BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia
BIBLIOTECA ON-LINE
da Torre de Vigia
Português (Brasil)
  • BÍBLIA
  • PUBLICAÇÕES
  • REUNIÕES
  • A fonte sobre-humana de espírito santo
    Espírito Santo — A Força por Detrás da Vindoura Nova Ordem!
    • Capítulo 1

      A fonte sobre-humana de espírito santo

      1. Por que operava espírito santo no Jardim do Éden, quando o homem e a mulher se encontraram pela primeira vez?

      QUANDO o homem e a mulher se encontraram pela primeira vez, sentiram uma força — a força da atração. Enamoraram-se imediatamente. Embora estivessem nus, sem roupa, o primeiro homem e a primeira mulher eram santos. Isto quer dizer que eram resplendentes, limpos, puros e perfeitos em corpo, mente e coração. Por este motivo, não se sentiam embaraçados e podiam manter uma relação desinibida com seu Criador, Deus. Usufruíam com Ele uma relação de filhos, num lugar limpo e santo. Era um lugar de puro prazer, corretamente chamado de Jardim do Éden ou Paraíso de Delícias. Tudo em volta deles, que pudesse ter influência sobre eles, era salutar e bom. Espírito santo, a santa força ativa de Deus, estava ali em plena operação.

      2. Por que mostrou ser sobre-humana a Fonte de espírito santo?

      2 O homem e a mulher, nossos primeiros pais terrenos, eram humanos, eram da terra, das coisas encontradas aqui na terra. Mas, que dizer de seu Criador divino? Este tinha de ser sobre-humano. Era infinitamente mais elevado do que o homem, no nível de Sua existência celestial. Era também superior na espécie de Pessoa inteligente que ele é. Em linguagem simples, era de qualidade muito superior ao homem. Por este motivo, era invisível ao homem, cuja faculdade da visão tem alcance limitado. Era natural, pois, que o primeiro homem e a primeira mulher nunca vissem seu Criador, o Dador de sua vida, seu Pai celestial. Visto que Ele tem existência sobre-humana, celestial e invisível, era o que hoje chamamos de “espírito”. Por ser uma Pessoa, assim como também a criatura homem é, o Criador pode ser chamado de “Espírito”. Ele é notavelmente O Espírito. É a Fonte invisível de espírito santo, porque Ele mesmo é santo.

      3. A atividade de quem indica Gênesis 1:1?

      3 Antes de existirem a terra e os céus acima dela, esta Pessoa espiritual já existia e estava ativa. O Livro sagrado que nos fornece a narrativa histórica, que remonta ao tempo anterior ao começo do homem, inicia com estas palavras incisivas: “No princípio Deus criou os céus e a terra.” — Gênesis, capítulo 1, versículo 1.

      4, 5. Por que não se deve adorar a Deus num edifício construído pelo homem em algum lugar específico da terra?

      4 Este Deus criador é mais elevado do que os céus que criou, e, por isso, é muito mais elevado do que o homem terreno. De modo que ele, em essência, ou naquilo que é, é espírito. Milhares de anos após a criação do homem, o Fundador do verdadeiro cristianismo chamou atenção para este mesmo fato. Junto a uma fonte, ao sopé do monte Gerizim, na antiga Samaria, ele disse a uma mulher samaritana: “Deus é Espírito, e os que o adoram têm de adorá-lo com espírito e verdade.” (Evangelho de João, capítulo 4, versículo 24) O verdadeiro Deus não tem necessidade de ser adorado em algum edifício religioso, construído pelos homens, em algum lugar específico na terra, nem mesmo em Jerusalém, no Oriente Médio. Menos de vinte anos depois de ele fazer esta declaração, um apóstolo do cristianismo estava perante o Supremo Tribunal da cidade de Atenas, na qual havia muitos templos devotados a deuses e deusas da religião deles. Disse:

      5 “O Deus que fez o mundo e todas as coisas nele, sendo, como Este é, Senhor do céu e da terra, não mora em templos feitos por mãos, nem é assistido por mãos humanas, como se necessitasse de alguma coisa, porque ele mesmo dá a todos vida, e fôlego, e todas as coisas. E ele fez de um só homem toda nação dos homens, para morarem sobre a superfície inteira da terra.” — Atos 17:24-27.

      6. Como mostrou o construtor do primeiro templo em Jerusalém que ele conhecia este fato a respeito da adoração de Deus?

      6 Mais de mil anos antes, este fato a respeito do verdadeiro Deus, que é Espírito sobre-humano e extraterreno, era conhecido ao construtor do primeiro templo de que se sabe, em Jerusalém, no Oriente Médio. Na dedicação deste templo, que havia construído para o nome de Deus, o então rei de Jerusalém disse-lhe em oração: “Morará Deus verdadeiramente na terra? Eis que os próprios céus, sim, o céu dos céus, não te podem conter; quanto menos, então, esta casa que construí!” — 1 Reis 8:27.

      DEUS, FONTE DE TODA A ENERGIA

      7. De que modo não pode nem mesmo “o céu dos céus” conter a Deus?

      7 O orador destas palavras, Salomão, filho do Rei Davi, era o cientista mais sábio dos tempos anteriores à nossa Era Comum. Quando disse que nem mesmo o céu dos céus pode conter o Deus para quem construíra um templo, ele proferiu uma verdade científica. Nossa terra é uma pequeníssima parte dum universo, cujos limites os cientistas foram incapazes de alcançar ou trazer ao alcance da vista, mesmo com os atuais poderosíssimos telescópios. Ainda assim, este universo, que ainda não se conseguiu medir, não pode conter o verdadeiro Deus. Não pode restringi-lo ou confiná-lo. O verdadeiro Deus pode superar tudo o que de visível e invisível já existe do universo atual. Ele pode ir mais além e criar ainda outras coisas para a ampliação do universo, além de suas fronteiras existentes, lá fora no espaço infindável. O que significa isso?

      8. Quão duradoura é a Divindade de Deus e por que nada Lhe é impossível?

      8 Significa que Deus não é limitado nem pelo tempo, nem pelo espaço. Sua vida, no passado, era além de limites. Sua vida, no futuro, é além de limites. O principal legislador dos tempos pré-cristãos, Moisés, disse a este Ilimitado: “De tempo indefinido a tempo indefinido, tu és Deus.” (Salmo 90:2) Este Deus vive por tempo infindável, para continuar a produzir e criar coisas além do universo atual, expandindo-o. Isto significa que ele é o reservatório inesgotável de toda a energia. Todas as coisas do universo são grupos de partículas de energia procedentes dele. Foram reunidas em massas grandes e pequenas. O cientista Albert Einstein, do século vinte, elaborou uma fórmula para isso: A energia é igual à massa, vezes a velocidade da luz ao quadrado (ou: E=mc2). Não é de admirar-se, então, que esta Fonte de toda a energia não ache nada impossível.

      9, 10. Como é que Deus faz sair o exército de estrelas “por número”, sem que alguma delas ‘falte’?

      9 Por exemplo, note a afirmação quase incrível que Ele faz a respeito de si mesmo, quando nos manda erguer os olhos para o céu, à noite, e admirar as estrelas. Ele diz: “Levantai ao alto os vossos olhos e vede. Quem criou estas coisas? Foi Aquele que faz sair o exército delas até mesmo por número, chamando a todas elas por nome. Devido à abundância de energia dinâmica, sendo ele também vigoroso em poder, não falta nem sequer uma delas.” — Isaías 40:26.

      10 Os astrônomos da atualidade, com seus telescópios mais penetrantes, apenas podem calcular o número das estrelas ao alcance da visão. O mesmo não se dá com o Criador dos céus e da terra. “Ele está contando o número das estrelas; a todas elas chama pelos seus nomes.” (Salmo 147:4) Ele compara todas as estrelas do céu a um exército enorme. Sabe quantas há neste seu exército. Conhece cada membro deste exército por nome. Pode fazer de cor a chamada delas. Quando faz a chamada, nem um único membro deste exército de estrelas deixa de responder. Cada uma responde à chamada de seu nome e faz uma prestação de contas de sua atuação. Ele verifica que cada uma cumpra o propósito para o qual foi criada. Nenhuma delas falta.

      11. Por que não fica esgotado o Criador, nem permitirá que o universo se esgote ou acabe?

      11 A “abundância de energia dinâmica” de Deus é imensurável. E inesgotável. Quando pensamos apenas na energia contida no sol de nosso sistema solar, que é uma fornalha de explosões nucleares semelhantes às explosões de bombas de hidrogênio, ficamos deveras espantados. E então, quando pensamos nos inúmeros bilhões de estrelas existentes, algumas das quais são maiores do que nosso sol, podemos ter alguma idéia do fluxo de energia dinâmica, procedente de Deus, representada pelos atuais céus estrelados. E ainda assim, Deus não fica esgotado ou exausto. De modo que está plenamente em harmonia com os fatos quando se diz: “Ele dá poder ao cansado; e faz abundar a plena força para aquele que está sem energia dinâmica.” (Isaías 40:29) Nunca permitirá que nosso universo em expansão se esgote ou acabe. Permanecerá para sempre, a fim de cumprir o propósito para o qual foi criado. Um antigo observador das estrelas disse poeticamente: “Os céus declaram a glória de Deus; e a expansão está contando o trabalho das suas mãos. Um dia após outro dia faz borbulhar a fala, e uma noite após outra noite exibe conhecimento.” — Salmo 19:1, 2.

      12. Por que são os homens inescusáveis por não fazerem caso de Deus e da responsabilidade que tem para com Ele?

      12 Felizmente, Deus é invisível para a humanidade. Contudo, apesar disso, fornece-nos tanta evidência de sua existência, que o mundo da humanidade não tem desculpa para negar Sua existência ou não fazer caso dela, nem negar sua responsabilidade perante ele. “Pois”, diz um escritor bíblico, “as suas qualidades invisíveis são claramente vistas desde a criação do mundo em diante, porque são percebidas por meio das coisas feitas, mesmo seu sempiterno poder e Divindade, de modo que eles são inescusáveis; porque, embora conhecessem a Deus, não o glorificaram como Deus.” (Romanos 1:20, 21) Em face de toda esta evidência, não podem argumentar com bom êxito que Deus não existe, nem podem argumentar que “Deus está morto”. Ele ainda vive e tem toda a energia dinâmica e memória perfeita para executar seus propósitos declarados, os quais foram expostos e divulgados agora já por uns seis mil anos. Quão gratos podemos ser por isso!

      13. Além da energia dinâmica, de que mais é Deus a Fonte, e por quê?

      13 Não concordamos com os cientistas hodiernos na sua negação de Deus ser a Fonte de toda a energia agora em operação. Sabemos que ele é também a Fonte de mais outra coisa que os cientistas negam, e sobre a qual não sabem nada. Qual é? O “espírito”. E por que não devia ele ser a Fonte de espírito? “Deus é Espírito” ou “Deus é espírito”, como Jesus Cristo salientou há dezenove séculos atrás. — João 4:24, NM e Almeida atualizada.

      14. O que é “espírito santo” e quem o dá?

      14 De Deus procede uma força ativa, invisível, por meio da qual ele executa a sua vontade. Não se trata de mera influência, tal como um homem possa exercer sobre outros, pela sua forte personalidade. É uma força em operação, e ela procede de Deus, que é santo, quer dizer, absolutamente puro e justo. Ele a envia para realizar aquilo que é santo. Por isso é corretamente chamada “espírito santo”. É assim que é chamada na Palavra escrita de Deus. O próprio Jesus Cristo reconheceu que Deus é a Fonte de espírito santo. Em evidência disso, ele falou aos pais humanos dos seus dias: “Se vós, embora iníquos, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais o Pai, no céu, dará espírito santo aos que lhe pedirem!” — Lucas 11:13.

      15. Que espírito queremos, assim como o Rei Davi, que opere para conosco?

      15 Um antepassado real de Cristo também reconheceu que Deus é a Fonte de espírito santo. Este reconhecimento evidenciou-se quando ele confessou seu erro perante Deus, pedindo perdão e dizendo: “Não me lances fora de diante da tua face; e não tires de mim o teu espírito santo.” (Salmo 51:11) Se o Rei Davi ficasse privado de espírito santo, significaria para ele ser cortado de sua Fonte. O resultado disso só poderia ser muito sério e desastroso. Se nós, hoje, tivermos fé na existência de Deus e em ele ser a Fonte de espírito santo, então, se lho pedirmos, ele tornará possível que o obtenhamos. É a força que gostaríamos de ter em operação em relação a nós, não gostaríamos? Se for isso o que queremos, Deus poderá realizar muita coisa boa por nosso intermédio e preservar-nos santos, no meio dum mundo que não é nada santo.

      UMA FORÇA, NÃO UMA PESSOA

      16. Como se mostra que a palavra hebraica para “espírito” é bem descritiva?

      16 Na Palavra escrita de Deus, as Escrituras Sagradas, a palavra escolhida para esta força ativa, invisível, da parte de Deus é apropriada, sendo bastante descritiva. No livro inicial dessas Escrituras, é chamada de rúah. A mais antiga tradução grega deste primeiro livro bíblico chamou-a de pneúma. Visto que a palavra hebraica rúah contém a idéia de ação e movimento, os tradutores a verteram por “sopro, fôlego, brisa, tempestade, vento, força ativa”, bem como por “espírito”. Por este motivo, a colocação em que se encontra esta palavra hebraica ajuda a saber se a palavra deve ser traduzida por “espírito” ou de outro modo.

      17. O que diz Uma Tradução Americana em vez de “o Espírito de Deus”, em Gênesis 1:2, indicando assim o que, a respeito de rúah?

      17 Por exemplo, no segundo versículo das Escrituras Sagradas, a palavra rúah ocorre pela primeira vez. Como deveria ser traduzida nos outros idiomas? Pois bem, a popular Versão Almeida (edição revista e corrigida), da Bíblia, verte Gênesis 1:1, 2, do seguinte modo: “No princípio criou Deus os céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.” No entanto, a versão chamada Uma Tradução Americana, em inglês, de direitos autorais da Universidade de Chicago, de 1939, reza: “Quando Deus começou a criar os céus e a terra, a terra era um ermo desolado, com escuridão cobrindo o abismo e um vento tempestuoso rugindo sobre a superfície das águas.” Ali, em vez da palavra “Espírito”, usa-se a palavra “vento”, e a expressão “o Espírito de Deus” é traduzida “um vento tempestuoso”. Assim, Uma Tradução Americana indica que a palavra rúah refere-se a algo invisível em movimento ou em ação.

      18. Como mostra a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas que não era uma pessoa chamada “Espírito” que se movia sobre as águas?

      18 Tendo em mente que rúah se refere a uma força invisível em ação, a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas verte Gênesis 1:1, 2, em português, do seguinte modo: “No princípio Deus criou os céus e a terra. Ora, a terra mostrava ser sem forma e vazia, e havia escuridão sobre a superfície da água de profundeza; e a força ativa de Deus movia-se por cima da superfície das águas.” De modo que esta tradução, bem como Uma Tradução Americana, tornam claro que não havia nenhuma pessoa chamada “Espírito” movendo-se sobre as águas que cobriam o globo inteiro. Antes, era a força ativa, impessoal, de Deus que se movia para lá e para cá sobre a superfície não iluminada das águas.

      19. O que diremos quanto a se o espírito ou a força ativa de Deus se movia sobre as águas sem objetivo?

      19 Não sabemos como se manifestou a força ativa, invisível, de Deus; isso não está pormenorizado no registro original. No entanto, é certo que a força ativa de Deus não se movia ali sem objetivo, sem efeito positivo. É possível que servisse para eliminar alguma nuvem de pó cósmico na qual a terra talvez se encontrasse e que impedia que a luz de nosso sol atingisse a superfície da água de profundeza em todo o nosso globo.a

      20. Como prosseguiu Deus com seu propósito para que nossos pais terrestres enxergassem por meio da luz do Dia?

      20 De qualquer modo, depois de tal movimento da força ativa de Deus, para lá e para cá, sobre a superfície da água de profundeza, por um tempo indeterminado, seguiu-se a ordem divina: “E Deus passou a dizer: ‘Venha a haver luz.’ Então veio a haver luz. Depois, Deus viu que a luz era boa e Deus fez separação entre a luz e a escuridão. E Deus começou a chamar a luz de Dia, mas a escuridão chamou de Noite. E veio a ser noitinha e veio a ser manhã, primeiro dia.” (Gênesis 1:3-5) Assim, em harmonia com a santidade de Deus, sua força ativa ou espírito operou de modo bom, com um bom objetivo. Mostrou ser “espírito santo”. Por meio dele, Deus passou a prosseguir com seu propósito, de que nossos primeiros pais na terra pudessem enxergar por meio da luz do Dia.

      21. Em vista de como Deus usou seu espírito santo, por que somos induzidos a pensar assim como o escritor do Salmo 143:10?

      21 Desde a primeira menção da força ativa de Deus, ele a usou em benefício do homem. Em reconhecimento disso, sentimo-nos atraídos à Fonte celestial de espírito santo. O registro bíblico de sua operação, durante muitos milhares de anos, revela que Deus sempre o empregou de modo santo. Serviu ao propósito justo de Deus. Nunca devemos querer estar em oposição a esta força ativa, invisível, do Deus Todo-poderoso. Devemos pensar assim como o escritor bíblico, que disse a Ele: “Ensina-me a fazer a tua vontade, porque tu és o meu Deus. Teu espírito é bom; guie-me ele na terra da retidão.” — Salmo 143:10.

  • Espírito santo ativo no domínio celestial, invisível
    Espírito Santo — A Força por Detrás da Vindoura Nova Ordem!
    • Capítulo 2

      Espírito santo ativo no domínio celestial, invisível

      1. Por que é importante que saibamos como o espírito santo tem funcionado no domínio celestial, invisível?

      O HOMEM talvez se interesse mais em como o espírito santo de Deus funciona no domínio ou universo material, visível, assim como o homem o conhece. No entanto, aquilo que aconteceu no domínio celestial, invisível, teve grande efeito sobre os assuntos humanos. A maneira em que espírito santo será posto em operação no futuro próximo, dentro de nossa própria geração, está relacionada com o que ocorre no domínio invisível e é de máxima importância para o homem. Por isso, devemos querer entender como o espírito santo opera nesta relação, tão importante para nós hoje.

      2. Como mostra o Salmo 104:29, 30, quanto depende a humanidade do domínio celestial, invisível?

      2 O homem moderno talvez não goste de admiti-lo, mas a humanidade depende do domínio celestial, invisível. Se Deus, o Criador, desviasse de nós, na terra, a sua face, ficando como que “morto” para nós, o que aconteceria conosco? O salmista bíblico tinha razão ao dizer a Deus: “Se escondes a tua face, ficam perturbados. Se lhes tiras o espírito, expiram e retornam ao seu pó. Se envias teu espírito, são criados; e fazes nova a face do solo.” (Salmo 104:29, 30) Por conseguinte, o estudo principal do homem não deve ser o do próprio homem, mas, antes, o do Criador, Deus. Até o ponto em que Deus se agrada de revelar-nos algo sobre o domínio celestial, invisível, a tal ponto este merece fundamentalmente ser estudado por nós.

      3. Por que seria míope e desarrazoado imaginarmos que Deus more sozinho e sem um ambiente aprazível no céu?

      3 Devemos sempre lembrar-nos de que “Deus é Espírito” ou “Deus é espírito”. (João 4:24, NM e Almeida, atualizada) Por conseguinte, ele mora no domínio espiritual. Sozinho, sem ambiente aprazível? Não! Seríamos míopes e desarrazoados se imaginássemos que Deus só é capaz de criar coisas materiais, visíveis a nós, e que ele não criou também coisas no domínio celestial, invisível. Tais coisas, dum domínio superior, teriam uma constituição mais elevada do que a da criação material, de que nós, homens, fazemos parte.

      4. Por que não depende o domínio celestial, invisível, de nosso sol para ter luz?

      4 Quando pensamos em todas as coisas maravilhosas e belas que Deus colocou aqui no domínio material, ficamos cheios de espanto ao pensar em todas as coisas maravilhosas e gloriosas que ele criou no domínio espiritual. Lá em cima, não há nenhuma dependência do sol de nosso sistema solar. Ali não há noite! O Criador dos sóis que dão luz é em si mesmo Sol celestial, fonte de luz. É verdade em sentido literal, figurativo e moral: “Deus é luz e não há nenhuma escuridão em união com ele.” (1 João 1:5) Muito antes desta declaração do escritor bíblico João, o salmista descreveu o Criador como sendo tão bem-vindo como a luz solar do dia, escrevendo: “Jeová Deus é sol e escudo; favor e glória é o que ele dá. O próprio Jeová não reterá nada de bom dos que andam sem defeito.” — Salmo 84:11.

      5. Que espécie de pessoas tem Deus consigo, no domínio celestial invisível, e em que diferem elas dos homens?

      5 Não é apenas razoável crer nisso, mas a própria Bíblia Sagrada atesta que Deus tem consigo, no domínio espiritual, invisível, pessoas inteligentes de constituição espiritual. Pode ter contato direto com elas. Estas podem vê-lo, assim como ele também as vê. Sendo de constituição superior e sobre-humana, não se dissolvem, nem se desintegram ou aniquilam à mera vista dele. Podem manter contato direto com ele, servindo-o na sua presença em pessoa. (Lucas 1:19) Não foi a anjos, mas ao homem, que Deus disse: “Não podes ver a minha face, porque homem algum pode ver-me e continuar vivo.” (Êxodo 33:20) Deus disse isso até mesmo ao seu profeta Moisés.

      6. Segundo Revelação 4:11, como vieram a existir ali esses companheiros espirituais de Deus?

      6 Como vieram a existir tais companheiros espirituais de Deus? Ora, como veio a existir o primeiro casal humano? Aceitaremos a resposta dada por aqueles que o escritor bíblico João viu em visão adorando a Deus no céu. Citamos as suas palavras: “Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória e a honra e o poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade existiram e foram criadas.” — Apocalipse (Revelação) 4:11, Imprensa Bíblica Brasileira.

      7, 8. No dia da ressurreição, o que disse Jesus sobre o que um espírito não tem, e o que fez ele com o corpo em que apareceu?

      7 Deus fez o primeiro casal humano de carne e sangue. Antes disso, Deus havia feito seus companheiros espirituais, celestiais, duma constituição superior à do homem. Sobre isso, Jesus Cristo deu um esclarecimento no dia de sua ressurreição dentre os mortos. Ele apareceu aos seus discípulos numa sala trancada, em Jerusalém. Para fazer isso, apareceu num corpo materializado, parecido àquele com que tinha morrido, mas eles pensavam estar vendo um espírito. Ora, o que lhes disse então? O seguinte: “Um espírito não tem carne e ossos assim como observais que eu tenho.” — Lucas 24:36-39.

      8 Depois de conversar com aqueles discípulos espantados, o ressuscitado Jesus desapareceu. Desmaterializou ou dissolveu aquele corpo humano, vestido. Não levou consigo aquele corpo e a roupa para o domínio espiritual. Se isso tivesse sido possível, significaria que uma pessoa espiritual, no céu, tem carne e ossos, pelo menos no caso do glorificado Jesus Cristo. — 1 Coríntios 15:50.

      9. Deus criou seus companheiros celestiais, direto, com que constituição?

      9 Em vista de todos esses fatos, o Senhor Deus fez seus companheiros celestiais direto como espíritos. Não transferiu criaturas humanas de carne, sangue e ossos, da nossa terra, para fazer-lhe companhia no domínio celestial, invisível. Para descrever que espécie de pessoas Deus criou diretamente no céu, o apóstolo cristão Paulo escreveu: “Ele faz os seus anjos espíritos e os seus servidores públicos, chama de fogo.” (Hebreus 1:7) O apóstolo Paulo citou ali o salmista Davi, o qual disse que Jeová Deus “faz os seus anjos espíritos, seus ministros, um fogo devorador”. (Salmo 104:4) Conseqüentemente, o testemunho da própria Palavra escrita de Deus atesta que ele tem poder para criar criaturas espirituais, bem como humanas.

      10. Como indica Gênesis 1:26 que a criação de pessoas espirituais antecedeu à das criaturas humanas?

      10 A criação de criaturas espirituais antecedeu à das criaturas humanas. Isto é indicado pelas próprias palavras de Deus, que nos são reveladas no primeiro capítulo da Bíblia. Lemos ali: “Deus prosseguiu, dizendo: ‘Façamos o homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança, e tenham eles em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e os animais domésticos, e toda a terra, e todo animal movente que se move sobre a terra.”’ (Gênesis 1:26) Ora, quando Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança”, ele não falava consigo mesmo, como se ele fosse dois deuses em um ou três deuses em um. Ele falava pelo menos a mais outra pessoa celestial, separada e distinta dele, e convidava aquela pessoa espiritual a participar consigo na criação duma criatura terrena, humana.

      11. Como indica Jó 38:1-7 que havia mais de uma pessoa com Deus, por ocasião da criação do homem?

      11 No entanto, por ocasião da criação do homem e da mulher, havia mais de uma pessoa espiritual associada com Deus. Havia pessoas espirituais que Deus criara mesmo já antes da criação da terra. Este fato foi trazido à atenção do fiel Jó, da terra de Uz, quando Deus lhe disse: “Onde vieste a estar quando fundei a terra? Informa-me, se deveras conheces a compreensão. Quem lhe pôs as medidas, caso tu o saibas . . . ou quem lançou a sua pedra angular, quando as estrelas da manhã juntas gritavam de júbilo e todos os filhos de Deus começaram a bradar em aplauso?” (Jó 38:1-7) Isto aconteceu muitos milhares de anos antes da parte final do sexto dia criativo, tempo em que Deus criou o homem e a mulher. (Gênesis 1:27-31) Por conseguinte, aqueles alegres “filhos de Deus” não eram criaturas que primeiro estiveram na terra, como humanos, e depois foram transferidas para a presença de Deus, no céu. Eram criaturas espirituais de Deus desde que passaram a existir. Deus nunca havia povoado os céus com habitantes da terra.

      12. Que comparação há entre os homens e os anjos quanto ao nível de sua existência e de seus poderes?

      12 Aqueles “filhos de Deus”, semelhantes a Deus, são superiores ao homem. Por isso, o salmista Davi, depois de reconhecer a sublimidade de Deus acima dos céus, passou a dizer: “Que é o homem mortal para que te lembres dele, e o filho do homem terreno para que tomes conta dele? Também passaste a fazê-lo um pouco menor que os semelhantes a Deus.” (Salmo 8:4, 5) Quem são esses “semelhantes a Deus”? São anjos, porque o escritor bíblico, aplicando o Salmo 8:5, diz em Hebreus 2:6-9: “Tu o fizeste um pouco menor que os anjos.” Portanto, quanto ao nível de existência e poderes, o homem é imutavelmente inferior àqueles “filhos de Deus”, os anjos celestiais.

      ASSEMBLÉIAS DE PESSOAS ESPIRITUAIS NO CÉU

      13. Onde encontramos o primeiro registro de assembléias celestiais e quem presidiu a elas?

      13 De tempos em tempos, há assembléias daqueles “filhos de Deus”, às quais preside o Deus Altíssimo. Ele nos revelou isso na sua Palavra escrita. Os mais antigos relatórios que encontramos a respeito de tais assembléias celestiais estão registrados nos primeiros dois capítulos de Jó. “Ora”, na primeira parte da vida de Jó, “veio a ser o dia em que os filhos do verdadeiro Deus entraram para tomar posição perante Jeová, e até mesmo Satanás passou a entrar no meio deles. Jeová disse então a Satanás: ‘Donde vens?’ A isto respondeu Satanás a Jeová e disse: ‘De percorrer a terra e de andar nela.’” Alguns versículos mais adiante, no capítulo seguinte, relata-se uma segunda assembléia de Jeová com seus filhos celestiais, e aquela pessoa espiritual chamada Satanás se aproveita novamente desta oportunidade. (Jó 1:6, 7; 2:1, 2) Essas assembléias, invisíveis aos nossos olhos, têm um propósito, e o Deus Todo-poderoso mantém a ordem nelas. Todos os presentes têm de prestar contas a ele sobre seu paradeiro e sua atuação. Até mesmo aquele personagem chamado Satanás tem de mostrar respeito, embora seja aquilo que seu nome indica que é, notável opositor de Jeová Deus.

      14. Que assembléias celestiais são mencionadas em Hebreus 12:22, 23?

      14 Sobre essas assembléias de “filhos de Deus” espirituais, no céu, lemos ainda mais, em Hebreus 12:22, 23: “Vós”, cristãos hebreus, “vos chegastes a um Monte Sião e a uma cidade do Deus vivente, a Jerusalém celestial, e a miríades de anjos, em assembléia geral”. Todas essas miríades de anjos, que permanecem fiéis ao seu Pai celestial e que recusam imitar a Satanás, constituem uma só grande família celestial de Deus.

      15. Que referência faz Paulo a tal família celestial, em Efésios 3:14, 15, e que relação existe entre os membros dela?

      15 O escritor bíblico Paulo menciona esta família celestial. Escrevendo a cristãos que reconhecem a Jeová Deus como seu Pai celestial, Paulo diz: “Por causa disso dobro os joelhos diante do Pai, a quem toda família no céu e na terra deve o seu nome.” (Efésios 3:14, 15) Toda família deve seu nome ao seu pai, e deve viver à altura da dignidade e do mérito desse nome. Tendo apenas um só Pai, aqueles celestiais “filhos de Deus” são todos irmãos.

      16. Que assembléia celestial viu o profeta Micaías, em visão, na última parte do século dez A. E. C.?

      16 Houve uma assembléia celestial na última parte do décimo século antes de nossa Era Comum. O profeta israelita Micaías teve uma visão dela. Descrevendo-a, Micaías disse a dois reis aliados, Acabe e Jeosafá: “Ouve a palavra de Jeová: Deveras vejo a Jeová sentado no seu trono e todo o exército dos céus em pé junto a ele, à sua direita e à sua esquerda. E Jeová passou a dizer: ‘Quem logrará a Acabe, para que suba e caia em Ramote-Gileade?’ E este começou a dizer uma coisa ao passo que aquele dizia outra coisa. Por fim saiu um espírito e ficou em pé perante Jeová, e disse: ‘Eu mesmo o lograrei.”’ — 1 Reis 22:19-21.

      17. O exército que então estava ao lado de Deus era constituído de que espécie de pessoas?

      17 Notemos que o anjo que propôs o método bem sucedido para lograr o iníquo Rei Acabe, para a sua ruína em batalha, é chamado de “espírito”. Isto significa que todo aquele “exército” à direita e à esquerda de Deus também era de espíritos, sim, de criaturas espirituais, inteligentes. Eles são diferenciados de nós, criaturas humanas.

      18, 19. Que sessão de tribunal no céu, programada para o nosso século vinte, viu Daniel em visão?

      18 Será que nós, homens, nos apercebemos hoje de que se programou há muito tempo uma sessão dum tribunal no céu, durante nosso atual século vinte? Uma visão milagrosa disso foi dada ao profeta Daniel, enquanto ele era cativo em Babilônia, há mais de dois mil e quinhentos anos. Ele escreve, na descrição dela:

      19 “Depois disso continuei observando nas visões da noite, e eis aqui um quarto animal, atemorizante e terrível, e extraordinariamente forte. . . . Eu estava observando até que se colocaram uns tronos e o Antigo de Dias se assentou. . . . Mil vezes mil lhe ministravam e dez mil vezes dez mil ficavam de pé logo diante dele. Assentou-se o Tribunal e abriram-se livros. . . . Continuei observando nas visões da noite e eis que aconteceu que chegou com as nuvens dos céus alguém semelhante a um filho de homem; e ele obteve acesso ao Antigo de Dias, e fizeram-no chegar perto perante Este. E foi-lhe dado domínio, e dignidade, e um reino, para que todos os povos, grupos nacionais e línguas o servissem. Seu domínio é um domínio de duração indefinida, que não passará, e seu reino é um reino que não será arruinado.” — Daniel 7:7-14.

      20. Qual é o Filho celestial de Deus que é honrado tão altamente, sendo chamado de “um filho de homem”, na visão de Daniel?

      20 Será que há outro filho espiritual de Deus, no céu, que é honrado tanto quanto este que aparece na visão de Daniel como “um filho de homem”? Não! Então, quem é ele? O salmista o identifica. Diz no Salmo 89:26, 27: “Ele mesmo me chama: ‘Tu és meu Pai, meu Deus e a Rocha de minha salvação.’ Também, eu mesmo o colocarei como primogênito, o mais excelso dos reis da terra.” Esta declaração de Jeová não se referiu ao Rei Davi, com quem Deus fez um pacto para um reino eterno na sua linhagem real, nem ao sucessor real de Davi, Salomão. Nenhum destes reis era primogênito de seu pai. (Salmo 89:28-37; 2 Samuel 7:4-17) Os fatos posteriores mostraram que Jeová se referiu profeticamente ao seu próprio “primogênito”, no céu, o Filho que havia estado com ele por tempo indefinido, antes de Jeová Deus criar o homem.

      21. De acordo com Revelação 3:14, possuía Deus uma esposa celestial no tempo em que produziu seu filho “primogênito”?

      21 Naturalmente, alguém poderá perguntar: Como podia Deus ter um “primogênito”, quando não tinha esposa naquele tempo, no céu? Em resposta a esta pergunta, aquele que mostrou ser tal “primogênito” falou por si mesmo. No último livro da Bíblia, em Revelação (ou Apocalipse) 3:14, ele disse: “Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus.” Quem falou estas palavras foi o ressuscitado e glorificado Senhor Jesus Cristo, que é “testemunha fiel e verdadeira”, não mentindo sobre o assunto. Ele mesmo disse que é “o princípio da criação de Deus”. Por isso, Deus não podia ter esposa antes daquele a quem criou primeiro.

      22. O que disse Jesus que Deus era para ele, embora ele mesmo fosse criação?

      22 Embora fosse “criação” e não filho por meio duma mãe, Jesus chamou continuamente a Deus de seu Pai. (Revelação 3:21; 14:1) Ele disse também que seu Pai era também seu Deus. Disse em Revelação 3:12: “Aquele que vencer — eu o farei coluna no templo do meu Deus, e . . . escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus.” Isto concorda com o que ele disse, no dia de sua ressurreição, a Maria Madalena, perto do túmulo vazio: “Vai aos meus irmãos e dize-lhes: ‘Eu ascendo para junto de meu Pai e vosso Pai, e para meu Deus e vosso Deus.”’ (João 20:17) Isto foi em 16 de nisã de 33 E. C., no terceiro dia após ter clamado na estaca de tortura, na qual havia sido pregado para morrer: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” E, finalmente: “Pai, às tuas mãos confio o meu espírito.” — Mateus 27:46; Marcos 15:34; Lucas 23:46; Salmo 22:1; 31:5.

      O “FILHO UNIGÊNITO”

      23. Por ser “Filho unigênito” de Deus, Jesus Cristo estaria em que categoria na ordem da criação de Deus?

      23 Como se referiu Jesus Cristo a si mesmo, nas palavras dirigidas ao governante judaico Nicodemos? Escute: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, a fim de que todo aquele que nele exercer fé não seja destruído, mas tenha vida eterna.” (João 3:16) Chamando a si mesmo de “Filho unigênito” de Deus, ele se identificou como “primogênito” de Deus. A criação direta e não compartilhada de coisas, feita do nada, por Deus, começou e terminou com este “Filho unigênito” e “primogênito”. Além de Jesus chamar a si mesmo de “princípio da criação de Deus”, o apóstolo Paulo acrescentou-lhe uma designação similar, dizendo: “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação.” (Colossenses 1:15) Assim, depois de Deus ter criado “o primogênito de toda a criação”, todas as coisas trazidas depois à existência eram outras criações. Quando Deus criou todas essas outras coisas, ele empregou para isso seu “Filho unigênito”.

