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A edificação de discípulos que tenham a qualidade da perseverançaA Sentinela — 1970 | 1.° de outubro
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4. Que outro incentivo motiva o cristão a adquirir a qualidade da perseverança, e com que fim em vista?
4 O servo de Deus encara também este assunto de se adquirir a qualidade da perseverança de outro ângulo. É o desejo do cristão de ser semelhante a Cristo, quer dizer, ser aprovado por Deus. Jeová disse a Cristo: “Eu te tenho aprovado.” (Luc. 3:22) O discípulo quer ter o mesmo marco de aprovação. O apóstolo Paulo aconselha que “tribulação produz perseverança; perseverança, por sua vez, uma condição aprovada”. (Rom. 5:3, 4) O discípulo Tiago escreveu de modo similar: “Feliz o homem que estiver perseverando em provação, porque, ao ser aprovado, receberá a coroa da vida, que Jeová prometeu aos que continuarem a amá-lo.” (Tia. 1:12) Portanto, a perseverança é evidência do amor que o discípulo tem a Deus, amor que resulta na aprovação de Deus e na vida eterna. — Rom. 5:5.
REQUER-SE ARTE DE ENSINO
5. (a) Ao se fazerem discípulos, quais são algumas das coisas que se precisa ter em mente? (b) Que perguntas podemos fazer a nós mesmos, e por quê?
5 Para edificarmos os estudantes da Bíblia ao ponto de se tornarem discípulos dedicados e batizados de Cristo, tendo perseverança, não só precisamos ter os materiais corretos para a edificação, mas precisamos também empregar “toda a . . . arte de ensino”. (2 Tim. 4:2) Visto que os membros da congregação cristã são “colaboradores de Deus”, e os com quem estudam a Bíblia podem tornar-se em breve “campo de Deus em lavoura, edifício de Deus”, é necessário que edifiquem sabiamente e que se preocupem com o tipo de cristãos que produzem, se edificam as pessoas para terem perseverança. Significa que o edificador deve de vez em quando fazer-se algumas perguntas esquadrinhadoras, tais como: Que espécie de discípulos produzo? Estou realmente edificando personalidades cristãs que perseveram? Como progride o meu programa de edificação? Uso a arte de ensino? Alcanço as pessoas com as verdades cristãs! Acreditam e aceitam as coisas ensinadas? Demonstram fé? Consigo tocar o coração deles? Edifico neles, não só apreço da doutrina correta e dos princípios bíblicos, mas profunda devoção a eles? Desenvolvo neles, não só a percepção da importância da integridade, mas um profundo apreço dela? Incuto neles um amor a Deus e aos seus propósitos, e apreço do que significa ser servo de Deus? Cada qualidade cristã precisa ser ensinada dum modo que o discípulo veja a necessidade e a função dela na vida diária. Edifica deste modo? — 1 Cor. 3:9.
QUALIDADES DIVINAS DA SABEDORIA CELESTIAL
6. Que qualidades são indispensáveis para o discípulo de Cristo, e como podemos auxiliar o estudante da Bíblia a se aperceber delas? Dê um exemplo.
6 Há diversas qualidades que o discípulo precisa absorver, e na cabeceira da lista encontram-se as qualidades divinas da sabedoria celestial. Há oito aspectos separados que precisam ser cultivados antes que alguém realmente possa reconhecer o que significa ser discípulo de Cristo. Estão alistados em Tiago 3:17: “A sabedoria de cima é primeiramente casta, depois pacífica, razoável, pronta para obedecer, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, sem hipocrisia.” Ajude o aprendiz a saber quais são estas qualidades divinas e como o podem identificá-las na sua vida. Por exemplo, pode perguntá-lo se sabe o que a Bíblia quer dizer com a palavra “casto”. A castidade significa ser moral e espiritualmente limpo. Explique estas coisas. Se permanecermos moral e espiritualmente limpos por sabermos que esta é a vontade de Deus quanto a nós, então se pode dizer que somos governados pela sabedoria de Deus, pelo seu espírito santo.
7. Como pode o estudante adquirir outras qualidades da sabedoria celestial, tais como: (a) a pacificidade (b) a razoabilidade e (c) prontidão para obedecer?
