Africanos desesperados vasculham tudo à cata de alimentos
DEZENAS de milhões, em pelo menos 20 nações africanas, estão famintos, desnutridos ou morrendo à míngua. Milhões deles são crianças. Eles se movem apressadamente por entre os pés das vendedoras de produtos nos mercados públicos, procurando no meio do lixo alguns grãos de cereais ou de leguminosas que possam ter caído no chão. O pouco que acham, metem na boca ou colocam em sua cuia de suplicantes. Vez por outra, uma haste fibrosa duma hortaliça, jogada fora como não-comestível, é mastigada de imediato, para extrair-lhe o sumo, e os restos são cuspidos.
Vasculham-se formigueiros, à cata de migalhas de cereais. Há mulheres que gastam dias inteiros destroçando grandes e duros cupinzeiros, para pegar os grãos de cereais silvestres que os insetos estocaram. Muitos recolhem os dejetos de cabras para extrair os grãos não-digeridos de sementes de palmeira que os animais engoliram sem mastigar. As mulheres trituram folhas e gramíneas secas, transformando-as em um pó que não tem nenhum valor nutritivo — o único alimento de muita gente. Outras salgam e cozinham folhas arrancadas das árvores. Não raro, os lavradores tiveram de comer as sementes que compraram para plantar.
Há crianças vestidas de trapos — algumas estariam desnudas, não fossem as peles de cabras que envolvem seus magérrimos corpos. Muitas vezes faz frio à noite, e os desnutridos logo tremem de frio e ficam sujeitos à pneumonia, à tosse e à febre.
Várias agências de socorro estabeleceram centros de distribuição de alimentos, mas os estoques são limitados e apenas uma minoria dos famintos e desnutridos conseguem comida. Em um dos centros de socorro, 100 crianças que não conseguem obter comida ficam olhando, atrás duma corda, as outras comerem. Uma criança de 4 anos, que só pesa 4,5 quilos, fraca demais para caminhar, é carregada pela mãe.
Em outro centro de distribuição de alimentos, uma mãe carregava sua filhinha de 3 anos, que pesava menos de 3 quilos. O informe dizia: “As costelas e o esterno da criança pareciam estar a ponto de romper a pele esticada ao máximo pela fome, e sem a gordura que a protege do atrito com os ossos. Seus braços e pernas eram meros palitos.”
Em tais casos, a fome atingiu um estágio chamado de marasmo, doença em que o corpo faminto começa a devorar a si mesmo. O rosto das crianças assume a expressão de pessoas bem velhas. Podem ser vistas por toda a parte nas nações assoladas pela fome da África.