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Quando os ânimos se exaltamA Sentinela — 1981 | 15 de março
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Quando os ânimos se exaltam
NA CIDADE de Nova Iorque, “certo homem do bairro de Kew Gardens, furioso com os vizinhos por tocarem música alto, baleou quatro pessoas e depois se matou”. No outro lado do mundo, em Osaca, no Japão, “um motorista foi morto a tiros de revólver, quando buzinou para um carro que parara subitamente na frente dele”.
É provável que nunca se tenha descontrolado a tal ponto. E é óbvio que queira evitar uma tragédia dessas. Mas, pode você dizer que controla sempre seu espírito? Deveria esforçar-se neste sentido? Realmente, há algo que se possa fazer a respeito?
MAIS DO QUE CONTROLAR O GÊNIO
A Bíblia nos incentiva claramente a controlar nosso espírito. Ela diz: “Melhor é o vagaroso em irar-se do que o homem poderoso, e aquele que controla seu espírito, do que aquele que captura uma cidade.” (Pro. 16:32) A Bíblia também condena a perda do controle, dizendo: “Como uma cidade arrombada, sem muralha, é o homem que não domina seu espírito.” (Pro. 25:28) Mas, o que está envolvido em alguém controlar seu espírito?
Controlarmos nosso espírito transmite evidentemente um significado mais profundo do que simplesmente conter nosso temperamento. A Bíblia usa muitas vezes a palavra “espírito” para denotar nossas características predominantes, nossas intenções e nossa disposição de ânimo. Isto se dá com os termos bíblicos “brandura de espírito”, “espírito quieto e brando”, “fiel no espírito” e “espírito soberbo” — 1 Cor. 4:21; 1 Ped. 3:4; Prov. 11:13; 16:18.
Por exemplo, será que alguém que tem ódio no coração, mas que por falta de oportunidade se refreia de cometer assassinato, controlou realmente seu espírito? Será que não importa o ódio, enquanto não dermos vazão a ele? Jesus responde que não! Ao condenar o assassinato, suas palavras também subentendem a condenação do espírito de ódio que pode levar a ele. — Veja Mateus 5:21, 22.
Às vezes talvez possamos conter nossa língua e nosso gênio, e sair duma situação desagradável sem dizer uma palavra. Mas, se diversos dias ou mesmo semanas depois ainda remoermos o incidente e ficarmos perturbados por causa dele, não indica isto que realmente não controlamos nosso espírito? Caso alguém diga: “Eu posso perdoar, mas nunca esquecer”, está ele realmente controlando seu espírito? E que dizer de alguém que, embora não fique irado, fica mal-humorado e amuado, recusando-se a falar com aqueles a quem ele julga que o magoaram?
Não podemos desconsiderar sentimentos de frustração e ciúme que surgem no nosso coração, ou simplesmente não fazer caso deles, considerando-os “normais”. Estes sentimentos são o nosso verdadeiro espírito, ou nossa personalidade predominante. São estas emoções íntimas que precisamos controlar, se havemos de agradar a Deus.
Para mostrar os efeitos prejudiciais de emoções íntimas, descontroladas, Jesus Cristo disse: “Do coração vêm raciocínios iníquos, assassínios, adultérios, fornicações, ladroagens, falsos testemunhos, blasfêmias.” Depois ele continua: “Estas são as coisas que aviltam o homem.” (Mat. 15:19, 20) Sim, controlar nosso espírito significa controlar o nosso “coração”, isto é, nossas próprias atitudes e intenções.
Portanto, não basta então simplesmente nos refrearmos quando somos provocados. Para agradarmos a Deus, precisamos realmente controlar nosso espírito. Mas como?
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Seu espírito — como poderá controlá-lo?A Sentinela — 1981 | 15 de março
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Seu espírito — como poderá controlá-lo?