7 O discípulo Tiago prossegue, dizendo que a qualidade da sabedoria celestial é também pacífica, razoável e pronta para obedecer. Esquadrinhe o estudante da Bíblia com perguntas para ver se compreende o que quer dizer ser “pacífico”. A pessoa pacífica não é belicosa, briguenta, crítica, altercadora, aborrecedora ou tagarela. É pacífica. Ajude o morador a compreender que isto se aplica na família, com relação aos filhos e às filhas, aos maridos e às esposas. Ajude-o a sentir o poder da Palavra de Deus. “Porque a palavra de Deus é viva e exerce poder.” (Heb. 4:12) Por meio de seu método de estudar terá de verificar se a pessoa é razoável ou não, se é moderada nos hábitos, acessível, sensata, não excessivamente exigente, conforme deve ser a pessoa razoável. Está pronta para obedecer aos mandamentos de Deus? Isto se aplica tanto dentro da congregação como fora dela, tanto a crianças como a adultos.
8. Que outros aspectos da sabedoria celestial devem ser ensinados ao estudante, e como podem ser inculcados?
8 Além disso, somos informados de que a sabedoria celestial é também “cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, sem hipocrisia”. Demore nestes pontos que tocam no coração. Faça que o estudante no estudo bíblico domiciliar examine a si mesmo para verificar se está cheio de misericórdia e se tem bons frutos a mostrar pelos dias que vive na terra. A parcialidade divide e a hipocrisia é desagradável. Deixe que o poder de Deus examine o coração e o fira, se necessário. Tal esquadrinhamento oferece ao aprendiz a oportunidade de se ver assim como Deus o vê. Tome um ponto por vez, porém. E tome tempo para ver que ele compreenda o que a Bíblia está dizendo. Assim edificaremos nos discípulos um apreço pelas qualidades divinas da sabedoria celestial. — Rom. 2:6, 11.
EDIFICAÇÃO PARA CRIAR PERSEVERANÇA
9. (a) Por via de regra, por que é difícil inculcar a espiritualidade? (b) Qual é a chave da perseverança, e como se pode comunicar isto à pessoa interessada?
9 Implantar em outros o discernimento espiritual, fazê-los compreender e ensiná-los a pensar por si mesmos de modo algum é tarefa simples. Por via de regra, as pessoas hoje não têm mentalidade espiritual. Não discernem as coisas de modo espiritual. Ainda assim, uma das chaves para se criar perseverança é o discernimento espiritual, a compreensão e a faculdade de raciocínio. Nisto também se precisa chegar ao coração do discípulo por meio da ênfase no apreço duradouro que se deve ter destas qualidades e do seu valor para nós individualmente. Isto foi o que Jesus fez. Para estimular e manter o apreço por estas qualidades, Jesus bebia regularmente da Palavra de Deus. Assim pôde compreender totalmente os princípios de Jeová conforme se relacionavam com ele. Pôde também discernir claramente o proceder que devia seguir para o louvor de Jeová e para o bem eterno da humanidade.
10. (a) Que mais talvez tenhamos de fazer em nossa obra de ensino? Dê um exemplo de como se pode fazer isso. (b) O que se consegue por se instruir desta maneira?
10 Talvez seja necessário ensinarmos aos com quem estudamos a Bíblia a raciocinar sobre textos bíblicos. Por exemplo, talvez se leia Marcos 12:29: “Ouve, ó Israel: Jeová, nosso Deus, é um só Jeová.” Pergunte ao estudante: “Quantos Jeová há?” Deixe-o responder. A resposta evidente é que há apenas um só Jeová. Quando ele discerne isto, fez que se registrasse na sua mente um fato importante que de outro modo talvez despercebesse. Ajude-o a reconhecer mais o que isto significa para ele. Raciocine com ele, talvez do seguinte modo: “Se há apenas um só Jeová, então pode ele ser três deuses, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, conforme ensinam os trinitaristas?’ Novamente, deixe que responda. “Não, Jeová não pode ser três deuses, pois a Bíblia diz claramente que ele é um só Deus.” Fez assim que o estudante pensasse numa verdade bíblica básica e compreendesse que Jeová é apenas um só Deus. Expôs também uma doutrina falsa básica — a doutrina da Trindade. Quase com tudo o que ensinamos, é proveitoso para o aprendiz que sigamos este modelo. É assim que podemos determinar se o estudante aprende, se ele discerne a verdade da Palavra de Deus, se compreende o argumento feito e se ele pensa de modo espiritual. Quando ensinamos desta maneira, o estudante com quem estudamos verá que o discernimento espiritual, a compreensão e a faculdade de raciocínio ultrapassam todos os tesouros materiais em valor, porque sua recompensa é a agradabilidade e a vida. — Pro. 2:4, 5, 9-11; 3:16-18.
