Fornecimento de energia em abundância
HÁ GRANDE demanda de energia. Toda a vida no universo depende disso. Sem energia, não haveria alimentos para comermos, água para bebermos nem ar para respirarmos.
Nos anos recentes, as pessoas se preocupam com o fornecimento de energia disponível ao homem. Cortes de energia elétrica, blecautes parciais, preços crescentes dos combustíveis para aquecimento e longas filas nos postos de gasolina tornaram a expressão “crise de energia” uma expressão caseira. Isto poderia levar alguns a crer que as reservas de energia da terra se tornam perigosamente baixas. Será esse realmente o caso? De forma alguma. Com efeito, a terra dispõe de reservas abundantes, virtualmente ilimitadas de energia. Como assim?
O Sol — Energia Ilimitada
O sol é a principal fonte de energia para a terra. Cada ano, esta fornalha imensa, nuclear, banha a terra com a energia equivalente à contida em 250 trilhões de toneladas de carvão, cerca de 100.000 toneladas para cada pessoa na terra. Num só dia, suficiente energia solar brilha somente sobre o Lago Erie para satisfazer as necessidades (se pudesse ser plenamente utilizada): da inteira população estadunidense por um ano inteiro. De onde obtém o sol esta energia? O cientista Ralph E. Lapp explica:
“O sol é enorme máquina nuclear. É movida pela fusão de íons de hidrogênio leve (H1) para formar os átomos mais pesados de hélio (He4). . . . A energia liberada se torna calor. A cada minuto, cerca de 40 bilhões de toneladas de átomos de hidrogênio se fundem, no sol.”
O sol também é indiretamente responsável por muitas outras formas de energia. Os raios solares fazem com que o ar tropical se aqueça e suba, ao passo que o ar mais frio que vem das regiões polares flui para substituí-lo. Isto cria ventos que podem ser usados para mover barcos a vela, moer cereais, ou até mesmo para gerar eletricidade através de geradores movidos por moinhos de vento. O carvão é o resto fossilizado das plantas que estocaram energia solar em suas células há muito tempo atrás. Similarmente, a energia química do petróleo é a luz e a energia radiante do sol estocada nas células de coisas vivas no passado.
Energia Solar Para o Mundo Moderno
Os esforços, nos tempos modernos, de fazer maior uso da energia solar têm sido interessantes. Há, pelo menos, vinte casas nos EUA que utilizam a energia solar para reduzir os custos de aquecimento. Uma casa experimental em Newark, Nova Jersey, deriva do sol 80% de suas necessidades elétricas, de aquecimento e de ar condicionado.
Dois pesquisadores da energia solar dos EUA, o Dr. e a Sra. Aiden Meinel, sugeriram que se espalhasse coletores da luz solar por amplas áreas. Afirmam que tais “fazendas solares” que abrangeriam uma área total de quase 39.000 quilômetros quadrados na parte sudoeste dos EUA poderiam alcançar uma capacidade de geração de energia elétrica de um milhão de megawatts,a suficiente para prover as necessidades de eletricidade de todo o país desde agora até o ano 2000.
Alguns sugeriram lançar-se em órbita enorme coletor de energia solar. Tal satélite conteria “células solares” que converteriam a luz solar diretamente em eletricidade. Transmitiria isto para uma antena receptora na terra, como microondas que seriam reconvertidas em eletricidade. E um satélite não seria estorvado pelo tempo inclemente.
A dádiva generosa do sol, por parte de Deus, tornou disponível para a humanidade o fornecimento virtualmente ilimitado de energia. Natural é que inventar os meios de ‘ligarmos a tomada no sol’ para obter as maciças demandas energéticas da atualidade apresenta alguns complicados problemas tecnológicos, políticos e econômicos.
Mas, será que o atual consumo maciço de energia realmente opera para a felicidade do homem? Será que a fácil acessibilidade aos aparelhos materiais em cidades apinhadas, carregadas de nevoeiro fumacento, resulta num senso de bem-estar maior do que na sociedade daqueles tempos que não voltam mais?