TODOS nós temos uma constituição genética herdada de nossos pais imperfeitos, e esta determina, até certo ponto, a espécie de espírito que temos. Também, o ambiente e nossa formação influenciam bastante a nossa personalidade. Portanto, deveríamos relegar então o assunto por dizer: “Não consigo melhorar meu jeito”? Definitivamente, não é assim que a Bíblia nos orienta. Antes, somos incentivados a ‘reformar a nossa mente’ e nos “revestir da nova personalidade”. Isto significa lutarmos contra a “velha personalidade” e livrarmo-nos das suas inclinações erradas. — Efé. 4:20-24; Rom. 12:2.
Falharemos às vezes, visto que nenhum homem consegue controlar perfeitamente seu espírito. Entretanto, por meditarmos na Palavra de Deus e orarmos para que o Seu espírito nos oriente, há muita coisa que podemos fazer para combater qualquer “espírito”, nocivo que talvez tenhamos, controlando-o assim. (Luc. 11:13; Gál 5:22, 23, 25) O que nos ajudará a fazer isso?
AJUDAS PARA CONTROLÁ-LO
Qualquer que seja o motivo de nosso espírito estar agitado, há várias coisas nas quais podemos pensar, que nos ajudarão a manter-nos calmos quando sob pressão. Examinemos três sugestões que alguns acharam de ajuda.
Examine a Si Mesmo. Realmente ajuda tentarmos analisar nossos sentimentos. Podemos raciocinar sobre o problema, perguntando a nós mesmos sobre o motivo de estarmos perturbados. Quando fazemos isso, verificamos freqüentemente que nossas “razões” são bastante insignificantes. Ou talvez descubramos dentro de nós mesmos um motivo que desconhecíamos.
A vantagem do auto-exame é que focalizamos então a nossa própria parte no problema, quando podemos fazer algo, em vez de ficarmos frustrados por focalizar somente a falta da outra pessoa, quando pouco podemos fazer. Podemos fazer-nos algumas perguntas: Fico perturbado por causa dos hábitos ou das faltas dos outros? Em caso afirmativo, dá-se isto porque seus hábitos são antibíblicos? Ou é porque minha formação e instrução foram diferentes das deles? (Neste último caso, é possível que o problema resida mais em nós do que na outra pessoa.) Fico logo irritado quando se fala algo depreciativo sobre mim, minha raça ou minha família? Ou é quando sou aconselhado que fico magoado? Neste caso, será que não estou tendo um conceito elevado demais sobre mim mesmo e sou excessivamente sensível? É uma pessoa em especial que me irrita? Fico frustrado (se for superintendente ou pai) quando um conselho não é acatado?
Por meio desse auto-exame, talvez aprendamos a reconhecer o nosso próprio ponto fraco específico. Assim, estaremos em melhor situação para ‘amofinar o nosso corpo’ e lutar arduamente para controlá-lo. — 1 Cor. 9:27.
Faça um Exame Objetivo da Outra Pessoa. Quando alguém nos perturba, tendemos a olhar apenas para suas fraquezas. Portanto, ajudará se pudermos vê-lo assim como Deus o vê. É a pessoa dedicada a Deus e amada por Ele? Será que, de modo geral, demonstra um bom “espírito”, falhando talvez em apenas um ou dois pontos? Neste caso, não seria de ajuda se nos concentrássemos nas suas qualidades “justas”, “castas” e “amáveis”, refletindo em tais coisas? — Fil. 4:8.
De fato, seria justo ou correto julgar alguém à base de uma ou duas características “irritantes”, como se nos recusássemos deliberadamente a ver algo de bom nele? Por que deveríamos querer julgar outros, visto que nosso critério é mui amiúde influenciado pelos sentimentos pessoais do momento? Tiago colocou a questão de maneira bem franca ao perguntar: “Quem és tu para julgares o teu próximo?” — Tia 4:12.
