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EspiritismoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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com um conhecimento exato, Deus entregou-os a um estado mental reprovado, para fazerem as coisas que não são próprias, . . . Embora estes conhecessem muito bem o decreto justo de Deus, de que os que praticam tais coisas merecem a morte, não somente persistem em fazê-las, mas também consentem com os que as praticam.” — Rom. 1:28-32.
O Biblical Commentary on the Books of Samuel (Comentário Bíblico Sobre os Livros de Samuel), dos professores C. F. Keil e F. Delitzsch (p. 265), refere-se à Septuaginta em 1 Crônicas 10:13, que adiciona as palavras “e Samuel, o profeta, lhe respondeu”. (Edição de Bagster) O Commentary apóia o conceito subentendido por estas palavras não inspiradas da Septuaginta, mas acrescenta: “Todavia, os padres, os reformadores e os primitivos teólogos cristãos, com raríssimas exceções, julgaram não ter havido real aparecimento de Samuel, mas apenas um imaginário. De acordo com a explanação dada por Efraem Syrus, uma imagem aparente de Samuel se apresentou ao olho de Saul por meio das artes demoníacas. Lutero e Calvino adotavam este mesmo conceito, e os mais antigos teólogos protestantes os acompanhavam em considerar tal aparição como não sendo nada mais do que um espectro diabólico, um fantasma, ou um espectro diabólico em forma de Samuel, e o anúncio de Samuel como não sendo senão uma revelação diabólica, feita com permissão divina, em que a verdade se acha misturada com a falsidade.”
O PODER DE JESUS SOBRE OS DEMÔNIOS
Quando Jesus estava na terra, provou ser o Messias, o Ungido de Deus, por expelir os demônios de pessoas possessas. Fez isto sem algum rito especial, ou sessão espírita, ou qualquer forma de mágica. Simplesmente ordenou que os demônios saíssem, e estes obedeciam à voz dele. Muito embora sem o querer, os demônios viam-se obrigados a reconhecer a autoridade dele (Mat. 8:29-34; Mar. 5:7-13; Luc. 8:28-33), assim como Satanás reconheceu a autoridade de Jeová quando Jeová lhe permitiu afligir Jó, como prova, mas ordenou que Satanás não matasse Jó. (Jó 2:6, 7) Também, Jesus realizou essas obras gratuitamente. — Mat. 8:16, 28-32; Mar. 1:34; 3:11, 12; Luc. 4:41.
Refuta a falsa acusação dos fariseus
Os fariseus, inimigos de Jesus, depois de uma de tais curas efetuadas por Jesus, acusaram-no: “Este [sujeito] não expulsa os demônios senão por meio de Belzebu, o governante dos demônios.” O relato, porém, afirma: “Conhecendo os pensamentos deles, disse-lhes: ‘Todo reino dividido contra si mesmo cai em desolação, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não permanece. Do mesmo modo, se Satanás expulsa a Satanás, ele ficou dividido contra si mesmo; como permanecerá então o seu reino? Ainda mais, se eu expulso os demônios por meio de Belzebu, por meio de quem os expulsam os vossos filhos? É por isso que eles serão os vossos juízes.’” — Mat. 12:22-27.
Os fariseus se viram obrigados a admitir que era necessário um poder sobre-humano para expulsar os demônios. Todavia, desejavam impedir que o povo cresse em Jesus. Assim sendo, atribuíram o poder dele ao Diabo. Jesus então levou o argumento deles às últimas conseqüências por mostrar qual seria o resultado lógico de tal argumento. Respondeu que, caso fosse agente do Diabo, desfazendo o que Satanás fazia, então Satanás estava deveras trabalhando contra si mesmo (o que nenhum rei humano faria), e logo cairia. Ademais, trouxe à atenção os “filhos” ou discípulos deles, que também afirmavam expulsar demônios. Caso o argumento dos fariseus fosse verdadeiro, que aquele que expulsava demônios o fazia pelo poder de Satanás, então os próprios discípulos deles atuavam sob tal poder, coisa que os fariseus, naturalmente, não se dispunham a admitir. Jesus disse que, portanto, os próprios “filhos” deles eram os juízes que os condenavam, bem como ao argumento deles. Daí, Jesus disse: “Mas, se é por meio do espírito de Deus que eu expulso os demônios, o reino de Deus vos tem realmente alcançado.” — Mat. 12:28.
