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EclesiastesAjuda ao Entendimento da Bíblia
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Concorda com o restante da Bíblia quanto à condição dos mortos. (Ecl. 9:5, 10; Gên. 3:19; Sal. 6:5; 115:17; João 11:11-14; Rom. 6:23) Advoga fortemente a adoração e o temor de Deus. Usa a expressão ha-’Elohim, “o verdadeiro Deus”, mais de trinta vezes. O equivalente do nome Jeová é encontrado na Versão Siríaca e no Targum judaico do livro, em Eclesiastes 2: 24. Ao passo que alguns afirmam que o livro se contradiz, isto se dá somente porque não vêem que o livro muitas vezes expressa o conceito comum, em contraste com o conceito que reflete a sabedoria divina. (Compare com Eclesiastes 1:18; 7:11, 12.) Assim, deve-se lê-lo visando entender o sentido, e ter presente o tema do livro.
CONTEÚDO
À base de seu conteúdo, o livro poderia ser chamado “O Congregante, Sobre as Obras Vãs e Dignas”. No primeiro capítulo, Salomão descreve a estabilidade e a continuidade dos ciclos do universo, coisas das quais o homem depende para ter constância, equilíbrio e significado na vida, e para a própria vida, conforme comparada com a transitoriedade do homem. Diante de tal infindável repetição dos processos naturais, e da vida curta do homem, a aparência, do ponto de vista do homem natural, é de que tudo é vaidade. Em sua busca, Salomão viu que a humanidade está empenhada numa ocupação calamitosa e que as coisas tortas neste sistema de coisas não podem ser endireitadas, e muitas são as coisas que estão faltando. O aumento de conhecimento das coisas, por parte de Salomão, simplesmente aumentou seu vexame e sua dor. — Ecl., cap. 1.
Salomão voltou-se então para a busca da alegria e do regozijo, por usufruir coisas materiais, as quais possuía em abundância — possuindo casas, vinhedos, jardins e reservatórios de água, tendo servos de todas as espécies, junto com muita prata e ouro. Empregou cantores e provou de tudo que seu coração desejava, que lhe pudesse trazer regozijo. Daí, porém, viu que a mesma coisa que acontecia com o estúpido também lhe aconteceria, apesar de toda a sua sabedoria. Com este ponto de vista, odiou a vida e o trabalho de natureza materialista que fazia, não as obras que tinha feito na construção do templo e na promoção da adoração de Deus. Resultou ser uma experiência entristecedora: “Apoderar-me da estultícia, até que eu pudesse ver o que havia de bom para os filhos da humanidade naquilo que faziam.” Sentiu-se magoado por compreender que deixaria todos os seus bens para um herdeiro que poderia utilizá-los tolamente. Salomão tinha usufruído o melhor de tudo, mas notou que a coisa que Deus deu ao homem é gozar a vida e os frutos de seu trabalho, e não o proceder que Salomão experimentou, a obra de buscar prazeres através do materialismo. Por outro lado, verificou que existe uma recompensa para aquele que é bom perante Deus, aquele que faz obras dignas, no sentido de que, por fim, ele recebe as próprias coisas que o pecador ajuntou. — Ecl., cap. 2.
Salomão vê que existe um tempo para cada assunto debaixo dos céus, e que, no ínterim, Deus tem dado à humanidade um trabalho em que se ocupar. As próprias obras de Deus são boas e tudo tem seu tempo. O homem não pode jamais compreender inteiramente a sabedoria e os propósitos de Deus. Por conseguinte, o que o homem deve fazer é aceitar a dádiva de Deus, regozijar-se e fazer o bem, e ver o bem pelo trabalho árduo que tem feito. (Compare com 1 Coríntios 15:58; Filipenses 4:4.) As obras de Deus permanecem para sempre e têm um objetivo; ninguém pode acrescentar-lhes ou subtrair-lhes algo. Por que Salomão recomenda esta linha de raciocínio? Porque, neste sistema de coisas, amiúde não se ministram o juízo e a justiça, mas existe um Juiz Supremo que, em seu devido tempo, julgará tudo com justiça. (Compare com Romanos 2:6.) Isto é verdade, embora, atualmente, a humanidade morra da mesma forma que os animais, todos retornando ao pó, sem nenhuma prova de que exista qualquer diferença na condição em que estão na morte. — Ecl., cap. 3.
