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Casais de renda dupla — os desafios que enfrentamDespertai! — 1985 | 8 de junho
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de que a esposa se tornou independente demais ou que seu lar já não é tão asseado como antes.
E, quando a mulher percebe mais que o marido, ou consegue um emprego de superior status, o que pode resultar? Afirmava a revista Psychology Today (Psicologia Atual): “Para alguns maridos de pouco êxito cujas esposas são muito bem-sucedidas, o índice de mortes prematuras devidas a doença cardíaca é 11 vezes mais freqüente que o normal.” Informou ainda The Journal of Marriage and the Family (Revista do Casamento e da Família) que, nos casos em que as esposas alcançam ‘maior realização profissional’, “tais casamentos tinham mais probabilidade de acabar em divórcio”.a
As esposas, contudo, precisam às vezes travar sua própria guerra contra o ressentimento. Embora conheçam bem as dificuldades econômicas do marido, talvez ainda assim pensem: ‘Por que tenho eu de trabalhar fora? Não devia ele me sustentar?’ Também, ela talvez se veja afligida pelo que o psicólogo, dr. Martin Cohen, chama de a maior fonte de stress entre as mulheres que trabalham fora — “a culpa de não fazerem o suficiente — de não serem uma esposa e mãe tão boa quanto sua mãe foi”.
Por conseguinte, aceitar as realidades econômicas que obrigam tanto o marido como a esposa a serem provedores, pode ser o seu primeiro desafio. Mas, certamente, não será o último.
“Seu”, “Meu” — De Quem?
Mais de um terço das 86.000 mulheres indagadas numa pesquisa (EUA) o identificaram como sendo o maior problema de seu casamento: o dinheiro! Afirma um artigo de Ladies’ Home Journal (Revista Doméstica das Senhoras): “A questão do dinheiro . . . transforma homens de outra forma sãos em loucos delirantes.” Disse certo marido: “Nosso pior problema era o dinheiro. Apenas a mera falta dele, a sobrepujante falta total dele.” Na verdade, a renda do outro cônjuge poderia amenizar esta pressão, mas, não raro, também cria novos problemas.
Explica Edinho, jovem marido: “Assim que nos casamos, Renata ganhava cerca do mesmo que eu. E, quando passou a ganhar mais do que eu, subconscientemente passei a ter esta sensação de que ‘ela é melhor do que eu’.” O segundo salário também parece inclinar mais a favor da esposa o “equilíbrio de poder”. Talvez ela, compreensivelmente, ache-se com mais direito de dizer como o dinheiro deva ser gasto.
Os homens, porém, refutam em compartilhar este controle. “Ele me fazia dizer, todo dia, quanto dinheiro eu precisava para aquele dia”, lembra uma esposa. “E eu realmente odiava isso.” Um marido inepto com o dinheiro, ou que, pior ainda, desperdiça seus recursos, acirra este ressentimento. Queixou-se uma senhora tanzaniana: “Ele gasta dinheiro com bebidas, e não conosco ou com os filhos. Compartilhamos o trabalho, ou fazemos a maior parte, mas ele pega todo o dinheiro, dizendo-nos que é dele — que ele o ganhou.”
Chegar a um arranjo que satisfaça a ambos os cônjuges, porém, nem sempre é fácil. Edinho e Renata, por exemplo, concordaram em depositar seus salários numa conta conjunta. “Mas quando se tratava de gastá-lo”, relembra Edinho, “os olhos dela eram mais ‘gordos’ que os meus. Quanto mais ela ganhava, mais gastava.” E algumas esposas replicariam que são os maridos que têm olhos ‘gordos’.
Refrigeradores Vazios e Meias Sujas
“Compartilhar deveres.” Soava maravilhoso, em teoria. Pensava-se que, quando as esposas trabalhassem fora, os maridos naturalmente fariam sua parte das tarefas domésticas.b Talvez as mulheres poderiam, por fim, dar-se ao luxo de descontrair-se depois de um dia de trabalho! Mas, vejam só, “compartilhar deveres” provou-se até agora, em muitos casos, simples teoria!
