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Haverá suficiente alimento para todos?Despertai! — 1981 | 22 de fevereiro
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Haverá suficiente alimento para todos?
OS FRANCESES o chamam de nourriture. Os gregos o conhecem como trophé. Para os japoneses, é o shokuji. Para os de língua inglesa é food. E o que é, em português? Alimento!
Não importa que nome lhe dê em seu idioma, a idéia de boa comida o faz ficar com água na boca, quando está com fome? Sim, bom alimento é muito desejável, deleitável ao paladar e nutritivo para o corpo.
Por outro lado, o espectro da fome é assustador. Suas conseqüências são devastadoras. Impede o crescimento físico e mental e rouba de milhões a chance de levar uma vida normal. Mas, faz ainda mais: mata.
Se morar em lugares tais como a Europa ou a América do Norte, é claro que talvez não se preocupe muito com a fome. Naturalmente, talvez esteja aborrecido com os altos preços dos alimentos, mas em tais áreas há poucas pessoas realmente famintas.
Em outros lugares, a história é outra.
Quantos São Atingidos?
Talvez fique estarrecido ao saber que atualmente cerca de um bilhão de pessoas passam fome. Tal estimativa é do Conselho Mundial de Alimentação, órgão das Nações Unidas. Isto representa cerca de 25 por cento da população mundial! Assim, muitas autoridades acham que a luta para se conseguir o suficiente para comer é o maior problema que a humanidade enfrenta.
Mas, será que o problema está, pelo menos, diminuindo? Não. “O problema mundial da fome piora ao invés de melhorar”, declarou Sol Lonowitz, presidente de uma comissão presidencial dos Estados Unidos sobre fome mundial. Acrescentou: “Uma crise maior jaz à frente a menos que seja feito um esforço em conjunto para impedi-la.”
Similarmente, o U. S. News & World Report disse: “Uma crise de alimentação mais séria do que a atual esmagadora crise de energia ameaça a paz mundial nos próximos 20 anos, a menos que os Estados Unidos e outros países tomem uma corajosa medida.”
Por que é a fome uma ameaça a paz mundial? Porque o desejo frustrado de pessoas pobres de conseguirem um padrão de vida decente é a maior força explosiva em potencial no mundo de hoje. Um bilhão de pessoas iradas e desesperadas representam uma real ameaça à ordem internacional.
A ameaça pode ser ainda maior. O Royal Bank do Canadá calcula que “tantos quantos 40 por cento da população mundial sofre de subnutrição”. Isto é acima de 1,6 bilhões de pessoas! Relata-se, como exemplo, que em certo país africano 45 por cento das crianças morrem antes de atingirem a idade de cinco anos.
Por Que Piora?
Por que piora a situação? Não se ouvem relatórios sobre mais alimento sendo produzido em alguns países? Sim, houve alguns aumentos. Mas a população mundial aumentou ainda mais depressa.
Assim, em média, houve um decréscimo líquido na quantidade de alimento disponível para cada pessoa. Por exemplo, um estudo do World-Watch Institute [Instituto de Observação Mundial] mostra o seguinte:
Qual é, atualmente, o crescimento da população mundial? Cerca de 70 a 80 milhões anualmente, o equivalente a um novo Paquistão a cada ano. Em adição, tal crescimento populacional provoca ainda maior uso de terra cultivável para outros fins. Constroem-se mais casas, centros comerciais, fábricas, estradas, aeroportos, escolas e outras coisas em lugares que antes eram áreas agrícolas.
Todos os dias, através da terra, milhares de hectares disponíveis para produção de alimento são requisitados para tais finalidades. Mais cedo ou mais tarde a humanidade vai sentir a espetada que tal falta de terra cultivável lhe vai dar. Nos Estados Unidos, a perda de terra de lavoura já utilizada ou em potencial é em média 10 km2 diários. Isto equivale a uma faixa de terra de 800 metros de largura, indo de Nova Iorque a São Francisco — cada ano! [No Brasil, aproximadamente o equivalente ao extremo norte-sul.]
O uso excessivo de pastagens em áreas agrícolas marginais faz com que algumas delas se transformem em desertos. Um funcionário das Nações Unidas calculou que o deserto do Saara já avança em direção ao sul a uma média de seis quilômetros por ano, na maior parte devido ao uso excessivo das pastagens. Outros desertos, inclusive o da Arábia, o de Kalaari, no sudoeste da África, o de Sonora, no México e no sul dos Estados Unidos, também se expandem, segundo relatórios.