Salomão vê que, considerando-se dum ponto de vista puramente humano, ocorrem muitos atos de injustiça e de opressão, sem nenhuma esperança em vista, de modo que a pessoa morta, e afastada de tudo, acha-se numa posição melhor, livre da rivalidade e da estupidez. Um pouco de descanso é melhor do que toda essa labuta. Mas os companheiros são de grande valor, e, por meio deles, muita calamidade pode ser evitada, pois podem ajudar-se mutuamente e podem combinar suas forças contra a opressão. — Ecl., cap. 4; compare com Hebreus 10:24, 25.
Ao se chegar à casa de Deus, é melhor ouvir, de modo a obedecer, do que sacrificar algo, enquanto se prossegue com a maldade. (Compare com 1 Samuel 15:22.) Também, a pessoa não deve ser precipitada com suas palavras perante Deus, pois Ele está nos céus, mas o homem está muito abaixo, na terra. Por conseguinte, quando alguém faz um voto a Deus, deve pagá-lo, senão isso será considerado um pecado e trará a indignação de Deus. O importante é temer ao próprio Deus verdadeiro. A pessoa não deve ficar ‘pasmada’ ou chocada por causa da injustiça e da iniquidade, pois as autoridades dum escalão inferior são observadas pelas autoridades dum escalão superior, a maioria das quais procura seu próprio proveito, às custas de seus súditos. — Ecl. 5:1-9.
O dinheiro é insatisfatório. As riquezas não trazem contentamento nem conforto mental. Podem passar, deixando o homem sem nada, assim como veio ao mundo. Caso a pessoa adote a atitude correta e, ao invés de preocupar-se com as coisas materiais, reconheça que Deus lhe tem dado o que ela possui e o aprecie com contentamento, sua vida não será algo a odiar, nem será enfadonha. (Compare com 1 Timóteo 6:6-8.) Absorta em regozijar-se nas dádivas de Deus, os dias passarão sem a amargura da reflexão sobre a brevidade e o vexame da vida. — Ecl. 5:10-20.
Muito embora um homem possa ter muitos bens materiais, se não tiver a bênção de Deus, é pior do que alguém que nasceu prematuramente. Viver apenas para o que pode colocar na sua boca não satisfará a pessoa. Caso viva cegamente apenas para seus desejos, não importa quanto tempo viva, desaparecerá como uma sombra. — Ecl., cap. 6; Tia. 4:13, 14.
Salomão mostra que a boa reputação é melhor do que as coisas materiais, e que, por este motivo, o dia da morte da pessoa é melhor do que o dia do seu nascimento, pois teve tempo de fazer um bom nome e os dias de vaidade já passaram. Os estúpidos sorriem de modo frívolo e vivem para os banquetes. Mas é melhor pensar seriamente nas questões da vida e da morte, desta forma melhorando a sua condição do coração. Escutar a censura sábia é melhor do que ouvir o canto dos estúpidos. A paciência é melhor do que a soberba e a rapidez em ofender-se é estupidez. Alguém poderá rememorar as coisas anteriores do mundo como sendo dias melhores (compare com 1 Pedro 4:3), mas isto não é sábio. Antes, olhe para o trabalho de Deus. É também insensato o ponto de vista materialista, pois o dinheiro é útil em certa medida, como proteção temporária, se for usado sabiamente, porém a sabedoria é muito melhor, pois ela preserva vivos os que a possuem. — Ecl. 7:1-14.
A pessoa não deve ir a extremos, sendo excessivamente justa, ou excessivamente sábia. Efetivamente, deve procurar tais qualidades, porém, ao mesmo tempo, deve manter o equilíbrio por lembrar-se de que o temor de Deus é a chave para obter tais coisas dignas. Todos os homens são pecadores. Portanto, não devemos levar muito a sério o que as pessoas dizem de nós. Lembre-se, nós mesmos não somos tão justos assim, pois amiúde dizemos coisas que não são boas. Salomão avisa especialmente sobre ser enlaçado pela mulher ruim, pois mais amargo do que a morte é o fruto dela, e será bom perante Deus aquele que escapar dela. Salomão encontrou um homem dentre mil, mas nenhuma mulher dentre todas estas. Será isso por culpa de Deus? Não. Deus fez o homem reto, mas eles mesmos procuraram muitos planos. — Ecl. 7:15-29.
Os homens talvez considerem Deus vagaroso e imaginem que conseguem escapar com sua maldade, mas Deus se certificará de que resulte o bem para aqueles que temem a Ele, e que os iníquos desapareçam como uma sombra. — Ecl., cap. 8; compare com 2 Pedro 3:9; 2:12.