A QUALIDADE PROVADA DA FÉ
11. (a) Por que é essencial a fé? (b) Que mais precisa o estudante reconhecer a respeito da fé? (c) Que qualidade da fé é mais preciosa do que o ouro e a prata?
11 Ao dirigir seus estudos bíblicos, tenha sempre em mente a qualidade da fé, pois “sem fé é impossível agradar-lhe [a Deus] bem”. (Heb. 11:6) E, também, o cristão ‘vive em razão da fé’. (Rom. 1:17) Mas é preciso mais do que apenas fé. O estudante precisa reconhecer a qualidade provada da fé, que a sua fé precisa ser provada, isto é, refinada, assim como se refinam a prata e o ouro. A fé precisa ficar livre de todas as impurezas, e isto se faz por submetê-la a provas. Tal processo de refinação é bem descrito para nós pelo apóstolo Pedro, que disse: “Atualmente, por um pouco, . . . [fostes] contristados por várias provações, a fim de que a qualidade provada da vossa fé, de muito mais valor do que o ouro perecível, apesar de ter sido provado por fogo, seja achada causa para louvor, e glória, e honra, na revelação de Jesus Cristo.” (1 Ped. 1:6, 7) Portanto, a fé que importa é a fé que é submetida a provações e sobrevive. Esta qualidade provada da fé é mais preciosa do que ouro e prata, e não é simplesmente só fé.
12. Por que é bom advertir os estudantes de antemão a respeito das provas da fé, e o exemplo de quem temos para seguir neste respeito?
12 Se o estudante souber de antemão que ele sofrerá provações no proceder que escolheu, então as provas e as provações que lhe sobrevêm por causa de sua fé não serão mais surpresas, mas serão algo esperado e aguardado. Jesus advertiu seus discípulos de antemão; por que não devemos fazer o mesmo? Em Mateus 10:22, 36-38, Jesus mostrou que os cristãos sofreriam provações de muitos lados, que eles seriam ”pessoas odiadas por todos, por causa do [seu] nome”; que sofreriam oposição dos membros de sua família, pois, “deveras, os inimigos do homem serão pessoas de sua própria família”, disse ele. Prepare o estudante para esta realidade inevitável. — João 15:20; 16:33; Mar. 13:9; Rev. 2:10; Luc. 6:22, 23; 2 Cor. 11:21-28.
MOTIVOS PARA A INTEGRIDADE
13. (a) O que mais se precisa ensinar além da integridade, e por que é isto importante? (b) A que convicção e determinação precisa ser levado o estudante?
13 No entanto, não basta dizer ao estudante que o mundo o odiará e que ele sofrerá muito, por ser cristão. Ele precisa saber, compreender e reconhecer o que ele terá de sofrer e por que terá de permanecer firme. Por isso, não se deve ensinar simplesmente a integridade quanto à justiça, mas o motivo da integridade. Não devemos ensinar apenas o que é integridade, mas devemos também edificar o apreço dela. Precisamos ajudar os com quem estudamos a Bíblia a compreender que manter a integridade não é apenas para se dar bom exemplo a outros ou para se gozar de boa reputação perante os outros. O motivo primário da integridade é que o nome de Deus está envolvido no que fazemos e em como agimos. Portanto, é bem apropriado que ajudemos outros a reconhecer o grandioso privilégio de se participar na vindicação do nome de Jeová pela firmeza a favor da justiça, a favor dos princípios piedosos, nunca se entregando ao temor dos homens. (Mat. 10:28; Atos 2:31, 32) Igual ao antigo patriarca Jó, precisa preferir sofrer a morte do que transigir quanto à sua integridade para com Deus. Jó disse: “Até eu expirar não removerei de mim a minha integridade’” (Jó 27:5) É a este ponto de resolução que se precisa levar o estudante. — Tia. 5:11.
