JÓ, LIVRO DE
Escrito por Moisés, segundo os peritos tanto judeus como cristãos primitivos. Sua poesia, sua linguagem e seu estilo indicam que foi escrito originalmente em hebraico, e em suas partes de prosa possui muitas similaridades com o Pentateuco, o que tende a indicar Moisés como o escritor. Durante sua estada de quarenta anos em Midiã, Moisés podia ter tido acesso aos fatos sobre a provação de Jó e podia vir a saber do resultado final quanto à vida de Jó, quando Israel chegou perto de Uz, a caminho da Terra Prometida, em 1473 AEC.
ARRANJO
O livro de Jó é ímpar no sentido de que consiste principalmente de um debate entre um servo verdadeiro de Jeová Deus e três outros que afirmavam servir a Deus, mas que cometeram erros doutrinais em sua tentativa de corrigir a Jó. Eles erroneamente pensavam que Jó estava sendo punido por Deus devido a grave pecado oculto. Assim, argüindo nesta base, realmente tornaram-se perseguidores de Jó. (Jó 19:1-5, 22) O debate consiste numa série de três fases de discursos, em que todos os quatro oradores participam, exceto que Zofar não fala na última fase, tendo sido silenciado pelo argumento de Jó. Depois disso, todos são corrigidos pelo porta-voz de Jeová, Eliú, e, finalmente, pelo próprio Deus.
É claro, portanto, que é preciso ter presente, ao se ler ou citar este livro, que os argumentos apresentados por Elifaz, Bildade e Zofar são errôneos. Às vezes, estes três companheiros de Jó declaram fatos verídicos, mas num contexto e com uma aplicação que são errados.
Os companheiros de Jó disseram que Deus pune os iníquos. Isto é verdade. (2 Ped. 2:9) Mas eles concluíram que todo sofrimento por que alguém passa é resultado de pecados de tal pessoa — que Deus, destarte, administra-lhe o castigo. O sofrimento, disseram, é evidência de que um indivíduo pecou de modo específico. Falaram de forma inverídica sobre Deus. (Jó 42:7) Caluniaram-no. Segundo apresentaram Deus, faltava-lhe misericórdia. Sua afirmação era de que Deus não se deleita no homem que mantém integridade, e que Ele não confia em Seus servos, nem mesmo nos anjos. Isto nega as muitas declarações bíblicas que revelam o amor de Jeová por seus servos inteligentes. Exemplo da confiança e crédito de Deus em Seus adoradores fiéis é visto na sua conversa com Satanás, em que Ele lhe trouxe Jó à atenção e expressou a máxima confiança na lealdade de Jó quando permitiu que o Diabo provasse a Jó. Observe, contudo, que ele protegeu a vida de Jó. (Jó 2:6) Tiago, escritor cristão, afirma expressamente sobre o modo de Deus lidar com Jó “que Jeová é mui terno em afeição e é misericordioso” — Tia. 5:11.
IMPORTÂNCIA
O livro de Jó é essencial, em conjunto com Gênesis 3:1-6 e outros textos, para revelar a grande questão da justiça de Deus no exercício de Sua soberania, e o modo em que a integridade dos servos terrestres de Deus acha-se envolvida nessa questão. Jó não sabia nada sobre tal questão. Ele não compreendia por que sua calamidade lhe sobreviera, visto que não era praticante do pecado. Ficou desequilibrado na questão da autojustificação, sem dúvida sendo empurrado ainda mais nessa direção pelas acusações constantes de seus três companheiros. Também estava errado em insistir em receber resposta de Deus quanto a por que sofria, quando deveria ter compreendido que ninguém pode, de direito, dizer a Jeová: “Por que me fizeste deste modo?” (Rom. 9:20) Todavia, Jeová respondeu misericordiosamente a Jó, tanto por meio de seu servo, Eliú, como por falar com Jó no meio dum vendaval. Por conseguinte, este livro inculca fortemente o erro de uma pessoa tentar justificar-se perante Deus. — Jó 40:8.
