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Muito velho, muito jovem, muito fraco, muito forte?A Sentinela — 1965 | 1.° de outubro
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Muito velho, muito jovem, muito fraco, muito forte?
O DITADO, “Nunca se é muito velho para aprender” está assumindo maior significado nas mais de vinte mil congregações das testemunhas de Jeová em todo o mundo. Milhares de pessoas de todas as idades, cada ano, são ensinadas a falar da tribuna a grupos grandes, bem como são preparadas para proferir curtos sermões bíblicos a pessoas estranhas nos seus lares. A maioria delas, se lhes perguntasse, diriam que jamais criam que isso poderia ser feito, e todas concordam que a Escola do Ministério Teocrático é grandemente responsável.
Mas, “Eu ir de novo para a escola, na minha idade?”, talvez pergunte. Suponhamos que visitemos brevemente o Salão do Reino local e vejamos como esta escola torna possível que tantas pessoas tirem proveito dela. Ao entrarmos, somos apresentados ao encarregado da Escola do Ministério Teocrático, que é a primeira das duas reuniões programadas para esta noite no meio da semana. Este senhor é chamado de Servo da Escola do Ministério Teocrático, é o que nos dizem, a designação “servo” sendo aplicada a todos os que presidem individualmente alguma fase da obra de ajudar os outros ministros que formam a congregação.
“Não é esta espécie de treino congregacional um tanto incomum para um grupo religioso!”, perguntamos.
“Sim, é”, responde o Servo da Escola. “Mas nós somos uma sociedade de ministros e todas as cinco reuniões que realizamos em nosso Salão do Reino nos treinam para o nosso ministério nas casas das pessoas, onde é feita a nossa pregação. Assim, todos na congregação tomam parte nas reuniões. A maioria deles estão alistados em nossa Escola do Ministério Teocrático, por exemplo, e todos que estão alistados têm sua vez de preparar e proferir breves sermões à congregação.”
NINGUÉM SE FORMA
“Por que a chamam de ‘Escola’, e quanto tempo dura cada período?”
“Nós a chamamos de escola porque provê instrução sistemática e treinamento progressivo na arte da oratória bíblica. Mas, o curso é contínuo e o tem sido desde 1943, quando a Escola foi organizada. Alguns da nossa congregação pertencem à Escola desde que começou. Aquele senhor de cabelos grisalhos ali é um deles. Eu gostaria de apresentá-lo a ele, porque está alistado a proferir nosso primeiro discurso hoje à noite.”
O senhor mencionado parece ter mais de cinqüenta anos. Ele está em pé junto das batentes da porta duma pequena saleta no fundo do Salão do Reino e está folheando um livro, que vemos, ao nos aproximar, tratar-se do volume encadernado de A Sentinela para 1960. Um jovem e uma senhora de meia-idade estão sentadas à uma mesa, cada um concentrado em diversos livros e na Bíblia em frente deles. Chegamos a saber, ao ser apresentados ao senhor mais idoso, que este pequeno quarto é usado como a biblioteca da Escola, onde se acham disponíveis para que qualquer pessoa da congregação prepare discursos, diversas edições da Bíblia, dicionários bíblicos e outros livros de referência bíblicos.
Perguntamos ao nosso novo conhecido: “Não fica um tanto desanimado de nunca ‘se formar’ da Escola, em mais de vinte anos? O Servo de Escola nos disse que o senhor dará o primeiro discurso, hoje à noite. Não acha que quase que abrangeu todo o campo até agora?”
“Bem, se eu nunca ‘me formar’ jamais deixarei de aprender, não é?”, responde ele. “Naturalmente, ficamos bem familiarizados com os princípios básicos da oratória depois de algum tempo, mas sempre podemos melhorar nossa habilidade de usá-los. Ademais, sempre estamos obtendo algo novo no sentido de material de estudo.” Ele recoloca o volume encadernado de A Sentinela na estante e retira outro livro quase do mesmo tamanho, porém mais fino e de capa azul escura.
“Este é o compêndio atual que usamos, além da Bíblia, e por nada deste mundo eu deixaria de estudá-lo na Escola. É chamado ‘Toda Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa’, e, quando tivermos acabado de estudá-lo em alguns anos, teremos lido toda a Bíblia e teremos considerado cada livro da Bíblia de per si, de muitos pontos de vista. Toda semana eu saio do Salão do Reino cônscio das novas coisas que aprendi.”
“Isso me parece razão suficiente para continuar. Sobre o que vai falar o senhor hoje à noite?”
“Meu discurso é sobre o livro bíblico de Josué. Em realidade, a inteira congregação foi designada a ler os primeiros doze capítulos de Josué em preparação para a sessão desta noite. Selecionei como meu tema que ‘A fé e a obediência implícitas são essenciais para se ter a bênção de Jeová’. Visto ser esta nossa primeira semana no livro de Josué, meu discurso examinará o fundo do livro, seu escritor, o tempo da escrita, o período de tempo coberto, e assim por diante. Também espero aplicar seu conteúdo e alguns de seus princípios aos nossos dias e mostrar como o livro influi em nossa vida, até mesmo neste século vinte. Trata-se dum discurso de quinze minutos chamado de ‘Discurso de Instrução’ porque é usualmente proferido pelo Servo de Escola ou um dos estudantes mais antigos. Na semana que vem eu dirigirei a Recapitulação Oral regular, de cinco minutos, sobre esta matéria, de forma que as pessoas da congregação possam comentar sobre o que aprenderam. Hoje à noite, porém, a Recapitulação Oral abrangerá algumas das perguntas que tivemos na semana passada em nossa Prova Escrita.”
