-
O amor que conduz à vidaA Sentinela — 1965 | 15 de outubro
-
-
O amor que conduz à vida
‘O fruto do espírito é amor.’ — Gál. 5:22.
1. Que perguntas ilustram ser razoável terem os gregos usado quatro palavras para expressar o amor? E por que devemos estar interessados nas respostas?
DIZ o ditado que “os gregos tinham uma palavra para isso”. E tal coisa parece ser verdade quando se trata do assunto do amor, pois os gregos tinham, não uma só, mas quatro palavras para expressar a idéia do amor conforme considerada de ângulos diferentes: éros, storgé, philía, e agápe. Isto é razoável, pois o amor é uma qualidade muito complexa, e o leitor só precisa pausar um pouco e tentar defini-lo para si mesmo a fim de ficar convencido de que isto se dá. O que, realmente, é o amor? Será apenas um sentimento, um impulso? Tem de ser acompanhado de afeição, e pode ser demonstrado apenas para com aqueles por quem sentimos admiração, atração, ou, pelo menos, algum afeto, por causa das qualidades que possuem? Poderia amar alguém muito embora não gostasse dele? Qual é a fonte da qual procede o amor? Será o coração ou a mente, ou serão ambos? E, por fim, que meio existe, se houver algum, pelo qual o amor pode ser medido para se verificar a sua genuinidade e valor? Precisamos saber disso, porque, assim como “nem tudo que reluz é ouro”, assim também nem tudo que parece ser amor é sempre amor. Poderia ser tão falso como o último beijo de Judas, terno mas traiçoeiro. — Mar. 14:44, 45.
2. O que mostra que se pode ensinar a amar?
2 “O amor é a lição mais difícil do Cristianismo; mas, por essa razão, nossa maior preocupação deveria ser aprendê-la.” Assim escreveu William Penn, o fundador do estado de Pensilvânia. Ao passo que talvez pareça estranho pensar em se ensinar a amar, todavia, a Bíblia mostra claramente que isso é possível. (1 Tes. 4:9, 10). A palavra “discípulo” literalmente significa um aprendiz ou aluno, e o Filho de Deus, na noite anterior à sua morte, disse àqueles a quem treinara e ensinara: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” — João 13:35.
3. (a) Por que é o amor genuíno o sinal identificador dos verdadeiros cristãos? (b) Que perigo existe hoje para a congregação cristã?
3 O amor dessa espécie deve ser raro, tão raro que faria com que os verdadeiros alunos ou discípulos de Jesus se destacassem dentre todas as demais pessoas na terra e seria o seu sinal identificador. Foi nos dias de Jesus; será que é hoje em dia? Olhe os jornais, escute os noticiários radiofônicos, ou simplesmente examine o cenário em seu redor, onde quer que aconteça estar. Não vê aquilo que o apóstolo Paulo disse que veria, quando escreveu? “Sabe, porém, isto, que nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de manejar. Pois os homens serão amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, . . . desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, . . . sem amor à bondade, . . . enfunados de orgulho, mais amantes de prazeres do que amantes de Deus, tendo uma forma de devoção piedosa, mostrando-se, porém, falsos para com o seu poder; e destes afasta-te”? (2 Tim. 3:1-5) Ora, Jesus predisse que seria tão grande a falta do verdadeiro amor que até mesmo a sua própria congregação cristã seria sèriamente afetada. Lembre-se, não foi do mundo em geral, mas de seus próprios seguidores professos, no tempo do fim, que ele disse: “E, por causa do aumento do que é contra a lei, o amor da maioria se esfriará.” Isso prenuncia o perigo. — Mat. 24:12.
4. O que é o sentimento, e a experiência de quem ilustra que não é a mesma coisa que o genuíno amor?
4 Que espécie de amor tem o leitor? Será que o diferencia das pessoas em geral e o identifica qual seguidor, discípulo ou aluno de Cristo Jesus? Ou é o seu amor principalmente uma questão de sentimento? O sentimento é definido no dicionário como “uma atitude, idéia ou um juízo permeado ou movido pela emoção”. Muitas pessoas agem pela emoção ou sensibilidade impulsiva e dizem ou fazem certas coisas que acham ser expressões do amor. O apóstolo Pedro, nos seus primeiros dias como discípulo, inclinava-se para tais ações, e isto lhe trouxe dificuldade em mais de uma ocasião. Assim, quando Jesus falou a seus discípulos a respeito de seus sofrimentos e de sua morte futura, Pedro impulsivamente levou Jesus para o lado e suscitou fortes objeções, dizendo: “Sê benigno contigo mesmo, Senhor; não terás absolutamente tal destino.” Será que Jesus aceitou este apelo emocional como expressão de genuíno amor? O relato diz: “Mas ele, voltando-lhe as costas, disse a Pedro: ‘Para trás de mim, Satanás [opositor]! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não tens os pensamentos de Deus, mas os de homens.’” — Mat. 16:21-23.
5. O que controla a pessoa sentimental, e como é superior o amor verdadeiro?
5 O sentimento deixa que a emoção, antes que a verdade, domine a mente; e, visto que o sentimento depende da emoção para achar seu caminho, é como uma pessoa cega. A pessoa sentimental, com efeito, fecha os olhos à necessidade de pensamentos lógicos e de pesar os assuntos a fim de determinar o que será realmente nos melhores interesses da outra pessoa ou o que trará os melhores resultados para todos os envolvidos. O amor genuíno, pelo contrário, tem amplo conceito dos assuntos e não permite que a emoção tome as rédeas e siga sem domínio por veredas incertas. Assegura-se de que qualquer emoção ou impulso que surja seja usado para dar força na direção correta, que a mente já escolheu. — Rom. 8:5-8.
6. (a) Se pensarmos de modo sensato sobre o assunto do amor, o que isso nos fará compreender? (b) Por que a honestidade nos obriga a admitir a nossa necessidade de orientação divina em expressar amor?
