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Um lembrete dos tempos mais tranqüilos em UlsterDespertai! — 1977 | 22 de julho
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dos seus dias. Parece que substituímos as injustiças dos tempos delas por erros ainda mais monstruosos. Refletindo a atual frustração de muitos, uma pessoa espirituosa escreveu numa parede de Belfast a seguinte pergunta: “Existe vida antes da morte?” Assim, é bom termos um lembrete dos tempos mais tranqüilos e, assim, nutrir a esperança de que, algum dia, a tranqüilidade será restaurada.
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Como descobriram suas vitaminasDespertai! — 1977 | 22 de julho
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Como descobriram suas vitaminas
AS PERNAS do marinheiro estavam tão inchadas que ele não conseguia andar. Seu capitão, esperando acabar com a disseminação da temível ‘infecção de escorbuto’, colocou tal homem numa desolada ilha do Atlântico. O pobre miserável estava destinado a morrer, achava o capitão, mas talvez o restante da tripulação pudesse ser salvo dessa forma.
O homem abandonado mascou grama fresca que conseguiu achar nas moitas aqui e acolá na ilha. Para surpresa sua, em questão de dias já conseguia andar um pouco! Suas forças logo retornaram e, por fim, conseguiu pegar um navio que passava e voltou para sua casa em Londres. Imagine só o choque que tiveram seus antigos colegas de navio quando o viram de novo — era como se ele tivesse ressuscitado!
A história do marujo que ‘comeu grama como um animal e viveu apresentou grande interesse para um cirurgião escocês, o Dr. James Lind. Tendo estado com a armada inglesa, estava cônscio de que milhares de marujos haviam morrido, anualmente, de escorbuto. A questão de Lind era: Será que a grama continha algo que a dieta normal do homem não contém? Havia alguma ligação entre o escorbuto e a dieta? Decidindo fazer experiências, Lind tornou-se responsável por importante capítulo na história de ‘como descobriram suas vitaminas’.
Não que o Dr. Lind estivesse procurando uma vitamina. A palavra nunca tinha sido ouvida antes de 1911. A descoberta da maior parte das vitaminas foi realmente acidental, no sentido que os pesquisadores combatiam doenças específicas, e não estudavam alimentos ou nutrição.
Ademais, esta história não contém nenhum herói específico, mas envolve os esforços de homens de muitos países. Esses pioneiros com freqüência não se beneficiaram das descobertas uns dos outros, visto que não possuíam os benefícios das comunicações modernas. Todavia, às vezes, apesar da zombaria dos médicos e cientistas contemporâneos, os esforços desses homens constituem uma história de coragem, perseverança e, por fim, de êxito.
A História da Vitamina C
“Em 20 de maio de 1747, aceitei vinte pacientes com escorbuto . . . Seus casos eram tão similares quanto consegui obtê-los” inicia o relatório do Dr. Lind. Suas conclusões mostravam “que os mais súbitos e melhores efeitos visíveis foram percebidos através do uso das laranjas e dos limões; aqueles que os haviam tomado ficando aptos para seu dever no fim de seis dias”.
Regozijou-se o mundo médico de seus dias? Não. Ao invés, a idéia de que a dieta provocava o escorbuto sofreu zombaria e repúdio. Não tomavam limão as tripulações de alguns navios e, ainda assim, contraíam escorbuto? Infelizmente, isto era verdade, mas tinham fervido o suco de limão, destruindo o que agora conhecemos como vitamina C.
Por fim, cerca de quarenta e sete anos depois, o Almirantado inglês permitiu que Lind repetisse suas experiências. Forneceu-se a toda uma frota suficiente suco de limão cru para uma viagem de vinte e três semanas. Os resultados foram tão espetaculares que um ano depois, em 1795, o suco de limão (mais tarde substituído por suco de lima) tornou-se parte da dieta regulamentada dos marujos ingleses. O escorbuto não mais era o ‘senhor das ondas’, e até mesmo hoje em dia os marujos britânicos são apelidados de “limeys” (abreviatura de bebedor de suco de limão)!
No entanto, só ocorreu lentamente o progresso em isolar-se a razão da eficácia dos limões, e de outros frutos e legumes. Em 1905, um holandês, o Professor Pekelharing, depois de suas experiências com camundongos, escreveu: “Há uma substância desconhecida, contida no leite, que mesmo que ingerida em dose muito ínfima, é de importância capital para a nutrição.” Ele mostrou que, mesmo diante da aparente abundância de alimentos (gorduras, proteínas, carboidratos), se faltasse tal “substância desconhecida”, os camundongos morreriam. Infelizmente, seu relatório foi publicado apenas em holandês e não gozou de circulação geral.
Malgrado esses obstáculos, a idéia de haver ‘elementos misteriosos’ necessários, por fim foi publicada e se creu nela. Podia-se ingerir grandes quantidades de ‘bons alimentos’ e, ainda assim, não obter os ‘elementos necessários’. Não constituíam combustível para o corpo, mas, de alguma forma, eram necessários para ele em sentido químico. Poderia algum deles ser isolado?
Por volta do início dos anos 1900, várias equipes de cientistas estavam ‘perto da pista’ da misteriosa substância de combate ao escorbuto. Em 1931, fez-se um concentrado de suco de limão 20.000 vezes mais potente que o suco original! Então ocorreram esforços intensivos de discernir a natureza exata deste composto vital. Uma vez determinada a sua “cadeia” ou estrutura molecular, poder-se-ia sintetizá-lo e produzi-lo em massa. E assim aconteceu que, em 1935, a vitamina C (também chamada apropriadamente de ácido ascórbico) tornou-se a primeira vitamina “pura” disponível ao público por meio da produção em larga escala.
Na busca da cura do escorbuto, porém, descobriu-se mais de uma vitamina. O homem aprendeu que uma moléstia nem sempre é provocada pelo ataque de alguma infecção ou bactéria. Às vezes é causada pela dieta deficiente.
A Família do Complexo B
Os primeiros indícios da existência das vitaminas B surgiram na luta contra a temível doença beribéri, que ataca os nervos e o coração. O beribéri também influi no sistema digestivo. Nossa história nos leva de novo ao mar.
No início dos anos 1880, sob a direção de jovem oficial médico nipônico, Kanehiro
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