AUTENTICIDADE E VALOR
Ezequiel refere-se a Jó, e Tiago o menciona (Eze. 14:14, 20; Tia. 5:11) Argumentando poderosamente a favor da canonicidade do livro há o fato de que os judeus o aceitavam como tendo igual autoridade que os demais livros inspirados das Escrituras Hebraicas, muito embora Jó não fosse israelita.
Talvez a evidência mais forte da genuinidade do livro consista em sua harmonia com o restante da Bíblia. Também revela muito sobre as crenças e os costumes da sociedade patriarcal. Mais do que isso, ajuda grandemente o estudante da Bíblia a obter melhor entendimento dos propósitos de Jeová, mediante uma comparação com outras declarações bíblicas. Há, realmente, notável número de pontos contendo idéias paralelas a outros trechos bíblicos, e alguns destes são alistados na tabela acompanhante. (P. 906)
Livro de Jó Ponto comparativo Outras referências bíblicas
3:17-19 Os mortos nada sabem, mas Ecl. 9:5, 10;
não são como os que dormem João 11:11-14;
10:4 Deus não julga do ponto de vista do homem 1 Sam. 16:7
10:8, 9, 11, 12 Grande cuidado de Deus Sal. 139:13-16
em formar o homem
12:23 Deus permite que nações se tornem Rev. 17:13, 14, 17
poderosas, que até se unam contra ele,
de modo que possa, com justiça,
destruí-las de um só golpe
14:13-15 Ressurreição dos mortos 1 Cor. 15:21-23
17:9 Justo não tropeça, não importa Sal. 119:165
o que ocorra
19:25 Propósito de Jeová de redimir (resgatar, Rom. 3:24;
libertar) humanidade fiel 1 Cor. 1:30
21:23-26 Todos os homens sujeitos à mesma Ecl. 9:2, 3
eventualidade; na morte todos
são iguais
24:3-12 Aflição da parte dos iníquos; 2 Cor. 6:4-10;
cristãos assim tratados 2 Cor. 11:24-27
24:13-17 Iníquos amam escuridão, ao invés João 3:19
de a luz; luz os aterroriza
26:6 Todas as coisas expostas aos olhos Heb. 4:13
de Jeová
27:8-10 Apóstata não invocará genuinamente Heb. 6:4-6
a Deus, nem será ouvido por ele
27:12 Os que vêem “visões” do próprio coração, Jer. 23:16
não de Deus, proferem coisas vãs
27:16, 17 Justo herdará riquezas Deut. 6:10, 11;
amealhadas por iníquo Prov. 13:22
Capítulo 28 Homem não pode encontrar a Ecl. 12:13;
verdadeira sabedoria no ‘livro da 1 Cor. 2:11-16
criação divina’, somente de Deus
e do temor a Ele
30:1, 2, 8, 12 Vadios imprestáveis, insensatos, Atos 17:5
usados para perseguir servos
de Deus
32:22 É errado atribuir títulos não-bíblicos Mat. 23:8-12
34:19 Jeová não é parcial Atos 10:34
34:24, 25 Jeová remove, estabelece Dan. 2:21; 4:25
regentes conforme lhe apraz
36:24; 40:8 Declarar a justiça de Deus Rom. 3:23-26
é o importante
42:2 Para Deus todas as coisas são possíveis Mat. 19:26
42:3 Deus é insondável em sabedoria Isa. 55:9; Rom. 11:33
Outras comparações dignas de nota são: Jó 7:17 e Salmo 8:4; Jó 9:24 e 1 João 5:19; Jó 10:8 e Salmo 119:73; Jó 26:8 e Provérbios 30:4; Jó 28:12, 13, 15-19 e Provérbios 3:13-15; Jó 39:30 e Mateus 24:28.