6 Mas, acima de tudo, o amor pensa os “pensamentos de Deus”. Reconhece a verdade de sua declaração de que “assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos”. (Isa. 55:9, Al) Nossa própria capacidade de raciocínio talvez nos diga que a família humana foi obviamente feita para ser interdependente, que todos nós temos necessidades, físicas, mentais e espirituais; e que, ao passo que podemos satisfazer por nós mesmos algumas destas necessidades, precisamos depender daqueles que nos amam para o preenchimento das outras, e que apenas quando tais necessidades são preenchidas pode haver felicidade. A lógica talvez nos diga que a pessoa amorosa seria aquela que discernisse tais necessidades e se esforçasse de preenchê-las ao máximo de sua habilidade, e que, visto que tal habilidade é limitada, seu amor a moveria a determinar as necessidades mais importantes e a concentrar-se nelas. Nossa inteligência talvez nos diga que muitos fatores e circunstâncias precisariam ser considerados, e que o amor verdadeiro seria determinado, não pelo que nós próprios preferíssemos fazer por outrem, nem pelo que os outros achassem que devia ser feito, nem mesmo pelo que a própria pessoa desejasse no momento, mas, antes, pelo que os fatos mostrem ser para o seu bem-estar futuro. O modo de pensar sensato talvez nos diga que, em adição a tudo isto, o amor exigiria um sincero desejo de fazer isto para a outra pessoa. Todavia, se formos honestos, admitiremos que precisamos dos “pensamentos de Deus” para nos dizer como podemos preencher melhor as necessidades dos outros, quais são realmente as suas maiores necessidades, e o que resultará nos seus melhores interesses agora e no futuro, bem como em nos edificar o desejo de fazer estas coisas. Jamais procederemos errado se nos voltarmos para ele, porque “toda boa dádiva e todo presente perfeito vem de cima, pois desce do Pai das luzes celestiais, com quem não há variação da virada da sombra”. — Tia. 1:17.
O AMOR NA LÍNGUA GREGA
7. Qual é o significado básico de cada uma das quatro palavras gregas para “amor”?
7 É aqui que os gregos e suas quatro palavras para amor retornam ao assunto. Nos tempos bíblicos, os gregos usavam a palavra éros para descrever o que atualmente chamaríamos de amor romântico, ou amor entre os sexos. O amor entre os da mesma família, tal como o amor dos pais para com um filho, era expresso pela palavra storgé. A palavra philía transmitia a idéia de afeição sentida pelos amigos, um amor caracterizado pelo afeto ou ligação devida à mútua atração de personalidades, Por fim, usavam a palavra agápe para expressar o amor que se baseia em princípios e que resulta do exercício deliberado do julgamento e da vontade da pessoa, o amor livre de interesses egoístas.
8. (a) A quem devemos o claro entendimento destas palavras? (b) Como é que o uso que fizeram da palavra agápe mostra que é o amor que conduz à vida?
8 Os gregos nos deram as palavras, mas, de forma estranha, foram os hebreus, escrevendo em grego, que nos deram o entendimento mais claro de seu significado. Estes foram os escritores das Escrituras Gregas Cristãs da Bíblia, e o entendimento claro que nos deram se deve primàriamente a seu uso ímpar da palavra agápe, referindo-se ao amor baseado em princípios (ao invés de na atração física, na relação familiar, ou na compatibilidade de personalidades). Em realidade, Douglas’ Bible Dictionary (Dicionário Bíblico de Douglas) nos diz que agápe é “uma das palavras menos comuns nos escritos gregos clássicos”. Assim, ao passo que Platão, Sócrates e Aristóteles raramente usaram a palavra, Pedro, Paulo, João e os outros escritores dos livros de Mateus a Revelação a usaram como jamais tinha sido usada antes. Em seus escritos, a palavra éros não aparece, storgé ocorre apenas três vezes, e o verbo philéo aparece menos de cem vezes, mas a palavra agápe se acha cerca de 250 vezes nas Escrituras Gregas. O apóstolo João a usou quando escreveu: “Deus é amor [agápe].” (1 João 4:8) Ele citou Jesus como usando-a quando disse que seus discípulos seriam conhecidos se ‘tivessem amor [agápe] entre eles mesmos’. (João 13:35) Paulo a usou quando disse que ‘o fruto do espírito é amor [agápe]’. (Gál. 5:22) E, visto que é “aquele que semeia visando o espírito, [que] ceifará . . . vida eterna”, torna-se questão de vida ou morte aprendermos esta espécie de amor baseado em princípios, produzido pelo espírito de Deus. (Gál. 6:8) É isso o que afirma o apóstolo João, quando diz: “Nós sabemos que temos passado da morte para a vida porque amamos [agapáo, forma verbal de agápe] os irmãos. Quem não ama, permanece na morte.” — 1 João 3:14.
9. (a) Que questão foi suscitada em virtude da falta de amor, no começo da história humana? (b) Como foi que reagiu Jeová Deus a tal expressão de egoísmo?
9 Quais são os princípios com que funciona este amor altruísta? Em sua Palavra escrita, Deus nos revela a grande questão da soberania universal que surgiu quando um dos filhos espirituais de Deus se voltou contra seu Criador e mentiu maliciosamente contra ele para o primeiro casal humano no Éden, a fim de levá-los para o seu lado, até mesmo à custa de suas próprias vidas. O primeiro homem, Adão, mostrou apenas amor erótico, desejo carnal pela esposa, Eva, e voltou as costas ao seu Pai celeste a fim de juntar-se a ela em sua desobediência. Por repelir a sua posição justa perante Jeová Deus e abandonar sua perfeição humana, ele reduziu dràsticamente sua habilidade de mostrar verdadeiro amor a sua esposa. Seus filhos nasceriam inevitavelmente imperfeitos, com pecado inato, e no estado moribundo como o dele próprio. Mas, em face de toda esta ingratidão egoísta, o próprio amor de Jeová não ficou amargurado. Até mesmo quando proferia a sentença justa sobre os três rebeldes, ele simultaneamente anunciou seu propósito de produzir eventualmente um Descendente que acabaria com todo o mal que o adversário de Deus iniciara. Este tema percorre toda a Bíblia, ao traçar o desenvolvimento dos assuntos por parte de Deus durante quatro mil anos, até o tempo quando ele enviou seu mui querido Filho à terra, primeiro de tudo para apoiar o lado de seu Pai na questão e para demonstrar inquebrantável integridade a ele como sendo o Soberano Legítimo, e, então, para suprir a maior das necessidades do gênero humano: a provisão dum resgate para livrá-lo da condenação do pecado e da morte e assim reconciliá-lo com o Pai celestial dele. — Gên. 3:14-24; João 3:16, 36.
10. (a) Que perspectivas apresentam as profecias bíblicas para aqueles que mostram atualmente o genuíno amor? (b) Em que atividades o amor as move a empenhar-se?
