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Tóxicos — perigosos e mortíferosDespertai! — 1988 | 8 de dezembro
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testes positivos quanto a drogas. Disse o administrador das Ferrovias Federais, dos EUA, John H. Riley: “Nos últimos 16 meses, tivemos, em média, um grande acidente ferroviário a cada 10 dias, em que se descobriu ter havido consumo de álcool ou de tóxicos, com mais de 375 pessoas mortas ou feridas em tais acidentes. Encontramos resultados positivos de consumo de tóxicos em um de cada cinco acidentes ferroviários que testamos, nos últimos dois anos, e 65 por cento das mortes ocorreram em acidentes em que um ou mais funcionários apresentaram testes positivos para o álcool ou tóxicos.”
Tóxicos e Crimes
A pessoa não precisa estar viajando para ser vítima do mundo das drogas. As vítimas muitas vezes se encontram em sua própria casa, e nas ruas. Muitos toxicômanos, movidos pela necessidade de sustentar seu vício caro, recorrem ao crime − ao roubo, à agressão pelas costas, à invasão de domicílio. “Um estudo realizado pelo Ministério da Justiça verificou, recentemente, que um total surpreendente de 79 por cento de réus de crimes, em algumas cidades, apresentam testes positivos de consumo de tóxicos”, declara U.S.News & World Report.
Daí, há os freqüentes tiroteios entre os grupos rivais de traficantes e as medidas retaliatórias tomadas contra os que não efetuam seus pagamentos. Inocentes observadores muitas vezes são apanhados em tais confrontos. “Se o alvo por acaso se acha entre um grupo de quatro ou cinco outras pessoas”, disse um policial, “o azar é dessas quatro ou cinco outras pessoas”.
Em Washington, DC, capital dos EUA, houve 228 homicídios em 1987 − 57 por cento deles ligados a narcóticos. A cidade de Nova Iorque totalizou 1.691 homicídios, uma média de mais de 4 por dia. Mais de 38 por cento deles foram causados por drogas. “O Corpo de Bombeiros de Oakland [Califórnia, EUA] atribui mais de 180 casos de incêndio criminoso ocorridos na cidade, no ano passado, à guerra entre as quadrilhas de tóxicos e às represálias contra fregueses que demoram a pagar, ou a moradores que se queixaram publicamente de haver, naquela cidade, livre comércio de crack, uma forma potente de cocaína”, diz um informe do jornal The New York Times.
A sociedade, como um todo, sente os efeitos da toxicomania − o aumento do crime e da violência, as cargas da produtividade econômica reduzida e os trágicos acidentes, a corrupção na vida pública − junto com seu elevado custo. Mas quem paga o preço mais alto são os próprios toxicômanos. Como assim?
Perigos Para os Consumidores
“A toxicomania é ruim. Ela pode destruir a mente e matar o corpo. Numa só palavra, é uma tolice”, é o modo como se expressou Malcolm Lawrence, antigo assistente especial do Secretário de Estado, dos EUA, para os assuntos de controle internacional de narcóticos. Mas que dizer daqueles que se jactam de não ser viciados e que afirmam que podem parar quando quiserem? “Conheço pessoas que tomaram crack várias vezes, e que jamais o fizeram de novo”, disse um estudante do curso secundário.
“Por certo, nem todo jovem que dá uma tragada num baseado ou esvazia uma garrafa de bebida termina como eu”, diz o ex-viciado Ken Barun, que começou experimentando maconha aos 16 anos e passou para pílulas, alucinógenos, heroína e cocaína — jamais esperando chegar ao seu 25.º aniversário. Contudo, muitos deveras se tornam toxicômanos, e ninguém pode dizer quem se tornará tal, até já ser tarde demais.
Um problema é o efeito sedutor dos tóxicos. A cocaína, por exemplo, que é atualmente um dos tóxicos mais consumidos, de início faz você se sentir mais forte, mais alerta e confiante, mais em controle de sua própria vida. A sensação é tão boa que faz com que você deseje prová-la vez após vez. Mas, ao fazê-lo, começa a se sentir mal sem a droga − irritadiço, confuso, ansioso e deprimido. Precisa de mais. Mas o consumo repetido pode gerar o vício e uma infinidade de problemas que incluem a paranóia, a alucinação e a psicose.