Alguns concluíram que prefeririam uma forma diferente de vida. Apreciam a energia sem poluição que vem de seu próprio gerador movido pelo vento. Esta fonte de energia era comum nas fazendas do passado. Mas, recentemente, tanto os indivíduos como o governo dos Estados Unidos estão encarando os moinhos de vento sob outro aspecto. Com um pouquinho de dificuldade apenas, uma família pode, pelo menos, bombear água e fornecer luz para sua casa desta maneira.
Energia da Água em Movimento
Por milhares de anos, o homem tirou proveito da energia da água corrente como fonte energética. A primeira usina para gerar eletricidade pela energia da água surgiu em Appleton, Wisconsin, em 1882. As hidrelétricas agora utilizam a energia das águas correntes para produzir perto de um terço da eletricidade do mundo.
Os oceanos, que cobrem mais de 70 por cento de nosso globo, detêm amplo potencial de fornecimento energético. O fluxo e refluxo das marés mantêm incontáveis bilhões de litros de água em movimento cada dia. Em 1961-1967, construiu-se na parte setentrional de França uma grande hidrelétrica que usa a energia das marés. Uma represa equipada de turbinas reversíveis permite a produção de eletricidade pelas marés que fluem em ambas as direções. Em 1969, uma usina de força das marés ficou pronta na União Soviética. Há cerca de cem locais do mundo que poderiam, à base do atual conhecimento do homem, ser utilizados para fornecer energia elétrica das marés.
Energia Embaixo da Crosta Terrestre
Outra fonte potente de energia acha-se dentro da própria terra. A menos de 65 quilômetros abaixo de sua superfície há uma camada de rocha fundida e gás, chamada “magma”. Esta massa em ebulição talvez atinja temperaturas até de 1.815 graus centígrados. Os gases da magma que se esfria aquecem a água do subsolo, provocando a erupção de géiseres de água quente e vapor, às vezes a dezenas de metros no ar.
Durante décadas, algumas casas e estufas captaram estes recursos energéticos “geotérmicos” para obter água quente e aquecimento. Em 1904, os italianos ligaram geradores a uma fonte de vapor natural em Lardarello, Itália. Esta usina de energia produz suficiente eletricidade cada ano para fazer funcionar a maior parte do sistema ferroviário da Itália. O Dr. Robert Rex, geólogo que muito tem trabalhado para explorar as possibilidades da energia geotérmica, acha que a exploração em larga escala deste tipo de energia poderia resultar numa capacidade de gerar um bilhão de kilowatts, cerca de três vezes a atual capacidade geradora dos Estados Unidos.
Mas, aqui também surgem obstáculos econômicos e políticos. O custo inicial seria alto, pois o vapor geotérmico é mais frio do que o usado na maioria das usinas geradoras e, portanto, não é tão eficaz. A extração de energia de áreas subterrâneas “secas” exige perfurar poços em rocha quente para permitir que a água da superfície penetre nelas de forma a produzir vapor. A poluição dos sais e do enxofre na água quente e no vapor é outro problema. Mas, se tais dificuldades pudessem ser contornadas num sistema de coisas em que o amor ao próximo tivesse precedência ao interesse próprio, quão benéfico para a humanidade seria esta rica fonte de energia que repousa sob a crosta terrestre!
O Que Dizer da Energia Nuclear?
A energia nuclear, isso é, a energia contida no núcleo, ou massa central, dum átomo, é sem comparação a maior fonte conhecida de energia no universo material. Dois meios de liberar tal energia são chamados “fissão” e “fusão”.
A fissão nuclear significa dividir um núcleo em dois mais leves. Os cientistas aprenderam que o peso conjugado dos dois novos núcleos é ligeiramente inferior ao do original. A diferença é convertida em energia. Tão grande é a energia contida no átomo, tem-se dito, que a fissão de um pedaço de urânio não mais pesado do que um pãozinho e menor que uma bola de golfe, pode fornecer tanta energia quanto uns 1.043.000 quilos de carvão.