DEVOÇÃO AOS PRINCÍPIOS BÍBLICOS
14. Dê um exemplo do motivo por que se precisa ensinar a devoção aos princípios bíblicos.
14 Embora seja importante que os estudantes da Bíblia conheçam os princípios contidos nela, não basta isso em si mesmo. Precisamos, além disso, ensinar devoção aos princípios bíblicos. É a devoção aos princípios bíblicos que impede que se siga o proceder da conveniência. Isto é bem ilustrado no caso de José, filho de Jacó. Quando foi tentado pela esposa de Potifar, a ter relações imorais com ela, José não cedeu à tentação, nem abandonou os princípios corretos. Antes, respondeu: “És sua esposa. Portanto, como poderia eu cometer esta grande maldade e realmente pecar contra Deus?” (Gên. 39:9) Ele sabia que ter relações com a esposa de outro homem era errado. Era ‘pecar contra Deus’! É tal apreço moral que se precisa inculcar nos estudantes das Escrituras. A aderência fiel de José aos princípios piedosos no início resultou em sofrimento injusto, mas as bênçãos recebidas de Jeová foram muito mais grandiosas, por causa de sua profunda devoção ao que era direito.
RESPEITO POR LEIS E REQUISITOS
15. Como mostra o salmista a atitude correta que precisa ser cultivada
15 Não podemos esperar estar em harmonia com a vontade e o propósito de Jeová se não estivermos em harmonia com as suas leis e os seus requisitos para a vida. Contudo, não se devem ensinar apenas leis e requisitos, mas um profundo respeito por eles. Este apreço precisa motivar o cristão no caminho da justiça. O respeito devido é refletido pelo salmista que disse: “Ensina-me a própria bondade, a sensatez e o conhecimento, pois tive fé nos teus mandamentos. Quanto eu amo a tua lei! O dia inteiro ela é a minha preocupação.” (Sal. 119:66, 97) Se havemos de andar em retidão, temos de fazer das leis de Deus a nossa preocupação. Precisamos respeitar o que elas significam para nós. Esta qualidade de apreço precisa ser inculcada, se o estudante há de perseverar.
CONVENCIDO DE QUE A BÍBLIA É A PALAVRA DE DEUS
16. A que profundidade de apreço da Bíblia precisa ser levado o estudante, e como foi isto expresso pelos tessalonicenses?
16 Precisa-se ensinar fé e confiança na Palavra escrita de Deus. O estudante precisa aprender a usar a Palavra de Deus como guia seguro na sua vida. Precisa ser levado à conclusão a que o salmista chegou, dizendo: “Lâmpada para o meu pé é a tua palavra e luz para a minha senda.” “A substância da tua palavra é a verdade.” (Sal. 119:105, 160) É possível chegar a ter tal convicção? Sim. O apóstolo Paulo, escrevendo a respeito dos tessalonicenses, disse que eles eram fonte de louvor a Deus, porque, quando ouviram a palavra de Deus pregada por Paulo, eles a ‘aceitaram, não como a palavra de homens, mas, pelo que verazmente é, como a palavra de Deus’. (1 Tes. 2:13) O estudante precisa ser levado a tal convicção nos seus estudos da Bíblia, se há de perseverar.
LEALDADE À ORGANIZAÇÃO VISÍVEL DE DEUS
17. Que lugar deve a lealdade à organização de Jeová ocupar na vida do estudante, e como é isto manifestado pelo apóstolo Pedro?
17 O estudante precisa também chegar a reconhecer a organização teocrática do povo de Jeová. A lealdade à organização teocrática impedirá que o estudante tropece sobre uma explicação da Palavra de Deus, que talvez seja difícil de compreender. No primeiro século, muitos perderam o grandioso privilégio de fazer parte da congregação de Deus, porque desistiram quando Jesus trouxe à sua atenção uma verdade doutrinal difícil. Mas como responderam os apóstolos bem treinados quando Jesus lhes perguntou: “Será que vós também quereis ir?” O apóstolo Pedro respondeu: “Senhor, para quem havemos de ir? Tu tens declarações de vida eterna.” (João 6:67, 68) Verdadeira lealdade, tal como a que Pedro teve, é o que desejamos edificar nos com quem estudamos a Palavra de Deus, para que se mantenham achegados à organização de Deus em todas as ocasiões, com bênçãos para si mesmos.