10 A Bíblia também mostra que estes benefícios serão estendidos aos homens e às mulheres obedientes e amorosos por meio dum governo do Reino, dominado por Cristo Jesus, e que isto resultará numa ordem inteiramente nova para esta terra; a velha ordem fundada no egoísmo, na violência e na desobediência a Deus sendo varrida na guerra universal do Armagedom. As profecias bíblicas se combinam com os eventos e as condições hodiernas para testificar que vivemos agora no “tempo do fim” dessa velha ordem, desde 1914, e que a nossa geração verá em breve a terra purificada do ódio, da ganância, da contenda, do assassinato, do roubo, da opressão, do adultério, da calúnia e de todos os outros frutos dum mundo sem amor, desprovido do espírito de Deus. (Mat. 24:7-14, 33-35; Gál. 5:21) Mostra, também, que ao passo que o amor de muitos dos que pretendem ser discípulos de Jesus ‘esfriaria’, outros perseverariam e fariam uma obra muitíssimo amorosa. Qual seria ela? Jesus disse: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim.” — Mat. 24:14.
11. Quem realmente nos ensina o verdadeiro significado do amor?
11 Podemos ver, então, por que 1 João 4:19 diz: “Quanto a nós, amamos porque ele nos amou primeiro.” O conhecimento dos atos e dos propósitos amorosos de Deus nos fornece o real entendimento do amor e deve estimular-nos, como nenhuma outra coisa, a imitá-lo. Visto que o homem foi feito originalmente à imagem de Deus, é nossa obrigação expressar amor semelhante ao dele. — Gên. 1:26, 27.
AMOR ROMÂNTICO
12, 13. (a) Será que a Bíblia ignora ou rejeita o amor entre os sexos, e como sabemos disso? (b) Do que precisa tal amor romântico a fim de ser fator contribuinte para a felicidade, e como isto é visto no caso dos antigos gregos e romanos?
12 Considere primeiro de tudo o amor entre os sexos, que os gregos chamavam de éros. Talvez fique pensando em que relação pode haver entre tal amor e o amor baseado em princípios (agápe), a respeito do qual escrevemos. Na verdade, os escritores cristãos não usaram a palavra éros, mas, ainda assim a Bíblia realmente considera tal amor e o faz em linguagem clara e franca, como tem de admitir quem ler o relato de Gênesis sobre Adão e Eva, de Isaque e Rebeca, de Jacó e Raquel, ou o livro do Cântico de Salomão, ou o conselho de Provérbios 5:15-19. Mas, não deifica tal amor. Ao passo que lemos que Rebeca era “de aparência muito atraente” e que Raquel era “bela de formas e bela de semblante”, todavia, a Bíblia mostra que a sua verdadeira beleza residia em sua devoção ao verdadeiro Deus, Jeová, e em sua devoção de esposa ao seu marido. (Gên. 24:16; 29:17) Nas Escrituras Cristãs, o apóstolo Paulo dá conselho bastante direto sobre o amor marital em sua primeira carta aos coríntios, capítulo sete, e não há certamente nada de “pudico” na sua maneira de tratar o assunto.
13 Mas, em tudo o que a Bíblia tem a dizer, isto se torna claro: Tal amor romântico pode contribuir para a felicidade apenas quando é controlado, não adorado; e, a fim de controlá-lo, precisamos do amor baseado em princípios. Atualmente, o mundo todo parece cometer o mesmo erro dos antigos gregos. Adoravam Eros qual deus, curvavam-se em seu altar e ofereciam sacrifícios a ele. Os romanos faziam o mesmo com Cupido, o correspondente romano de Eros. Mas, a história mostra que tal adoração do amor sexual somente trouxe a degradação, a devassidão e a dissolução. Talvez seja por isso que os escritores bíblicos não fizeram uso da palavra.
14. Como é que o amor baseado em princípios poderia resolver os problemas maritais principais, bem como os mais íntimos?
14 Os problemas de incompatibilidade, atualmente, estão fazendo com que subam vertiginosamente os índices de divórcio em muitos países, e em alguns estados dos Estados Unidos a proporção agora é de um divórcio para cada dois casamentos. Quão grande é a necessidade do amor baseado em princípios! Os homens e mulheres poderiam achar a solução de alguns dos problemas mais íntimos do casamento por lembrar-se de que “o amor [agápe] . . . não se comporta indecentemente, não procura os seus próprios interesses, não fica encolerizado”. (1 Cor. 13:4, 5) As raízes da contenda e das disputas maritais podiam ser eliminadas pelo conselho equilibrado que Paulo dá: “Não obstante, também cada um de vós, individualmente, ame [agapáo] a sua esposa como a si próprio; por outro lado, a esposa deve ter profundo respeito pelo seu marido.” (Efé. 5:33) Quando o marido e a esposa têm tal amor, seu alvo será, não possuir, mas partilhar. Ao invés de pensar em termos de “eu”, “mim”, “meu”, pensarão em termos de “nós”, “nos”, “nosso”. Cada um procurará saber as necessidades e os anseios do outro e então amorosamente usará este conhecimento para a felicidade do outro.
O AMOR NO CÍRCULO FAMILIAR
15. Como é que se acha agora em época de crise o amor expresso pela palavra storgé, e o que é necessário para protegê-lo?
15 Que coisa deleitosa é uma família unida e amorosa! É uma beleza toda ímpar, um encanto que torna verdadeiro prazer o tempo passado nos seus limites. Esta afeição natural (storgé em grego) dos membros da família uns pelos outros foi usada por Paulo para destacar as íntimas relações familiares que devem existir entre os cristãos. (Rom. 12:10) Mas, ele também predisse que em nossos tempos os homens em geral não teriam esta “afeição natural”. (2 Tim. 3:3) O círculo familiar de outrora está certamente rompendo-se hoje debaixo das pressões da vida moderna. Em mais e mais casos, as famílias não mais tomam juntas suas refeições, nem se reúnem em sua sala de estar para gozar da companhia uns dos outros. A delinqüência, tanto adulta como juvenil, continua a dividir um lar após outro. Isto se dá porque apenas a afeição natural não basta para suportar as tensões dos dias atuais. Mas, o amor baseado em princípios pode manter unida a família, porque “o amor [agápe] . . . é o perfeito vínculo de união”. — Col. 3:14.