ESBOÇO DO CONTEÚDO
I. A questão (1:1 a 2:10)
A. Jó, sua família e riquezas (1:1-3)
B. Age como sacerdote a favor da família (1:4, 5)
C. Satanás desafia Jeová sobre assunto da integridade de Jó e os modos de Deus lidar com Jó (1:6-12; 2:1-5)
1. Satanás tem permissão de destruir bens e filhos de Jó (1:13-19)
2. Jó mantém integridade (1:20-22)
3. Permite-se que Satanás aflija a Jó com doença, mas não que tire sua vida (2:6-10)
a. Esposa zomba da “integridade” de Jó
b. Ele a repreende, permanece fiel
II. Debate com companheiros, primeira fase (2:11 a 14:22)
A. Elifaz, Bildade, Zofar, reúnem-se por acordo, pranteiam a Jó; observam por sete dias o intenso sofrimento dele (2:11-13)
B. Queixa de Jó: Invoca o mal sobre o dia de seu nascimento, desejaria não ter nascido, ou não existir; admira-se por que Deus permite que continue vivo (3:1-26)
C. Elifaz acusa Jó de pecador (4:1 a 5:27)
1. Zomba da “integridade” de Jó; fala da mensagem dum “espírito” dizendo que Deus não tem fé nos mensageiros angélicos, assim não se interessa na integridade do homem (4:1-21)
2. Indiretamente acusa Jó de sofrer dificuldades em resultado do pecado; Jó devia confessar-se a Deus, aceitar disciplina; então Deus o remirá, o fará prosperar e o protegerá; isto, afirma, nós descobrimos pela investigação (5:1-27)
D. Jó não compreende a questão (6:1 a 7:21)
1. Jó responde que está justificado em clamar, como qualquer criatura; anseia morte; seus companheiros provaram-se traiçoeiros, desapontadores, sem valor para ele; não pede que eles o livrem, mas está disposto a receber instruções se eles lhe derem verdadeira repreensão; podem mostrar que ele profere injustiça? (6:1-30)
2. Jó sofreu muito esperando a morte, a não-existência à frente; imagina por que Deus está tão interessado, constantemente o provando como alvo; ele não é perigoso; mesmo que tenha pecado, não pode realizar nada contra Deus; é uma questão que Jó não compreende (7:1-21)
E. Bildade afirma que calamidade de Jó é resultado do pecado; ele argúi que Deus não castigaria Jó se este não tivesse pecado; afirma que filhos de Jó foram mortos por pecados; manda Jó examinar tradição das gerações anteriores em busca de resposta; dá a entender que Jó é apóstata, confiando em falsa esperança; se continuar, está condenado a um fim ruim (8:1-22)
F. Deus faz o que quer com sua criação (9:1 a 10:22)
1. Jó sabe que Deus não é injusto; Deus não tem de prestar contas ao homem; Jó sabe que não pode contender com êxito com Deus, com todo Seu poder e sabedoria. Jeová permite que iníquos governem e que juízes julguem injustamente; se não for Ele, então quem o faz? Jó sabe que não pode argumentar com Deus no mesmo nível; certamente sofreria derrota; precisa de alguém que intervenha — um mediador (9:1-35)
2. Jó pergunta a Deus por que contende com ele; Deus não o vê do ponto de vista do homem; possui razão superior. Mas Jó assevera que não está errado; pede a Deus que se lembre de que Ele modelou Jó com grande cuidado; portanto Jó não pode entender por que Deus agora parece persegui-lo com sofrimento; pede alívio do olhar atento de Deus, de modo que possa animar-se um pouco antes de morrer (10:1-22)
G. Zofar acusa Jó de conversa vã; Jó afirma estar limpo, mas ele deveria compreender que merece mais do que está obtendo; afirma que Jó não pode descobrir as coisas profundas de Deus; com efeito, assemelha Jó ao filhote da zebra quanto a não possuir boa motivação; manda Jó despojar-se da injustiça; então terá segurança, brilho, paz, amigos; avisa Jó das nefastas conseqüências de agir de outra forma (11:1-20)
H. Poderio de Jeová e debilidade do homem (12:1 a 14:22)