ALEGRIA E CONSECUÇÃO
“Prova Escrita? Quer dizer que também fazem exames escritos na Escola”
“Não se trata realmente de exames; chamamo-las de Provas Escritas porque cada um dá nota’ à sua própria prova e não se mantém registro de notas. Apenas nos ajuda a identificar melhor o nosso progresso. Por exemplo, uma de nossas missionárias da Samoa Americana relata que algumas das pessoas com quem ela dirigia estudos bíblicos domiciliares foram movidas pela curiosidade a tentar fazer diversas Provas Escritas, mas logo compreenderam que precisariam assistir às aulas da Escola, no Salão do Reino, em adição a seu estudo domiciliar. Desde então, as Provas foram ‘fonte de alegria e de consecução para elas’. Mas, noto que o Servo de Escola se prepara para dar início à reunião, de modo que desejamos ocupar nossos lugares agora.”
Depois dum cântico entoado pela congregação e uma oração feita por um dos seus membros, o Servo de Escola começa seu resumo da Prova Escrita, e somos obrigados a perguntar-nos: A quantas destas perguntas poderíamos responder? “Indique pelo menos quatro dos muitos precedentes legais registrados em Deuteronômio que se encontram nas leis da sociedade hodierna. Por que Israel ‘não deveria preservar vivo nada que respirasse’ nas cidades da Terra Prometida que estavam prestes a conquistar? Que responsabilidade é colocada sobre os pais, em Deuteronômio 11:19? Certa ou Errada: O inteiro livro de Deuteronômio destaca que Jeová exige devoção exclusiva de seu povo?” E assim por diante. Mas, as respostas surgem prontamente dos membros da congregação, a maioria dos quais nem sequer verificando as respostas escritas em suas provas da semana anterior.
INSTRUÇÃO E CONSELHO
Segue-se o Discurso de Instrução, e então é apresentado o primeiro orador-estudante. É um jovem de quase vinte anos e parece um tanto nervoso de início, mas isto é completamente despercebido à medida que sua introdução suscita nosso interesse para a sua narração de Josué 3:1 a 5:12. Ao penetrar no seu tema: “Josué conduz a nação de Israel à Terra Prometida”, lembramo-nos de alguns dos pontos inculcados no Discurso de Instrução sobre a fé e a obediência implícitas, e o livro de Josué se torna vivo ao vermos com os olhos da mente um povo confiante e seguro de Deus andar pela terra seca no meio das águas milagrosamente separadas do Rio Jordão e então se santificarem pela circuncisão, dentro dos limites de sua nova terra natal. O Servo de Escola, ao aconselhar o estudante, elogia-o por ser informativo e por falar com o devido volume. Diz, também, que o estudante está caminhando bem para demonstrar as seguintes qualidades de oratória que ele aprimorará, “Claro e inteligível” e “Uso de pausas”.
Os próximos dois discursos são proferidos por mulheres, mas não diretamente para a assistência. Cada uma delas fala a outra estudante que está na tribuna junto com ela. A primeira explana o tema “A ‘grande multidão’ é liberta pela fé em Jeová”, e a segunda destaca “O desejo errado conduz à morte”. A primeira senhora, já bem de meia-idade, pretende que ela está falando com sua filha casada e a anima por usar o exemplo de Raabe, mulher de Jericó, cuja vida foi poupada porque mostrou fé em Jeová, o Deus dos israelitas, e protegeu as vidas dos dois espias israelitas que vieram à ema casa. A segunda senhora é mais jovem e fala como se conversasse com uma senhora que considerasse a dedicação e o batismo, e usa o relato de Acã em Josué 7:1-26 para lhe dar um aviso amigável de precaução quanto a certos costumes que a senhora admitiu praticar em relação com seu emprego secular. Cada senhora é aconselhada depois do seu discurso, e ambas as senhoras são elogiadas pelo Servo de Escola por se desincumbirem de forma prática de suas designações, a primeira especialmente por destacar o tema de seu assunto, e a segunda por seu argumento convincente e seu ardor e sentimento.
O quarto e último estudante é apresentado. O Servo de Escola diz que se designou ao orador o tema “Seja corajoso, pois Jeová dá a vitória”, e, ao explaná-lo, selecionou como sua suposta assistência um pequeno grupo de jovens do Centro Comunitário Judaico que viu a peça teatral da Broadway, “O Vigário”, e lhe pediu, como uma das testemunhas de Jeová, que lhe explicasse a referência feita à obra das testemunhas de Jeová como movimento de resistência a Hitler. O orador responde à pergunta, explicando a posição neutra das testemunhas de Jeová quanto à política e brevemente sublinhando sua contenda espiritual em apoiar o domínio legítimo de Deus, mas, dá ênfase ao exemplo de fé e de coragem de Josué, o vigoroso ancestral da suposta assistência. O proceder de Josué e a vitória que isso lhe trouxe da parte de Jeová Deus ergue-se como exemplo memorável para nós, conclui o orador.