16. Que conselho bíblico é dado aos pais que têm no coração os interesses vitalícios de seus filhos?
16 Pais, será que desejam que seus filhos os amem e sejam como aqueles de quem a Bíblia fala, dizendo: “Filhos, sede obedientes aos vossos pais em união com o Senhor, pois isto é justo: ‘Honra ao teu pai e a tua mãe’; que é o primeiro mandado com promessa: ‘Para que te vá bem e perdures por longo tempo na terra’”? Será que gostariam de vê-los ganhar a vida eterna na terra paradísica, sob o reino de Deus? Então, o que estão fazendo para realmente cumprir a sua parte, conforme expressa nas seguintes palavras: “E vós, pais, não estejais irritando os vossos filhos, mas prossegui em criá-los na disciplina e no conselho de autoridade de Jeová”? Fazer isso nestes dias exige mais que a simples afeição; exige o amor da espécie baseada em princípios. — Efé. 6:1-4.
17. (a) Por que mimar o filho não mostra verdadeiro amor? (b) Como pode a retenção da disciplina resultar em calamidade tanto para o pai como para o filho?
17 O pai que retém do filho a disciplina correta e cede a cada desejo do filho está realmente mostrando amor apenas a si mesmo. Tal pai dirá com freqüência: “Eu sei que isso não é realmente bom para o meu filho, mas ele pôs tanto o seu coração nisso que eu não posso suportar magoá-lo.” Mostra assim preocupação, não pelo bem-estar futuro do filho, mas, de forma egoísta, da parte do pai, para que a afeição do filho não seja retirada temporàriamente por causa do devido uso da disciplina. Que pai daria ao filho uma bomba de ação retardada como presente? Todavia alguns dão, disfarçada na forma dum carro dado quando o rapaz é ainda muito jovem para apreciar a responsabilidade que acompanha isso, ou por permitir que a filha moça tenha área mais ampla de liberdade que os seus anos sensatamente deveriam permitir. O sacrifício dos princípios no altar da afeição é apenas adoração falsa, e, com demasiada freqüência, nos anos posteriores, o genitor que ama extremosamente terá ânsia do amor que não está mais à venda. Quão sábio é ó provérbio que diz: “Quem refreia a sua vara, odeia seu filho, mas ama-o aquele que o procura com disciplina”! (Pro. 13:24) A disciplina significa ensino e treinamento; e, assim como nosso Pai celeste nos disciplina e ensina, assim temos de fazer com nossos filhos, se nosso amor há de ser genuíno. — Heb. 12:5-11.
AMOR ENTRE AMIGOS
18, 19. (a) Em que se baseia o amor expresso pela palavra philía, e o que mostra que é correto? (b) Do que precisa tal amor-amizade a fim de ser de valor duradouro, e por quê?
18 Recompensador, também, é o amor-amizade, chamado philía pelos gregos. Quão vazia seria a vida sem amigos! A amizade usualmente resulta de a pessoa ver em outra as qualidades que ela gosta, aprecia e goza naturalmente; ou, talvez haja a participação comum de experiências durante um período de tempo, que fornece a base para o afeto, a afeição e a lealdade. A confiança e a dependência mútuas fluem entre os amigos. O próprio Cristo Jesus mostrou amizade especial para com três de seus discípulos, Pedro, Tiago e João, e, dos três, João é mencionado como sendo especialmente amado por Jesus. — João 19:26; 20:2.
19 Todavia, para que nossa amizade tenha qualquer valor duradouro, tem de ser primeiro combinada com o amor baseado em princípios, e, assim, a exortação do apóstolo Pedro é que devemos ‘suprir à nossa afeição fraternal [philadelphía] o amor [agápe]’. (2 Ped.1:7) De outra forma, nossa afeição fraternal poderia facilmente degenerar-se em lisonja e mimo; poderia permitir que nos tornássemos partícipes de outros em coisas que não são certas e não obram para o bem nem de um nem do outro, em coisas que desonram a Deus e são prejudiciais ao nosso próximo, Mas, “o amor [agápe] não obra o mal para com o próximo”. — Rom. 13:10.
20. Como é que a expressão de amizade de Deus nos orienta para a expressarmos?
20 O amor baseado em princípios, em realidade, deve guiar-nos até na seleção inicial e na conservação de nossos amigos. Quão emocionados os discípulos de Jesus devem ter ficado de ouvi-lo dizer: “O próprio Pai tem afeição [philéo] por vós!” Mas, por que foram assim honrados por Deus? As seguintes palavras de Jesus respondem: “Porque tiveste afeição por mim e acreditastes que saí como representante do Pai.” (João 16:27) Sim, Deus tem afeição, ou dá sua amizade, apenas aos que são merecedores. (Tia. 2:23) Com boa razão, então, somos avisados de que “aquele que quiser ser amigo [phílos] do mundo constitui-se inimigo de Deus”. Nossos amigos devem ser, primeiro de tudo, aqueles que são amigos de Deus e os que O amam. — Tia. 4:4.
21. Por que este entendimento não restringe nossa expressão de amor a poucas pessoas?
21 Será que isso nos restringe, coloca uma cerca ao redor de nossa expressão do amor? Não, porque o amor baseado em princípios [agápe] pode e deve chegar até onde a afeição [philía] talvez não se aventure ou nem mesmo se sinta atraída. A recompensa de vida interminável não é para os que simplesmente expressam amor e,devoção ao cônjuge, à família ou ao círculo íntimo de amigos. Disse Jesus: “Pois se amardes aos que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem também a mesma coisa os cobradores de impostos? E, se cumprimentardes somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem também a mesma coisa as pessoas das nações? Concordemente, tendes de ser perfeitos, assim como o vosso Pai celestial é perfeito.” (Mat. 5:46-48) Muito definidamente, então, podemos amar as pessoas muito embora não gostemos delas. Nossa vida depende de fazermos justamente isso.
22. Que perguntas são dignas de séria consideração da parte de cada um de nós?
22 Pare e pergunte a si mesmo agora: Como está o meu amor se enquadrando nisso? Será baseado em princípios, ou apenas em sentimento? Será que eu amo apenas aqueles a quem é natural que eu ame: cônjuge, pais, filhos ou amigos, cuja personalidade me cativa? Será que o amor que eu lhes tenho é realmente visando de coração o seu bem-estar eterno, ou será apenas uma expressão de afeto, por causa da satisfação que me traz a minha relação com eles? Quão genuíno é o meu amor? O valor e o preço de sua vida toda podem ser avaliados pelas suas respostas. — 1 Cor. 13:1-3.
