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Milhões indagam: “o que comeremos?”Despertai! — 1973 | 22 de dezembro
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os países logo abaixo do Deserto do Saara, são os mais duramente atingidos. Mas, a Zâmbia, Botsuana, Suazilândia, a República Centro-Africana, o Senegal, o Daomé, Camarões, e a Nigéria também sentem os efeitos dos alimentos limitados. Relatórios de escassez de víveres também chegam das ilhas do mar e das Américas Central e do Sul.
Sim, ‘o mundo está no liminar da fome’, avisa o Dr. Boerma, diretor-geral da Organização das Nações Unidas Para a Alimentação e a Agricultura (F. A. O.). Em fevereiro de 1973, ele avisou que qualquer país que precisasse de ajuda deveria ‘fazer arranjos agora’ com outros países.
Mas, podem outros países continuar a ajudar indefinidamente? Quais são as condições nas nações conhecidas por sua alta produtividade agrícola?
Quanto Alimento em Outros Lugares?
O que dizer dos EUA? Embora não fosse atingido por grande queda de safras, dispõe agora em suas fronteiras de 25 milhões de pessoas que não gozam do que é oficialmente chamado de “padrão de vida decente” — em outras palavras, são pobres e amiúde passam fome.
Ao mesmo tempo, os preços dos alimentos nos EUA continuam a subir! Em 1972, os preços dos alimentos no varejo subiram 4,8% nos EUA em comparação com o ano prévio; predizia-se que subiriam 6% em 1973. No ínterim, os preços dos alimentos subiram 8,6% no vizinho Canadá em 1972.
Estes aumentos de preços refletem diretamente a quantidade de alimentos disponíveis. Quanto maior a demanda de suprimentos existentes, tanto mais altos serão os preços. Assim, nos EUA, em 1972, o preço do “trigo duro número dois” subiu mais de 61% o bushel (uns 27 quilos), em especial graças à demanda soviética das reservas existentes. Agora, como mostra a tabela acompanhante, as reservas dos EUA estão esgotadas.
No ano de 1972, a safra de trigo da Austrália foi menos da metade da esperada, quando aquele continente enfrentou grave seca. A safra de trigo da Argentina em 1971 foi descrita como “desapontadora”. Os excedentes da Birmânia (às vezes chamada de ‘caldeirão de arroz do sudeste da Ásia’) ficaram muito limitados.
É compreensível que cada vez mais peritos tirem a conclusão de que as poucas nações ricas na agricultura não possam alimentar indefinidamente o resto do mundo. Já em 1969, R. O. Greep, da Universidade de Harvard, observava:
“Um fator de crítica importância na situação mundial é que as reservas de alimentos nos países de alta produção agrícola, tais como os Estados Unidos, Canadá, Austrália e Argentina, estão-se esgotando rápido . . . Para os que estão em condições de sentir a situação futura, há crescente apreensão. . . . O problema ficará especialmente agudo nos Estados Unidos, visto que somos vistos como o principal fornecedor de trigo . . . Quando a fome assolar e já não bastar a fonte de alimentos, então teremos de enfrentar a horrível questão de quem sobreviverá.”
Em 1973, quando se perguntou a uma autoridade canadense em questões de trigo sobre continuar-se a suprir o mundo, ele respondeu: “Não se pode dar nem vender o que não se tem.
A crise de alimentos encarada por toda a raça humana é real. Pode ser solucionada? Para respondermos tal pergunta, temos de determinar primeiro por que a fome agora espreita a humanidade.
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Razões de tantos passarem fomeDespertai! — 1973 | 22 de dezembro
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Razões de tantos passarem fome
“TODO DIA, quase 2 bilhões de pessoas acordam para encarar um mundo em que sua vida será dominada por um único desejo . . . o de comer”, observa L. R. Brown, do Conselho de Desenvolvimento do Ultramar. Milhões precisam de mais comida ou de melhor comida. É a terra culpada da carência do homem neste sentido?
Não; a terra parece capaz de sustentar bilhões de outras pessoas, além dos atuais 3,7 bilhões que agora a povoam. Há autoridades que afirmam haver duas vezes mais terra arável para cultivo do que se tem usado nas décadas recentes.
Tempo Impredizível Agrava a Escassez de Alimentos
Mas, um dos fatores principais que limita grandemente a safra que pode ser obtida até mesmo do solo excelente é o tempo. “Não se encontrou ainda nenhuma solução”, diz um artigo de Newsweek, “para os caprichos do tempo”.
Grande parte da fome na Ásia e na África se devia à seca. As monções em 1972 foram reduzidas demais ou chegaram muito tarde para beneficiar as safras de verão da Índia. As chuvas em Bangladesh estavam 40% abaixo das normais nos meses de crescimento. As irregularidades do tempo também influíram perigosamente nas safras das Filipinas. No norte, a colheita de arroz foi arruinada pelas piores enchentes do século; enquanto que, no sul, as safras foram limitadas pela seca.
A Rússia, por outro lado, sofreu grandes perdas de cereais nos últimos dois anos por só ter ligeira camada de neve no inverno; as safras de cereais ficaram assim sujeitas aos danos das geadas. Na China, a agência de notícias Hsinhua afirma que não só a seca, enchentes e a geada, mas também vendavais, saraiva e os insetos devastaram muitas de suas colheitas. A atual crise de alimentos do mundo deveria relembrar realisticamente ao homem a sua debilidade diante dos elementos naturais.
As incertezas do tempo cancelaram em grande parte os efeitos da “revolução verde”. Teme-se, contudo, que o êxito limitado da “revolução verde” possa ainda ficar mais reduzido. Por quê?
Porque, quando certa área é plantada
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