para Shopping News de São Paulo:
“Não há dúvida que, em certos casos, há exagero no uso e abuso da transfusão. Talvez um controle mais rigoroso, para evitar perdas sanguíneas, reduzisse o número de transfusões.
“ . . . Inegavelmente, a transfusão é fator importante de segurança e muitas vezes recurso único para salvar uma vida em perigo. Entretanto, oferece certos riscos, como todos os transplantes; a transfusão não passa de um transplante. Pode ser responsável pela transmissão de muitas doenças como: sífilis, malária, hepatite, moléstia de Chagas, vírus; o sangue pode ter sido contaminado durante a colheita e conter bactérias e provocar infecção e septicemia [envenenamento sangüíneo].
“ . . . O sangue armazenado perde suas plaquetas e reduz a capacidade do recebedor de coagular seu sangue. Quando ministrado em grande quantidade, há maior hemorragia durante e após a operação. Cria-se um círculo vicioso, mais sangue recebido, mais hemorragia. . . .
“Convém estar atento para o fato de que pessoas que já tomaram muitas transfusões desenvolveram anticorpos contra sangue estranho e não devem doar sangue ou mesmo receber, a não ser com cuidado e observação para surpreender alguma reação. . . .
“Mas o pior dos acidentes é a transfusão de sangue incompatível. Provoca inevitavelmente choque, falta de ar, febre e tremores. Glóbulos vermelhos são destruídos, o doente passa a urinar sangue, há lesões dos rins, pode haver uremia [doença causada devido à insuficiência renal]. No doente anestesiado, essas reações são difíceis de serem percebidas, pois estão mascaradas pela anestesia; o cirurgião atento notará que as partes cortadas começam a sangrar abundantemente, o sangue baba e embebe tudo, o que pode ser um sinal de alarme. Felizmente, tratado a tempo, quase sempre o organismo se recupera, se os rins não forem muito lesados.
“Nos Estados Unidos, com todo o rigor da técnica, fazem-se cerca de 8 milhões de transfusões de sangue por ano, com incidência de 160.000 casos de reações. Em nosso País, [o Brasil], a porcentagem deverá ser, sem dúvida, maior.”
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