Procure Entender o Ponto de Vista da Outra Pessoa. Isto não é fácil de fazer, especialmente quando o ponto de vista de alguém é diametralmente oposto ao nosso. Contudo, o próprio esforço que fazemos ao tentar ver as coisas do modo dele servirá muitas vezes para contrabalançar nossos próprios sentimentos, e terá um efeito calmante. Pelo menos seremos capazes de compreender, até certo ponto, porque ele poderia sentir-se ou agir da maneira como faz. De fato, ao fazermos isso, aplicamos o conselho sábio dado pelo apóstolo Paulo aos filipenses, de considerar ‘os outros superiores a nós, não visando, em interesse pessoal, apenas os nossos próprios assuntos, mas também, em interesse pessoal, os dos outros’ — Fil. 2:3, 4.
Isto nos ajuda a evitar a armadilha de pré-julgar sem realmente considerar ambos os lados. (Pro. 18:13) A primeira vista, talvez nos pareça que estamos 100 por cento certos e que nosso irmão está completamente errado. Mas, quando examinamos as coisas mais cuidadosamente, geralmente descobrimos que raras vezes é assim tão simples. Provérbios 18:17 observa sabiamente: “O que advoga primeiro a sua causa, parece ter razão, sobrevêm a parte adversa e refuta-o.” — Missionários Capuchinhos.
CONTINUE A ESFORÇAR-SE NISSO
Ao seguirmos estas sugestões, realmente nos estamos esforçando para resolver nosso problema. Não estamos adotando a atitude derrotista e dizendo: “Não posso fazer nada a respeito.” O próprio ato de nos esforçarmos a resolver o problema reduzirá a probabilidade de perdermos o controle. Também nos mantém cônscios da necessidade de ajustarmos nossa maneira de pensar, especialmente se as falhas dos outros nos deixam constantemente irritados.
É necessário, quando enfrentamos nossos sentimentos, buscar a ajuda de nosso Deus, Jeová, a todo momento. Uma jovem senhora de Nova Jersey (E.U.A.) passou por um sério problema neste respeito. Perdia a calma com freqüência e ofendia-se com facilidade. Ao passo que batalhava vigorosamente contra estas tendências, ela nos conta também: “Eu orava muito a Jeová para que, por favor, apagasse minhas dúvidas. Pedia que ele examinasse profundamente meu coração, até mesmo a parte mais íntima do meu corpo e que, por favor, removesse quaisquer pensamentos maus “ Jeová evidentemente respondeu à sua oração sincera, pois ela acrescenta: “Já faz meses que eu não digo nenhum palavrão; meu temperamento é muito mais brando.”
Mas, que fazer se depois de aplicar estas sugestões e ter relativo êxito nos sentirmos às vezes seriamente agitados? Em primeiro lugar, nunca devemos permitir que isto nos deixe desanimados a ponto de querermos desistir. Depois, enquanto estamos realmente perturbados, é proveitoso nos lembrarmos do conselho do Salmo 4:4: “Ficai agitados, mas não pequeis. Falai no vosso coração, na vossa cama, e ficai quietos.”
É ESTA A MELHOR MANEIRA?
Alguém talvez pergunte: ‘Não é melhor desabafar-se quando se sente irritado?’ É assim que muitos pensam. No entanto, certa esposa que tentou fazer isso no café da manhã, certo dia, para fazer seu marido pendurar o chapéu, admitiu depois de perder a calma: “Naturalmente, é difícil eu ficar realmente furiosa, e, quando acontece, fico doente por dois ou três dias. Para falar a verdade, senti-me horrível após aquele café da manhã, e, acredite ou não, meu marido ainda deixa o chapéu na mesa com mais freqüência do que o guarda.” Diria que dar vazão à ira beneficiou esta senhora ou talvez o seu marido?
Outros, que perderam a calma, relataram as conseqüências: “Distúrbio estomacal.” “Fico todo tremendo, e nem enxergo bem.” “Fico mesmo furioso.” São benéficas estas conseqüências?
Mas isto não é tudo. Além dos danos físicos, há também o dano causado nas relações pessoais com outros. Muitas coisas ditas e feitas no acesso de ira causam mágoa profunda e irreparável. Por fim, há o sentimento de culpa por saber que perder o controle desagrada a Jeová.