1. Jó afirma sarcasticamente que seus companheiros são os homens dotados de toda sabedoria; daí, assevera que tem bom motivo e não é inferior a eles, mas se tornou alvo de riso; afirma que até animais sentem o efeito de Jeová permitir que as coisas sejam como são, que iníquos não sofrem por sua iniqüidade. Sabedoria até de homens idosos está sujeita a ser pesada e testada, mas Jeová é depósito de toda sabedoria e potência; pode fazer com que reis e juízes humanos se desviem, tornem-se tolos; permite nações tornarem-se grandes (e permite que pareçam grandes contra ele), para que possa levá-las à destruição (12:1-25)
2. Jó se agradaria de apresentar seu caso a Deus, mas companheiros falaram falsamente e não foram de nenhuma ajuda; seriam sábios se ficassem em silêncio; consideram Deus como considerariam um homem; mostram parcialidade por fingirem tomar a causa de Deus contra Jó, a quem não podem condenar de ser um pecador flagrante; Jó começa a expressar mais confiança perante Deus e no julgamento de Deus quanto à sua inocência; ele pede a Deus que lhe mostre quais são seus pecados e não o considere qual inimigo (13:1-28)
3. Humanidade [desde o pecado de Adão] tem vida curta, e todos têm sido impuros devido à impureza dos pais; árvore abatida brotará de novo, mas quando homem morre, ele retorna ao pó, no “sono”. Jó pede, contudo, para ir para a sepultura somente até o tempo de Deus agir em benevolência, ou bondade amorosa, para com ele, para fazê-lo viver de novo; descreve como o homem mortal se desgasta, de modo que não sabe nada, bom ou mau (14:1-22)
III. Debate, segunda fase (15:1 a 21:34)
A. Elifaz zomba da afirmação de integridade de Jó (15:1-35)
1. Acusa Jó de responder com conhecimento ventoso; acusa-o de não temer a Deus, de falar o erro; afirma que companheiros de Jó sabem tanto quanto ele; com efeito, Elifaz recorre à sabedoria dos homens idosos, à tradição, como maior do que a de Jó; afirma ele: “Não te bastam as consolações de Deus [conforme apresentadas por Elifaz e seus amigos] . . .?” Assevera que Jó se volta contra Deus, conforme indicado pelas palavras dele. Acusando erroneamente a Deus de não ter fé em seus santos, e que considera os céus como impuros, ele zomba da afirmação de integridade de Jó, insinua que ele é detestável e corrupto (15:1-16)
2. Contende que alguém que sofre é iníquo e diz indiretamente que Jó tenta mostrar-se superior a Deus; descreve fim ruim que sobrevirá a tal pessoa e sua posteridade; conclui insinuando que Jó é apóstata, subornador, prejudicial, enganoso (15:17-35)
B. Jó afirma que ninguém lhe dá ajuda, conforto (16:1 a 17:16)
1. Afirma que poderia falar desconsoladoramente se eles estivessem em sua situação, mas que não faria isso; antes, os fortaleceria; descreve a Deus como entregando-o a seus adversários. Até mesmo os garotos o maltratam. Deus o torna Seu alvo. No entanto, conta com Deus como testemunha de sua inocência (16:1-22)
2. Ninguém vem apoiar Jó; retos mostram surpresa diante de sua condição, mas os justos não são abalados de seu caminho por isso; até mesmo os torna mais fortes. Os companheiros de Jó não têm sabedoria; põem a noite pelo dia, pois como esperança, oferecem o que é falso; Jó vê que está perto sua descida ao lugar final de repouso (17:1-16)
C. Bildade acusa Jó de dilacerar-se na sua ira; isto é fútil, pois coisas permanentes não serão alteradas por isso. Deus ainda trará seu julgamento sobre iníquos; ele descreve a perda da posteridade, pior das moléstias e morte, o apagar do nome e a sobrevivência do iníquo, e o exemplo duradouro que se tornará, dando a entender que é isso que Jó encara (18:1-21)
D. Jó reprova companheiros; se cometeu erros, não há necessidade de eles aumentarem sua aflição; Jó não obtém resposta de seus clamores; seus irmãos, conhecidos e servos o abandonaram, até mesmo esposa, irmãos, consideram-no detestável; garotos zombam dele; está reduzido a pele e ossos. Companheiros de Jó tentam assumir lugar de Deus em persegui-lo. Todavia, está seguro de que Deus é seu redentor e de que ele receberá o julgamento favorável de Deus, enquanto ainda estiver vivo. Seus opositores devem ter cuidado, para não receberem o julgamento de Deus (19:1-29)
