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InspiraçãoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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nem as Escrituras, nem o poder de Deus”. (Mat. 22:29-32; Mar. 12:24) Estava disposto a submeter-se à prisão e à própria morte por saber que isto se dava em cumprimento da escrita Palavra de Deus, as Escrituras Sagradas. — Mat. 26:54; Mar. 14:27, 49.
Tais declarações, por certo, aplicam-se às Escrituras Hebraicas pré-cristãs. É igualmente claro que as Escrituras Gregas Cristãs também foram apresentadas e aceitas como inspiradas (1 Cor. 14:37; Gál. 1:8, 11, 12; 1 Tes. 2:13), pois o apóstolo Pedro, em uma declaração, incluiu as cartas de Paulo junto com o resto das Escrituras. — 2 Ped. 3:15, 16.
Assim, o conjunto inteiro das Escrituras constitui a unificada e harmoniosa Palavra escrita de Deus. (Efé. 6:17) Todas as partes dela gozam de igual autoridade quanto à plenitude de sua inspiração e isenção de erros. Como temos visto, a operação específica do espírito de Deus nos vários casos não resultou em “graus” de inspiração. Por este motivo, o termo “plenária”, que significa “plena” ou “plenamente constituída”, aplica-se a todas as Escrituras e não apenas a certos trechos dela, como alguns peritos empregam esse termo.
A AUTORIDADE DAS CÓPIAS MANUSCRITAS E DAS TRADUÇÕES
Por conseguinte, deve-se atribuir à Palavra escrita de Deus a inerrância absoluta. Isto é verdade quanto aos escritos originais, sabendo-se que atualmente não existe nenhum deles. As cópias daqueles escritos originais, e as traduções feitas em muitas línguas, não podem afirmar gozar de exatidão absoluta. Existe sólida evidência e motivos bem fundados para se crer, contudo, que os manuscritos disponíveis das Escrituras Sagradas fornecem deveras cópias da Palavra escrita de Deus numa forma quase que exata, os pontos questionados tendo muito pouca influência no sentido da mensagem transmitida. O objetivo do próprio Deus em preparar as Escrituras Sagradas, e a declaração inspirada de que “a declaração de Jeová permanece para sempre”, garante-nos que Jeová Deus preservou a integridade interna das Escrituras no decorrer dos séculos. — 1 Ped. 1:25.
Em vários casos, os escritores das Escrituras Gregas Cristãs empregaram, como é evidente, a tradução grega Septuaginta, ao citarem as Escrituras Hebraicas. Por vezes, a forma de traduzir da Septuaginta, segundo citada por eles, difere um tanto da leitura das Escrituras Hebraicas conforme é agora conhecida (a maioria das traduções hodiernas baseando-se no Texto Massorético hebraico, que data de cerca do século X E.C.). À guisa de exemplo, a citação do Salmo 40:6, feita por Paulo, contém a expressão: “porém, preparaste-me um corpo”, expressão encontrada na Septuaginta. (Heb. 10:5, 6) Os manuscritos hebraicos disponíveis do Salmo 40:6 incluem, em lugar dessa expressão, as palavras: “Abriste-me estes ouvidos meus.” Não se pode afirmar com certeza se o texto original hebraico continha a frase que se encontra na Septuaginta. Seja qual for o caso, o espirito de Deus guiou Paulo em sua citação e, por conseguinte, tais palavras gozam da autorização divina. Isto não significa que a inteira tradução Septuaginta deva ser encarada como inspirada; mas, aqueles trechos citados pelos inspirados escritores cristãos tornaram-se, deveras, parte integrante da Palavra de Deus.
