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Será seguro tomar remédios?Despertai! — 1976 | 22 de julho
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nos EUA, gastam cerca de Cr$ 8.000.000.000,00 para promover seus produtos. Assim, há mais de 100.000 medicamentos no mercado, segundo cálculo da Administração de Alimentos e Drogas dos EUA. O remédio sem receita mais amplamente usado é a aspirina, os estadunidenses consumindo mais de 15.000 toneladas dela por ano!
Mas, será bom critério usar remédios tão livremente? Há algum perigo envolvido em seu uso?
Considerações Ponderadas
É bem conhecido que a vida de muitas pessoas com graves doenças infecciosas foi salva por medicamentos modernos tais como a penicilina. Para alguns, porém, estes remédios são uma espada de dois gumes, dado que também provocam efeitos colaterais prejudiciais, até mesmo a morte. As publicações médicas amiúde reconhecem os perigos envolvidos, às vezes de forma mui impressiva.
O livro Drugs (Remédios), da Biblioteca Científica de “Life”, que tem como co-autor a Walter Modell, professor de farmacologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Cornell, em Nova Iorque, é um deles. Sem dúvida, no desejo de sublinhar a natureza paradoxal dos remédios, o primeiro capítulo deste volume se intitula “Venenos Que Salvam Vidas”. Ali lemos, em seus parágrafos iniciais:
“Todos os remédios são venenos, e todos os venenos são remédios. Não é por acaso que as palavras ‘veneno’ e ‘poção’ [em inglês, poison e potion] venham do mesmo radical, ou que a palavra grega pharmakon, cujo radical encontramos em nossas palavras ‘farmácia’ e ‘farmacologia’, originalmente significassem tanto uma bebida curativa como uma mortífera.
“No sentido mais amplo, um remédio — ou um veneno — é qualquer substância química que possa conseguir alterar a função ou a estrutura do tecido vivo. . . . Conforme usada comumente é claro, a palavra ‘drogas’ subentende substâncias medicinais — as substâncias que, em doses cuidadosamente reguladas, produzem as mudanças desejáveis no corpo humano, combatendo a doença ou aliviando a tensão.”
Com freqüência se chama de “milagroso” o modo como doses cuidadosamente reguladas de remédios modernos têm salvo os pacientes. Existe pouca dúvida de que há incontáveis milhares de pessoas que hoje estão vivas, e que teriam morrido se lhes fossem negadas as chamadas “drogas milagrosas”. Todavia, o Professor Modell tenta equilibrar as coisas, explicando:
“Mesmo os remédios mais benéficos possuem, notoriamente, efeitos adversos. Alguns peritos calculam que talvez um paciente estadunidense, dentre cada 20, baixe ao hospital em resultado de uma reação negativa a remédios. O melhor que se pode dizer sobre qualquer remédio é que seus efeitos benéficos ultrapassam os prejudiciais — para a maioria dos pacientes, na maioria das vezes.”
Será que os Benefícios Ultrapassam os Danos?
Os médicos, em geral, provavelmente afirmem que os benefícios das drogas medicinais ultrapassam seus danos. Talvez apontem para sua própria experiência médica — suas próprias observações — em que centenas foram beneficiados por remédios e apenas alguns sofreram reações adversas. Contudo, certas autoridades médicas começam a questionar tal conclusão.
Para exemplificar, considere o uso dos antibióticos. Em 1943, o primeiro antibiótico, a penicilina G, foi lançada no mercado nos Estados Unidos Desde então, os antibióticos tornaram-se a classe de remédios mais prescrita, tendo pelo menos 8.000.000.000 de doses recebido a licença, em 1972, da Administração de Alimentos e Drogas, para serem usadas! Em vista de tal uso maciço, alguns médicos evidentemente estão prescrevendo demais, e erroneamente os antibióticos. Quanto a isso, o artigo principal de The Journal of the American Medical Association (Revista da Associação Médica Americana, JAMA), de 4 de março de 1974, intitulado “Será Isto Progresso Médico?”, concluía:
“Cremos ser apropriado propor duas perguntas, muito embora talvez seja impossível conseguir dados suficientes para respondê-las: (1) Será que chegamos ao ponto em que o enorme uso de antibióticos causa tantos malefícios quanto benefícios? (2) Será que os riscos começam a ultrapassar os benefícios?
Estas são consideradas perguntas válidas por certos médicos que se sentem alarmados diante da evidência avolumante de danos causados pelos antibióticos a muitos pacientes.