E. Zofar fica grandemente perturbado diante das palavras e aviso de Jó; sente-se insultado. Ele atribui indiretamente a Deus os sofrimentos de Jó; descreve o apóstata como extremamente orgulhoso; mas tal perderá seus bens, queimar-se-á como bolos de estrume; se ele aprecia e gosta do erro, não terá meios de escape, mesmo por meio da riqueza (20:1-29)
F. Jó pergunta, se o que os oponentes dizem for verdadeiro: “Por que é que os próprios iníquos continuam vivendo, . . . se tornaram superiores em riqueza?” Continuam a usufruir as coisas, não têm nenhuma consideração para com Deus. Quão amiúde vemos os iníquos e sua posteridade desaparecerem? Homem pobre morre da mesma forma que ele; mas rico é enterrado com honra. Confortadores de Jó foram vãos (21:1-34)
IV. Debate, terceira fase (22:1 a 25:6)
A. Elifaz de novo zomba da afirmação de Jó de que Deus está interessado em sua integridade. Agora começa a usar linguagem caluniosa, à base de que o sofrimento de Jó indica que este é culpado de extorsão, cobiça, injustiça, irreverência, falta de temor a Deus. Daí, santimoniosamente aconselha Jó a familiarizar-se com Deus, a orar a Ele, abandonar a injustiça e ser abençoado; mas da arrogância resultará a humilhação (22:1-30)
B. Jó fica imaginando se Deus está interessado na aflição do justo e nas ações dos iníquos (23:1 a 24:25)
1. Jó não pode fazer aquilo que os companheiros erroneamente lhe aconselham. Deseja poder expor seu caso jurídico perante Deus; se isto se desse, Deus o ouviria; mas Deus não se revela; todavia, Deus conhece o modo de agir correto de Jó; Ele sabe que Jó tem seguido seus mandamentos, todavia, atualmente, Deus executa algo que Jó não entende; Jó está apavorado (23:1-17)
2. Jó de novo argúi que os iníquos (neste sistema) prosseguem sem lhes sobrevir qualquer tempo de punição; realizam toda espécie de injustiças. Ele descreve a luta dos afligidos pelos iníquos: nus, passando frio, fome, labutam, clamam por ajuda e morrem. Deus, pelo que parece, não está interessado. Há os que amam a escuridão antes que a luz; sob sua coberta, sentem-se livres para cometer assassínio, latrocínio, adultério; luz da manhã é sombra de morte para eles. Iníquos passam rápido; tornam-se exaltados, daí, não existem mais, como todo o mundo; assim realmente não recebem o sofrimento por seus pecados (24:1-25)
C. Bildade repete que homem mortal, nascido de mulher, não pode manter posição reta perante Deus, que (segundo Bildade afirma) considera a lua e as estrelas como impuras. Ele nega a idéia do interesse de Deus pela integridade do homem (25:1-6)
V. Dissertação final de Jó; ele silencia, instrui oponentes (26:1 a 31:40)
A. Ele sarcasticamente exalta a “sabedoria” e ‘prestimosidade’ dos companheiros; pergunta se são como Deus, perante quem todas as coisas estão expostas. Deus pendura a terra no espaço, suspende a água nas nuvens, sacode montanhas, agita o mar. Tais coisas são apenas beiradas de seus caminhos, simples sussurro de sua grandeza (26:1-14)
B. Jó expressa determinação de apegar-se à integridade até à morte; não justificará companheiros por seguir seus falsos raciocínios, chamando a si mesmo de contraventor. Por causa da justiça de Jó, seu inimigo é homem iníquo. Se Jó fosse realmente apóstata, como seus companheiros acusaram, então ele não se deleitaria em clamar a Deus, como Jó faz, nem seria ouvido por Deus. Os oponentes de Jó foram silenciados; agora, Jó os instruirá. Eles tiveram “visões”, afirmam; se assim é, por que estavam sendo confortadores vãos? É verdade que o verdadeiramente iníquo traz uma espada e carência sobre seus descendentes; a riqueza que amealha é para os justos, após a morte dele; ele talvez morra rico, mas perde tudo (27:1-23)
