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EspiritismoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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de ira, contendas, divisões, seitas, invejas, bebedeiras, festanças e coisas semelhantes a estas.” Agrada os desejos da carne pecaminosa, e não as coisas do espírito, e o apóstolo avisa de que “os que praticam tais coisas não herdarão o reino de Deus”. — Gál. 5:19-21, Int.
ARTE MÁGICA, UMA PRÁTICA RELACIONADA
Relacionadas com o espiritismo há as artes mágicas. Em Éfeso, muitos creram na pregação de Paulo, e “um número considerável dos que haviam praticado artes mágicas trouxeram os seus livros e os queimaram diante de todos”. (Atos 19:19) A palavra grega para ‘arte mágica’ é períergos, “curiosidade”, literalmente, “coisas que estão ao redor do trabalho” e, assim, são supérfluas, isto é, as artes dos que perscrutam as coisas proibidas, com a ajuda de espíritos malignos. — Int; Expository Dictionary of New Testament Words, de Vine, Vol. I, p. 261.
UMA PROFECIA CONTRA JERUSALÉM
Jeová, num pronunciamento contra Jerusalém por causa da infidelidade dela, disse: “E terás de ficar rebaixada de modo que falarás desde a própria terra, e tua declaração soará baixo, como que do pó. E tua voz terá de tornar-se como a de um médium espírita, da própria terra, e tua própria declaração chilrará desde o pó.” (Isa. 29:4) Isto apontava o tempo em que os inimigos subiriam contra Jerusalém e a reduziriam a uma condição muito degradada, como que derrubada por terra. Assim, qualquer declaração que os habitantes de Jerusalém fizessem viria lá de baixo, de sua degradação. Seria como se um médium espírita estivesse falando, dum modo a fazer parecer que um som macio, lânguido, baixo, sussurrado e fraco procedesse do pó da terra. No entanto, como mostra Isaías 29:5-8, Jerusalém seria livrada.
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ESPÍRITO
[Heb., rúahh; gr., pneúma].
A palavra portuguesa “espírito” provém do latim spirare, que significa “respirar” (forma substantiva spiritus, “um fôlego”, “respiração”), as palavras “respiração”, “expiração” e “inspiração” derivando-se todas da mesma fonte. Similarmente, o grego pneúma provém de pnéo, que significa “respirar ou soprar”, e crê-se que o hebraico rúahh provenha duma raiz que tem o mesmo significado.
As formas substantivas rúahh e pneúma, então, significam basicamente “fôlego”, mas têm significados ampliados, além desse sentido básico. (Compare com Habacuque 2:19; Revelação 13:15.) Podem também significar vento; a força vital das criaturas viventes; o espírito da pessoa; pessoas espirituais, inclusive Deus e suas criaturas angélicas; e a força ativa ou espírito santo de Deus. [Compare com o Lexicon in Veteris Testamenti Libros (Léxico dos Livros do Velho Testamento; pp. 877-879) de Koehler e Baumgartner; Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (Léxico Hebraico e Inglês do Velho Testamento), de Brown, Driver e Briggs, pp. 924-926; Theological Dictionary of the New Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento; Vol. VI, pp. 332-451), editado por G. Kittel.] Todos esses significados têm algo em comum: todos se referem àquilo que é invisível ao homem e que fornece evidência de força em movimento. Tal força invisível é capaz de produzir efeitos visíveis.
Outra palavra hebraica, neshamáh (Gên. 2:7) também significa “fôlego”, mas é de âmbito mais limitado de significado do que rúahh. O grego pnoé parece ter um sentido limitado similar (Atos 17:25), sendo usado pelos tradutores da Septuaginta para verter neshamáh.
VENTO
Consideremos primeiro o sentido que, talvez, seja o mais fácil de compreender. Em muitos casos, o contexto mostra que rúahh significa “vento”, como o “vento oriental” (Êxo. 10:13), os “quatro ventos”. (Zac. 2:6) A menção de coisas tais como nuvens, tempestade, o soprar da palha ou de coisas de natureza similar que aparecem no contexto, amiúde torna evidente este sentido. (Núm. 11:31; 1 Reis 18:45; 19:11; Jó 21:18, etc.) Visto que se usam os quatro ventos para significar as quatro direções — leste, oeste, norte e sul — rúahh às vezes pode ser traduzida como ‘direção’ ou ‘lado’. — 1 Crô. 9:24; Jer. 49:36; 52:23; Eze. 42:16-20; veja VENTO.
