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Que aconteceu às revistas em quadrinhos?Despertai! — 1983 | 22 de dezembro
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Que aconteceu às revistas em quadrinhos?
“AS REVISTAS em quadrinhos realmente mudaram!” Foi o que disse certa mulher depois de folhear algumas delas que seu irmão lia. Ela mesma uma assídua leitora de quadrinhos na sua juventude, lembra-se deles como “alegres e otimistas, estimulantes, aventurosos e divertidos”. Agora, porém, sentiu-se “chocada por causa da nudez e do sangue” que permeiam algumas revistas em quadrinhos.
“Nudez e sangue — nas revistas em quadrinhos?”, você pergunta, duvidoso. Parece difícil crer que um veículo editorial outrora dominado pelo “Mickey” e “Pato Donald” pudesse agora estar infestado de tal decadência. Certo homem, portanto, resolveu investigar o assunto por si mesmo. Após visitar a “Feira de Quadrinhos e Fantasia”, realizada em Atlanta, Geórgia, EUA, relatou o seguinte:
“As recordações que eu tenho das histórias em quadrinhos remontam embaraçosamente a um passado muito distante. De modo que eu estava curioso de saber se elas realmente haviam mudado tanto assim. Ao entrar na feira de revistas em quadrinhos, minha primeira impressão foi a de uma exposição e um centro comercial enormes. Havia gigantescas salas de exposição repletas de fileiras de mesas e balcões com longas caixas de papelão cheias de revistas. Reinava uma atmosfera calma, como a de uma biblioteca. Jovens em idade universitária e gente de formação universitária examinavam absortos os literalmente milhões de revistas à venda. Parecia que sabiam o que procuravam.
“Ao passar os olhos no Guia de Preços das Revistas em Quadrinhos, tornou-se evidente para mim por que esses colecionadores consideram as revistas em quadrinhos um investimento tão atraente. Ora, uma publicação rara (o mais caro exemplar) chega a 14 mil dólares (8,9 milhões de cruzeiros)! E os revendedores me informaram de que as publicações que exploram a fantasia são agora mais vendáveis e lucrativas do que quase tudo nas bancas, exceto as revistas para ‘adultos’ (pornográficas).
“Visto que as exposições anunciavam ‘O Melhor em Comics [histórias em quadrinhos humorísticas]’, fui à procura de publicações humorísticas do tipo que eu costumava ler quando criança. O que vi, porém, era-me irreconhecível . . . Muitas faziam questão de retratar o misterioso, o sobrenatural, o monstruoso, o vampiresco e o horrível. ‘Que aconteceu às revistas em quadrinhos?’, perguntei-me.”
Isso deve interessar-lhe, se for genitor! Uma pesquisa feita poucos anos atrás revelou que 90 por cento dos jovens nos Estados Unidos as lêem. E elas gozam de muita popularidade também entre jovens de outros países. Será que as revistas em quadrinhos realmente se deterioraram tanto assim?
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Revistas em quadrinhos — como eram no passadoDespertai! — 1983 | 22 de dezembro
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Revistas em quadrinhos — como eram no passado
TUDO COMEÇOU com “The Yellow Kid” (O Menino Amarelo). Tratava-se dum desenho humorístico periódico que começou a ser publicado no jornal World de Nova Iorque em 1896. Tornou-se extremamente popular. Logo os leitores de jornais se divertiam lendo também as maluquices de tipos como “Vovô Velhaco”, “Brown-Chiquinho” e “Os Sobrinhos do Capitão”. Nasciam os quadrinhos humorísticos!
E eram realmente humorísticos. Os títulos em si revelavam o humor personificado nessas criações cartunistas: “O Vagabundo Feliz”, “A Mula Mafalda”, “Mutt e Jeff”, “Krazy Kat”, e assim por diante. Estes divertidos personagem refletiam muito bem a inocência da época anterior ao ano marcante de 1914. Fazendo um retrospecto, porém, talvez nem tudo fosse realmente divertido. Os populares “Os Sobrinhos do Capitão”, por exemplo, faziam os leitores ‘morrerem de rir’ diante do que tem sido chamado de “uma campanha sistemática de sabotagens que com bom êxito resiste a espancamentos, ameaças e promessas”.