Em alguns casos, as citações feitas por Paulo e outros diferem tanto do texto hebraico como do grego, conforme encontrados nos manuscritos disponíveis. Contudo, as diferenças são mínimas, e, a um exame detido, provam ser resultado de paráfrase, de epitome, do uso de termos sinônimos, ou da adição de palavras ou frases explanatórias. Gênesis 2:7, por exemplo, afirma que “o homem veio a ser uma alma vivente”, ao passo que Paulo, ao citar este trecho, disse: “Até mesmo está escrito assim: ‘O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente.’ ” (1 Cor. 15:45) A adição que fez das palavras “primeiro” e “Adão” serviu para sublinhar o contraste que ele estabelecia entre Adão e Cristo. A inserção estava de pleno acordo com os fatos registrados nas Escrituras, e de forma alguma pervertia o sentido ou o conteúdo do texto citado. Aqueles a quem Paulo escrevia possuíam cópias (ou traduções) das Escrituras Hebraicas mais antigas do que as que possuímos atualmente, e podiam investigar as citações feitas por ele, dum modo similar ao feito pelo povo de Beréia. (Atos 17:10, 11) A inclusão destes escritos no cânon das Escrituras Sagradas por parte da congregação cristã do primeiro século fornece evidência de que esta aceitava tais citações como sendo parte da inspirada Palavra de Deus. — Compare também Zacarias 13:7 com Mateus 26:31.
“EXPRESSÕES INSPIRADAS” — VERDADEIRAS E FALSAS
A palavra grega pneúma (“espírito”) é usada de modo especial em alguns escritos apostólicos. Em 2 Tessalonicenses 2:2, para exemplificar, o apóstolo Paulo insta com seus irmãos tessalonicenses que não fiquem excitados ou abalados em sua razão “quer por uma expressão inspirada [literalmente, “espírito”], quer por intermédio duma mensagem verbal, quer por uma carta, como se fosse da nossa parte, no sentido de que o dia de Jeová está aqui”. É claro que Paulo emprega a palavra pneúma (espírito) em relação com os meios de comunicação, tais como a “mensagem verbal” ou a “carta”. Por este motivo, o Criticai Doctrinal and Homiletical Commentary (Comentário Crítico Doutrinal e Homilético) de Schaff-Lange, afirma sobre este texto: “Por meio disto, o Apóstolo tenciona uma sugestão espiritual, pretensa predição, declaração dum profeta . . .” A obra Word Studies in the New Testament (Estudos das Palavras no Novo Testamento; Vol. IV, p. 63), de Vincent, declara: “Por espírito — Pelas declarações proféticas de indivíduos nas assembléias cristãs, que afirmem ter a autoridade das revelações divinas.” Assim, ao passo que algumas traduções simplesmente traduzem pneúma neste e em outros casos similares como “espírito”, outras traduções rezam “palavra profética” (BJ; CT); “pretensa revelação” (CBC; MH; PIB); “profecia” (LR; Ne); “mensagem do Espírito” (An American Translation); “inspiração” (D’Ostervald; Segond, em francês); “expressão inspirada” (NM).
As palavras de Paulo tornam claro que há “expressões inspiradas” verdadeiras e falsas. Ele se refere a ambos os tipos em 1 Timóteo 4:1, quando afirma que “a pronunciação inspirada [pelo espírito santo de Jeová] diz definitivamente que nos períodos posteriores de tempo alguns se desviarão da fé, prestando atenção a desencaminhantes pronunciações inspiradas e a ensinos de demônios”. Isto identifica a fonte das “pronunciações inspiradas” falsas como sendo os demônios. Isto é apoiado pela visão fornecida ao apóstolo João, em que ele viu “três impuras expressões inspiradas”, semelhantes a rãs, procedentes da boca do dragão, da fera (besta) e do falso profeta, expressões inspiradas que ele declara especificamente serem “inspiradas por demônios”, servindo para ajuntar os reis da terra para a guerra no Har-Magedon. — Rev. 16:13-16.
Com bom motivo, então, João instou com os cristãos a ‘provar as expressões inspiradas, para ver se se originam de Deus’. (1 João 4:1-3; compare com Revelação 22:6.) Ele passou então a mostrar que as verdadeiras expressões inspiradas por Deus emanavam da genuína congregação cristã, e não de fontes mundanas anticristãs. A declaração de João, por certo, foi inspirada por Jeová Deus, mas, além disso, a carta de João lançara sólido alicerce para a seguinte declaração direta: “Quem obtiver conhecimento de Deus nos escuta; quem não se originar de Deus não nos escuta. É assim que reconhecemos a expressão inspirada da verdade e a expressão inspirada do erro.” (1 João 4:6) Longe de simples dogmatismo, João mostrou que ele e os outros cristãos verdadeiros manifestavam os frutos do espírito de Deus, primariamente o amor, e provavam, pela sua conduta correta e pela sua linguagem verídica, que deveras ‘andavam na luz’, em união com Deus. — 1 João 1:5-7; 2:3-6, 9-11, 15-17, 29; 3:1, 2, 6, 9-18, 23, 24; contraste com Tito 1:16.