Oh, os homens afirmam que estão dispostos a ajudar. Em certa pesquisa, 53 por cento dos homens indagados não expressaram objeção alguma a usar um aspirador de pó. Mas, quantos realmente o fizeram? Vinte e sete por cento. Sua falta de ação valeu mais do que suas palavras.
Pesquisadores no Canadá verificaram similarmente que “nas famílias em que as mulheres têm emprego de tempo integral, as mulheres ainda devotam aproximadamente três vezes mais tempo às tarefas domésticas e aos cuidados dos filhos” que os maridos. (O grifo é nosso.) Nem o quadro difere muito na Europa ou nas nações em desenvolvimento. Esposas que trabalham fora ficam assim sobrecarregadas com o que equivale a dois empregos de tempo integral. Não é de admirar, então, que os autores de Mothers Who Work (Mães Que Trabalham Fora) digam: “A questão mais crucial da vida das mães que trabalham fora é o tempo.”
As manhãs e as noitinhas podem ser interlúdios frenéticos para a esposa que trabalha fora: despertar e vestir as crianças, preparar o café da manhã, aprontar as crianças correndo para a escola, dirigir-se ao trabalho — somente para voltar para casa e encontrar crianças famintas e um marido faminto que se refastelou em sua poltrona favorita. Os pesquisadores chamam a isto de “tensão do papel”. Ela o chama de simples exaustão. Diz certa senhora: “Minha vida é como um castelo de cartas, montado com cuidado. Basta algo sair errado e tudo se desmorona.” E, quanto maior a família, maior é a tensão que a esposa que trabalha fora provavelmente sinta.
‘Alguma coisa tem de sofrer!’, a mulher talvez sinta vontade de gritar. E, amiúde, o que sofre é a qualidade de seus deveres domésticos. Lembra-se uma esposa: “Chegamos a um ponto em nossa casa em que jamais havia suficiente comida no refrigerador ou ninguém conseguia achar meias limpas. Meu marido estava ficando irado comigo, mas, por fim, pus as mãos na cabeça, sentei-me e comecei a chorar.”
Até o próprio casamento pode sofrer. Disse outra esposa que trabalhava fora: “Eu e meu marido achamos que nosso relacionamento sofre, não por falta de amor ou de desejo, mas simplesmente porque, uma vez satisfeitas as exigências do trabalho e dos filhos, sobra muito pouca energia para dedicarmos um ao outro.” Assim, qual é a solução? Qual é a chave para o êxito dos casais que trabalham fora?
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Casais que trabalham fora — a chave do êxitoDespertai! — 1985 | 8 de junho
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Casais que trabalham fora — a chave do êxito
NÃO resta dúvida de que, quando os casais possuem renda dupla, isso pode produzir stress e tensão. Por conseguinte, sábios são os casais que avaliam bem o custo — em sentido financeiro, emocional e espiritual — quando ambos os cônjuges trabalham fora. (Veja Lucas 14:28.) Todavia, quando as circunstâncias determinarem que a família tenha dois provedores, os problemas que seguem não são intransponíveis. Muitos casais estão transpondo-os com êxito. Qual é a chave do seu êxito? Não raro, é seguir os princípios da Bíblia.
O conselho da Bíblia nunca fica fora de moda. Pode até ajudá-lo a enfrentar melhor os apertos econômicos da atualidade. A Bíblia explicou há muito que “nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de manejar”. (2 Timóteo 3:1-5) Compreender isto pode impedir que um homem se sinta um fracasso quando tem dificuldades de equilibrar seu orçamento familiar.
E, se a família realmente precisar de duas rendas, a Bíblia não condena o trabalho da esposa. Deveras, mostra que a mulher foi criada para ser “ajudadora” do homem. (Gênesis 2:18) Assim, quando a esposa ajuda por ter a renda necessária, o marido não precisa sentir-se ameaçado por isto. Pelo contrário, deve sentir-se desejoso de elogiá-la pelos seus esforços, como fez o marido da “esposa capaz”. (Provérbios 31:10, 28) Quais, porém, são alguns dos problemas específicos confrontados pelos casais que trabalham fora, tais como o manejo das finanças?