Ilustração da Necessidade de Cautela
Os médicos observam, para exemplificar, que o abuso de antibióticos tem sido um fator causativo do desenvolvimento de variedades resistentes de bactérias. Segundo estatísticas citadas no artigo da JAMA, supracitado, tais bactérias se multiplicaram ao ponto em que é possível que estejam provocando até 106.000 mortes por ano nos hospitais estadunidenses!
Os dois médicos que apresentaram esta evidência em JAMA apontaram o cloranfenicol como antibiótico particularmente perigoso que pode provocar a anemia aplástica como grave efeito colateral. “O problema da anemia aplástica tem sido bem documentado; esta reação fatal ocorre aproximadamente uma vez entre 60.000 e 80.000 doses.” Havendo cerca de quatro milhões de pacientes por ano a quem se receita cloranfenicol, segundo relatado, pelo que parece isso é responsável por dezenas de mortes anuais.
Sobre essas mortes, lamenta o artigo de JAMA: “Grande maioria destas reações usualmente fatais ocorreram em pacientes que receberam cloranfenicol quer para infecções triviais, infecções não documentadas, ou infecções para as quais um antibiótico alternativo mais seguro, bem como mais eficaz, poderia ter sido escolhido.”
Por certo, há necessidade de cautela no uso de tais drogas como o cloranfenicol. A maioria dos médicos estão bem cônscios dos perigos de tais drogas, reservando-as para certas emergências que ameaçam a vida. Todavia, pelo que parece, alguns médicos ou não estão informados sobre os perigos, ou usam de péssimo critério ao prescrevê-las.
Mas, há provavelmente um motivo mais importante pelo qual o cloranfenicol ainda é usado com tanta freqüência. O ex-diretor da Administração de Alimentos e Drogas dos EUA afirmou que os fabricantes “promoveram com êxito a cloromicetina [marca registrada do cloranfenicol], contrário aos melhores conselhos da classe médica”.
Todavia, são comuns as pretensões descabidas quanto a certas drogas. Assim, uma agência governamental verificou que, dentre 16.000 remédios vendidos sem receita, que ela havia testado, 60 por cento violavam a lei por pretenderem que conseguiriam mais resultados do que realmente conseguiam. A Academia Nacional de Ciências examinou 4.349 remédios prescritos e não prescritos que estavam sendo promovidos para o tratamento de 1.600 diferentes moléstias. Verificou que, dentre 1.610 afirmações feitas sobre os produtos, apenas 19 por cento podiam ser provadas. Outra análise mostrava que, dentre 1.859 remédios testados, apenas 301, ou menos de 17 por cento, eram eficazes para todos os males cujas curas sua propaganda anunciava.
É grande tarefa tentar impedir a comercialização de remédios que possam causar mais danos às pessoas do que beneficiá-las. Assim, há cerca de quinze anos atrás, suposta “pílula soporífica perfeita”, que continha a droga talidomida, era amplamente usada em muitos países. No entanto, um farmacólogo empregado pelo governo dos EUA reteve sua aprovação, à espera de esclarecimento de várias suspeitas que nutria quanto a ela. Foi algo muito bom, visto que, pouco depois, descobriu-se que milhares de bebês, que nasceram de mulheres que tomaram a talidomida durante a gravidez, eram horrivelmente deformados.
Isto ilustra ainda mais a necessidade de cautela ao se tomar remédios. Pois, muito embora não se sintam de imediato quaisquer efeitos colaterais — mesmo em questão de dias ou de semanas — podem manifestar-se meses, ou até mesmo anos depois. “Na medicina atual, usamos muitas drogas mais potentes e todos os tipos de substâncias químicas e máquinas esotéricas”, observa o Dr. Eugene Saenger, professor de radiologia da Universidade de Cincinnati. Sua conclusão é: “Sem dúvida deve haver algumas conseqüências a longo prazo.”
A realidade é que algumas dessas conseqüências a longo prazo já começaram a ser sentidas ultimamente.
Risco Calculado
Por exemplo, entre 1945 e 1971, a droga chamada dietilestilbestrol (DES) foi comumente prescrita para as mulheres grávidas para impedir o aborto involuntário. Embora alguns abortos tenham sido provavelmente impedidos, quais têm sido os resultados a longo prazo? Alta incidência de cânceres vaginais nas filhas adolescentes de mães que tomaram tal remédio! Assim, um especialista em tumores ginecológicos de Los Angeles, Califórnia, aconselha: “As filhas de mulheres a quem foi ministrado o DES devem ser examinadas regularmente a partir de seu 13.º aniversário.”