A revista africana To the Point (Direto ao Ponto) publicou a respeito de tais desertos: “Eles avançam sobre cerca de 60.000 km2 de terra arável a cada ano e em certas áreas a marcha prossegue a mais de 11 km por ano.” Disse mais: “Os cientistas chamam agora tal processo de ‘câncer de pele da terra’ e dizem que se espalha como um tumor maligno. Calculam que até um por cento de toda terra arável do mundo se transforma em deserto, a cada ano. . . . A maioria dos entendidos acha que o principal culpado deste processo é o homem. Agricultura devastadora e superexploração da terra . . . são a causa básica do problema.”
Outro problema é o alto custo do combustível, um fator-chave no custo de produção de alimentos. Os fertilizantes, tratores, caminhões e outro maquinário dependem do petróleo. O perito em agricultura Lester Brown disse: “A conjugação dos custos crescentes da energia junto com cada vez menor rendimento dos fertilizantes químicos também contribui para o nivelamento da produção de grãos e cereais.”
Ainda outro fator negativo é acrescentado ao já crítico quadro da produção de alimentos: mais e mais cereais e plantas estão sendo agora transformados em álcool para uso como combustível para carros e caminhões. Ao passo que os países forem usando mais plantas para produzir combustível, as plantas que sobrarem para alimento se tornarão necessariamente cada vez mais escassas.
Contudo, não estão os novos métodos de produção de alimentos virando a maré? Por exemplo, o que dizer da “revolução verde”?
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O que aconteceu à “Revolução verde”?Despertai! — 1981 | 22 de fevereiro
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O que aconteceu à “Revolução verde”?
APROXIMADAMENTE há 40 anos, peritos em agricultura começaram a fazer experiências com novos tipos de trigo. Tais “reprodutores de plantas” tentavam produzir maiores safras na mesma área de terra cultivada. Tiveram êxito.
Nos anos desde então, os resultados de suas experiências foram estendidos ao arroz. Grandes áreas de tais novas variedades de trigo e arroz foram plantadas na América Central e do Sul, e na Ásia. As colheitas aumentaram dramaticamente. Assim, alguns pensaram que aí estava a solução para alguns dos problemas da falta de alimento no mundo.
O Que Aconteceu?
Recentemente, perguntou-se ao perito em agricultura Lester Brown: “Mas o que aconteceu com a ‘revolução verde’, que se destinava a acabar com a fome?” Respondeu: “Nunca se intencionou que a revolução verde fosse resolver o problema do alimento — apenas nos faria ganhar tempo para manter o crescimento populacional sob controle. . . . não há nenhuma tecnologia agrícola capaz de acompanhar o passo de tal crescimento.”
De modo que a “revolução verde” provocou alguns aumentos na produção de alimento. Mas, o grande aumento da população, no ínterim, largamente a sobrepujou.
Também, a “revolução verde” tem seu “calcanhar-de-aquiles”, um aspecto vulnerável. Qual é sua fraqueza? É o fato de que ao passo que aumentavam as safras, a estrutura para isso era muito maior emprego de fertilizantes, pesticidas, irrigação e mecanização. Conforme observado no artigo anterior, muito disso depende da disponibilidade de petróleo para mover os tratores e outras máquinas, bem como para produzir os fertilizantes e produtos químicos usados na “revolução verde”.
Não somente há um estrangulamento energético, atualmente, mas o custo de óleo “varou o teto”. Os próprios países que mais necessitam de alimentos estão na pior situação para comprar o óleo, e sem ele a “revolução verde” não se mantém.
A revista Time, comentando o assunto antes dos aumentos recentes nos preços de petróleo, disse:
“Elas pagam agora um aumento de 1600% nos preços da OPEP, desde 1970; não podem passar sem petróleo, mas não têm recursos para comprá-lo.
“Admite um funcionário da Organização de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas: ‘O sujeito que era suficientemente esclarecido para seguir nosso conselho de comprar maquinário e fertilizantes está num beco sem saída, ao passo que o fazendeiro que continuou com seu búfalo está numa situação muito melhor.’”
Outro paradoxo no seio das nações mais pobres, é que usualmente apenas os fazendeiros mais ricos podem adquirir a nova tecnologia necessária para fazer com que a “revolução verde” seja um sucesso. O lavrador pobre, que mais necessita aumentar a produção de alimentos, não pode adquiri-la.
Complicando ainda mais o quadro, há o fato que a maior parte dos quatro bilhões de habitantes da terra são pobres. Assim, mesmo que o aumento na produção de alimentos acompanhasse o passo do aumento da população, tais pessoas pobres não teriam condições de pagar uma dieta decente.
