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AlexandriaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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em 607 A.E.C. Na época de Tibério, dizia-se constituírem cerca de um terço da população total da cidade. Tendo a sua própria área ou bairro chamado Regio Judoeorum, permitia-se que os judeus vivessem segundo suas próprias leis e tivessem seu próprio governador, ou alabarca. Desde o início, foram-lhes concedidos os mesmos direitos que os gregos. Sua habilidade comercial contribuiu para a economia de Alexandria que, situada como estava num ponto estratégico para o comércio com três continentes, veio a rivalizar-se com Roma em suas riquezas. Era um grande centro bancário, e de suas indústrias e portos fluíam papiro, vidro, perfumes, tecidos, trigo e outros itens.
ATIVIDADE CRISTÃ
Não se sabe em que data ou de que modo o cristianismo foi introduzido em Alexandria. A tradição credita a Marcos, o evangelizador, este feito, mas inexistem provas. No segundo século E.C., um centro de estudos cristãos era destacado ali, e dois de seus líderes, Clemente, e seu discípulo, Orígenes, forneceram valioso testemunho quanto à canonicidade dos escritos das Escrituras Gregas Cristãs. Evidência similar provém do bispo posterior de Alexandria, Atanásio, do quarto século E.C.
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AlfabetoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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ALFABETO
Este nome, em português, do sistema de letras empregado para a anotação gráfica dos sons fonéticos usados na linguagem, deriva-se das duas primeiras letras gregas, alfa e beta, que, por sua vez, provêm do hebraico álefe e bete.
ORIGEM
Há muitas teorias quanto à origem do alfabeto; a escrita cuneiforme suméria e babilônica, os hieróglifos “hititas”, e as formas egípcias de escrita sendo todos sugeridos como possíveis fontes. No entanto, destacada autoridade, o Dr. David Diringer, declara em seu livro The Story of the Aleph Beth (A História do Aleph Beth; 1958, p. 31): “Concorda-se agora de modo geral que todos os alfabetos existentes, e os não mais usados, derivaram-se de um só alfabeto original.” Na página 39, cita G. R. Driver como tendo dito: “Foi uma, e apenas uma, das dádivas dos semitas à humanidade”, e então declara: “Foi este alfabeto que se tornou o ancestral de todos os caracteres alfabéticos de escrita que o mundo conheceu.”
Com respeito às descobertas arqueológicas, entre os exemplos mais antigos e preservados do alfabeto, segundo os métodos de datar empregados pelos arqueólogos, há as inscrições descobertas em Serabit el-Khadem, na península do Sinai, que se crê serem do século dezenove ou dezoito A.E.C., as tábuas de argila ugaríticas encontradas em Ras Xamra, na Síria, que contêm um alfabeto cuneiforme e são atribuídas aos séculos quinze e quatorze A.E.C., e as inscrições em Biblos, na Fenícia, consideradas como datando de cerca de 1100 A.E.C. As letras fenícias são quase que idênticas às do primitivo alfabeto hebraico, ao passo que as do Sinai apresentam considerável variação. As mais antigas inscrições hebraicas preservadas incluem uma inscrição fragmentária de Laquis, atribuída ao século doze ou onze A.E.C., o chamado “Calendário de Gezer” (veja CALENDÁRIO) que se calcula seja do século onze ou dez A.E.C., o belamente escrito óstraco samaritano, registrado em estilo cursivo ou escrito à mão livre e atribuído ao reinado de Jeroboão II (844-803 A.E.C.), e a inscrição do túnel de Siloé, evidentemente do reinado do Rei Ezequias (745-716 A.E.C.). Não foi senão por volta do terceiro século A.E.C. que uma abundância de material dos primitivos escritos judaicos se tornou disponível.
À base destas descobertas, a tendência é considerar os alfabetos fenício e sinaítico como antecedendo o hebraico. Esta, é claro, não é forçosamente a conclusão lógica, e, na publicação supracitada, o Dr. Diringer propõe a pergunta: “É possível que os antigos hebreus, que presentearam o mundo com a Bíblia e o Monoteísmo, também lhe deram o Alfabeto? A possibilidade certamente existe.” (The Story of the Aleph Beth, p. 37) A relativa escassez de antigas inscrições hebraicas não argumenta contra isto, visto que os hebreus não costumavam erigir monumentos nem fazer placas em memória das proezas dos reis e heróis, como faziam outros povos antigos. O clima e o solo da Palestina, semelhantemente, não são dos que contribuem para a preservação de escritos de papiros, como se dá com a terra do Egito.