C. Jó então recapitula as descobertas e as atividades industriais do homem: ir às profundezas da terra, revelando coisas ocultas; o homem atingiu as profundezas do mar; explorou o depósito de riquezas da terra. Mas com todo este conhecimento obtido através do estudo do ‘livro da criação divina’, o homem não encontrou verdadeira sabedoria, compreensão; apenas Deus as possui; único modo de homem obtê-las é temer a Jeová e desviar-se do mal (28:1-28)
D. Jó então reflete sobre dias antes da provação; então andava na luz de Deus; seus ajudantes eram muitos; quando surgia no portão da cidade, recebia total respeito dos jovens e idosos, até dos líderes. Era conhecido por sua retidão, dádivas de misericórdia, justiça; era defensor dos oprimidos e punidor do opressor; todos acatavam seu conselho. Era como um rei entre suas tropas (29:1-25)
E. Agora a situação de Jó se invertera; os imprestáveis zombam dele. Essa escória da humanidade, a quem as pessoas escorraçavam da terra, são agora seus atormentadores, cuspindo nele, fazendo-o tropeçar. Os companheiros de Jó não o ajudaram em seu terrível sofrimento, mas têm sido cruéis. Ele pranteia, está reduzido a um esqueleto (30:1-31)
F. Jó não se empenha no erro. Ele pede que seja pesado na balança por Deus, está disposto a sofrer castigo se tiver feito o erro; enumera o adultério, a injustiça, a falta de misericórdia, a opressão, o materialismo, a idolatria, o espírito vingativo, a falta de hospitalidade, a hipocrisia, o ocultamento das transgressões para ‘salvar as aparências’. Depois de afirmar-se disposto a levar seu caso legal perante Deus, enfrentar as acusações contra ele no documento de seu oponente, ele cita outro erro do qual é inocente, a cobiça, por cultivar e comer frutos do campo que não pagou, ou que obteve ilegalmente dos seus donos (31:1-40)
VI. Eliú corrige a Jó e seus companheiros (32:1 a 37:24)
A. Eliú escutou o argumento. Acende-se sua ira contra Jó por justificar a si mesmo ao invés de a Deus, e pior ainda, para com os companheiros de Jó, por declararem Deus culpado. Eliú se havia restringido em deferência à idade; mas o espírito de Jeová é o que fornece entendimento, impele-o a falar. Ele diz aos três companheiros de Jó que eles deixaram de responder a Jó; Eliú não falará como eles. Ele não mostrará parcialidade e não concederá nenhum título lisonjeador (32:1-22)
B. Eliú não pretende ser superior em si mesmo; repreende Jó por estar preocupado demais com sua própria justificação e por contender com Deus porque Deus não lhe respondeu. Descreve o modo de Deus exortar ou corrigir o homem para fazê-lo desviar-se do pecado, (1) por uma visão da noite, (2) por permitir que sofra calamidade. A fim de ser liberto, o homem precisa dum mediador, para lhe dizer o que é reto. Por tal mediador, provê-se um resgate (cobertura) para restaurá-lo; daí Deus restaura Sua justiça ao homem e este cantará louvor a Deus. Deus é paciente e é imerecidamente bondoso ao fazer isto (33:1-33)
C. Eliú concita seus ouvintes a testar suas palavras. Jó disse, efetivamente, que Deus desviou seu julgamento; mas Deus não falha em recompensar o serviço fiel prestado a Ele. Quem colocou sobre Deus a responsabilidade de reger, de cuidar da terra? Se Ele quiser, poderá tirar a vida de todos. Não se pode dizer a um rei ou regente que ele está errado ou é imprestável. Deus julga a todos sem parcialidade; ele rapidamente derruba regentes, coloca outros em seu lugar, de modo que todos vejam que mereceram isso por se tornarem opressores. Deus julga e age conforme lhe apraz para com indivíduos ou até mesmo nações. A auto-justificação de Jó foi sem conhecimento; sua provação tem de continuar até que a questão seja resolvida (34:1-37)