O que Jesus Cristo disse sobre expulsar demônios não deve ser entendido como significando que os “filhos” dos fariseus e todos os demais que afirmavam expulsar demônios eram, necessariamente, instrumentos de Deus. Jesus mencionou pessoas que perguntariam: “Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome e não expulsamos demônios em teu nome, e não fizemos muitas obras poderosas em teu nome?” Mas sua resposta a eles seria: “Nunca vos conheci! Afastai-vos de mim, vós obreiros do que é contra a lei.” (Mat. 7:22, 23) Não sendo verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, tais obreiros do que é contra a lei seriam filhos do Diabo. (Compare com João 8:44; 1 João 3:10.) Assim, qualquer pretensa expulsão de demônios por parte deles não seria na qualidade de instrumentos de Deus, mas na de agentes do Diabo. Ao usar pessoas quais exorcistas, mesmo o fazendo em nome de Jesus (compare a tentativa dos sete filhos de Ceva, em Atos 19:13-16), Satanás não estaria dividido contra si mesmo. Antes, por meio desta obra aparentemente boa de desfazer um caso de possessão demoníaca, Satanás se transformaria em “anjo de luz”, desta forma promovendo seu poder e sua influência sobre os enganados. — 2 Cor. 11:14; veja INJÚRIA.
UMA OBRA DA CARNE
Ao passo que os praticantes do espiritismo talvez julguem tratar-se duma ‘prática espiritualizada’, a Palavra de Deus o chama, não de obra do espírito, ou de parte de seus frutos, mas de uma obra da carne. Observe as coisas detestáveis entre as quais é classificado: “Fornicação, impureza, conduta desenfreada, idolatria, prática de espiritismo [literalmente, “drogaria”], inimizades, rixa, ciúme, acessos de ira, contendas, divisões, seitas, invejas, bebedeiras, festanças e coisas semelhantes a estas.” Agrada os desejos da carne pecaminosa, e não as coisas do espírito, e o apóstolo avisa de que “os que praticam tais coisas não herdarão o reino de Deus”. — Gál. 5:19-21, Int.
ARTE MÁGICA, UMA PRÁTICA RELACIONADA
Relacionadas com o espiritismo há as artes mágicas. Em Éfeso, muitos creram na pregação de Paulo, e “um número considerável dos que haviam praticado artes mágicas trouxeram os seus livros e os queimaram diante de todos”. (Atos 19:19) A palavra grega para ‘arte mágica’ é períergos, “curiosidade”, literalmente, “coisas que estão ao redor do trabalho” e, assim, são supérfluas, isto é, as artes dos que perscrutam as coisas proibidas, com a ajuda de espíritos malignos. — Int; Expository Dictionary of New Testament Words, de Vine, Vol. I, p. 261.
UMA PROFECIA CONTRA JERUSALÉM
Jeová, num pronunciamento contra Jerusalém por causa da infidelidade dela, disse: “E terás de ficar rebaixada de modo que falarás desde a própria terra, e tua declaração soará baixo, como que do pó. E tua voz terá de tornar-se como a de um médium espírita, da própria terra, e tua própria declaração chilrará desde o pó.” (Isa. 29:4) Isto apontava o tempo em que os inimigos subiriam contra Jerusalém e a reduziriam a uma condição muito degradada, como que derrubada por terra. Assim, qualquer declaração que os habitantes de Jerusalém fizessem viria lá de baixo, de sua degradação. Seria como se um médium espírita estivesse falando, dum modo a fazer parecer que um som macio, lânguido, baixo, sussurrado e fraco procedesse do pó da terra. No entanto, como mostra Isaías 29:5-8, Jerusalém seria livrada.
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ESPÍRITO
[Heb., rúahh; gr., pneúma].
