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Como poderá proteger-seDespertai! — 1981 | 8 de janeiro
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a ameaça dum ataque sexual. A violência no mundo é como uma praga contagiosa. Fingir que não existe só aumenta a possibilidade de a leitora ser uma vítima. Assim, sabiamente, encare esse problema. Tome precauções. E, se atacada, faça tudo a seu alcance para resistir.
Felizmente, aproxima-se o tempo em que tais problemas não mais existirão na terra. Pois esta promessa de Deus logo será cumprida: “Apenas mais um pouco, e o iníquo não mais existirá; e estarás certamente atento ao seu lugar, e ele não existirá. Mas os próprios mansos possuirão a terra e deveras se deleitarão na abundância de paz.” — Sal. 37:10, 11.
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O Dilúvio — visto desde a antiga MesopotâmiaDespertai! — 1981 | 8 de janeiro
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O Dilúvio — visto desde a antiga Mesopotâmia
O RAPAZ com quem eu conversava era estudante de história. Quando lhe falei de meu interesse pela história bíblica, ele me disse algo que ainda ecoa em meus ouvidos: “O que espera ganhar com a Bíblia? Deixa de notar que existem relatos históricos muito mais antigos.”
“Quais os que tem em mente?” repliquei. “A Epopéia de Gilgamés” — respondeu. “Recua muito mais na história do que o relato bíblico.”
Lembrei-me de que a antiga Epopéia de Gilgamés, babilônica, continha um relato sobre amplo dilúvio que destruíra toda a humanidade. Muitos afirmam que esta lenda do dilúvio se baseia em história muito mais antiga do que o relato bíblico sobre um dilúvio global, conforme se encontra em Gênesis, capítulos 6 a 8.
Uma vez suscitada minha curiosidade, determinei fazer alguma pesquisa sobre esse assunto. A bem-suprida Biblioteca Nacional de Viena me propiciou o acesso a várias publicações técnicas sobre a Epopéia de Gilgamés. Deixe-me partilhar com o leitor alguns dos resultados de minha pesquisa.
Histórias Babilônicas Sobre o Dilúvio
Descobri que, durante a primeira parte do século 19, o registro da Bíblia sobre um dilúvio global, a que sobreviveram Noé e sua família, ficou sujeito a muita crítica, sendo rejeitado por muitos como simples lenda. Mas, devido a uma descoberta arqueológica feita na primavera setentrional de 1850, suscitou-se de novo muito interesse pelo dilúvio dos dias de Noé. Escavações feitas em Nínive levaram a descoberta de um aposento cheio de tábuas de argila. Os arqueólogos tinham descoberto a biblioteca, de tábuas de argila, do regente assírio, Assurbanipal.
Mais tarde, à medida que George Smith, do Museu Britânico, passou a decifrar os textos cuneiformes desta coleção, ele encontrou uma série de tábuas conhecidas como Epopéia de Gilgamés. Ao trabalhar com uma dessas tábuas, o coração de Smith deu saltos de alegria. Letra por letra, ele compôs:
“Homem de Suripaque, filho de Ubara-Tutu! Derrube (tua) casa, construa um navio! Abandone (teus) bens, procure (salvar) a vida! . . . [Faça] subir ao navio a semente de todas as coisas vivas. O navio que tu construirás, Suas medidas devem ser (precisamente) medidas . . .”
Smith compreendeu que estava lidando com um relato sobre o Dilúvio, dum ponto de vista assírio-babilônico.
Embora essa versão datasse do sétimo século A.E.C., os peritos compreenderam que a fonte de matéria usada em sua composição era muito mais antiga. Atualmente, alguns dos relatos mais antigos já foram descobertos. O relato mais antigo, não-bíblico, sobre o Dilúvio, acha-se numa narração suméria. Fragmentos dessa narração sobre uma tábua quebrada de argila foram encontrados em Nipur, no sul da Mesopotâmia. Alguns peritos crêem que foi escrita entre os séculos 21 e 18 A.E.C. Um trecho deste documento sumério reza: “[Dá] ouvidos à minha instrução: Por nosso . . . um dilúvio [varrerá] os centros de culto; Para destruir a semente da humanidade . . . É a decisão, a palavra da assembléia [dos deuses].”
A Epopéia de Gilgamés
Mas, voltemos à Epopéia de Gilgamés. Aprendi que se pensa que Gilgamés tinha sido um dos primeiros regentes da cidade de Uruque (chamada Ereque em Gênesis 10:10). Uma lista dos reis sumérios o situa na primeira dinastia de Uruque. Certo dicionário diz sobre este indivíduo: “Construiu-se um ciclo de poesia mítica-épica suméria em torno de Gilgamés, transmitida apenas em forma fragmentária desde cerca de 1900 A.E.C.”
A própria Epopéia de Gilgamés contém vários poemas combinados em uma só obra. Estende-se por 12 tábuas de argila, das quais a 11.ª apresenta a história do Dilúvio, que tanto me interessava. Em resumo, seu conteúdo é o seguinte: Gilgamés fica sabendo que seu amigo, Enquidu, morreu. Por conseguinte, o medo da morte move Gilgamés a procurar Utnapichtim, mencionado como o único mortal que alcançou a vida eterna. Gilgamés cruza o rio da morte, por meio dum barqueiro, e encontra Utnapichtim, que lhe fala do Dilúvio e de como conseguiu sobreviver a ele. Numa história mais antiga, babilônica, sobre o Dilúvio, Utnapichtim traz o nome de Atraasis, que significa “o tremendamente sábio”.
Essa informação em tábuas de argila é deveras significativa. Embora altamente carregada de pormenores fantasiosos, demonstra que um dilúvio de maciças proporções ficou gravado na memória da humanidade.
Diferença de Opinião
Depois de os peritos terem examinado cuidadosamente a Epopéia de Gilgamés, dividiram-se as opiniões quanto a qual relato sobre o Dilúvio era mais antigo, o mesopotâmico, mencionado na Epopéia, ou o encontrado na Bíblia. Muitos adotaram o conceito de que o relato não-bíblico era mais antigo. Por exemplo, em Deuses, Túmulos e Sábios, C. W. Ceram assevera que é “impossível questionar o fato de que a versão primordial da lenda bíblica do Dilúvio tenha sido encontrada”. Talvez o rapaz com o qual conversei tivesse baseado seu ponto de vista em tal declaração.
Mas, é correta? Será que a narrativa do Dilúvio feita em Gênesis realmente tem sua origem nas lendas sumérias ou babilônicas? Parece melhor procurar uma resposta a essa pergunta por se tecer uma comparação do relato sobre o Dilúvio, da Bíblia, com o encontrado na Epopéia de Gilgamés.
Algumas Similaridades
O dilúvio global ocupa um lugar destacado nas histórias das nações antigas. Mais de 100 distintas histórias sobre o Dilúvio de toda parte da terra, foram encontradas, inclusive a da Epopéia de Gilgamés.
Conforme minha pesquisa mostrou, em alguns pormenores, aquele antigo relato
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