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Recreação que realmente reanimaA Sentinela — 1979 | 1.° de dezembro
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Quando se aplicam os princípios bíblicos, e os anciãos, servos ministeriais e outros presentes usam a sua influência para o bem, tais ocasiões podem ser fonte de verdadeira reanimação, não deixando um sabor amargo na boca de muitos por causa de alguma conduta degenerada. Nunca devemos esquecer que nossa principal comissão é ser testemunhas do nome e do reino de Jeová. Mesmo no ambiente descontraído duma reunião cristã, social, nossa conduta deve dar glória ao nosso Santo Pai. Conforme disse um escritor cristão do segundo século: “Em parte alguma é o cristão outra coisa senão cristão.” — Isa. 5:12; 43:10-12; 1 Cor. 10:31.
O VALOR RELATIVO DA RECREAÇAO
A recreação salutar pode prover alguma diversão agradável. Pode reanimar-nos para podermos prosseguir com o nosso trabalho normal. Contudo, ela não é a coisa principal na vida. Certa jovem irmã, bem equilibrada, proclamadora por tempo integral das “boas novas”, na Europa, disse:
“A diversão não era o que se enfatizava no lar. Para ser franca, a principal coisa no nosso lar era o serviço de campo. O alimento, a roupa, o abrigo, as coisas espirituais e as reuniões eram as coisas importantes. No entanto, quando tínhamos tempo, nos empenhávamos em alguma diversão, talvez visitando outras famílias na congregação.
“Muitas vezes vi jovens irem a diversos lugares de diversão e pensei: ‘Ora, eu gostaria muito de fazer isso.’ Mas, na realidade, não me prejudicou em nada não me empenhar constantemente em recreação. Nunca foi uma desvantagem para mim. Não estou em pior situação do que todos os outros jovens da minha idade.”
Se permitíssemos que a diversão desempenhasse um grande papel na nossa vida, isso nos prejudicaria espiritualmente, e talvez até mesmo em sentido físico. Note a advertência clara de Provérbios 21:17, que diz: “Aquele que ama a hilaridade será alguém em necessidade; quem ama o vinho e o azeite não enriquecerá.”
Naquele tempo, era costumeiro, em reuniões sociais ou banquetes, beber vinho e derramar óleo, e outras substâncias fragrantes, sobre a cabeça e a roupa. (Pro. 27:9; Amós 6:6) Os que amavam tais festividades logo descobriam que outras atividades na sua vida passavam a sofrer, para seu prejuízo. Uma série de experiências lamentáveis tem mostrado que, quando há empenho regular em festividades puramente recreativas, elas têm a tendência de gravitar para o mundanismo. Por isso, é preciso ter muita cautela.
Nunca se esqueça de que muitos cristãos, em diversas partes do mundo, não têm à sua disposição muito do que é chamado de “diversão” pelas pessoas nas nações mais industrializadas. Mas, eles se arranjam, e, de fato, em muitos sentidos, parecem ser mais felizes e mais contentes do que aqueles que têm uma tão grande variedade de recreação. Um ancião, observando bem a situação internacional, escreveu: “Muitos acham que a ênfase dada à diversos e o declínio da moral andam de mãos dadas.” Portanto, cada cristão precisa prevenir-se contra tal perigo e colocar a “ênfase” na sua participação na adoração de nosso Pai celestial. Temos de encarar também o fato de que, em vista da urgente comissão de proclamar o reino de Deus nestes “últimos dias”, nem nós, como cristãos, nem os nossos filhos, poderemos gastar mais do que o mínimo de tempo com a diversão. É também evidente que os cristãos nunca poderão empenhar-se em tudo o que o mundo chama de “diversão”. De modo que a recreação precisa ser mantida no seu devido lugar. Isto requer que mantenhamos constantemente uma perspectiva espiritual, não carnal, e que nos empenhemos em incutir este conceito no coração de nossos filhos.
Portanto, mantenha cada cristão um conceito equilibrado sobre a recreação. Façamos nossa vida girar em torno das coisas que dão verdadeira alegria e satisfação ao coração, ao passo que ocasionalmente nos empenhamos em alguma recreação edificante. Acima de tudo, tenhamos a maior felicidade em levar uma vida cristã limpa em proclamar zelosamente a grandiosa esperança do Reino, que em breve ajudará toda a humanidade a levar uma e outros a vida equilibrada e valiosa, para o eterno louvor de nosso Deus, Jeová.
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Laodicéia e os laodicensesA Sentinela — 1979 | 1.° de dezembro
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Laodicéia e os laodicenses
Laodicéia, cujo nome talvez signifique “julgamento do povo”, era uma cidade na parte ocidental da Ásia Menor, cujas ruínas ficam a a uns 145 quilômetros a leste de Éfeso, perto de Denizli. Conhecida anteriormente por Dióspolis e Roas, é provável que Laodicéia tenha sido novamente fundada no terceiro século A. E. C., pelo governante selêucida Antíoco II, e chamada segundo a esposa dele, Laódice. Situada no vale fértil do rio Lico (tributário do Meandro [Menderes]), Laodicéia ficava no entroncamento de grandes vias comerciais e estava ligada por estradas com cidades tais como Éfeso, Pérgamo e Filadélfia.