      24. Segundo Colossenses 1:15, 16, e João 1:1, por meio de quem criou Deus todas as outras coisas?

      24 Confirmando isso, o apóstolo Paulo mencionou primeiro o “primogênito de toda a criação” e depois passou a dizer: “Porque mediante ele foram criadas todas as outras coisas nos céus e na terra, as coisas visíveis e as coisas invisíveis.” (Colossenses 1:16) Agora podemos entender as palavras do apóstolo João, em João 1:1-3: “No princípio era a Palavra [em grego: Logos], e a Palavra [Logos] estava com o Deus, e a Palavra [Logos] era deus. Este estava no princípio com o Deus. Todas as coisas vieram à existência por intermédio dele, e à parte dele nem mesmo uma só coisa veio à existência.” No último livro da Bíblia, também escrito por João, este nos diz que o glorificado Jesus Cristo leva o título de “a Palavra de Deus”, não o de Deus, a Palavra: “E o nome pelo qual é chamado é a Palavra [Logos] de Deus.” — Revelação 19:13.

      25. Por que e de que modo tinha o Logos “preeminência”?

      25 Àquele que foi chamado de “princípio da criação de Deus” conferiu-se também a dignidade e os direitos de “primogênito de Deus”, de “Filho unigênito”. Como Filho “primogênito” tinha preeminência sobre todos os então futuros “filhos de Deus”. (Colossenses 1:18) Incluiu ser ele aceito em associação com seu Pai celestial para dar existência a todas as outras coisas no céu e na terra.

      26. Por que não são chamados de filhos do Logos aquelas criaturas espirituais que foram trazidas à existência por meio deste?

      26 Quando a Palavra ou o Logos foi usado como meio pelo qual todos esses inúmeros “filhos de Deus” foram trazidos à existência, deve ter operado fortemente sobre ele e por meio dele espírito santo da parte de Deus, seu Pai. Estava com ele e agia a seu favor. O modo de operação deve ter sido então o mesmo que posteriormente, quando ele se tornou homem perfeito na terra e realizou curas milagrosas. Por isso ele disse que expulsava demônios por meio do espírito de Deus. (Lucas 11:20; Mateus 12:28) Visto que o espírito de Jeová Deus também operou por meio do Logos lá no céu, esses “filhos de Deus”, que foram trazidos à existência por meio dele, consideram a Jeová Deus, não a ele, como seu Criador e Pai. Não são chamados filhos do Logos. São chamados “filhos do verdadeiro Deus”. — Jó 1:6; 2:1; 38:7.

      27. Na criação do homem, a quem disse Deus: “Façamos”, e por que cabia a Ele dizer isso?

      27 É agora evidente, portanto, que, quando Deus disse no seu sexto dia criativo: “Façamos o homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança”, ele estava falando ao seu “primogênito”, seu “Filho unigênito”. (Gênesis 1:26-31) Talvez Deus dissesse também a este Filho “façamos”, quando pensou em criar os anjos celestiais, inclusive os querubins e os serafins. Jeová Deus, como o Altíssimo e Criador de todas as coisas, era Aquele a quem cabia decidir o que devia ser trazido à existência. Os anjos haviam de ser filhos Seus. Como prospectivo Pai, exerceu sua vontade com respeito a quando teria mais filhos espirituais, celestiais. Seu espírito era a única força ativa, por meio da qual coisas adicionais podiam vir à existência.

      28. Que “filhos de Deus” foram vistos pelos expulsos Adão e Eva à entrada do jardim, e o que fazia girar continuamente a espada que havia ali?

      28 Com o decorrer do tempo, querubínicos “filhos de Deus” tornaram-se visíveis à entrada do Jardim do Éden. Por quê? Acontece que o primeiro casal humano, Adão e Eva, rebelou-se contra Deus e foi expulso de seu lar paradísico. De modo que foram colocados querubins à entrada do jardim, para impedir que os dois pecadores voltassem a entrar, para neutralizar a pena de morte. (Gênesis 3:24) O que Adão e Eva viram eram querubins materializados. A “espada que se revolvia continuamente” à entrada do jardim certamente era mantida em movimento pelo espírito santo de Deus, a fim de manter os humanos ímpios lá fora.

      29. Que espécie de filhos de Deus observou Isaías em visão, e, mais tarde, que espécie deles viu Ezequiel?

      29 No oitavo século A. E. C., o profeta Isaías viu em visão os seráficos “filhos de Deus”. Estes serafins assistiam a Jeová Deus no seu templo. (Isaías 6:1-7) No século seguinte, o profeta Ezequiel, em Babilônia, recebeu uma visão, na qual viu querubínicos “filhos de Deus”. — Ezequiel 1:1-25; 9:3; 10:1-20; 11:22.

      30, 31. O que indica que os querubins são velozes no vôo, quando Deus os envia em missões, e com que governo estão associados?

      30 Os querubins, como “criaturas viventes”, devem ser muito velozes em vôo, quando Deus os envia numa missão. Assim, em resposta a um apelo a Deus, por ajuda, ele “veio montado num querubim e veio voando, e veio arremetendo nas asas dum espírito”. — Salmo 18:10.

      31 No domínio espiritual, evidentemente, é preciso percorrer enormes distâncias num curto espaço de tempo. A distância não impediu a chegada de ajuda veloz para o Rei Ezequias de Jerusalém, depois de ele entrar no templo, numa ocasião de crise nacional. Ele orou: “Ó Jeová dos exércitos, Deus de Israel, sentado sobre os querubins, só tu és o verdadeiro Deus de todos os reinos da terra.” (Isaías 37:14-37) Os querubins estão sujeitos a Jeová Deus, como se este estivesse sentado sobre eles; e estarão associados com o Seu reino, que há de trazer alívio veloz a toda a humanidade, quando mais estiver necessitada dele. Em harmonia com este fato bendito, temos as palavras iniciais do salmo profético: “O próprio Jeová se tornou rei. Agitem-se os povos. Ele está sentado sobre os querubins. Estremeça a terra.” (Salmo 99:1; também 80:1) A posição superior de Jeová com respeito aos querubins foi retratada na arca do pacto que o profeta Moisés foi mandado construir. — Hebreus 9:5.

      32. Como se mostrou a posição de Jeová com respeito aos querubins no caso da área dourada construída por Moisés?

      32 Esta arca ou caixa dourada foi usada como receptáculo para objetos sagrados. Tinha uma tampa encimada por dois querubins de ouro, com asas estendidas para cobrir a tampa expiatória ou o propiciatório. Quando esta arca foi colocada no Santíssimo do tabernáculo ou do templo, apareceu uma luz milagrosa (a luz Xequiná) acima das asas dos querubins. (Êxodo 25:10-22; 2 Reis 19:15) Jeová foi assim representado como que entronizado sobre os querubins e como dando dali as suas instruções. Moisés fala sobre sua própria experiência neste respeito, ao escrever: “Ora, sempre que Moisés entrava na tenda de reunião para falar com ele, então ouvia a voz conversando com ele de cima da tampa que havia sobre a arca do testemunho, de entre os dois querubins; e falava com ele.” — Números 7:89.

      LUGAR INVISÍVEL DE ATIVIDADE

      33. Por que deve ser o céu um lugar de atividade maior do que aquela que hoje é realizada em toda a terra?

      33 O céu não é lugar de folga e de ociosidade, onde se deixe pendurar os pés sobre o canto duma nuvem lenta. Ali está a Pessoa mais ativa de todo o domínio da existência, a Fonte central de toda a energia dinâmica! Seu espírito santo, como força ativa, permeia todos os céus invisíveis. A atividade daqueles que habitam naquele domínio e que servem a Jeová deve exceder em muito toda a atividade realizada hoje em toda a nossa terra. No serviço do Soberano universal, Jeová Deus, é necessário cobrir distâncias inconcebivelmente maiores do que as que são possíveis na nossa terra ou a que há entre a terra e a lua. Há inúmeras coisas a fazer, além da atenção dada a nosso planeta comparativamente pequeníssimo, a terra. Não nos ceguemos para com as atividades celestiais, só porque nossos olhos fracos não podem enxergá-las. Há todos os motivos para as vermos com olhos de fé. — Hebreus 11:1, 27.

      34, 35. Como expressou o salmista Davi seu reconhecimento da capacidade superior dos anjos celestiais, e que lição podemos nós, humanos, aprender deles?

      34 Em harmonia com os propósitos do Senhor Deus, seus filhos celestiais levam uma vida muito ativa. São capazes de realizar muito mais do que nós humanos. Eles são sobre-humanos. Seu poder é imensurável. Segundo a história bíblica, estão habilitados, por espírito santo, a fazer coisas inexplicáveis para a Ciência.

      35 Davi reconheceu a capacidade sobre-humana deles quando lhes deu atenção e disse: “Bendizei a Jeová, vós anjos seus, poderosos em poder, cumprindo a sua palavra, por escutardes a voz da sua palavra. Bendizei a Jeová, todos os exércitos seus, vós ministros seus, fazendo a sua vontade.” (Salmo 103:20, 21) Em fazerem a vontade de Jeová, aqueles exércitos de anjos celestiais fornecem um modelo excelente a ser imitado pelo homem terreno. Se essas poderosíssimas criaturas sobre-humanas não se acham em si mesmas habilitadas demais para servir seu Criador, então nós, humanos frágeis e de vida curta, aqui embaixo, não devemos ficar tão convencidos e pretensiosos, ao ponto de nos rebelarmos contra Jeová Deus, sem sentirmos qualquer responsabilidade para com ele. Faremos melhor em bendizê-lo.

      36. Como se expressa o espírito santo em todos os céus, e por que não será desfeita a união existente ali?

      36 Espírito santo da parte de Deus expressa-se em todos os céus, ao passo que seu Filho unigênito, seus querubins, seus serafins e todos os seus anjos servem amorosamente a ele, o único Deus vivente e verdadeiro. Seu espírito, concedido a todos esses leais, produz entre eles “unidade do espírito no vínculo unificador da paz”, segundo uma frase tirada de Efésios 4:3. Todos cooperam entre si sob o Deus Altíssimo, Jeová. Eles realmente o adoram por meio de seu serviço unido, em toda a variedade de deveres. Tal união de serviço e adoração nunca será desfeita, nem mesmo pelos demônios.

      37. Quem toma a dianteira, no céu, em adorar e servir a Deus, e como se expressou apreço disso na visão de João, em Revelação 5:11-14?

      37 Quem toma a dianteira em prestar tal serviço e adoração inabaláveis a Deus é o “Filho unigênito” e “primogênito” de Jeová. Ele estava certa vez disposto a servir qual Cordeiro sacrificial aqui na terra. As hostes celestiais não apreciam tal sacrifício abnegado menos do que nós, cristãos. Em confirmação disso, o apóstolo João recebeu uma visão do cenário celestial, que agora tem cumprimento no nosso século vinte, a saber:

      “E eu vi, e ouvi uma voz de muitos anjos em volta do trono, e das criaturas viventes, e [dos anciãos] e o número deles era miríades de miríades e milhares de milhares, dizendo com voz alta: ‘O Cordeiro que foi morto é digno de receber o poder, e as riquezas, e a sabedoria, e a força, e a honra, e a glória, e a bênção.’ E toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e no mar, e todas as coisas neles, eu ouvi dizer: ‘Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro seja a bênção, e a honra, e a glória, e o poderio para todo o sempre.’ E as quatro criaturas viventes diziam: ‘Amém!’ e [os anciãos] prostraram-se e adoraram.” — Revelação 5:11-14.

      38. Por causa desta visão, que escolha temos de fazer, e em que caso seremos favorecidos com espírito santo?

      38 Que dizer de nós, hoje, na terra, sim, na superfície da terra e ainda não “debaixo da terra” na sepultura? Temos de fazer uma escolha. Participaremos no cumprimento desta visão profética, por juntar-nos às miríades de miríades de santos anjos e dar a devida honra ao Filho de Deus, qual Cordeiro, dando nossa devoção de coração Àquele que está sentado no trono, Jeová Deus? Se escolhermos fazer isso de nossa própria livre vontade, então, iguais às gloriosas hostes celestiais, seremos favorecidos com espírito santo da parte do Dador de toda dádiva perfeita, Jeová Deus. — Tia. 1:17.

  • O espírito por detrás da velha ordem atual
    Espírito Santo — A Força por Detrás da Vindoura Nova Ordem!
    • Capítulo 3

      O espírito por detrás da velha ordem atual

      1. Que pergunta surge quanto ao espírito que permeia a velha ordem atual de coisas, e o que devemos concluir disso?

      A ORDEM atual de coisas é velha — tem milhares de anos de existência. Durante todos estes milênios, um só espírito permeou a ordem humana de coisas. Será que foi espírito santo? Ninguém contrariaria tanto os fatos da história, ao ponto de afirmar que espírito santo da parte de Jeová Deus é a força invisível que tem ativado toda a sociedade humana nos seus empenhos ou no seu estilo de vida. Se tivesse sido espírito santo que sempre apoiou e motivou esta velha ordem de coisas, os resultados seriam bem diferentes do estado de coisas no mundo atual.

      2. (a) Por que espécie de leis precisam ser controlados aqueles que acompanham esta velha ordem? (b) Quais são as “obras da carne” e em que consistem os “frutos do espírito”?

      2 Espírito santo da parte de Jeová Deus, quando em operação na vida das pessoas, produz frutos que identificam. A julgar pelos frutos que esta velha ordem teve amplo tempo para produzir, ela não está sendo guiada pelo espírito santo de Deus. A massa da humanidade, que acompanha esta velha ordem, mostra ser constituída por pessoas que precisam ser refreadas por leis promulgadas para pessoas de mentalidade criminosa, portanto, por leis que lhes ordenam refrear-se de toda a sorte de transgressões. Há dezenove séculos atrás, houve um homem que deixou de estar sob tal código de leis. Ele escreveu uma carta para mostrar que nós precisamos ter um induzimento melhor, uma força superior atuando na nossa vida, se quisermos ser diferentes da velha ordem atual. Precisamos do espírito, da força ativa, invisível, que procede Daquele que tem moral muitíssimo melhor do que esta velha ordem mundial, muitíssimo melhor do que qualquer legislador da sociedade humana. O escritor da carta indicou a força santa que nos pode ativar de modo certo, dizendo:

      “Persisti em andar por espírito, e não executareis nenhum desejo carnal. Pois a carne é contra o espírito no seu desejo, e o espírito contra a carne; porque estes estão opostos um ao outro, de modo que as próprias coisas que gostaríeis de fazer, não fazeis. Ademais, se estais sendo conduzidos por espírito, não estais debaixo de lei.

      “Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são fornicação, impureza, conduta desenfreada, idolatria, prática de espiritismo, inimizades, rixa, ciúme acessos de ira, contendas, divisões, seitas, invejas bebedeiras, festanças e coisas semelhantes a estas. Quanto a tais coisas, aviso-vos de antemão, do mesmo modo como já vos avisei de antemão, de que os que praticam tais coisas não herdarão o reino de Deus.

      “Por outro lado, os frutos do espírito são amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio. Contra tais coisas não há lei.” — Gálatas 5:16-23; veja também 1 Timóteo 1:8-11.

      3. Aqueles que aguardam herdar as bênçãos do reino de Deus não praticam que tipo de obras?

      3 É uma lista bastante grande de contrastes, não é? Os que produzem os frutos do espírito de Deus certamente não praticam as coisas chamadas de “obras da carne”. Todos aguardam o reino de Deus, com o desejo sincero de herdar suas bênçãos.

      4. Por que não precisamos nós salientar as falhas da velha ordem e por que não ajudará esta velha ordem a que as pessoas herdem o reino de Deus?

      4 Que dizer, porém, da velha ordem atual? Não é preciso salientar as suas falhas. Isto é feito para nós pelas notícias nos jornais, por artigos nas revistas, pelos anais policiais, pela insegurança geral por causa do aumento dos crimes, pelos hospitais caros para enfermidades mentais, bem como pelas temíveis doenças sociais, pelas tensões políticas junto com a crescente ameaça duma guerra nuclear, global. Inúmeras outras coisas poderiam ser citadas para incriminar a velha ordem como uma que abunda em “obras da carne”. Esta velha ordem nunca ajudará a ninguém a ‘herdar o reino de Deus’. Não tem nenhuma relação com o reino de Deus. Não é permeada, motivada ou apoiada por espírito santo da parte de Deus. De modo algum é santa, nem mesmo aquela parte dela que se chama cristandade.

      5, 6. Por que não é atribuível a Deus o desejo natural da carne, de fazer coisas que são contrárias ao espírito do Criador?

      5 Por que não apóia o espírito de Deus nenhuma parte desta velha ordem? Como chegou a carne humana ao estado em que tem o desejo natural de fazer obras contrárias ao espírito de Deus? A carne humana não era assim no início. Naquele tempo, era motivada pelo espírito de seu Criador. Deus nunca iria dar à recém-casada carne aquilo que é mau ou em oposição a si mesmo. Ele não é a Fonte da maldade. O profeta Moisés, paladino daquilo que era direito, exonerou a Jeová Deus de toda a responsabilidade pelas tendências erradas da carne humana. Moisés disse: “Perfeita é a sua atuação, pois todos os seus caminhos são justiça. Deus de fidelidade e sem injustiça; justo e reto é ele. Agiram ruinosamente da sua parte; não são seus filhos, o defeito é deles.” — Deuteronômio 32:4, 5.

      6 O defeito da humanidade não é atribuível a Deus. Ele fez o primeiro homem perfeito, para dar crédito à Sua capacidade criativa. Não há defeito em Deus. Com a cooperação de seu Filho unigênito, Deus fez o primeiro homem “à nossa imagem, segundo a nossa semelhança”. O primeiro homem, Adão, era imagem de perfeição divina, e assim, para ser verdadeira imagem, tinha de ser perfeito. — Gênesis 1:26-28; 2:7, 8.

      7. No tempo em que Adão estava no Éden, que situação existia entre o céu e a terra, que tornou Deus feliz?

      7 O primeiro homem, no paradísico Jardim do Éden, andava segundo o espírito santo de Deus. Ocasionalmente, palestrava com Deus. Deus andava naquele lindo Jardim do Éden dum modo invisível ao olho humano e ainda assim perceptível ao homem Adão. Havia união entre Deus e o homem. Naquele tempo, havia união entre as coisas celestiais e as terrenas. Por quê? Porque o espírito de Deus permeava tudo. Tudo isso fazia Jeová Deus feliz. Ele é o “Deus feliz”. — 1 Timóteo 1:11.

      8. Por causa de que espécie de pecado não temos hoje, na terra uma ordem Perfeita de coisas, e quem cometeu este pecado?

      8 Havia ali a base para o desenvolvimento duma ordem perfeita de coisas, que nunca envelheceria ou estaria prestes a desaparecer. Mas, hoje, não temos uma ordem pura, justa e perfeita de coisas. Por que não? Porque houve um pecado contra o espírito santo. Cometido por quem? Por aquele a quem Jesus Cristo identificou quando falou a homens ansiosos para matá-lo, por ele falar a verdade de Deus. Jesus disse a esses pretensos assassinos: “Vós sois de vosso pai, o Diabo, e quereis fazer os desejos de vosso pai. Esse foi homicida quando começou, e não permaneceu firme na verdade, porque não há nele verdade. Quando fala a mentira, fala segundo a sua própria disposição, porque é mentiroso e o pai da mentira.” — João 8:44.

      9. Quem é o pai espiritual do praticante do pecado, e por quê?

      9 O primeiro que pecou contra espírito santo foi também identificado pelo discípulo de Jesus, chamado João, que escreveu: “Quem estiver praticando pecado origina-se do Diabo, porque o Diabo tem estado pecando desde o princípio.” (1 João 3:8) o praticante do pecado só podia ter por pai espiritual aquele que o iniciou nisso.

      10. Como foi que o primeiro pecador se fez Diabo?

      10 Chamar-se a este primeiro mentiroso em toda a criação de Diabo indica que a sua mentira foi contra Deus, porque o nome Diabo significa Caluniador. Ele abandonou a verdade e cultivou em si mesmo a disposição de mentir. Em contradição caluniosa contra o que Deus havia dito a Adão, o Diabo disse à esposa de Adão, Eva, que a penalidade por comer da árvore proibida não seria a morte: “Positivamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no mesmo dia em que comerdes dele, forçosamente se abrirão os vossos olhos e forçosamente sereis como Deus, sabendo o que é bom e o que é mau.” (Gênesis 3:1-5) O mentiroso constituiu-se em Diabo, principalmente com respeito a Deus.

      11. O que talvez tramasse o Diabo para impedir que Deus executasse sua palavra, se Adão e Eva pecassem?

      11 O Caluniador de Deus não podia garantir que Adão e Eva não morreriam positivamente por comerem do fruto proibido da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau. Sua palavra não era mais poderosa do que a de Deus. (Hebreus 4:12; Gênesis 2:16, 17) Mas, é possível que o Diabo pensasse poder manobrar as coisas para levar Jeová Deus a uma situação embaraçosa, em que não seria coerente que Deus entregasse Adão e Eva à morte, especialmente não, se o Diabo pudesse encaminhar o casal pecador para comer da “árvore da vida” antes de se proferir contra eles a sentença divina. — Gênesis 2:9; 3:22, 23.

      12. Como se tornou o Diabo homicida e o que o aguarda agora?

      12 Apesar de todas estas manobras, o Diabo mostrou-se mentiroso. Suas vítimas morreram mesmo como almas humanas, porque Jeová Deus, o Juiz, os sentenciou à morte e impediu que chegassem à “árvore da vida”, por expulsá-los do paradísico Jardim do Éden. (Gênesis 3:17-24) Visto que o Diabo causou desamorosamente a morte do primeiro homem e da mulher deste, ele se tornou “homicida”. Por causa disso, merecia ser morto, segundo a regra declarada pelo Fundador do cristianismo: “Todo o que fizer cair no pecado a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que uma pedra de moinho lhe fosse posta ao pescoço e o lançassem no mar!” (Marcos 9:42, Centro Bíblico Católico) E é exatamente assim; a destruição permanente aguarda o homicida, o Diabo.

      13. A que comparou Jeová o Diabo, e antes de este ser morto, e que se lhe permite produzir?

      13 Tal fim do Diabo foi indicado quando o Juiz de todos, Jeová, o comparou à serpente usada para enganar a mulher Eva, a fim de que ela comesse do fruto proibido, contrário à ordem de Deus. Dirigindo as palavras na realidade à Serpente simbólica, Jeová disse: “Porque fizeste isso, maldita és dentre todos os animais domésticos e dentre todos os animais selváticos do campo. Sobre o teu ventre andarás e pó e o que comerás todos os dias da tua vida. E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre o teu descendente e o seu descendente. Ele te machucará a cabeça e tu lhe machucarás o calcanhar.” (Gênesis 3:14, 15) Assim, o Diabo tornou-se o amaldiçoado por Deus. Portanto, cabia a Deus entregar este maldito à morte. Mas, isto não ocorreria antes de a Serpente maldita ter tido a oportunidade de ter um “descendente”, uma descendência em sentido figurativo ou espiritual. Como espírito, o Diabo não tem nenhuma faculdade reprodutiva, inerente, assim como o homem tem.

      14. O que significava para o Diabo andar ele figurativamente sobre o ventre, como sendo a Grande Serpente, e quem se juntou mais tarde a ele no seu rebaixamento?

      14 Jeová comparou o Diabo a uma serpente que se arrasta sobre o ventre e ingere alimento poeirento. Indicou com isso o profundo rebaixamento ao qual o maldito Diabo fora lançado então. Tratando-se da condição mais baixa de existência, foi comparada com o lugar que veio a ser chamado de Tártaro. Com o decorrer do tempo vieram juntar-se a Satanás, neste lugar, outros espíritos, outros anjos, que renunciaram à Paternidade de Deus e adotaram a paternidade do Diabo. Estes espíritos tornaram-se o “descendente” dele.

      15. O que disseram Pedro e Judas sobre os anjos que se juntaram a Grande Serpente no pecado?

      15 Com referência a esta descendência espiritual da Serpente original, o apóstolo cristão Pedro escreveu: “Deus não se refreou de punir os anjos que pecaram, mas, lançando-os no Tártaro, entregou-os a covas de profunda escuridão, reservando-os para o julgamento.” (2 Pedro 2:4) O discípulo cristão Judas referiu-se ao mesmo “descendente” da Serpente, ao escrever: “Os anjos que não conservaram a sua posição original, mas abandonaram a sua própria moradia correta, ele reservou com laços sempiternos, em profunda escuridão, para o julgamento do grande dia.” — Judas 6.

      16. Por que agiu o Diabo sozinho ao enganar Eva a cometer pecado, e por que pensam alguns que ele tenha sido um querubim?

      16 Na ocasião em que o Diabo enganou a esposa de Adão, Eva, para ela se rebelar contra Deus, seu Pai celestial, não havia “descendente” da Grande Serpente. O Diabo agiu sozinho. Não escolheu um companheiro angélico, que se pudesse tornar rival dele em reivindicar o domínio sobre a descendência de Adão e Eva. Ele cobiçava o domínio exclusivo sobre toda a humanidade. Não sabemos com exatidão qual a posição que ocupava antes na organização original de Deus. Muitos estudantes da Bíblia entenderam a profecia de Ezequiel 28:11-19, sobre o rei da antiga Tiro, como se aplicando também a Satanás, o Diabo, e por isso raciocinaram que aquele que se fez Diabo tivesse sido originalmente um “querubim” entre os celestiais “filhos de Deus”. Se for assim, então o grau de seu rebaixamento, como a Grande Serpente, é tanto maior.

      17. De que modo compartilham os anjos rebeldes a escuridão tartárea com o Diabo?

      17 Os outros anjos que se rebelaram contra Deus, os quais se tornaram “descendente” da Serpente, compartilham com ele a escuridão tartárea, iguais a serpentes malditas. Não mais possuem a luz do favor e do conselho de Deus. Quando se rebelaram, Deus lhes tirou seu espírito santo.

      18. (a) Por que é o futuro muito tenebroso para o Diabo e seus anjos? (b) Qual era o mistério que surgiu então?

      18 O futuro é muito tenebroso para a Grande Serpente e seu “descendente” angélico. Aguarda-os o dia de julgamento por Deus, com a perspectiva de terem ‘a cabeça machucada’. Deus usará o “descendente” de sua “mulher” para fazer o esmagamento. (Gênesis 3:15) A machucadura infligida não é mero arranhão do couro cabeludo. É o esmagamento da cabeça, que resulta na morte da Grande Serpente e de seu “descendente”. Não há margem para mal-entendidos neste respeito, pois, em Romanos 16:20, escreveu-se aos discípulos de Cristo: “O Deus que dá paz . . . esmagará em breve a Satanás debaixo dos vossos pés.” Este é um motivo sólido para Satanás e seu “descendente” terem inimizade ao “descendente” da “mulher” de Deus. Quando Deus mencionou o “descendente” de sua “mulher”, tanto o céu como a terra ficaram confrontados com um mistério. O mistério ou segredo sagrado que então despertava a curiosidade universal era: Quem será o descendente desta mulher?

      UM “DESCENDENTE” TERRESTRE DA SERPENTE

      19. Por que são os cristãos exortados a ser o contrário de Caim, filho primogênito de toda a humanidade?

      19 O misterioso “descendente” da “mulher” de Deus não veio a ser o primogênito de Eva, a quem ela chamou Caim. Ser Caim o filho primogênito de toda a humanidade não lhe concedeu o direito de ser este “descendente” prometido. Além disso, o calcanhar de Caim nunca foi machucado pela Grande Serpente, o Diabo. Quanto a Caim machucar a cabeça de alguém, ele assassinou seu irmão Abel, que temia a Deus, possivelmente por dar-lhe um golpe esmagador na cabeça. Em vez de ser abençoado por Deus e receber espírito santo de Deus, Caim passou a ser o segundo a quem a Bíblia chama de “maldito”, sendo o primeiro a Serpente simbólica ou o Diabo. (Gênesis 3:14; 4:11) Desta maneira, Caim constituiu-se parte do “descendente” terrestre da Grande Serpente, o Diabo, a quem imitou por mentir e cometer homicídio. Não amou nem seu irmão, a quem podia ver, nem a Deus, a quem não podia ver. Os seguidores de Cristo são exortados a ser o contrário de Caim, nas seguintes palavras:

      “Devemos ter amor uns pelos outros; não como Caim, que se originou do iníquo e que matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas próprias obras eram iníquas, mas as de seu irmão eram justas.” (1 João 3:11, 12) “Ai deles, porque foram pela vereda de Caim.” — Judas 11.

      20, 21. Caim imitou o Diabo em cometer que espécie de pecado, e em vista de que manifestação tornou-se isso possível para Caim?

      20 Caim imitou o Diabo, seu pai espiritual, “o iníquo”, ao pecar contra o espírito santo de Deus. Isto não quer dizer que Caim, primeiro filho de Adão e Eva, alguma vez tivesse tido espírito santo. Seus pais terrenos perderam o espírito santo por deliberadamente violarem o mandamento de Deus. Mas, Caim viu a operação do espírito santo. Quando e como?

      21 Isto aconteceu na ocasião em que Caim apresentou a Deus uma oferta da sua lavoura, ao passo que seu irmão mais moço, Abel, apresentou a Deus um sacrifício dentre os animais abatidos de seu rebanho de ovelhas. Eram as apresentações de ambos os irmãos aceitáveis a Deus? Gênesis 4:4-7 nos informa: “Ora, ao passo que Jeová olhava com favor para Abel e para sua oferenda, não olhava com favor para Caim e para sua oferenda. E acendeu-se muito a ira de Caim, e seu semblante começou a descair. Então Jeová disse a Caim: ‘Por que se acendeu a tua ira e por que descaiu o teu semblante? Se te voltares para fazer o bem, não haverá enaltecimento? Mas, se não te voltares para fazer o bem, há o pecado agachado à entrada e tem desejo ardente de ti; e conseguirás tu dominá-lo?”’

      22. Que manifestação de espírito santo observou Caim?

      22 Naturalmente, Deus não apareceu a Caim e a Abel nesta ocasião. Não somos informados de que modo ele olhou com favor para Abel e para sua oferenda sacrificial. Mas, deve ter havido alguma evidência visível disso. Era uma operação do espírito santo de Deus. Caim a viu, e, também, que não havia palavra da parte de Deus. Por isso se acendeu a sua ira e seu semblante lhe descaiu. Não reagiu com humildade e arrependimento diante da operação visível de espírito santo da parte do Deus a quem fazia uma oferta inaceitável.

      23. Que forma assumiu o pecado de Caim contra espírito santo, e por quê?

      23 Era claro que Caim não fazia o que era direito. A voz de Deus, procedente do invisível, explicou-lhe a situação. Orgulhoso demais para se humilhar, Caim não se arrependeu, nem se voltou para fazer o bem, embora o pecado estivesse como que agachado à entrada de seu lar e tivesse desejo ardente de apanhá-lo como vítima. Ele não quis dominá-lo, não importando o que o espírito santo de Deus lhe indicava. Não querendo elevar seu semblante, tramou contra aquele que foi aprovado por Deus e o matou. Assim pecou contra espírito santo.

      24. O que se pode dizer sobre se aquele que agora é o Diabo teve espírito santo e viu a operação de espírito santo?

      24 Isto desagradou a Deus e trouxe sua maldição sobre Caim. Mas, agradou à Grande Serpente, o Diabo, porque este viu então um filho terreno seu, que agiu em verdadeira imitação de seu pai espiritual. O próprio Diabo havia pecado contra espírito santo. Além de ver o próprio Deus, aquele que agora era o Diabo havia visto toda a operação de espírito santo com respeito ao domínio celestial e com respeito à criação da terra e do homem perfeito sobre ela. (Jó 38:7) Durante o tempo em que ficara livre de todo o engodo egoísta, ele mesmo havia tido certa medida do espírito de seu Pai celestial. Sabia o que este espírito santo o habilitara a fazer. Viu também o “espírito de benignidade imerecida” expresso por Deus para com Adão e Eva, ao providenciar que usufruíssem a vida humana perfeita num paraíso terrestre. Contudo, o que fez este celestial ‘filho de Deus’? — Hebreus 10:29.

      25. Como passou este ‘filho de Deus’ a agir em pecado contra espírito santo e em que se constituiu assim?

      25 Ele difamou o “espírito de benignidade imerecida”, por dizer a Eva que este era motivado pelo egoísmo da parte de Deus. Também, que a proibição que Deus impusera ao comer da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau era motivada pelo temor de Deus, de que suas criaturas humanas pudessem obter a capacidade de tomar decisões de modo independente dele, decisões quanto ao certo e ao errado, o bom e o mau. Portanto, quando este espiritual ‘filho de Deus’ deliberada e propositalmente deturpou os fatos claros e mentiu para enganar a Eva, para que ela pecasse, ele pecou contra espírito santo, um pecado que não tem perdão. Deixou-se engodar pela perspectiva egoísta de ter a soberania sobre a terra e seus habitantes humanos, e então agiu para se apoderar desta soberania. Com isso perdeu o espírito santo de Deus. Os frutos do espírito de Deus, na sua vida, murcharam e morreram. Ele se constituiu em Diabo, apto apenas para ser destruído. — Hebreus 12:29; 6:7, 8.

      26. Como se tornou o Diabo o “governante dos demônios” e por que não têm parte no reino de Deus aqueles que praticam o espiritismo?

      26 Este primeiro pecador contra espírito santo fez de si mesmo um demônio. Os angélicos “filhos de Deus”, que mais tarde se juntaram a ele em rebelião contra Deus, tornaram-se demônios iguais ao Diabo. Esses demônios tornaram-se o “descendente” da Grande Serpente, e o Diabo tornou-se assim o “governante dos demônios”, que veio a ser chamado Belzebu. (Mateus 12:24-27) Estes são os promotores do demonismo, a fim de desviar as pessoas da adoração do único Deus vivente e verdadeiro, Jeová. São classificados como “espíritos impuros”. (Mateus 10:1, 8; 12:43-45) A prática do espiritismo, sob a influência desses demônios, só pode resultar em impureza espiritual para o praticante, e torná-lo impuro aos olhos de Deus. A prática do espiritismo é uma das obras da carne decaída e impede que a pessoa tenha participação no reino de Deus e nas suas bênçãos. Os espíritos impuros opõem-se ao espírito santo de Deus, e ele condena a pessoa por ter algo que ver com espíritos impuros. — Deuteronômio 18:9-14; Gálatas 5:19, 20; Revelação 9:20, 21; 21:8.

      A ESPÉCIE DE “ESPÍRITO” DE QUE SE TRATA

      27. Por que já devemos agora poder determinar que espécie de espírito está por detrás da atual velha ordem?

      27 Para nós, é da mais alta importância saber dessas coisas. Por saber delas, podemos entender o motivo da situação atual da humanidade. Aqui estamos nós, hoje, em nosso século vinte, o qual começou de modo tão promissor, do ponto de vista humano. Pela contagem do tempo, segundo as Escrituras Sagradas, já avançamos praticamente seis mil anos desde quando o egotístico ‘filho de Deus’ se rebelou contra a soberania universal de Jeová e induziu Adão e Eva a uma desobediência similar a Deus. Depois de estes dois rebeldes humanos terem sido expulsos do paraíso do Éden, estabeleceu-se uma nova ordem humana na terra, diferente daquilo que Deus, seu Criador, intencionara para nosso planeta Terra. Portanto, já devemos poder saber que espécie de espírito está por detrás da ordem que agora já é velha.

      28. Ao falarmos sobre o espírito por detrás da velha ordem, o que queremos dizer com “espírito”?

      28 Com “espírito”, referimo-nos a uma força ativa invisível, uma força animadora, avivadora e ativadora, que move a sociedade humana em comum. Influencia seu proceder na vida. Move-a em certa direção comum. As pessoas, em geral, levam assim uma vida bastante uniforme, quase que inconscientemente, sem realmente pensar muito nisso. As coisas que fazem tornam-se quase que instintivas, sendo movidas por um impulso íntimo a seguir uma rotina regular e a desenvolver certo padrão de vida. Pode haver pequenas variações, dependendo de diferenças individuais na personalidade, mas a vida e seus objetivos possuem um aspecto comum, que o classifica como caraterístico da sociedade humana agora no atual sistema de coisas.

      29, 30. (a) Quem é o governante invisível desta velha ordem, e tem estado sozinho em tal domínio? (b) Qual foi o efeito de tal domínio invisível?