Os pesquisadores descobriram que o consumo da cocaína pode causar danos permanentes ao coração, e provocar ataques de coração e a apoplexia. Diz-se que Len Bias, de 22 anos, um astro do basquete dos Estados Unidos que morreu em 1986, vítima de um ataque cardíaco provocado pela cocaína, só usou essa droga uma vez na vida.
O crack, derivado da cocaína, é ainda pior. “Os riscos especiais do crack se devem ao potencial extremamente elevado desse tóxico em viciar a pessoa, e em sua capacidade de provocar graves problemas de saúde, e psiquiátricos”, afirma a revista Medical Aspects of Human Sexuality (Aspectos Médicos da Sexualidade Humana). Por ser barato e de fácil acesso, atrai especialmente os jovens. Tem-se sabido de consumidores do crack que matam seus pais e acabam com a própria vida.
“Aumentaram significativamente, de 1983 para 1986, as notificadas mortes e emergências hospitalares relacionadas com a cocaína”, diz um informe especial do Ministro-Presidente do Tribunal de Contas dos Estados Unidos. Estatísticas coletadas pela DAWN (sigla, em inglês, da Rede de Aviso da Toxicomania) entre hospitais e examinadores médicos conveniados, mostravam um aumento de 167 por cento nas emergências hospitalares, e um aumento de 124 por cento das mortes devidas ao consumo desse tóxico naquele período.
Trágico Efeito Sobre os Jovens
Um dos mais trágicos resultados da toxicomania é o efeito sobre os filhos. “A história de maus-tratos e de negligência de menores na cidade de Nova Iorque, em 1987, é a história da explosão da toxicomania”, disse um informe do Painel Interno de Revisão das Mortes, da Administração de Recursos Humanos. Houve 46.713 notificações de maus-tratos e de negligência de menores, e 103 menores morreram. Em adição, no ano fiscal de 1987 daquela cidade, mais de 2.500 bebezinhos nasceram com sintomas de abstinência de droga. Por causa da cocaína, muitos bebês também nascem prematuramente, e com baixo peso, uma vez que a droga limita o fluxo de sangue para a placenta, e reduz o suprimento de oxigênio e de nutrientes para o feto.
Há bebês que também nascem com o temível vírus da AIDS, transmitido pelo abuso de tóxicos por injeção intravenosa, e que é transmitido da mãe para o feto. Por volta do fim deste ano, apenas em Nova Iorque, já terão nascido cerca de mil bebês infetados com o vírus da AIDS. “Estamos somente começando a ver a devastação”, afirma o Dr. Leonard Glass, diretor dos serviços de neonatologia do Centro Hospitalar do Condado de Kings. Todo mês, três ou quatro bebês morrem de AIDS neste hospital de Brooklyn.
Devido a tais conseqüências perigosas e mortíferas das drogas, seria de pensar-se que o mundo se levantaria em armas contra o narcotráfico e este seria esmagado. Por que, então, ele está crescendo? Existe qualquer esperança à frente?
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Tóxicos — existe alguma esperança?Despertai! — 1988 | 8 de dezembro
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Tóxicos — existe alguma esperança?
POR que têm falhado todos os esforços de deter a onda de narcotráfico? Expresso em uma só palavra: DINHEIRO. Os tóxicos são alto negócio. Medem-se os seus lucros em bilhões de dólares.
Calcula-se que, somente nos Estados Unidos, os lucros totais anuais com a venda de narcóticos oscila entre US$ 60 bilhões e US$ 120 bilhões. Tirando-se cerca de US$ 20 bilhões de despesas, tem-se um lucro líquido entre US$ 40 bilhões a US$ 100 bilhões. “O narcotráfico, com um volume de US$ 300 bilhões por ano, é o maior negócio do mundo”, afirma a revista World Press Review.
Com tanto dinheiro à disposição, os traficantes de tóxicos têm explorado a ganância e o egoísmo inerentes ao homem, e têm atingido o poder de fazer virtualmente o que quiserem. “Eles não contam mais seu dinheiro − eles o pesam”, disse um tenente de polícia. “Conseguem comprar testemunhas; conseguem comprar a qualquer pessoa que desejem.” Informa-se que um traficante de drogas na Bolívia ofereceu-se a pagar a inteira dívida externa daquele país, de US$ 3,8 bilhões, se as autoridades não mais tentassem fazer vigorar as leis de combate aos narcóticos.