A Ascensão do Super-herói
Logo os editores decidiram reimprimir algumas dessas atrações populares em forma de revista. De início, porém, essas revistas em quadrinhos eram meramente veículos promocionais distribuídos por anunciantes. Mas em 1934 os editores Wildenberg e Gaines, dos EUA, apostaram que os jovens estariam dispostos a pagar 10 centavos de dólar (uns 90 cruzeiros) por uma revista em quadrinhos que intitularam “Histórias em Quadrinhos Famosas”. Foi, também, um sucesso. Assim, usando artistas mal saídos do curso secundário, os editores travaram uma luta acirrada em busca de leitores.
Em 1938 ocorreu um momento decisivo. A jovem equipe de Siegel e Shuster encontrou um editor para um personagem de quadrinhos que eles inventaram — o Super-Homem! Segundo um de seus criadores, ele devia ser ‘um personagem como Sansão, Hércules e todos os homens fortes de quem já ouvi falar combinados em um só. Ainda mais do que isso.” Este “homem de aço” captou a imaginação de jovens e adultos. Logo a revista mensal faturava um milhão de dólares por ano. E, levados por este sucesso, os editores começaram a inventar outros heróis com capa.
Mas a geração seguinte de revistas em quadrinhos desceu aos domínios do sexo, da violência e do terror. Histórias vividamente violentas como “O Crime Não Compensa”, em inglês, realmente compensaram muito bem financeiramente seus editores. E, enquanto corriam os anos 50, as histórias em quadrinhos passaram também a horrorizar seus jovens leitores com títulos tais como “Histórias do Além”.
Em muitos casos, as histórias em quadrinhos, antes engraçadas, não mais o eram.
Os Protestos Públicos
Em 1954, o livro Sedução dos Inocentes, de Frederic Wertham, em inglês, acusou a indústria de quadrinhos de corromper a juventude. O dr. Wertham estudou crianças portadoras de distúrbios emocionais e descobriu que muitas liam assiduamente revistas em quadrinhos, ou “gibis”. O dr. Wertham concluiu: “Os ‘gibis’ ensinam a violência.”
Alguns, no entanto, achavam que as pesquisas do dr. Wertham não provavam que os “gibis” tivessem mau efeito sobre crianças normais. Não obstante, pelo menos nos Estados Unidos, finalmente tomaram-se medidas para “policiar” a indústria dos quadrinhos por baixar normas que restringem a violência e a nudez excessivas. Mas, têm sido eficazes tais providências? Como são hoje as histórias em quadrinhos?
[Destaque na página 5]
Após o irrompimento da Segunda Guerra Mundial, a geração seguinte das histórias em quadrinhos desceu aos domínios do sexo, da violência e do terror.
[Fotos na página 4]
“O Menino Amarelo” foi a primeira tira em quadrinhos publicada periodicamente, nos Estados Unidos.
O Menino Amarelo
Brown-Chiquinho
Polly e Sua Turma
[Fotos na página 5]
Estes divertidos personagens também ilustram o que os quadrinhos costumavam ser.
Tillie, a Trabalhadeira
O Vagabundo Feliz
Os Sobrinhos do Capitão
Krazy Kat
Mutt e Jeff
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Revistas em quadrinhos — como são hojeDespertai! — 1983 | 22 de dezembro
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Revistas em quadrinhos — como são hoje
AS REVISTAS em quadrinhos percorreram uma longa jornada desde os desenhos rudimentares e a escrita simplista que marcavam as primitivas edições. Hoje, a arte gráfica empregada é até mesmo louvada em alguns círculos. E um estilo de escrita mais sofisticado pode obrigar os leitores a uma consulta ocasional ao dicionário.