A ordem hebraica das letras do alfabeto é claramente indicada nos acrósticos dos Salmos (34, 111, 112, 119 e outros), de Provérbios 31:10-31, e de Lamentações, capítulos 1-4 [exceto por uma inversão das letras aine e pê nos caps. 2-4], Nestes escritos, as letras do alfabeto aparecem em ordem consecutiva como as letras iniciais de cada versículo, seção ou estrofe sucessivas. O alfabeto hebraico, tanto no passado como no presente, consiste em vinte e duas letras, todas elas consoantes, e provavelmente representavam cerca de vinte e oito sons. Parece que não foi senão no sexto século E.C. que se aperfeiçoou um sistema de sinais para indicar os sons vocálicos. Os peritos judeus conhecidos como massoretas empregaram cerca de sete diferentes “pontos vocálicos”, de per si ou combinados, para representar os sons vocálicos hebraicos.
TEORIA DA ESCRITA PICTOGRÁFICA
A teoria comum é de que o alfabeto hebraico se derivou da escrita pictográfica. Esta teoria procura apoio no fato de que os nomes das letras hebraicas são, amiúde, iguais ou similares aos nomes hebraicos de certos objetos, álefe significando “touro”, bete significando “casa”, guímel sendo similar à palavra hebraica gamál ou “camelo”, e assim por diante. No entanto, surgem dificuldades ao se seguir esta idéia com todas as letras, e a suposta similaridade entre a forma das letras e o significado sugerido do nome é amiúde tal que requer considerável imaginação. Assim, embora alguns creiam que a letra guímel originalmente representasse um camelo (ou o pescoço do camelo), outros sugerem que retratava originalmente um “taco de arremesso”; alguns, que dálete representava uma porta, outros, que talvez representasse originalmente um peixe; zaine, uma arma ou talvez uma oliveira; tete, uma serpente ou talvez um cesto, e assim por diante. É interessante, portanto, notar a declaração do Dr. Diringer, na página 40 de The Story of the Aleph Beth, em que, depois de mostrar que o valor fonético de cada letra hebraica corresponde ao som inicial do nome aplicado a ela, aponta: “Seria errado presumir que [isto] indique necessariamente o uso de representações pictóricas dos objetos cujos nomes as letras levavam; em outras palavras, não há evidência clara de que os símbolos fossem originalmente pictográfios.” Assim, um professor, ao ensinar a alguém o alfabeto português, poderia dizer que A representa “árvore”, B representa “banana”, C representa “casa”, e com isso dizer meramente que o valor fonético da letra é representado pela letra inicial da palavra que segue, e não que a forma da letra se pareça em algum sentido com o formato ou as características do objeto identificado por essa palavra.
Não há base sólida para a teoria de que o alfabeto seja o resultado de uma evolução gradual através das escritas pictográfica, ideográfica ou silábica. Embora os antigos egípcios usassem com o tempo diversos de seus sinais fonéticos para representar consoantes específicas, nunca os isolaram como alfabeto distinto, e continuaram a usar seus ideogramas e fonogramas silábicos até o tempo da Era Comum. Depois disso adotaram o alfabeto grego. Não há registro histórico de alguma escrita pictográfica que se tenha transformado de modo independente em alfabeto. Além do caso da escrita egípcia, outros povos, como os maias, empregavam evidentemente a escrita pictográfica por milênios, sem nenhuma evolução em um alfabeto. Os chineses, até os dias atuais, não desenvolveram um alfabeto de sua escrita originalmente pictográfica.
ACONTECIMENTOS POSTERIORES
Referindo-se ao alfabeto original, o Dr. Diringer mostra que outros povos ou civilizações criaram mais tarde suas próprias variantes daquele alfabeto básico, variantes estas que, com o passar do tempo, por fim chegaram a se tornar quase que irreconhecíveis na sua relação com outros membros da mesma família (bem como com o alfabeto original). Acrescenta: “Destarte, o alfabeto brâmine, o grande alfabeto-mãe da índia, o alfabeto coreano, os alfabetos mongólicos, derivaram-se da mesma fonte que os alfabetos grego, latino, rúnico, hebraico, árabe e russo, embora seja, a bem dizer, impossível um leigo ver qualquer verdadeira semelhança entre eles.” — The Story of the Aleph Beth, p. 39.