Laodicéia usufruía grande prosperidade como cidade manufaturaria e centro bancário. Um indício da grande afluência desta cidade é o fato de que, quando sofreu grandes danos por causa dum terremoto, durante o reinado de Nero, pôde ser reconstruída sem ajuda financeira de Roma. (Annals, de Tácito, Livro XIV, seção 27) A lã preta e lustrosa de Laodicéia e as vestimentas fabricadas com ela eram amplamente conhecidas. Sendo sede duma famosa escola de medicina, esta cidade provavelmente produzia também o remédio para a vista conhecido por “pó frígio”. Portanto, é compreensível que uma das principais deidades veneradas em Laodicéia fosse Esculápio, deus da medicina.
Esta cidade tinha também uma grande desvantagem. Dessemelhante das cidades vizinhas no vale do Lico, tais como Hierápolis, com suas fontes termais famosas pelas suas propriedades curativas, e Colossos, com sua refrescante água fria, Laodicéia não possuía nenhum suprimento permanente de água. A água tinha de ser trazida de grande distância a Laodicéia e provavelmente já era morna quando atingia a cidade. Na primeira parte do percurso, a água era transportada por um aqueduto e depois, mais perto da cidade, por meio de biocos cúbicos de pedra, perfurados pelo meio e cimentados nas extremidades um ao outro.
Laodicéia parece ter tido um número considerável de judeus. Segundo uma carta de magistrados laodicenses (citada por Josefo), permitia-se aos judeus observar o sábado e seus outros ritos sagrados, de acordo com a injunção de Caio Rubílio. (Antigüidades Judaicas, Livro XIV, cap. X, par. 20, em inglês) Pelo menos alguns dos judeus ali eram bastante abastados. Isto se pode deduzir do fato de que, quando o Governador Flaco ordenou o confisco das contribuições anuais para o templo de Jerusalém, a contribuição dos judeus de Laodicéia supostamente veio a ser mais de dez quilos de ouro.
No primeiro século E. C., havia uma congregação cristã em Laodicéia, a qual, pelo visto, se reunia na casa de Ninfa, uma irmã cristã. Sem dúvida, os esforços de Epafras contribuíram para o estabelecimento desta congregação. (Col. 4:12, 13, 15) É também provável que o efeito da obra de Paulo em Éfeso se tenha estendido até Laodicéia. (Atos 19:10) Embora não ministrasse ali pessoalmente, não obstante, Paulo preocupava-se com a congregação laodicenses e até mesmo lhe escreveu uma carta. (Col. 2:1; 4:16) Entretanto, alguns eruditos acham que a carta de Paulo talvez fosse simplesmente uma duplicata daquela que enviou a Éfeso. Naturalmente, esta é apenas uma teoria, um empenho para explicar o fato de que a Bíblia não contém nenhuma carta de Paulo ‘aos laodicenses’, embora Paulo lhes escrevesse. A carta a Laodicéia talvez apenas contivesse informações não necessárias para nós, hoje, ou pode ter repetido pontos já adequadamente abrangidos em outras cartas canônicas.
A congregação de Laodicéia era uma das sete na Ásia Menor às quais o glorificado Jesus Cristo, na Revelação a João, dirigiu mensagens pessoais. (Rev. 1:11) Naquele tempo, perto do fim do primeiro século E. C., a congregação laodicense tinha pouco para recomendá-la. Embora fosse materialmente rica, era espiritualmente pobre. Em vez do ouro literal manejado pelos banqueiros laodicenses, em vez das vestimentas de lã preta e lustrosa, fabricadas localmente, em vez do remédio para os olhos, sem dúvida produzido pelos médicos laodicenses em vez das águas termais, medicinais, das fontes da vizinha Hierápolis, a congregação laodicense precisava de coisas assim em sentido espiritual. Precisava de “ouro refinado pelo fogo” para enriquecer sua personalidade (veja 1 Coríntios 3:10-14; 1 Pedro 1:6, 7), roupas exteriores brancas, para ter uma irrepreensível aparência cristã, sem aspectos não-cristãos, que eram tão vergonhosos como a nudez física. (Veja Revelação 16:15, 19:8.) Precisava de um espiritual “ungüento para os olhos” para tirar-lhe a cegueira para com a verdade bíblica e as responsabilidades cristãs. (Veja Isaías 29:18; 2 Pedro 1:5-10; 1 João 2:11.) Ela podia comprar essas coisas de Cristo Jesus, Aquele que batia à porta, se o acolhesse hospitaleiramente. (Veja Isaías 55:1, 2.) Ela precisava tornar-se estimulantemente quente (veja Salmo 69:9; 2 Coríntios 9:2; Tito 2:14) ou refrescantemente fria (veja Provérbios 25:13, 25), mas não devia continuar morna. — Rev. 3:14-22.
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