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Por que ocorrem falências de bancosDespertai! — 1986 | 22 de outubro
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média de 8%. Caso o depositante ponha US$ 100 em sua conta, o banco poderá emprestar US$ 92 desse total. O tomador do empréstimo, quer gaste o dinheiro, quer o deposite em outra conta bancária, gerará US$ 92 em novos depósitos. Deste depósito, US$ 84,64 podem ser emprestados, enquanto se retém US$ 7,36 em reservas. Este processo piramidal continua, de modo que, com uma exigência de 8% de reservas requeridas, um depósito de US$ 100 pode gerar novo dinheiro que totaliza US$ 1.200.”
Os bancos em geral efetuam empréstimos no limite máximo permitido. Mas caso se espalhe um rumor de que tal banco está em dificuldades, os depositantes podem perder essa confiança no banco e fazer uma corrida ao banco. O banco não conseguirá pagar a todos os depositantes e poderá falir — a menos que seja socorrido pelo Governo, ou haja uma fusão dele com um banco mais sólido. Até mesmo bancos financeiramente sólidos já soçobraram desse modo.
Outros Motivos de Falência
Não raro, são os próprios empréstimos que colocam um banco em dificuldades, em especial quando feitos a longo prazo, com baixas taxas de juros. Em geral, não existe problema algum quando a economia permanece estável e as taxas que o banco paga para captar dinheiro de depositantes ou de outras fontes são inferiores aos juros dos empréstimos. Mas, quando as taxas de captação de dinheiro sobem, como ocorreu em tempos recentes, o banco fica numa situação de ter de pagar mais do que está captando.
A situação é ainda pior quando aqueles que tomaram empréstimos não conseguem pagá-los. Esta é a situação atual de muitos fazendeiros nos Estados Unidos. Tal insolvência está fazendo com que muitos bancos regionais menores entrem em falência. “Exatamente a metade dos bancos, na lista de falências de 1985, eram designados como bancos agrícolas, isto é, pelo menos 25% de seus empréstimos estavam relacionados com a agricultura”, afirma o jornal financeiro American Banker.
Outros motivos das falências de bancos são as patentes fraudes e apropriações indébitas. A era das transferências eletrônicas de fundos tornou possível tamanho roubo de fundos que faz com que os antigos assaltos a bancos pareçam insignificantes. “A economia americana sofre uma perda anual de mais de 500 milhões de dólares por este processo”, declara o diário de Paris Le Figaro. “Na Europa, os grandes bancos são muito mais discretos quanto a somas, não desejando revelar seus problemas. Todavia, admitem sofrer maiores perdas, devido às fraudes por computador, do que por assaltos à mão armada e por roubos comuns. As fraudes por computador tornaram-se o flagelo de nossa economia moderna. . . . Assim que os peritos em computador descobrem contramedidas, novos furos vêm a lume, os quais são rapidamente explorados por certos indivíduos, em proveito próprio.”
Como acontece em todo negócio, a má administração e péssimas práticas comerciais podem também provocar falências. Com efeito, diz-se que o mau gerenciamento desempenha um papel crucial na maioria das falências bancárias. Poderia acontecer que os diretores do banco fizeram empréstimos não-garantidos a seus amigos ou parentes. Ou, talvez, ampliaram-se demasiado em épocas de maior prosperidade. Ou a ganância e o esforço de acertar em cheio e tornar-se ricos rapidamente promoveram alguns investimentos insensatos.
Em alguns casos, a feroz competição leva os bancos a assumir riscos extraordinários. Alguns se tornam vítimas de suas próprias políticas de empréstimos que são agressivas demais. Necessitando encobrir problemas, melhorar suas reservas e seu fluxo de caixa, alguns bancos procuram atrair depositantes por oferecerem elevadíssimas taxas de juros, ou até mesmo fazem investimentos adicionais em empreendimentos arriscados.
Os seguros governamentais dos depósitos (onde existem) — garantindo que, não importa o que aconteça, os depositantes receberão seu dinheiro — também induziram alguns bancos a desprezar todas as precauções. Mas o futuro é imprevisível. Alguns bancos, que fizeram investimentos em petróleo e em outros campos de energia, quando estes prosperavam e os preços estavam altos, por exemplo, vieram a falir quando os preços desabaram ou tais empreendimentos fracassaram. Ou, se o dinheiro sofre desinflação, pode causar desastre para os que esperavam pagar, com moeda inflacionada, o dinheiro que tomaram emprestado.
Estes problemas que levaram às falências bancárias não se limitam aos pequenos bancos. Algumas das maiores instituições financeiras do mundo também estão em graves apertos. Muitas têm milhões, até mesmo bilhões, de dólares emprestados a países do Terceiro Mundo que não podem agora pagar nem os juros, quanto mais o principal. O surto de falências bancárias nos anos recentes tem suscitado perguntas, em todo o mundo. Será que nossa confiança é injustificada? Exatamente quão seguros são os bancos?
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Quão seguros são os bancos?Despertai! — 1986 | 22 de outubro
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Quão seguros são os bancos?