Ninguém pode negar a veracidade das declarações bíblicas: “Quem prontamente se irar cometerá tolice.” “Quem é vagaroso em irar-se é abundante em discernimento.” — Pro. 14:17, 29.
Também, quão veraz na vida é o provérbio: “O homem enfurecido suscita contenda, mas aquele que é vagaroso em irar-se sossega a altercação”! (Pro. 15:18) Não há dúvida de que o homem que deixa de controlar seu espírito ‘põe lenha no fogo’, complicando assim o problema, enquanto que aquele que manifesta um espírito brando pode acalmar as coisas. “Uma resposta, quando branda, faz recuar o furor, mas a palavra que causa dor faz subir a ira.” — Pro. 15:1.
Deveras, controlarmos nosso espírito pode ser de real benefício. Não só evitamos assim maus efeitos, mas aprendemos a nos dar bem com os outros. Aprendemos também a acreditar em nossos irmãos espirituais, e a ter confiança neles. Não é isto muito melhor do que repisar constantemente as fraquezas deles? Derivamos alegria de procurarmos as boas qualidades neles e as imitarmos. Isto certamente resulta num ambiente mais amoroso.
De fato, quando um grupo de pessoas se reúne para algum propósito, manifesta certo “espírito” ou atitude predominante. (Filêm. 25) Se este será construtivo e encorajador, ou negativo e desencorajador, muito dependerá das pessoas que constituem o grupo. As Testemunhas de Jeová, em dezenas de milhares de congregações em todo o mundo, manifestam em geral um espírito sadio que atrai os outros.
Se for Testemunha de Jeová, por que não toma por alvo contribuir para o espírito sadio da congregação com a qual se associa? Poderá fazer isso por controlar seu próprio espírito e por ser cordial, amigável e edificante nos seus tratos com outros. Desta maneira ajudará a propagar um espírito de família feliz entre seus irmãos e irmãs espirituais. Ao passo que você da generosamente desta maneira, colherá os dividendos acrescidos de ser ajudado a controlar seu espírito. Isto se dá porque um bom espírito é contagioso, e generosidade gera generosidade. Como disse o sábio: “Far-se-á que a própria alma generosa engorde.” — Pro. 11:25.
[Foto na página 5]
Fico perturbado por causa dos hábitos ou das faltas dos outros?
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Ninguém está eximido de mostrar arrependimentoA Sentinela — 1981 | 15 de março
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Ninguém está eximido de mostrar arrependimento
A PROFECIA de Joel indica vigorosamente a importância de se ter uma condição limpa perante Deus. Os israelitas eram culpados de pecado sério, e, por isso, precisavam arrepender-se para não sofrerem uma calamidade. Não bastavam expressões externas de pesar. O que Jeová Deus queria era o reconhecimento do pecado, no íntimo do coração. O profeta Joel declarou: “Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes; e retornai a Jeová, vosso Deus, porque ele é clemente e misericordioso, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência, e certamente deplorará a calamidade.” — Joel 2:13.
Visto que todos eram pecadores, a idade não eximia ninguém de estar entre os reunidos no templo para se humilharem perante Jeová Deus. Até mesmo as criancinhas precisavam estar presentes, e a alegria do dia de casamento não devia interferir na súplica pelo perdão de Deus. A profecia de Joel declara: “Ajuntai o povo. Santificai uma congregação. Reuni os homens idosos. Ajuntai as crianças e os que mamam aos peitos. Saia o noivo do seu quarto interior e a noiva da sua câmara nupcial.” (Joel 2:16) Em harmonia com o espírito destas palavras, não se deve permitir nada ser mais importante na vida do que ter uma condição limpa perante o Criador.
Visto que as crianças de peito são pecadores natos, os pais têm a séria responsabilidade de manter uma condição correta perante Deus, para que os seus filhinhos sejam encarados como santos ou puros. — Veja 1 Coríntios 7:14
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