PESSOAS ESPIRITUAIS
Deus é invisível aos olhos humanos (Êxo. 33:20; João 1:18; 1 Tim. 1:17), e ele está vivo e exerce inigualável força por todo o universo. (2 Cor. 3:3; Isa. 40:25-31) Cristo Jesus declara: “Deus é Espírito [Pneúma].” O apóstolo escreve: “Ora, Jeová é o Espírito.” (João 4:24; 2 Cor. 3:17, 18) O templo edificado sobre Cristo como pedra angular de alicerce é um “lugar para Deus habitar por espírito”. — Efé. 2:22.
Isto não quer dizer que Deus seja uma força impessoal, incorpórea, como o vento. As Escrituras dão inequívoco testemunho de Sua personalidade; também possui um local, de modo que Cristo podia falar de ‘ir para o Pai’, isto a fim de ‘aparecer por nós perante a pessoa de Deus [literalmente, a “face de Deus”]’. (João 16:28; Heb. 9:24; compare com 1 Reis 8:43; Salmo 11:4; 113:5, 6.) Para maior consideração, veja JEOVÁ (A Pessoa Identificada por Tal Nome).
A expressão “meu espírito” (rúahh), usada por Deus em Gênesis 6:3, pode significar “Eu, o Espírito”, assim como seu emprego da expressão “minha alma” (néphesh) tem o sentido de “Eu, a pessoa” ou “minha pessoa”. (Isa. 1:14; veja ALMA [DEUS COMO TENDO ALMA].) Desta forma, ele contrasta sua posição espiritual, celeste, com a do homem carnal, terrestre.
O Filho de Deus
O “filho unigênito” de Deus, a Palavra, era uma pessoa espiritual como seu Pai, por isso, ‘existia em forma de Deus’ (Fil. 2:5-8), porém, mais tarde “se tornou carne”, residindo entre o gênero humano como o homem Jesus. (João 1:1, 14) Concluindo sua vida terrestre, foi “morto na carne, mas vivificado no espírito”. (1 Ped. 3:18) Seu Pai o ressuscitou, concedendo o pedido de seu Filho de ser glorificado junto do Pai, com a glória que possuía em seu estado pré-humano (João 17:4, 5), e Deus o tornou “um espírito vivificante“. (1 Cor. 15:45) Assim, o Filho se tornou novamente invisível aos olhos humanos, morando “em luz inacessível, a quem nenhum dos homens tem visto nem pode ver”. — 1 Tim. 6:14-16.
Outras criaturas espirituais
Em vários textos, designam-se os anjos pelos termos rúahh e pneúma. (1 Reis 22:21, 22; Eze. 3:12, 14; 8:3; 11:1, 24; 43:5; Atos 23:8, 9; 1 Ped. 3:19, 20) Nas Escrituras Gregas Cristãs, a maioria de tais referências se aplicam a criaturas espirituais iníquas, os demônios. — Mat. 8:16; 10:1; 12:43-45; Mar. 1:23-27; 3:11, 12, 30; etc.
O Salmo 104:4 declara que Deus faz de “seus anjos espíritos, [de] seus ministros, um fogo devorador”. Algumas traduções preferem verter isto de modo a rezar: “Que tem os ventos por mensageiros e por ministros, lampejos de fogo”, ou algo similar. (PIB; Al; CBC [103:4]; IBB) Tal tradução do texto hebraico não é inadmissível (compare com o Salmo 148:8); no entanto, a citação feita pelo apóstolo Paulo desse texto (Heb. 1:7) coincide com o da Septuaginta e se harmoniza com a tradução fornecida inicialmente. (No texto grego de Hebreus 1:7, o artigo definido [tous] é usado antes de “anjos”, e não antes de “espíritos [pneúmata]”, fazendo com que anjos seja o sujeito correto da cláusula.) As Barnes’ Notes (Notas de Barnes) sobre Hebreus dizem: “Deve-se presumir que [Paulo], que tinha sido educado de modo a conhecer a língua hebraica, devia ter tido melhor oportunidade de saber qual era sua justa construção [referindo-se ao Salmo 104:4] do que nós; e é moralmente certo que ele empregaria o trecho, num argumento, conforme era comumente entendido por aqueles a quem ele escrevia — isto é, àqueles que estavam familiarizados com a língua e a literatura hebraicas.” — Compare com Hebreus 1:14.
