Observando o Mundo
DATAÇÃO INEXATA
Durante décadas, historiadores e paleontólogos com freqüência têm confiado na datação pelo radiocarbono para calcular a idade dos fósseis. No entanto, segundo a revista Time, “sabe-se que tais cálculos, embora valiosos, também são um tanto incertos”. A revista acrescentou que “sabe-se que os níveis de carbono-14 no ar — e, assim, a quantidade ingerida pelos organismos — variam com o tempo e que isso pode influir nos resultados da datação pelo carbono”. Após comparar os resultados de um teste com o carbono-14 com um teste feito com urânio-tório, um grupo de geólogos do Laboratório Geológico Lamont-Doherty, em Palisades, Nova Iorque, verificou que “as datas do radiocarbono podem estar distorcidas em até 3.500 anos — possivelmente o bastante para forçar uma mudança no conceito atual sobre questões importantes, tais como a época exata em que os humanos atingiram pela primeira vez as Américas”.
DIETA DE FIOS
O jornal The Jerusalem Post informou sobre uma tendência recente, em Israel, entre algumas pessoas desejosas de perder peso. Para reduzir sua ingestão de alimentos, alguns têm pedido a médicos ou dentistas que façam o tratamento de suas mandíbulas com fios de aço. As autoridades notaram esta tendência quando “anúncios sobre tais amarrias com fios começaram a ser publicados nos jornais”. Esta prática é ilegal; o Ministério da Saúde de Israel conseguiu impedir que cerca de uma dúzia de dentistas fizessem esse tipo de amarria odontológica nos pacientes. De acordo com o Post, o Dr. Moshe Kelman, chefe do Departamento de Saúde Dental do Ministério da Saúde, declarou que seu departamento está investigando o suicídio de uma jovem de 18 anos cujas mandíbulas foram travadas para que ela perdesse peso.
A CULPA É DA POLUIÇÃO
“Cada geração está ficando mais fraca, à medida que a poluição se acumula no sistema imunológico e o desgasta”, afirma o especialista em energia, Dr. Jean Monro, do Hospital Breakspear, de Medicina Ambiental e de Tratamento de Alergias, da Grã-Bretanha. Alguns dos fatores contribuintes citados são a poluição ambiental, o abandono do aleitamento materno, a adição de substâncias químicas aos alimentos e aos reservatórios de águas, e o emprego insensato de remédios e de tóxicos. O resultado são as doenças que variam da asma ao câncer e até mesmo problemas de comportamento infanto-juvenil. Segundo noticiado no jornal The Times, de Londres, calculadamente 17 milhões de pessoas, cerca de 30 por cento da população da Grã-Bretanha, poderia estar sofrendo de doenças induzidas pelo meio ambiente, muitas delas sem se dar conta disso.
TARTARUGAS VIOLENTAS
As autoridades escolares na Austrália enfrentam o crescente problema da violência entre crianças. Segundo o jornal The New York Times, algumas culpam a onda popular das “Tartarugas Ninjas” (título, em português, de “Teen-Age Mutant Ninja Turtles”). Um perito declarou que as crianças “estão aprendendo que a violência, se usada pelos mocinhos, é a solução para todos as problemas, e isto então se traduz em seu comportamento”. Muitas escolas australianas proibiram as armas de brinquedo, avisando os alunos que deixem “suas espadas, nunchakus e varas ninjas em casa”. O jornal acrescenta que “apesar da ampla preocupação com o efeito das Tartarugas sobre as crianças, tanto o filme como o seriado de TV sobre ‘As Tartarugas Ninjas’ estão atingindo índices recordes de audiência”.
O SEGREDO DA LONGEVIDADE
Um novo recorde mundial de longevidade foi estabelecido pelos japoneses, com uma expectativa média de vida de 81,77 anos para as mulheres e de 75,91 anos para os homens. Os peritos atribuem isto a “um decréscimo da mortalidade infantil e de pessoas de meia-idade”, noticia o jornal Mainichi Daily News. Aos 112 anos, Waka Shirahama, a pessoa mais idosa do Japão, e um dos 3.298 centenários daquela nação, disse que o segredo da longevidade dela é “viver uma vida diligente, moderada e honesta”, de acordo com o The Daily Yomiuri. Em outra entrevista, ela acrescentou: “Coma todos os tipos de alimentos, sem fazer questão do que gosta ou do que não gosta, durma bastante e não se esqueça de sorrir sempre.”
SERÁ A CURIOSIDADE O MOTIVO?
Uma manchete do Jornal da Tarde dizia: “Consumo de Droga nas Escolas Assusta Autoridades”. Apesar das campanhas para alertar os jovens, o abuso de drogas está aumentando. Um motivo, segundo a psicóloga Ivonise Catafesta, é que ‘a curiosidade do adolescente é maior do que o medo dos danos causados pelo abuso de drogas, tornando-o assim uma presa muito fácil de traficantes’. Ademais, o Dr. Anthony Wong, presidente da Sociedade Brasileira de Toxicologia, comenta que ‘a pressão dos traficantes e de outros jovens’ é mais forte do que os avisos. Também, ‘a divulgação do uso de drogas como algo corriqueiro, como é visto muitas vezes no cinema ou na televisão, faz com que o jovem encare o vício como algo normal, que não oferece perigo’. Todavia, o Dr. Wong acrescenta que ‘as mudanças na estrutura familiar colaboram para que o adolescente busque refúgio nos entorpecentes. Ademais, a maioria dos jovens não tem objetivo na vida. Isto, muitas vezes, induz ao consumo de drogas’. (O grifo é nosso.)