AME TERNAMENTE OS IRMÃOS
18. Que amor precisa o discípulo cultivar no coração para com os irmãos, e como foi isto exemplificado na vida de Jesus?
18 Em 1 Coríntios, capítulo 13, o apóstolo Paulo salienta que o cristão, sem amor, não é nada, apesar do registro de obras que talvez tenha. “O amor”, diz ele, “nunca falha”. (1 Cor. 13:8) No entanto, o estudante precisa aprender mais do que a amar os irmãos. Precisa aprender a amá-los cordial e ternamente. Paulo escreveu: “Em amor fraternal, tende terna afeição uns para com os outros.” (Rom. 12:10) O apóstolo Pedro escreveu: “Amai-vos uns aos outros intensamente de coração.” (1 Ped. 1:22) Esta qualidade do intenso amor uns para com os outros será fonte de verdadeira alegria para o estudante, habilitando-o a suportar muitas provações. Fará que se achegue bem à organização de Jeová, porque o amor “é o perfeito vínculo de união”. (Col. 3:12-14) Jesus nos deu o perfeito exemplo de amar terna e intensamente do coração. Sigamo-lo. (João 10:11-15; 1 João 3:18) O estudante precisa cultivar tal amor, se há de perseverar para a salvação.
DEFENDA E PREGUE O REINO DE DEUS
19. Que fatores importantes sobre o reino de Deus precisa o estudante aprender, e como lhe será isso de ajuda?
19 É necessário ajudar o estudante a reconhecer que já somos súditos do reino estabelecido de Deus, e que por isso precisamos ter um apego inquebrantável a ele e uma disposição destemida de dar testemunho dele. (Mat. 24:14) Somos embaixadores e enviados do reino de Deus e assim não fazemos parte dos governos políticos deste sistema de coisas. (2 Cor. 5:20) Promovemos exclusivamente os interesses do governo estabelecido do Reino nos céus. Precisamos continuar a ser proclamadores destemidos do estabelecimento do Reino. Nisto imitamos o exemplo corajoso de Jesus e de seus apóstolos. (João 18:36; Atos 4:20) Por isso não há margem para lealdade dividida. Este apreço pelo Reino que se incute no estudante fará que se mantenha firme como publicador do Reino. Não se acovardará nem se esquivará de sua responsabilidade de proclamar estas boas novas do Reino, que ele representa.
20. (a) Em resumo, segundo Paulo, que fatores é bom ter em mente? (b) Como podemos edificar sabiamente, e, assim, para que fim?
20 Portanto, na nossa obra de fazermos discípulos é bom termos em mente as palavras do apóstolo Paulo, que disse: “Somos colaboradores de Deus. Vós sois campo de Deus em lavoura, edifício de Deus. Segundo a benignidade imerecida de Deus, que me foi dada, eu, como diretor sábio de obras, lancei um alicerce, mas outro construiu sobre ele. Cada um, porém, persista em vigiar quanto a como constrói sobre ele. Pois nenhum homem pode lançar outro alicerce senão aquele que foi lançado, que é Jesus Cristo. Ora, se alguém construir sobre o alicerce ouro, prata, pedras preciosas [estas qualidades boas que resistem ao fogo], materiais de madeira, feno, restolho, a obra de cada um se tornará manifesta, pois o dia a porá à mostra, porque será revelada por meio de fogo; e o próprio fogo mostrará que sorte de obra é a de cada um.” (1 Cor. 3:9-13) Portanto, edifique sabiamente. Faça que os estudantes da Bíblia compreendam e reconheçam as qualidades piedosas da sabedoria celestial. Ajude-os a ter apreço duradouro do discernimento espiritual, da compreensão e da faculdade de raciocínio. Ajude-os a prezar a qualidade provada da sua fé, o motivo da integridade, devoção aos princípios bíblicos e profundo respeito pelas leis e pelos mandamentos de Deus. Cuide de que reconheçam a Bíblia como sendo a Palavra de Deus, a necessidade de se manter achegados organização de Jeová e a necessidade de cultivarem um amor intenso pelos irmãos. Leve-os ao reconhecimento do Reino como única esperança da humanidade e desenvolva neles um apego inquebrantável a ele e uma disposição de dar testemunho dele. Se fizer isso, há todo motivo para se crer que sua obra persista, para o louvor e a glória de Deus, pois esta é a Sua promessa.
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Na edificação de discípulos, motive o coraçãoA Sentinela — 1970 | 1.° de outubro
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Na edificação de discípulos, motive o coração
“É da abundância do coração que a boca fala.” — Mat. 12:34.
1. O que está incluído na comissão do cristão, e o que se precisa tocar para se cumprir com a comissão?
A COMISSÃO do cristão não é apenas a de ensinar doutrinas, mas também cultivar amor, apreço, humildade, fé, de fato, todos os frutos do espírito de Deus, mencionados em Gálatas 5:22, 23. A obra do cristão é ajudar outros a ‘por de lado a velha personalidade que se conforma ao seu proceder anterior e que está sendo corrompida segundo os seus desejos enganosos; mas que devem ser feitos novos na força que ativa a sua mente, e que se devem revestir da nova personalidade, que foi criada segundo a vontade de Deus, em verdadeira justiça e lealdade’. (Efé. 4:20-24) Para conseguir isso, é preciso mais do que conhecimento intelectual. É preciso tocar no coração do estudante da Bíblia e motivá-lo nos caminhos da justiça.
