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EscravoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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de possuir escravos. É por isso que o apóstolo Paulo mandou que o escravo fugitivo, Onésimo, voltasse para seu amo. Por ter-se tornado cristão, Onésimo voltou voluntariamente para seu amo, sujeitando-se como escravo a um co-cristão. (Filêm. 10-17) O apóstolo Paulo também admoestou os escravos cristãos a não se aproveitarem de seu relacionamento com seus amos crentes. Disse ele: “Os que tiverem donos crentes não os menosprezem, porque são irmãos. Ao contrário, sejam escravos com tanto mais prontidão, porque os que recebem o proveito do seu bom serviço são crentes e amados.” (1 Tim. 6:2) Para um escravo, possuir ele um amo cristão era uma bênção, uma vez que seu amo tinha por obrigação lidar com ele de forma justa e eqüitativa. — Efé. 6:9; Col. 4:1.
A aceitação do cristianismo por parte dos em servidão impunha-lhes a responsabilidade de serem melhores escravos, “não contradizendo, não praticando furto, mas exibindo plenamente uma boa fidelidade”. (Tito 2:9, 10) Mesmo que seus amos os tratassem de forma injusta, isto não os autorizava a lhes renderem serviço inferior. Por sofrerem por causa da justiça, imitavam o exemplo de Jesus Cristo. (1 Ped. 2:18-25) “Vós, escravos”, escreveu o apóstolo Paulo, “em tudo sede obedientes aos que são os vossos amos em sentido carnal, não com atos apenas ostensivos, como para agradar a homens, mas com sinceridade de coração, com temor de Jeová. O que for que fizerdes, trabalhai nisso de toda a alma como para Jeová, e não como para homens”. (Col. 3:22, 23; Efé. 6:5-8) Tal conduta excelente para com seus amos impedia que se trouxesse vitupério ao nome de Deus, visto que ninguém podia acusar o cristianismo de produzir escravos preguiçosos, imprestáveis. — 1 Tim. 6:1.
Naturalmente, a “obediência em tudo” dum escravo não poderia incluir a desobediência à lei de Deus, visto que isto significaria temer aos homens, em vez de a Deus. O erro da parte dos escravos, mesmo quando cometido sob a direção dum superior, não teria ‘adornado o ensino de seu Salvador, Deus’, mas teria apresentado tal ensino numa luz falsa e o desonrado. (Tito 2:10) Assim, sua consciência cristã devia governá-los.
Na congregação cristã, todas as pessoas, sem considerar sua posição social, usufruíam a mesma situação. Todos foram ungidos com o mesmo espírito, e, assim, participavam na mesma esperança como membros de um só corpo. (1 Cor. 12:12, 13; Gál. 3:28; Col. 3:11) O escravo cristão, ao passo que era mais limitado no que podia fazer na disseminação das boas novas, não devia preocupar-se com isto. Caso lhe fosse dada a oportunidade de obter sua liberdade, contudo, devia aproveitar-se dela, e, desta forma, ampliar sua esfera de atividades cristãs. — 1 Cor. 7:21-23.
ESCRAVIDÃO AO PECADO
Na ocasião em que o primeiro homem, Adão, desobedeceu à lei de Deus, ele cedeu o perfeito controle de si mesmo, e entregou-se ao desejo egoísta de continuar gozando da associação com sua esposa pecaminosa, e de agradar a ela. Entregar-se Adão ao seu desejo pecaminoso tornou tal desejo, e seu produto final, o pecado, o amo dele. (Compare com Romanos 6:16; Tiago 1:14, 15.) Assim, vendeu-se sob o pecado. Visto que toda sua descendência ainda estava em seus lombos, Adão também a vendeu sob o pecado. É por isso que o apóstolo Paulo escreveu: “Sou carnal, vendido sob o pecado.” (Rom. 7:14) Por esta razão, não havia nenhuma forma de quaisquer dos descendentes de Adão se tornarem justos, nem mesmo por tentarem guardar a Lei mosaica. Como disse o apóstolo Paulo: “O mandamento que era para a vida, este eu achei ser para a morte.” (Rom. 7:10) A incapacidade dos humanos de guardar perfeitamente a Lei mostrava que eles eram escravos do pecado e que mereciam a morte, e não a vida.
Apenas por aproveitar-se da libertação que se tornou possível mediante Jesus Cristo é que indivíduos podiam ser emancipados, ou libertos desta escravidão. (Compare com João 8:31-34; Romanos 7:21-25; Gálatas 4:1-7; Hebreus 2:14-16.) Tendo sido comprados com o precioso sangue de Jesus, os cristãos são escravos ou servos de Jeová Deus e de seu Filho, tendo a obrigação de cumprir as ordens deles. — 1 Cor. 7:22, 23; 1 Ped. 1:18, 19; Rev. 19:1, 2, 5; veja Liberdade; Morte; Pecado; Resgate.
