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A tourada — uma festa na EspanhaDespertai! — 1976 | 22 de fevereiro
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(um dos mais famosos toureiros da década de 1920) levou chifradas por mais de 50 vezes. Dos aproximadamente 125 matadores principais (desde 1700), 42 morreram na arena; isto não inclui os matadores iniciantes ou os banderilleros ou picadores que foram mortos.” Apesar disso, mais de 3.000 touros serão ritualmente mortos nas arenas espanholas durante esta temporada, e dezenas de toureiros arriscarão sua vida várias vezes por semana.
A Igreja Católica e a Tauromaquia
Durante anos, a Igreja Católica proscreveu as touradas. O Papa Pio V (1566-1572) expediu encíclicas papais ameaçando os toureadores de excomunhão e de lhes ser negado um enterro cristão. Outros papas apoiaram esta posição, até Clemente VIII (1592-1605), que removeu as anteriores excomunhões, mas, ao mesmo tempo, estipulou que as touradas na Espanha não deviam ser realizadas nos feriados religiosos. Todavia, as touradas se tornaram prática padrão para a celebração de eventos e festas religiosos. Ilustram isso os comentários da Enciclopédia Universal Ilustrada:
“As transferências do Santíssimo Sacramento de um altar para outro era celebradas com touradas também as de relíquias e imagens de santos, as comemorações dos santos padroeiros de cidades e povoados, a construção de igrejas; as canonizações e muitas outras festas religiosas. Mais de 200 touros, em cerca de 30 touradas, foram jovialmente sacrificados para celebrar a canonização de santa Teresa de Jesus. Trouxeram-se touros para dentro da Catedral de Palencia; a carne dos touros mortos em honra aos santos foi guardada como relíquia e para efetuar curas; os capítulos eclesiásticos [grupos de clérigos] organizavam e financiavam touradas . . . Em Tudela, na manhã da tourada, um monge capuchinho era levado junto para enfeitiçar os touros: de modo que se tornassem ferozes.”
Os toureiros se inclinam a ser religiosos; mas, como alguns deles admitem, isto se dá de modo supersticioso. Um deles explicou que cada arena tem sua própria capela particular onde os toureiros se dirigem para orar antes de enfrentarem os touros. Com efeito, muitos dos toureiros levam com eles em suas viagens uma espécie de altar portátil, que pode ser montado num quarto de hotel, a fim de orarem antes de irem para a praça.
Convêm as Touradas Para os Cristãos?
Como deve o cristão, atualmente, considerar as touradas? Várias perguntas se apresentam nesse respeito. Exemplificando: se o homem foi feito à imagem de Deus, e Deus é amor, pode alguém refletir esse amor e ao mesmo tempo praticar a crueldade para com os animais? (Gên. 1:26; 1 João 4:8) Se o cristão dedicou a vida a Deus, é razoável pôr em perigo tal vida por deliberadamente provocar um touro selvagem? Prosseguirá tal prática a existir na nova ordem de Deus quando nem o homem nem o animal ‘farão dano nem causarão ruína’? — Isa 11:9.
O que dizer, assim de colecionar ou exibir fotos de touradas e matadores na casa da pessoa? Mostra um conceito equilibrado, mente sã e bom juízo idolatrar homens que desdenham a dádiva de vida e então vivem às custas da exibição pública de crueldade aos animais? Outra coisa: Como ter essas fotos na casa da pessoa influi nos concristãos? Ou, que dizer se alguém visse um concristãos assistir a uma tourada, Estas são sérias perguntas para os cristãos refletivos, pois o apóstolo Paulo escreveu: “Que cada um persista em buscar, não a sua própria vantagem, mas a da outra pessoa.” — 1 Cor. 10:24.
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A vida dum matador — quão satisfatória é?Despertai! — 1976 | 22 de fevereiro
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A vida dum matador — quão satisfatória é?
A história de alguém que realizou seu sonho de tornar-se matador, e de como era realmente a sua vida.
POR quase vinte anos sonhei em me tornar um matador completo, e, finalmente chegara esse momento. Era o dia 2 de abril de 1967, em Alcalá de Henares, Madri.
Quando saí do hotel, havia grande multidão de amigos e admiradores que desejavam estar comigo nesse dia importante. Naquela tarde, na cerimônia chamada alternativa, iriam conferir-me o título de matador de toros, a mais alta categoria profissional na tauromaquia.
Quem me apresentaria seria o matador veterano, Curro Romero, o padrinho da cerimônia, e, como testemunha oficial, o famoso matador El Cordobés, Manuel Benítez. Depois de algumas palavras de encorajamento, acolhendo-me a este grupo exclusivo de profissionais, recebi o que se chama comumente de los trastos de matar, os instrumentos da profissão. Estes são a espada e a muleta, que é a pequena capa usada para enganar o touro.
Daí veio o abraço dos dois matadores veteranos. E, por fim, face a face com o touro. Passei a prova. Agora estava diante de mim uma carreira promissora. Por fim conseguira o que desejara por tanto tempo.
Desejo Inicial de Ser Matador
Quando era garoto, a tourada era meu único interesse. Costumava sentar-me à porta da barbearia local apenas para ouvir os homens conversarem sobre isso. Naquele tempo, ainda falavam da morte de um dos mais famosos toureiros de todos os tempos, Manolete (Manuel Rodríguez), morto por um touro em 1947.
Eu já praticava o toureio por algum tempo, mas sem um animal de verdade. Por fim surgiu minha oportunidade. Foi em dezembro de 1958, quando só tinha 15 anos.
Alguns amigos mais velhos planejavam ir a noite a um curral, para praticar. Consegui convencê-los a me levar também. Com dificuldade, separaram do rebanho uma vaca braba. Daí, nós quatro, cada um por sua vez, “lutamos” contra ela. Depois que terminamos, houve uma discussão sobre quem fora o melhor. Um rapaz disse que tinha sido eu. Isto me surpreendeu, visto não ter idéia do que era bom ou ruim na tauromaquia. Dali em diante, meus amigos mais velhos me levavam às suas touradas noturnas, e obtive bastante experiência.
Certa noite, um golpe dum chifre de vaca me pegou, rasgando-me o rosto desde a ponta da boca até o queixo. O único
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