A grande mudança, porém, é que os super-heróis precisam combater não só seus inimigos nas histórias mas também a penetrante influência da televisão. Um estudo recente, intitulado “A Televisão e o Comportamento”, revela que o poder da TV para cativar os jovens é sem dúvida formidável. Como enfrentam os quadrinhos este forte competidor?
Uma inovação foi seriar as histórias — obrigando o leitor a acompanhar cada segmento. Uma recente edição de Rom (em inglês), por exemplo, narra uma história absorvente e termina com o super-herói, Rom, e um companheiro seu da Atlântida, o continente perdido, ameaçados por um monstro terrível. O que acontece a seguir? Para descobrir, você precisa ler o próximo número!
Para manter o interesse dos jovens atuais, impregnados de TV, as histórias em quadrinhos tiveram que desprezar quase totalmente as suas próprias “normas” e dar aos leitores largas doses de violência. Um exemplar em inglês de Daredevil (Diabo Petulante, um super-herói cego que usa roupa de Diabo), estampava violência em 53 por cento dos quadrinhos. Quando Daredevil luta, estampa-se uma realística seqüência de golpes acentuada com ‘efeitos sonoros’. (“Whok”, “Vupt”, “Paft”, “Whud” e “Pou”, para mencionar alguns.) E visto que os super-heróis em geral usam trajes reduzidos e corantes, os leitores podem mirar boquiabertos os seus músculos avantajados. (Os super-heróis femininos se vestem de maneira não menos sedutora.) Não é de admirar, pois, que os anunciantes de métodos para o desenvolvimento da musculatura e cursos de artes marciais amiúde optem pelos quadrinhos para veicular suas ofertas.
A religião e o ocultismo também servem de atrativos para revistas em quadrinhos. Por exemplo, uma edição de Thor (em inglês), inicia com uma observação pseudobíblica: “No princípio existia o vazio. Com o passar do tempo, a matéria surgiu no vazio, e a matéria formou estrelas, e as estrelas formaram planetas . . . O ar acima da terra estalou com potência e energia de vida . . . até que a própria energia se conscientizou de sua própria potência espantosa.” Dali em diante o leitor é conduzido a uma história de deuses e deusas mitológicos.
Os escritores usam também uma maneira sutil de introduzir idéias religiosas no enredo, tais como a transmigração da alma. Num exemplar de Daredevil, uma mulher morta é ressuscitada por um homem misterioso que de modo indiferente diz sobre o milagre: “Sim. Um Belo Truque.” Revistas com temas tais como Belzebu — o Rei dos Demônios mostram que alguns editores pretendem faturar em cima do atual fascínio pelo ocultismo.
Até mesmo os promotores da pornografia constataram que o sistema de quadrinhos é um modo conveniente de expor a nudez e o comportamento erótico. Muitas dessas publicações obscenas podem cair nas mãos de crianças.
Naturalmente, nem todas as revistas e histórias em quadrinhos são degradantes. Tampouco são todas elas lidas meramente por crianças. Centenas de milhões de adultos lêem quadrinhos em seu jornal favorito. Nas Filipinas, muitos — incluindo adultos — alugam uma revista em quadrinhos por um pequeno preço e a lêem perto da banca, devolvendo-a em seguida. Na Espanha é comum ver adultos lendo revistas em quadrinhos no metrô de Madri ou de Barcelona.
Uma série popular francesa é publicada em forma de quadrinhos em pelo menos 18 línguas. Trata-se de “Astérix”, um diminuto e destemido guerreiro celta que se envolve em todo tipo de aventura em suas viagens através do antigo Império Romano. A Encyclopaedia Britannica diz: “‘Astérix’, além de ser simplesmente humorístico e aventuroso, cultiva trocadilhos sofisticados, anacronismos espirituosos e tiradas satíricas que granjearam às histórias a estima de milhões de europeus adultos.”