      29 Tal espírito por detrás da velha ordem atual de coisas foi grandemente influenciado por personalidades sobre-humanas, invisíveis, que dominam esta ordem de coisas e assumiram sua administração. Não pode haver dúvida quanto a quem é aquele que predomina, que controla toda esta ordem. Já dentro do quinto milênio da velha ordem, Jesus Cristo declarou que Satanás, o Diabo, é o “governante deste mundo”, com o qual ele não tinha tratos amigáveis. Na última noite de sua vida na terra, como homem, Jesus Cristo disse aos seus apóstolos: “O governante do mundo está chegando. E ele não tem nenhum poder sobre mim.” (João 12:31; 14:30; 16:11) Satanás, o Diabo, não está sozinho no exercício da governança invisível da humanidade. Ele tem anjos demoníacos associados consigo, como soberano deles. Todos estes poderes demoníacos intervieram nos assuntos da atual velha ordem da sociedade humana.

      30 O efeito de seu domínio sobre-humano foi prejudicial. Isto é atestado pela profecia escrita pelo apóstolo João, com respeito à então futura expulsão dos demônios dos santos céus. Esta profecia, encontrada em Revelação 12:7-12, reza:

      “E irrompeu uma guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam com o dragão, e o dragão e os seus anjos batalhavam, mas ele não prevaleceu, nem se achou mais lugar para eles no céu. Assim foi lançado para baixo o grande dragão, a serpente original, o chamado Diabo e Satanás, que está desencaminhando toda a terra habitada; ele foi lançado para baixo, à terra, e os seus anjos foram lançados para baixo junto com ele. . . . ‘Ai da terra e do mar, porque desceu a vós o Diabo, tendo grande ira sabendo que ele tem um curto período de tempo.”

      31. Segundo Revelação 13:4, a que adoração desencaminhou Satanás, o “dragão”, toda a terra habitada?

      31 Uma das coisas para as quais o Enganador, Satanás, o Diabo, tem desencaminhado toda a terra habitada é a adoração prestada a ele mesmo. Pessoas sinceras, mas enganadas, talvez fiquem chocadas diante de tal exposição, mas Revelação 13:4 diz a respeito daqueles que se entregam à política do mundo: “Adoravam o dragão porque dera autoridade à fera, e adoravam a fera.”

      32. Que ação adotada para com a luz das boas novas esclarece quem é o “deus deste sistema de coisas”?

      32 Temos também as palavras do apóstolo Paulo neste sentido, de que o Diabo é o principal personagem adorado pelo mundo da humanidade, quer esta o saiba, quer não. Paulo disse: “Agora, se as boas novas que declaramos estão de fato veladas, estão veladas entre os que perecem, entre os quais o deus deste sistema de coisas tem cegado as mentes dos incrédulos, para que não penetre o brilho da iluminação das gloriosas boas novas a respeito do Cristo, que é a imagem de Deus.” (2 Coríntios 4:3, 4) Este sistema de coisas tem um “deus”. A divindade deste e o domínio que exerce sobre o mundo certamente devem estar afetando o espírito por detrás da atual velha ordem de coisas.

      33. Como ficamos todos nós afetados, naturalmente, pelo que o “deus deste sistema de coisas” fez no começo da história humana?

      33 Perto do começo da história humana, aquele que agora é “o deus deste sistema de coisas” induziu a queda de nossos primeiros pais humanos. Adão e Eva foram pressionados a desobedecer ao seu Criador. Isto aconteceu antes de nós nascermos. Todos nós sentimos os maus efeitos disso. Em Romanos 5:12, o apóstolo Paulo diz a verdade quando escreve: “Por intermédio de um só homem entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.” Passamos a estar sob a condenação divina à morte por causa da imperfeição, da pecaminosidade e da corrução moral que herdamos por natureza. Nós estávamos, a bem dizer, mortos. Para Deus, não vivíamos.

      34, 35. Por que estávamos, a bem dizer, mortos para Deus, naquele tempo, e o que se dizia que operava em nós?

      34 Naturalmente, éramos herdeiros da ira de Deus, “filhos do furor”. Estávamos “apartados da vida que pertence a Deus”. (Efésios 4:18) E conforme diz também Colossenses 1:21: “Vós . . . outrora estáveis apartados e éreis inimigos, porque as vossas mentes se fixavam nas obras iníquas.” Por causa desta situação, e naquele tempo, Jeová Deus não operava em nós. Ora, então quem ou o que o fazia?

      35 Em resposta a esta pergunta, somos informados pelas palavras em Efésios 2:1-5, escritas a cristãos convertidos: “Vós estáveis mortos em vossos delitos e pecados. Neles vivíeis outrora, conforme a índole deste mundo, conforme o Príncipe do poder do ar, o espírito que agora opera nos filhos da desobediência [que ainda atua nos rebeldes]. Com eles nós também andávamos outrora, nos desejos de nossa carne, satisfazendo as vontades da carne e os seus impulsos, e éramos por natureza como os demais, filhos da ira. Mas Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em nossos delitos . . .” — A Bíblia de Jerusalém; Liga de Estudos Bíblicos; Taizé.

      36. Segundo alguns tradutores da Bíblia, a que se refere o “espírito” mencionado em Efésios 2:2, e sob o domínio de quem está ele?

      36 Quem é este “espírito que ainda atua nos rebeldes”? É o original rebelde de todos os rebeldes contra Jeová Deus, a saber, o Diabo, “a serpente original”. Mas, devemos observar que aqui, em Efésios 2:2, a palavra “espírito” é encarada por alguns tradutores da Bíblia como se referindo a algo impessoal. Encaram-no como sendo uma força ativa, invisível, que está sob o controle do “Príncipe do poder do ar” e que opera naqueles que são desobedientes a Jeová Deus. Por exemplo, a edição revista e corrigida da Versão Almeida reza em Efésios 2:2: ”Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência.” (Veja também a versão da Imprensa Bíblica Brasileira.) Tal “espírito” impessoal estaria sob o domínio do iníquo que usa o “ar”. Ativaria aqueles que se comportam “segundo o sistema de coisas deste mundo”, desobedecendo a Deus.

      37, 38. Como mostra 1 João 2:15-17 a maneira em que o espírito por detrás da atual velha ordem se manifesta?

      37 Onde podemos obter alguma idéia específica sobre qual é o espírito por detrás da atual velha ordem de coisas ou sobre como se manifesta? Pois bem, examinemos aquilo que o apóstolo João escreveu. Advertindo os cristãos contra esse espírito mundano, ele escreveu: “Não estejais amando nem o mundo, nem as coisas no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo o que há no mundo — o desejo da carne, e o desejo dos olhos, e a ostentação dos meios de vida da pessoa — não se origina do Pai, mas origina-se do mundo. Outrossim, o mundo está passando, e assim também o seu desejo.” — 1 João 2:15-17.

      38 Por conseguinte, o espírito da velha ordem induz os mundanos a desejar as coisas que são tão atraentes aos seus olhos e a desejar aquilo que acham ser tão bom para a carne; e, logicamente, tais desejos levam a ações egoístas. Por desejarem tanto, egoistamente, aquilo que agrada aos olhos e à carne decaída, esses mundanos acumulam uma porção de coisas que constituem seu meio de vida, para usufruírem a vida. No seu orgulho com a posse dessas coisas, gostam de fazer ostentação de seus meios de vida, para impressionar os outros. Isso induz aqueles que não têm tais meios a também querê-los para si mesmos.

      39. Como se negaram os judeus do primeiro século a receber o espírito de Deus, e, segundo Romanos 1:2-32 o que resultou para eles, por serem deixados seguir seu próprio caminho?

      39 Lá no primeiro século de nossa Era Comum, havia judeus que preferiram estar imbuídos do espírito que há por detrás da ordem mundial de coisas. O templo construído pelo Rei Herodes ainda se erguia na sua capital nacional, Jerusalém, e eles estavam familiarizados com o código da Lei dada por meio do profeta Moisés. Não queriam receber o espírito de Deus, expresso no cristianismo puro que então estava sendo proclamado em toda a terra habitada. Por isso, Jeová Deus deixou que seguissem seu caminho, assim como o Israel apóstata da antiguidade. Com que resultado para eles? Em Romanos 1:26-32, o apóstolo Paulo nos informa, dizendo:

      “É por isso que Deus os entregou a ignominiosos apetites sexuais, pois tanto as suas fêmeas trocaram o uso natural de si mesmas por outro contrário à natureza; e, igualmente, até os varões abandonaram o uso natural da fêmea e ficaram violentamente inflamados na sua concupiscência de uns para com os outros, machos com machos, praticando o que é obsceno e recebendo em si mesmos a plena recompensa, que se devia ao seu erro. E assim como não aprovaram reter Deus com um conhecimento exato, Deus entregou-os a um estado mental reprovado, para fazerem as coisas que não são próprias, já que estavam cheios de toda a injustiça, iniqüidade, cobiça, maldade, cheios de inveja, assassínio, rixa, fraude, disposição maldosa, sendo cochichadores, maldizentes, odiadores de Deus, insolentes, soberbos, pretensiosos, inventores de coisas prejudiciais, desobedientes aos pais sem entendimento, pérfidos nos acordos, sem afeição natural, desapiedados. Embora estes conhecessem muito bem o decreto justo de Deus, de que os que praticam tais coisas merecem a morte, não somente persistem em fazê-las, mas também aprovam os que as praticam “

      40, 41. Com a difusão do cristianismo, foi deslocado o espírito por detrás da velha ordem? E o que predisse Paulo em 2 Timóteo 3:1-12?

      40 Naquela era apostólica do primeiro século E. C., proclamava-se a verdadeira fé cristã, e, assim, com a divulgação do cristianismo, não substituiria o espírito santo de Deus, aquele espírito que estava por detrás da velha ordem de coisas? E não se daria isso em especial depois do estabelecimento da cristandade, pelo imperador romano Constantino, o Grande, no quarto século E. C.? Não se infundiu então na sociedade humana em progresso um espírito novo, moralmente puro e religiosamente santo? Não, não segundo o que o encarcerado apóstolo Paulo escreveu, por volta do ano 65 E. C. Na sua última carta, dirigida ao seu companheiro de longa data, Timóteo, ele predisse:

      41 “Nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de manejar. Pois os homens serão amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, pretensiosos, soberbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, não dispostos a acordos, caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor à bondade, traidores, teimosos, enfunados de orgulho, mais amantes de prazeres do que amantes de Deus, tendo uma forma de devoção piedosa, mostrando-se, porém, falsos para com o seu poder; . . . De fato, todos os que desejarem viver com devoção piedosa em associação com Cristo Jesus também serão perseguidos.” — 2 Timóteo 3:1-5, 12.

      42. Por que não queremos ter o espírito que está por detrás dos apoiadores da velha ordem?

      42 Toda esta mencionada série de qualidades expressa o espírito que motiva a massa da humanidade em geral, ao passo que esta apóia a velha ordem de coisas. É este o tipo de espírito que desejamos ter como força impelente e orientadora na nossa vida? Não; não a julgar pelos frutos de seu espírito, que os apoiadores da velha ordem colhem agora! Desejamos sinceramente ter um espírito diferente, ativo, a favor duma ordem melhor de coisas. Requer que tenhamos o único outro espírito que há — espírito santo.

  • Espírito santo em ação sobre pessoas dos tempos antigos
    Espírito Santo — A Força por Detrás da Vindoura Nova Ordem!
    • Capítulo 4

      Espírito santo em ação sobre pessoas dos tempos antigos

      1. Como refuta a própria Bíblia, como livro, aqueles que negam que haja tal coisa como espírito santo?

      NADA vale que homens materialistas da atualidade argumentem que não há tal coisa como espírito santo. Um produto de sua operação sobre homens da antiguidade ainda está presente conosco, em todo o mundo. Este produto sobreviveu aos esforços de homens e nações para destruí-lo. O que é? Um livro indestrutível chamado A Bíblia Sagrada. Apesar de ferrenha perseguição por parte de homens e demônios, este Livro sagrado tem a divulgação mais ampla de todos os livros escritos por homens. Há homens e mulheres que defenderão este Livro até com a sua própria vida.

      2. Por que não difere a Bíblia dos outros livros quanto às mãos usadas na sua escrita?

      2 A Bíblia Sagrada é admitidamente diferente de todos os outros livros Por quê? Não no sentido de ter sido escrita por meros homens de nossa família humana. Ninguém afirma que a Bíblia não tenha sido escrita pelas mãos de meros homens. Mas, que espécie de homens eram eles? Originavam-se seus escritos deles mesmos? Isto tem algo que ver com o assunto.

      3-5. (a) O que nos diz a Bíblia sobre a maneira em que foi escrita? (b) Como é isso confirmado por Pedro em 2 Pedro 1:15-21?

      3 A própria Bíblia nos diz que seu conteúdo de sessenta e seis livros pequenos foi escrito por homens. A própria Bíblia nos informa sobre que espécie de homens os seus escritores eram. Mostra também qual era a força invisível que ativava aqueles homens a escrever. Havia espírito por detrás deles quando escreveram. Este espírito não deve ser atribuído a Satanás, o Diabo, porque este sempre esteve decidido a desencaminhar toda a terra habitada. O espírito por detrás da escrita da Bíblia não era o espírito que está por detrás da atual velha ordem de coisas. No que se refere à espécie de homens que escreveram e ao espírito que os moveu a escrever, vejamos a breve declaração do apóstolo Pedro, mártir do verdadeiro cristianismo:

      4 “Assim, farei também o máximo, em toda ocasião, para que, depois da minha partida [em martírio], vós mesmos possais fazer menção destas coisas. Não, não foi por seguirmos histórias falsas, engenhosamente inventadas, que vos familiarizamos com o poder e a presença de nosso Senhor Jesus Cristo, mas foi por nos termos tornado testemunhas oculares da sua magnificência. Pois ele recebeu de Deus, o Pai, honra e glória, quando pela glória magnificente lhe foram dirigidas palavras tais como estas: ‘Este é meu Filho, meu amado, a quem eu mesmo tenho aprovado.’ Sim, estas palavras nós ouvimos dirigidas desde o céu, enquanto estávamos com ele no monte santo.

      5 “Por conseguinte, temos a palavra profética tanto mais assegurada; e fazeis bem em prestar atenção a ela como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que amanheça o dia e se levante a estrela da alva, em vossos corações. Pois sabeis primeiramente isto, que nenhuma profecia da Escritura procede de qualquer interpretação particular. Porque a profecia nunca foi produzida pela vontade do homem, mas os homens falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo.” — 2 Pedro 1:15-21.

      6. Que corroboração há para a referência de Pedro à transfiguração de Cristo e o que tornou suas duas cartas escritos inspirados?

      6 O próprio Pedro tornou-se um destes homens que escreveram e falaram da parte de Deus “conforme eram movidos por espírito santo”. Por causa disso, Pedro deu testemunho fiel a respeito do que ele e os apóstolos Tiago e João, como testemunhas oculares, haviam visto e ouvido quando Jesus Cristo foi transfigurado diante deles, num monte elevado da Palestina. Mais três discípulos de Cristo fornecem um registro escrito daquela transfiguração de Jesus Cristo, ocorrida alguns meses antes de sua morte violenta, fora dos muros de Jerusalém. (Mateus 17:1-9; Marcos 9:2-9; Lucas 9:28-36) De modo que o testemunho de Pedro é corroborado por homens fidedignos. Na Bíblia, duas cartas que levam o nome de Pedro foram escritas por ele, um homem; mas, este fato não torna as suas cartas apenas escritos de invenção humana. As cartas de Pedro tinham espírito santo para apoiá-las. Por isso, foram inspiradas por Jeová Deus, a Fonte de espírito santo.

      7. Em 2 Pedro 3:15, 16, como mostrou Pedro que ele enquadrava os escritos de Paulo na Bíblia inspirada?

      7 Na sua segunda carta, Pedro enquadra os escritos do apóstolo Paulo nas escrituras inspiradas da Bíblia. Pedro disse: “Considerai a paciência de nosso Senhor como salvação, assim como vos escreveu também o nosso amado irmão Paulo, segundo a sabedoria que lhe foi dada, falando destas coisas, como faz também em todas as suas cartas. Nelas, porém, há algumas coisas difíceis de entender, as quais os não ensinados e instáveis estão deturpando, assim como fazem também com o resto das Escrituras, para a sua própria destruição.” (2 Pedro 3:15, 16) Atualmente, há críticos que argumentam que um mero homem (Paulo) escreveu essas cartas, de modo que são invenção dum homem. Tais críticos deturpam as Escrituras, “para a sua própria destruição”.

      8. O que disse Paulo, em 2 Timóteo 3:16, 17, a respeito das Escrituras registradas por homens que falaram e escreveram da parte de Deus?

      8 A respeito das Escrituras Sagradas, registradas por homens que escreveram e falaram da parte de Deus, o apóstolo Paulo teve o seguinte a dizer: “Toda a Escritura é inspirada por Deus [literalmente: soprada por Deus (theópneustos)] e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra.” — 2 Timóteo 3:16, 17, NM, e a versão Interlinear do Reino, em inglês.

      9. O que pôde Paulo provar a respeito da base do cristianismo por citar aquelas Escrituras?

      9 O próprio Paulo era tal competente “homem de Deus”. Era cabalmente versado nas antigas Escrituras Hebraicas. Por meio de referências a essas Escrituras inspiradas, Paulo pôde provar qual a base que Deus proveu para o verdadeiro cristianismo. — Atos 17:3.

      10. Por que continuam a cumprir-se as profecias da Bíblia, mesmo agora, embora os homens não soubessem como Deus cumpriria as profecias?

      10 Há um motivo pelo qual as profecias contidas na Bíblia continuam a cumprir-se, mesmo em nosso século vinte. O motivo é que essas profecias não são predições de meros homens, que procuravam dar interpretações particulares sobre o resultado das tendências dos assuntos mundiais. Ao contrário, as profecias da Bíblia são da parte de Deus, tendo sido dadas por meio de homens devotados a Ele. Deus faz com que suas profecias se cumpram, embora os homens desconheçam exatamente como ele faz isso. Este ponto foi enfatizado por Pedro, quando ele disse à multidão de judeus no templo em Jerusalém: “Deste modo Deus tem cumprido as coisas que ele anunciou de antemão por intermédio da boca de todos os profetas, que o seu Cristo havia de sofrer . . . a quem o céu, deveras, tem de reter até os tempos do restabelecimento de todas as coisas, das quais Deus falou por intermédio da boca dos seus santos profetas dos tempos antigos.” (Atos 3:18-21) A Bíblia registra as profecias do Deus que não mente, embora tenha falado por meio de profetas.

      11. Como salientou Pedro que as profecias de Deus simplesmente tinham de se cumprir, quando ele falou à congregação de cento e vinte discípulos em Jerusalém?

      11 Visto que as profecias bíblicas são de Deus, por intermédio de seu espírito santo, elas simplesmente têm de se cumprir. Este fato foi ainda mais salientado por Pedro, quando ele disse a uma congregação de cerca de cento e vinte discípulos de Cristo, em Jerusalém: “Homens, irmãos, era necessário que se cumprisse a escritura, que o espírito santo predissera pela boca de Davi a respeito de Judas, que se tornou guia dos que prenderam Jesus.” — Atos 1:15, 16.

      12. Como se uniram Pedro e outros discípulos em oração e indicaram que o Salmo 2:1, escrito por Davi, se havia cumprido?

      12 Mais tarde, Pedro uniu-se a seus condiscípulos numa oração, que salientou como outra profecia, por meio de Davi, tinha de se cumprir. Atos 4:24, 25, diz: “Elevaram unanimemente as suas vozes a Deus e disseram: ‘Soberano Senhor, tu és Aquele que fez o céu e a terra, e o mar, e todas as coisas neles, e quem, por intermédio de espírito santo, disse pela boca de nosso antepassado Davi, teu servo: “Por que se tumultuaram as nações e meditaram os povos coisas vãs?”’” (Salmo 2:1) De modo que aqueles cristãos do primeiro século se davam conta de que as sagradas Escrituras Hebraicas eram produto do espírito santo de Deus em ação sobre homens da antiguidade.

      13. (a) De acordo com 2 Samuel 23:1-3, a quem cabia o mérito pelas partes das Escrituras Hebraicas que foram compostas pelo ungido Davi? (b) O que era responsável pelo cumprimento das profecias dadas por meio de Davi?

      13 Já que se menciona aqui diretamente, por nome, o salmista Davi, poderíamos perguntar: O que achou ele de falar e escrever coisas que se tornaram parte das sagradas Escrituras Hebraicas? Ele não assume o mérito pelos seus escritos, que foram preservados como sendo de valor e importância especiais, mesmo para nós, hoje. Em prova disso, temos o registro, a respeito deste rei ungido sobre todo o Israel, conforme preservado para nós em 2 Samuel 23:1-3: ”E estas são as últimas palavras de Davi: ‘A pronunciação de Davi, filho de Jessé, e a pronunciação do varão vigoroso que foi levantado ao alto, o ungido do Deus de Jacó, e o agradável das melodias de Israel. Foi o espírito de Jeová que falou por meu intermédio, e a sua palavra estava na minha língua. O Deus de Israel disse, a mim me falou a Rocha de Israel.”’ De modo que aquilo que produziu o cumprimento das profecias dadas por intermédio de Davi não foi a sua previsão de longo alcance e sua capacidade de dar interpretações particulares aos assuntos. O espírito de Deus que ativava a Davi, e as manobras de Deus nos assuntos, eram responsáveis pelos cumprimentos.

      14. Além de Davi, como indicaram também Isaías e Jeremias que suas partes registradas das Escrituras não eram de sua própria autoria?

      14 Davi não foi o único a confessar que suas partes registradas na Bíblia Sagrada não eram de sua própria autoria. Outros profetas, cujos livros inspirados são preservados na Bíblia, admitiram honestamente que se tratava da palavra de Jeová Deus que veio a eles. Por exemplo, Isaías inicia seu grande livro de profecias por dizer: “A visão de Isaías, filho de Amoz, que ele observou referente a Judá e Jerusalém, nos dias de Uzias, de Jotão, de Acaz e de Ezequias, reis de Judá: Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, o terra, porque o próprio Jeová falou.” (Isaías 1:1, 2) Jeremias introduz seu grande livro de profecias por dizer: “As palavras de Jeremias, filho de Hilquias, um dos sacerdotes que estavam em Anatote, na terra de Benjamim; para quem veio a haver a palavra de Jeová nos dias de Josias, filho de Amom, rei de Judá, no décimo terceiro ano do seu reinado.” — Jeremias 1:1, 2.

      ANTIGAS PROEZAS POR MEIO DE ESPÍRITO SANTO

      15. Como se mostrou que o espírito santo, responsável pela escrita da Bíblia, é mais poderoso do que a espada de fortes líderes militares?

      15 Que ninguém menospreze as coisas produzidas por espírito santo, na forma de escritos sagrados. A pena movida por espírito santo de Deus, na mão dos escritores da Bíblia, mostrou ser muito mais poderosa do que a espada de César, de Napoleão Bonaparte ou de Adolfo Hitler. De fato, o espírito santo foi capaz de realizações muito mais espetaculares do que a escrita com pena e tinta. Há registro de homens da antiguidade fazerem proezas por meio desta força poderosa da parte do invisível Deus Todo-poderoso.

      16, 17. (a) Quando Moisés estendeu o bastão sobre o Mar Vermelho, donde veio a energia dinâmica que partiu as águas do mar? (b) Como é a resposta correta confirmada por Isaías 63:11-14?

      16 Como ilustração disso, tomemos o escritor dos primeiros cinco livros da Bíblia, Moisés. Lá no ano de 1513 A. E. C., ele estava em pé na margem ocidental do Mar Vermelho. Estendeu o bastão na sua mão direita sobre o mar. E eis que as águas se partiram e deixaram os israelitas atravessá-las, antes de os egípcios perseguidores poderem alcançá-los. Foi alguma energia dinâmica procedente de Moisés que causou este milagre? Impossível! Não foi do profeta Moisés, mas da Fonte celestial de toda a energia dinâmica que procedeu a força irresistível que partiu a barreira de água, que havia impedido a via de escape dos israelitas, diante dum grande perigo. (Êxodo 14:21 até 15:21) Assim também hoje, quando os do povo de Jeová são disciplinados e se acham em dificuldades, é ocasião de se lembrarem do antigo ato de Jeová e de fazerem a pergunta:

      17 “‘Onde está Aquele que os fez subir do mar com os pastores [Moisés e Arão] do seu rebanho? Onde está Aquele que pôs nele Seu próprio espírito santo? Aquele que fez o Seu belo braço [de força] ir à direita de Moisés; Aquele que partiu as águas [do mar] diante deles, a fim de fazer para si um nome de duração indefinida; Aquele que os fez andar através das águas empoladas, de modo que, qual cavalo no ermo, não tropeçaram? Assim como quando o próprio animal desce ao vale plano, O próprio espírito de Jeová passou a fazê-los descansar.’ Assim conduziste o teu povo, a fim de fazer para ti mesmo um belo nome.” — Isaías 63:11-14.

      18. De modo similar, como está o mesmo Deus prestes a fazer para si um “belo nome”, no nosso século vinte?

      18 Estes versículos da profecia de Isaías referem-se ao tempo em que o povo de Moisés foi liberto da escravidão aos antigos egípcios. Lá na primavera do ano 1513 A. E. C., Deus fez para si um nome imperecível, um nome de inigualável beleza. Mas também agora, no nosso século vinte, chegou o tempo para este mesmo Deus ‘fazer para si mesmo um belo nome’. Ele realizará em escala infinitamente maior uma libertação parecida àquela que realizou no Mar Vermelho. Felizes serão todos aqueles para quem o nome de Deus, Jeová, se terá tornado então “belo”.

      19. Conforme indicado em Hebreus 11:29, as coisas aconteceram de acordo com que qualidade de Moisés?

      19 Por isso, não subestimemos a energia dinâmica da santa força ativa de Jeová. Ela é tão poderosa hoje como era há trinta e cinco séculos. O profeta Moisés não subestimou a sua potência. Ele tinha fé na Fonte divina deste espírito que opera milagres. As coisas vinham acontecendo em harmonia com a fé que Moisés tinha: “Pela fé passaram através do Mar Vermelho como em terra seca, mas, quando os egípcios se aventuraram nele, foram tragados.” (Hebreus 11:29) Desta maneira foi demonstrado que Deus recompensa os que têm fé nele. (Hebreus 11:6) Note adicionalmente o registro em Números 11:16, 17, 24-29, a respeito do fiel Moisés e do espírito.

      20, 21. (a) Por que devem ter tido certa medida de espírito santo aqueles que nos tempos antigos provaram que tinham fé em Deus? (b) Que três homens de fé são mencionados em Hebreus 11:4-7, e o que se diz sobre eles?

      20 A fé faz parte dos “frutos do espírito”. É isso que diz Gálatas 5:22, 23. É evidente que aqueles que provam ter fé em Deus devem ter certa medida de Seu espírito. Temos uma lista parcial de homens e mulheres de fé, dos tempos antigos, no capítulo onze de Hebreus. Fazem parte da ‘tão grande nuvem de testemunhas que nos rodeia’. (Hebreus 12:1) A lista de testemunhas remonta à primeira testemunha de Jeová Deus de que há registro, a saber, Abel, irmão mais moço de Caim, filho de Adão e Eva. Havia outras testemunhas de Jeová durante aqueles dias antes do dilúvio global de 2370-2369 A. E. C. Os nomes de três testemunhas antediluvianas do Deus Altíssimo são fornecidos em Hebreus 11:4-7. Lemos:

      21 “Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício de maior valor do que Caim, sendo por esta fé que se lhe deu testemunho de que era justo, dando Deus testemunho com respeito a suas dádivas; e por intermédio dela, embora morto, ainda fala. Pela fé Enoque foi transferido para não ver a morte, e não foi achado em parte alguma, porque Deus o havia transferido; pois, antes de sua transferência, ele teve o testemunho de que agradara bem a Deus. Além disso, sem fé é impossível agradar-lhe bem, pois aquele que se aproxima de Deus tem de crer que ele existe e que se torna o recompensador dos que seriamente o buscam. Pela fé Noé, depois de receber aviso divino de coisas ainda não observadas, mostrou temor piedoso e construiu uma arca para a salvação de sua família; e, por intermédio desta fé, ele condenou o mundo e tornou-se herdeiro da justiça que é segundo a fé.”

      22. Em vista dos fatos, por que é evidente que cada um destes três homens possuía certa medida de espírito santo?

      22 Abel, Enoque e Noé são mencionados especialmente porque se destacavam no exercício da fé. Contudo, havia também a esposa de Noé, seus três filhos e suas três noras, que entraram com Noé na arca e foram preservados durante o dilúvio global. (1 Pedro 3:19, 20) Abel deve ter tido certa medida de espírito santo, pois, possuía um de seus frutos, a saber, a fé. Não pode haver dúvida de que Enoque, filho de Jarede, também tinha certa medida de espírito santo, pois, à luz do que nos conta Judas 14, 15, Deus usou Enoque para dar a primeira profecia registrada que foi proferida por um homem. (Gênesis 5:18-24) Noé também foi usado como profeta de Jeová. Era “pregador da justiça”. (2 Pedro 2:5; Gênesis 9:24-29) Quem pode negar que Noé fez uma proeza notável no meio dum mundo de pessoas ímpias? No entanto, não realizou esta façanha corajosa na sua própria força. Por detrás dele havia a santa força ativa de Deus.

      23, 24. (a) Que qualidade de Deus se exercia enquanto se construía a arca de Noé? (b) Segundo Gênesis 6:1-3, que decisão tomou Deus, e por quê?

      23 Nos dias de Noé, o espírito de Deus estava também ativo para com a humanidade. Aquele tempo da construção da arca foi assinalado pela “paciência de Deus”. (1 Pedro 3:20) Deus exerceu grande autodomínio e longanimidade, o que permitiu que os homens desobedientes se arrependessem, ao virem a construção da arca e ouvirem Noé ‘pregar a justiça’. Mas, quem correspondeu à atividade do espírito de Deus? Apenas Noé, sua esposa, seus três filhos Sem, Cã e Jafé, e as respectivas esposas destes. Deus não intencionou fazer indefinidamente esforços especiais em prol dos homens, como que lutando com eles para o seu bem. Gênesis 6:1-3 nos informa sobre o que Deus decidiu e a situação terrena sob a qual ele fez a decisão:

      24 “Ora, sucedeu que, quando os homens principiaram a aumentar em número na superfície do solo e lhes nasceram filhas, então os filhos do verdadeiro Deus começaram a notar as filhas dos homens, que elas eram bem-parecidas; e foram tomar para si esposas, a saber, todas as que escolheram. Depois disso, Jeová disse: ‘Meu espírito não há de agir por tempo indefinido para com o homem, porquanto ele é carne. Concordemente, seus dias hão de somar cento e vinte anos.”’

      25. Quando se esgotasse o tempo, que iria fazer Deus, para dar a humanidade um novo começo?

      25 Este cruzamento marital entre “filhos do verdadeiro Deus”, que se materializaram, e as “filhas dos homens” era muito chocante! Tal rumo dos acontecimentos não devia prosseguir indefinidamente! Isto foi o que Deus decidiu. De modo que seu espírito se expressaria em paciência, assim como havia feito para com a humanidade, apenas por mais cento e vinte anos. Quando acabasse o tempo, ele causaria uma tremenda mudança! O autocontrole que exercera por tanto tempo seria suspenso. O casamento entre anjos espirituais, materializados, e mulheres de carne, seria terminado por um dilúvio global, que submergiria até mesmo os cumes dos montes! Noé e sua família, de raça humana pura, sem contaminação, passariam a salvo pelo cataclismo, flutuando numa enorme arca à prova de água, para dar à humanidade um novo começo. Não mais se permitiria que aquele mundo de pessoas ímpias vexasse e desgostasse o espírito de Deus. Ele não os isentaria da punição. — Veja Efésios 4:30; Isaías 63:10; Hebreus 10:29.

      26, 27. (a) Mais de oito séculos depois de Noé ter construído a arca, que outro projeto de construção foi apoiado por Deus? (b) Como se comparava a arca de Noé com o tabernáculo sagrado e seu pátio?

      26 Assim, por meio dos sobreviventes que temiam a Deus e que eram de raça humana não-híbrida, Deus deu à família humana um novo começo justo. Para este fim, Deus apoiara a construção feita por Noé. Mais de oito séculos depois, Deus apoiou outro importante projeto de construção. No código de leis que Deus deu ao profeta Moisés, no monte Sinai, ele exigiu a construção dum tabernáculo sagrado.

      27 Junto a esta tenda sagrada de reunião, as doze tribos do povo de Moisés, a nação de Israel, devia reunir-se regularmente com seu Deus, e os sacerdotes dele deviam servir em ofertar sacrifícios expiatórios de pecados em prol de toda a nação. Este tabernáculo com seu pátio cercado não era uma construção tão enorme como a arca de Noé. A arca de Noé era de tamanho tal, que podia acomodar nove pátios tais como o do tabernáculo, três deles em cada um dos três andares da arca de Noé. A construção da arca de Noé exigiu grande perícia em engenharia, a qual Deus concedeu a Noé e aos filhos deste. O tabernáculo de Israel exigiu perícia artística.

      28. Como se evidencia, em Êxodo 31:1-6, que Deus apoiou a construção do tabernáculo com seu espírito?

      28 Visto que foi Deus quem mandou construir o tabernáculo de adoração, de Israel, ele também apoiou a construção dele. Como? Para obter a resposta, recorremos a Êxodo 31:1-6 e notamos as referências à força ativa de Deus:

      “E Jeová continuou a falar a Moisés, dizendo: ‘Vê eu deveras chamo por nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá. E eu o encherei do espírito de Deus em sabedoria e em entendimento e em conhecimento, e em toda espécie de artesanato para elaborar projetos, para trabalhar em ouro, e em prata, e em cobre, e em lavrar pedras para engastá-las e em trabalhar madeira para fazer trabalhos de toda espécie. Quanto a mim, eis que deveras ponho com ele Ooliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, e deveras ponho sabedoria no coração de todo o sábio de coração, para que deveras façam tudo o que mandei.”’

      O mestre-de-obras Bezalel ficou assim cheio do espírito de Deus.

      29, 30. (a) A operação de que, da parte de Deus, levou ao término da construção do tabernáculo no tempo certo? (b) Quando e como viram Bezalel e Ooliabe a aprovação de Deus sobre seu trabalho?

      29 Sendo que tal energia procedente da Fonte de toda a energia dinâmica apoiava os trabalhadores, a construção do tabernáculo sagrado e de toda a sua mobília com toda a certeza iria ser levada a cabo. No fim daquele ano lunar, todas as coisas estavam prontas para ser reunidas, e o tabernáculo estava pronto para ser armado. Êxodo 38:22, 23, registra esta realização emocionante, dizendo: “E Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, fez tudo o que Jeová ordenara a Moisés. E com ele estava Ooliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, artífice e bordador, e tecelão em linha azul e em lã tingida de roxo, e em fibras carmíneas, e em linho fino.” Para Bezalel e Ooliabe, o primeiro dia do novo ano lunar (1.º de nisã de 1512 A. E. C.) deve ter sido um dia muito satisfatório. Foi naquele dia que se erigiu o “tabernáculo da tenda de reunião”, às ordens de Jeová, e Bezalel e Ooliabe observaram um milagre:

      30 “A nuvem começou a cobrir a tenda de reunião e a glória de Jeová encheu o tabernáculo.” Para Bezalel e Ooliabe, isso era evidência de que haviam feito bem o seu trabalho e que Jeová o aprovava. O espírito Dele havia operado por seu intermédio. — Êxodo 40:1-34.

      31, 32. (a) Por quanto tempo serviu o tabernáculo ao propósito de Deus? (b) Como se evidenciou que espírito santo apoiou a construção e a terminação do templo de Salomão?

      31 Este tabernáculo da tenda de reunião permaneceu e serviu seu propósito por 485 anos, até que o Rei Salomão completou o templo em Jerusalém, em 1027 A. E. C., e o inaugurou para a adoração de Deus.