Após o cativeiro em Babilônia, os judeus adotaram o estilo aramaico de letras e disto se desenvolveu o estilo quadrado de letras, característico do alfabeto hebraico moderno. Não obstante, há evidência que indica que o antigo alfabeto hebraico continuou a ser usado nos tempos após o exílio.
O alfabeto grego deriva-se do alfabeto semítico. Os gregos fizeram valiosa adição a ele, no sentido de que tomaram as letras excedentes, para as quais não tinham consoantes correspondentes (álefe, hê, hete, aine, vau e iode) e empregaram-nas para representar os sons vocálicos a, e (curto), e (longo), o, y, i. Dos dois estilos de escrita grega, o oriental e o ocidental, este último se tornou a fonte do alfabeto latino e, por sua vez, de nosso alfabeto português.
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ALFA E ÔMEGA
Esses são os nomes da primeira e da última letras do alfabeto grego, e são usados três vezes como um título no livro de Revelação (Apocalipse). A ocorrência desta frase na Versão Trinitariana, em Revelação 1:11, contudo, não tem o apoio de alguns dos mais antigos manuscritos gregos, inclusive o Alexandrino, o Sinaítico e o Códice Ephraemi Rescriptus (Cópia de Efraim). Por conseguinte, é omitido em muitas traduções modernas.
Ao passo que muitos comentaristas aplicam este título tanto a Deus como a Cristo, um exame mais cuidadoso de seu uso restringe a sua aplicação ao Deus supremo. O primeiro versículo de Revelação mostra que a revelação foi dada originalmente por Deus, e mediante Jesus Cristo, por isso, aquele que fala (mediante um representante angélico), às vezes é o próprio Deus, e, outras vezes, é Cristo Jesus. (Rev. 22:8) Assim, Revelação 1:8 diz: “Eu sou o Alfa e o ômega,. . . diz o Senhor Deus [So; “Jeová Deus”, NM], que é, que era e que há de vir, o Todo-poderoso.” Embora o versículo anterior fale de Cristo Jesus, é claro que, no versículo 8, a aplicação do título é ao Deus “Todo-poderoso”. Neste particular, Albert Barnes, em Barnes’ Notes on the New Testament (Notas Sobre o Novo Testamento, de Barnes) observa: “Não se pode ter certeza absoluta de que o escritor queria referir-se especificamente aqui ao Senhor Jesus. . . Não existe nenhuma real incongruência em se supor, também, que o escritor aqui queria referir-se a Deus como tal.”
O título ocorre de novo em Revelação 21:6, e o versículo seguinte (21:7) identifica o orador por dizer: “Todo aquele que vencer herdará estas coisas, e eu serei o seu Deus e ele será o meu filho.” Visto que Jesus se referiu aos que serão seus co-herdeiros do reino como “irmãos”, e não como “filhos”, quem fala tem de ser Jeová Deus, o Pai celeste de Jesus. — Mat. 25:40; compare com Hebreus 2:10-12.
A última ocorrência do título se dá em Revelação 22:13, que declara: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim.” É evidente que várias pessoas são representadas como falando neste capítulo de Revelação; os versículos 8 e 9 mostram que o anjo falou a João, o versículo 16 se aplica obviamente a Jesus, a primeira parte do versículo 17 é creditada ao “espirito e a noiva” e a pessoa que fala na última parte do versículo 20 é manifestamente o próprio João. O “Alfa e o ômega” dos versículos 12-15, por conseguinte, pode ser apropriadamente identificado como a mesma pessoa que porta o título nas duas outras ocorrências: Jeová Deus. A expressão: “Eis que venho depressa”, no versículo 12, não exige que os versículos adrede mencionados se apliquem a Jesus, uma vez que Deus também fala sobre ele próprio como “vindo” para executar o julgamento. (Compare com Isaías 26:21.) Malaquias 3:1-6 fala de uma vinda conjunta para julgamento, por parte de Jeová e de seu “mensageiro do pacto”.
O título “o Alfa e o ômega” transmite a mesma idéia que “o primeiro e o último”, e “o princípio e o fim” quando usado com referência a Jeová. Antes dele não havia nenhum Deus Todo-poderoso, e não haverá nenhum depois dele. Ele concluirá com êxito a questão da Divindade, sendo vindicado para sempre como o único e exclusivo Deus Todo-poderoso. — Compare com Isaías 44:6.