O Servo de Escola aconselha o último estudante e conclui a sessão da Escola, mas nossas mentes retornam à hora que passou e aos minutos que a precederam. Deixamos que o sentido desta experiência se inculque em nós. Estes homens e mulheres a quem acabamos de ouvir, alguns jovens, alguns idosos, não diferem na aparência dos que moram na porta seguinte. Mas, algo no modo como falam os torna diferentes. A sua confiança e postura na tribuna, a convicção de suas vozes e seu evidente prazer de poderem dizer algo de real significado e proveito para sua assistência, faz-nos compreender que estas são pessoas que não têm medo de se aplicarem à erudição, todavia, não estão tão preocupadas com sua própria habilidade ou progresso que se tornem inconscientes da necessidade que outros têm de ouvirem ‘estas boas novas do reino de Deus’.
Ao agradecermos ao Servo de Escola a sua ajuda em relação com nossa visita, seu comentário de despedida parece sintetizar a nossa noite passada aqui: “Tais pessoas estão levando a sério o conselho apóstolo Paulo: ‘Presta constante atenção a ti mesmo e ao teu ensino. Permanece nestas coisas, pois, por fazeres isso, salvarás tanto a ti mesmo como aos que te escutam.’ Será que alguém pode dizer: ‘Sou muito velho, muito jovem, muito fraco, muito forte’ para participar num programa. escolar como este!”
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Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1965 | 1.° de outubro
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Perguntas dos Leitores
● O que é o éfode constantemente mencionado em relação com os sacerdotes de Israel, e de que modo foi usado em indagar as coisas de Jeová, conforme relatado em 1 Samuel 23:9-12?
O registro em 1 Samuel 23:9-12 (Al) reza: “Sabendo pois Davi que Saul maquinava este mal contra ele, disse a Abiatar, sacerdote: Traze aqui o éfode. E disse Davi: Ó Senhor [Jeová], Deus de Israel, teu servo decerto tem ouvido que Saul procura vir a Queila, para destruir a cidade por causa de mim. Entregar-me-ão os cidadãos de Queila na sua mão? Descerá Saul, como o teu servo tem ouvido? Ah! Senhor [Jeová] Deus de Israel! faze-o saber ao teu servo. E disse o Senhor [Jeová]: Descerá. Disse mais Davi: Entregar-me-iam os cidadãos de Queila, a mim e aos meus homens nas mãos de Saul? E disse o Senhor [Jeová]: Entregariam.”
O éfode era uma veste superior especial usada pelo sumo sacerdote, na frente da qual foi montado o peitoral do juízo, adornado de doze pedras preciosas e contendo o Urim e o Tumim, ou sortes sagradas. (Êxo. 28:6-30) Por a resposta em cada caso no relato aqui citado repetir as palavras da pergunta, concluímos que a indicação de Jeová ao inquiridor era dada na forma de um Sim ou um Não. Não sabemos precisamente como é que as sortes mostravam isto. Notamos, contudo, que a orientação de Jeová somente era dada mediante seu sumo sacerdote devidamente ordenado, e apenas em assuntos de importância nacional.
O éfode mencionado em relação com o Urim e o Tumim, contudo, não deve ser confundido com o éfode de linho usado por todos os sacerdotes e às vezes por outros, tais como o jovem Samuel, quando ministrava no tabernáculo e o Rei Davi quando trazia a arca do pacto da casa de Obede-Edom para o Monte Sião. (1 Sam. 22:18; 2:18; 2 Sam. 6:14) É bem provável que o éfode usado por Abiatar, no caso mencionado em 1 Samuel 23:9-12, fosse o éfode, o que havia sido usado por Aimeleque, seu pai, e o sumo sacerdote.
● Qual é o significado da ordem que se acha em Êxodo 23:19 (CBC): “Não comerás o cabrito no leite de sua mãe”?
Este estatuto, junto com vários outros, parece destacar que há em todos os assuntos uma ordem correta e apropriada, e que se deve aderir à mesma. Deus prover o leite da mãe para o fim de nutrir seu rebento. Usá-lo para cozinhar sua descendência seria usá-lo em seu prejuízo e para a sua morte, o próprio oposto do intencionado.
Outra lição que parece se pretender aqui para seu povo pactuado é que deviam ter compaixão, não agindo de modo impiedoso. Jeová tem-se mostrado compassivo em todos os seus tratos com suas criaturas, e ele exige que elas imitem seu exemplo perfeito.
Ainda outra possibilidade é que Jeová esteja aqui afastando seu povo dos costumes insensatos prejudiciais das nações pagãs ao redor dele. Segundo The Bible and Archaeology (1940) de Sir Frederic Kenyon, assar ou cozinhar um cabrito no leite de sua mãe era um ritual pagão para fazer chover.
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