Anuário das Testemunhas de Jeová
Jamaica e as ilhas Caimã (continuação)
[Seriado com base no Yearbook de 1985.]
Calamidade Provocada por Repentina Inundação
O amor que une o povo de Deus numa fraternidade mundial foi realçado em junho de 1979, quando uma repentina e incomum inundação provocou uma calamidade na ponta oeste da ilha. A enxurrada arrastou casas e pontes, afogou animais em alguns sítios e destruiu colheitas. Trinta pessoas perderam a vida ao serem engolfadas repentinamente, no meio da noite, pelas águas torrenciais.
Ao ficar sabendo da calamidade, o irmão Louis Rochester, ancião e superintendente de cidade, que residia a 110 quilômetros de distância, agiu prontamente. Tomou emprestado algum dinheiro, adquiriu gêneros alimentícios, carregou-os numa caminhonete e dirigiu-se para a área da calamidade a fim de prover socorros aos irmãos atingidos. Com muitas estradas intransitáveis, a viagem tinha de ser feita por caminhos indiretos que compreendiam cerca de 300 quilômetros. Mas o irmão Rochester conseguiu chegar, e quão gratos os irmãos ficaram por seus esforços amorosos.
Ao voltar para casa, o irmão Rochester encontrou 40 caixas à sua espera. Estas continham roupas doadas, enviadas pela filial. Assim, acompanhado da esposa, fez uma segunda viagem e supriu seus irmãos agradecidos com roupa necessária. Um grupo de irmãos ficou ilhado por causa dum lago criado pela enxurrada, e os suprimentos tiveram de ser levados a eles de barco.
Perigosa Viagem dum Superintendente de Circuito
Edgar Patterson, superintendente de circuito, servia uma congregação a muitos quilômetros de Savanna-la-Mar, cidade situada na área da calamidade. Ao tomar conhecimento da calamidade, ele ajuntou suprimentos de alimentos cedidos por irmãos generosos, carregou seu carro e, acompanhado da esposa, partiu para Savanna-la-Mar. Chegou até a cidade litorânea de Whitehouse, a 30 quilômetros, mas não pôde dirigir além disso por causa das estradas alagadas. De modo que alugou um pequeno barco a remo e seguiu pelo mar o restante da viagem. Era uma viagem difícil através de ondas turbulentas. Temendo que o barco emborcasse a qualquer momento, a irmã Patterson persistia em entoar cânticos do Reino e em orar, no íntimo, por uma viagem segura. Mas, o barqueiro era bom remador, e finalmente chegaram em segurança a Savanna-laMar e distribuíram os alimentos aos irmãos e às pessoas interessadas, que se mostraram muitíssimo apreciativos.
Preservados em Meio a Violência Política
Em 1980, a Jamaica realizou sua quinta eleição geral desde que se tornara independente da Grã-Bretanha em 1962. Essa eleição foi precedida pela campanha eleitoral mais violenta que o pais já tivera. Centenas de pessoas perderam a vida, e a pregação do Reino de Deus em certas áreas tornou-se bastante perigosa, visto que os tiroteios assolavam, dia e noite. A neutralidade das Testemunhas de Jeová serviu-lhes de proteção, e nenhuma Testemunha perdeu a vida. A seguinte experiência mostra como Jeová protegeu os do seu povo que moravam e pregavam nas áreas de maior propensão à violência.
Certo ancião estava fazendo uma revisita quando irrompeu um tiroteio na mesma rua. Ele relatou: “No fim da visita, tentei sair rapidamente da área. No caminho, um grupo de homens abordou-me e disse: ‘Você parece um policial!’ [Muitos policiais eram mortos naquele período.] Identifiquei-me prontamente como Testemunha de Jeová, usando as publicações que tinha e alguns tratados. Isso os satisfez e salvou a minha vida. Dei a cada um deles um tratado e prossegui.”
A caminho da reunião, certa irmã foi interceptada e revistada por um grupo de homens, que lhe tiraram os livros e o dinheiro. Ela disse aos homens: “Estou indo para o Salão do Reino, e preciso dos livros que vocês tiraram, e o dinheiro é a minha contribuição.” Eles devolveram tudo a ela!
“Cautelosos Como as Serpentes”
As instruções de Jesus aos seus discípulos de serem “cautelosos como as serpentes, contudo, inocentes como as pombas” tinham de ser aplicadas pelas Testemunhas que moravam naquelas áreas agitadas. (Mateus 10:16) Alguns tinham de mudar periodicamente o trajeto para as reuniões congregacionais. Freqüentemente, os irmãos tinham de dar meia-volta e tentar um caminho diferente. O esforço físico que muitos precisavam fazer para chegar ao local de reunião esgotou a energia de alguns, mas sua atitude é resumida nas palavras dum pioneiro que disse: “Jamais perdi uma reunião durante todo este tempo de violência.” Outro publicador disse: “As experiências do Anuário daquilo que os irmãos em outros países haviam sofrido certamente me ajudaram.”
Precisou-se fazer ajustes nos horários de serviço de campo nas áreas atingidas pela violência. Se havia considerável tiroteio em determinada área, o serviço de campo era suspenso por alguns dias até que as coisas acalmassem. Os anciãos tomavam a dianteira em trabalhar com os irmãos. Para que fossem facilmente identificados, os irmãos levavam exemplares das revistas Sentinela e Despertai! nas mãos. Providenciava-se para que o grupo todo se reunisse em local e horário específicos, após o serviço de campo, a fim de se conferir a presença de todos, antes de regressarem do campo.