D. Jó disse: “Minha justiça é maior do que a de Deus.” Ele achava que seu proceder justo não lhe valia nada perante Deus. No entanto, a pessoa não faz nenhum favor a Deus por servi-lo, nem atinge pessoalmente a Deus por pecar, embora os homens possam ser atingidos. Muita opressão não é aliviada por Deus porque os homens não o invocam com veracidade. Jó, servo de Deus, deveria ter confiado e esperado em Deus, em vez de falar precipitadamente (35:1-16)
E. Eliú assegura-o do bom motivo de Deus; ele julgará os aflitos, tornando-os cônscios do proceder errado. Ele livrará os obedientes, mas os apóstatas morrerão. Ele abençoará o obediente com expansão, prosperidade. Tal pessoa deve ter cuidado de não deixar que o furor a torne despeitada. Jó tem estado ansioso demais de contender com Deus, como que perante a lei, por causa de sua condição aflitiva. Deve lembrar-se de que Deus é exaltado, o melhor Instrutor. Jó não deveria desafiar os Seus caminhos. Antes, Jó deveria magnificar Sua atividade. Eliú descreve o poderio de Deus (36:1-33)
F. Ao se aproximar uma tempestade, Eliú continua a exaltar a grandeza de Deus: Ele utiliza forças naturais, com as quais pode fazer parar as atividades dos homens. Ele dirige o vento, o frio, a luz, as nuvens. Ele provoca tempestades que produzem efeitos quer para corrigir ou para castigar, quer em benevolência. Homem não pode compreender ou controlar plenamente os elementos ou o clima. Ninguém deve ser sábio em seu próprio coração e censurar as ações de Deus. Ele é exaltado em poder e jamais agirá sem retidão ou justiça (37:1-24)
VII. Jeová repreende Jó e companheiros (38:1 a 42:6)
A. Jeová fala de dentro da tempestade. Mostra que o homem inexistia quando a criação ocorreu, por conseguinte, Jó não pode responder às perguntas básicas sobre o universo visível. Pede a Jó que forneça conhecimento sobre a terra, o mar, a luz, a morte e a sepultura, a neve, a saraiva, o vento, o orvalho, a geada, as constelações, o relâmpago e a chuva (38:1-38)
B. Jeová se volta para a criação animal, demonstrando a Jó quão pouco Jó sabe sobre as qualidades maravilhosas que Deus colocou neles, de modo que não é necessário o homem para cuidar deles, nem da terra. O leão, o corvo, as cabras-montesas, a zebra, o jumento-selvagem, o touro-selvagem, a fêmea de avestruz, a cegonha, o cavalo, o falcão e a águia, com seus instintos maravilhosos, são citados (38:39 a 39:30)
C. Jeová então propõe pergunta: “Acaso devia haver contenda da parte do caturra com o Todo-poderoso?” Jó contritamente replica que nada tem a dizer. Jeová indica que Jó estava invalidando Sua justiça a fim de justificar-se. Daí, traz à atenção Sua capacidade de humilhar os iníquos (40:1-14)
D. Jeová aponta a força e confiança calma do “beemote” (hipopótamo), que Ele criou como um dos maiores animais, também o “leviatã” (crocodilo) e o perigo de combatê-lo. Comenta-se sua dureza de coração, destemor, orgulho (40:15 a 41:34)
E. Jó se arrepende, confessa ter falado sem conhecimento; ‘caminhos de Deus são mais altos que os do homem, e seus pensamentos do que os pensamentos do homem’. Admite ter sido precipitado em falar sobre as ações de Deus quando não tinha a sabedoria, o discernimento ou a capacidade de render tal juízo. Ele se retrata no pó e cinzas (42:1-6)
VIII. Jeová abençoa a Jó, julga companheiros (42:7-17)
A. Jeová expressa grande desagrado com companheiros de Jó, pois falaram o que era inverídico. Ele exige que eles se dirijam a Jó como Seu sacerdote, com ofertas, pois Jeová só aceitará a Jó, Seu “servo”, e as orações deste em favor deles. Eles fazem isto (42:7-9)
B. Jeová cura Jó quando este ora a favor de seus companheiros, lhe dá bens em dobro, restaura-lhe parentes, amigos. Ele tem sete filhos, também três filhas, as mais lindas da terra (evidentemente sua esposa foi restaurada como sendo uma com ele). Jó vive 140 anos mais e vê quatro gerações de descendentes (42:10-17)
Veja o livro “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”, pp. 91-97.