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Escravo Fiel E DiscretoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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ESCRAVO FIEL E DISCRETO
Ao responder à pergunta dos apóstolos a respeito de sua presença futura e a conclusão do existente sistema de coisas, Jesus Cristo incluiu uma parábola, ou ilustração, que tratava dum “escravo fiel e discreto” e dum “escravo mau”. O amo do escravo fiel o designou sobre seus domésticos, ou servos da casa, para prover-lhes o alimento. Se aprovado na vinda de seu amo (evidentemente de alguma viagem), o escravo seria galardoado por ser colocado sobre toda a propriedade do amo. — Mat. 24:3, 45-51.
Na ilustração paralela, em Lucas 12:42-48, o escravo é chamado de “mordomo”, isto é, um gerente ou administrador da casa, alguém colocado sobre os servos, embora ele mesmo fosse um servo. Tal posição com frequência era ocupada, nos tempos antigos, por um escravo fiel. (Compare com Gênesis 24:2; também com o caso de José, em Gênesis 39:1-6.) Na ilustração de Jesus, o mordomo primeiramente é designado apenas para a supervisão e a oportuna dispensação dos suprimentos de alimento para o conjunto de atendentes ou servos do amo, e, mais tarde, por causa de seu desempenho fiel e discreto deste ministério, sua designação é ampliada para abranger a supervisão de todos os bens do amo. Quanto à identificação do “amo” (Gr., kyrios, também traduzida “senhor”), Jesus já tinha mostrado que ele mesmo ocupava tal posição para com seus discípulos, e eles se dirigiam a ele como tal, vez por outra. (Mat. 10:24, 25; 18:21; 24: 42; João 13:6, 13) Permanece a questão quanto à aplicação da figura do escravo ou mordomo fiel e discreto, e o que representa a dispensação do alimento para seus domésticos.
Os comentaristas muitas vezes consideram isto como uma exortação geral a toda e qualquer pessoa que tenha uma posição individual de responsabilidade na congregação cristã. O princípio da fidelidade e da discrição no desempenho das responsabilidades se aplica claramente a todos eles. (Compare com Mateus 25:14-30; Tito 1:7-9.) Todavia, a impossibilidade de toda e qualquer pessoa dentre estes indivíduos ser colocada sobre “todos” os bens do amo ao mesmo tempo, o tempo da chegada do amo, é óbvia. Isto, contudo, não exige que o “escravo” prefigure determinada pessoa que seria assim privilegiada. As Escrituras contêm exemplos do uso dum substantivo singular para referir-se a um grupo coletivo, como no caso em que Jeová se dirige ao grupo coletivo da nação israelita e lhe diz: “Vós sois as minhas testemunhas [plural], . . . sim, meu servo [singular] a quem escolhi.“ (Isa. 43:10) Similarmente, a figura do “escravo mau” infiel poderia aplicar-se a um grupo coletivo, da mesma forma que se mostra que o “anti- cristo” é uma classe composta de anticristos individuais. — 1 João 2:18; 2 João 7.
Os que constituem a congregação cristã são mencionados pelo apóstolo Paulo como “membros da família (casa) de Deus” (Efé. 2:19; 1 Tim. 3:15), e o mesmo apóstolo mostra que a ‘fiel mordomia’ ou qualidade de mordomo entre tais membros da casa envolvia a dispensação de verdades espirituais das quais se ‘alimentariam’ aqueles que se tornassem crentes. (1 Cor. 3:2, 5; 4:1, 2; compare com Mateus 4:4.) Ao passo que esta era uma responsabilidade primária dos designados ‘pastores’ do rebanho (1 Ped. 5:1-3), o apóstolo Pedro mostra que tal mordomia das verdades divinas fora realmente confiada a todos os ‘escolhidos’ da congregação cristã. (1 Ped. 1:1, 2; 4:10, 11) Assim, a inteira congregação cristã devia servir como uma mordomia unida, dispensando tais verdades. Ao mesmo tempo, os membros individuais que constituíam tal grupo composto, ou os “domésticos”, que compunham a “família”, ou “casa” de Deus (Heb. 3:6; Efé. 2:19), também seriam recebedores do “alimento” dispensado. (Heb. 5:11-14; compare com 1 Coríntios 12:12, 19-27.) Haveria responsabilidades ampliadas, resultantes da fidelidade mantida até a prometida ‘chegada’ do amo. — Mat. 24:46, 47; Luc. 12:43, 44.
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