Respeitada a Posição Neutra
A posição neutra das Testemunhas de Jeová quanto às atividades políticas era respeitada pela maioria das pessoas. Por exemplo, numa área o centro de estudo de livro foi atacado com pedras e outros projéteis. No meio do ataque, as Testemunhas que moravam na casa trouxeram para fora as revistas Sentinela e Despertai! e seguraram-nas no alto enquanto gritavam repetidas vezes: “Não estamos envolvidos na política!” Imediatamente cessou o ataque. Para impedir qualquer reincidência, os irmãos escreveram “Jeová É Nossa Salvação” na parede da casa, e colaram capas de várias revistas Despertai! e Sentinela nas vidraças. Algum tempo depois, os atacantes voltaram à área. Destruíram muitas casas com pedras, bombas de fabricação caseira e outros projéteis, mas a casa que servia qual centro de estudo de livro foi deixada intacta.
Noutra ocasião, enquanto um grupo de irmãos, devido à violência política, se mudava da área em que moravam, 14 homens armados pararam o caminhão que continha seus pertences e perguntaram ao motorista: “Quem você leva a bordo — trabalhistas ou socialistas? (Essas eram as duas facções que lutavam mutuamente.) Os irmãos responderam: “Somos Testemunhas de Jeová.” Alguns dos homens armados subiram no caminhão e fizeram uma verificação. Abriram a maleta de um irmão e viram sua Bíblia, as revistas Sentinela e Despertai! e outras publicações da Torre de Vigia. Isso, junto com a explicação das Testemunhas de que eram neutras quanto à política, devido à sua fé e confiança no Reino de Jeová, mediante Jesus Cristo, contentou os homens. “Muito bem, todos vocês podem prosseguir”, disseram os homens armados. Os irmãos fizeram exatamente isso, com expressões de agradecimento a Jeová.
No dia da eleição, um ancião e sua esposa foram levados a força a uma cabina de votação e ameaçados de violência se não votassem. Mantiveram sua neutralidade apesar de serem agredidos fisicamente. Subseqüentemente tiveram de abandonar sua casa, mas irmãos amorosos os acolheram, e ainda estão felizes e ativos no serviço de Jeová. Outros foram ameaçados por causa de sua neutralidade, mas Jeová forneceu proteção ao seu povo e nenhum sofreu ferimento grave.
Retorna Certa Medida de Calma
Desde então, retornou certa medida de calma ao país. Embora a pregação do Reino por toda a ilha jamais parasse, a taxa de aumento tem diminuído em comparação com aquela de meados da década de 40 até princípios da década de 60. Um motivo para isso é que muitos publicadores têm emigrado para os Estados Unidos, o Canadá e a Grã-Bretanha, não raro devido às péssimas condições econômicas na Jamaica.
Progresso Apesar da Migração
Não obstante, atingiu-se um novo auge de publicadores em abril de 1984, quando 7.517 participaram na pregação. Naquele mesmo mês foram relatados 6.564 estudos bíblicos domiciliares. O compêndio para o estudo da Bíblia intitulado Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra tem contribuído para o tremendo aumento em estudos bíblicos. Desde seu lançamento, foram distribuídos mais de 40.000 exemplares, e tem tido um grande impacto na pregação. Um colunista de jornal ajudou a anunciar este livro. Escreveu tecendo elogios a ele e disse entre outras coisas: “As Testemunhas merecem ser ouvidas. Se não quiser convidá-las a entrar, então não deixe de adquirir Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra.”
Sim, os que permaneceram continuam a pregar as boas novas do Reino zelosamente a fim de reunir os muitos semelhantes a ovelhas que moram nesta bela ilha. Que muitos mais ainda hão de ser ajuntados é indicado pela grande assistência — 23.270 — à Refeição Noturna do Senhor em 1984. Sim, ainda há algumas pessoas que tomarão posição positiva a favor do Reino, conforme é ilustrado pela seguinte experiência.
Certo homem rejeitou muitos convites para ir ao Salão do Reino, embora visitasse outros grupos religiosos. Mais tarde obteve uma das revistas da Sociedade que considerava a questão da transfusão de sangue, e ficou favoravelmente impressionado. Agora queria visitar o Salão do Reino. Apreciou o discurso bíblico que destacava o propósito de Deus para o homem. A amabilidade das Testemunhas também o impressionou. Isso o moveu a achar e ler cada livro e revista que obtivera das Testemunhas de Jeová no passado. Logo aceitou um estudo bíblico domiciliar, e agora ele e dois membros de sua família são servos dedicados de Jeová.
As mais de 7.000 Testemunhas neste pais esperam que, assim como esta família, muitos mais sejam induzidos a buscar primeiro o Reino, e assim tenham o privilégio de ajudar a tornar esta terra um paraíso de beleza que excederá em muito àquela que granjeou para a Jamaica o nome de Ilha Paraíso.
Mas, a história da pregação na Jamaica seria incompleta sem um relato sobre as ilhas Caimã — pequeno arquipélago de três ilhas coralíneas que ficam a cerca de 320 quilômetros a noroeste da Jamaica e que ainda estão sob domínio britânico.
[Continua no próximo número.]