“Em nossa opinião, é apenas uma questão de tempo — um tempo relativamente curto — até haver uma corrida geral aos bancos e ocorrer o virtual fechamento de todos os bancos.” — When Your Bank Fails, de Dennis Turner.
“O sistema bancário é inteiramente seguro. Dispomos dos mecanismos para cuidar de quaisquer problemas, grandes ou pequenos, que possam surgir.” — William Isaac, ex-presidente da Seguradora Federal de Depósitos, dos EUA, citado na revista U.S.News & World Report.
POUCAS pessoas ainda guardam dinheiro debaixo do colchão. Além do perigo de perda, devido a incêndio ou roubo, o dinheiro assim guardado fica parado. Não rende, e, com toda probabilidade, diminuirá de valor, devido à inflação ou à desvalorização da moeda.
Para que uma pessoa aumente sua poupança, o dinheiro tem de ser utilizado. O meio mais amplamente aceito e usado — tanto por uma questão de segurança como para se obter lucro — são os bancos. Mas, quão seguros são? Conforme demonstrado pelas citações anteriores, existem conceitos amplamente divergentes.
Existem Motivos de Sobressalto?
“O inteiro sistema bancário mundial está muitíssimo interligado”, aponta David Rockefeller, presidente aposentado do Chase Manhattan Bank. “Necessariamente, os bancos fazem muitos negócios entre si, assim, existe tremenda interdependência.” Em resultado disso, nenhum banco ou nação realmente age por si só. De maneira que, quando há a falência dum banco, surge a preocupação de que possa arrastar outros bancos junto com ele, ou reduzir a confiança tão essencial à indústria bancária. Existe então a possibilidade de que os depositantes em outros locais corram para retirar seus fundos e, desta forma, provoquem o colapso de outros bancos, mediante um incontrolável efeito de dominó.
Existe a possibilidade de que um colapso bancário em alguma parte possa derrocar o sistema bancário internacional? “Os reguladores nos EUA e em outros países por certo dariam passos firmes para impedir qualquer grande falência que parecesse iminente”, diz Rockefeller. “Acho muitíssimo improvável que isto aconteça.”
Até agora, embora tenha havido alguns problemas e falências graves ao redor do mundo, nos anos recentes, os Governos têm agido para resgatar as instituições financeiras com problemas. “Os ministros das finanças e os banqueiros sentem-se mais do que nunca perseguidos pelo espectro de 1929, e farão tudo que puderem para evitar a repetição da catástrofe financeira que aconteceu há cinqüenta anos — tendo a esperança mais ou menos consciente de evitar seu resultado aparentemente inevitável, a guerra mundial”, explica L’Express, um semanário francês. Ainda assim, existem motivos de preocupação.
O Problema da Dívida
Os bancos são, inerentemente, um negócio arriscado. Lidam com amplas somas que, na maior parte, não lhes pertence. Adicionalmente, criam dinheiro e fazem empréstimos muito superiores a seu ativo. Embora possam tomar precauções adequadas, os bancos sabem que alguns empréstimos não serão pagos. Assim, põem de lado certa quantia como reservas, para cobrir dívidas não pagas. Mas, caso um número incomum de empréstimos não seja pago, tais reservas não serão suficientes para cobrir as grandes perdas com empréstimos, ou uma corrida ao banco. “Quanto maior a liquidez em risco, devido a empréstimos não saldados, tanto mais debilitado financeiramente se torna o banco”, declara a revista New York. “A falência (ou bancarrota) ocorre quando esvai-se toda a liquidez do banco.”
É cada vez maior o número de bancos, hoje em dia, que se encontram justamente em tal situação — são demasiados os empréstimos não saldados, e inexiste capital suficiente para bancá-los. Os motivos dados são abundantes: a crise do petróleo, as restrições e os déficits da balança comercial, as reviravoltas da economia, as taxas instáveis de juros, a fuga de capitais, a inflação, a desinflação, as recessões, as políticas muito agressivas de empréstimos, as falências empresariais, a feroz competição, a desregulamentação — até mesmo a ignorância e insensatez.
Mas existem meios de sobreviver — no papel. O reescalonamento dos empréstimos, a extensão da dívida por um prazo mais longo, é um dos meios utilizados vez após vez. Outro é alistar os empréstimos por seu pleno valor, embora haja pouca esperança de que o principal seja pago na inteireza. Uma tática muitas vezes utilizada é emprestar mais aos devedores, de modo que possam pagar os juros.
Todos estes métodos estão sendo correntemente utilizados pelos bancos com relação à dívida do Terceiro Mundo, que muitos consideram ser a maior ameaça à estabilidade do sistema bancário internacional. De acordo com uma pesquisa feita pelo Banco Mundial, a dívida externa de mais de cem nações em desenvolvimento atingiu um total geral de mais de US$ 950 bilhões em fins de 1985, um aumento de 4,6 por cento do ano anterior. Embora já seja grande demais, espera-se que atinja US$ 1,01 trilhão em fins de 1986. Por quê? Porque muitas de tais nações simplesmente não podem pagar o que devem e estão fazendo pressão para conseguir mais tempo e recursos. Levando-se em conta a enormidade de seus empréstimos,
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