      32 A construção deste templo por Salomão, filho de Davi, também teve o apoio do espírito de Deus, pois, Davi recebeu por inspiração o plano arquitetônico desta nova construção. Conforme diz 1 Crônicas 28:11-19: “Ele deu perspicácia para a coisa inteira, por escrito, da parte da mão de Jeová sobre mim, sim, para todas as obras do plano arquitetônico.” Quando este magnífico templo foi inaugurado no monte Moriá, em Jerusalém, Jeová demonstrou sua aprovação do novo prédio para a sua adoração: “A própria casa se encheu duma nuvem, a própria casa de Jeová, e os sacerdotes não puderam ficar de pé para ministrar por causa da nuvem; porque a glória de Jeová encheu a casa do verdadeiro Deus.” — 2 Crônicas 5:13, 14.

      33. Portanto, o que está por detrás da adoração pura de Deus?

      33 Portanto, podemos estar certos de uma coisa vital: Há espírito santo por detrás da adoração pura de Jeová. É poderosamente ativo a favor daqueles que praticam e defendem a adoração pura do único Deus verdadeiro. Houve ilustrações disso durante o tempo em que juízes especialmente escolhidos governavam Israel na Terra da Promessa.

      SUA ATIVIDADE EMOCIONANTE QUANDO OS JUÍZES GOVERNAVAM

      34. Como operava espírito santo por intermédio do Juiz Otniel?

      34 Visto que os israelitas se afastaram da adoração pura, eles caíram sob o poder opressivo do rei da Síria. “E os filhos de Israel começaram a clamar a Jeová por socorro. Jeová suscitou então um salvador para os filhos de Israel, para que os salvasse: Otniel, filho de Quenaz, irmão mais moço de Calebe.” O que aconteceu então? “Então veio sobre ele o espírito de Jeová e ele se tornou o juiz de Israel. Quando saiu da batalha, então Jeová lhe entregou na mão Cusã-Risataim, o rei da Síria, de modo que sua mão venceu Cusã-Risataim. Depois o país teve sossego por quarenta anos.” — Juízes 3:9-11.

      35. Como operou espírito santo no caso do Juiz Gideão?

      35 Com o decorrer do tempo, a situação se tornou tal, que clamaram a Jeová para que lhes suscitasse outro juiz, para libertar seu povo Israel. “E ajuntaram-se à uma todo o Midiã, e Amaleque, e os orientais, e passaram a atravessar e a acampar-se na baixada de Jezreel. E o espírito de Jeová envolveu Gideão de modo que ele foi tocar a buzina, e os abiezritas foram convocados a ele.” (Juízes 6:33, 34) Usando este homem de fé, Jeová deu ao seu povo uma vitória notável, mencionada mais adiante na história bíblica. — Isaías 9:4-6; 10:26; Salmo 83:9-12; Hebreus 11:32, 33.

      36. O que realizou o espírito santo por intermédio do Juiz Jefté?

      36 A santa força ativa de Jeová tornou-se vez após vez operante a favor de homens de fé, que Ele usou para executar façanhas na história: Houve o tempo em que os israelitas oprimidos foram confrontados com os amonitas agressores em batalha. “Então veio o espírito de Jeová sobre Jefté, e ele passou a atravessar Gileade . . . até os filhos de Amom.” Ansioso de obter uma vitória para o louvor de Jeová, o Juiz Jefté fez um voto que se mostrou dispendioso para ele. Jeová o usou, pois, para derrotar os amonitas. — Juízes 11:29 a 12:7.

      37. A quem suscitou Jeová para salvar os Israelitas das mãos dos filisteus, e por meio de quê?

      37 Anos depois, os filisteus tornaram-se especialmente opressivos para os israelitas. Por isso, Deus providenciou o nascimento dum homem incomum, chamado Sansão. Ele havia de tomar “a dianteira em salvar Israel da mão dos filisteus”. Para este fim, ele foi apoiado pela força ativa de Deus. “Com o tempo, o espírito de Jeová principiou a impeli-lo em Maané-Dã, entre Zorá e Estaol.” De modo que não foi pelos seus próprios poderes físicos que Sansão mostrou ter a maior força que qualquer homem já teve na terra. — Juízes 13:5, 25.

      38. O que fez Sansão quando se encontrou com um leão que bramia, e como resolveu ele a questão, quando os filisteus não agiram de modo justo em solucionar seu enigma?

      38 Certa vez, enquanto Sansão seguia seu caminho, apareceu de repente diante dele “um leão novo, jubado, bramindo ao se encontrar com ele.” Como se saiu disso o desarmado Sansão? “Então, o espírito de Jeová se tornou ativo nele, de modo que ele o rasgou em dois, assim como se rasga um cabritinho em dois, e não havia absolutamente nada na sua mão.” Pouco depois, os filisteus lograram-no por meio dum enigma, para causar-lhe grande despesa. Isto reverteu em prejuízo dos filisteus. Novamente, “o espírito de Jeová se tornou ativo nele, de modo que desceu a Ascalom [na Filistéia] e golpeou trinta homens deles, e tomou aquilo de que os despiu e deu as mudas de roupa aos que declararam o enigma.” — Juízes 14:5-19.

      39. O que aconteceu quando os Israelitas entregaram Sansão, amarrado com cordas novas, aos filisteus?

      39 Até mesmo cordas novas não mostraram ser fortes demais para Sansão, quando foi entregue, amarrado, aos maldosos filisteus. “O espírito de Jeová tornou-se ativo nele e as cordas que havia sobre os seus braços vieram a ser como fios de linho quando abrasados pelo fogo, de modo que seus grilhões se derreteram de cima das suas mãos. Ele achou então uma queixada fresca de jumento, e estendeu a mão e tomou-a, e com ela foi matar a golpes mil homens.” — Juízes 15:11-15.

      40, 41. Como matou Sansão mais filisteus na sua morte, do que havia matado durante seu juizado em Israel?

      40 A maior façanha de Deus, por meio de Sansão, contra os adoradores filisteus do falso deus Dagom, foi a última. Demonstrou que o espírito de Deus não se cansa, nem enfraquece.

      41 Traído pela mulher Dalila e cegado pelos filisteus vingativos, Sansão ficou em pé entre duas colunas no templo de Dagom, em Gaza, na Filistéia. Naquela posição-chave, “Sansão se firmou nas duas colunas do meio em que a casa se fundava firmemente e foi segurá-las, uma com a sua direita e a outra com a sua esquerda. E Sansão passou a dizer: ‘Morra a minha alma com os filisteus.’ Então se encurvou com poder e a casa foi cair sobre os senhores do eixo e sobre todo o povo que havia nela, de modo que os mortos, que entregou à morte ao ele mesmo morrer, vieram a ser mais do que os que entregara à morte durante a sua vida.” — Juízes 16:23-30.

      42. Com quem se associa o nome de Sansão em Hebreus 11:32-34?

      42 Sansão é alistado entre aqueles homens dos tempos antigos, que tiveram fé em Deus, a qual é um dos frutos de Seu espírito. “E que mais hei de dizer?” Assim pergunta o escritor do livro de Hebreus, no capítulo onze, e depois responde: “Pois o tempo me faltaria se prosseguisse relatando sobre Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, bem como Samuel e os outros profetas, os quais, pela fé, derrotaram reinos, puseram em execução a justiça, obtiveram promessas, taparam as bocas de leões, pararam a força do fogo, escaparam do fio da espada, dum estado fraco foram feitos poderosos, tornaram-se valentes na guerra, desbarataram os exércitos de estrangeiros.” — Hebreus 11:32-34.

      O UNGIDO DE JEOVÁ

      43. Que mudança ocorreu com Davi, logo depois de Samuel o ungir com óleo, em Belém?

      43 Um nome notável, que o escritor de Hebreus menciona, é o de Davi, filho de Jessé, de Belém. Quando era ainda pastorzinho adolescente, Davi foi ungido com óleo pelo profeta Samuel, para ser o rei designado de todas as doze tribos de Israel. O que se seguiu logo após a sua unção? “O espírito de Jeová começou a tornar-se ativo em Davi daquele dia em diante. Mais tarde, Samuel levantou-se e seguiu seu caminho para Ramá. E o próprio espírito de Jeová se retirou de Saul”, o rei que então reinava. (1 Samuel 16:13, 14) Por fim, o infiel Rei Saul voltou-se em desespero para uma médium espírita, a fim de que o pusesse em contato com os mortos, se fosse possível. Pouco depois, ele morreu na batalha com os filisteus.

      44. Como lidou Deus com Davi, depois de o Rei Saul morrer em batalha?

      44 Quanto a Davi, passou a assumir o reinado para o qual tinha sido ungido por Samuel. O Deus a quem ele adorava firmemente deu-lhe poderes para façanhas, até mesmo para subjugar toda a Terra da Promessa. Não só isso, mas Deus o inspirou também para proferir e escrever profecias. Ele veio a ser verdadeiro profeta: Por isso, “era necessário que se cumprisse a escritura, que o espírito santo predissera pela boca de Davi”. — Atos 1:16; 4:24, 25.

      45. A quem cabe o louvor por todas essas façanhas de fé, e, em prova de sua palavra em Zacarias 4:6, que acontecimento celebraram Zorobabel e o Sumo Sacerdote Josué?

      45 O louvor por todas essas façanhas extraordinárias daqueles homens dos tempos antigos precisa ser dado ao Deus de inesgotável energia dinâmica. Essas façanhas incluíam a escrita de trinta e nove livros das inspiradas Escrituras Hebraicas, de Gênesis a Malaquias. No livro profético de Zacarias, dá-se uma palavra animadora ao Governador Zorobabel, encarregado de reconstruir em Jerusalém o templo que fora destruído pelos babilônios, no ano 607 A. E. C. A palavra dirigida ao reconstrutor do templo foi: “‘Não por força militar, nem por poder, mas por meu espírito’, disse Jeová dos exércitos.” (Zacarias 4:6) Apoiados por algo mais poderoso do que uma força militar ou outra força física, o Governador Zorobabel e seu colaborador, o Sumo Sacerdote Josué, enfrentaram a oposição inimiga e assim tiveram o privilégio de celebrar a reconstrução total do templo de Jeová em Jerusalém, no ano 515 A. E. C.

      PREVISÃO DE FAÇANHAS NOS NOSSOS TEMPOS

      46. Em que sentido são aquelas façanhas humanas, por meio de espírito santo, mais do que apenas fatos da história?

      46 A palavra de encorajamento dada sob inspiração a Zorobabel foi proferida mais de meio milênio antes de nossa Era Comum. Contudo, ela é tão significativa para nós, hoje, como foi lá naquele tempo, nos dias do profeta Zacarias. Por quê? Porque cremos em Jeová, como a Fonte Divina de energia dinâmica, sobre-humana. As façanhas de bravura e fé, realizadas pelo Deus Todo-poderoso pela ação de seu espírito santo sobre homens e mulheres dos tempos antigos, são mais do que apenas fatos da história. Foram também previsões de façanhas que Ele realizaria a partir do tempo de seu Messias, seu Ungido, até a nossa própria geração.

      47, 48. (a) Que homem de nascimento incomum fez a apresentação do predito Messias? (b) De que devia estar cheio o precursor do Messias, desde a madre de sua mãe, e o que faria ele?

      47 O predito Messias foi apresentado há dezenove séculos atrás por outro homem, cujo nascimento também fora extraordinário. Seu nascimento não foi devido à faculdade procriativa normal de seu pai e de sua mãe. Eles já tinham passado da idade de ter filhos. Sua faculdade reprodutiva tinha de ser reavivada, para terem seu único filho, um varão, a quem o pai, o sacerdote Zacarias, devia chamar João.

      48 Falando sobre a vinda do muito desejado filho, o anjo Gabriel disse a Zacarias, no templo: “Será cheio de espírito santo desde a madre de sua mãe; e retornará muitos dos filhos de Israel a Jeová, seu Deus. Também, irá diante dele com o espírito e o poder de Elias, para retornar os corações dos pais aos filhos e os desobedientes à sabedoria prática dos justos, a fim de aprontar para Jeová um povo preparado.” — Lucas 1:5-17; compare isso com Malaquias 4:5, 6.

      49. Portanto, iria o verdadeiro Messias apresentar a si mesmo ou ser apresentado, e como?

      49 Apresentado por tal precursor, o verdadeiro Messias não seria alguma pessoa ambiciosa, que pretendesse ser o Messias e que se anunciasse à nação de Israel, fazendo propaganda de si mesmo para atrair a si um grupo de seguidores. (Isaías 42:2-4) Antes, seria formalmente apresentado, aos que aguardavam o Messias, por um homem enviado por Deus e que tivesse o apoio de Deus. — Isaías 40:3-5; João 1:6, 7.

      50. O que disse Joel 2:28-32 sobre o que aconteceria depois da vinda do Messias?

      50 Depois da vinda do Messias, seria cumprida a profecia emocionante de Joel 2:28-32: “E depois terá de acontecer que derramarei meu espírito sobre toda sorte de carne, e vossos filhos e vossas filhas certamente profetizarão. Quanto aos vossos anciãos, terão sonhos. Quanto aos vossos jovens, terão visões. E até mesmo sobre os servos e sobre as servas derramarei naqueles dias meu espírito. E vou dar portentos nos céus e na terra: sangue e fogo, e colunas de fumaça. O próprio sol será transformado em escuridão e a lua em sangue, antes de chegar o grande e atemorizante dia de Jeová. E terá de acontecer que todo aquele que invocar o nome de Jeová salvar-se-á; pois no monte Sião e em Jerusalém virão a estar os que escaparam, assim como Jeová disse, e entre os sobreviventes que Jeová está chamando.”

      51. (a) Em vista da profecia de Joel, que perguntas já é tempo de fazermos? (b) Por que se deve agora invocar o nome de Jeová?

      51 Agora já é tempo de se perguntar: Quem são aqueles que recebem o que Jeová prometeu derramar sobre toda sorte de carne? Esses terno de profetizar, sob a força impelente do que é. derramado. Seu profetizar é muito oportuno, visto que deve preceder e predizer a vinda do “grande e atemorizante dia de Jeová”. Os que acatarem esse profetizar poderão encontrar-se entre os que escapam. Podem estar entre os “sobreviventes”. A julgar por todas as circunstâncias dos nossos tempos, desde 1914 E. C., o “dia de Jeová”, à nossa frente, deverá ser deveras “grande e atemorizante”. Queremos ‘salvar-nos’? Se este for o nosso desejo, então é aconselhável que ‘invoquemos o nome de Jeová’, Aquele cujo espírito está por detrás da vindoura nova ordem.

  • O primeiro que foi ungido com espírito santo e poder
    Espírito Santo — A Força por Detrás da Vindoura Nova Ordem!
    • Capítulo 5

      O primeiro que foi ungido com espírito santo e poder

      1, 2. (a) Por quem e com que devia ser ungido o prometido Messias? (b) Que profecia de Isaías citaria e aplicaria a si mesmo?

      REIS e sumos sacerdotes do antigo Israel eram ungidos para o cargo pelo derramamento de óleo oficial sobre a sua cabeça. Seria o prometido Messias ungido assim? Não! O genuíno Messias seria aquele a quem Deus ungiria “com espírito santo e poder”. (Atos 10:38) Seria aquele que foi autorizado a citar e a aplicar a si mesmo as palavras proféticas de Isaías 61:1-3:

      2 “O espírito do [Soberano] Senhor Jeová está sobre mim, visto que Jeová me ungiu para anunciar boas novas aos mansos. Enviou-me para pensar os quebrantados de coração, para proclamar liberdade aos que foram levados cativos e ampla abertura dos olhos aos próprios presos; para proclamar o ano de boa vontade da parte de Jeová e o dia de vingança da parte de nosso Deus; para consolar a todos os que pranteiam; para designar aos que pranteiam por Sião, para dar-lhes uma cobertura para a cabeça em lugar de cinzas, o óleo de exultação em vez de luto, o manto de louvor em vez de um espírito desanimado; e terão de ser chamados de grandes árvores de justiça, plantação de Jeová, para ele ser embelezado.”

      3. Por que não eram homens dos tempos antigos, para com os quais o espírito de Deus se tornou ativo, aquele prometido Messias.

      3 Os homens da antiguidade foram envolvidos pelo espírito de Deus, ou ele operou neles ou ficaram cheios dele. Mas nunca foram ungidos com ele. Por isso, não mostraram ser o muito ansiado Messias. Isto se deu assim até mesmo com João Batista, a respeito de quem o anjo Gabriel dissera ao seu pai, o sacerdote Zacarias: “Será cheio de espírito santo desde a madre de sua mãe.” — Lucas 1:15.

      4. O que confessou João Batista a respeito do Cristo, embora estivesse cheio de espírito santo desde o ventre de sua mãe?

      4 Sacerdotes e levitas foram enviados de Jerusalém para que o próprio João lhes dissesse oficialmente quem ele era, por causa da obra que fazia. Como reagiu João? “Ele confessou e não negou, mas confessou: ‘Eu não sou o Cristo.’ E perguntaram-lhe: ‘O que, então? És tu Elias?’ E ele disse: ‘Não sou’. ‘És tu O Profeta?’ E ele respondeu: ‘Não!’ Disseram-lhe, portanto: ‘Quem és? para que possamos dar uma resposta aos que nos enviaram. Que dizes a respeito de ti mesmo?’ Ele disse: ‘Eu sou a voz de alguém clamando no ermo: “Fazei reto o caminho de Jeová”, assim como disse Isaías, o profeta.”’ — João 1:19-23; Isaías 40:3; Malaquias 4:5, 6; Deuteronômio 18:15-19.

      5, 6. (a) Deus enviou João para fazer o que, com relação ao Cristo? (b) Como se contrastou João com o verdadeiro Messias ou Cristo?

      5 Assim, João, embora cheio de espírito santo, negou que fosse o Prometido, ungido com espírito de Deus. Não tentou ser um falso Cristo, mas confessou ser apenas o precursor do verdadeiro Cristo ou Messias. De fato, Deus o enviara para batizar o verdadeiro Cristo ou Messias em água. — João 1:29-34.

      6 Atestando ainda mais a honestidade de João neste assunto, temos o registro de Lucas 3:15-17: “Ora, visto que o povo estava em expectativa e todos raciocinavam nos seus corações a respeito de João: ‘Será este o Cristo?’ João deu a resposta, dizendo a todos: ‘Eu, da minha parte, batizo-vos com água; mas vem aquele que é mais forte do que eu, não sendo eu nem apto para desatar-lhe o cordão de suas sandálias. Ele vos batizará com espírito santo e com fogo. Tem na mão a sua pá de joeirar para limpar completamente a sua eira e para ajuntar o trigo no seu celeiro, mas a palha ele queimará em fogo inextinguível.’”

      7. Por que seria menos desejável alguém ser batizado com fogo do que ser batizado com espírito?

      7 As palavras de João tornavam claro que o Messias não só seria batizado ou ungido com o espírito de Deus, mas também poderia batizar outros com espírito santo. Seria muito melhor ser batizado com espírito santo, do que ser batizado com fogo, que destruiria a pessoa igual a palha sem valor, consumida por fogo que não se extingue até que toda a palha seja consumida. — Mateus 3:7-12.

      8. Por que esperava o povo, naquele tempo, o aparecimento do Messias, e por que era o assunto urgente para eles?

      8 Não é de estranhar que ‘o povo estivesse em expectativa’. É provável que eles tivessem calculado à base das Escrituras que havia chegado o tempo para o aparecimento do Messias. De modo que as pessoas começaram a cogitar se João Batista era o prometido Messias. (Daniel 9:24-27) A questão do Messias ou Cristo era urgente. Deus, Aquele que enviaria o Messias, não iria postergar indefinidamente o tempo. Ele havia decidido enviar o Messias e havia marcado o tempo para a execução de sua decisão. Não é procrastinador, mas apega-se ao tempo marcado, conforme indicado na sua Palavra.

      9. Como mostra Gálatas 4:4, 5, que Deus não é procrastinador?

      9 Gálatas 4:4, 5, diz: “Quando chegou o pleno limite do tempo, Deus enviou o seu Filho, que veio a proceder duma mulher e que veio a estar debaixo de lei, para livrar por meio duma compra os debaixo de lei, para que nós, da nossa parte, recebêssemos a adoção como filhos.”

      10. Donde enviou Deus seu Filho no tempo certo e para proceder duma mulher de que nacionalidade?

      10 O apóstolo Paulo, escritor dessas palavras, tinha muito a dizer sobre tempos e épocas nos arranjos de Deus. Ele disse que o Filho de Deus seria libertador dos judeus por meio duma compra. Por este motivo, havia de ser o Messias ou Cristo deles. Donde o enviou Deus? Ora, do céu, onde este “Filho unigênito” havia estado desde que Deus o criou, há muitíssimo tempo atrás. Sua vinda “debaixo de lei” significava que nasceu como judeu, israelita, membro da nação que estava no pacto da Lei com Jeová, da qual Moisés havia sido mediador. Portanto, a mulher da qual procedeu o Filho de Deus tinha de ser judia, também debaixo da lei mosaica. — Gálatas 3:19-25.

      11. Em vista da diferença dos lugares, onde se encontravam o Filho de Deus e a mulher, o que era necessário, a fim de que o Filho se tornasse o Messias?

      11 Tinha de ocorrer um milagre, que só Deus, o Todo-poderoso, podia realizar. Seu Filho “primogênito”, a Palavra ou Logos, estava lá no céu como poderosa pessoa espiritual, ao passo que a mulher, da qual tinha de proceder, se ele havia de ser o Messias, estava aqui na terra. O Filho não podia, na condição em que se encontrava, entrar no ventre desta moça judia. O que se devia dar, então? Bem, o Filho tinha de despojar-se de tudo o que era, enquanto estava “em forma de Deus”. Era preciso que sua vida fosse transferida dos céus invisíveis para o ventre da moça. Assim iria nascer “na semelhança dos homens”. Isto exigiu que o Filho de Deus se humilhasse muito. (Filipenses 2:5-8) Mas o Filho estava disposto a fazer isso por amor ao seu Pai e com o fim de servir aos objetivos de seu Pai celestial.

      12. Quem era a “mulher” escolhida por Deus e por que tinha de ser o Messias o “primogênito” dela?

      12 Como realizou o Pai celestial esse milagre? De que modo? Envolvia uma “mulher”. Muitas mulheres israelitas, especialmente as da tribo de Judá, talvez quisessem ser a mãe do prometido Messias. Mas não era da prerrogativa delas escolher ser a mãe do Messias. O Pai celestial do Messias era o Único que podia fazer a escolha neste caso. E ele a fez. A mulher que ele escolheu era uma “donzela”. (Isaías 7:14) Se ela já fosse casada e tivesse filhos, poderiam surgir dúvidas sobre a paternidade, a herança e os direitos. De modo que a “donzela” que Deus escolheu era “virgem”. (Mateus 1:22, 23) O nascimento do “primogênito” de Deus, como homem perfeito de sangue e carne, correspondentemente, precisava ser também o do “primogênito” da mulher. — Colossenses 1:15; João 3:16, 17.

      13. A quem foi Gabriel enviado por Deus numa segunda missão e como se fez Gabriel visível para ela?

      13 A moça escolhida precisava também ser descendente do Rei Davi, filho de Jessé. Por causa de tal relação com o Rei Davi, a moça poderia transmitir ao seu primogênito um direito natural com respeito ao reino de Davi sobre as doze tribos da “casa de Jacó” (Israel). Apropriadamente, a moça escolhida tinha de ter nascido na “cidade de Davi”, a cidade de Belém, na província de Judá. (Lucas 2:11) Mas, na ocasião em que Deus deixou a moça saber que ele iria favorecê-la altamente, ela vivia na cidade galiléia de Nazaré. Cerca de seis meses antes disso, Deus enviara o anjo Gabriel para anunciar ao sacerdote Zacarias o vindouro nascimento dum filho, a ser chamado João, e Deus enviou, então, apropriadamente, Gabriel à futura mãe do Messias, o qual seria apresentado por João. A moça era uma virgem judaica, de nome Maria, filha de Eli, da linhagem real de Davi. Gabriel materializou-se em forma humana para aparecer a Maria. A saudação dele surpreendeu Maria. Por que dizia este repentino visitante que Jeová estava com ela? Por que com ela?

      14. O que disse Gabriel, em explicação a Maria, sobre por que Deus estava com ela?

      14 Porque Jeová a havia escolhido para se tornar mãe do glorioso rei messiânico. Gabriel disse, pois: “Não temas, Maria, pois achaste favor diante de Deus; e eis que conceberás na tua madre e darás à luz um filho, e deves dar-lhe o nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e Jeová Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e ele reinará sobre a casa de Jacó para sempre, e não haverá fim do seu reino.” — Lucas 1:26-33.

      15. O que disse o anjo a respeito do que iria operar sobre Maria e com que efeito?

      15 Como podia acontecer isso a uma “donzela”, uma “virgem”, solteira? Esta foi a pergunta de Maria, e também teria sido a nossa. Portanto, vejamos o que havia de entrar em operação para com Maria. “O anjo disse-lhe, em resposta: ‘Espírito santo virá sobre ti e poder do Altíssimo te encobrirá. Por esta razão, também, o nascido será chamado santo, Filho de Deus.”’ — Lucas 1:34, 35.

      16. (a) Por que seria “santo” aquele que nasceria de Maria? (b) Como poderia Maria ter respondido a Gabriel, mas como respondeu?

      16 “Espírito santo” havia de entrar em ação, e isto resultaria no nascimento de alguém “santo”. Seria um nascimento virginal. Para Deus; não era um milagre impossível de realizar, pois o anjo Gabriel concluiu, dizendo a Maria: “Para Deus nenhuma declaração será uma impossibilidade.” (Lucas 1:37) Como reagiu Maria a tudo isso? Ela poderia ter dito: ‘Mas, acontece que eu já sou noiva do carpinteiro José, filho de Jacó, da casa real de Davi. Tenho a obrigação de tornar-me mãe de seus filhos. Não posso romper meu noivado com José. Terás de desculpar-me!’ De modo que parecia haver realmente complicações, mas Deus também sabia disso. Maria, pois, com fé, respondeu a Gabriel: “Eis a escrava de Jeová! Ocorra comigo segundo a tua declaração.” — Lucas 1:38.

      17. O que aconteceu então ao Filho “primogênito” de Deus no céu e o que se disse ao noivo de Maria, José, quanto ao que devia fazer?

      17 Era então próprio que Maria concebesse por um milagre do Deus Todo-poderoso. De repente, sem que Maria, na terra, o soubesse, o Filho “primogênito” de Deus desapareceu do céu. Sua força de vida foi transferida para o corpo virgem de Maria. Assim, “durante o tempo em que a sua mãe Maria estava prometida em casamento a José, ela foi achada grávida por espírito santo, antes de se unirem. No entanto, José, seu marido, porque era justo e não queria fazer dela um espetáculo público, pretendeu divorciar-se dela secretamente. Mas, depois de ter cogitado estas coisas, eis que lhe apareceu em sonho um anjo de Jeová, dizendo: ‘José, filho de Davi, não tenhas medo de levar para casa Maria, tua esposa, pois aquilo que tem sido gerado nela é por espírito santo. Ela dará à luz um filho, e terás de dar-lhe o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos pecados deles.”’ — Mateus 1:1-21.

      18. Na realidade, Jesus era filho de quem, e de que modo era profético seu nome?

      18 O nome Jesus era profético. É a forma abreviada de Jeosué, significando “Jeová É Salvação”. O portador deste nome, apropriadamente, havia de ‘salvar o seu povo dos pecados deles’. Não seria filho de José, mas “Filho de Deus”, conforme disse Gabriel.

      19. Por que não era o filho de Maria, Jesus, um novo Filho de Deus, e por que não era “Deus encarnado”, nem “Deus-homem”?

      19 O primogênito milagroso de Maria não seria um novo Filho de Deus, mas, de fato, era o já por muito tempo existente Filho de Deus, cuja vida foi transferida do céu para a terra, por intermédio de Maria, como mãe humana. Logicamente, não podia ser chamado aquilo que muitos religiosos da cristandade o chamam: “Deus encarnado”, expressão que não se encontra na Bíblia inspirada. No céu, o Filho “primogênito” de Deus levara o título de Palavra (ou: Logos). Por isso, lemos em João 1:14: “De modo que a Palavra se tornou carne e residiu entre nós, e observamos a sua glória, uma glória tal como a de um filho unigênito dum pai.” Os clérigos da cristandade erram em chamá-lo de “Deus-homem”, pois, em 1 Timóteo 2:5, 6, ele é chamado de “homem, Cristo Jesus”. Nunca afirmou ser, nem podia afirmar ser o Deus Altíssimo. — João 20:31; Lucas 1:32.

      UNGIDO POR QUEM E COM QUÊ?

      20. Onde nasceu o primogênito de Maria, e por que?

      20 Durante o reinado do César Augusto, imperador do Império Romano, pagão, Jesus nasceu em Belém-Judá, para cumprir a profecia de Miquéias 5:2. Isto ocorreu no começo do outono setentrional do ano 2 antes de nossa Era Comum. Enquanto José e Maria estavam em Belém, a fim de serem registrados, “ela deu à luz o seu filho, o primogênito, e o enfaixou e deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles no alojamento”. — Lucas 2:7.

      21. Quem se tornou testemunha ocular na noite do nascimento de Jesus, e como?

      21 Havia chegado aquele que seria o Messias! Esta foi a notícia emocionante que um glorioso anjo de Deus anunciou a pastores, que vigiavam seus rebanhos à noite, nos campos perto de Belém. “O anjo disse-lhes: ‘Não temais, pois, eis que vos declaro boas novas duma grande alegria que todo o povo terá, porque hoje vos nasceu na cidade de Davi um Salvador, que é Cristo, o Senhor.’” Embora o recém-nascido Jesus, na manjedoura em Belém, não se apercebesse disso, “repentinamente houve com o anjo uma multidão do exército celestial, louvando a Deus e dizendo: ‘Glória a Deus nas maiores alturas, e na terra paz entre homens de boa vontade.’” Daí, os pastores informados foram à procura do menino na manjedoura, e encontraram-no, e assim foram recompensados por se tornarem testemunhas oculares do nascimento de Jesus, naquela noite momentosa. — Lucas 2:8-20.

      22. Quando se tornou Jesus aquilo que o anjo o chamou: “Cristo o Senhor”, e como?

      22 Quando se tornou Jesus realmente “Cristo, o Senhor”? Não no oitavo dia após o seu nascimento, quando foi circuncidado. Ele não foi ungido naquele dia. Isto aconteceu quando tinha trinta anos de idade. Ele foi a João Batista, que então fazia batismos no rio Jordão. Não pediu que João o ungisse com algum óleo oficial, para ser rei messiânico sobre todas as doze tribos de Israel Pediu que fosse batizado em água, assim como muitos outros judeus haviam feito durante os meses da atividade pública de João “Então, quando todo o povo fora batizado, Jesus também foi batizado, e, enquanto orava, abriu-se o céu e desceu sobre ele o espírito santo, em forma corpórea, semelhante a uma pomba, e uma vez saiu do céu: ‘Tu és meu Filho, o amado; eu te tenho aprovado.’” — Lucas 3:21-23.

      23. Como foi que João Batista deu testemunho sobre a maneira em que Jesus foi constituído em Cristo?

      23 Posteriormente, o profeta João deu testemunho disso a discípulos seus, aos quais ele disse: “Até eu não o conhecia, mas o Mesmo que me enviou a batizar em água disse-me: ‘Sobre quem for que vires descer o espírito e permanecer, este é quem batiza em espírito santo.’ E eu o vi e dei testemunho de que este é o Filho de Deus”. — João 1:33, 34.

      24. O que disse André a seu irmão quanto a quem ele havia achado, e o que reconheceu Natanael a respeito de Jesus?

      24 Uns quarenta dias depois do batismo de Jesus no rio Jordão, João trouxe Jesus à atenção de dois discípulos seus. Estes seguiram Jesus e aceitaram dele instrução bíblica. Cheio de alegria, por causa de seu achado maravilhoso, um deles, André, foi em busca de seu irmão, chamado Pedro, e disse-lhe: “‘Achamos o Messias’ (que, traduzido quer dizer: Cristo).” Pouco depois, um homem chamado Natanael foi trazido a Jesus. Depois de escutar Jesus, Natanael disse-lhe: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel.” Na realidade, esta era uma confirmação, por Natanael, de que o ungido Jesus era o Messias, o Cristo. — João 1:35-49.

      MESSIAS OU CRISTO ESPIRITUAL

      25. Apesar de o batismo de João ser para pecadores, por que foi Jesus batizado por ele?

      25 Visto que Jesus, enquanto na terra, era puramente Filho humano de Deus e não tinha pecados dos quais se devesse arrepender, por que foi imerso por um homem que pregava o batismo de arrependimento e do perdão de pecados? Fez isso para cumprir a profecia de Salmo 40:6-8. Seu batismo em água simbolizou sua plena apresentação “para fazer a tua vontade, ó Deus”, conforme tal vontade lhe fosse revelada daí em diante. (Hebreus 10:5-10) Esta vontade divina o orientaria sobre como devia agir qual Messias ou Cristo.

      26. Aquilo que se ouviu a voz de Deus dizer, desde o céu, assinalou que mudança na vida de Jesus, e por que era isso necessário para ele?

      26 Quando Jesus subiu das águas batismais, ouviu-se a voz de Deus, do céu, dizendo: “Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado.” (Mateus 3:17) Isto assinalou uma mudança na vida de Jesus. Em que sentido? A declaração de Deus significava que ele havia então ungido a Jesus, de trinta anos de idade, para ser Filho espiritual de Deus. Abriu-se assim o caminho para este Filho de Deus voltar ao céu. Isso era necessário, até mesmo para Jesus. Foi como ele, mais tarde, explicou ao governante judaico Nicodemos, dizendo: “A menos que alguém nasça de novo, não pode ver o reino de Deus. . .. A menos que alguém nasça de água e espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que tem nascido da carne é carne, e o que tem nascido do espírito é espírito. Não te maravilhes por eu te dizer: Vós tendes de nascer de novo.” — João 3:3-7.

      27. O anúncio de Deus, desde o céu, a respeito de seu Filho indicou o que, referente a Jesus, e que mudança houve então na relação de Jesus com Maria?

      27 Com a declaração feita desde o céu, Jeová Deus anunciou que ele havia produzido um Filho espiritual, que tinha a perspectiva de entrar no reino celestial de Deus. Maria, mãe daquele que era carne, não era a mãe deste Filho espiritual de Deus, e nunca se relata depois que Jesus a tivesse chamado de “mãe”. Por conseguinte, fala-se de Jesus como sendo “o Nascido de Deus”, que vigia sobre os seus discípulos, seus seguidores. Por exemplo, em 1 João 5:18 lemos: “O Filho gerado de Deus protege-o e o Maligno não toca nele.” (The Jerusalem Bible) “O Filho de Deus os guarda, e o Diabo não pode tocar neles.” (A Bíblia na Linguagem de Hoje) De modo que a relação de Jesus com sua mãe terrestre, Maria, mudou. Daí em diante, ele se devotou a coisas espirituais, não à carpintaria na cidade de Maria, Nazaré.

      28. Jesus foi assim ungido para ser que espécie de Messias e para reinar onde?

      28 O espírito santo de Deus desceu sobre o Filho espiritual de Deus, que acabava de ser produzido, a fim de ungi-lo como o Messias ou Cristo. Ele seria mais poderoso do que um mero Messias humano, de carne e sangue. Seria um Messias espiritual, que por fim reinaria no reino celestial de Deus. Quando este Messias ascendesse ao céu, o “trono de Davi, seu pai” seria enaltecido ao céu. Portanto, é dum trono celestial que “ele reinará sobre a casa de Jacó para sempre”. — Lucas 1:32, 33.