Grande Salto à Frente?
Será que algum novo desenvolvimento dramático na produção de alimentos salvará a situação? Os peritos estão pessimistas.
A Monthly Letter [Carta Mensal], publicação do “Royal Bank” do Canadá, declara: “Embora a revolução verde tenha feito maravilhas, ninguém imagina que seja a completa solução para o problema alimentar que agora confronta a humanidade.” Acrescentou: “Não se pode esperar que a ciência sozinha realize a tarefa.”
U. S. News & World Report perguntou a Lester Brown: “Existem algumas brechas de saída à vista, que possam aumentar dramaticamente a disponibilidade de alimento no futuro?” Ele respondeu:
“Eu gostaria de poder dizer Sim, mas as possibilidades são contrárias.
“A julgar pelo que há nas mesas de projetos, é muito difícil ver qualquer coisa que leve a um salto quantum [grande] do tipo que tivemos desde a Segunda Guerra Mundial — com processos tais como a hibridização do milho, o enorme aumento no uso de fertilizantes químicos, a rápida expansão na irrigação e o trigo e arroz de alta produtividade.”
Significa isso que não há solução? De modo algum. Ela existe, e é uma que virá sem falta, que se revelará completamente satisfatória. Contudo, até que chegue tal dia, podem algumas pessoas se beneficiar por saberem o que outros usam como alimento?
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O que as pessoas estão dispostas a comerDespertai! — 1981 | 22 de fevereiro
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O que as pessoas estão dispostas a comer
QUANDO se fala em matéria de comida, as pessoas em certas partes do mundo pensam em coisas tais como carne, pelo menos uma vez por dia, em vegetais e frutas variados, e em vários tipos de sobremesas e bebidas.
Contudo, centenas de milhões de pessoas talvez vejam pouca ou nenhuma carne durante sua vida inteira. Têm uma dieta fixa de apenas uns poucos alimentos, tais como de arroz, três vezes por dia, junto com alguns vegetais. Vez por outra talvez comam um pedaço de carne de peixe ou outra carne. O caso é que uma melhor dieta não lhes está disponível ou são pobres demais para comprá-la.
Mas, as pessoas ao redor do mundo comem muitas coisas que poderiam ajudar algumas pessoas famintas em algum outro lugar.
O Que É Alimento?
Alimento é definido como “material nutritivo absorvido ou ingerido no corpo de um organismo com vistas ao crescimento ou à recuperação”. É “algo que nutre, desenvolve ou sustenta”.
Devido a esta definição, parece que virtualmente não há fim no que se pode chamar de alimento, no mundo das plantas, animais e insetos. No mundo vegetal, por exemplo, a humanidade infelizmente depende para alimento, atualmente, de apenas poucas culturas básicas. Mas, numa ou noutra época da história, as pessoas usaram como alimento vários milhares de tipos de plantas diferentes.
Certo grupo de cientistas falou de 30 espécies de plantas tropicais, pouco conhecidas, que poderiam ajudar a alimentar as pessoas, mas que não estão sendo usadas no momento. Um cientista africano observou milhares de espécies de plantas, na África, mas apenas umas poucas estavam sendo utilizadas, tais como milho, arroz e batatas-doces. E tais foram “emprestadas” de outras culturas.
Alimentos Diferentes
Alguns dizem que outros alimentos, pouco conhecidos, são muito exóticos para serem comidos. Mas, um cientista respondeu: “Lembre-se, quase tudo é comido por alguém, em alguma parte.”
Por exemplo, um cientista sugeriu minhocas misturadas com outros alimentos, como rica fonte de proteína. Está apavorado com esta sugestão? Bem, Science Digest publicou que uma mulher, formada em economia doméstica numa Universidade da Califórnia, “come insetos regularmente, sendo seus favoritos o cupim, o louva-a-deus, a abelha, e o marimbondo ou besouro”.
Um painel de provadores selecionou algumas de suas “iguarias”. Qual foi sua impressão? Após provar seu petisco de cupim, sopa won ton de abelha e um tal pão jiminy (que inclui grilos ou louva-a-deus moídos) o painel reagiu entusiasticamente. Um membro disse: “Meu favorito foi o petisco de cupim.”
O antropologista americano Aubrey William selecionou uma amostra de “pizzas de peixe”, feitas com resíduos de bacalhau [depois de ter sido extraído o óleo], também lagartas, louva-a-deus torrados, borboletas, minhocas e biscoitinhos de abelhas. Sua reação? “Eu sei que isto às vezes soa como sendo de mau-gosto, mas quando parar de pensar nisso, verá que não é muito diferente de se comer caracóis. E tirar a pele de um gafanhoto ou barata, para se comer, não é muito diferente de descascar um camarão.”