Similarmente, o Daily Mail de Londres, de 7 de março de 1974, observou: “As vendas sem receita de um dos mais amplamente usados analgésicos devem ser proscritas, depois da evidência de que tal droga pode provocar danos aos rins. . . . Na Grã-Bretanha, calcula-se que mais de 500 pessoas morrem, cada ano, de insuficiência renal diretamente atribuível à dependência excessiva de compostos de fenacetina.”
Também, um estudo sobre remédios comumente tomados por via oral para combater o diabetes indica que podem causar de 10.000 a 15.000 mortes por ano devido a doenças cardíacas. Tal estudo, noticiado na JAMA, de 10 de fevereiro de 1975, indica que a taxa de mortes resultante de doenças cardíacas e outras relacionadas era duas vezes mais alta entre os, diabéticos que tomavam tais drogas do que entre os diabéticos tratados com injeções de insulina ou com dieta controlada.
Significa isso que se devem evitar totalmente os remédios, Não. Aliviaram o sofrimento de dezenas de milhões e salvaram, talvez, milhões de vidas. Quão gratas tais pessoas podem ser por eles!, O risco envolvido em tomá-los amiúde e justificável. Há, sem dúvida, muitos milhares de pacientes com doenças cardíacas que morreriam em questão de semanas se ‘deixassem de tomar digitálicos. Com efeito, até mesmo a alteração duma dose cuidadosamente regulada pode ser perigosa. Sim, a digital é um “veneno”, mas, quando usada sabiamente e sob supervisão perita, tem-se provado verdadeiro salva-vidas.
O diabético, também, tem mais probabilidade de morrer de sua doença se não tomar remédio do que de morrer da doença cardíaca que seu remédio alegadamente poderá causar. Similarmente, a pessoa talvez aceite o “risco” de tomar até mesmo aspirina, em vez de sentir o desconforto e a inconveniência duma dor de cabeça. Mas, o ponto a lembrar é que tomar remédios é um risco calculado — é uma espada de dois gumes.
Como saberá, então, se deve tomar ou não certo remédio? Isso depende principalmente das recomendações dum médico. Como proteção para o leitor, as drogas potentes só podem ser obtidas por meio de recomendações e receita médica. Visto que o critério dele pode influir em sua saúde, e talvez em se o leitor viverá ou morrerá, fará bem em respeitar o critério do médico. Mas, pelas mesmas razões, é sábio assegurar-se cuidadosamente das habilitações dele. É consciencioso, e tem bom conhecimento? Realmente se interessa de coração em seu bem-estar? Em certos casos, talvez deseje também consultar outro médico quanto a se é justificado o emprego de certo remédio.
Pacientes Amiúde São Culpados
O fato é, contudo, que os próprios pacientes não raro são culpados do abuso e uso errado de remédios. Muitos deles acham que foram tapeados, se o médico não receita algum remédio nem lhes aplica uma injeção. O Dr. Calvin M. Kunin escreve em JAMA: “A pressão do paciente é um dos fatores mais importantes que leva os médicos a receitarem demais em seus consultórios. Isto não se dá, de jeito nenhum, de modo sutil, e amiúde procede das pessoas mais loquazes e melhor instruídas, inclusive os profissionais da saúde. Visualize só os telefonemas dados a um médico ocupado, solicitando, e, às vezes, até mesmo exigindo, que seja receitado um antibiótico.”
Descrevendo os problemas, escreveu certo cirurgião e clínico geral: “Quando um homem vem consultar-me com pequena dor nas costas que ele contraiu ao limpar seu porão, tenho vontade de lhe dizei: ‘Olhe aqui, pegue seu dinheiro e corra.’” O que a pessoa precisa é de um pouco de calor e repouso, e talvez de aspirina para aliviar a dor. Mas, visto que tal recomendação não agradaria àquele homem, o médico lhe dá o que ele quer. Faz um “grande negócio” — o paciente paga, nos EUA, Cr$ 100,00 pela consulta, Cr$ 200,00 para um raio-X, Cr$ 50,00 de remédios e Cr$ 30,00 para um tratamento de diatermia. “O homem vai para casa [satisfeito, mas] com Cr$ 380,00 a menos, e fisicamente não está melhor.”
Necessidade de Usar Bom Senso
O precedente indica a necessidade de bom senso no uso de todos os tipos de remédios. Faz sentido, para exemplificar, não usar drogas potentes quando outras mais fracas sirvam, pois, quanto mais potente a droga, mais provável é o perigo de efeitos colaterais. Assim, depois de grande sensacionalismo quanto a “drogas maravilhosas” no tratamento da artrite, verificou-se que o velho recurso habitual, a aspirina, na maioria das vezes servia tão bem, se não até mesmo melhor, do que tais “drogas maravilhosas”. Assim, não fique desapontado se seu médico recomendar a aspirina, ao invés de alguma droga custosa, comprada com receita, que é potencialmente mais perigosa que a aspirina.