Contudo, é indubitavelmente verdade que muitos quadrinhos são desenhados primariamente para crianças e são perniciosos, por abordarem o ocultismo, o sadismo, o terror e a violência gratuita. Significa isso que pais conscienciosos devem proibir seus filhos de lerem todo tipo de histórias em quadrinhos?
[Fotos na página 6]
Algumas revistas em quadrinhos dedicam mais da metade de seu conteúdo a cenas de violência.
[Fotos na página 7]
Muitas revistas em quadrinhos estampam sexo e ocultismo.
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Revistas em quadrinhos — devem seus filhos lê-las?Despertai! — 1983 | 22 de dezembro
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Revistas em quadrinhos — devem seus filhos lê-las?
“QUANDO a sabedoria entrar no teu coração e o próprio conhecimento se tornar agradável à tua própria alma”, disse Salomão, “guardar-te-á o próprio raciocínio, resguardar-te-á o próprio discernimento”. (Provérbios 2:10, 11) O genitor perspicaz procura saber o que seus filhos lêem. Assim, que dizer de revistas em quadrinhos?
Seria injusto condenar radicalmente as revistas em quadrinhos. Por um lado, existem muitos tipos diferentes. Algumas ainda são como originalmente — humorísticas, divertidas, interessantes. Podem ser também educativas. Algumas cultivam o interesse da criança em literatura clássica. O método de quadrinhos tem sido usado até mesmo para estampar histórias bíblicas. E com a TV afastando tantos jovens dos livros, alguns educadores acham que as histórias em quadrinhos podem ser usadas para reacender o interesse pela leitura.
Fantasia — Um Bem ou um Mal?
‘Mas, é sadio expor uma criança à fantasia?’, perguntam alguns. Bem, certa dose de fantasia parece ser parte normal do desenvolvimento. Observe criancinhas brincando e notará quão prontamente uma caixa de papelão se transforma numa nave espacial, ou como gostam de imitar o ronco de um carro. Assim, alguma exposição à fantasia talvez não seja necessariamente prejudicial.
Você deve, porém, avaliar o que realmente consta em certas histórias em quadrinhos. A que tipo de fantasia serão conduzidos seus filhos? Divertem-se eles com as aventuras de um personagem que manifesta valores razoavelmente sadios, ou se entretêm com vilões vampirescos ou demoníacos? Dá-se ênfase a uma aproximação construtiva dos problemas ou é tudo resolvido “a tapa”?
Algumas crianças têm dificuldade em separar a imaginação da realidade. Quanto mais jovens forem, tanto menos experiência terão nisso. Assim, se seus filhos lerem quadrinhos, talvez queira observar se estão sendo adversamente afetados por eles. Será que conseguem tirar da mente os heróis das histórias em quadrinhos como sendo meramente um passatempo, ou será que falam demais sobre estes personagens?
A Violência nas Revistas em Quadrinhos
Outra preocupação pode ser a violência nas revistas em quadrinhos. O dr. Wertham, autor de Sedução de Inocentes (em inglês), afirma que “as revistas em quadrinhos podem exercer sobre as crianças efeitos tão diferentes como distorção de valores humanos, pesadelos e brincadeiras violentas”. No entanto, um estudo realizado em 1976 sobre o efeito da leitura ocasional de quadrinhos violentos deixou de estabelecer um vínculo entre estes e a agressão, em crianças.
Portanto, compete realmente aos pais determinar se as histórias em quadrinhos estão tendo mau efeito sobre seus próprios filhos. Se a criança continuamente criar fantasias em torno de “arrasar com tudo” ou destruir, o genitor talvez conclua sabiamente que seria mais apropriado outro material de leitura.
É verdade que alguns afirmam que os quadrinhos “provêem aos leitores tanto uma via de escape para tendências hostis e agressivas como um modo de aprender a controlá-las”. Mas esta não é a maneira que a Bíblia recomenda para lidar com tais emoções. Ao contrário, ela diz: “Por fim, irmãos, todas as coisas que são verdadeiras, todas as que são de séria preocupação, todas as que são justas, todas as que são castas, todas as que são amáveis . . . continuai a considerar tais coisas.” — Filipenses 4:8; veja também Colossenses 3:5-9.