2. O que, de fato, é o coração, e por que é necessário que o examinemos?
2 O coração, de fato, é depósito de muitas coisas. O homem pode por no depósito de seu coração coisas boas e coisas más. Durante o estudo da Palavra de Deus, a Bíblia, ele pode retirar coisas do depósito inesgotável de Jeová e transferi-las para o seu próprio. Trata-se de coisas boas, pois ‘Deus é bom’. (Mar. 10:18) Em outras ocasiões, tais como quando se observam o crime e a corrução do mundo por intermédio da televisão, do cinema, do teatro, dos jornais, das revistas, e assim por diante, a mente pode com muita facilidade armazenar pensamentos e idéias más. Alguns talvez objetem que isto não se dá, mas a Bíblia acautela que “todo caminho do homem é reto aos seus próprios olhos, mas Jeová faz a avaliação dos corações”. (Pro. 21:2) Jeová não se deixará enganar quando inspecionar o depósito de nosso coração para ver o que armazenamos nele. O que se pode armazenar nele?
3. (a) O que revelou Jesus Cristo sobre o coração? (b) Como se pode endireitar o coração iníquo?
3 Jesus Cristo revelou que o coração pode armazenar muitas coisas iníquas. Depois de expor os escritas religiosos e os fariseus como adoradores infrutíferos, que adoravam em vão por causa das suas tradições, Jesus apresentou a seguinte ilustração, a respeito da qual a narrativa bíblica diz: “Com isso chamou mais perto a multidão, e disse-lhes: ‘Escutai e compreendei o sentido disso: Não o que entra pela boca é o que avilta o homem; mas o que sai da boca é o que avilta o homem.’ Os discípulos aproximaram-se, então, e lhe disseram: ‘Sabes que os fariseus tropeçaram por ouvirem o que disseste? Em resposta, ele disse: ‘Toda planta que meu Pai celestial não tiver plantado, será desarraigada. Deixai-os. Guias cegos é o que eles são. Se, pois, um cego guiar outro cego, ambos cairão numa cova.’ Respondendo, disse-lhe Pedro: ‘Esclarece-nos a ilustração.’ A isso ele disse: ‘Estais vós também ainda sem entendimento? Não percebeis que tudo o que entra pela boca passa para os intestinos e é eliminado para o esgoto, No entanto, as coisas procedentes da boca saem do coração, e estas coisas aviltam o homem. Por exemplo, do coração vêm raciocínios iníquos, assassínios, adultérios, fornicações, ladroagens, falsos testemunhos, blasfêmias. Estas são as coisas que aviltam o homem; mas tomar uma refeição sem lavar as mãos não é o que avilta o homem.”‘ (Mat. 15:9-20) E o único modo de se esvaziar o conteúdo iníquo do coração é o poder da Palavra de Deus ter efeito direto sobre ele e substituir as coisas iníquas, sem valor, com os frutos do espírito de Deus, que são capazes de sustentar a pessoa para a vida eterna.
A MENTE, CAMINHO PARA SE CHEGAR AO CORAÇÃO
4. Qual é uma das linhas de comunicação com o coração, e o que disse o apóstolo Paulo sobre isso?
4 Como se pode chegar ao coração com as qualidades cristãs, para que possa ser endireitado? Quando Jesus disse que do coração vêm raciocínios iníquos”, ele demonstrou que a mente era a linha mais direta de comunicação com o coração, e que a boca era o “porta-voz” do coração. É na mente que se chega às conclusões. Também é na mente que se concebe e planeja o mal antes de executá-lo na realidade. Portanto, é preciso atingir a faculdade de raciocínio do homem, a mente do homem, antes de se poder limpar, transformar e proteger o coração. Não era esta a idéia do apóstolo, quando disse: “Cessai de ser modelados segundo este sistema de coisas, mas sede transformados por reformardes a vossa mente, a fim de provardes a vós mesmos a boa, e aceitável, e perfeita vontade de Deus”? (Rom. 12:2) A mente precisa ser revigorada com idéias inspiradas por Deus.