-
-
Cumprindo o novo mandamento do amorA Sentinela — 1965 | 15 de outubro
-
-
Cumprindo o novo mandamento do amor
“Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.” — JOÃO 13:34.
1. Segundo o argumento do apóstolo Paulo, que espécie de amor expressou Deus ao prover o resgate?
A BASE para a maior dádiva de Deus ao gênero humano foi o amor baseado em princípios, e não a afeição. É isto que o apóstolo Paulo argumenta em Romanos 5:7-10, dizendo: “Pois, dificilmente morrerá alguém por um justo; deveras, por um homem bom, talvez, alguém ainda se atreva a morrer. Mas Deus recomenda a nós o seu próprio amor [agápe], por Cristo ter morrido por nós enquanto éramos ainda pecadores. . . . Pois se nós, quando éramos inimigos [e não amigos], ficamos reconciliados com Deus por intermédio da morte de seu Filho, muito mais agora, que temos ficado reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” Não, não foi afeto que Jeová Deus expressou para com a humanidade imperfeita e pecaminosa, por meio da dádiva de seu Filho. Que qualidades tinham eles para que, por elas, merecessem afeto? Mas, ele exerceu amor, o interesse baseado em princípios, altruísta, no seu bem-estar e em suas necessidades. Proveu a sua suprema necessidade, o meio pelo qual pudessem obter de novo a reconciliação com ele, a Fonte da vida, por meio do sacrifício de resgate do seu Filho.
2, 3. (a) Por que é necessário tal amor baseado em princípios a fim de se cumprir o mandamento de Mateus 24:14, e como é que as testemunhas de Jeová manifestam tal amor? (b) Como é que Jesus diferia dos filantropos modernos?
2 Sermos seguidores cristãos do Filho de Deus exige atualmente o amor dessa espécie. Sem ele, a profecia de Jesus, de que “estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações” antes do fim deste sistema de coisas, jamais seria cumprida. Êle avisou aos portadores destas boas novas que as pessoas “vos entregarão à tribulação e vos matarão, e sereis pessoas odiadas por todas as nações, por causa do meu nome”. — Mat. 24:9, 14.
3 Atualmente, em 194 países e ilhas, as testemunhas de Jeová portam as boas novas do Reino e o fazem por amor altruísta. O que mais poderia fazer que continuassem indo às pessoas em suas cidades, povoados e vilas, usando seu tempo e sua energia, e, todavia, enfrentando em tantas casas a má acolhida ou vexames? Não seguem o método fácil dos filantropos modernos que pavimentam o caminho para um lugar na afeição do povo por meio de dádivas de dinheiro, comida ou serviços que cativam os interesses carnais e humanos das pessoas. Na verdade, em duas ocasiões Cristo Jesus fez realmente que a comida milagrosamente se multiplicasse para o benefício de multidões que tinham vindo de grande distância para ouvi-lo. Mas, não fez um hábito disto e mostrou que não desejava nenhum “cristão por interesse” entre os seus seguidores. Para uma multidão de tais pessoas, disse: “Vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e ficastes satisfeitos. Trabalhai, não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece para a vida eterna, que o Filho do homem vos dará.” Então continuou falando verdades fortes que muitos acharam ‘chocantes’, com o resultado de que “muitos dos seus discípulos foram embora para as coisas deixadas atrás e não andavam mais com ele”. Amavam o pão que perece, mas não a verdade, que “permanece para a vida eterna”. — João 6:25-27, 60, 66.
4, 5. O que mostra que Jesus não se referia ao amor geral ao próximo quando deu seu novo mandamento do amor?
4 Outros de seus discípulos permaneceram com ele até o fim do seu ministério. Na última noite junto com eles, disse: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.” (João 13:34) Como se pode dizer que este era “novo mandamento”?
5 A Lei dada a Israel mediante Moisés, cerca de quinze séculos antes, declarara: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Lev. 19:18, CBC) Embora a história daquela nação mostrasse que fracassaram redondamente em cumprir esta lei, ainda assim ela estivera no seu código de lei durante todos aqueles séculos. Portanto, o simples amor ao próximo não era novo mandamento. Jesus citou esta lei quando respondia a uma pergunta dum perito na lei judaica, que lhe pediu que declarasse o maior mandamento da Lei. Replicou Jesus: ‘Tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua mente, e de toda a tua força: O segundo é este: ‘Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.’ (Mar. 12:29-31) Muito embora aquele pacto da lei com Israel fosse cumprido e retirado do caminho, depois da morte de Jesus e da instituição dum novo pacto, ainda assim os princípios destes dois grandes mandamentos foram levados para a recém-estabelecida congregação cristã. (Rom. 12:1, 2; 13:8-10; Tia. 2:8) Para entender o que significava o novo mandamento dado por Jesus, faremos bem de ver primeiro o que estes mandamentos anteriores requeriam.
A MENTE, O CORAÇÃO, A ALMA E A FORÇA
6. O que requer de nós amarmos a Deus com toda a nossa mente?
6 Como abrange tudo dizer que temos de amar a Jeová de toda a nossa mente, de todo o coração, de toda a alma e de toda a força! (Mar. 12:30; Mat. 22:37) A mente é a sede da inteligência, e amar a Deus de toda a nossa mente certamente exigiria usarmos toda a nossa inteligência para aprender sobre nosso Criador e seus propósitos e princípios, e então, inteligentemente aplicar este conhecimento em todas as coisas da vida, em harmonia com sua vontade. Isto jamais poderia ser feito com um modo de vida ritualístico, fazendo as mesmas cerimônias rotineiras ou a repetição de orações e louvores decorados, coisas que não exigem mais o uso da inteligência do que uma simples criança usaria. Por certo, o Deus Todo-sábio que fez este universo vasto e maravilhoso, com toda a sua grandeza e variedade, jamais poderia aceitar tal expressão tolhida como sendo digna de ser chamada de o verdadeiro amor a ele. O amor a Deus com toda a mente exige ser “transformados por reformardes a vossa mente, a fim de provardes a vós mesmos a boa, e aceitável, e perfeita vontade de Deus”. — Rom. 12:2.