Salomão vê que, neste sistema de coisas, a mesma eventualidade, ou evento consequente, acontece tanto ao justo como ao iníquo. Devido a isto, os que não temem a Deus estão mais do que nunca decididos a fazer o que é mau. Mas, terminam morrendo. Compreendem que, no que tange a este sistema de coisas, os vivos sabem que hão de morrer. Quando morrem, ficam inconscientes e não têm mais quinhão em nada que ocorre. Mas, é errado buscar o materialismo à base de tal ponto de vista. O que a pessoa deve fazer é manter brancas suas vestes e conservar sua alegria em Deus, amar sua esposa e utilizar as mãos para fazer, com seu poder, o que tem de ser feito, enquanto ainda está viva. No tempo atual, nem a sabedoria, nem o poder, nem a rapidez, nem o conhecimento trará à pessoa longa vida, ou a garantia de segurança, de vitória ou de favor especial, porque o tempo e a ocorrência imprevista recaem sobre todos, neste mundo. A sabedoria, contudo, deve ser prezada, quando usada por um homem necessitado para ajudar outros, muito embora o mundo o esqueça, desprezando-o. Todavia, a sabedoria pode fazer muito mais do que as armas. Por outro lado, um só pecador pode destruir muita coisa boa. — Ecl., cap. 9; compare com 1 Coríntios 5:6; Gálatas 5:9.
Ter parte até mesmo num pouco de tolice pode causar grandes danos a um homem conhecido como valioso por sua sabedoria e sua glória. A pessoa sábia não ficará excitada demais ou desequilibrada, mas manter-se-á calma e não abandonará seu devido lugar quando castigada por um regente. No mundo, contudo, a tolice foi colocada em muitas posições elevadas e, às vezes, as coisas são justamente o contrário de sua situação correta. Novamente, o sábio manter-se-á calmo e cauteloso, e exercerá sabedoria para que as coisas deem certo para ele. (Compare com Mateus 10:16.) De outro modo, dissipará suas energias sem nenhum resultado. A pessoa sábia também falará com jeito, com discrição. Inversamente, os tolos falam sem restrições e causam dificuldades, loucura calamitosa para si mesmos. Salomão mostra a seguir o perigo dos frutos ruinosos, mesmo para os regentes, de se seguir maus conselhos, e de ter o comer e beber como objetivos em si, e da preguiça. Sublinha a insensatez de se falar mal dum regente, mesmo quando a pessoa pensa não ser ouvida. Nossa língua precisa sempre ser usada de forma correta para evitarmos dificuldades. — Ecl., cap. 10; compare com 2 Reis 6:12; Provérbios 21:23.
Dão-se admoestações a favor da laboriosidade, do uso correto do que uma pessoa possui, e de ser diligente nos empreendimentos. A pessoa deve fazer seu trabalho sem considerar a ocasião, o tempo ou a hora do dia, voltando-se para Deus e esperando que ele lhe produza resultados, pois não consegue ver tudo que Deus está realizando. Se jovem, talvez se incline a desperdiçar sua mocidade em andar nos caminhos de seu coração e nos desejos de seus olhos. Mas deve lembrar-se de que, caso o faça, está gastando o primor de sua vida, com seus desejos vãos, da forma errada, e que será julgado por seus atos pelo verdadeiro Deus, mesmo desde sua juventude. — Ecl., cap. 11.
Em vista de todas estas coisas, Salomão aconselha o jovem a lembrar-se de seu grandioso Criador enquanto consegue servir com vigor. Pois virá o tempo em que seu corpo se deteriorará, seus dentes terão caído, seus olhos se anuviarão, seu sono será leve e facilmente perturbado, terá membros trêmulos e ficará com medo de cair, seus cabelos ficarão brancos e perderá o apetite, suas mãos não conseguirão cuidar dele e, por fim, sua força de vida irá parar nas mãos do verdadeiro Deus, e seu corpo retornará ao pó. Então, o que poderá apresentar a Deus? — Ecl. 12:1-7.
Depois de encarar todas essas coisas, Salomão chegou à conclusão de que tudo neste sistema de coisas é vaidade. Todavia, não ficou amargurado nem desanimado, pois trabalhou arduamente para manter o povo unido no temor de Deus, para lhe ensinar o conhecimento. Elaborou muitos provérbios através de pesquisa cabal dos assuntos e procurou encontrar palavras deleitosas e corretas de verdade. Ele nos conta que existe um só pastor que supre palavras sábias, e estas são algo seguro a que nós podemos apegar. A elas devemos dar atenção. Devotar nosso tempo a livros mundanos de sabedoria e de filosofia não será revigorante, como são as palavras do sábio, mas será fadiga para a carne. Todas as observações de Salomão podem ser concluídas na ordem: “Teme o verdadeiro Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda a obrigação do homem.” A vida atual, portanto, não é o fim, se for vivida sabiamente, pois o próprio verdadeiro Deus trará toda sorte de obra a julgamento, em relação a cada coisa oculta, quanto a se é boa ou má. — Ecl. 12:8-14; veja o livro “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”, pp. 107-110.
