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ÉdenAjuda ao Entendimento da Bíblia
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árvore, a pena de morte sendo imposta caso houvesse desrespeito e violação da lei divina. — Gên. 2:17; 3:3; veja ÁRVORES.
Ao passo que alguns críticos modernos podem enjeitar a própria simplicidade do relato edênico, todavia, deve ser óbvio que as circunstâncias existentes exigiam um teste simples, tornando-o muitíssimo apropriado. A vida do homem e da mulher recém-criados era simples, não sendo complicada nem estorvada por todos os problemas complexos, por todos os apuros e toda a perplexidade que a desobediência a Deus, desde então, trouxe sobre a raça humana. Sem embargo, apesar de toda a sua simplicidade, o teste expressa, de modo sucinto e admirável, a verdade universal da soberania de Deus e da dependência do homem para com Deus, e seu dever para com Deus. E deve-se dizer que, ao passo que é simples, o relato sobre os eventos do Éden apresenta os assuntos num nível infinitamente superior aos daquelas teorias que não colocariam a origem do homem num jardim, e sim numa caverna, apresentando-o não só como crassamente ignorante, mas também como desprovido de senso moral. A simplicidade do teste no Éden ilustra o princípio declarado milênios mais tarde pelo Filho de Deus, de que “quem é fiel no mínimo, é também fiel no muito, e quem é injusto no mínimo, é também injusto no muito”. — Luc. 16:10.
É claro que não se tencionava que, por ter o Éden esta árvore proscrita em seu interior, isto servisse como ‘espinho na carne’ para o casal humano, nem foi assim destinado a fim de suscitar uma questão ou para servir como assunto de debate. Por simplesmente reconhecer a vontade de Deus no assunto, e respeitar as instruções dele, o lar-jardim do casal continuaria imaculado como local de prazer e de deleite. O registro mostra que a questão e o debate sobre a árvore foram impostos à humanidade pelo adversário de Deus, junto com a tentação para que violassem a ordem de Deus. (Gên. 3:1-6) O exercerem sua vontade, como pessoas dotadas de livre-arbitrio, para se rebelarem contra a soberania legítima de Deus, levou à perda de seu lar paradisíco e das condições abençoadas em seus confins. De consequências ainda mais graves foi perderem a oportunidade de comer de outra das árvores do Éden, esta representando o direito à vida eterna. — Gên. 3:22-24.
LOCALIZAÇÃO DO ÉDEN
O sítio original do jardim do Éden é conjetural. O principal meio de se identificar sua localização geográfica é a descrição do rio ‘que saía do Éden’, e que depois se dividia em quatro “cabeceiras”, resultando nos rios chamados Eufrates, Hídequel, Píson e Giom. (Gên. 2:10-14) O Eufrates (Heb., Peráth) é bem conhecido, e “Hídequel” é o nome usado para o Tigre nas inscrições antigas. (Compare também com Daniel 10:4.) Os outros dois rios, o Píson e o Giom, contudo, continuam sem ser identificados.
O que apóia que o Éden estava localizado numa região montanhosa é que a arca, com seus sobreviventes, veio a pousar “nos montes de Ararate”. (Gên. 8:4) Visto que a arca não era impulsionada, mas simplesmente flutuava, seria razoável esperar-se que pousasse de novo, pelo menos, na mesma região geral da qual as águas a ergueram. Que o Éden podia estar cercado de alguma barreira natural, tal como montanhas, pode ser sugerido de se ter declarado que os querubins foram postados somente do lado E do jardim, ponto através do qual saíram Adão e Eva. (Gên. 3:24) Assim, há muito se sugere que o local tradicional do jardim do Éden é uma área situada a c. 225 km a SO do monte Ararate, e a poucos km do lago Van, na parte oriental da Turquia moderna.
Depois de Adão ser banido do jardim paradísico, sem haver ninguém para ‘o cultivar e tomar conta dele’, seria de presumir que simplesmente cresceu em sua exuberância natural, tendo apenas os animais para povoar seus confins até que, cerca de 1.656 anos depois, foi obliterado pelas águas avolumantes do Dilúvio, desconhecendo o homem o seu local exato, exceto pelo registro divino de sua existência.
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EdomAjuda ao Entendimento da Bíblia
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EDOM
[vermelho ou ruivo, corado], EDOMITAS. Edom era o nome secundário ou a alcunha de Esaú, irmão gêmeo de Jacó. (Gên. 36:1) Foi aplicado a ele por causa de ter vendido sua primogenitura em troca do cozido vermelho. (Gên. 25:30-34) Coincidentemente, Esaú, ao nascer, tinha cor bem avermelhada (Gên. 25:25), e, em partes da terra em que ele e seus descendentes habitavam mais tarde, predominava similar coloração.