7. Será que bastam, para demonstrar verdadeiro amor a êle, a nossa aceitação mental de nossa obrigação de servir a Deus e nossa obediência nessa base? Por quê?
7 O coração é uma qualidade expressiva, altruísta, sem egoísmo da pessoa, a casa de força da afeição e dos motivos da pessoa, de sua consciência e conduta moral. Amarmos a Deus com todo o coração jamais nos permitirá que prestemos obediência e serviço a ele simplesmente por causa dum sentimento de obrigação ou de necessidade de fazer o que agrada a ele. Uma expressão dividida assim mostraria que a pessoa só estava interessada em uma coisa: em obter benefícios de Deus, muito semelhante ao homem que trabalha para outro com o único interesse no salário que receberá. Aquele que ama a Jeová Deus de todo o coração fará a vontade do seu Criador, não só porque sabe que devia fazê-la e que a sua própria vida depende disso, mas também porque ele deseja fazê-la, anseia fazê-la. Forte afeição de coração o motiva a agradar ao seu Pai celestial. — 1 João 5:3.
8. Como podemos amar a Deus ‘com toda a nossa alma’?
8 Amar a Deus de toda a alma equivale a dizer que deve amá-lo com a sua própria vida como criatura inteligente. Isto por certo elimina ser simples adorador sabático, alguém que ama a Deus um dia por semana, ou alguém que adora a Deus apenas em certas ocasiões durante o ano. A vida e o tempo são inseparáveis para nós; enquanto vivermos, teremos tempo à nossa disposição e, quando morrermos, o tempo se esgotará para nós, pelo menos até a ocasião que nosso Pai celestial ache adequado despertar-nos de novo para a vida pela ressurreição. Se amarmos a Deus com toda a nossa alma, então nossa vida inteira revolverá ao redor de fazer a sua vontade. Não pensaremos que podemos reservar a primeira metade para nós mesmos e darmos a segunda metade, nossa velhice, para ele. — Ecl. 12:1.
9, 10. (a) Será que podemos amar a Jeová Deus com “toda a força” nossa e ainda assim trabalhar para cuidar de nossas necessidades físicas ou das de nossa família? Como? (b) Por que é o genuíno amor a Deus uma expressão tão íntima?
9 Usar toda a nossa força para amar a Deus significará serviço vigoroso prestado a ele, sendo feito esforço real de fazer o que lhe agrada. Ao passo que a força talvez seja empregada devidamente em ganhar a vida, em cuidar da casa, ou até mesmo em divertimento ocasional, todavia, Jeová Deus sempre merecerá a primeira atenção de nossas forças vitais. Escrevendo às pessoas que já dedicaram suas vidas a Deus, disse o apóstolo: “Eu vos suplico, irmãos, pelas compaixões de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e aceitável a Deus, um serviço sagrado com a vossa faculdade de raciocínio.” Não é apenas razoável, visto que Jeová “faz que todas as suas obras cooperem para o bem daqueles que amam a Deus”, que tentemos fazer com que nossas obras cooperem para o seu louvor e para o bem de todos os outros que o amam? — Rom. 12:1; 8:28.
10 O que poderia ser mais íntimo do que este amor que a Bíblia diz que temos de ter a Deus? Podemos considerar a parte que a mente, o coração, a alma e a força desempenham separadamente para expressá-lo, todavia, em realidade, todos devem estar combinados para que seja genuíno. Isso envolve o nosso tudo, não se deixando nada de fora.
AMAR NOSSO PRÓXIMO COMO A NÓS MESMOS
11. De que modos podemos ‘amar nosso próximo como a nós mesmos’?
11 Jesus disse que temos de amar nosso próximo, não ao invés de a nós mesmos, mas como a nós mesmos, fazendo por ele o que gostaríamos que fizesse por nós. Não esperamos, nem desejaríamos, que os outros provessem para nós todas as coisas necessárias sem nenhum esforço de nossa parte. A vida perderia a maior parte do seu interesse se os outros nos dessem tudo de colher. Mas, realmente apreciamos a generosidade, a partilha das coisas boas, não apenas as físicas, as materiais, mas muito mais as coisas que satisfazem nossas necessidades mentais e espirituais, a conversação estimulante, as palavras edificantes de incentivo. Apreciamos a proteção contra o dano, ou avisos, quando estamos despercebidos do perigo, a orientação quando estamos em dúvida, o conselho quando estamos confusos. Mas, também apreciamos quando outros não nos privam de nosso direito de fazermos as nossas próprias decisões finais ou de exercermos nosso próprio juízo em assuntos pessoais, quando temos disponíveis os fatos. Não desejaríamos que os outros interferissem em nossos direitos de propriedade por roubo ou emprego errado das coisas que possuímos, e, ainda mais, não gostaríamos que se metessem egoistamente entre nós e aqueles a quem amamos: o cônjuge, os membros da família ou os amigos. Desejamos todas estas coisas e privilégios para nós mesmos. Também deveríamos desejar que nosso próximo gozasse de coisas similares, e devemos fazer o que pudermos para nos certificar que ele goze. Conforme Jesus o expressou, “isto, de fato, é o que a Lei e os Profetas querem dizer”. — Mat. 7:12.
O NOVO MANDAMENTO
12, 13. (a) O novo mandamento do amor, dado por Jesus, significava expressá-lo de que modo especial? (b) Como foi que Jesus mostrou extraordinário amor durante sua obra missionária na terra?
12 “Visto que, por séculos, a Lei e os Profetas haviam instado este amor ao próximo, no sentido de ter consideração geral para com o seu bem-estar, então, Jesus deve ter tido em mente algo diferente quando disse a seus discípulos que lhes dava “novo mandamento”. O quê? Suas palavras nos dizem: que se amassem uns aos outros, “assim como eu vos amei”. Até mesmo eles não avaliavam plenamente o que isto significava de modo exato, mas logo vieram a saber. — João 13:34.