      29. Que título poderia ter Jesus, como Ungido, ligado ao seu nome, e com que foi ele ungido?

      29 Depois de ser ungido com espírito santo de Deus, junto ao rio Jordão, Jesus poderia ter adicionado ao seu nome o título de Messias ou Cristo, e ele veio a ser chamado corretamente de Jesus, o Messias, ou Jesus Cristo. Meses depois, quando Jesus estava retornando para a Galiléia, uma mulher samaritana disse-lhe: “Eu sei que vem o Messias, que é chamado Cristo. Quando este chegar, ele nos declarará abertamente todas as coisas.” Jesus disse-lhe então quietamente: “Eu, que falo contigo, sou ele.” (João 4:25, 26) Jesus não foi ungido como Messias ou Cristo com óleo oficial derramado sobre a sua cabeça, mas com algo que somente Deus podia derramar sobre ele, como sendo Filho espiritual. Com que foi? O apóstolo Pedro responde: “Deus o ungiu com espírito santo e poder, e ele percorria o país, fazendo o bem e sarando a todos os oprimidos pelo Diabo.” — Atos 10:38.

      30. Como no caso de Davi, que efeito imediato teve a unção de Jesus sobre ele, e por que não perdeu ele o espírito santo?

      30 Lembramo-nos aqui de que a força ativa de Deus tornou-se operante no pastor Davi, depois que ele foi ungido com óleo pelo profeta Samuel, habilitando-o a fazer coisas notáveis. O mesmo aconteceu quando Jesus foi ungido por Deus, desde o céu. Lucas 4:1, 2, atesta: “Ora, Jesus, cheio de espírito santo, afastou-se do Jordão e foi conduzido pelo espírito, lá no ermo, por quarenta dias, sendo tentado pelo Diabo.” Marcos 1:12 diz: “O espírito impeliu-o imediatamente a ir para o ermo.” Felizmente, por causa da fidelidade de Jesus, no ermo, quando provado pelo Diabo, ele não perdeu o espírito santo; não deixou de ser o Messias ou Cristo. Mostrou-se fiel ao que seu batismo em água simbolizou.

      31. Após o encarceramento de João, Jesus voltou à Galiléia sob que poder, e o que fez ele ali?

      31 No ano 30 E.C., João Batista, precursor de Jesus, foi encarcerado por Herodes Ântipas, tetrarca da Galiléia. Por isso, Jesus deixou a Judéia e atravessou a Samaria, voltando para a Galiléia. Jesus aplicou ali a si mesmo as Escrituras pelas quais podia ser identificado como o Messias ou Cristo. (Mateus 4:12-17) “Jesus voltou então no poder do espírito para a Galiléia. E a boa fama dele espalhou-se por toda a região circunvizinha. Começou também a ensinar nas sinagogas deles, sendo tido em honra por todos.” (Lucas 4:14, 15) A unção que Deus lhe dera ajudou-o, ao passo que ensinava às pessoas as Escrituras Sagradas.

      32. Na sinagoga de Nazaré, que profecia de Isaías leu Jesus em voz alta, fazendo que comentário sobre ela?

      32 Na sinagoga de sua própria cidade, Nazaré, Jesus trouxe à atenção o fato de que ele havia sido ungido por Deus em cumprimento da profecia de Isaías 61:1-3, referente ao Messias. Lemos sobre isso o seguinte, em Lucas 4:16-21:

      “E ele chegou a Nazaré, onde tinha sido criado; e, segundo o seu costume no dia de sábado, entrou na sinagoga e levantou-se para ler. Foi-lhe assim entregue o rolo do profeta Isaías, e ele abriu o rolo e achou o lugar onde estava escrito: ‘O espírito de Jeová está sobre mim, porque me ungiu para declarar boas novas aos pobres, enviou-me para pregar livramento aos cativos e recuperação da vista aos cegos, para mandar embora os esmagados, com livramento, para pregar o ano aceitável de Jeová.’ Com isto enrolou o rolo, entregou-o de volta ao assistente e se assentou; e os olhos de todos na sinagoga estavam atentamente fixos nele. Principiou então a dizer-lhes: ‘Hoje se cumpriu esta escritura que acabais de ouvir.’ ”

      33. De que tratavam as “boas novas” que Jesus foi comissionado a declarar, e ele foi enviado para declará-las até que ponto?

      33 Que belo proceder a profecia de Isaías predisse para o Ungido de Jeová! Quão bondosamente a força ativa de Jeová, com que fora ungido, devia operar por meio dele! Durante todos os três anos restantes de seu serviço messiânico na terra, ele cumpriu amorosamente esta comissão profética de Deus. As “boas novas” que ele declarou aos pobres eram a mensagem do reino messiânico de Deus. Ele disse a uma multidão espiritualmente faminta, que queria detê-lo: “Tenho de declarar as boas novas do reino de Deus também a outras cidades, porque fui enviado para isso.” — Lucas 4:43.

      34. Quem acompanhou Jesus quando foi pregar de lugar em lugar?

      34 O registro posterior nos informa: “Pouco depois, ele viajava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e declarando as boas novas do reino de Deus. E os doze [apóstolos] estavam com ele, bem como certas mulheres que tinham sido curadas de espíritos iníquos e de doenças, Maria, a chamada Madalena, da qual saíram sete demônios, e Joana, esposa de Cuza, encarregado de Herodes, e Susana, e muitas outras mulheres, que lhe ministravam de seus bens.” — Lucas 8:1-3.

      35. Como ampliou Jesus a atividade evangelizador?

      35 Não só o próprio Jesus proclamava as boas novas do reino de Deus, mas ele enviou também seus discípulos, para fazer pregação similar. Depois de mais de um ano de treinamento com ele, seus doze discípulos foram enviados a proclamar sozinhos o reino. Lucas 9:1, 2, nos diz: “Ele convocou então os doze e deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para curar doenças. E assim os enviou a pregar o reino de Deus e a curar.” No ano seguinte, Jesus acrescentou mais setenta à força evangelizadora: “Depois destas coisas, o Senhor indicou outros setenta e os enviou, aos dois, na sua frente, a cada cidade e lugar aonde ele mesmo estava para ir. Começou então a dizer-lhes: ‘. . . Também, onde quer que entrardes numa cidade e eles vos receberem, comei as coisas postas diante de vós, e curai os doentes nela e continuai a dizer-lhes: “O reino de Deus se tem chegado a vós.”’” — Lucas 10:1-9.

      36. O que haveria por detrás daqueles evangelizadores quando testificassem perante autoridades governantes, e, assim, por que mostrou a pregação do Reino, em nosso tempo, que ela é irresistível?

      36 A força ativa de Deus estava por detrás do ungido Jesus, ao passo que fazia a sua pregação. Estava também por detrás daqueles evangelizadores que Jesus enviou. Não lhes falharia quando fossem convocados perante autoridades governantes. Jesus disse: “Não fiqueis ansiosos quanto a como ou o que haveis de falar; porque naquela hora vos será dado o que haveis de falar; pois, quem fala não sois apenas vós, mas é o espírito de vosso Pai, que fala por meio de vós.” (Mateus 10:18-20; Lucas 12:11, 12) Isto também se aplicaria aos pregadores das boas novas do reino de Deus mesmo durante a atual “terminação do sistema de coisas”. (Mateus 24:3, 9-14) Deve-se a que o espírito de Deus está por detrás da pregação do reino messiânico, agora estabelecido nos céus, nas mãos do Messias Jesus, que a pregação se mostrou irreprimível pelos homens. — Marcos 13:10-13.

      37. Que caso relatado em Lucas 5:17-26 mostra que o poder curativo de Jesus não foi enfraquecido pela oposição religiosa?

      37 Visto que a unção de Jesus não procedia de homens, mas de seu Pai celestial, “ele percorria o país, fazendo o bem e sarando a todos os oprimidos pelo Diabo; porque Deus estava com ele”. (Atos 10:38) A oposição maliciosa dos líderes religiosos não enfraqueceu a força que operava milagres. A respeito de um caso notável, está escrito: “No decorrer de um desses dias, ele estava ensinando, e havia ali sentados fariseus e instrutores da lei, que haviam chegado de toda aldeia da Galiléia e da Judéia, e de Jerusalém; e o poder de Jeová estava presente para ele fazer curas.” Apesar da atitude hostil daqueles religiosos, Jesus curou um paralítico incapacitado, e o povo, profundamente impressionado, disse: “Vimos hoje coisas estranhas!” — Lucas 5:17-26.

      38. A quem atribuiu Jesus o crédito pelos seus milagres, e contra que pecado advertiu ele os que o acusavam falsamente?

      38 Jesus atribuiu as suas curas milagrosas Aquele que realmente era responsável por elas. Por isso, Jesus disse aos que o acusavam de estar mancomunado com Satanás, o Diabo, a quem chamavam de “Belzebu, o governante dos demônios”: “É por meio do espírito de Deus que eu expulso os demônios.” Por conseguinte, advertiu os opositores de que “a blasfêmia contra o espírito não será perdoada. . . . quem falar contra o espírito santo, não lhe será perdoado, não, nem neste sistema de coisas, nem no que há de vir”. Os opositores haviam cometido este pecado imperdoável por atribuírem maliciosamente ao Diabo aquilo que claramente era uma operação milagrosa do espírito santo de Deus. — Mateus 12:2-32.

      CHAMADO “FILHO DE DEUS, SEGUNDO O ESPÍRITO”

      39. Contrário às idéias judaicas em comum, o que haviam anunciado de antemão suas Escrituras Hebraicas a respeito do que aconteceria com o Messias?

      39 Lá, nos dias de Jesus, havia conceitos errados sobre que espécie de pessoa o Messias seria e que proceder havia sido demarcado para ele. Os opositores de Jesus não viram que estava escrito nas suas próprias Escrituras Hebraicas que o Messias primeiro tinha de sofrer, segundo a vontade de Deus, mesmo até a morte. Visto que era o principal que constituía o “descendente” da “mulher” de Deus, seu “calcanhar” tinha de ser ‘machucado’. (Gênesis 3:15) Depois de as profecias hebraicas terem sido cumpridas neste respeito, o apóstolo Pedro salientou este fato a uma multidão de judeus no templo de Jerusalém: “Deste modo Deus tem cumprido as coisas que ele anunciou de antemão por intermédio da boca de todos os profetas, que o seu Cristo havia de sofrer.” — Atos 3:18.

      40. Por meio de que observações, que fez aos seus apóstolos, mostrou Jesus que ele sabia que o Messias tinha de sofrer e morrer?

      40 À base das Escrituras Hebraicas, Jesus sabia que o Messias tinha de sofrer e morrer. Embora seus apóstolos o reconhecessem como o Messias, causou-lhes surpresa quando lhes disse que ele havia de sofrer uma morte vergonhosa. Quando o apóstolo Pedro objetou a tal idéia, Jesus disse-lhe: “Para trás de mim, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não tens os pensamentos de Deus, mas os de homens.” O precursor de Jesus, João Batista, sofreu às mãos dos inimigos aquilo que estes quiseram infligir-lhe, e, Jesus disse, “do mesmo modo também o Filho do homem está destinado a sofrer às mãos deles”. — Mateus 16:21-23; 17:12, 13.

      41. No primeiro século E. C., que conceito se fazia da congregação dos discípulos de Cristo, por causa do modo em que este havia morrido?

      41 Por fim, Jesus foi morto igual a um blasfemador contra Deus e sedicioso contra o Império Romano. Isto mostrou ser a maior pedra de tropeço tanto para judeus como para gentios, no que se referia a eles aceitarem Jesus como o prometido Messias. Mais de vinte e cinco anos depois, judeus em Roma expressaram sua atitude para com a congregação dos discípulos de Jesus, dizendo ao encarcerado apóstolo Paulo: “Deveras, quanto a esta seita, é sabido por nós que em toda a parte se fala contra ela.” — Atos 28:22.

      42. Conforme ilustrado pelo caso do apóstolo Paulo, o que era necessário que os cristãos provassem com as Escrituras a respeito do Messias?

      42 Conseqüentemente, tornou-se necessário que os cristãos provassem que a morte de Jesus, numa estaca de tortura, fora de Jerusalém, em vez de desacreditá-lo como o prometido Messias das Escrituras Sagradas, na realidade provava que ele era o verdadeiro Messias, o Cristo de Deus. Por exemplo, tomemos o caso do apóstolo Paulo, na sinagoga de Tessalônica, na Macedônia: “Segundo o costume de Paulo, ele entrou, indo ter com eles, e por três sábados raciocinou com eles à base das Escrituras, explicando e provando com referências que era necessário que o Cristo sofresse e fosse levantado dentre os mortos, e dizendo: ‘Este é o Cristo, este Jesus, que eu vos publico.”’ (Atos 17:1-3) Anos depois, o apóstolo Paulo compareceu como prisioneiro perante o governador romano Festo e o Rei Agripa, visitante, para explicar o seu caso. No auge de sua defesa, ele disse:

      “Visto que obtive a ajuda que vem de Deus, continuo até o dia de hoje a dar testemunho tanto a pequenos como a grandes, mas, sem dizer nada exceto as coisas que os Profetas, bem como Moisés, declararam que iam ocorrer, que o Cristo havia de sofrer e que, como primeiro a ser ressuscitado dentre os mortos, ele ia publicar luz tanto a este povo como às nações.” — Atos 26:22, 23.

      43. De que milagre por Deus tornou-se Paulo testemunha, e como mostrou Pedro por que este foi o maior milagre de Deus?

      43 Paulo tornara-se testemunha da ressurreição, como ele declarou denodadamente perante Festo e Agripa. (Atos 26:12-18) Também, em 1 Coríntios 15:3-8, Paulo atesta que, antes de sua própria conversão, houve “mais de quinhentos irmãos” que foram testemunhas oculares de que Jesus havia sido ressuscitado dentre os mortos. Esta ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, no terceiro dia após a sua morte, mostrou ser o maior milagre de Deus. Mas Deus possuía a energia dinâmica para realizá-lo. Por que era assim? O apóstolo Pedro indica a razão, ao escrever: “Cristo morreu uma vez para sempre quanto aos pecados, um justo pelos injustos, a fim de conduzir-vos a Deus, sendo morto na carne, mas vivificado no espírito. Neste estado, também, ele foi e pregou aos espíritos em prisão.” — 1 Pedro 3:18, 19.

      44. Segundo disse Pedro, Jesus foi vivificado como o quê?

      44 O que queria Pedro dizer com isso? O seguinte: Que o Deus Todo-poderoso não ressuscitou a Jesus como pessoa humana, mas o ressuscitou como pessoa espiritual, como pessoa espiritual incorruptível, à prova de morte ou imortal.

      45, 46. (a) Depois de o espírito de Deus descer sobre Jesus junto ao rio Jordão, ele foi declarado como sendo o quê? (b) Pela ressurreição de Jesus dentre os mortos, ele foi declarado ser Filho de Deus segundo o quê?

      45 O corpo físico de Jesus havia sido semeado na morte, como sacrifício, para ser eliminado por Deus. Por isso, Jesus foi ressuscitado para a vida celestial com um “corpo espiritual”, glorioso, revestido de imortalidade, para nunca mais morrer. (1 Coríntios 15:42-54) Anteriormente, no dia do batismo de Jesus em água, Jeová Deus o havia gerado por meio de Seu espírito santo, para daí em diante ser Filho espiritual de Deus, com vistas a uma herança celestial. A fim de dar testemunho de que Jesus fora gerado assim, Deus falou desde o céu, anunciando que o ungido Jesus era Seu Filho espiritual, amado e aprovado. (Mateus 3:13-17) Mas, no dia da ressurreição de Jesus, da morte, Deus declarou que ele era plenamente nascido Filho espiritual de Deus. Foi por isso que Paulo escreveu:

      46 “As boas novas de Deus, que ele prometeu outrora por intermédio de seus profetas, nas sagradas Escrituras, a respeito de seu Filho, o qual procedeu do descendente de Davi segundo a carne, mas que, com poder, foi declarado Filho de Deus, segundo o espírito de santidade, [como?] por meio da ressurreição dentre os mortos — sim, Jesus Cristo, nosso Senhor.” — Romanos 1:1-4.

      47. Como falou Paulo, em Efésios 1:19-21, sobre quão estupendo era o milagre de Deus em ressuscitar Jesus?

      47 O apóstolo Paulo escreveu adicionalmente, atestando quão estupendo foi o milagre de Jeová em ressuscitar a Jesus Cristo como espírito imortal: “É segundo a operação da potência de sua força, com que ele tem operado no caso do Cristo, quando o levantou dentre os mortos e o assentou à sua direita nos lugares celestiais, muito acima de todo governo, e autoridade, e poder, e senhorio, e todo nome dado, não só neste sistema de coisas, mas também no que há de vir.” — Efésios 1:19-21; Filipenses 2:5-11; 1 Pedro 3:21, 22.

      48. Quem é a “mulher” mencionada em Gênesis 3:15, e que ferida sarou Deus ao ressuscitar Jesus?

      48 Realizando esta ressurreição maravilhosa de Jesus Cristo, o Médico celestial, Jeová, sarou a ferida que a Grande Serpente, Satanás, o Diabo, havia infligido ao “calcanhar” do “descendente” da “mulher”, por meio de sua iníqua organização terrestre. (Gênesis 3:15) A “mulher” deste mistério de Deus não era a pecadora Eva, nem a virgem judaica Maria, mas a organização celestial de Deus, semelhante a uma mulher, que se compõe de santas criaturas espirituais. Essa organização proveu o Filho unigênito de Deus para serviço aqui na terra, como o prometido Messias. — Veja Gálatas 4:25, 26.

      49, 50. O Principal constituinte do “descendente” da “mulher” de Deus está agora em condições de fazer o quê, e que coisas aclamamos como vindas por intermédio dele?

      49 O Principal constituinte do “descendente” da “mulher” de Deus está agora em condições de machucar a cabeça da Grande Serpente, Satanás, o Diabo, esmagando-o junto com todos os que constituem o “descendente” dele. Nós, quer sejamos judeus, quer gentios, não precisamos mais aguardar a vinda do verdadeiro Messias em carne, à nossa terra. Ele já veio e cumpriu seu papel na terra, no primeiro século de nossa Era Comum. (1 João 4:2; 2 João 7) Agora já foi recompensado com glória no céu. Ele é Messias ou Cristo espiritual, capaz de fazer muito mais do que um Messias ou Cristo humano, terreno.

      50 Toda a glória cabe a Jeová Deus, que ungiu seu Filho Jesus “com espírito santo e poder”, para ser o precioso Messias! Toda a aclamação é devida às bênçãos eternas, prometidas a toda a humanidade por meio do glorificado Messias espiritual, o Cristo de Deus! — Atos 10:38; Gênesis 22:18.

  • Uma congregação ungida para a proclamação do Reino
    Espírito Santo — A Força por Detrás da Vindoura Nova Ordem!
    • Capítulo 6

      Uma congregação ungida para a proclamação do Reino

      1. Que perguntas se faziam, há uns dois mil anos, sobre a salvação do mundo?

      SOMOS hoje confrontados com questões de importância mundial. Elas se relacionam com questões com que nos teríamos confrontado se tivéssemos vivido no Oriente Médio, há quase dois mil anos. Lá naquele tempo, essas questões eram de importância mundial, porque giravam em torno dum salvador do mundo, um Messias! Chegara então o tempo de ele aparecer pela primeira vez. Portanto, os interessados estavam na expectativa dele. Quando aparecesse, seria aclamado com prazer, por todo o mundo da humanidade? Ou desapontaria ele a todos, quanto a cumprir o que fora comissionado a fazer naquele tempo? Quem ficaria convencido de que ele era o Messias, que fazia exatamente o que as Escrituras Sagradas predisseram sobre ele, e quem o seguiria assim como seu Líder? Quem não se ofenderia com ele, mas se sentiria atraído a ele? Atualmente, quem é atraído ao Messias salvador do mundo, e como?

      2. (a) Que papel devia desempenhar o Principal a constituir o “descendente” da “mulher” de Deus? (b) Quem seriam os outros componentes do “descendente” da mulher, e por quem seriam ensinados?

      2 Para a nossa orientação segura, hoje, lembremo-nos de que o verdadeiro Messias devia ser o Principal a constituir o predito “descendente” da “mulher” de Deus e devia ter ‘o calcanhar machucado’ pela Grande Serpente, Satanás, o Diabo. A “mulher” ou mãe do “descendente” é a organização celestial de Deus, semelhante a uma esposa, composta de santas criaturas espirituais, de angélicos “filhos do verdadeiro Deus”. O “descendente” prometido da mulher é constituído por filhos dela, cujo Principal é o Messias, sendo os outros os seguidores espirituais deste. Quanto aos membros secundários do “descendente” da mulher, temos as seguintes palavras de Isaías 54:13, dirigidas à “mulher” simbólica: “E todos os teus filhos serão pessoas ensinadas por Jeová e a paz de teus filhos será abundante.” Os “filhos” seriam, corretamente, ensinados pelo Marido celestial da mulher, Jeová, o Pai do “descendente”. — Isaías 54:5.

      3. A quem aplicou Jesus a palavra “filhos”, de Isaías 54:13, e como são estes agora ensinados sem que o Instrutor esteja visível?

      3 O Principal daquele “descendente” da mulher, Jesus Cristo, fez uma aplicação das palavras de Isaías 54:13, dirigidas à mulher. Com respeito a quê? Bem, quando falou a judeus que não se sentiam atraídos a ele qual Messias, e que, por isso, murmuravam contra ele, Jesus disse: “Ninguém pode vir a mim, a menos que o Pai, que me enviou, o atraia; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos Profetas: ‘E todos eles serão ensinados por Jeová.’ Todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim.” (João 6:44, 45) Naturalmente, Jeová não é o Instrutor visível de qualquer de nós, mas ele proveu para nós um Compêndio inspirado. Assim, por meio deste e pela operação de seu espírito santo, ele nos ensina os fatos sobre o “descendente” messiânico de sua “mulher”. Desta maneira, ele atrai os menores, que fazem parte do “descendente”, ao Principal dele, o Messias, e forma uma congregação.

      4. No terceiro ano da atividade pública de Jesus, que comparação havia entre os conceitos dos apóstolos de Jesus e os do povo, sobre quem ele era?

      4 Até então, no terceiro ano da atividade pública de Jesus, o povo judaico já devia ter chegado a uma decisão sobre quem era este operador de milagres no propósito de Deus. Quantos deles mostraram que estavam sendo “ensinados por Jeová” com respeito ao seu Messias? Era oportuno que Jesus perguntasse a seus apóstolos sobre isso:

      “Ele os interrogou, dizendo: ‘Quem dizem as multidões que eu sou?’ Em resposta, disseram: ‘João Batista; mas outros, Elias, e ainda outros, que um dos antigos profetas se levantou.’ Então lhes disse: ‘Vós, porém, quem dizeis que eu sou?’ Pedro disse, em resposta: ‘O Cristo de Deus.’ Então, numa conversa severa com eles, ordenou-lhes que não dissessem isso a ninguém, mas disse: ‘O Filho do homem tem de passar por muitos sofrimentos e ser rejeitado pelos [anciãos] e pelos principais sacerdotes, e pelos escribas, e ser morto, e tem de ser levantado no terceiro dia.’” — Lucas 9:18-22; veja Marcos 8:27-32.

      5. De acordo com Mateus 16:16-19, o que disse Jesus a Pedro, em resposta à réplica deste a uma pergunta?

      5 A narrativa do apóstolo Mateus amplia o assunto, ao dizer: “Em resposta, Simão Pedro disse: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente.’ Jesus lhe disse, em resposta: ‘Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque isso não te foi revelado por carne e sangue, mas por meu Pai, que está nos céus. Também, eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta rocha construirei a minha congregação, e os portões do Hades não a vencerão. Eu te darei as chaves do reino dos céus, e tudo o que amarrares na terra, será a coisa amarrada nos céus, e tudo o que soltares na terra, será a coisa solta nos céus.’” — Mateus 16:16-19.

      6. O que mostra que Pedro não interpretou mal as palavras de Jesus sobre a “rocha”, e quem era a “rocha”, segundo Paulo?

      6 Em vista deste elogio dado a Pedro, é evidente que ele era um dos ensinados por Jeová, que havia aprendido Dele. Por isso se sentiu atraído a Jesus e se chegou a este como sendo o Messias ou Cristo. O nome de Pedro significa “pedra” ou “pedaço de rocha”. Mas isso não quer dizer que ele era aquela “rocha” sobre a qual Jesus construiria a sua congregação. Tampouco a confissão feita por Pedro era essa “rocha”: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente.” A “rocha” era o próprio Jesus. Pedro não interpretou mal as palavras de Jesus. Nem afirmou ser a “rocha” (em grego: petra) no sentido de 1 Pedro 2:4-10. Além disso, o apóstolo Paulo, cujos escritos Pedro reconheceu como fazendo parte das Escrituras inspiradas, escreveu: “Porque [os israelitas no ermo] costumavam beber da rocha espiritual que os seguia, e essa rocha significava o Cristo.” — 1 Coríntios 10:4; 2 Pedro 3:15, 16.

      7, 8. (a) O que pensavam erroneamente os apóstolos sobre o que havia de ser o Messias? (b) A quem seriam dadas as “chaves” do reino dos céus, mas sobre quem havia de ser construída a congregação?

      7 Quando Jesus falou aos seus apóstolos sobre o reino, eles pensavam num reino baseado no governo que teria por capital Jerusalém, onde o Rei Davi havia governado. Esperavam que o Messias estabelecesse o seu governo em Jerusalém, como sucessor do Rei Davi. Como evidência de que esta era sua idéia, disseram a Jesus, após a ressurreição deste dentre os mortos: “Senhor, é neste tempo que restabeleces o reino a Israel?” (Atos 1:6) Na ocasião, antes do dia festivo de Pentecostes de 33 E. C., eles não entendiam que o reino do ressuscitado Cristo havia de ser um reino sobre-humano, governando muito mais do que apenas a nação terrestre de Israel. Em vista disso, era bastante apropriado que Jesus, depois de Pedro o confessar como sendo o Cristo, suscitasse a questão do “reino dos céus”.

      8 Ele deu a Pedro as “chaves” do mesmo. (Mateus 16:19) Ainda assim, a congregação havia de ser construída por Jesus Cristo sobre a “rocha” régia, o rei messiânico. E assim como os “portões do Hades” não venceriam a “rocha” de alicerce, mas Jesus Cristo seria ressuscitado no terceiro dia, assim esses “portões do Hades” tampouco venceriam a congregação do Messias. Esta também tinha de ressuscitar dentre os mortos.

      O AJUDADOR INVISÍVEL DA CONGREGAÇÃO

      9. Para formar o que, seriam os seguidores de Cristo reunidos, contudo, o que mais seriam também, assim como o antigo Israel?

      9 Dessemelhante dos apóstolos de Cristo, a nação de Israel permaneceu confusa quanto a quem Jesus era no propósito de Jeová. Por isso, os israelitas individuais que o aceitaram como Messias ou Cristo foram reunidos para formar uma nova nação. Esta nação seria uma congregação, assim como havia sido o antigo Israel. Seria uma congregação de proclamadores do rei messiânico e do seu reino!

      10. Em 1 Pedro 2:8-10, como salientou Pedro este fato notável, e o que está incluído nas “excelências” que haviam de ser divulgadas?

      10 Este fato notável foi aprendido pelo apóstolo Pedro, como um dos “ensinados por Jeová”. Uma das últimas coisas que escreveu a concrentes continha as seguintes palavras: “[Os israelitas incrédulos] foram também designados para este mesmo fim. Mas vós sois ‘raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo para propriedade especial, para que divulgueis as excelências’ daquele que vos chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz.” (1 Pedro 2:8-10) As “excelências” daquele Maravilhoso incluiriam a sua capacidade de cumprir seu propósito a respeito do Messias, apesar de todo o antagonismo daqueles que rejeitavam seu Filho como o Messias. “Seu povo para propriedade especial” está obrigado a louvar a Jeová pelo seu reino messiânico. — Isaías 43:21.

      11, 12. Por que prometeu Jesus enviar a seus discípulos um “ajudador”, e o que disse Jesus sobre o ajudador?

      11 A nova “nação santa” não podia cumprir tal obrigação na sua própria força, no meio dum mundo hostil. Sabendo disso, Jesus disse aos seus apóstolos fiéis, antes de ele ser levado deles, preso, pelos seus inimigos: “Não vos deixarei orfanados. . . . Mas o ajudador, o espírito santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar todas as coisas que eu vos disse.” Também: “Quando chegar o ajudador que eu vos enviarei do Pai, o espírito da verdade, que procede do Pai, esse dará testemunho de mim; e vós, igualmente, haveis de dar testemunho, porque estivestes comigo desde que comecei.” — João 14:18, 26; 15:26, 27.

      12 Jesus acrescentou também: “Se eu não for embora, de modo algum virá a vós o ajudador; mas, se eu for embora, vo-lo enviarei . . . quando esse chegar, o espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade, pois não falará de seu próprio impulso, mas falará as coisas que ouvir e vos declarará as coisas vindouras. Esse me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo declarará. Todas as coisas que meu Pai tem são minhas. É por isso que eu disse que recebe do que é meu e o declara a vós.” — João 16:7, 13-15.

      A CHEGADA DO “AJUDADOR”, O ESPÍRITO SANTO

      13. Em nome de quem seria concedido o prometido “ajudador” e isso aos que cressem no nome de quem?

      13 Um pouco menos de quinhentos anos antes de Jesus Cristo fazer esta promessa aos seus apóstolos, o Governador Neemias, em Jerusalém, registrou a seguinte oração a respeito dos tratos de Deus com os israelitas: “Tu foste indulgente para com eles por muitos anos e continuaste a testificar contra eles por teu espírito, por intermédio dos teus profetas.” (Neemias 9:30) E então, durante a ausência física de Jesus, o Messias, longe dos seus discípulos, esse mesmo espírito de Jeová Deus viria em auxílio deles. Ser-lhes-ia concedido apenas em nome de Jesus. Seria concedido apenas àqueles que cressem que o nome do verdadeiro Messias era Jesus. Quando foi concedido pela primeira vez?

      14, 15. (a) Jesus culminou seus quarenta dias após a sua ressurreição por prometer aos seus discípulos que coisa diferente do batismo de João? (b) Que pergunta haveria sobre este prometido batismo?

      14 Durante quarenta dias após a sua ressurreição dentre os mortos, no domingo, 16 de nisã de 33 E. C., Jesus permaneceu aqui na terra, mas de modo invisível. Ocasionalmente, fez o que santos anjos haviam feito na antiguidade, materializar-se em forma humana, a fim de fornecer aos seus discípulos a prova de que realmente havia ressuscitado dentre os mortos, mas como espírito. Nessas ocasiões, em que lhes apareceu, continuou “contando as coisas a respeito do reino de Deus”. (Atos 1:1-3) Alguns dos apóstolos haviam sido discípulos de João Batista. E então, no quadragésimo dia, o dia de sua ascensão ao céu, Jesus Cristo deu grandes expectativas aos seus discípulos, quando lhes disse: “João, deveras, batizou com água, mas vós sereis batizados em espírito santo, não muitos dias depois disso.” (Atos 1:4, 5) O batismo de João, de judeus arrependidos, havia sido em símbolo de seu arrependimento pelos pecados que cometeram contra a lei de Deus, dada por intermédio de Moisés.

      15 Esse batismo em água pode ter-lhes dado o senso de alívio, junto com uma boa consciência. Mas, qual seria o efeito sobre os discípulos de Jesus quando fossem “batizados [imersos] em espírito santo”? Isso deveria ativá-los, porque o espírito santo de Deus é a sua santa força ativa, invisível. — Mateus 3:11.

      16. Segundo as palavras de Jesus em Atos 1:6-8, para fazer o que os ativaria o espírito santo?

      16 Na sua chegada, para que ativaria o espírito santo de Deus aqueles que o recebessem? Pouco antes de sua ascensão ao céu, Jesus disse aos seus discípulos: “Ao chegar sobre vós o espírito santo, recebereis poder e sereis testemunhas de mim tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até à parte mais distante da terra.” (Atos 1:6-8) Estas palavras contêm a resposta à nossa pergunta: Ativaria aqueles que recebessem espírito santo para dar um testemunho mundial do fato de que Jesus é o Messias, o Cristo.

      17. No qüinquagésimo dia após a sua ressurreição, em que circunstâncias cumpriu-se a promessa de Jesus aos seus discípulos?

      17 Jesus Cristo ascendeu ao céu. Passaram-se dez dias. Chegou o qüinquagésimo dia após a sua ressurreição! Em Jerusalém, estava em andamento o dia da festividade judaica das Semanas, ou Pentecostes (significando “Qüinquagésimo”, quando aplicado a um dia). De manhã cedo, cerca de cento e vinte discípulos reuniram-se, não no templo festivo, mas num sobrado, esperando. “Repentinamente, ocorreu do céu um ruído, bem semelhante ao duma forte brisa impetuosa, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E línguas, como que de fogo, tornaram-se-lhes visíveis e se distribuíram, e sobre cada um deles assentou-se uma, e todos eles ficaram cheios de espírito santo e principiaram a falar em línguas diferentes, assim como o espírito lhes concedia fazer pronunciação.” — Atos 2:1-4.

      18, 19. Conforme explicado por Pedro, que profecia começou a cumprir-se naquele dia de Pentecostes, e quanto tempo depois de ser proferida?

      18 Ah! por fim, depois de mais de oitocentos anos após o seu proferimento, começou a cumprir-se a profecia de Joel 2:28-32. Judeus espantados afluíram para observar o fenômeno. Alguns acusaram os discípulos de estar embriagados. O apóstolo Pedro disse-lhes destemidamente:

      19 “Ao contrário, isto é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: “‘E nos últimos dias”, diz Deus, “derramarei do meu espírito sobre toda sorte de carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, e os vossos jovens terão visões e os vossos anciãos terão sonhos; e até mesmo sobre os meus escravos e sobre as minhas escravas derramarei naqueles dias do meu espírito, e eles profetizarão. E darei portentos em cima no céu e sinais em baixo na terra: sangue, e fogo, e fumaça brumosa; o sol será transformado em escuridão e a lua em sangue, antes de chegar o grande e ilustre dia de Jeová. E todo aquele que invocar o nome de Jeová será salvo.”’” — Atos 2:16-21.

      20. Que batismo ocorreu ali, e a quem identificou Pedro como sendo aquele que foi usado para batizar?

      20 Estava acontecendo batismo em espírito santo, assim como Jesus prometera. Dizer-se que o espírito estava sendo ‘derramado’ harmoniza-se com o fato de que é como um elemento fluídico para batismo ou imersão. Lembramo-nos de que Deus deu a João Batista o sinal a respeito de Jesus, para mostrar que “este é quem batiza em espírito santo”. (João 1:33) Fiel a este fato, o apóstolo Pedro identificou o glorificado Jesus Cristo como sendo o agente de Deus no derramamento do espírito santo sobre estes primeiros cristãos. Pedro disse mais àqueles celebrantes judaicos de Pentecostes: “A este Jesus, Deus ressuscitou, fato de que todos nós somos testemunhas. Portanto, visto que ele foi enaltecido à direita de Deus e recebeu do Pai o prometido espírito santo, derramou isto que vedes e ouvis.” — Atos 2:32, 33.

      21. Como podia Pedro dizer que eles viam e ouviam aquilo que o glorificado Jesus havia derramado?

      21 Eles viram e ouviram a operação de espírito santo, por verem as línguas, como que de fogo, sobre as cabeças dos discípulos e ouvirem os idiomas estrangeiros milagrosamente falados pelos discípulos.

      22. O que mais ocorreu com os discípulos, correspondendo ao que ocorreu com Jesus após o seu batismo em água?

      22 No entanto, naquele dia de Pentecostes, ocorreu mais do que apenas o batismo dos discípulos de Jesus em espírito santo. Também ocorreu a unção deles com espírito santo. Assim como Jesus foi ungido com espírito santo após o seu batismo em água, tornando-se com isso Cristo ou Ungido, assim se deu também com seus discípulos. Eles foram ungidos com aquilo em que foram batizados.

      23. Também, com que foram selados os discípulos, conforme explicou Paulo em 2 Coríntios 1:21, 22?

      23 Além disso, foram selados com aquele espírito, em penhor de sua vindoura herança celestial. Isto concorda com o que o apóstolo Paulo disse à congregação cristã, na antiga Corinto, na Grécia: “Quem garante que vós e nós pertencemos a Cristo e quem nos ungiu é Deus. Ele pôs também o seu selo sobre nós e nos deu o penhor daquilo que há de vir, isto é, o espírito, em nossos corações.” — 2 Coríntios 1:21, 22.