A influência dos “reis” da cocaína e da maconha do hemisfério ocidental ultrapassa até mesmo a dos mais reconhecidos senhores do ópio da Ásia. “Azeitando as mãos, e, quando necessário, usando o revólver, os barões das drogas têm gerado a corrupção desde a Bolívia até as Baamas, e, em mais de um país, ameaçam suplantar o Governo eleito como o poder dominante”, noticia a revista Time. “Deparamos uma organização que é mais forte do que o Estado”, diz o ex-presidente da Colômbia, Belisario Betancur.
Ele deveria saber das coisas. Na Colômbia, os membros do cartel de Medellín, os senhores das drogas que dominam o comércio de cocaína, travam violenta campanha contra todos que se opõem a eles ou que procuraram processá-los criminalmente. Incluídos entre os que já foram mortos acham-se um Ministro da Justiça, 21 juízes, um editor de jornal, mais de uma dezena de jornalistas, e dezenas de soldados e policiais. “Nunca antes um empreendimento criminoso conseguiu intimidar tanto uma grande nação”, comenta a revista Newsweek. “Os juízes colombianos temem julgar; os policiais temem prender. Os jornalistas críticos agora muitas vezes escrevem suas colunas do exterior, onde gozam da abundante companhia de outros colombianos que fugiram por amor à vida.”
Perdida a Guerra Contra os Suprimentos de Tóxicos
Graças ao fator dinheiro, a guerra para cortar os suprimentos de tóxicos fracassou, em todos os níveis. Os lavradores continuam a cultivar a coca, a maconha, as papoulas opiáceas, que dão lucro muitas vezes maior do que os salários de fome que talvez ganhem com plantações costumeiras. Para eles, os senhores das drogas são benfeitores que promovem a economia. Muitas autoridades policiais e alfandegárias continuam a desviar os olhos quando se contrabandeia tóxicos, e ganham, cada vez, até US$ 50.000, ou mais, para fazerem apenas isto.
Os traficantes também iniciam crianças de até 9 ou 10 anos no lucrativo mundo dos tóxicos: ganham 25 centavos de dólar para cada frasco vazio de crack recolhido das ruas, US$ 100 por dia para servirem como olheiros, avisando da vinda da polícia, US$ 300 por dia para servirem de correio, transportando tóxicos, e até US$ 3.000 por dia como jovem traficante. Por exibirem sua riqueza diante dos colegas de escola, comprando casacos de pele, grossas correntes de ouro, e carros custosos, engodam outros mais.
Os terroristas verificaram que os tóxicos são o meio de financiar suas operações. Eles, por sua vez, prestam ajuda aos traficantes de tóxicos. Alguns líderes políticos utilizam o comércio de drogas tanto para enriquecer como para minar os governos inimigos. Prisões ou condenações não os detêm. Os lucros podem ser tão imensos que, logo que um traficante ou uma autoridade corrupta é derrubado, dois outros se erguem para ocupar o lugar dele.
“A produção e o tráfico de tóxicos continuam, infelizmente, a ser alto negócio, e os níveis de toxicomania em todo o mundo continuam a elevar-se”, diz um informe do Departamento de Estado dos EUA, dado a público em março. “A corrupção das autoridades governamentais e dos policiais encarregados de fazer cumprir a lei, o suborno, a intimidação e a violência por parte dos traficantes, e a dura realidade de que as nações dispõem de menos pessoas, menos armas e menos recursos do que os traficantes de drogas, continuam a minar os esforços globais de acabar com a produção e o tráfico de narcóticos.” Em que reside, então, a esperança?
Está a Solução em Reduzir a Procura?
Alguns acham que ela se acha em reduzir a procura para o comércio de drogas. Como qualquer outro negócio, o comércio internacional de drogas opera à base da oferta e da procura. Sem a atual e aparentemente insaciável procura de tóxicos, cessaria o fluxo de tóxicos. Todavia, apesar dos avisos, de mais educação, de testes para detectar drogas, e dos apelos para que se ‘diga não às drogas’, a toxicomania continua incessante. O que é pior, ela se está alastrando.
“Outros países ao redor do mundo estão apenas começando a ficar viciados”, comenta uma notícia da revista Time. “A cultura americana das drogas foi exportada para os jovens europeus e asiáticos. Embora seja difícil conseguir estatísticas, a toxicomania parece estar-se expandindo em todo o mundo, especialmente nos países que exportam drogas para os EUA.” Um deles, a Bolívia, apresenta recente surto de toxicomania. Enquanto que a coca é legalmente cultivada ali, para mascar as folhas ou usá-las como chá, crescente número de jovens se tornam viciados numa forma venenosa e defumável de cocaína chamada basuco. E o Vietnã informa haver um dramático aumento no vício do ópio e da heroína entre os jovens, tanto no sul como no norte. Ao todo, relata-se haver cerca de 40 milhões de consumidores de tóxicos em todo o mundo.