13 Conforme seus discípulos entenderam mais tarde, Jesus deixara seu lar para estar com eles, sim, deixara seu Pai, seus irmãos, seus associados mais íntimos e seus amigos mais calorosos, e todas as suas possessões e seus privilégios. Estes se achavam todos no domínio celestial, do qual ele viera numa designação missionária, por deixar sua vida espiritual como a “Palavra de Deus” e nascer como criatura humana, num estábulo comum. (João 1:14; Luc. 2:7) Foi realmente mudança drástica, muito maior do que a pessoa experimentaria ao deixar atualmente o país mais progressivo, mais próspero e ir então ao país mais atrasado, mais assolado pela pobreza da terra. Mas, seu amor não terminou ali; isso foi apenas o começo. Embora se tornasse homem perfeito, sem pecados, superior em todos os sentidos aos em redor dele, viveu e trabalhou, comeu, bebeu e dormiu entre pessoas que eram imperfeitas, pecaminosas, doentias e moribundas. Se os primeiros trinta anos de sua vida pudessem ser chamados “normais”, os últimos três anos e meio certamente que não poderiam. Ele amara o seu próximo como a si mesmo durante todos aqueles anos, mas agora ele os amava de forma ímpar. De um canto da Palestina até o outro, ele os ensinara incansavelmente e esgotara suas energias em favor deles e em favor da verdade a respeito dos propósitos de seu Pai. Quando não ensinava ao público, treinava seus discípulos, embora, às vezes, a massa de povo que vinha a ele era tamanha que “não havia nem jeito para se tomar uma refeição”. — Mar. 6:31.
14. O que mostra que Jesus não advogou o modo de vida ascético, muito embora se sacrificasse a si mesmo?
14 Ascetismo? De jeito nenhum. Ele aceitou muitos convites para refeições e até mesmo banquetes, bem como para um casamento pelo menos, e, sem dúvida, se alegrou com isso. Apreciou as boas coisas feitas em seu favor. Quando fazia uma refeição junto com seu amigo Lázaro, a irmã de Lázaro, Maria, usou cerca de Cr$ 90.000 de óleo custoso para ungir os seus pés. Judas expressou indignação e professou amorosa preocupação com os pobres que poderiam ter-se beneficiado pela venda do óleo. Mas, Jesus lhe disse: “Deixai-a, para que ela mantenha esta observância, em vista do dia do meu enterro. Pois vós tendes sempre convosco os pobres, mas a mim nem sempre tereis.” (João 12:1-8) Mas, quer seu amor altruísta, expresso em seu ministério, estimulasse os outros a corresponder com amor, quer não, o próprio amor de Jesus continuava indiminuto.
15. (a) Como foi que Jesus destacou a necessidade do amor para seus discípulos? (b) O novo mandamento exigia que eles amassem a quem, e em que base?
15 Ficamos admirados, então, que na sua noite final junto com seus discípulos êle desse tal destaque ao amor, ao amor genuinamente baseado em princípios? Por mais de trinta vezes ele falou do amor e de amar, e três vezes repetiu a ordem de que “vos ameis uns aos outros”. (João 13:34; 15:12, 17) Como é que poderiam provar-se seus discípulos se não tivessem tal amor? Será que sua ordem foi de que ‘amassem ao seu próximo como a si mesmos’? Eles deviam fazer isso e o fizeram mas este não era o novo mandamento. Eles deviam amar-se uns aos outros, terem amor entre eles próprios quais discípulos cristãos, e um amor como o que Jesus lhes mostrara como discípulos amados, homens que amavam seu Pai, que amavam a verdade, e que o amavam. Ele lhes disse: “Ninguém tem maior amor [agápe] do que este, que alguém entregue a sua alma a favor de seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando.” (João 15:13, 14) Na manhã seguinte, eles entenderam o que ele queria dizer.
16. (a) Como foi que Jesus mostrou superlativo amor pelos seus amigos? (b) Que palavras deviam então ter-se lembrado os seus discípulos?
16 Um deles talvez o tenha visto, mesmo que de certa distância, ao passo que apenas podemos imaginá-lo:suas mãos sendo erguidas, uma sobre a outra, até que o cravo penetrou na carne e a dilacerou, enterrando-se na madeira. O vermelho do seu sangue começando a manchar-lhe as mãos quando outro cravo atravessou-lhe os pés. Então, a estaca sendo movimentada para cima até que todo o seu peso era sustentado por estes dois pontos. Seis horas mais tarde, ele estava morto e foi assim poupado de se lhe quebrarem as pernas de modo brutal. Se nem todos os seus discípulos viram isso, eles logo souberam disso por aqueles que o tinham visto. (João 19:25-27) Será que sentiriam vergonha dele? Será que desejariam negar que haviam seguido este homem, crido nos seus ensinos, crido que ele era o escolhido de Deus para dominar no Seu reino? Pedro, pelo menos, devia ter-se lembrado do que Jesus lhes dissera, depois de reprovar a Pedro por suas objeções sentimentais às predições destas mesmas coisas. “Se alguém quer vir após mim”, disse Jesus, “repudie-se a si mesmo e apanhe a sua estaca de tortura, e siga-me continuamente. Pois, todo aquele que quiser salvar a sua alma, perdê-la-á; mas todo aquele que perder a sua alma por causa de mim e das boas novas, salvá-la-á. . . . Porque todo aquele que ficar envergonhado de mim e das minhas palavras, nesta geração adúltera e pecaminosa, deste o Filho do homem também se envergonhará, quando chegar na glória de seu Pai, com os santos anjos.” — Mar. 8:34-38.
17, 18. (a) Que propósitos amorosos cumpriu Jesus pela sua morte? (b) Em que maravilhosa relação podemos entrar agora, e como?
17 Pela sua morte, Jesus cumpriu seu propósito primário em vir à terra: vindicar o querido nome de seu Pai. (João 17:6; 18:37) Também proveu o resgate para todos da humanidade que o aceitassem e aos quais pudesse dizer: ‘Vós sois meus amigos [porque] fazeis o que vos mando.’ (João 15:14) Obteve o direito de servir qual rei dum novo governo capital, tendo seu trono nos céus, e de servir a favor de seus seguidores como sacerdote de Deus, “não alguém que não se possa compadecer das nossas fraquezas, mas alguém que foi provado em todos os sentidos como nós mesmos, porém sem pecado”. — Heb. 4:15.
18 Quarenta dias depois de sua ressurreição, Jesus retornou de novo para o domínio celeste, mas, jamais se esqueceu desta designação missionária onde serviu durante trinta e três anos e meio. Atualmente, ele domina qual rei para com a terra em seu reino estabelecido, e podemos até mesmo agora usufruir seu amor e sua afeição e a de seu Pai, Jeová Deus, se nos também provarmos seus discípulos. Precisará de amor de nossa parte. — Mat. 25:31-40; João 15:7-10.