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Instrução (Ensinamento)Ajuda ao Entendimento da Bíblia
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INSTRUÇÃO (ENSINAMENTO)
[De uma forma do heb. yaráh, instruir ou ensinar; gr. , paideúo, instruir, corrigir, castigar, disciplinar; katekhéo, ensinar oralmente, informar, instruir].
Jeová é a Fonte de instrução. (Isa. 2:3; Miq. 4:2) A Bíblia é seu Livro escrito de instrução. (Sal. 119:105; 2 Tim. 3:16; Rom. 15:4) Jesus Cristo é “o caminho, e a verdade, e a vida”, instruindo aqueles que se aproximam do Pai por meio dele. — João 14:6.
O que poderia ser chamado de “livro da criação divina” também instrui, quando devidamente estudado. (Sal. 19:1-4; Rom. 1:20; 10:18) Jó disse a seus companheiros que eles poderiam instruir-se por se dirigirem à criação animal. (Jó 12:7, 8) Mas tal instrução proveniente da criação física, em si, não pode suprir a sabedoria de Deus, a menos que o pesquisador possua o temor de Jeová, que é ‘o princípio do conhecimento e da sabedoria’, e acompanhe o estudo das coisas criadas com a consideração da Palavra de Deus. — Jó 28:13-28; Pro. 1:7; Sal. 111:10; Pro. 30:5; Isa. 8:20.
A instrução, para trazer pleno benefício à pessoa, inclui a correção, o castigo, a disciplina, como as palavras tanto em hebraico como em grego subentendem. Nem sempre é fácil aceitar a disciplina, mas, quando a pessoa acata tal instrução, ela dará “fruto pacífico, a saber, a justiça”. (Heb. 12:7-11) A instrução dada por um instrutor amoroso incluirá o treinamento por meio do exemplo. Mas, se a paga for o principal incentivo para o instrutor, como se dava com os sacerdotes nos dias de Miquéias, não haverá nem o exemplo nem o treinamento correto. (Miq. 3:11) E a fonte menos fidedigna de todas é a instrução buscada aos pés dos ídolos, ou de espíritas, de mágicos, de adivinhos e de pessoas ou coisas semelhantes, pois então o indivíduo procura instrução da parte dos inimigos de Deus, os demônios. (Hab. 2:19; 1 Cor. 10:20; Isa. 8:19; 2:6; Rev. 22:15) As Escrituras avisam sobre voltar-se para tais fontes de instrução, bem como para a filosofia mundana. — Col. 2:8; 1 Tim. 6:20.
A Bíblia indica que, durante o reinado de 1.000 anos de Cristo, serão abertos rolos de instrução para o julgamento da humanidade. — Rev. 20:12.
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Instrutor, Instrução (Ensino)Ajuda ao Entendimento da Bíblia
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INSTRUTOR, INSTRUÇÃO (ENSINO)
Jeová Deus, o Criador, é o Grandioso Instrutor ou Mestre de seus servos. (1 Reis 8:36; Sal. 27:11; 86:11; 119:102; Isa. 30:20; 54:13) As próprias obras criativas ensinam que existe um Deus todo-sábio, e elas fornecem um campo para investigação e observação que, até os dias atuais, somente foi parcialmente explorado. (Jó 12:7-9) Em adição, por meio de revelações especiais, Jeová Deus tem ensinado aos humanos o Seu nome, seus propósitos e suas leis. (Compare com Êxodo 4:12, 15; 24:12; 34:5-7.) Tais revelações são encontradas na Palavra de Deus, a Bíblia, e servem como base para o ensino correto a respeito da Sua vontade. (Rom. 15:4; 2 Tim. 3:14-17) O espírito de Deus também funciona como instrutor. — João 14:26.
INSTRUÇÃO ENTRE OS ISRAELITAS
Em Israel, Deus confiou aos pais a responsabilidade de instruir seus filhos.
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