FILMES SANGRENTOS
“Caso tenha a impressão de que os filmes, hoje em dia, são mais sangrentos do que em qualquer época do passado e que a contagem de cadáveres aumenta vertiginosamente”, comentou o The New York Times, “você está absolutamente certo”. A tecnologia moderna e novas substâncias plásticas habilitam os diretores de cinema a acrescentar um realismo chocante às cenas violentas. Alguns dos filmes mais populares incluem centenas de mortes violentas. À guisa de exemplo, o jornal mencionou o filme “Duro de Matar 2” (título, em português, de Die Hard 2) em que mais de 260 pessoas foram mortas violentamente, inclusive um homem que foi esfaqueado no cérebro através da órbita ocular e outro que foi sugado pelo motor a jato dum avião. Segundo esse mesmo artigo, um bom número destes filmes são “filmes de ação-aventura da espécie de que veio a dominar o mercado da atualidade”.
MATANÇA DE FOCAS?
A proposta morte a pauladas de 30.500 focas na costa ocidental da África do Sul tem causado tantas reações públicas emocionais que tal plano foi arquivado. No entanto, alguns conservacionistas acreditam ser preciso descartar tais focas a bem do ambiente marinho. Segundo o jornal The Star de Johanesburgo, a superpopulação de 1,3 milhão de focas em torno da costa do Cabo e da Namíbia já representa uma ameaça para o habitat marinho. Afirma o conservacionista Vic Kabalin: “Anos atrás, a ilha das Focas . . . era famosa por suas focas do Cabo e por suas colônias de pingüins do Cabo. Agora só se vêem focas.” Qual o motivo do desequilíbrio ecológico? Declara The Star: “O principal predador da foca do Cabo, os grandes tubarões, foram grandemente reduzidos em número por meio de redes e da pesca de tubarões. Assim, cerca de 1,3 milhão de focas . . . dispõem de pouco para controlar seu número, exceto o homem.”
LINGUAGEM INCOMUM
Visite Gomera, uma das sete ilhas Canárias, e é provável que ouça sons parecidos aos de canários dotados de megafones. Segundo noticiado pelo jornal The Hawke’s Bay Herald-Tribune, da Nova Zelândia, trata-se do silbo, ou linguagem assobiada, que os habitantes daquela ilha utilizam, já por muitos séculos, como uma segunda língua. Embora sejam necessários cinco anos para aprender e exija alto grau de perícia, era amplamente usado por camponeses que trabalhavam no interior montanhoso da ilha, visto que consegue percorrer uma distância bem maior do que a língua falada. “Poderá dizer qualquer coisa por meio do assobio, e, se o tempo estiver bom, poderá ouvi-lo a 3 quilômetros de distância”, diz um dos que a empregam. Visto que cada letra do alfabeto possui um som de assobio correspondente, até mesmo palavras modernas podem ser assobiadas.
ACIDENTES AÉREOS
Um dos principais fabricantes de aviões, a Boeing, tem estudado a freqüência e as causas dos acidentes aéreos. Segundo o The Wall Street Journal, esse fabricante já examinou cerca de 850 grandes desastres, ocorridos desde fins da década de 50. A Boeing afirma que “os erros da parte das tripulações causaram mais de 72% dos acidentes, nos últimos 10 anos”. O informe declarava que, caso o número de vôos continue a aumentar à presente taxa, e o número de acidentes deixe de diminuir numa taxa mais rápida, em meados da próxima década, o efeito líquido “seria uma média de 20 grandes desastres por ano, para todas as marcas de aviões de transporte . . . elevando-se dos 15 da atualidade”.
MORTES NAS MINAS
“Para cada tonelada de ouro extraído das minas, morre um mineiro”, informa o jornal The Star, de Johanesburgo, África do Sul. De acordo com estatísticas fornecidas pela Câmara das Minas, tem ocorrido anualmente a média de mais de 560 mortes nas minas de ouro africanas, nos últimos sete anos. Embora tenha havido ligeiro declínio do total de mortes, o Sr. Reinoud Boers, oficial de ligação da Câmara das Minas, diz: “O fato é que a mineração é uma tarefa arriscada. Embora preferíssemos não registrar nenhuma morte, esta é a realidade da exploração mineral em todo o mundo.” A metade das mortes é causada por explosões resultantes do aumento repentino da pressão, e pelas quedas de rochas”. “As minas sul-africanas”, explica o Sr. Boers, “são as mais profundas do mundo (chegando a até 4 quilômetros) e lidamos, assim, tanto com o calor como com a extrema pressão rochosa. Estamos escavando também as rochas mais duras que há no mundo”.