As Atitudes Variam
Visto que as pessoas em toda parte são biologicamente iguais, seus corpos podem ser sustentados com as mesmas espécies de nutrientes. Por que, então, nem todos comem tudo o que os outros comem?
Bem, como se sente quando ouve falar sobre pessoas em alguma parte que comem cachorro, gato, rato, camundongo, cobra, rã, minhoca, cavalo, macaco ou elefante? Sente um enjôo no estômago? Não importa quais sejam seus sentimentos, lembre-se de que aquilo que você preza como prato favorito pode ser considerado repugnante por alguém em outra parte.
Portanto, o problema talvez não esteja relacionado com o que se usa como alimento. Pode depender de onde você nasceu e do tipo de alimento que foi acostumado a comer desde a infância. Poderia depender, também, de suas convicções religiosas ou formação cultural.
Por exemplo, pode parecer revoltante para uma pessoa criada na América do Norte ouvir falar que pessoas em certas partes da África saboreiam minhocas. Do mesmo modo, poderia ser repugnante para um indivíduo criado em certas partes da África saber que algumas pessoas na Europa ou na América gostam da carne de rã.
Uma pessoa na Índia talvez fique irada ao ouvir falar que os europeus e americanos usam a carne de vaca como alimento. Para um muçulmano, comer carne de porco é sacrilégio. E alguns europeus achariam engraçada a idéia de usar milho como alimento para adultos, porém, certos tipos de milho são muito desejáveis para outras pessoas.
Conceito Equilibrado
Assim, o fato de que certas pessoas usam alimentos que outros consideram incomuns ou repugnantes é, em grande parte, questão de sugestão. Desde que as pessoas podem comer e ser sustentadas por tais coisas numa parte do mundo, qualquer um poderia também se nutrir por meio delas, do ponto de vista físico.
O homem está rodeado de todos os tipos de alimentos. Mas seu caráter exigente originou seus gostos e desgostos. Isso talvez seja muito bom em época de fartura, mas, em tempos de fome priva-o da nutrição.
Concernente à provisão original de alimento para o homem, a Bíblia diz, de modo interessante: “Eis que [eu, Deus] vos tenho dado toda a vegetação que dá semente, que há na superfície de toda a terra, e toda árvore em que há fruto de árvore que dá semente. Sirva-vos de alimento.” (Gên. 1:29) Mais tarde, Deus acrescentou: “Todo animal movente que está vivo pode servir-vos de alimento. Como no caso da vegetação verde, deveras vos dou tudo. Somente a carne com a sua alma — seu sangue — não deveis comer.” — Gên. 9:3, 4.
É evidente que Deus proveu grande variedade de vida vegetal, animal e de insetos que pudesse ser comida para sustentar a vida. É por isso que nos é dito mais tarde na Bíblia que “cada criação de Deus é excelente, e nada deve ser rejeitado [como alimento] se for recebido com agradecimento”. — 1 Tim. 4:4, 5.
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Qual é a solução real?Despertai! — 1981 | 22 de fevereiro
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Qual é a solução real?
POR certo, mais coisas poderiam ser comidas pelas pessoas, do que estão sendo agora. Mas, sendo realistas, não podemos pensar que todo mundo de repente vai começar a gostar do que não quer comer. Este é o motivo por que alguns continuarão a passar fome quando por perto talvez exista uma fonte de nutrição, mas diferente demais do que costumeiramente comem.
Tampouco, conforme já observado, um grande passo à frente nos esforços humanos resolverá o problema. Se tais avanços tecnológicos tivessem sido possíveis, não haveria agora 1.000.000.000 de pessoas indo toda noite dormir com fome. Assim, não podemos fugir ao fato de que, apesar das sinceras e nobres soluções propostas, a corrida para alimentar a parte mais pobre da população da terra está sendo perdida.
O Dr. Walter Santos, da Sociedade Brasileira de Nutrição disse: “Há quase uma frustração geral em todos os países desenvolvidos com relação ao que foi prometido e previsto e o que foi alcançado. Por toda parte existe um desejo, uma necessidade de profundas alterações nas estratégias de desenvolvimento até agora adotadas, pois elas, longe de atenuar as desigualdades sociais e econômicas, as têm agravado.”
