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“A verdade vos libertará”Despertai! — 1981 | 22 de junho
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“A verdade vos libertará”
EU ERA viciada em drogas. Vivi um pesadelo, por quase 20 anos. Tudo começou de mansinho, sem me dar conta do que realmente acontecia.
Eu tinha 18 anos, na época. Aqui, na Argentina, acabara de receber meu diploma de professora. Por insistência de minha mãe, que, sem dúvida, queria o melhor para mim, comecei a estudar bioquímica.
De minha parte, contudo, preferia ficar em casa com minha mãe, aprender a cozinhar, costurar e cuidar dum lar. Eu era tímida, retraída, melancólica, quieta — uma pessoa introvertida e caseira. Faltavam-me a audácia e o dinamismo, considerados tão necessários por este sistema mundano.
Foi nesta época que comecei a engordar um pouco. Minha altura é apenas pouco superior a 1,30 metro, e, como toda mocinha, preocupada com seu visual, não suportava a idéia de ter excesso de peso, nem que fosse um pouquinho só.
Depois de falar com minha mãe a respeito do problema, decidimos que eu deveria consultar um médico. Consultamos um endocrinologista, especialista em metabolismo e nutrição. Passou-me uma dieta, receitou-me alguma coisa para a tireóide e alguns comprimidos para acabar com o apetite. Eu me sentia ótima e logo perdi aqueles quilinhos indesejados!
Fisgada Pelas Drogas
Além disso, também fui fisgada, pois tais comprimidos eram de anfetamina. A anfetamina e seus componentes constituem a base dos comprimidos para emagrecer e para manter alertas os estudantes enquanto se preparam para exames e precisam de mais tempo para estudar. Estes produtos provocam a sensação de grande agudeza intelectual. Produzem uma sensação de euforia, confiança em si mesmo, e literalmente impelem a pessoa a se mexer, a agir, a pensar rápido, a superar qualquer outra pessoa. Também são viciadoras.
Desta eu passei para a actemina, uma pílula mais forte, que também contém anfetamina. Após estudar para um exame, fiquei completamente esgotada, física e mentalmente. Meu corpo e meu cérebro, para se recuperarem, reclamavam desesperadamente um descanso, pelo menos 10 dias de repouso e sono, mas eu era incapaz de parar. Meus outros interesses, meus estudos, meu trabalho como professora-adjunta — nada disso poderia ser interrompido apenas porque prestei um exame. Assim, tomei doses de pílulas cada vez maiores.
Continuei mergulhando num remoinho que levaria à minha própria destruição. Eu preferiria ter dado um basta, mas simplesmente não pude. Isto teria significado desistir da carreira, me aposentar no auge de minha vida e daí dormir pelo resto dela! Era esta a sensação que eu tinha. Como poderia chegar para minha mãe, que tinha em mim tão altas esperanças, e dizer: “Mamãe, não posso continuar a estudar. Preciso dum descanso, não sei por quanto tempo?”
Tragédias Familiares
Casei-me e tive dois filhos. Durante todo este período, continuei tomando pílulas. Meu segundo filho ficou doente. Contraiu estranha doença que os médicos duvidosamente diagnosticaram como encefalite, e, em resultado, ele não se desenvolveu intelectualmente, como deveria. Não sei se a causa foi eu tomar aquelas pílulas. Sentia-me desesperada diante da possibilidade de que este meu filho não alcançasse uma boa posição numa sociedade em que vencem os mais fortes e poderosos, neste mundo atual.
A essa altura eu necessitava das pílulas até para simplesmente conseguir me levantar de manhã e enfrentar a realidade da vida — meu lar, meus filhos, meu marido. Minha vida estava completamente desorganizada. Quantos problemas! Fiquei completamente deprimida e a ansiedade tomou conta de mim, especialmente devido ao meu filho doente. Eu de modo algum me dava bem com meu marido. Duas vezes fui internada numa clínica psiquiátrica.
Lá comecei a tomar barbitúricos, substâncias usadas nos comprimidos para dormir. Ah, dormir e esquecer tudo! Quando saí das clínicas, a fim de encarar a dura realidade da vida, comecei a usar tanto anfetaminas como barbitúricos. Finalmente, tive que internar este meu filho numa instituição para deficientes mentais. Ali terminou sua curta existência aos 11 anos. Senti como se meu coração fosse partir, de tanta dor e sofrimento.
Eu e meu marido havíamos nos separado e vendido a nossa casa. Usei minha parte para sustentar meu vício de drogas. Deixei meu outro filho com parentes, visto que eu não trabalhava, e o que recebia do meu marido era insuficiente para sustentar a nós dois. Estar separada deste filho, por longos anos, causou-me ainda maior dor e sofrimento.
Tentando encontrar uma solução para os problemas da minha vida, viajei para Mar del Plata, onde consegui emprego numa fábrica de pescado. O que eu ganhava lá dava apenas para pagar um quarto, dividido com outras moças, e para levar uma vida miserável. Também estudei para ser laboratorista. Sempre ficava muito ansiosa na expectativa de ver meu filho, de tempos a tempos. Quão vazia e triste era a minha vida! Terminei o curso de laboratorista, imaginando que, com um diploma, eu seria capaz de arranjar um emprego que rendesse mais e poderia reunir-me ao meu filho. Que desapontamento! No campo profissional existe ainda maior competição e é mais difícil arranjar um emprego. Para tudo é necessária a recomendação de pessoas influentes e eu não conhecia ninguém.