      24. O que escreveu mais tarde o apóstolo João sobre a unção, em 1 João 2:20, 27?

      24 O apóstolo João, que estava presente naquele derramamento pentecostal de espírito santo, entendeu o que havia ocorrido. De modo que escreveu o seguinte a concrentes: “Vós tendes uma unção do santo; todos vós tendes conhecimento. E, quanto a vós, a unção que recebestes dele permanece em vós, e não necessitais de que alguém vos ensine; mas, como a unção da parte dele vos ensina todas as coisas, e é verdadeira e não é mentira, e assim como vos tem ensinado, permanecei em união com ele.” — 1 João 2:20, 27.

      GERAÇÃO POR ESPÍRITO SANTO

      25. Para que o cristão batizado tivesse em vista uma herança celestial, que operação de espírito santo teria de sofrer?

      25 Há ainda outro aspecto desta operação da força ativa de Deus. Jesus indicou isso ao dizer: “A menos que alguém nasça de novo, não pode ver o reino de Deus.” (João 3:3, 5) O cristão que visa a herança celestial precisa imitar seu Amo Jesus, por ser batizado em água. Deste modo, ele simboliza a dedicação de si mesmo a Jeová Deus, para fazer a vontade divina. (Mateus 28:19, 20) Mas, precisa haver também uma operação de espírito santo sobre ele. Por quê? Porque, conforme escreveu o apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 15:50, “carne e sangue não podem herdar o reino de Deus, nem pode a corrução herdar a incorrução”.

      26. Depois de escrever sobre a unção, o apóstolo João falou sobre que relação dos ungidos com Deus?

      26 Se os discípulos hão de ser candidatos à entrada no reino celestial de Deus, precisam “nascer de novo” e assim tornar-se filhos espirituais de Deus. Como no próprio caso de Jesus, é o filho espiritual de Deus quem é ungido com espírito santo. Isto explica por que o ungido apóstolo João, depois de falar sobre a unção, em 1 João 3:1-3, passa a dizer:

      “Vede que sorte de amor o Pai nos tem dado, para que fôssemos chamados filhos de Deus, e nós somos tais. É por isso que o mundo não tem conhecimento de nós, porque não chegou a conhecê-lo. Amados, agora somos filhos de Deus, mas, ainda não está manifesto o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele for manifestado, seremos semelhantes a ele porque o veremos assim como ele é. E todo aquele que tem esta esperança nele purifica-se assim como esse é puro.”

      27. Como se mostra em João 1:11-13 que os pais humanos não têm nada que ver com o “nascer de novo” do cristão?

      27 Os pais humanos não têm nada que ver com alguém “nascer de novo”. Ele tem de aceitar Jesus como o Messias por convicção própria e tem de segui-lo como aquele que foi ungido por Deus para ser Rei no reino messiânico, celestial. Depois cabe à vontade de Deus gerar a tal com espírito santo, como seguidor de Cristo, ou a não gerá-lo. Não são os pais humanos, mas Deus, quem gera filhos para o céu. Isto é o que o apóstolo João diz. As seguintes são as palavras de João: Jesus Cristo, na sua vinda à nação judaica, há dezenove séculos, “veio ao seu próprio lar, mas os seus não o acolheram. No entanto, a tantos quantos o receberam, a estes deu autoridade para se tornarem filhos de Deus, porque exerciam fé no seu nome; e nasceram, não do sangue, nem da vontade carnal, nem da vontade do homem, mas de Deus”. (João 1:11-13) Pela geração por Deus tornam-se seus filhos espirituais. Ele não os gera no ventre de alguma mãe.

      “UMA NOVA CRIAÇÃO”

      28. Quem é que decide que haverá filhos espirituais de Deus, e como são estes, em certo sentido, “primícias das suas criaturas”?

      28 Não decidem os próprios pais humanos ter filhos de sua própria carne e sangue? Sim! Do mesmo modo, também, Deus decide a quem ele gera para ser seu filho espiritual, com herança celestial. “Porque ele o quis, ele nos produziu pela palavra da verdade, para que fôssemos certas primícias das suas criaturas.” Assim escreveu o discípulo Tiago a cristãos que ele chamou de “doze tribos que estão espalhadas”. (Tiago 1:1, 18) Na agricultura, as “primícias” das novas safras eram tiradas e dedicadas a Deus, como algo santo e algo que lhe era devido. Então, quem são as primícias espirituais? Aqueles que o Pai celestial gera segundo a sua própria vontade e por meio da “palavra de verdade”. A estes ele tira dentre a família humana para ser uma classe celestial do Reino.

      29. O que mostra 1 Pedro 1:3, 4, que se requer do cristão para ele poder entrar no reino celestial?

      29 O apóstolo cristão Pedro escreveu à mesma classe de “primícias”: “Recebestes um novo nascimento, não por semente reprodutiva corrutível, mas por incorrutível, por intermédio da palavra do Deus vivente e permanecente.” (1 Pedro 1:23) O “novo nascimento”, ou “nascer de novo”, é exigido para que o cristão entre finalmente no reino celestial. Por isso escreveu Pedro: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, pois, segundo a sua grande misericórdia, ele nos deu um novo nascimento para uma esperança viva por intermédio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorrutível, e imaculada, e imarcescível. Ela está reservada nos céus para vós.” — 1 Pedro 1:3, 4; veja também 1 João 3:9.

      30, 31. (a) Os que receberam “a adoção como filhos” fazem que clamor a Deus? (b) Em que pacto estão aqueles que têm tal adoção e que espécie de nação constituem?

      30 O apóstolo Paulo escreveu aos cristãos na província romana da Galácia, que haviam recebido “a adoção como filhos”: “Ora, visto que sois filhos, Deus enviou o espírito do seu Filho aos nossos corações, e ele clama: ‘Aba, Pai!’ De modo que não és mais escravo, mas filho; e, se filho, também herdeiro por intermédio de Deus.” — Gálatas 4:5-7.

      31 Os judeus cristianizados, assim como o próprio Paulo, não eram mais escravos sob o pacto da Lei, mediado pelo profeta Moisés. Já eram filhos espirituais de Deus e estavam no “novo pacto” mediado por Jesus Cristo, que era Profeta maior do que Moisés. Este novo pacto produz o que o antigo pacto da Lei mosaica deixou de produzir, a saber, “um reino de sacerdotes e uma nação santa”. (Êxodo 19:5, 6; Hebreus 8:6-13; 1 Timóteo 2:5, 6) A “nação santa” que está no novo pacto, portanto, é um Israel espiritual, composto de cristãos que são judeus ou israelitas no íntimo. Estes foram circuncidados no coração, em vez de externamente, na carne. Isso é o que lemos em Romanos 2:28, 29.

      32. De acordo com 2 Coríntios 5:16-18, por que não conhecemos a nenhum cristão segundo a carne, nem mesmo o próprio Cristo?

      32 Em face de todos estes novos aspectos relacionados com os filhos espirituais de Deus, ficamos surpresos de que o apóstolo Paulo fale sobre uma “nova criação”? Não! É apenas lógico que faça isso. Argumentando que Jesus Cristo havia sido ressuscitado dentre os mortos como Filho espiritual e celestial de Deus, o apóstolo Paulo diz: “Por conseguinte, doravante não conhecemos mais a nenhum homem [cristão] segundo a carne. Embora tenhamos conhecido a Cristo segundo a carne, certamente agora não o conhecemos mais assim. Conseqüentemente, se alguém estiver em união com Cristo, ele é uma nova criação; as coisas antigas passaram, eis que novas coisas vieram à existência. Mas, todas as coisas são de Deus.” — 2 Coríntios 5:16-18.

      33. É necessária a circuncisão da carne para se obter entrada no reino celestial, ou, se não for, então o que é necessário?

      33 Em vista de tudo isso, segue-se que a circuncisão carnal de alguém, como descendente do patriarca Abraão ou como judeu natural, não é requisito para obtermos a salvação por meio do Messias, o Cristo. No caso daqueles que esperam ir para o céu, o que é realmente necessário? O inspirado apóstolo Paulo responde com estas palavras francas: “Nem a circuncisão é alguma coisa nem a incircuncisão, mas sim uma nova criação. E todos os que andarem ordeiramente segundo esta regra de conduta, sobre estes haja paz e misericórdia, sim, sobre o Israel de Deus.” (Gálatas 6:15, 16) Todo este “Israel de Deus” é uma “nova criação”.

      34. O que fez a congregação de Antioquia para resolver a disputa sobre se a circuncisão carnal era necessária ou não para a salvação eterna?

      34 Atualmente, alguns dos que têm a circuncisão carnal talvez disputem estas palavras do inspirado apóstolo Paulo, que era judeu cristianizado. Mas, mesmo dezesseis anos depois da morte, ressurreição e ascensão de Jesus Cristo, havia alguns que argumentavam a favor da circuncisão carnal, como necessária para a salvação eterna. Isto aconteceu em Antioquia, na Síria, onde os discípulos de Cristo foram pela primeira vez chamados cristãos. (Atos 11:26) O que aconteceu então? A congregação de Antioquia enviou Paulo e seu companheiro missionário Barnabé, bem como outros, para que “subissem até os apóstolos e [anciãos] em Jerusalém, com respeito a esta disputa”. (Atos 15:1, 2) De modo que houve um conselho dos apóstolos e anciãos da congregação de Jerusalém, a fim de fazerem uma decisão quanto a se os crentes não-judaicos em Cristo precisavam ser circuncidados externamente na carne, ou não.

      35. O que teve o espírito santo que ver com a emissão do decreto pelo Conselho de Jerusalém, e o que dizia este decreto?

      35 Por fim, depois de muita discussão e apresentação de evidência relacionada com o caso, o discípulo Tiago apelou para as palavras pertinentes de Amós 9:11, 12, que haviam sido inspiradas pelo espírito santo de Deus e que já estavam em cumprimento, sob a orientação do espírito santo. Tornava-se claro que a orientação do espírito santo de Deus era que a circuncisão externa, na carne, não era necessária para os crentes gentios que haviam sido tirados das nações, para o nome de Jeová. Sem dúvida, o espírito santo de Deus suscitou na mente de Tiago este texto decisivo e também o orientou na recomendação dos pontos destacados a serem abrangidos na resolução a ser emitida pelo Conselho de Jerusalém. É assim que rezava o decreto do Conselho:

      “Pareceu bem ao espírito santo e a nós mesmos não vos acrescentar nenhum fardo adicional, exceto as seguintes coisas necessárias: de vos absterdes de coisas sacrificadas a ídolos, e de sangue, e de coisas estranguladas, e de fornicação. Se vos guardardes cuidadosamente destas coisas, prosperareis. Boa saúde para vós!” (Atos 15:3-29; 21:25)

      De modo que foi decidido que o necessário para os cristãos obterem uma herança celestial não era a circuncisão externa da carne, mas ser a pessoa uma “nova criação”.

      36. Que comissão deve cumprir a congregação gerada pelo espírito, em vista de sua unção, e o que lhe ensina Jeová neste respeito?

      36 Lá no primeiro século E. C., os crentes cristãos alegraram-se com esta decisão do Conselho de Jerusalém. Nós mesmos, hoje, ainda nos podemos alegrar com a mesma decisão inspirada. Em vista das Escrituras Sagradas, reconhecemos que a congregação cristã, gerada pelo espírito, como “nova criação”, é ungida com o espírito de Jeová, assim como o Principal desta congregação, Jesus Cristo. Por isso, cabe agora a esta congregação fazer aquilo para que esta unção a comissiona, a saber, “anunciar boas novas aos mansos”. O próprio Jesus Cristo não se esquivou da obrigação de fazer isso, mas proveu o modelo para todos os seus seguidores. (Isaías 61:1-3) Como filhos espirituais de Deus, são ensinados por Jeová sobre o que devem anunciar como “boas novas” da parte Dele. (Isaías 54:13) Por meio do exemplo fiel e pelas palavras de seu Filho, Jesus Cristo, Jeová ensina a congregação cristã que as novas que salvam vidas, a serem anunciadas em toda a parte, são as boas novas do reino messiânico de Deus.

  • A “nova criação” entra em ação!
    Espírito Santo — A Força por Detrás da Vindoura Nova Ordem!
    • Capítulo 7

      A “nova criação” entra em ação!

      1, 2. (a) Que criação, de há menos de dois mil anos, foi mais maravilhosa do que a do homem e da mulher? (b) Segundo as palavras de Jesus em Lucas 24:46-48 e Atos 1:8, qual era o objetivo da unção da “nova criação”?

      A CRIAÇÃO do primeiro homem e da primeira mulher, por volta de seis mil anos atrás, foi algo maravilhoso. (Gênesis 1:26-28) O nascimento duma “nova nação”, há menos de dois mil anos, foi ainda mais maravilhoso, ainda mais significativo, para toda a humanidade. Este nascimento ocorreu no dia de Pentecostes de 33 E. C., com o nascimento da congregação dos discípulos de Cristo, todos eles ungidos com espírito santo de Deus, para a proclamação de Seu reino messiânico.

      2 Menos de duas semanas antes daquele dia histórico de Pentecostes, o ressuscitado Jesus Cristo dissera aos seus discípulos:

      “Assim está escrito que o Cristo havia de sofrer e de ser levantado dentre os mortos no terceiro dia, e que, à base do seu nome, se havia de pregar arrependimento para o perdão de pecados, em todas as nações — principiando por Jerusalém, haveis de ser testemunhas destas coisas.” (Lucas 24:46-48) “Ao chegar sobre vós o espírito santo, recebereis poder e sereis testemunhas de mim tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até à parte mais distante da terra.” — Atos 1:8.

      3. Quão grande era aquela designação de território e quando começaram os discípulos a dar testemunho nele, partindo de onde?

      3 Poderia haver uma designação de território maior do que esta, para dar testemunho? Ela era global. Como se abrangeria todo este território com o testemunho messiânico? Isso exigiria tempo, sim, persistência e esforço corajoso. Contudo, assim que chegou sobre eles o prometido espírito santo, no dia de Pentecostes, eles entraram em ação como testemunhas perante outros, primeiro em Jerusalém.

      4. Como passaram a acontecer as coisas no dia de Pentecostes exatamente como predito em Joel 2:28, 29?

      4 Aconteceu exatamente assim como Joel 2:28, 29, predissera: os discípulos, cheios de espírito, começaram a profetizar, milagrosamente, até mesmo em línguas estrangeiras! Milhares de judeus, que estavam em Jerusalém para celebrar a festividade de Pentecostes, ajuntaram-se para presenciar o espetáculo. Ouviram a pequena congregação de discípulos de Cristo “falar”, como disseram, “em nossas línguas sobre as coisas magnificas de Deus”. — Atos 2:11.

      5. Como usou Pedro a primeira das duas “chaves do reino dos céus” naquele dia de Pentecostes?

      5 A fim de explicar o que estava acontecendo, o apóstolo Pedro usou a primeira das “chaves do reino dos céus” por tomar a dianteira em falar à multidão indagadora. (Mateus 16:19) Deu testemunho de Jesus, como sendo o Messias, aquele que fora rejeitado e morto pelos líderes judaicos, mas ressuscitado no terceiro dia e então já glorificado à mão direita de Deus. Os judeus cheios de remorsos perguntaram então: “Irmãos, o que havemos de fazer?” A resposta de Pedro foi: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado no nome de Jesus Cristo, para o perdão de vossos pecados, e recebereis a dádiva gratuita do espírito santo. Porque a promessa [de Joel 2:28, 29] é para vós e para os vossos filhos, e para todos os que estão longe, tantos quantos Jeová, nosso Deus, chamar a si.” — Atos 2:14-39.

      6. O que aconteceu com os judeus arrependidos que foram batizados, e de que foram salvos?

      6 Aqueles que aceitaram a Jesus como o Messias ou Cristo obedientemente foram batizados em água. De modo que, naquele único dia, foram acrescentadas três mil almas. O glorificado Jesus Cristo batizou-os com espírito santo e eles nasceram de novo como filhos espirituais de Deus. Foram transferidos do pacto da Lei mosaica para o novo pacto, mediado por Jesus Cristo. Desta maneira, acataram a exortação urgente de Pedro, de serem “salvos desta geração pervertida”. Por procederem assim, escaparam de ser batizados com fogo, na destruição de Jerusalém, no ano 70 E. C., pelas mãos dos sitiantes romanos, sob o General Tito. — Atos 2:40; Lucas 3:16, 17.

      7. Em que sentido deviam os ungidos imitar Jesus Cristo e que caminho foi aberto para os crentes pela execução da obra que ele predisse?

      7 Daquele dia de Pentecostes em diante, a unção com espírito santo veio sobre cada vez mais crentes em Jesus, como sendo o Messias. O que deviam fazer então? Como ungidos, tinham a obrigação de imitar o exemplo de Jesus Cristo. O que fez ele depois de sua unção junto ao rio Jordão? Percorreu o país e pregou o reino de Deus. (Mateus 4:12-17) A pregação do reino de Deus não acabaria com a sua morte. Poucos dias antes de seu martírio em Jerusalém, ele predisse a destruição daquela cidade, pelos romanos, mas disse que, mesmo já antes daquela calamidade nacional, “estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações”. (Mateus 24:14-22) Com a chegada de Pentecostes, acompanhado pela sua unção com espírito santo, os ungidos não perderam tempo para começar a trabalhar! Esta pregação do Reino abriu o caminho para os crentes se tornarem co-herdeiros de Jesus Cristo no seu reino celestial.

      8. Como foi a pregação do Reino levada aos samaritanos, e com que resultado?

      8 Irrompeu uma perseguição violenta. Os discípulos foram espalhados de Jerusalém. Mas esta dispersão da congregação apenas serviu para a ampliação da proclamação do Reino. Como predito, o testemunho foi levado à província de Samaria. Obrigado a sair de Jerusalém, o discípulo Filipe voltou sua atenção para os samaritanos. “Quando acreditaram em Filipe, que estava declarando as boas novas do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, passaram a ser batizados, tanto homens como mulheres.” Mais tarde, numa visita de Pedro e João a Samaria, os samaritanos batizados receberam o espírito santo por meio dos apóstolos. — Atos 8:1-17.

      9. (a) Que conversão inesperada ocorreu então entre os judeus? (b) Como usou Pedro a segunda das duas “chaves do reino dos céus”?

      9 De repente, milagre dos milagres! O líder dos perseguidores tornou-se cristão. Saulo de Tarso foi convertido ao cristianismo. Ele se tornou um dos principais proclamadores do reino de Deus, nas mãos de Jesus, o Messias. (Atos 9:1-30) Seu nome anterior, Saulo, foi abandonado, e ele se tornou conhecido como o apóstolo Paulo. Depois desta notável conversão, houve uma destacada conversão de outra espécie. Foi a conversão do primeiro gentio, ou não-judeu, incircunciso. Isto aconteceu quando o espírito santo orientou o apóstolo Pedro a usar a segunda das duas “chaves do reino dos céus”. (Mateus 16:19) Pedro fez isso por pregar no lar do centurião italiano Cornélio, em Cesaréia. Lemos, em Atos 10:44-48:

      “Enquanto Pedro ainda falava sobre estes assuntos, caiu o espírito santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que tinham vindo com Pedro que eram dos circuncisos, ficaram pasmados, porque a dádiva gratuita do espírito santo estava sendo derramada também sobre pessoas das nações. Pois, ouviam-nos falar em línguas e glorificar a Deus. Pedro respondeu então: ‘Pode alguém proibir a água, de modo que estes não sejam batizados, sendo que receberam o espírito santo assim como nós?’ Com isso mandou que fossem batizados no nome de Jesus Cristo.”

      10, 11. (a) Começando com o lar de Cornélio, até onde se estendeu a pregação do Reino e em benefício de quem? (b) Embora fosse Pedro quem abriu o caminho para o mundo gentio, como e por que foi ultrapassado por Paulo?

      10 Do lar do centurião gentio Cornélio espalhou-se a pregação das boas novas “até à parte mais distante da terra”. Isto se deu em benefício dos gentios, tanto quanto dos judeus naturais.

      11 Embora Pedro abrisse o caminho para o mundo gentio, foi o apóstolo Paulo que ultrapassou todos os outros na pregação da Palavra de Deus a gentios incircuncisos, nos seus dias. Ele não se envergonhava de se chamar “apóstolo para as nações” gentias. Não minimizava este fato. Glorificava este seu ministério e por isso se empenhava arduamente nele. — Romanos 11:13.

      12. Até que ponto distante queria Paulo ir pregar, mas até onde chegou ele naquela direção e o que fez ali?

      12 Paulo quis levar as boas novas até mesmo à Espanha, mas a última coisa que ouvimos dele é sua detenção em Roma, na Itália. Lemos a respeito da primeira prisão de Paulo e de sua detenção na sua própria casa alugada em Roma: “Permaneceu assim por dois anos inteiros na sua própria casa alugada e recebia benevolamente a todos os que vinham vê-lo, pregando-lhes o reino de Deus e ensinando com a maior franqueza no falar as coisas concernentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento.” — Atos 28:30, 31; Romanos 15:24, 28.

      TESTEMUNHO EM TODA A CRIAÇÃO, ANTES DE 70 E.C.

      13. O que podia Paulo escrever aos cristãos em Colossos, já por volta de 60-61 E. C., por eles terem agido segundo a sua unção?

      13 Muitos foram os cristãos que imitaram o apóstolo Paulo e outros apóstolos na pregação das boas novas do reino messiânico. A congregação gerada pelo espírito, como “nova criação”, foi ungida para fazer tal pregação. (Isaías 61:1-3; 2 Coríntios 1:21, 22) Os membros dela ficaram cheios de zelo e mantiveram-se ativos na divulgação das melhores novas na terra, a tantos quantos foi possível. Não é de admirar-se, pois, que, por volta dos anos 60-61 E. C., ou alguns anos antes de os romanos destruírem Jerusalém e seu suntuoso templo em 70 E. C., o apóstolo Paulo pudesse escrever de sua casa de detenção, em Roma, aos cristãos em Colossos, na Ásia Menor, e dizer, já naquele tempo: “[Aquelas] boas novas . . . foram pregadas em toda a criação debaixo do céu. Destas boas novas eu, Paulo, tornei-me ministro.” — Colossenses 1:23.

      14. As realizações daquela congregação do primeiro século servem de exemplo para quem, hoje em dia, em vista de que obrigação que esses têm?

      14 Esta proclamação do reino messiânico de Deus, em toda a criação, pela congregação dos discípulos ungidos de Cristo, no primeiro século, serve de exemplo notável para a congregação ungida no nosso século vinte. Esta congregação gerada pelo espírito, como “nova criação” de Deus, precisa terminar o testemunho mundial do reino estabelecido de Deus, antes de a “grande tribulação” sobrevir a todo o mundo e a cristandade hipócrita ser batizada com fogo, na sua destruição junto com todo o resto deste sistema iníquo de coisas. — Mateus 24:14-22; Marcos 13:10.

      TESTEMUNHO DO ESPÍRITO A RESPEITO DA FILIAÇÃO

      15. O que escreveu Paulo à congregação de Roma sobre o testemunho do espírito, e que pergunta surge agora sobre aqueles que esperam ir para o céu?

      15 Lá no primeiro século E. C., os escritores cristãos da Bíblia e seus condiscípulos não tinham dúvida sobre a sua relação com Deus e sua responsabilidade para com Ele. Estavam realmente convictos de que eram filhos espirituais de Deus e que tinham em vista uma herança celestial. De modo que o apóstolo Paulo, antes de chegar a Roma, podia escrever, sem qualquer incerteza, à congregação que havia ali e dizer as seguintes palavras confiantes: “Recebestes um espírito de adoção, como filhos, espírito pelo qual clamamos: ‘Aba, Pai!’ O próprio espírito dá testemunho com o nosso espírito de que somos filhos de Deus. Então, se somos filhos, somos também herdeiros: deveras, herdeiros de Deus, mas co-herdeiros de Cristo, desde que soframos juntamente, para que também sejamos glorificados juntamente.” (Romanos 8:15-17) Hoje em dia, quem, daqueles que dizem esperar ir para o céu, tem tal testemunho do espírito de Deus com o seu próprio espírito?

      16. Que espécie de interação havia entre o espírito de Deus e o espírito da congregação cristã do primeiro século?

      16 Certamente, o espírito de Deus não daria tal testemunho a um professo cristão que na realidade não é herdeiro de Deus e co-herdeiro de Jesus Cristo. Para cada ação há uma reação correspondente. A reação pode ser favorável ou desfavorável, negativa. Em Romanos 8:15-17, o apóstolo Paulo fala sobre uma reação favorável. Descreve uma interação harmoniosa entre o espírito de Deus e o espírito do verdadeiro filho espiritual de Deus. Pois bem, como é que o espírito de Deus deu testemunho com o espírito dos membros da congregação cristã do primeiro século, aquela “nova criação”?

      17. (a) Contestou a congregação do primeiro século o testemunho que o espírito santo lhes deu por meio de seus servos inspirados? (b) Portanto, como encarou a congregação de Tessalônica a mensagem apresentada por Paulo?

      17 Se o espírito de Deus nos dá testemunho sobre a nossa identidade cristã e nossa relação com Deus e suas provisões para nós, então devemos concordar com este espírito e não contestá-lo. Portanto, quando os cristãos do primeiro século recebiam uma carta dum apóstolo ou discípulo inspirado de Cristo, para ser lida à congregação de que eram membros batizados, aceitavam o que a carta lhes dizia, sobre sua situação, suas obrigações e suas esperanças para o futuro, no arranjo de Deus. Reconheciam que o espírito de Deus agia em tais apóstolos e discípulos autorizados e que atuava e escrevia por meio destes instrumentos humanos. Este fato é corroborado pela carta do apóstolo Paulo à congregação cristã de Tessalônica, no primeiro século. Esta reconhecia a verdade dela, quando Paulo escreveu: “Quando recebestes a palavra de Deus, que ouvistes de nós, vós a aceitastes, não como a palavra de homens, mas, pelo que verazmente é, como a palavra de Deus, que também está operando em vós, crentes.” — 1 Tessalonicenses 2:13.

      18. Para serem coerentes, como aceitariam aqueles cristãos tessalonicenses a palavra escrita de Paulo, e, segundo o que Paulo disse, por que haviam sido escolhidos por Deus?

      18 Por isso era coerente que estes crentes aceitassem também a palavra escrita de Paulo como sendo igualmente “a palavra de Deus”. Nesta carta, Paulo escreveu aos crentes tessalonicenses sobre a “escolha” deles por Deus. Por que haviam sido ‘escolhidos’? “Porque as boas novas que pregamos não se apresentaram entre vós apenas em palavra, mas também com poder e com espírito santo, e com forte certeza, assim como sabeis que sorte de homens nos tornamos para vós por vossa causa; e vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, visto que aceitastes a palavra sob muita tribulação, com alegria de espírito santo.” — 1 Tessalonicenses 1:4-6.

      19. A concessão dos dons do espírito por meio dos apóstolos indicou a existência de que relação entre aqueles que os receberam e Deus?

      19 Eles sabiam que Deus, por meio de espírito santo, falara ao seu povo escolhido nos tempos pré-cristãos. De modo similar, no seu próprio primeiro século E. C., Deus podia falar mediante a mesma força ativa por intermédio dos apóstolos inspirados de Jesus Cristo. Além disso, Deus usava aqueles mesmos apóstolos para transmitir aos crentes batizados os diversos dons do espírito santo. O recebimento de tais dons certamente indicou aos que os receberam que eles se tornaram filhos espirituais de Deus. — Atos 8:15-18; 19:2-6.

      20. Como testemunhou o espírito santo à congregação do primeiro século, por meio das cartas dos escritores cristãos da Bíblia que sua relação com Deus era dum tipo específico?

      20 Será que aqueles apóstolos e outros escritores cristãos da Bíblia apresentavam aos crentes batizados uma esperança terrestre, a esperança de se tornarem filhos do Pai Eterno, Jesus Cristo, e viverem para sempre na terra? Não! Apresentaram àqueles a quem pregavam e escreviam a esperança que havia naquele tempo para os gerados como filhos de Deus, os filhos de Jeová. (Isaías 9:6, 7) Nos inspirados escritos cristãos deu-se aos discípulos daqueles dias a certeza de que foram chamados para um reino celestial e que sua esperança era ser co-herdeiros de Jesus Cristo lá em cima. (Colossenses 1:13; 1 Coríntios 1:26-31; 2 Pedro 1:10, 11) Apresentou-se-lhes apenas uma coisa; não foram deixados na incerteza. Deste modo, o espírito santo deu testemunho àqueles discípulos do primeiro século de que eram filhos de Deus, herdeiros de Deus. Isto significava que, ao mesmo tempo, eram co-herdeiros do glorificado Jesus Cristo.

      21. Como reagiu o espírito de tais cristãos do primeiro século em vista do testemunho do espírito de Deus e com que efeito sobre eles?

      21 Seu próprio impulso íntimo, seu próprio espírito, reagiu em harmonia com este testemunho do espírito santo de Deus. O espírito do Pai celestial os animou e fortaleceu como Seus filhos espirituais e herdeiros. Ele não implantou neles um senso de filiação para com seu pai terreno, mas o senso de filiação para com seu Pai celestial, uma filiação espiritual.

      22. (a) Os judeus cristianizados não se consideravam mais sob que pacto e em que condição? (b) Em resposta ao espírito de Deus, como foram os cristãos induzidos pelo seu próprio espírito a demonstrar que eram filhos espirituais de Deus?

      22 Os judeus ou israelitas cristianizados não se consideravam mais escravos sob o antigo pacto da Lei mosaica, ainda à espera do Messias. Sentiam e sabiam que eram filhos espirituais de Deus, a quem adoravam segundo o novo pacto. Seu próprio espírito, a força impelente que emanava de seu coração, induziu-os a reagir em harmonia com as operações do espírito de Deus. Como filhos, clamaram espontaneamente a Deus: “Aba, Pai!” Aplicaram a si mesmos os mandamentos de seu Pai para os filhos espirituais dele. Empreenderam amorosamente as tarefas que ele havia designado aos seus filhos. Aceitaram as promessas celestiais dele para seus filhos espirituais e se esforçaram a se mostrar dignos de seu cumprimento no caso deles. Adotaram a esperança celestial que Ele ofereceu aos seus filhos e se esforçaram a viver segundo esta esperança. Sofreram voluntariamente maus tratos às mãos deste mundo.

      23. Por causa de que esperança estavam dispostos a sofrer junto com Cristo e a morrer na semelhança de sua morte?

      23 Eles sabiam que haviam de tornar-se filhos glorificados de Deus, junto com Jesus Cristo, ‘desde que sofressem juntamente’. (Romanos 8:17) Por isso estavam dispostos a sofrer por viverem em harmonia com sua esperança celestial. Aceitavam o fato de terem de morrer na semelhança do Filho de Deus, Jesus Cristo, a fim de poderem participar na semelhança de sua ressurreição. — Romanos 6:5-8.

      24. (a) O espírito deles juntou-se ao espírito de Deus num testemunho unido de que fato? (b) Suas orações e sua vida harmonizaram-se com que esperança, mesmo até que ponto?

      24 Deste modo, o espírito daqueles filhos espirituais de Deus, do primeiro século, juntou-se ao espírito santo dele no testemunho unido de que eram filhos de Deus, por um segundo nascimento, e com uma herança que os aguardava lá no céu. Por conseguinte, seu próprio espírito agia como força impelente na sua vida, a fim de formular suas orações ao seu Pai celestial em perfeita harmonia com o testemunho que Seu espírito lhes deu, não contrário a ele. Incluíam os textos bíblicos que se referiam à sua herança celestial nas suas orações a Deus. Tais orações iluminavam sua esperança de receber a herança celestial. Por isso viviam, pensavam, falavam e agiam em harmonia com suas orações e sua esperança. Suas orações os fortaleciam para suportar tribulações e perseguições, a fim de obterem uma condição aprovada perante Deus; e sabiam que esta condição aprovada perante Ele fortalece a esperança que nunca será desapontada. Sabiam que, para alcançar a esperança celestial, tinham de mostrar-se ‘fiéis até a morte’. — Romanos 5:3-5; Revelação 2:10.

      25. Por que deve tudo isso servir de guia para o cristão dedicado e batizado em saber qual a sua relação com Deus, especialmente desde o segundo trimestre de 1935 E. C.?

      25 Tudo isso deve servir hoje de orientação para os cristãos dedicados e batizados, para saberem se o espírito de Deus dá testemunho com o seu próprio espírito, de que são Seus filhos espirituais e herdeiros, bem como co-herdeiros de Jesus Cristo no seu reino celestial. Deve ser assim, especialmente desde o segundo trimestre de 1935 E. C. Por que desde então? Porque foi então que se explicou que a “grande multidão” descrita em Revelação 7:9-17 era uma classe terrena, não ‘nascida de novo’. Antes, ela tem diante de si a perspectiva de sobreviver à “grande tribulação” do mundo, que é iminente, e sair dela para a nova ordem justa de Deus, a fim de usufruir ali o paraíso terrestre sob o reino celestial de Jesus Cristo e seus 144.000 co-herdeiros. (Lucas 23:43) Por serem obedientes ao Reino e provarem sua devoção à soberania universal de Jeová Deus na prova final, nunca mais precisarão morrer na carne e extinguir-se da superfície da terra. Pertencem às “outras ovelhas” sobre as quais o Pastor Excelente, Jesus Cristo, falou em João 10:16.

      ESPÍRITO SANTO COMO INTERCESSOR

      26. Segundo Romanos 8:23-27, que outra função tem o espírito santo para com os “santos”?

      26 Além de dar testemunho aos filhos espirituais de Deus, esta santa força ativa tem também outra função. O apóstolo Paulo traz à atenção esta função, na sua carta à congregação em Roma, a qual, segundo Paulo, se compunha de cristãos “chamados para serem santos”, sendo, também, “deveras, herdeiros de Deus, mas co-herdeiros de Cristo”. (Romanos 1:7; 8:16, 17) Paulo escreveu:

      “Não somente isso, mas também nós mesmos, os que temos as primícias, a saber, o espírito, sim, nós mesmos gememos em nosso íntimo, ao passo que esperamos seriamente a adoção como filhos, sermos livrados de nossos corpos por meio de resgate. Pois fomos salvos nesta esperança; mas a esperança que se vê não é esperança, porque quando um homem vê uma coisa, acaso está esperando por ela? Mas, se esperamos por aquilo que não vemos, persistimos em esperar com perseverança.

      “De maneira semelhante, o espírito também se junta com ajuda para a nossa fraqueza; pois não sabemos em prol de que devemos orar assim como necessitamos, mas o próprio espírito implora por nós com gemidos não pronunciados. Contudo, aquele que pesquisa os corações sabe o sentido do espírito, porque está intercedendo de acordo com Deus, a favor dos santos.” — Romanos 8:23-27.

      27. Sob que circunstâncias precisam os cristãos de espírito santo como suplicante?

      27 Neste respeito, são bem apropriadas as palavras de Provérbios 13:12: “A expectativa adiada faz adoecer o coração.” No meio desta gemente criação humana, os cristãos que são filhos espirituais de Deus esperam seu livramento do corpo humano, imperfeito, e o recebimento de sua herança celestial. Para eles, às vezes, é um problema expressar-se claramente em oração a Deus, não sabendo exatamente o que devem orar em circunstâncias aflitivas. É nisso que precisam dum intercessor, a saber, o espírito santo de Deus, como suplicante.

      28, 29. (a) No caso dos escritores das Escrituras Hebraicas, por que era como se o espírito santo estivesse falando e escrevendo? (b) Como se comparam esses escritores hebreus da Bíblia com os membros da congregação cristã quanto às emoções e aos padecimentos?

      28 O apóstolo Paulo disse que “nós mesmos”, quer dizer, Paulo e seus irmãos cristãos, gerados pelo espírito de Deus, “temos as primícias, a saber, o espírito”. (Romanos 8:23) Paulo queria dizer ali que tinham a invisível e santa força ativa de Deus. Esta força ativa inspirou homens a falar e também a escrever o que haviam falado. Era como se o próprio espírito falasse e escrevesse. Em harmonia com isso, lemos: “Nenhuma profecia da Escritura procede de qualquer interpretação particular. Porque a profecia nunca foi produzida pela vontade do homem, mas os homens falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo.” (2 Pedro 1:20, 21) As inspiradas Escrituras Hebraicas, citadas por Paulo em apoio do cristianismo, foram escritas por meras criaturas humanas. Estas tinham as mesmas emoções e fraquezas físicas que os membros da congregação cristã têm. Por isso podemos sentir afinidade com eles, neste sentido.