Os anjos de Deus, embora capazes de materializar-se em forma humana e aparecer diante dos homens, não são, por natureza, materiais ou carnais, por isso, são invisíveis. Acham-se ativamente vivos e podem exercer grande força, e os termos rúahh e pneúma, por conseguinte, aplicam-se apropriadamente a eles.
Efésios 6:12 menciona a pugna cristã, “não contra sangue e carne, mas contra os governos, contra as autoridades, contra os governantes mundiais desta escuridão, contra as forças espirituais iníquas nos lugares celestiais”. A última parte do texto em grego reza literalmente: “Para com as (coisas) espirituais [Gr., pneumatiká] da iniqüidade nos [lugares] celestes.” A maioria das traduções modernas reconhecem que a referência aqui feita não é simplesmente a uma abstrata “iniqüidade espiritual” (AV), mas se refere à iniqüidade praticada por pessoas espirituais. Assim, temos traduções tais como: “as forças espirituais do mal espalhadas nos ares” (CBC), “um número tremendo de maus espíritos no mundo espiritual” (NTV), “os Espíritos do Mal, que povoam as regiões celestiais” (BJ).
A FORÇA ATIVA DE DEUS; ESPÍRITO SANTO
A grande maioria das ocorrências de rúahh e pneúma relaciona-se ao espírito de Deus, seu espírito santo.
Não é pessoa
Não foi senão no quarto século E.C. que o ensino de que o espírito santo era uma pessoa, e parte da “Divindade”, se tornou dogma eclesiástico oficial. Os primitivos “padres” da Igreja não ensinaram desse modo; Justino Mártir, do segundo século E.C., ensinou que o espírito santo era uma ‘influência ou modo de operação da Deidade’; Hipólito igualmente não atribuiu nenhuma personalidade ao espírito santo. As próprias Escrituras se unem em mostrar que o espírito santo de Deus não é uma pessoa, mas é a força ativa de Deus, por meio da qual ele realiza seu propósito e executa sua vontade.
Poder-se-á observar inicialmente que as palavras “no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um” (Al) encontradas nas traduções mais antigas, em 1 João 5:7, são realmente uma adição espúria ao texto original. Uma nota em A Bíblia de Jerusalém, uma tradução católica (ed. 1981), afirma que tais palavras são um inciso ao texto, “ausente nos antigos mss. gregos, nas antigas versões e nos melhores mss. da Vulg[ata]”. As traduções modernas em geral, tanto católicas como protestantes, não as incluem no corpo principal do texto, devido a reconhecerem a natureza espúria delas.
A personificação não prova a personalidade
É verdade que Jesus falou do espírito santo como sendo “ajudador”, e falou de tal ajudador como ‘ensinando’, ‘dando testemunho’, ‘dando evidência’, ‘guiando’, ‘falando’, ‘ouvindo’, e ‘recebendo’. Ao assim fazer, o grego original mostra que Jesus às vezes aplicava o pronome pessoal “ele” àquele “ajudador” (paráclito). (Compare com João 14:16, 17, 26; 15:26; 16:7-15.) No entanto, não é incomum, nas Escrituras, que algo seja personalizado ou personificado sem ser realmente uma pessoa. A sabedoria é personificada no livro de Provérbios (1:20-33; 8:1-36), e formas pronominais femininas são usadas para ela, no hebraico original, como também em muitas traduções em português. (Al; ALA; BJ; CBC; IBB; PIB)
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