5. (a) Qual é a maneira principal de se comunicar com a mente? (b) Por que é sábio encher o coração abundantemente com coisas boas?
5 A maneira principal de se comunicar com a mente é por meio dos sentidos. O que vemos, ouvimos, tocamos, provamos e cheiramos decididamente influencia a mente. Isto significa que precisamos ver a Palavra de Deus por meio do estudo de suas páginas e ouvi-la por assistirmos às reuniões em que se considera esta Palavra. Quanto mais fizermos isto e agirmos segundo o conhecimento obtido, tanto maior será o nosso proveito. Usamos todos os nossos sentidos quando praticamos o que aprendemos da Palavra de Deus. Assim se chegará ao coração e a boca responderá, “pois é da abundância do coração que a boca fala”. (Mat. 12:34) É o coração cheio da abundância da Palavra inspirada que fala e é motivado a fazer o bem. É dentro do coração que se encontra a força para a integridade, a devoção aos princípios piedosos, amor à justiça, alegria, amor, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura e autodomínio. Por isso é preciso concentrar-se no coração, se desejarmos edificar discípulos com qualidades semelhantes às de Cristo. — Fil. 4:6-9.
CORAÇÕES MOTIVADOS PELO EXEMPLO
6. Que outra linha de comunicação há com o coração, e como fala disso Paulo?
6 Mas antes de podermos edificar nos outros, precisamos primeiro edificar em nós mesmos. Cristo Jesus, o Instrutor-Mestre, deixou-nos um exemplo perfeito a seguir. (1 Ped. 2:21, 23) Segue-se logicamente, que aqueles em quem nos esforçamos a implantar qualidades cristãs devem poder ver estas mesmas qualidades em nós. O apóstolo Paulo recomendou a Tito: “Persiste . . . em exortar os homens mais jovens a serem ajuizados, mostrando-te em todas as coisas exemplo de obras excelentes.” (Tito 2:6, 7) Poucas coisas influenciam a mente tanto quanto um bom exemplo, mas nosso exemplo deve ser digno de imitação. Paulo não tinha medo de dizer: “As coisas que aprendestes bem como aceitastes, e ouvistes, e vistes, em conexão comigo, estas praticai; e o Deus de paz estará convosco.” (Fil. 4:9) Ou como ele disse aos Coríntios: “Tornai-vos meus imitadores, assim como eu sou de Cristo.” (1 Cor. 11:1) Se havemos de alcançar e influenciar o coração de outros, nosso exemplo deve ser digno. É mesmo?
7. Por que tem o exemplo uma influência vital sobre o coração?
7 Precisa haver harmonia entre o que ensinamos e o que praticamos, se havemos de motivar corações. Paulo escreve: “Tu . . . que ensinas outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas: ‘Não furtes’, furtas? Tu, que dizes: ‘Não cometas adultério’, cometes adultério? Tu, que expressas a tua abominação dos ídolos, roubas templos.” (Rom. 2:21-24) Poderíamos levar este raciocínio mais longe por dizer: Tu, que dizes: ‘Deve estudar a Bíblia regularmente’, não estudas a Bíblia regularmente? Tu, que dizes: ‘Não deve tornar-se materialista’, vives num ambiente materialmente luxuoso e te regalas com o luxo do mundo material? A lição dada aqui é de coerência entre o que se ensina, se pratica e se observa. É preciso dar exemplo. Quando este é dado, alcançar-se-á o coração com as necessárias qualidades piedosas.
A DISCIPLINA CORRIGE O CORAÇÃO
8. (a) Para se endireitar o coração, que papel desempenha a disciplina? (b) Como se pode disciplinar o coração?