      29 “Nós também somos humanos, tendo os mesmos padecimentos que vós.” Assim disseram o apóstolo Paulo e seu companheiro missionário Barnabé a pagãos idólatras que os confundiram com deuses sobre-humanos que apareceram em carne, aos homens. — Atos 14:15.

      30. (a) Os escritos da Bíblia são realmente expressões de que força, e, por isso, são de que proveito? (b) As situações e condições dos personagens bíblicos abrangiam que campos que necessitam de mais do que ajuda humana?

      30 Os escritos inspirados da Bíblia, na realidade, eram expressões do espírito santo de Deus. Por este motivo, esses escritos inspirados são ‘proveitosos para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra”. (2 Timóteo 3:16, 17) Nestes escritos ‘proveitosos’ havia orações feitas a Deus, não só por escritores da Bíblia, mas também por outras pessoas devotadas a Jeová Deus. Tais orações haviam sido feitas a Deus sob todo tipo de circunstâncias. Essas pessoas, com os mesmos padecimentos comuns a nós, sentiam as pressões de circunstâncias especiais e de condições ameaçadoras que existiam. Suas situações precárias variavam o bastante para corresponder a situações em que os cristãos genuínos, mesmo hoje, podem às vezes encontrar-se. Essas tornam-se situações em que se precisa de mais do que ajuda humana. Então, como devemos orar?

      31, 32. (a) Portanto, até que ponto não sabem os cristãos como devem orar? (b) Então, como roga o espírito santo, que inspirou os escritos da Bíblia, a favor dos cristãos, e como compreende e responde Deus?

      31 Em nossa incapacidade e perplexidade, “nós mesmos gememos em nosso íntimo”. (Romanos 8:23) Não sabemos exatamente como rogar ou suplicar a Deus com sentenças corretamente formuladas ou que expressões devemos fazer ao nosso Ajudador celestial. Todavia, Deus compreende a nossa situação e percebe exatamente o que gostaríamos de ter, com toda a sinceridade.

      32 Se nós mesmos não pudermos formular orações, ora, há orações já formuladas para nós. Onde? Nas proféticas Escrituras Sagradas, que foram inspiradas pelo espírito santo de Deus. Deus está plenamente familiarizado com as orações registradas na sua Palavra. Ele sabe o “sentido” delas. Sabe quais as que são apropriadas para nós, os que queremos orar de modo certo. De modo que Deus considera tais orações apropriadas, registradas, como se fossem feitas pelos próprios cristãos gementes. Essas orações não foram proferidas pelos próprios cristãos em necessidade, mas Deus as ouve, como se o espírito santo estivesse rogando a ele, segundo as orações inspiradas pelo espírito, na Bíblia. É provável que ele responda de modo similar àquele em que respondeu à oração registrada há muito tempo, nos tempos bíblicos.

      33. Portanto, como se junta o espírito com ajuda para a nossa fraqueza, e com que êxito?

      33 Visto que o espírito santo inspirou o registro das orações originais, nas quais se roga a Deus, pode-se dizer que o espírito implora “de acordo com Deus, a favor dos santos”. Desta maneira, “o espírito também se junta com ajuda para a nossa fraqueza”. (Romanos 8:26, 27) Deus não deixa de responder a tais rogos, que têm seu espírito santo por intercessor.

      34. O que achamos a respeito do que foi expresso em orações registradas na Bíblia e por que não são em vão nossos “gemidos não pronunciados”?

      34 Por isso não é estranho que os cristãos, examinando as orações inspiradas que foram registradas nos Salmos e em outras partes das Escrituras Sagradas, encontrem orações que expressam exatamente o modo em que pensam, orações que dizem exatamente o que querem pedir a Deus, quer para si mesmos, individualmente, quer de modo coletivo, como congregação cristã. Ficam profundamente emocionados no coração ao encontrarem tais orações, induzidas por espírito santo a dizer coisas com tal propriedade exata. Seus próprios “gemidos não pronunciados” não foram em vão, não foram mal entendidos ou desconsiderados. Assim, das Escrituras inspiradas pelo espírito, chegam a saber as palavras fraseadas com que o “espírito” tem rogado perante Deus a seu favor. Eles mesmos são fortalecidos na convicção expressa pelo apóstolo Paulo, ao passo que ele prossegue: “Ora, nós sabemos que Deus faz que todas as suas obras cooperem para o bem daqueles que amam a Deus.” — Romanos 8:28.

      35, 36. (a) Que força opera poderosamente ao passo que Deus faz com que todas as suas obras cooperem para os que o amam? (b) Qual é o livramento iminente para a “nova criação” e o que indica isso também para a humanidade gemente?

      35 Seu espírito santo opera poderosamente em cooperação com todas as obras de Deus, para o bem eterno daqueles que amam a Deus. Que provisão grandiosa é esta santa força ativa da parte de Deus! O espírito de Deus, que se expressa tão fortemente por meio da Bíblia inspirada, é infinitamente mais eficaz do que qualquer roda de orações, pagã, ou qualquer livro de rezas, compilado por clérigos da cristandade, com orações especialmente fraseadas, para serem lidas em ocasiões ou circunstâncias específicas, ou para certos personagens.

      36 A velha criação humana, a humanidade, não tem este espírito, e, neste século vinte, ela geme mais do que nunca, procurando algum modo para se livrar da escravidão à corrução sob o velho sistema de coisas. Mas, há dezenove séculos, passou a viver e entrou em ação a “nova criação” de Deus. Isto se deu sob a força ativadora do espírito santo de Deus, que começou a ser derramado no dia festivo de Pentecostes de 33 E. C. Foram em vão os esforços da maioria da velha criação humana, de destruir a “nova criação” de Deus, a congregação cristã, gerada pelo espírito. Atualmente, esta “nova criação” se aproxima do tempo de seu livramento do corpo terreno de corrução. A proximidade de seu glorioso livramento indica um grande bem para toda a humanidade. Indica que o livramento da humanidade gemente também é iminente. Indica que agora é iminente uma nova ordem justa, apoiada pelo espírito santo de Deus.

  • “Entrou neles espírito de vida da parte de Deus”
    Espírito Santo — A Força por Detrás da Vindoura Nova Ordem!
    • Capítulo 8

      “Entrou neles espírito de vida da parte de Deus”

      1. De acordo com as palavras de Jesus em Mateus 28:18-20, que operação especial do espírito santo terminará em breve?

      JÁ POR dezenove séculos está em andamento uma operação especializada do espírito santo de Deus, e ela está prestes a parar. Quando parar, terminará a operação de fazer discípulos do Messias Jesus. O ressuscitado Filho de Deus referiu-se a isso quando disse aos seus apóstolos, num monte da província romana da Galiléia: “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Ide, portanto, e fazei discípulos de pessoas de todas as nações, batizando-as em o nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo, ensinando-as a observar todas as coisas que vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias, até à terminação do sistema de coisas.” — Mateus 28:18-20.

      2. Além do glorificado Jesus Cristo, que mais havia de estar com os seus discípulos até a “terminação do sistema de coisas”?

      2 Aqueles apóstolos estavam bem familiarizados com esse espírito santo, em cujo nome foram comissionados a batizar todos aqueles que se tornassem discípulos de Cristo, dentre todas as nações. Durante os seus anos de associação íntima com seu Amo Jesus, haviam observado a operação poderosa do espírito por meio dele na pregação do Reino, no ensino e na operação de milagres. (Atos 10:38) Na última noite de Páscoa que passaram com ele, em 14 de nisã de 33 E. C., ele lhes disse para seu consolo: “Eu solicitarei ao Pai e ele vos dará outro ajudador para estar convosco para sempre, o espírito da verdade, que o mundo não pode receber.” (João 14:16, 17) Portanto, não só o ressuscitado e glorificado Jesus Cristo estaria com seus discípulos até a “terminação do sistema de coisas”, mas também o ajudador ativo deles, o espírito santo, estaria com eles até então, pois, estaria com eles “para sempre”.

      3, 4. (a) Por que se faz a pergunta sobre se Jesus Cristo esteve com a cristandade todos os dias, até agora? (b) O que disse Jesus sobre qual era o fator para se saber se um professo cristão tinha espírito santo?

      3 Isso interessa a nós, hoje! Estamos agora no período chamado “terminação do sistema de coisas”. (Mateus 24:3) Desde o irrompimento da Primeira Guerra Mundial, em 1914, os acontecimentos no mundo, bem como entre os discípulos de Cristo, cumprem o que Jesus predisse na sua profecia apresentada em Mateus 24:3 até 25:46. (Também em Marcos 13:3-37; Lucas 21:7-36) Jesus Cristo, com “toda a autoridade” no céu e na terra, tem estado com seus discípulos “todos os dias”, até agora. O prometido “ajudador”, o espírito santo, também tem estado com eles. Hoje em dia, porém, muitos afirmam ser discípulos de Cristo, ou cristãos. Segundo os mais recentes algarismos publicados, a cristandade tem mais de novecentos milhões de membros nas igrejas. Devemos, portanto, olhar para a cristandade para obter a evidência de que Cristo está presente nela? Opera nela espírito santo?

      4 Pois bem, neste caso, deve-se responder à questão apenas à base do número dos que professam ser cristãos? Não, pois Jesus disse que o fator decisivo são as obras piedosas:

      “Pelos seus frutos os reconhecereis. . . . Toda árvore que não produz fruto excelente é cortada e lançada no fogo. Realmente, pois, pelos seus frutos reconhecereis estes homens.

      “Nem todo o que me disser: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus, senão aquele que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus.” — Mateus 7:16-21.

      5. Tem hoje a cristandade abundância de “frutos do espírito” ou de “obras da carne”?

      5 Desde o tempo em que a cristandade foi estabelecida, no quarto século E. C., pelo imperador romano, não batizado, Constantino, o Grande, os frutos dela não foram excelentes. Depois de dezesseis séculos de oportunidade para cultivar os “frutos do espírito”, sua organização religiosa não tem abundância de “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio”. Antes, a cristandade está marcada pelas “obras da carne”. — Gálatas 5:19-23.

      6, 7. Em que sentido é a cristandade igual à congregação de Laodicéia, e arrependeu-se ela, aceitando o conselho de Jesus àquela congregação?

      6 A cristandade, pelos relatos, cheia de membros de igrejas, é hoje comparável à “congregação em Laodicéia”. Em Revelação 3:14-18, o glorificado Jesus Cristo disse àquela congregação:

      “Conheço as tuas ações, que não és nem frio nem quente. Quisera eu que fosses frio ou quente. Assim, porque és morno, e não és num quente nem frio, vou vomitar-te da minha boca. Porque dizes: ‘Sou rico e adquiri riquezas, e não preciso de coisa alguma’, mas não sabes que és miserável, e coitado, e pobre, e cego, e nu, aconselho-te que compres de mim ouro refinado pelo fogo, para que fiques rico, e roupas exteriores brancas, para que fiques trajado e não se torne manifesta a vergonha da tua nudez, e ungüento para os olhos, para passar nos teus olhos, para que vejas.”

      7 Arrependeu-se a cristandade e acatou ela o conselho de Cristo? Sua participação ativa em duas guerras mundiais, sua perseguição de minorias religiosas, seu materialismo, sua dissolução moral, sua intromissão na política, a fim de controlar e perpetuar a atual velha ordem de coisas, tudo isso e muitas outras coisas respondem Não!

      8. Por que se vê o glorificado Jesus como que obrigado a vomitar a cristandade de sua boca e a não usá-la na obra atual?

      8 Durante esta “terminação do sistema de coisas”, Jesus Cristo não teve outro jeito senão ‘vomitá-la’ da boca. Em sentido espiritual, ela não é nem revigorantemente fria, nem estimulantemente quente para ele. Não pode engoli-la para tirar proveito dela. Ela é ‘morna’, transigindo na afirmação de ser cristã, quando ao mesmo tempo se faz amiga e instrumento deste mundo. O empossado Rei Jesus Cristo não pode tolerar isso. Reconhece-a como sendo inimiga de seu Pai, Deus. (Tiago 4:4) Ele não mantém associação com os inimigos de seu Pai. Para ele, ela não constitui nenhum paraíso espiritual. Por isso, não a pode usar no trabalho que predisse para os seus verdadeiros discípulos no tempo atual. — Mateus 24:14.

      9. Visto que a cristandade realiza suas operações em nome da religião, torna-se ela alvo de ódio internacional, ou contra quem dirigiu ela tal ódio?

      9 A cristandade tem realizado suas obras e operações no nome da religião. Será que estas atividades a tornaram ‘odiada por todas as nações por causa do nome de Cristo’? (Mateus 24:9) Ao contrário, ela tem tomado a dianteira em fazer com que outros sejam odiados. Quem? A história moderna mostra quem. Durante a Primeira Guerra Mundial, houve um grupo internacional de estudantes da Bíblia, que mostraram à base das Escrituras inspiradas que “os tempos dos gentios” acabaram no ano em que irrompeu a Primeira Guerra Mundial — 1914. (Lucas 21:24, Almeida) Portanto, todas as nações, as que professam o cristianismo e as que não o fazem, seriam destruídas pela sua oposição ao reino estabelecido de Jesus Cristo, o Rei que agora reina no céu, à mão direita de Deus. Todos os que desejam escapar de ser destruídos junto com a cristandade, precisam sair do cristianismo nominal, das igrejas da cristandade. Esse ensino destemido por parte de tais estudantes conscienciosos da Bíblia provocou o ódio mundial contra eles.

      10. Durante a Primeira Guerra Mundial, a cristandade pretendeu exterminar que minoria religiosa, e de que modo?

      10 Esta minoria religiosa, odiada, compunha-se de cristãos conhecidos como Estudantes Internacionais da Bíblia. Estes usaram no seu estudo bíblico e na sua obra de publicidade as publicações da Watch Tower Bible and Tract Society (Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, dos E. U. A.), cuja sede está em Brooklyn, Nova Iorque. Durante a Primeira Guerra Mundial, a cristandade concentrou seu fogo nestes estudantes da Bíblia. Pretendia exterminá-los. Os clérigos dela acusaram-nos falsamente e induziram elementos políticos e judiciais deste mundo a adotar medidas repressivas contra eles.

      11. Por causa de que ficou implicada nisso a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos E. U. A.)?

      11 Seguiu-se a proscrição de publicações da Sociedade Torre de Vigia. Impuseram-se em vários países proscrições aos Estudantes da Bíblia. Em certos lugares, cidadãos patrióticos foram incitados a furiosos tumultos contra esta minoria pacífica, difamada. Na primavera setentrional de 1918, homens de destaque associados com a sede de Brooklyn da Sociedade foram prontamente encarcerados numa penitenciária federal, sob acusações falsas!

      12. O que mostra Revelação 11:7-12 sobre se a cristandade havia matado permanentemente a obra de testemunho?

      12 Então, já que o presidente e o secretário-tesoureiro da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos E. U. A.), com mais seis outros destacados colaboradores, estavam fora do caminho, numa prisão, como se fossem criminosos, a cristandade achou que exterminara a organização das testemunhas fiéis do reino estabelecido de Deus, nas mãos de Jesus Cristo. Mas, deu mesmo o golpe mortal? Por algum tempo, os corpos das testemunhas do Reino pareciam mesmo mortos. Mas, ficaram permanentemente fora de ação? A linguagem simbólica de Revelação 11:7-12 responde:

      “E quando tiverem terminado seu testemunho, a fera que ascende do abismo far-lhes-á guerra, e as vencerá, e as matará. E os seus cadáveres jazerão na rua larga da grande cidade que em sentido espiritual se chama Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi pendurado numa estaca. E os dos povos, e tribos, e línguas, e nações olharão para os seus cadáveres por três dias e meio, e não deixam que os seus cadáveres sejam colocados num túmulo. E os que moram na terra alegram-se por causa deles e regalam-se, e enviarão dádivas uns aos outros, porque estes dois profetas atormentavam os que moram na terra.

      “E depois dos três dias e meio entrou neles espírito de vida da parte de Deus, e puseram-se de pé, e caiu grande temor sobre os que os observavam. E ouviram uma voz alta dizer-lhes desde o céu: ‘Subi para cá.’ E subiram para o céu, numa nuvem, e seus inimigos os observavam.”

      13. Do ponto de vista da cristandade, qual era o futuro da organização de testemunho, mas com que força não contava ela?

      13 Por pouco tempo, tal como três dias e meio, a organização destes proclamadores de profecias bíblicas e testemunhas do reino estabelecido de Deus sofreu vitupério público. Aqueles que se sentiram atormentados pela pregação das verdades bíblicas alegraram-se com a supressão das testemunhas do Reino. Do ponto de vista da cristandade, a organização das testemunhas estava ‘morta’. No entanto, matara-se ou fizera-se morrer o espírito de Deus? Ele não estava morto quando o cadáver de Jesus Cristo, que havia sido pendurado numa estaca, jazia morto no túmulo por parte de três dias. Assim, dezenove séculos depois, tampouco estava ‘morto’ depois de a organização das testemunhas do Reino jazer morta “por três dias e meio”, falando-se em sentido relativo.

      14. O que era necessário para que se cumprisse Mateus 24:14, e o que ocorreu na primavera setentrional de 1919?

      14 O tempo havia então avançado para o quinto ano da “terminação do sistema de coisas”. A predição de Jesus, em Mateus 24:14, ainda precisava ser cumprida: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim.” (Mateus 24:14) A cristandade, com as manchas de sangue da guerra mundial, não estava disposta, nem bastante limpa, para cumprir essa profecia. O que se devia fazer, então? Era preciso que o espírito do Deus Todo-poderoso entrasse em ação. Fez isso, não a favor da cristandade manchada de sangue, mas a favor das testemunhas do Reino que aparentemente estavam ‘mortas’. Fiel ao quadro apresentado em Revelação 11:11, “entrou neles espírito de vida da parte de Deus, e puseram-se de pé”. A primavera setentrional do ano de após-guerra de 1919 era o tempo para serem vivificadas.

      15. Quem se pôs a trabalhar, ao ser solto, e que atenção foi novamente dada a Mateus 24:14?

      15 Surpreendentemente, em fins de março de 1919, os diretores da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos E. U. A.) e seus companheiros foram libertos, sob fiança, e passaram a trabalhar. A profecia de Jesus em Mateus 24:14 recebeu renovada atenção. Um surpreendente comentário sobre isso foi feito no número inglês de 1.º de julho de 1920, da Torre de Vigia (agora A Sentinela, em português), nas páginas 199 e 200. Esclareceu-se ali que a predita pregação mundial não era a pregação feita nos últimos dezenove séculos da “Era Evangélica”, a respeito dum reino vindouro. Era a pregação dum reino já estabelecido. De modo que a pregação era uma obra mundial de publicidade a ser realizada a partir de 1914 E. C.

      16. Como influiu esta revelação nas testemunhas, e com que evento culminou o ano de 1919?

      16 Esta revelação feita pelo “espírito da verdade” deu nova vida à pregação do Reino feita pelas testemunhas. Como grandioso clímax de 1919, ano da revivificação, realizou-se em Cedar Point, Ohio, E. U. A., durante oito dias, o primeiro congresso geral das testemunhas do Reino no após-guerra. Milhares dos Estados Unidos e do Canadá vieram assistir a ele. O presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, que então já havia sido exonerado das acusações falsas do tempo de guerra, anunciou a nova obra do Reino à frente. Proferiu um discurso público perante uma assistência de 7.000 pessoas.

      17. Que motivo havia para os inimigos temerem a elevação das testemunhas de sua condição morta?

      17 Em vista da surpreendente revivificação das testemunhas do reino estabelecido de Deus, sobreveio grande temor aos inimigos do Reino, especialmente à cristandade. Se os inimigos já tinham motivos de temer então, embora as testemunhas do Reino fossem um restante pequeno, tinham mais motivos para temer em época posterior. Essas testemunhas haviam de receber destaque mundial de modo tal como não se dera aos discípulos de Cristo em qualquer outro tempo anterior. Foram convidadas a tão grande destaque como que por uma alta voz procedente do céu, que lhes dizia: “Subi para cá.”

      18. Em 1922, como mostraram as testemunhas que não se esquivavam do trabalho que havia de trazer destaque mundial?

      18 Não se esquivaram de empreender a proclamação do Reino, que lhes havia de dar destaque público alto como o céu. Incentivados pela força ativadora de Deus, passaram a empenhar-se destemidamente na obra. O entusiasmo aumentou no segundo congresso geral de Cedar Point, Ohio, em 1922, quando o presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos E. U. A.) atingiu o clímax de seu discurso básico e clamou a convocação: “Anunciem, anunciem, anunciem o Rei e seu reino”! Os milhares de congressistas bateram ruidosamente palmas em resposta a esta convocação dinâmica à pregação do Reino até o fim!

      O TEMPO DEVIDO PARA O TESTEMUNHO MUNDIAL DO REINO

      19. Por que era apropriado que João fornecesse a narrativa de Revelação 11:15-18 depois de seu relato sobre a revivificarão das testemunhas?

      19 Foi para essa pregação mundial do Reino que “espírito de vida da parte de Deus” entrara nas testemunhas suprimidas, em 1919 E. C. Era bastante apropriado, pois, que o apóstolo João continuasse a sua narrativa sobre as duas testemunhas enaltecidas logo a seguir com o seguinte relato:

      “E o sétimo anjo tocou a sua trombeta. E houve vozes altas no céu, dizendo: ‘O reino do mundo tornou-se o reino de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.’

      “E [os] vinte e quatro [anciãos], sentados nos seus tronos diante de Deus, prostraram-se sobre os seus rostos e adoraram a Deus, dizendo: ‘Agradecemos-te, Jeová Deus, o Todo-poderoso, aquele que é e que era, porque assumiste o teu grande poder e começaste a reinar. Mas as nações ficaram furiosas e veio teu próprio furor e o tempo designado para os mortos serem julgados, e para dar a recompensa aos teus escravos, os profetas, e aos santos e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e para arruinar os que arruínam a terra.’” — Revelação 11:15-18.

      20. (a) Destinava-se aquela proclamação em voz alta apenas para o céu? (b) Em vista da predição de Jesus, de quem havia necessidade?

      20 Esse anúncio, proclamado em voz alta: “O reino do mundo tornou-se o reino de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre”, merece ser agora repetido na terra pelas testemunhas ungidas de Jeová. Ele assumiu seu reinado do mundo no fim dos Tempos dos Gentios em 1914. Trata-se duma notícia que interessa a mais do que apenas o céu. Envolve o mundo da humanidade. Este merece ouvi-la. Como a ouviria sem pregadores, sem proclamadores? Jesus profetizou que seria pregada em toda a terra, antes de vir o fim deste sistema de coisas. O restante de seus discípulos ungidos era quem foi designado para empreender a pregação a partir do tempo de sua revivificação espiritual em 1919. — Mateus 24:14; Marcos 13:10; Romanos 10:14, 15; veja Isaías 32:15.

      21. Por que não são presunçosos os discípulos ungidos de Cristo, por fazerem a pregação do Reino, conforme talvez afirme a cristandade, e por que se precisa aplicar a eles Zacarias 4:6?

      21 O restante dos discípulos ungidos de Jesus Cristo é quem foi delegado e enviado a pregar. (Isaías 61:1-3) Se a cristandade os acusa de que eles são presunçosos em fazer esta pregação do Reino, então por que não faz a própria cristandade tal pregação? Mas ela não a faz. Ela toma parte na política do mundo e dá sua bênção às Nações Unidas, que não são cristãs. Visto que o restante é tão pequeno em comparação com as centenas de milhões de membros das igrejas da cristandade, tem-se cumprido com o restante ungido o que Jeová disse em Zacarias 4:6: “Não por força militar, nem por poder, mas por meu espírito.”

      22. A julgar pela pregação do Reino que se faz, em quem se cumpre Joel 2:28, 29?

      22 O espírito santo, sobre o qual Jeová profetizou que o derramaria nos últimos dias, não deixou de operar, pois o restante ainda está batizando discípulos de Cristo no nome desse espírito. (Mateus 28:19, 20; Joel 2:28, 29; Atos 2:14-21) O propósito anunciado deste derramamento de seu espírito por Deus, sobre toda sorte de carne, é que aqueles que o recebessem pudessem profetizar. Os fatos confirmam que os do restante dos discípulos ungidos de Cristo têm profetizado a todas as nações, em testemunho a favor do reino de Deus. Portanto, é lógico que eles devem ser aqueles sobre quem realmente foi derramado o espírito de Deus. Este espírito está por detrás de sua pregação mundial. Por que disputar isso?

      23. Durante os doze anos seguintes, de tal profetizar, de quem se deu testemunho e por que era isso necessário?

      23 Depois de terem profetizado assim sobre o reino de Deus por cerca de doze anos, os do restante ungido ficaram melhor informados sobre Jeová Deus, a Fonte celestial do espírito derramado. Haviam aumentado seu testemunho sobre ele e haviam divulgado, em toda a parte, seu nome como sendo o maior Nome existente. Realmente, haviam passado a empenhar-se como Suas testemunhas e viver à altura de ser um “povo para o seu nome”. (Isaías 43:10-12; Atos 15:14) Não diminuamos a importância e o tempo oportuno deste testemunho a respeito de Jeová e também de seu Messias, Jesus. Em harmonia com a profecia de Joel 2:28-32, isso tinha de preceder ao “grande e atemorizante dia de Jeová”. A menos que as pessoas fossem informadas, não poderiam invocar a pessoa certa em busca de salvação durante este “dia”. Joel 2:32 avisa-nos de que “todo aquele que invocar o nome de Jeová salvar-se-á”. Era preciso dar testemunho a respeito de Jeová!

      24. Em 1931, que nova designação adotaram para si mesmos os do restante ungido, e por que não se tratava de mero gesto?

      24 De modo que não foi mera coincidência que no domingo, 26 de julho de 1931, no congresso internacional da Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, em Columbus, Ohio, E. U. A., os muitos milhares de congressistas adotassem de coração uma resolução no sentido de serem chamados por um nome bíblico e significativo. O nome adotado pelos congressistas, por meio da Resolução, foi “Testemunhas de Jeová”. Depois daquela ação tomada no congresso internacional em Columbus, as congregações da Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, em todo o globo, adotaram uma resolução similar. Declararam assim que eram Testemunhas de Jeová. Não se tratava dum mero gesto por parte do restante ungido dos israelitas espirituais. Por cumprirem com as responsabilidades que este nome traz consigo, eles têm vivido à altura desta nova designação sua.

      25. Como foram as testemunhas revivificadas do Reino elevadas a uma posição notável, relacionada com o nome divino, aceitando a obrigação de Isaías 43:10-12?

      25 Era incontestável que o “espírito de vida da parte de Deus” havia entrado naqueles do restante ungido e os havia chamado para uma posição destacada perante todos os seus inimigos. Sem temer aqueles inimigos, eles haviam aceito o convite de Deus: “Subi para cá.” (Revelação 11:11, 12) Não se envergonharam de levar o nome divino, o nome mais sagrado. Pregarem e profetizarem de casa em casa e de cidade em cidade à base deste nome tem resultado no enaltecimento deste nome em toda a terra. Por fim havia paladinos hodiernos do maior nome do universo! Lamentavelmente, a antiga nação do Israel natural fracassou quanto a ser aquilo que a profecia de Isaías 43:10-12 disse em primeiro lugar à eles: “‘Vós sois as minhas testemunhas’, é a pronunciação de Jeová, ‘sim, meu servo a quem escolhi, . . . entre vós não havia nenhum deus estranho. Portanto, vós sois as minhas testemunhas’, é a pronunciação de Jeová, ‘e eu sou Deus’.” Portanto, o restante hodierno dos israelitas espirituais aceita de bom grado a obrigação de ser Testemunhas de Jeová.

      26. Em que condição espiritual, ilustrada pela congregação de Sardes, na Ásia Menor, não querem recair os do restante revivificado?

      26 Agora que os do restante dos israelitas espirituais foram revivificados pelo “espírito de vida da parte de Deus”, não querem recair na condição ilustrada pela congregação da antiga Sardes, na Ásia Menor. Jesus Cristo disse a ela:

      “Estas coisas diz aquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas: ‘Conheço as tuas ações de que tens a fama de estar vivo, mas estás morto. Fica vigilante e fortalece as coisas remanescentes que estavam prestes a morrer, porque não achei as tuas ações plenamente realizadas diante do meu Deus. Portanto, continua a lembrar-te de como recebeste e como ouviste, e prossegue guardando isso, e arrepende-te. Certamente, a menos que despertes virei como ladrão, e não saberás absolutamente a que hora virei sobre ti’.” — Revelação 3:1-3.

      27. A fim de se proteger contra a perda de que privilégio acata o restante ungido dos israelitas espirituais as palavras de Jesus em Revelação 2:5?

      27 Neste mundo obscurecido em sentido religioso, os do restante ungido dos israelitas espirituais querem brilhar como iluminadores, lançando luz sobre o nome de Deus e sobre seus propósitos para a salvação da humanidade. Previnem-se contra a perda do privilégio de coletivamente ser um candelabro espiritual. Acatam as palavras do glorificado Jesus Cristo dirigidas à congregação da antiga Éfeso:

      “Arrepende-te e pratica as ações anteriores. Se não, virei a ti e removerei o teu candelabro do seu lugar, a menos que te arrependas.” — Revelação 2:5.

      UMA “GRANDE MULTIDÃO” INVOCA O NOME

      28. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando a fera que ascendeu do abismo travou novamente guerra contra o restante ungido, por que não se repetiram os acontecimentos da Primeira Guerra Mundial relativos a eles?

      28 Em 1939-1945 E.C., uma segunda guerra mundial assolou a humanidade. Mas, repetiu-se o que aconteceu durante a Primeira Guerra Mundial no que se refere ao restante reanimado dos israelitas espirituais, que são conhecidos como Testemunhas de Jeová, desde 1931? Apesar da pior perseguição religiosa durante a Segunda Guerra Mundial, quando a “fera que ascende do abismo” travou novamente guerra contra o restante, a história responde Não! A perseguição violenta não conseguiu matar o testemunho do Reino dado pelos do restante ungido. Estes continuaram a ficar “cheios de espírito” da parte de seu Dador celestial de vida. (Efésios 5:18) Apegaram-se à vida espiritual pela atividade no testemunho do Reino, até mesmo às ocultas, quando era necessário. Quando foram proibidos por governos políticos e militarizados de pregar as boas novas do reino estabelecido de Jeová, oraram a ele, pedindo coragem para continuar fielmente a desincumbir-se da comissão de pregar.

      29. Como foi o resultado do que se acaba de mencionar, para o restante, semelhante ao caso relatado em Atos 4:31?

      29 O resultado, para eles, foi igual ao do caso da congregação de Jerusalém, depois de as autoridades religiosas terem mandado aos apóstolos parar de pregar Cristo. “E todos juntos ficaram cheios de espírito santo e falaram a palavra de Deus com denodo.” (Atos 4:31) De modo similar, até hoje, o restante dá vazão ao espírito santo de que está cheio e prossegue vigorosamente a ‘falar a palavra de Deus com denodo’. Por conseguinte, o “candelabro” do restante não foi tirado do seu lugar.

      30. (a) O que faz o restante ungido a respeito do nome de Deus? (b) Em vista de Revelação 6:14-17, por que há motivo de que as pessoas perguntem se o restante e o único que ‘escapará’ no dia de Jeová?

      30 Os próprios membros do restante ungido ‘invocam o nome de Jeová’ e o proclamam em todo o mundo. Contudo, são os únicos que hoje esperam ‘escapar’ no iminente “grande e atemorizante dia de Jeová”? (Joel 2:31, 32) Esta é uma pergunta a que muitos daqueles que não são do restante gostariam de ter uma resposta, porque Revelação 6:14-17 diz a respeito daquele “atemorizante dia”:

      “E o céu [os altos governos políticos sobre os homens] afastou-se como um rolo que está sendo enrolado, e cada monte e cada ilha foram removidos dos seus lugares. E os reis da terra, e os dignitários, e os comandantes militares, e os ricos, e os fortes, e todo escravo e toda pessoa livre esconderam-se em cavernas e nas rochas dos montes. E estão dizendo aos montes e às rochas: ‘Caí sobre nós e escondei-nos do rosto daquele que está sentado no trono e do furor do Cordeiro, porque veio o grande dia do seu furor, e quem é que pode ficar de pé?’”

      31. (a) Qual é a resposta a pergunta das pessoas aqui descritas, a respeito de escapar no dia de Jeová? (b) Quem não se junta aos reis da terra e seus partidários em clamar por proteção terrena?

      31 A resposta à pergunta de todos aqueles aqui descritos, que deixaram de invocar o nome de Jeová em busca de salvação, é a seguinte: Nenhum deles ficará em pé, aprovado, nem será poupado com vida, no “grande dia” Dele. O simbólico vendaval que há de destruí-los é mencionado no próximo capítulo do livro, em Revelação 7:1-3. Depois daquela referência, somos informados sobre os 144.000 escravos de Deus, que foram selados na testa com o “selo do Deus vivente”. São classificados como israelitas, não israelitas carnais, naturais, tais como aqueles que aprovaram a matança do Cordeiro de Deus, mas israelitas espirituais, que seguem o Cordeiro Jesus, como o Messias. (Revelação 7:4-8; 14:1-5) o que se revela a nossa visão, logo depois de os observarmos? Um número indeterminado de pessoas, que não se juntam aos reis da terra e seus partidários em clamar para os montes e as rochas governamentais, para os esconderem do furor de Deus e de seu Cordeiro. Elas não temem o furor divino.

      32. A quem atribui esta “grande multidão” a sua salvação e com que benefício para si mesma?

      32 Ao passo que lemos Revelação 7:9-17, notemos que esta “multidão” sem número é mencionada como “os que saem da grande tribulação”:

      “Eis uma grande multidão, que nenhum homem podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, trajados de compridas vestes brancas; e havia palmas nas suas mãos. E gritavam com voz alta, dizendo: ‘Devemos a salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro.’

      “. . . ‘Quem são estes que trajam compridas vestes brancas e donde vieram?’ . . . ‘Estes são os que saem da grande tribulação, e lavaram as suas vestes compridas e as embranqueceram no sangue do Cordeiro. É por isso que estão diante do trono de Deus, e prestam-lhe serviço sagrado, dia e noite, no seu templo e o que está sentado no trono estenderá sobre eles a sua tenda. Não terão mais fome, nem terão mais sede, nem se abaterá sobre eles o sol, nem calor abrasador, porque o Cordeiro, que está no meio do trono, os pastoreará e os guiará a fontes de águas da vida. E Deus enxugará toda lágrima dos olhos deles.’”

      33. Quais são algumas das coisas que diferenciam esta “grande multidão” dos já mencionados 144.000 israelitas espirituais, e por que é apta para servir a Deus no seu templo espiritual?

      33 Esta “grande multidão” sem número não faz parte dos contados 144.000 israelitas espirituais. Os membros dela não foram selados na testa com o “selo do Deus vivente”. Não são vistos como estando em pé, no Monte Sião celestial, junto com O Cordeiro de Deus. Não se fala deles como tendo sido “comprados dentre a humanidade como primícias para Deus e para o Cordeiro”. Quanto à nacionalidade, em comparação com os 144.000 israelitas espirituais, são gentios, pessoas de todas as nações. Contudo, vieram a conhecer a Jeová Deus e a reconhecê-lo como aquele que está sentado no trono do universo, como Soberano Universal. Conhecem e confessam aquele que é o Cordeiro de Deus, que foi morto, pois têm fé no poder purificador do sangue dele, a fim de obter uma aparência limpa perante Deus, que está no seu trono. Purificados assim, prestam-lhe serviço sagrado, dia e noite, nos pátios terrenos do Seu templo espiritual.