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EcromAjuda ao Entendimento da Bíblia
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ECROM
[desarraigar]. Destacada cidade filisteia, pelo que parece, a sede mais ao N de um dos seus cinco senhores do eixo. (Jos. 13:3) É incerta a sua posição exata, mas dentre os modernos locais sugeridos, a saber, ‘Aqir, Qatra e Khirbet el-Muqanna, recentes escavações feitas nesta última, a uns 19 km a E-NE de Asdode, desenterraram a maior cidade de seu período, e fornecem base para a preferência atual dela como o sítio de Ecrom.
A história de Ecrom (Acaron, BJ, PIB, So) é uma história de domínio constantemente mutável. A conquista de Josué não incluiu Ecrom. Não foi senão posteriormente que os de Judá a capturaram. (Jos. 13:2, 3; Juí. 1:18) Na divisão inicial da Terra Prometida, Ecrom estava na fronteira entre Judá e Dã, mas dentro da tribo de Judá. (Jos. 15:1, 11, 45, 46; 19:40-43) Já na época em que os filisteus capturaram a arca do pacto, Ecrom havia retornado a eles. A presença da Arca provocou “uma confusão mortífera” nesta cidade, e foi de Ecrom que a Arca foi por fim devolvida aos judeus. (1 Sam. 5:10-12; 6:16, 17) Depois de Ecrom passar outro período sob controle israelita, os filisteus aparentemente a dominavam de novo, na época em que Davi matou Golias. (1 Sam. 7:14; 17:52) Foi no início do século 10 A.E.C. que o faraó Sisaque, do Egito, afirmou ter conquistado Ecrom. Cerca de dois séculos mais tarde, segundo os Anais de Senaqueribe, Padi, rei de Ecrom, era leal aos assírios.
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ÉdenAjuda ao Entendimento da Bíblia
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ÉDEN
[prazer, deleite]. Região em que o Criador plantou um parque ajardinado como lar original do primeiro casal humano. A declaração de que o jardim achava-se no “Éden, do lado do oriente”, indica aparentemente que o jardim ocupava apenas uma parte da região chamada Éden. (Gên. 2:8) No entanto, depois disso o jardim é chamado de “jardim do Éden” (Gên. 2:15), e, em textos posteriores, é mencionado como “Éden, jardim de Deus” (Eze. 28:13), e de “jardim de Jeová”. — Isa. 51:3.
A Septuaginta traduziu a palavra hebraica para “jardim” (gan) pela palavra grega pa- rádeisos, palavra derivada do antigo persa pairi- daeza, que significa “jardim fechado”, e, mais tarde, “parque”, ou “campo de prazer”. A isto devemos nossa associação da palavra portuguesa “paraiso” com o jardim do Éden.
Gênesis 2:15 declara que “Deus passou a tomar o homem e a estabelecê-lo no jardim do Éden”. Ao passo que isto parecería indicar que a criação do homem se deu fora do jardim, pode referir-se simplesmente a que Deus ‘tomou’ o homem no sentido de formá-lo e criá-lo dos elementos terrestres, e daí designá-lo a morar inicialmente no jardim, no qual foi criado. O cultivo e o cuidado do jardim era a designação de trabalho do homem. As árvores e as plantas do Éden incluíam todas as que lhe supriam beleza cênica, bem como as que lhe proviam alimento em ampla variedade. (Gên. 2:9, 15) Bastaria este fato para indicar que o jardim abrangia uma área de considerável tamanho.
A fauna do jardim era dotada de grande variedade. Deus trouxe perante Adão “todos os animais domésticos e . . . criaturas voadoras dos céus, e . . . todo animal selvático do campo”, cujos nomes foram dados por Adão, como uma de suas primeiras tarefas. (Gên. 2:19, 20) O solo do Éden era regado, não pela chuva, mas pelas águas do rio que ‘saía do Éden’, bem como pela “neblina” que subia da terra. (Gên. 2:5, 6, 10) Em vista da nudez do homem, pode-se presumir que o clima era muito ameno e agradável. — Gên. 2:25.
ACONTECIMENTOS NO ÉDEN
Todas as árvores frutíferas do Éden estavam ali para que o homem delas comesse “à vontade”. (Gên. 2:16) Mas certa árvore, a do “conhecimento do que é bom e do que é mau”, foi ‘interditada’ para o casal humano. Eva citou a proibição de Jeová, dada ao marido dela, como incluindo até mesmo o ‘tocar’ nessa
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