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EntendimentoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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ENTENDIMENTO
As palavras das línguas originais que são traduzidas como “entendimento” nas Escrituras possuem uma aplicação ampla, assim como esse termo em português. Podem referir-se a uma espécie um tanto simples de compreensão, ou podem descrever a percepção plena e profunda da natureza íntima, das razões subjacentes e do significado de questões complexas. A perspicácia, o discernimento e a percepção são todos aspectos do entendimento, e, por vezes, tais sentidos são mais destacados e exigem o uso de tais termos portugueses na tradução.
O hebraico bin (verbo) e bináh (substantivo) relacionam-se mui freqüentemente com o entendimento. Às vezes, bin e bináh podem sublinhar mais particularmente os aspectos específicos do discernimento (1 Sam. 3:8; 2 Sam. 12:19; Sal. 19:12; Dan. 9:2), de se dar meticulosa consideração (Deut. 32:7; Pro. 14:15; 23:1; Jer. 2:10; Dan. 11:37) ou atenção (Jó 31:1; 32:12; 37:14; Sal. 37:10) a um assunto, e talvez sejam assim traduzidas. O professor R. C. Dentan, escrevendo em The Interpreteis Dictionary of the Bible (Dicionário Bíblico do Intéprete; Vol. IV, pp. 732, 733), afirma: “A raiz ביו [bin] significa primariamente ‘discernir com os sentidos’, ‘perceber as diferenças’, daí, ‘prestar muita atenção a’, e, por fim — especialmente nos radicais derivados — ‘obter compreensão’ ou ‘dá-la’ a outros.” O perito hebraico Gesenius [Hebrew and English Lexicon (Léxico Hebraico e Inglês), p. 140] fornece o sentido básico como sendo “separar, distinguir . . . por isso, discernir, marcar, entender, termos estes que dependem da ideia de separar, de distinguir, de discriminar.” Outros substantivos, tavún e tevunáh, evidentemente provêm da mesma raiz que bináh, e podem ser apropriadamente traduzidos “discernimento” (Pro. 10:23; 11:12) ou “entendimento” (Êxo. 31:3; Deut. 32:28), conforme o contexto.
O significado básico destes termos revela que a pessoa de entendimento é aquela que consegue penetrar num assunto, discernir sua composição, por separar os fatores ou modalidades individuais que compõem ou atuam juntos para formar um todo, e então perceber a relação entre eles, compreendendo ou captando assim o significado ou teor do assunto. Pode-se ilustrar isso por meio duma língua. Uma pessoa que ouve sons proferidos em certa língua precisa poder distinguir as palavras individuais que compõem as sentenças, conhecer o significado delas, e ver como se relacionam umas com as outras, se é que entenderá o que é dito. (Deut. 28:49) Não obstante, muito embora a pessoa possa compreender basicamente o que lhe é dito, o entendimento pode também ir além de tal compreensão simples e denotar que ela capta o verdadeiro significado e sentido dessa mensagem, podendo avaliá-la, beneficiar-se dela e saber que ação ela exige. Quando Esdras, o sacerdote, leu a Lei diante do povo em Jerusalém, “todos os suficientemente inteligentes [do heb. bin] para escutar” foram reunidos, porém, embora possuíssem mentes amadurecidas, capazes de entender todas as palavras, os levitas “explicavam [ou davam entendimento, uma forma de bin] a lei ao povo, . . . [lendo] alto no livro, na lei do verdadeiro Deus, fornecendo-se esclarecimento e dando-se o sentido dela; e continuaram a tornar a leitura compreensível [a dar entendimento à leitura]”. — Nee. 8:2, 3, 7, 8.
Dois outros termos hebraicos, sakhál (verbo) e sékhel (substantivo), relacionam-se ao entendimento. Sobre sakhál, o professor Dentan afirma que, no seu emprego bíblico, “veio a significar especificamente ‘ter perspicácia’ ou ‘ser prudente’”. (Compare com 1 Samuel 18:5, 30; 1 Reis 2:3; 1 Crônicas 28:19; Daniel 1:17.) Às vezes esses termos dão ênfase à discrição ou sensatez. — Sal. 47:7; Pro. 10:19.
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