19. (a) Que qualidade têm notado as pessoas ao redor do mundo como sendo manifesta entre as testemunhas de Jeová, e por que é incomum? (b) Por que o verdadeiro amor as obriga a levar vidas que muitos não consideram como sendo “normais”?
19 Os fiéis discípulos de Jesus cumpriram o novo mandamento e atualmente a sociedade do Novo Mundo das testemunhas de Jeová se esforça sinceramente de cumpri-lo também. As suas assembléias, nacionais e internacionais, as colocam diante do olho público, bem como sua atividade de casa em casa as tem levado a ter contato com famílias individuais em milhões de lares ao redor do globo. Seu forte amor a Deus, ao próximo, e uns pelos outros, tem sido comentado nos jornais, no rádio e em jornais cinematográficos em muitas nações. As fricções internacionais, as facções nacionais, as diferenças raciais não podem romper seu vínculo de amor. A perseguição e o vitupério não as têm amargurado. (1 Cor. 13:6, 7) Para muitas pessoas, a vida que levam talvez não pareça ser “normal”, ao assistirem regularmente suas reuniões congregacionais três vezes por semana e empregarem grande parte do seu tempo livre nos fins-de-semana e nas noitinhas na obra de instrução bíblica. Mas, as testemunhas de Jeová sabem que o mundo hodierno não é um mundo “normal”, nem são estes tempos “normais”. O cumprimento inequívoco das profecias bíblicas, assinalando este tempo como sendo o mais incomum e significativo da história da terra, provê fatores que o verdadeiro amor não desperceberá. Sim, atualmente, tendo o Armagedom a encarar-nos de frente, temos de ter presente o pensamento sóbrio de que milhões, até mesmo bilhões, de vidas talvez tenham fim rápido e decisivo, colocando os seus possuidores de então além do alcance de qualquer expressão de amor da nossa parte. — Mat. 24:34-42.
20. (a) Com respeito a tal modo de vida “normal”, o que exige de cada um de nós o novo mandamento do amor? (b) Por que é tão vital aprendermos e aperfeiçoarmos o genuíno amor agora?
20 O que dizer de nós como pessoas? Será que individualmente cumpriremos o mandamento: “Que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei”? Estamos nós dispostos a sacrificar o que o mundo chama de vida “normal” para devotar-nos a ajudar nossos irmãos e as pessoas interessadas que mostrem amor pela justiça a fim de ganharem a vida eterna, até mesmo arriscando ou perdendo a nossa vida em seu favor? Todo dia algumas das testemunhas de Jeová estão fazendo exatamente isso, atrás da Cortina de Ferro e em outras partes. Por que não? “Por meio disso chegamos a conhecer o amor, porque esse entregou a sua alma por nós; e nós temos a obrigação de entregar as nossas almas pelos nossos irmãos.” (1 João 3:16) Precisamos aprender a amar verdadeiramente agora e aprender isso tão bem de modo que nas provas futuras, em situações tentadoras, nas decisões difíceis, o amor nos mova a fazer o que é certo e a perseverar. Então, muito embora o mundo talvez tente agir sobre nossas emoções, suscitar sentimento, ou cegar-nos aos princípios e aos verdadeiros interesses vitalícios dos outros, nós veremos claramente qual é a coisa amorosa a fazer. — Tia. 1:12; 1 João 4:17, 18.
21. Estando às portas a nova ordem de Deus, de que perspectivas nos assegura o verdadeiro amor, e o que devemos ser estimulados a fazer?
21 A nova ordem de Deus está às portas e nela os seus súditos terrestres, pelo amor, produzirão consecuções mil vezes mais maravilhosas que qualquer coisa que o egoísmo já tenha feito nesta ordem atual. Farão desta terra não só um paraíso literal, mas também um espiritual, cheio dos frutos do espírito de Deus: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura e autodomínio. Tendo no coração os seus interesses vitalícios, nossa oração é de “que o vosso amor abunde ainda mais e mais com conhecimento exato e pleno discernimento; que vos certifiqueis das coisas mais importantes, para que sejais sem defeito e não façais outros tropeçar, até o dia de Cristo, e estejais cheios de fruto justo, que é por intermédio de Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus”. — Fil. 1:9-11.
-
-
Uma terra rica em bdélioA Sentinela — 1965 | 15 de outubro
-
-
Uma terra rica em bdélio
◆ Talvez saiba o que é o ouro e o ônix, mas sabe o que o bdélio? A terra de Havilá tinha todos os três. (Gên. 2:11, 12) É obviamente precioso, sendo mencionado junto com a pedra ônix e o ouro. Deve ter sido conhecido pelos israelitas, porque Moisés comparou a aparência do maná ao bdélio. (Núm. 11:7) Esta goma aromática era muito apreciada na antiguidade, sendo tida em alta conta tanto pelos judeus como pelos gentios. A goma provinha duma árvore, e, segundo Plínio, era transparente, cerosa, e oleosa, ao toque. Era de fragrância que atingia considerável distância, tendo aroma e sabor como a mirra, embora mais fraco. Quando queimado, o bdélio difunde odor balsâmico. Os antigos o usavam como a mirra — em perfumes, em incenso e na medicina.
-
-
A paciência triunfaA Sentinela — 1965 | 15 de outubro
-
-
A paciência triunfa
Sempre que possível, uma das cinco reuniões regulares que as testemunhas de Jeová realizam em seus Salões do Reino é uma conferência pública que aborda um tema bíblico e de caráter momentoso. Em Birigui, S. P., Brasil, uma Testemunha começou a dirigir um estudo bíblico domiciliar com uma senhora, depois de revisitá-la. Esta senhora logo se dedicou a Jeová Deus. O marido dela, contudo, resistia a todos os empenhos da Testemunha para que também estudasse a Palavra de Deus, a Bíblia. Sempre que convidado a ler os textos bíblicos no estudo realizado em sua casa, ele se recusava a ler, e isto durante cerca de um ano. Por ocasião da visita do representante viajante da Sociedade, conhecido por servo de circuito, o marido da nova irmã foi convidado a assistir à conferência pública da visita e, desse dia em diante, a verdade lhe começou a brotar no coração. No próximo estudo, ele não só aceitou ler os textos bíblicos, mas começou a responder às perguntas feitas no estudo também. Em verdade, conforme disse o apóstolo Paulo em Gálatas 6:9, a paciência triunfa.
-