A palavra portuguesa “espírito” provém do latim spirare, que significa “respirar” (forma substantiva spiritus, “um fôlego”, “respiração”), as palavras “respiração”, “expiração” e “inspiração” derivando-se todas da mesma fonte. Similarmente, o grego pneúma provém de pnéo, que significa “respirar ou soprar”, e crê-se que o hebraico rúahh provenha duma raiz que tem o mesmo significado.
As formas substantivas rúahh e pneúma, então, significam basicamente “fôlego”, mas têm significados ampliados, além desse sentido básico. (Compare com Habacuque 2:19; Revelação 13:15.) Podem também significar vento; a força vital das criaturas viventes; o espírito da pessoa; pessoas espirituais, inclusive Deus e suas criaturas angélicas; e a força ativa ou espírito santo de Deus. [Compare com o Lexicon in Veteris Testamenti Libros (Léxico dos Livros do Velho Testamento; pp. 877-879) de Koehler e Baumgartner; Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (Léxico Hebraico e Inglês do Velho Testamento), de Brown, Driver e Briggs, pp. 924-926; Theological Dictionary of the New Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento; Vol. VI, pp. 332-451), editado por G. Kittel.] Todos esses significados têm algo em comum: todos se referem àquilo que é invisível ao homem e que fornece evidência de força em movimento. Tal força invisível é capaz de produzir efeitos visíveis.
Outra palavra hebraica, neshamáh (Gên. 2:7) também significa “fôlego”, mas é de âmbito mais limitado de significado do que rúahh. O grego pnoé parece ter um sentido limitado similar (Atos 17:25), sendo usado pelos tradutores da Septuaginta para verter neshamáh.
VENTO
Consideremos primeiro o sentido que, talvez, seja o mais fácil de compreender. Em muitos casos, o contexto mostra que rúahh significa “vento”, como o “vento oriental” (Êxo. 10:13), os “quatro ventos”. (Zac. 2:6) A menção de coisas tais como nuvens, tempestade, o soprar da palha ou de coisas de natureza similar que aparecem no contexto, amiúde torna evidente este sentido. (Núm. 11:31; 1 Reis 18:45; 19:11; Jó 21:18, etc.) Visto que se usam os quatro ventos para significar as quatro direções — leste, oeste, norte e sul — rúahh às vezes pode ser traduzida como ‘direção’ ou ‘lado’. — 1 Crô. 9:24; Jer. 49:36; 52:23; Eze. 42:16-20; veja VENTO.
PESSOAS ESPIRITUAIS
Deus é invisível aos olhos humanos (Êxo. 33:20; João 1:18; 1 Tim. 1:17), e ele está vivo e exerce inigualável força por todo o universo. (2 Cor. 3:3; Isa. 40:25-31) Cristo Jesus declara: “Deus é Espírito [Pneúma].” O apóstolo escreve: “Ora, Jeová é o Espírito.” (João 4:24; 2 Cor. 3:17, 18) O templo edificado sobre Cristo como pedra angular de alicerce é um “lugar para Deus habitar por espírito”. — Efé. 2:22.
Isto não quer dizer que Deus seja uma força impessoal, incorpórea, como o vento. As Escrituras dão inequívoco testemunho de Sua personalidade; também possui um local, de modo que Cristo podia falar de ‘ir para o Pai’, isto a fim de ‘aparecer por nós perante a pessoa de Deus [literalmente, a “face de Deus”]’. (João 16:28; Heb. 9:24; compare com 1 Reis 8:43; Salmo 11:4; 113:5, 6.) Para maior consideração, veja JEOVÁ (A Pessoa Identificada por Tal Nome).
A expressão “meu espírito” (rúahh), usada por Deus em Gênesis 6:3, pode significar “Eu, o Espírito”, assim como seu emprego da expressão “minha alma” (néphesh) tem o sentido de “Eu, a pessoa” ou “minha pessoa”. (Isa. 1:14; veja ALMA [DEUS COMO TENDO ALMA].) Desta forma, ele contrasta sua posição espiritual, celeste, com a do homem carnal, terrestre.
O Filho de Deus
O “filho unigênito” de Deus, a Palavra, era
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