Por que tem sido assim? Porque a solução para o problema alimentar está além do alcance do que os homens podem realizar. Os mais brilhantes cientistas, os mais sábios líderes políticos, os mais inteligentes economistas não têm sido capazes de resolver o problema depois de todo tempo, esforço e dinheiro investidos. Nem o serão no futuro.
O egoísmo e a ganância do homem, sua sede de poder, sua disposição de lucrar enquanto outros sofrem, tudo atrapalha o caminho. E tais são apenas alguns dos profundamente enraizados problemas que bloqueiam a possibilidade de uma solução permanente.
Se o homem provavelmente não aparecer com a solução, o que será então? Será que estão certos aqueles cientistas que predizem vindoura inanição em massa, numa escala que ananicará qualquer coisa que a humanidade já tenha passado? Não existe nenhuma saída?
Aproxima-se a Solução Real
Aproxima-se a solução? Como pode ser? Não acabamos de explicar que os peritos encaram o futuro com medo?
Sim, mas a própria realidade das atuais condições e perspectivas sombrias é um encorajamento. Em que sentido? No sentido de que todas estas coisas fazem parte da evidência de que nos aproximamos da solução real. Observe o que disse Jesus Cristo numa profecia a respeito de nosso tempo: “Os homens ficando desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada.” — Luc 21:26
A atual fome, bem como muitos outros eventos, assinala a nossa geração como estando na “terminação do sistema de coisas”, que Jesus predisse. Pois, entre as coisas que Jesus predisse estava que “haverá escassez de víveres”. — Mat. 24:3, 7, 8.
O último livro da Bíblia falou profeticamente a respeito do cavalgar de quatro “cavaleiros” simbólicos, em nosso tempo. Uma conseqüência seria altos preços para o alimento: “O salário de um dia inteiro por um pão”, é como Revelação 6:6 é traduzido pela tradução Weymouth [em inglês]. Isto se encaixa exatamente no comentário feito pelo Times de Nova Iorque: “Para muitas pessoas, o preço de uma única refeição é agora maior do que a renda de um dia.”
A pior escassez de víveres ocorreu em nossa era. Assim também o foram muitos outros eventos sem precedentes na história, começando com a Primeira Guerra Mundial, de 1914-1918. Aquela guerra foi a guinada da história moderna. Foi um dos muitos acontecimentos que claramente indicaram que estávamos entrando no período de tempo conhecido como a “terminação do sistema de coisas”, ou o “fim do mundo” — Versão Almeida.
Uma Nova Ordem de Fartura
Felizmente, porém, a profecia bíblica nos dá um vislumbre de uma maravilhosa mudança que ocorrerá em breve, mundialmente, quando findar o atual período. Diz:
“Deus mesmo estará com eles. . . . Enxugará toda lágrima de seus olhos, e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição.”
“Então o que está assentado no trono [Deus] disse: ‘Eis que eu renovo todas as coisas.’” — Rev. 21:3-5, Centro Bíblico Católico.
Assim, o que os acontecimentos mundiais realmente significam, incluindo a lúgubre perspectiva quanto à situação alimentar, é que nos aproximamos do fim do atual sistema insatisfatório, que agora prevalece sobre a humanidade. A promessa de Deus é que, em breve, ele intervirá nos assuntos humanos para esmagar este sistema mau, pavimentando o caminho para uma nova era que trará enormes transformações. Significará, conforme Pedro profetizou, “novos céus e uma nova terra”. — 2 Ped. 3:13.
Sim, um novo governo de Deus assumirá o controle dos assuntos humanos e os dirigirá desde o domínio celestial. (Mat. 6:9, 10) Tal governo fará mudanças maravilhosas na terra. Acabará com a injustiça social, e com as pessoas economicamente egoístas e gananciosas. Porá um ponto final também nas divisórias barreiras nacionais. E cessará para sempre a fome, a desnutrição e a pobreza. Desaparecerão para sempre as barrigas inchadas e as pernas e braços feito caniços, dos desnutridos. Desaparecida para sempre estará a infeliz perspectiva que centenas de milhões de pessoas agora têm, de ir dormir com fome, cada noite.
Assim, aproximamo-nos rapidamente do tempo em que o espectro da fome será coisa do passado, jamais erguendo de novo sua horrenda face. Ao invés disso, a nova ordem de Deus se caracterizará por uma abundância de coisas boas, incluindo “um banquete de pratos bem azeitados” e ‘bastante cereal, uma superabundância’. Então, haverá alimento mais do que o suficiente para todos. — Isa. 25:6; Sal. 72:16.
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