Admite-se, atualmente, que o problema dos tóxicos está acima da capacidade de controle de qualquer nação de per si. Será que todas as nações, então, irão juntar-se e acabar com o atual flagelo? Tal cooperação total é muito improvável, considerando-se a ganância e os desejos de lucro que tanto permeiam o comércio de drogas ilícitas para não se mencionar as irreconciliáveis diferenças políticas. Algumas nações não promovem significativas sanções contra os aliados políticos, mesmo quando estes são centros do comércio de tóxicos. Ademais, para milhões de pessoas, as plantações de tóxicos são o seu ganha-pão. “Há países que simplesmente entrariam em colapso se o comércio de tóxicos desaparecesse da noite para o dia”, afirma World Press Review.
Em Que Reside a Esperança
No máximo, as autoridades esperam reduzir a toxicomania, e que, com o tempo, diminua gradualmente a atual mania pelos tóxicos. No entanto, a erradicação total do problema dos tóxicos é uma esperança válida. Acha-se englobada na promessa da Bíblia: “Não se fará dano, nem se causará ruína em todo o meu santo monte; porque a terra há de encher-se do conhecimento de Jeová assim como as águas cobrem o próprio mar.” (Isaías 11:9; Habacuque 2:14) ‘Nenhum dano ou ruína’ inclui todos os problemas prejudiciais derivados da toxicomania.
Mas observe a razão para isso: A terra deverá “encher-se do conhecimento de Jeová”. Forte motivação é essencial para a pessoa evitar a toxicomania. O amor a Jeová Deus e o desejo de agradar a ele, tendo por base o conhecimento exato dele e de seu modo de agir, tem ajudado muitos a romper com a influência dos tóxicos. Tome-se o exemplo de Ângelo.
Agora com 60 anos, Ângelo apresentava uma longa história de toxicômano, que datava de 1964. Iniciado no mundo dos tóxicos por amigos que pareciam estar-se divertindo muito, Ângelo começou com a maconha e passou para a cocaína, o haxixe, a morfina, e o “ácido de cinco estrelas” (LSD − dietilamida do ácido lisérgico), para citar alguns. “Eu ficava constantemente alto”, diz Ângelo. “Todo dia eu ficava alto. Achava que podia dirigir o mundo. Minha cabeça estava em órbita. Naquele tempo, os astronautas estavam indo para a lua, e eu queria ir além dela.”
Mas os tóxicos também produziam alucinações, mudança de disposição, afastamento da sociedade, e desejo de cometer suicídio. “Em março de 79, comecei a ler a Bíblia”, diz Ângelo. “Eu tinha alucinações e queria cometer suicídio. Mas pensei que seria melhor primeiro descobrir para onde eu iria quando morresse. Algumas Testemunhas vieram à minha porta, e eu insisti que elas me explicassem a Bíblia. Por estudar a Bíblia, compreendi que tomar drogas é contra a lei de Deus − que nosso corpo pertence a Deus, e, como 2 Coríntios 7:1 diz, devemos mantê-lo livre de ‘imundície’.”
Como foi que se livrou das drogas? “Orar, orar sinceramente”, diz Ângelo, “junto com o estudo diário da Bíblia. É preciso ter-se forte determinação de largar as drogas. Não é fácil, de jeito nenhum. Mas achei que Jeová conhecia meu coração, e, como Provérbios 3:5, 6 dá a entender, eu me podia estribar nele. Considero, pessoalmente, que foi somente Jeová quem me endireitou, sabendo a ânsia que eu tinha disso”.
Iguais a Ângelo, muitos outros compreenderam que, com muita força de vontade, a fé em Deus, e a confiança em sua ajuda, junto com o apoio de colegas amorosos, que se importam com a pessoa, pode-se romper o hábito mortífero da toxicomania. Mas “como depositarão fé naquele de quem não ouviram falar?”, pergunta a Bíblia em Romanos 10:14. Os editores desta revista ficarão felizes de ajudá-lo a obter tal “conhecimento exato” de Deus e a esperança segura de vida eterna num novo mundo isento de tóxicos. − Efésios 1:17; Romanos 15:4.
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