Com a Palavra um Fã de Revistas em Quadrinhos
Danny, de quase 30 anos, cristão, ainda gosta de ocasionalmente dar uma olhada nas revistas em quadrinhos. Mas também se lembra do tempo em que era completamente viciado nelas, gastando com elas o equivalente a 40 ou 50 mil cruzeiros por mês! “Sou um tipo sonhador, de modo que eu gostava dos quadrinhos porque estimulavam a minha imaginação. Eu não gostava muito dos modernos super-heróis — eles me eram inconcebíveis. Mas eu gostava dos do tipo Homem-Aranha, que usavam habilidades acrobáticas. Eu podia imaginar-me igual a ele. Se a pessoa não cuidar, eles se tornam seu ídolo, e a pessoa acaba querendo ser igual a eles, quer imitá-los. Por exemplo, eu e meus colegas costumávamos brincar de Capitão América. O Capitão América sempre tinha um escudo, que atirava nos seus inimigos. Usávamos tampas de latas de lixo como escudo e costumávamos atirá-las uns nos outros.”
Mas, como é que ficou tão viciado a ponto de gastar tanto dinheiro com quadrinhos? “Eles são como novelas”, explica. “Terminam com o nosso herói em apuros e a gente aguarda ansioso o próximo número para saber o que lhe aconteceu. Antes que me desse conta, eu tinha uma pilha enorme de revistas. Eu não comprava uma revista só quando ia às bancas, mas tantas que juntas valiam 8 ou 9 dólares [c. 7 ou 8 mil cruzeiros].”
Será que tal gigantesca dieta de fantasia o afetou? “Devo admitir que sim”, diz Danny. “Muitas vezes eu saía para uma caminhada num dia frio de inverno e simplesmente deixava minha mente vaguear, pensando nas aventuras que eu havia lido nas revistas. Antes de me dar conta, eu já havia caminhado de cinco a seis quilômetros — sem nem mesmo sentir frio!”
Ensinar as Crianças a Serem Seletivas
Alguns pais talvez reajam a isso por simplesmente manterem as revistas em quadrinhos longe de sua casa. Danny, porém, diz que “se for usado de moderação, as revistas em quadrinhos podem ser muito agradáveis”. E elas gozam de tanta popularidade entre os jovens que seria praticamente impossível evitar que as lessem. Alguns colegas de escola de seus filhos talvez as colecionem às centenas. Certo jovem disse: “Tenho uma coleção de mais de 600 revistas. Mas alguns garotos têm coleções ainda maiores.”
Assim, em vez de agir simplesmente como “censor”, talvez possa tentar um método mais positivo — ensinar seus filhos a serem seletivos. O dr. Gary Stollack, da Universidade Estadual do Michigan, EUA, recomenda aos pais: “Tome tempo para ler o material e fale sobre ele com os [seus] filhos. O material exótico e imoral pode assim ser gradualmente exposto como tal e a compreensão da criança pode ser aguçada e suas preferências aprimoradas.”
Descubra o que a criança acha sobre histórias em quadrinhos. Que aspecto delas ela gosta? Existe em sua casa outro material de leitura que interessaria a uma criança da idade dela? Em vez de condenar todo tipo de quadrinhos, não seria mais proveitoso incentivar a criança a expandir os seus hábitos de leitura? Se algum material de leitura de seus filhos for objetável, por que não explica o que você acha sobre o que eles lêem e por que pensa assim? Ajudar seus filhos a serem seletivos na leitura é bem mais difícil do que simplesmente decidir por eles. Mas talvez tenha de fazer mais isso, como obrigação adicional qual genitor que realmente se interessa pelo bem-estar de seus filhos.