SEIR E EDOM
Em algum tempo durante a permanência de 20 anos de Jacó em Harã, Esaú (Edom) começara a fixar-se na terra de Seir, “o campo de Edom”. (Gên. 32:3) Assim, mesmo antes de seu pai morrer (Gên. 35:29), Esaú, pelo que parece, começara a cumprir a bênção profética de Isaque, desviando sua atenção dos solos férteis ao redor de Hébron e, sem dúvida, começando a ‘viver pela espada’, junto com os 400 homens sob seu comando. (Gên. 27:39, 40; 32:6, 8) O registro indica, contudo, que ainda mantinha uma residência, ou acampamento-base, na área de Hébron, não se transferindo definitivamente para a região montanhosa de Seir senão depois da morte de seu pai. (1738 A.E.C.) Já então sua família tinha crescido e seus bens eram muitos. — Gên. 36:6-8.
A terra de Seir fora previamente domínio dos horeus (Gên. 14:6; 36:20-30), mas os filhos de Esaú desapossaram os xeques horeus e apoderaram-se da região. (Deut. 2:12) Depois disso, a terra passou a ser conhecida como terra de Edom, embora ainda continuasse a ser usado o nome mais antigo de Seir. (Núm. 24:18) O nome Seir parece ecoar no nome moderno de Jebel esh-Shera’, aplicado à principal cadeia montanhosa ao S do mar Morto e a E do Arabá (a extensão S do grande vale de abatimento tectônico, o qual, ao N do mar Morto, forma o vale do Jordão).
DESCRIÇÃO GEOGRÁFICA
O território de Edom estendia-se por c. 161 km desde sua fronteira com Moabe, ao N, formada pelo vale da torrente de Zerede, até Elate (Elote), no golfo de Acaba, ao S. (Deut. 2:1-8, 13, 14; 1 Reis 9:26) A E, o domínio edomita se estendia aparentemente até a beirada do deserto da Arábia, ao passo que, a O, atravessava o Arabá, até o deserto de Zim, e abrangia os altiplanos do Negebe, que se estendiam desde o canto SO do mar Morto até Cades-Barnéia. A porção O de Edom, portanto, passou a constituir a fronteira SE do território de Judá. — Jos. 15:1; compare com Números 34:3.
O verdadeiro coração do território edomita, contudo, evidentemente se situava a E do Arabá, pois aqui a elevada cadeia montanhosa, tendo alguns pontos que atingiam uma altitude de c. 1707 m, recebe alguma chuva. Isto se dá porque a terra a O do Arabá, o Negebe, é consideravelmente mais baixa, permitindo que as remanescentes dentre as nuvens tempestuosas do Mediterrâneo passem por ela e atinjam as montanhas mais elevadas de Edom, onde liberam parte de sua umidade restante. Assim, as investigações arqueológicas mostram uma série de povoados e fortalezas antigos, ao longo duma estreita faixa de solo arável na parte mais elevada da longa mesa ou platô montanhoso, mas estes acabam uma vez que a pessoa prossiga para o S, em direção ao golfo de Acaba. A moderna Tafileh, a uns 29 km do extremo S do mar Morto, possui grandes olivais, embora isto se deva, em grande parte, ao fluxo de água das oito ótimas fontes, caindo apenas uns 280 mm de chuvas, anualmente.
POSIÇÃO ESTRATÉGICA
Moisés solicitou permissão para que Israel viajasse pela “estrada real” através de Edom. (Núm. 20:17) Esta estrada, que geralmente é chamada de “Estrada do Rei”, vai do golfo de Acaba até Damasco, na Síria, seguindo a borda dos altos platôs que se alinham do lado E do Arabá, quando se atravessa Edom. Ao longo dela podiam-se encontrar as principais cidades de Edom inclusive Bozra e Petra (ligada com a Sela bíblica). (Gên. 36:33; 2 Reis 14:7) Um caminho também levava do Negebe até Petra, continuando a E, através de Ma‘án, na beirada do deserto da Arábia, ligando-se ali com outro caminho na direção N-S. Por estas estradas passavam ricas cargas do Egito, da Arábia, da Síria e da Mesopotâmia. Pedágios cobrados das caravanas de camelos e de mulas que percorriam tais estradas provavelmente contribuíam muitíssimo para a riqueza de Edom. Os cansados viajantes do deserto talvez também pagassem os alimentos e as acomodações, ao chegarem a Edom. Petra se tornou rica cidade comercial, rivalizando-se em importância com Damasco.
A escarpa íngreme ou muro do planalto que dava para o Arabá supria excelente proteção, nesta direção, para a principal fortaleza de Edom. O profundo canyon do vale de Zerede impedia a invasão vinda de Moabe. (Observe, contudo, Amós 2:1.) Uma cadeia de fortalezas dava para o deserto, no mais vulnerável lado E, provendo boa defesa contra os midianitas e
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