8 Há ainda outro aspecto envolvido em se comunicar com o coração e motivá-lo. Jeová, quem fez o coração, disse: “O coração é mais traiçoeiro do que qualquer outra coisa e está desesperado. Quem o pode conhecer? Eu? Jeová, esquadrinho o coração, examino os rins, sim, para dar a cada um segundo os seus caminhos, segundo os frutos das suas ações.” (Jer. 17:9, 10) Visto que o coração se comporta assim, o instrutor precisa ficar atento aos pontos fracos ou às tendências não-cristãs, e revelá-las com tato ao estudante, para que possam ser corrigidas por meio da disciplina. É o estudante da Bíblia altivo e orgulhoso? É excessivamente crítico e incompreensivo? Qual é realmente a condição de seu coração? O instrutor continua também a examinar o seu próprio coração, do mesmo modo, para descobrir, se possível, qualquer maldade que se queira arraigar. Ao passo que o estudo da Bíblia progride, observe estas fraquezas e se esforce em corrigi-las. Não seja condescendente com as fraquezas na sua própria pessoa ou no estudante. Isto não ajudará. Há a tendência de se dizer: “Todos nós somos imperfeitos. Todos cometemos erros.” Isto é verdade, mas os erros podem ser eliminados se nos esforçarmos em corrigi-los. Talvez seja também necessário pedir a ajuda de outros para vencermos nosso problema. Mas as fraquezas espirituais podem ser vencidas. Senão, Deus não nos exortaria a que transformássemos nossa personalidade para se harmonizar com a imagem de seu Filho Jesus Cristo. Não nos engane a qualidade traiçoeira do coração a pensar que não precisamos de correção ou que não podemos melhorar. A disciplina do estudante da Bíblia no coração se faz por se lhe comunicar justiça e por se insistir que seja motivado pelo que é direito.
9. Que exemplos temos para mostrar que é correto avisar outros das suas fraquezas, e qual tem sido o resultado de tal conselho?
9 Portanto, fique atento aos pontos fracos na fé do estudante. Deus advertiu Caim e o admoestou sobre o que devia fazer. “Se te voltares para fazer o bem, não haverá enaltecimento? Mas, se não te voltares para fazer o bem, há o pecado agachado à entrada e tem desejo ardente de ti. E conseguirás tu dominá-lo,” (Gên. 4:7) Jesus Cristo discerniu qual era a fraqueza do jovem governante rico e disse que devia ‘ir vender seus bens e dá-los aos pobres, e assim teria um tesouro no céu’. (Mat. 19:21) Mas nem Caim, nem o jovem rico, acatou o bom conselho. Todavia, houve inúmeros outros que acataram o bom conselho para se tornarem servos de Deus.
COMO PROTEGER O CORAÇÃO
10, 11. (a) Como protegemos o coração? (b) Que papel desempenha a atitude da pessoa na proteção do coração?
10 O coração é transformado por meio dum esforço planejado e decidido de corrigir os erros, em harmonia com a Palavra de Deus. Do mesmo modo é também protegido. Precisa haver um estudo regular da Palavra de Deus. Este manterá a verdade fluindo para a mente e o coração. É também preciso orar, para nos achegarmos a Deus. Ele, por sua vez, se achegará a nós. Além disso, precisamos aprender a meditar sobre a Palavra de Deus, suas declarações e promessas, o que manterá os pensamentos certos na nossa mente. Depois há o ministério ativo, em que podemos dar vazão às nossas emoções e à nossa alegria. Esforce-se seriamente a desenvolver os frutos do espírito por praticar os princípios cristãos.
11 Queremos também vigiar nossa atitude pessoal para com outras pessoas, lugares e coisas. Seja edificante na presença de outros, mantendo um ponto de vista positivo. Isto nos ajudará a observar o que há de bom em nossos irmãos, e não simplesmente as suas fraquezas. Deste modo expressaremos o amor que edifica, o amor que sempre fala bem da Palavra de Deus, da sua organização e dos irmãos em geral. Recomendaremos o ministério, as reuniões do povo de Deus e a alegria que dá ser seus servos nestes “últimos dias”.
EXEMPLOS DE PERSEVERANÇA
12. O que dizem a Bíblia e a história sobre o sofrimento e a perseverança dos cristãos, e o que consideramos os que perseveraram?
12 A história registra que pessoas cristãs foram encarceradas em masmorras, queimadas na estaca, decapitadas perante seus filhos e lançadas em precipícios; queimaram-se seus lares e aldeias; suas mulheres foram despidas e ignominiosamente violentadas; suas crianças inocentes foram massacradas. O apóstolo Paulo declarou: “Recomendamo-nos de todo modo como ministros de Deus, na perseverança em muito, em tribulações, em necessidades, em dificuldades, em espancamentos, em prisões, em desordens, em labores, em noites sem dormir, em tempos sem comida.” (2 Cor. 6:4, 5) Na mesma carta, Paulo fala de seus próprios sofrimentos e de como o espírito de Deus está à altura de qualquer situação. (2 Cor. 11:23-28) E embora possa parecer incrível a alguns, mas ainda se suportam tais provações e sofrimentos neste século vinte. E o espírito de Deus ainda está à altura de qualquer
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