Naturalmente, os quadrinhos são apenas pequena parte da imensamente popular indústria da “fantasia” que atende ao gosto de crianças, bem como de adultos. Mas, é sábio mergulhar demais na fantasia? Existe o perigo de confundir fantasia com realidade?
[Foto na página 9]
Preocupa-se caso seus filhos imitem personagens violentos de revistas em quadrinhos?
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Algo melhor do que revistas em quadrinhosDespertai! — 1983 | 22 de dezembro
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Algo melhor do que revistas em quadrinhos
É COMPREENSÍVEL que algumas pessoas hoje se refugiem na fantasia. Elas se criaram num mundo moral e espiritualmente falido. A religião pouco fez para satisfazer a sede espiritual das pessoas. Moralmente falando, os políticos amiúde têm sido exemplos deploráveis, e têm desiludido seus seguidores. Filosofias populares realmente desmoronaram a fé em Deus. Assim, não é de admirar que alguns jovens experimentem de tudo, de cultos religiosos exóticos a drogas.
A fantasia e o sobrenatural, portanto, exercem irresistível atração sobre alguns ‘refugiados’ do ermo espiritual do mundo. Mas, é prático encerrar-se no casulo da fantasia? Não, pois existe algo melhor do que ela.
Se o absorvimento da pessoa na fantasia a leva a aventurar-se no ocultismo, ela fica à mercê de alguém que há séculos desencaminha a humanidade — Satanás, o Diabo. Poucos hoje admitiriam crer no Diabo. Mas a Bíblia nos assegura de que ele é uma pessoa real, inteligente. “O mundo inteiro jaz no poder do iníquo”, diz a Bíblia em 1 João 5:19.
“Super-Homens” Pré-diluvianos
Segundo a Bíblia, esta criatura espiritual iníqua usou anjos desobedientes para dominarem o cenário mundial. Estes angélicos ‘filhos de Deus’ se obsedaram com a idéia de terem relações sexuais com as “filhas dos homens”, e de algum modo se materializaram para realizar suas fantasias egoístas. Sua prole era uma raça anormal de gigantes chamados nefilins, famosos por seu temperamento violento. Junto com seus pais angélicos fizeram da terra um lugar violento, e Deus viu-se na obrigação de acabar com aquele mundo por meio de um Dilúvio. — Gênesis 6:1-7, 13; Judas 6.
O homem, porém, jamais esqueceu estes “super-homens” pré-diluvianos. Igualmente, a mitologia grega a respeito de deuses celestiais terem vindo à terra, nada mais é do que um vestígio desses acontecimentos pré-diluvianos reais.
Por isso o cristão evita entretenimento que toca as raias da magia, da feitiçaria, do espiritismo e de similares encontros com o sobrenatural. A Bíblia condena a todos eles. — Levítico 19:26, 31; Deuteronômio 18:10-12.
Os cristãos tampouco se sentem impelidos a fugir das duras realidades da vida neste sistema de coisas. Sabem que a Bíblia predisse estas condições e recomenda: “Mas, quando estas coisas [as preditas condições mundiais] principiarem a ocorrer, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque o vosso livramento está-se aproximando.” (Lucas 21:28) Este prometido livramento virá por meio do ressuscitado Rei Jesus Cristo, que tem poderes em muito superiores aos de qualquer super-herói fictício. (Revelação [Apocalipse] 19:11-16) Sua intervenção nos assuntos mundiais significará a destruição de governos e religiões corruptos que fracassaram em satisfazer a fome espiritual de seus apoiadores. (Daniel 2:44) Seu governo celestial justo restaurará o controle da terra e restaurará condições paradísicas. — Revelação 21:3-5.
Tais fatos — não fantasias — merecem sua consideração, e a de seus filhos. As Testemunhas de Jeová terão prazer em examinar a Bíblia junto com você, de modo que entenda a base para esta esperança. Não cometa o engano de refugiar-se num mundo irreal de fantasia. Em vez disso, volte-se para as promessas da Bíblia. São encorajadoras, firmes — e REAIS!
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