O bom senso ao dirigir-se ao armário do banheiro também indicaria que não se recorresse aos remédios para toda dorzinha. Um caso em pauta é a aspirina. Conforme já indicamos, tem seus usos. Más, o uso excessivo pode causar uma variedade de perturbações, tais como sangramento, especialmente do estômago. Se houver qualquer sangramento, tal como menstruação, hemorróidas, ou uma úlcera, a aspirina só pode piorar as coisas. Especialmente as mulheres grávidas devem evitar a aspirina, visto que se crê que poderá prejudicar o feto em desenvolvimento.
É digno de nota que os consumidores habituais de remédios vendidos sem receita, como analgésicos, segundo se verificou, têm maior probabilidade de sofrerem de anemia, úlceras, pressão alta, depressão e ansiedade. Em particular, os especialistas do estômago criticam severamente o Alka-Seltzer. Poderia ser usado ocasionalmente? Sim. Regularmente? Não.
E, visto que todos os remédios poderiam causar efeitos colaterais, o bom senso recomenda que não se usem nem se recorram aos remédios se outras medidas servirem. Um caso em que isso se aplica é na prisão de ventre. Para muitos, um laxante é um mal necessário ocasional. Mas, o uso contínuo pode ser prejudicial, de modo que a pessoa será sábia se pensar em medidas práticas não-médicas — o desenvolvimento de bons hábitos intestinais, a dieta correta e o exercício regular. Segundo certo médico bem conhecido, estas medidas práticas servirão para 95 por cento das pessoas afligidas de prisão de ventre e que, por conseguinte, podem tratá-la “com um mínimo de remédios e um máximo de bom senso”.
É mui evidente, então, que há real necessidade de se ter cautela e de se usar bom senso quando se trata de tomar remédios. Eles podem trazer benefícios, até mesmo salvar a vida; mas, lembre-se, também, de que podem causar danos. O remédio certo e duradouro para os males humanos só será obtido quando, na justa nova ordem de Deus, Jesus Cristo exercer seu poder para curar todas as enfermidades humanas. — 2 Ped. 3:13; Mat. 15:30, 31; Rev. 21:3, 4.
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Orações a que Deus respondeDespertai! — 1976 | 22 de julho
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Orações a que Deus responde
UM MÉDICO de trinta e nove anos, depois de sofrer uma operação exploratória, soube que contraíra uma forma rara de câncer. Tentou desesperadamente continuar a viver. Não deixou de explorar nenhum recurso do campo da medicina. Até mesmo procurou obter milagres. Um, dentre vários clérigos profissionais e leigos, que, regularmente o visitava, orou para que fosse curado. Mas, este médico morreu, deixando atrás a esposa e dois filhinhos.
Em vista de casos dessa natureza e de outras, a pessoa talvez se pergunte por que muitas orações, embora feitas com grande fervor, pelo que parece não são respondidas. Será que Deus realmente responde às orações?
Considere esta ilustração usada por Jesus Cristo: “Qual é o homem entre vós, cujo filho lhe peça pão — será que lhe entregará uma pedra? Ou talvez lhe peça um peixe — será que lhe entregará uma serpente? Portanto, se vós, embora iníquos, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais o vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem? — Mat. 7:9-11.
Mas, fornece usualmente o pai humano tudo que seus filhos lhe pedem? E se os filhos forem exigentes, até mesmo arrogantes, ao pedir coisas? E se desonraram a família por meio de má conduta, ou seus pedidos forem desarrazoados, egoístas, ou colidirem com as normas de seu pai? Caso qualquer desses fatores ou semelhantes entrem no quadro, é provável que o pai recuse os pedidos de seus filhos. Em princípio, isto também se dá com respeito ao Pai celeste, Jeová Deus.
As pessoas que desejam ser ouvidas por Deus precisam chegar-se a Ele em verdadeira humildade, fazendo-o mediante seu Filho, Jesus Cristo. Que esse é agora o único meio de acesso é evidente das palavras de Jesus a seus discípulos: “O que for que pedirdes em meu nome, eu farei isso, a fim de que o Pai seja glorificado em conexão com o Filho.” “Ninguém vem ao Pai senão por mim.” — João 14:13, 6.
Ademais, quem ora a Deus tem de estar corretamente motivado. Não pode estar praticando o que Deus condena e esperar receber a ajuda e o favor de Deus. — Isa. 1:15-17.
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