Problemas Financeiros
‘Não é justo’, queixou-se certo marido. ‘Meu dinheiro é dinheiro da família. O dinheiro dela é só dela.’ Parece-lhe familiar? Observa a escritora Susan Washburn: “Conflitos por causa de questões monetárias são com freqüência meios de expressar outras tensões nos relacionamentos.”
A título de exemplo, muitos casais passam horas discutindo que dinheiro é “seu”, “meu” ou “nosso”. O problema, nesse caso, contudo, não é um orçamento mal feito, mas um conceito egoísta do casamento. Deus declarou que os casais deviam agir como “uma só carne”. (Gênesis 2:24) Quando se obedece a este princípio, realmente importa que fundos são “seus”, e quais são “meus”? Deveras, Paulo indicou que maridos e esposas amorosos só ficariam ‘ansiosos’ quanto a obter a aprovação um do outro! — 1 Coríntios 7:33, 34.
Outro problema matrimonial que talvez se manifeste sob a forma de “briga por dinheiro” é a falta de comunicação. Uma esposa queixou-se: “Agíamos de forma independente um do outro. Simplesmente nunca conversávamos sobre o que gastáramos até que chegassem as contas. Daí, não conversávamos, mas brigávamos.” Considere mais uma vez, porém, o princípio bíblico de serem ambos “uma só carne”. Não incluiria isto também a comunicação? (Gênesis 2:24) A Bíblia nos declara mais que o “amor . . . não procura os seus próprios interesses”. — 1 Coríntios 13:4, 5.
Quando os casais pautam-se por tais princípios, não raro ampla gama de arranjos financeiros funcionam eficazmente. Depois de se sentarem e conversarem sobre os assuntos, alguns casais decidem que cada cônjuge deve dispor de certa quantia, e ser responsável pelo pagamento de certas contas. Ou, talvez experimentem o método deste casal: “Juntamos nosso dinheiro, e a minha esposa age como real guarda-livros e paga as contas.” O êxito de qualquer esquema assim, porém, depende não tanto de como é formulado, mas da qualidade do casamento do casal.
Todavia, o livro Working Couples (Casais Que Trabalham Fora) avisa sobre outro risco em potencial: “O problema, no caso de muitos casais que trabalham fora, é que começam a julgar-se ricos. Especialmente quando uma segunda renda é algo novo para eles, parece ser uma panacéia para todos os seus problemas financeiros.” Os casais de renda dupla precisam, portanto, ter bem presente por que ambos trabalham fora. Não devia ser para sustentar a família? (1 Timóteo 5:8) A Bíblia acautela os cristãos quanto ao “amor ao dinheiro”, e incentiva-os a ter modestas expectativas materiais. (1 Timóteo 6:7-10) Gastos excessivos tenderão menos a ser um pomo de discórdia quando os casais não são afligidos pela ostentação material e pelo “desejo dos olhos”. — 1 João 2:16.
Quem Lavará a Louça?
“Quem é que nota que a sala de visitas está limpa?”, perguntam os psicólogos Marjorie e Morton Shaevitz. “Ninguém. Quem é que nota que a sala de visitas está uma bagunça? Todo mundo!” Sim, o trabalho doméstico é indispensável e inevitável — mas, às vezes, não se demonstra apreço por ele. Quem é que vai executá-lo, portanto, pode ser uma questão sensível.
Por via de regra, a esposa acaba ficando com a parte do leão do trabalho doméstico. Que fazer, porém, se ela começar a ficar ressentida com isso?a Ela poderia dirigir-se ao marido, e, com jeito, dizer-lhe, como fez certa senhora: “Meu bem, temos um pequeno problema aqui.” Amiúde os homens simplesmente não sabem o que está envolvido
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