Com o dinheiro que eu então recebia, duma herança, comecei a pagar um terreno. No meu desespero, viajei para ver meu filho e perguntei-lhe se, visto que era verão, estaria disposto a morar temporariamente comigo numa tenda, no lote que eu estava comprando. Ambos havíamos sofrido muito, com a separação. Ele aceitou, tendo naquela época apenas 15 anos. E foi assim que, um pouco antes do fim de 1975, morávamos junto, numa tenda.
Oração Pedindo Ajuda
Lembro-me muito bem que foi na noite de 31 de dezembro, em meio a todo barulho das vésperas do ano novo, que orei. Sinceramente roguei a Deus, a quem ainda nem conhecia, que nunca, por favor, nunca mais me separasse de meu filho.
Eu, naturalmente, continuava tomando pílulas. Caso contrário, meu cérebro não funcionava. Agora necessitava viver não apenas em função do meu filho, mas, também, para planejar nosso futuro. O dinheiro se esgotava, rapidamente. Empregado adequadamente, teria sido suficiente para nós, mas eu tinha que sustentar meu hábito de drogas.
A idéia de matar a mim mesma e a meu filho logo começou a assediar minha mente.
Poucos dias depois uma das Testemunhas de Jeová visitou nossa tenda e deixou conosco vários exemplares da revista A Sentinela. Após ler alguns artigos, disse ao meu filho: “Isto é o que eu procurava a vida inteira!” Poucos dias mais tarde, a Testemunha voltou e gentilmente nos convidou para almoçar na casa dela, onde nos falou a respeito do Reino. Sentia-me como alguém que tivesse viajado num mar agitado por uma tempestade e finalmente aportasse numa praia serena e tranqüila. Reencontrar meu filho morto! Oh, seria demais ter esta esperança? — João 5:28, 29.
Tão logo ouvi tal maravilhosa mensagem, senti no coração que meu costume de tomar drogas não poderia agradar a tal Deus amoroso. Além do mais, por que continuar tomando-as, uma vez que eu agora tinha outra força no meu íntimo, um motivador poderoso, esta esperança maravilhosa? Esta alegremente me compelia a prosseguir vivendo e a mudar minha vida.
Triunfo Sobre as Drogas!
Naturalmente, não foi fácil, não depois de ter saturado o corpo por quase 20 anos com drogas e mantê-lo ativo somente com a ajuda delas. Após ter ouvido tal mensagem vitalizadora, parei imediatamente, dum dia para outro! Meu corpo, porém, exigia as drogas. Eu estava determinada, contudo, a enfrentar a vida com meu filho, a organizar nossa desordenada existência. Jeová me deu a força para fazer isto. Sua verdade me libertava! — João 8:32.
A Testemunha que estudou a Bíblia conosco nos ofereceu morarmos juntos, na casa dela, onde poderíamos ter mais conforto, o que, finalmente, aceitamos. Ao lado dela, aprendi os princípios básicos da rotina diária de cuidar do lar e da família, visto que ela também tinha filhos. Sou-lhe profundamente grata, por tudo.
Tanto eu como meu filho batalhamos arduamente, dando duro, e agora, com boa direção e com a ajuda e as bênçãos de Jeová, fomos bem sucedidos em montar nosso próprio modesto lar, que representa mais do que nós jamais sonhávamos ter.
Em seguida, apareceu outro problema. Quando parei de tomar drogas, eu pesava apenas 48 quilos e, em menos de um ano, passei para 75. Isto foi outro duro teste para mim; eu era incapaz de me ver neste estado.
O que fazer quanto ao excesso de peso? O problema me preocupava. Eu não queria tomar nem mesmo uma aspirina, muito menos qualquer outra das drogas que tomara no passado. Pesquisei diligentemente em todas as publicações das Testemunhas de Jeová, em busca de informação quanto ao meu problema. Encontrei algumas regras simples, porém, muito eficazes, que me deram excelentes resultados. Após quase dois anos de luta árdua e de exercer autodomínio, finalmente voltei ao meu peso anterior. Isto, também, não foi fácil. Mas, sinto-me melhor física, mental e espiritualmente.
Às vezes, quando sentia que minhas forças se desvaneciam, eu orava pedindo a ajuda de Deus e a recebia. Constatei a veracidade das palavras em 1 João 3:22: “Tudo o que pedimos recebemos dele, porque estamos observando os seus mandamentos e estamos fazendo as coisas que são agradáveis aos seus olhos.”
Tanto meu filho como eu somos agora cristãos dedicados e batizados, e eu sou pregadora do Reino de Deus, de tempo integral. É meu modo de agradecer a Ele toda sua imerecida bondade. — Contribuído.
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Como encontrar a felicidadeDespertai! — 1981 | 22 de junho
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Como encontrar a felicidade
Jonathan Freedman, professor de psicologia na Universidade de Colúmbia, E.U.A., mencionou que a maioria das modernas “teorias de felicidade instantânea” ensinam às pessoas que devem olhar para si mesmas.
Observou, contudo, que estudos a respeito de felicidade provaram que “as pessoas são mais felizes quando têm um bom relacionamento com outra pessoa”.
Sendo assim, podemos, certamente, derivar muita felicidade por desenvolver íntimo e caloroso relacionamento com Deus.
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