Mas, a fissão nuclear como fonte de energia apresenta problemas. Por um lado, apenas 7 por cento do urânio, o combustível usado para a fissão, é dum tipo prontamente fissível (chamado urânio-235). Os cientistas se empenham em vencer esta dificuldade por desenvolverem “reatores regeneradores” especiais que produzem ou “regeneram” mais combustível físsel do que consomem. Segundo The Americana Annual de 1973, os reatores regeneradores bem sucedidos permitiriam que o homem usasse de 50 a 80 por cento dos recursos conhecidos de urânio do mundo, suficientes para satisfazer as necessidades elétricas do mundo “pelo menos por várias centenas de anos”.
Os perigos da radiação proveniente das usinas de energia atômica, em especial em dar fim aos resíduos radioativos, representam um mais grave problema no conceito de muitos. O perigo de câncer e leucemia em resultado da radiação é vinte vezes maior do que os peritos pensavam há menos de dez anos atrás. E o que fazer se um reator nuclear fugir ao controle ou for sabotado por uma potência hostil? Isso poderia resultar na morte de centenas de milhares de pessoas.b
A fusão nuclear, tal como ocorre no interior do sol, acontece quando os núcleos de dois átomos se juntam, produzindo energia nesse processo. A fusão nuclear pode produzir energia calorífica 1.750 vezes maior do que a necessária para provocá-la. E a fusão não apresenta os perigos de radiação da fissão.
A dificuldade em duplicar a fusão nuclear é construir um aparelho que pudesse manter um “plasma” de núcleos fusáveis numa área bastante pequena, em temperaturas suficientemente elevadas (cerca de 100 milhões de graus centígrados) para que ocorra a fusão. Se este processo pudesse ser aperfeiçoado, quais seriam suas possibilidades para gerar energia? Observa Science Year de 1972:
“As usinas de energia de fusão provavelmente usarão o lítio e duas formas de hidrogênio — o deutério e o trítio — como combustível. A água do mar possui suficiente deutério para satisfazer as necessidades durante 3 bilhões de anos e o lítio no quilômetro superior da crosta poderia satisfazê-las por 15 milhões de anos.”
Se a terra tem tamanhas reservas de energia, por que essa conversa toda sobre escassez? Principalmente devido a um decréscimo na disponibilidade dos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural).
O Problema dos Combustíveis Fósseis — Por Quê?
O que tem causado a escassez dos combustíveis fósseis?
John Noble Wilford, no Times de Nova Iorque de 22 de abril de 1973, aponta o motivo básico da escassez atual de energia:
“A crise energética poderia ter sido predita e talvez evitada — mas não foi. Os estadunidenses escolheram uma sociedade tecnológica de alto consumo de energia. Guiaram mais carros, e cada vez maiores, e foram ao mar costeiro fazer perfurações em busca do combustível para operá-los. Instalaram lavadoras e condicionadores de ar e todo tipo de aparelhos, e despojaram as encostas das montanhas em busca do carvão para gerar a eletricidade necessária para funcionarem . . .
“Ninguém deseja largar a boa vida dos carros rápidos, dos aviões a jato e dos condicionadores de ar . . . Poucos estadunidenses desejam seriamente uma desaceleração do crescimento econômico, pois as conseqüências no desemprego, no poder aquisitivo e no poder político se acham, no momento, fora de cogitações.”
Assim, escravizador sistema político e econômico, a ganância humana e a miopia provocaram o aperto hodierno de energia relativo aos combustíveis fósseis, e amiúde impediram o desenvolvimento de outras fontes de energia. Quanto ao Criador, Ele forneceu ao homem abundantes reservas de energia.
[Nota(s) de rodapé]
a Um megawatt equivale a 1.000.000 de watts, ou 1.000 kilowatts.
b Veja “É a Energia Nuclear a Solução?” na Despertai! de 22 de março de 1973.