      34. A “grande multidão” é classificada como composta de que “ovelhas”, e que esperança tem quanto a vida futura?

      34 Que dizer da esperança que todos estes têm em comum? Não é uma esperança celestial. Revelação 7:17 compara-os a ovelhas, cujo Pastor é o Cordeiro. As “fontes de águas da vida” às quais ele os guia são “fontes” que manam provisões divinas para a vida humana perfeita no prometido paraíso terrestre. Eles são parte das “ovelhas” figurativas pelas quais o Pastor Excelente entregou sua alma humana. Depois de mencionar o “aprisco” para o qual João Batista, como “porteiro”, abriu a porta em 29 E. C., Jesus prosseguiu: “E tenho outras ovelhas, que não são deste aprisco; a estas também tenho de trazer, e elas escutarão a minha voz e se tornarão um só rebanho, um só pastor.” (João 10:3, 16) Por conseguinte, a “grande multidão” de Revelação 7:9-17 compõe-se de “outras ovelhas” que vivem hoje e que se comprometem a seguir a Jesus Cristo, o Pastor Excelente.

      35. Com quem se torna a “grande multidão” “um só rebanho” sob “um só pastor”?

      35 Com quem, então, torna-se esta “grande multidão” “um só rebanho” debaixo de “um só pastor”? É com as “ovelhas” do outro aprisco, a saber, o restante do “pequeno rebanho” dos israelitas espirituais. (Lucas 12:32; 1 Pedro 2:25) Embora os da “grande multidão” não estejam no novo pacto mediado por Jesus Cristo para o Israel espiritual, ele os une com o restante ungido como sendo “um só rebanho” em um só redil. A partir de quando fez isso o Pastor Excelente?

      36, 37. (a) Que acontecimento assinalou o começo do ajuntamento das “outras ovelhas”? (b) Que perspectiva se lhes apresentou, para a sua grande alegria?

      36 A partir de 1935. No fim de maio, daquele ano, realizou-se um congresso de cinco dias das testemunhas cristãs de Jeová, em Washington, Distrito de Colúmbia, E. U. A. A este congresso foram convidados especialmente aqueles que se associavam com o restante ungido e que ainda assim estavam interessados em sobreviver à “grande tribulação” e entrar, sem morrer, na nova ordem de Deus, com seu paraíso terrestre. Não aspiravam ir para o céu. A vida eterna numa terra paradísica satisfaria plenamente o desejo de seu coração.

      37 Grande foi então a sua alegria, naquele congresso de Washington, quando o presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos E. U. A.) falou sobre o tema da “grande multidão”, mencionada em Revelação 7:9-17. Ele esclareceu que esta “multidão” não era uma classe espiritual ou gerada pelo espírito; não obteria a natureza angélica no céu, com o fim de ajudar os 144.000 co-herdeiros de Cristo. Tratava-se nitidamente duma classe terrestre, com a esperança de ter vida humana, perfeita, sem fim, no paraíso terrestre, sob o reino de Cristo. Então, por meio do Pastor Excelente, Jesus Cristo, Jeová Deus começou a ajuntar esta “multidão” para o serviço ativo com o restante ungido.

      38. Como reagiu o “espírito” daqueles da “grande multidão” em vista da esperança que se lhes apresentava, e que esperança se mantém desde então em destaque perante todos os que buscam a Deus?

      38 O coração daqueles que estavam presentes às centenas ao congresso em Washington nunca se havia animado com a perspectiva de ser co-herdeiros de Cristo. Mas, então, com o esclarecimento da esperança terrestre, contida em Revelação 7:9-17, seu “espírito”, a força reativa no seu íntimo, manifestou-se em receptividade de coração. Aclamaram tal esperança com aplausos vigorosos. Mais tarde, quando milhares de outros leram nas colunas da revista A Sentinela a reprodução do discurso sobre a “grande multidão”, seu “espírito” também foi receptivo. Desde então, a esperança da “grande multidão” é apresentada com destaque a todos os que buscam a Deus, em toda a terra. Centenas de milhares foram batizados no nome do Filho de Deus e se tornaram candidatos ao cumprimento desta bela esperança.

      39. Em vista de que diferenças entre eles e os do restante ungido surge a pergunta sobre se as “outras ovelhas”, dedicadas e batizadas, têm espírito santo?

      39 Naturalmente, essas “outras ovelhas” dedicadas e batizadas da “grande multidão” não foram geradas para ser filhos espirituais de Deus, com uma herança celestial. Não são israelitas espirituais. Não foram incluídas no novo pacto, com a oportunidade de se tornarem para Deus um “reino de sacerdotes e uma nação santa”. (Êxodo 19:5, 6) Nunca foram seladas com o espírito de Deus, como penhor antecipado de sua herança celestial. Não foram ungidas com o espírito de Deus, como prospectivos co-herdeiros de Cristo no seu reino celestial. (Isaías 61:1-3; 1 João 2:20, 27; 2 Coríntios 1:21, 22) Mas, será que apesar disso têm espírito santo?

      40. Que prova bíblica há para mostrar se alguém, na terra, que está devotado a Deus, precisa ser gerado pelo espírito de Deus, para que espírito santo opere nele?

      40 Os fatos esmagadores respondem que sim! Especialmente desde 1935 E.C., os que são da “grande multidão” têm trabalhado com o restante ungido, gerado pelo espírito. Forneceram evidência convincente de que o espírito santo de Deus opera neles. Não é preciso que alguém, na terra, seja gerado pelo espírito de Deus para ter a Sua força ativa operando nele. Veja o profeta Moisés, o Juiz Otniel, o Juiz Gideão, o Juiz Sansão, o Rei Davi e João Batista. Sim, veja todos os profetas pré-cristãos, sobre os quais veio o espírito de Jeová para inspirá-los a escrever os livros bíblicos de Gênesis a Malaquias. É verdade que não se apresentou a tais pessoas da antiguidade nenhuma esperança celestial, mas Jeová Deus pôs sobre elas seu espírito, porque estavam devotadas a ele e se ofereciam amorosamente ao Seu serviço. Deus envolveu-as com sua força ativa. Encheu-as com seu espírito santo. Este operava nelas.

      41. Em vista do pequeno número daqueles que constituem hoje o restante, como cuidou Deus de que a pregação do Reino e a obra de fazer discípulos fosse executada em escala mundial?

      41 Qual é o número atual do restante dos israelitas espirituais, ungidos? Segundo o número dos que tomam dos emblemas de pão e vinho na celebração anual da Ceia do Senhor, atualmente somam cerca de 10.000. Mas aqueles cristãos batizados, cujo espírito com apreço é receptivo à esperança da vida eterna num paraíso, aqui na terra, ascende a mais de dois milhões. Então, quem faz a maior parte da pregação do Reino e de fazer discípulos em todo o mundo? (Mateus 24:14; 28:19, 20) O restante ungido, que está envelhecendo e que é de tão poucos em número, não poderia executar a maior parte do trabalho. Portanto, o espírito de Deus, operando poderosamente sobre os da “grande multidão” de “outras ovelhas”, habilita a estes, junto com o restante ungido, a fazer uma obra mundial de testemunho, sem igual na história cristã.

      42, 43. (a) A quem dão os participantes da proclamação mundial do reino messiânico o crédito pela sua realização? (b) Em vista de que textos crêem que têm orientação angélica?

      42 A proclamação do Evangelho do Reino é feita agora em todo o globo, em 210 terras e ilhas do mar. Mais de 38.000 congregações de proclamadores ativos do Reino florescem agora num paraíso espiritual, em toda a terra.a

      43 Esta ampla proclamação do reino de Deus para a sua nova ordem, mesmo às partes mais distantes da terra, exige muito trabalho árduo por parte daqueles que se empenham na proclamação, e tudo é feito sem cobrar o custo. (Mateus 10:8) Estes proclamadores do Reino, as testemunhas cristãs de Jeová, porém, não reivindicam para si o mérito por esta realização magnífica. Confessam que são apenas instrumentos nas mãos de Deus. A coragem e a força para fazer esta obra predeterminada são atribuídas por elas ao espírito de Deus. Discernem que têm também apoio e orientação angélicos, enquanto se empenham na obra aprovada por Deus. Crêem no que diz em Hebreus 1:14 sobre os anjos, como sendo “espíritos para serviço público, enviados para ministrar aos que hão de herdar a salvação”. Jesus disse também a respeito de nosso próprio tempo, a “terminação do sistema de coisas”: “Enviará os seus anjos com grande som de trombeta, e eles ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma extremidade dos céus até à outra extremidade deles.” — Mateus 24:3, 30, 31.

      44. (a) Por que não é estranho tal uso de anjos celestiais? (b) A ajuda invisível de quem foi predita para a separação dos cristãos de imitação daqueles que são verdadeiros, e para o ajuntamento da “grande multidão” de outras ovelhas?

      44 Há algo de estranho nisso? Não! Ora, nos tempos antigos, pré-cristãos, anjos celestiais vieram em auxílio e para a orientação dos adoradores fiéis de Jeová Deus. (Gênesis 32:1, 2, 24-30; Êxodo 14:19, 20; 2 Reis 6:15-17; Isaías 37:36; Salmo 34:7) O atual é o tempo para o ajuntamento dos verdadeiros herdeiros do reino de Deus e para a sua separação daqueles que são cristãos de imitação, da cristandade, e, por isso, para este tempo crítico, o restante ungido havia de ter auxílio angélico, segundo Mateus 13:39-43, 49, 50, e Revelação 14:6. Por conseguinte, os anjos que estão sob Cristo, o Rei, desempenham um papel invisível de direção no ajuntamento do restante dos discípulos ungidos dele, de “seus escolhidos”. Ele usa também os anjos sob o seu comando para ajuntar uma multidão muito maior do que o restante ungido, a saber, a “grande multidão” de suas “outras ovelhas” — Mateus 25:31-46; João 10:16.

      RESSURREIÇÃO FIGURATIVA

      45, 46. (a) Por que não há motivo para se desprezar o dia das coisas pequenas, em vista do milagre maravilhoso de Deus prefigurado em Ezequiel 37:1-14? (b) Para que os israelitas exilados fossem restabelecidos no seu próprio solo, o que poria Jeová dentro deles?

      45 Portanto, sobra ainda algum motivo para alguém ‘desprezar o dia das coisas pequenas’? (Zacarias 4:10) Que cadeia espantosa de realizações começou a ser forjada, lá em 1919 E. C., quando “entrou neles espírito de vida da parte de Deus”, isto é, no restante ungido, aparentemente morto! (Revelação 11:11) Foi um milagre moderno de ressurreição feito pelo Deus Todo-poderoso. Encontra seu equivalente no que o profeta Ezequiel observou, quando teve a visão do vale plano, cheio de ossos secos e desconjuntados de israelitas mortos. Os corpos daqueles israelitas foram restabelecidos, mas continuaram a jazer mortos. Daí, em obediência à ordem de Deus, Ezequiel profetizou sobre eles. O que aconteceu então? “Passou a entrar fôlego neles, e começaram a viver e a pôr-se de pé, uma força militar muitíssimo grande.” — Ezequiel 37:1-10.

      46 Cumprir-se-ia a profecia de Ezequiel no povo escolhido de Deus, que então definhava em Babilônia? A fim de assegurar-lhes que esta visão de restauração se cumpriria, Jeová inspirou Ezequiel a dizer: “Vou por em vós o meu espírito e tereis de reviver, e vou estabelecer-vos sobre o vosso solo; e tereis de saber que eu, Jeová, é que falei e fiz isso.” — Ezequiel 37:11-14; compare isso com Isaías 32:15-18.

      47. (a) Quando restabeleceu seu restante ungido, para que fim pôs seu espírito sobre eles? (b) Como se harmoniza o efeito reanimador disso com Romanos 8:11?

      47 Em nosso século vinte, após o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918, os do restante ungido foram espiritualmente revivificados e marcharam para fora do cativeiro em Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa, a fim de recomeçar seu serviço do Reino. Para este fim, Jeová os restabeleceu no domínio legítimo deles na terra, numa relação aprovada consigo mesmo. Pôs sobre eles o seu espírito, a fim de que agissem com liberdade e franqueza no falar no serviço do Reino. “Onde estiver o espírito de Jeová, ali há liberdade.” (2 Coríntios 3:17) Desde então, quanta animação demonstraram os do restante liberto no Seu serviço real, bem como os da “grande multidão” de seus colaboradores semelhantes a ovelhas, mais tarde! A santa força ativa de Jeová foi responsável por isso, assim como nos faz lembrar Romanos 8:11, que diz: “Então, se morar em vós o espírito daquele que levantou a Jesus dentre os mortos, aquele que levantou a Cristo Jesus dentre os mortos também vivificará os vossos corpos mortais por intermédio do seu espírito que reside em vós.”

      48. Que força acompanha o restante e a “grande multidão” que estão unidos?

      48 Avante, pois, unidos, ó restante e “grande multidão”! Têm o apoio da força invencível que está por detrás da vindoura nova ordem de Deus. (Zacarias 4:6) Sua pregação continuada destas “boas novas do reino” produzirá sofrimentos e vitupérios adicionais. Mas, sofrerem isso pela causa de Jeová Deus e de seu Cristo é a maior honra que pode haver. Lembrem-se: “Se fordes vituperados pelo nome de Cristo, felizes sois, porque o espírito de glória, sim, o espírito de Deus, está repousando sobre vós.” (1 Pedro 4:14) Serem vituperados pelos adversários do reino de Deus não é sinal da desaprovação Dele. Sua perseverança em face disso é prova de que têm o espírito de Deus. Terem sobre si repousando o espírito Dele os glorifica, não os envergonha. Dá-lhes dignidade e torna-os semelhantes a Cristo. Indica que são dignos de serviço glorioso na vindoura nova ordem de Deus. Portanto, considerem-se felizes e muito favorecidos!

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja o Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976, páginas

  • A Nova Ordem que é apoiada por espírito santo
    Espírito Santo — A Força por Detrás da Vindoura Nova Ordem!
    • Capítulo 9

      A Nova Ordem que é apoiada por espírito santo

      1. Apesar de Eclesiastes 1:9, por que será a vindoura ordem, apoiada por espírito santo, algo realmente novo?

      QUANDO falamos sobre uma vindoura ordem apoiada por espírito santo, podemos realmente dizer: “Veja; esta é nova.” Nem mesmo o sábio Rei Salomão poderá aplicar a ela a regra que declarou: “Não há nada de novo debaixo do sol.” (Eclesiastes 1:9, 10) A declaração de Salomão mostrou-se veraz até agora, com respeito ao padrão de vida do homem e da mulher, e referente à ascensão e queda de governos constituídos pelos homens. Mas a ordem de coisas que o Criador do céu e da terra introduzirá em breve será deveras algo novo, algo nunca antes existente em toda a história humana.

      2. Por que se deve esperar que espírito santo esteja por detrás da prometida nova ordem?

      2 Haverá espírito santo por detrás da vindoura nova ordem. E por que não? Estava por detrás da escrita da Bíblia Sagrada, e este livro inspirado quase que transborda com boas novas sobre a pacífica nova ordem para a humanidade cansada das dificuldades. Quando por fim for introduzida dentro desta geração, todos os que passarem a usufruí-la dirão com prazer: “Isto é algo novo!” O Deus onipotente, Jeová, mostrar-se-á fiel à sua promessa à humanidade: “Eis que faço novas todas as coisas.” — Revelação 21:5.

      3. (a) Quais são algumas coisas novas sobre as quais fala o livro de Revelação? (b) Por que não será a nova ordem de Deus algo remendado?

      3 Revelação (ou Apocalipse), o último livro da Bíblia, fala sobre coisas novas, sobre um “novo nome”, um “novo cântico”, um “novo céu e uma nova terra” e a “Nova Jerusalém”. (Revelação 2:17; 3:12; 5:9; 14:3; 21:1, 2) Estas são coisas animadoras sobre as quais falar e pensar. E quando alguém reconhece a natureza das coisas novas que aguardam a humanidade, sente-se induzido a ‘cantar a Jeová um novo cântico’. (Salmo 96:1; 98:1; 144:9; 149:1) A sua nova ordem não será algo remendado, o conserto da velha ordem da humanidade, a tentativa de preservar o mais possível da velha ordem e apenas dar-lhe alguns toques novos, usando-se, assim, por base a velha ordem do homem. Isto nunca funcionaria. O próprio Jesus Cristo disse:

      “Ninguém corta um remendo duma nova roupa exterior e o costura numa velha roupa exterior; mas, se o fizer, então, tanto o rompendo novo se arrancará como o remendo da roupa nova não combinará com a velha. Além disso, ninguém põe vinho novo em odres velhos; mas, caso o fizer, então o vinho novo rebentará os odres e se derramará, e os odres ficarão arruinados. Mas, vinho novo tem de ser posto em odres novos.” — Lucas 5:36-38.

      4. Por que não desempenhará a antiga Jerusalém reconstruída um papel na Nova Ordem?

      4 Em harmonia com esta ilustração, o que Deus predisse para a humanidade será algo inteiramente novo. A antiga Jerusalém, no Oriente Médio, não figurará nisso. Quando Deus executou seu julgamento adverso no ano 70 E. C., ele fez com que a Jerusalém dos dias de Jesus fosse destruída. A Jerusalém que foi construída desde então não o foi às Suas ordens, nem pelo seu povo aprovado. (João 4:21) O que haverá é a Nova Jerusalém! Esta não será uma cidade construída aqui na terra, no lugar da antiga Jerusalém. A Nova Jerusalém será celestial. Só precisamos examinar sua descrição fornecida em Revelação 21:9 a 22:3, para ver que ela, por causa de suas dimensões e aspectos, nunca caberia dentro da área da antiga Jerusalém. Na descrição inspirada, a Nova Jerusalém é chamada de “a noiva, a esposa do Cordeiro”.

      5. Com quem é comparada a Nova Jerusalém, e de que modo corresponde isso com a linguagem usada em Zacarias 9:9?

      5 “Vi também”, disse o apóstolo João, “a cidade santa, a Nova Jerusalém, descendo do céu, da parte de Deus, e preparada como noiva adornada para seu marido”. (Revelação 21:2) Assim como a Nova Jerusalém, aqui, é comparada a uma mulher, uma noiva, uma esposa, assim também a antiga Jerusalém foi comparada a uma mulher. Por exemplo, quando Jesus entrou, montado, em Jerusalém, em 9 de nisã (27 de março) de 33 E. C., como se fosse um rei designado cavalgando para a sua coroação, cumpriu-se a profecia de Zacarias 9:9: “Jubila grandemente, ó filha de Sião. Brada em triunfo, ó filha de Jerusalém. Eis que vem a ti o teu próprio rei. Ele . . . [vem] montado num jumento, sim, num animal plenamente desenvolvido, filho de jumenta.” — Mateus 21:4, 5.

      6. Como se comparará a Nova Jerusalém com a cidade antiga quanto à beleza, e de que modo desce ela do céu, da parte de Deus?

      6 A antiga Jerusalém terrestre era chamada de “cidade da qual se dizia: ‘Ela é a perfeição da lindeza’”. (Lamentações 2:15; Salmo 48:1, 2; 50:2) No entanto, ela nunca se poderia comparar com a Nova Jerusalém celestial em beleza e glória. Esta cidade gloriosa e nova desce “do céu, da parte de Deus”. Em que sentido? No sentido de que este novo corpo governamental se origina de Deus e estende seu poder e sua autoridade do céu para a terra, para o bem eterno da humanidade. — Revelação 21:2.

      7. De que modo é a cidade santa, a Nova Jerusalém, “a esposa do Cordeiro”?

      7 Em que sentido é a cidade santa “a noiva, a esposa do Cordeiro”? No sentido de que se compõe da congregação dos discípulos ungidos de Cristo, de seus co-herdeiros no reino messiânico. (Efésios 5:25-27; 2 Coríntios 11:2; Revelação 19:7, 8; 22:17) O glorificado Jesus disse sobre cada um destes: “Escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu da parte do meu Deus, e aquele meu novo nome.” (Revelação 3:12) Os membros da “noiva” são israelitas espirituais, que estão no novo pacto, e são 144.000 em número. Jesus Cristo edificou-os sobre si mesmo qual “rocha”, e seus doze apóstolos repousam sobre ele como que pedras fundamentais complementares. — Mateus 16:18; Revelação 7:4-8; 14:1-5; 21:14.

      8. Por que serão os 144.000 co-herdeiros de Cristo um corpo inteiramente novo de governantes?

      8 Os 144.000 co-herdeiros do Noivo celestial, Jesus Cristo, não incluirão políticos mundanos, nem mesmo reis políticos e eclesiásticos, que têm reinado na cristandade. São um corpo diferente de governantes celestiais, algo inteiramente novo. Não tendo mais natureza humana, possuem a “natureza divina”. São uma “nova criação”. (2 Pedro 1:4; 2 Coríntios 5:17) Preencheram os requisitos para a entrada dum discípulo da terra no reino celestial. ‘Nasceram de novo’, ‘nasceram de água e espírito’, “nasceram, não do sangue, nem da vontade carnal, nem da vontade do homem, mas de Deus”. (João 1:12, 13; 3:3, 5) Em Romanos 6:5, 8, os discípulos de Cristo, gerados pelo espírito, podem ler: “Se ficamos unidos com ele na semelhança de sua morte, certamente seremos também unidos com ele na semelhança de sua ressurreição. Ademais, se temos morrido com Cristo, cremos que também havemos de viver com ele.”

      9. A ressurreição de Cristo era de que espécie, em cuja semelhança os seus 144.000 co-herdeiros hão de ser unidos com ele?

      9 Qual é a “semelhança de sua ressurreição”? Ora, como foi Cristo ressuscitado? Somos informados em 1 Pedro 3:18: “Cristo morreu uma vez para sempre quanto aos pecados, um justo pelos injustos, a fim de conduzir-vos a Deus, sendo morto na carne, mas vivificado no espírito.”

      10. (a) Qual foi o propósito de Deus em ‘preparar’ um corpo de carne para seu Filho Jesus na terra? (b) Como teria de ser ressuscitado Jesus, para viver novamente, depois de ter sido morto na carne, com respeito aos pecados?

      10 Por Deus enviar seu próprio Filho na semelhança da carne pecaminosa, ele humilhou seu Filho, tornando-o “um pouco menor que os anjos”. (Romanos 8:3; Hebreus 2:7-9; Salmo 8:5) Mas Deus não intencionava que seu Filho unigênito continuasse para sempre como criatura de carne e sangue, inferior aos anjos celestiais. Deus intencionou glorificá-lo ainda mais acima dos anjos, pela sua fidelidade na carne até a morte. De modo que o perfeito corpo humano que Deus ‘preparou’ milagrosamente para Jesus, na terra, foi o corpo que Jesus ofereceu a Deus uma vez para sempre, em sacrifício. Foi dado para que a humanidade se alimentasse dele como se fosse pão; assim como Jesus disse: “O pão que eu hei de dar é a minha carne a favor da vida do mundo.” (Hebreus 10:1-10; João 6:51) Assim, depois de Jesus ‘ser morto na carne’, se ele havia de ser trazido novamente à vida, então tinha de ser “vivificado no espírito”, como filho espiritual, celestial, de Deus.

      11. Para que os discípulos de Cristo, gerados pelo espírito, tenham a semelhança de sua ressurreição, em que precisam ser ‘vivificados’, e como se harmoniza isso com 1 Coríntios 15:42-54?

      11 Iguais a Jesus Cristo, seus discípulos gerados pelo espírito têm de ser ‘fiéis até a morte’ na carne. (Revelação 2:10) Para estarem unidos com ele “na semelhança de sua ressurreição”, também precisam ser ‘vivificados no espírito’, iguais a ele, como criaturas espirituais. Sobre a sua espécie de ressurreição lemos em 1 Coríntios 15:42-54:

      “Semeia-se em corrução, é levantado em incorrução. Semeia-se em desonra, é levantado em glória. Semeia-se em fraqueza, é levantado em poder. Semeia-se corpo físico, é levantado corpo espiritual. Se há corpo físico, há também um espiritual. Até mesmo está escrito assim: ‘O primeiro homem Adão, tornou-se alma vivente.’ O último Adão tornou-se espírito vivificante. Não obstante, o primeiro é, não o que é espiritual, mas o que é físico, depois aquilo que é espiritual. O primeiro homem é da terra e feito de pó; o segundo homem é do céu. Assim como é aquele feito de pó, assim são também esses feitos de pó, e assim como é o celestial, assim são também esses que são celestiais. E assim como temos levado a imagem daquele feito de pó, levaremos também a imagem do celestial.

      “No entanto, digo isso, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus, nem pode a corrução herdar a incorrução. Eis que eu vos digo um segredo sagrado: Nem todos adormeceremos na morte, mas todos seremos mudados, num momento, num piscar de olhos; durante a última trombeta. Pois a trombeta soará, e os mortos serão levantados incorrutíveis, e nós seremos mudados. Pois isto que é corrutível tem de revestir-se de incorrução e isto que é mortal tem de revestir-se de imortalidade. Mas, quando isto que é corrutível se revestir de incorrução e isto que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: ‘A morte foi tragada para sempre.’”

      UMA NOVA RESSURREIÇÃO

      12. (a) Visto que a ressurreição dos 144.000 é na semelhança da ressurreição de Cristo, isto argumenta que Cristo teve que espécie de ressurreição? (b) Por que é esta uma ressurreição nova, e o que a torna a “primeira ressurreição”?

      12 Tal ressurreição à incorrução e imortalidade num “corpo espiritual” é o que Romanos 6:5 chama de “semelhança de sua ressurreição”. Isto significa que o próprio Jesus Cristo teve tal ressurreição, não para a vida num corpo físico, que é corrutível, mortal e inferior aos anjos, mas num corpo espiritual e como “espírito vivificante”. (1 Coríntios 15:45) Agora podemos entender por que Jesus, depois de sua ressurreição, teve de materializar corpos humanos, com roupa material, para se tornar visível aos seus discípulos, durante os quarenta dias antes de sua ascensão de volta para o céu. Tratava-se deveras duma nova ressurreição, invisível aos olhos humanos. Precedeu à vindoura ressurreição da humanidade em geral. É também de importância primária. Por isso é chamada de “primeira ressurreição”. É o que o apóstolo Paulo chama de “ressurreição mais breve”. Nela participam os 144.000 co-herdeiros de Cristo. (Filipenses 3:11) É destes que se fala em Revelação 20:4-6:

      “Passaram a viver e reinaram com o Cristo por mil anos. . . . Esta é a primeira ressurreição. Feliz e santo é todo aquele que tem parte na primeira ressurreição, sobre estes a segunda morte não tem autoridade, mas serão sacerdotes de Deus e do Cristo, e reinarão com ele por mil anos.”

      13. Que espécie de organização governamental proverá esta primeira ressurreição para o bem da humanidade, e como se fala disso em 2 Pedro 3:13?

      13 Assim, os membros da “noiva, a esposa do Cordeiro”, passam pela mesma espécie de ressurreição que o Noivo, Jesus Cristo. Será que percebemos exatamente o que é que essa ressurreição produzirá? Ela proverá um corpo de governantes incorrutíveis e imortais, para o bem de toda a humanidade. Nenhum dos governantes terrenos do homem teve imortalidade. (1 Timóteo 6:15, 16) Jesus Cristo e seus 144.000 co-reis e co-sacerdotes serão de categoria superior a qualquer governo terrestre que a humanidade já teve nos seus seis mil anos de existência. Será o tipo melhor e mais elevado de governo que Deus poderia dar à humanidade. Substituirá todos os governos humanos que foram manipulados por Satanás, o Diabo, e seus demônios. Deus o usará para introduzir na terra a sua nova ordem, porque será como novos “céus” governamentais. — 2 Pedro 3:13.

      14. (a) O que tem de acontecer com os atuais velhos “céus” sobre a humanidade? (b) De que maneira será o novo governo uns “céus”, em sentido verdadeiro?

      14 Os “céus” governamentais constituídos pelo homem terão de desaparecer, junto com seu apoiador invisível, Satanás, o Diabo, “o governante deste mundo”. (João 12:31) Eles estão próximos de sua destruição na “grande tribulação”, que atingirá a sua máxima fúria destrutiva no Har-Magedon, em que a “guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”, resultará na vitória culminante de Jeová, o Soberano do céu e da terra. (Revelação 16:14-16; 19:11-21; Daniel 2:44) Os novos “céus” governamentais terão de assumir poder e controle indisputados. Terão de ser celestiais, não meramente dum modo furtivo, mas de modo real, sendo constituídos de governantes espirituais que têm “natureza divina” e são imortais e incorrutíveis. (2 Pedro 1:4) Benditos os nossos olhos quando virem na realidade o que o apóstolo João viu em visão! Sua descrição disso é cativante:

      “E eu vi um novo céu e uma nova terra; pois o céu anterior e a terra anterior tinham passado, e o mar já não é. Vi também a cidade santa, a Nova Jerusalém, descendo do céu, da parte de Deus, e preparada como noiva adornada para seu marido. Com isso ouvi uma voz alta do trono dizer: ‘Eis que a tenda de Deus está com a humanidade, e ele residirá com eles e eles serão os seus povos. E o próprio Deus estará com eles. E enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.’” — Revelação 21:1-4.

      O ESPÍRITO APÓIA O REI DA LINHAGEM DE DAVI

      15, 16. (a) Quem era a origem natural de Davi e de sua linhagem de reis sobre Israel? (b) Como se tornou esta origem natural igual a um toco de árvore com seu sistema de raízes, e em quem atingiu esta origem natural seu descendente visado?

      15 Mais adiante, na visão de João, o Noivo celestial, Jesus Cristo, disse: “Eu sou a raiz e a descendência de Davi, e a resplandecente estrela da manhã.” (Revelação 22:16) O pai do Rei Davi era Jessé, de Belém e da tribo de Judá. De modo que Jesus era descendente de Jessé por meio de Davi. Também, Jessé era a origem natural do Rei Davi e da linhagem de reis de Davi sobre Israel.

      16 O reino davídico era como uma árvore, que tinha sua base e suas raízes no pai de Davi, Jessé. No ano 607 A. E. C., na destruição de Jerusalém e na remoção de seu rei para Babilônia, aquela árvore do reino foi cortada. O reino davídico nunca foi restabelecido em Jerusalém. O que restou era como o toco duma árvore, com seu sistema de raízes. Isto representava o pai de Davi, Jessé. Jessé ficou sem descendente que reinasse ativamente sobre Israel. Mas, ainda havia vitalidade naquele toco de árvore e nas suas raízes, pois a descendência de Jessé, por meio do Rei Davi, ainda continuava. Atingiu o membro visado no Messias Jesus.

      17. (a) Como revivificou Jesus Cristo o reino que tem sua origem em Jessé? (b) Quando foi este reino colocado em poder, e qual é a força que ativa o Rei que é descendente de Jessé por meio de Davi?

      17 Visto que Jesus nasceu da virgem judaica Maria, em Belém, ele se tornou como “renovo” saído do toco de Jessé e como “rebentão” procedente das raízes de Jessé. Como tal, podia reavivar o reino baseado em Jessé, pai dos reis de Israel. Quando Jeová Deus ungiu a Jesus com espírito santo, este simbólico “renovo” ou “rebentão” tornou-se o Rei designado do reino davídico. No fim dos Tempos dos Gentios, em 1914, Deus o entronizou como Rei no céu. Sobre esta atividade diz Isaías 11:1-5:

      “E do tronco [toco] de Jessé terá de sair um renovo; e das suas raízes frutificará um rebentão. E sobre ele terá de pousar o espírito de Jeová, o espírito de sabedoria e de compreensão, o espírito de conselho e de potência, o espírito de conhecimento e do temor de Jeová; e deleitar-se-á no temor de Jeová.

      “E não julgará pelo que meramente parece aos seus olhos, nem repreenderá simplesmente segundo a coisa ouvida pelos seus ouvidos. E terá de julgar com justiça os de condição humilde e terá de dar repreensão com retidão em benefício dos mansos da terra. E terá de golpear a terra com a vara da sua boca; e ao iníquo entregará à morte com o espírito de seus lábios. E a justiça terá de mostrar ser o cinto de seus quadris, e a fidelidade, o cinto de seus lombos.”

      18. (a) De que modo golpeia o simbólico renovo a terra com a vara de sua boca? (b) Como mata ele os iníquos com o espírito de seus lábios?

      18 Durante a vindoura “grande tribulação”, o simbólico ‘renovo do toco de Jessé’, de fato, ‘golpeará a terra com a vara da sua boca’. As ordens reais procedentes de sua boca tornar-se-ão como uma vara que despedaça o arranjo social, terrestre, da humanidade, a velha ordem de coisas. Suas ordens são vigorosas, urgentes e incitam à ação, e procedem de seus lábios com efeito mortífero para os seus inimigos obstinados.

      19. Como é que o Rei, apoiado pelo espírito de Deus, liberta os mansos e os de condição humilde para sempre do opressor iníquo?

      19 Falar assim com a autoridade dum executor, contra inimigos iníquos, corresponde à “longa espada afiada”, retratada como se estendendo da boca do Rei, para “que golpeasse com ela as nações, e ele as pastoreará [as nações] com vara de ferro”. (Revelação 19:11-15) Procedendo assim, o rei messiânico, apoiado pelo espírito de Jeová, liberta os mansos e os de condição humilde na terra. Quando ele reinar com seus 144.000 reis companheiros, não permitirá que os opressores iníquos assumam novamente o poder na terra.

      20. O reajustamento de quem é predito em Isaías 11:10-12, e aonde são ajuntados, bem como a que condição?

      20 Desde a sua entronização nos céus, no fim dos Tempos dos Gentios, em 1914, o simbólico “rebentão” saído das raízes de Jessé serviu para o cumprimento duma parte adicional da profecia do capítulo onze de Isaías. Realizou o reajustamento do restante de seus co-herdeiros ungidos, de todas as partes da terra, às quais tinham sido espalhadas pelas perseguições durante e após a Primeira Guerra Mundial. Ele os levou a um paraíso espiritual, onde usufruem paz e harmonia com Deus e produzem abundantes “frutos do espírito”. (Gálatas 5:22, 23) A bestialidade do mundo é mantida fora! (Isaías 11:6-9) Isaías aguardava o reajustamento e o restabelecimento do Israel espiritual e disse:

      “E naquele dia terá de acontecer que haverá a raiz de Jessé posta de pé qual sinal de aviso para os povos. A ele é que irão consultar as nações, e seu lugar de descanso terá de tornar-se glorioso.

      “E naquele dia terá de acontecer que Jeová oferecerá novamente a sua mão, pela segunda vez, para adquirir o restante do seu povo que remanescerá da Assíria, e do Egito, e de Patros e de Cus, e de Elão, e de Sinear, e de Hamate, e das ilhas do mar. E ele há de levantar um sinal de aviso para as nações e ajuntar os dispersos de Israel; e reunirá os espalhados de Judá desde as quatro extremidades da terra.” — Isaías 11:10-12.

      21. Como é chamado aqui o simbólico “rebentão” das raízes de Jessé, e como foi ele constituído em “sinal de aviso” para as nações?

      21 Aqui se fala do simbólico “rebentão” das raízes de Jessé como sendo a própria “raiz” de Jessé. No fim dos Tempos dos Gentios, em 1914, este rei messiânico foi elevado ao poder régio. Sendo anunciado em todo o mundo, ele tem servido de “sinal de aviso” ao qual os do restante espalhado dos israelitas espirituais têm de se ajuntar, visto que ele é o Rei reinante. Estes reajustados e restabelecidos têm cumprido desde então sua unção, de dar destaque ao rei messiânico e seu reino perante toda a humanidade.

      22. Para quem se voltaram agora pessoas das nações, com indagação, e quem respondeu a estas, com que resultado?

      22 Centenas de milhares de pessoas, de todas as nações, já se voltaram agora para o rei messiânico, que é igual a um sinal de aviso. Convenceram-se de que o glorificado Jesus Cristo é realmente o prometido Messias de Jeová. O restante ungido, respondendo às suas indagações, ajudou-as neste respeito. Elas se ajuntaram jubilantes ao lado do reino messiânico de Jeová, aclamando-o como a única esperança de toda a humanidade. Já constituem uma “grande multidão”, cujo número final, quando vier a “grande tribulação”, não sabemos. — Revelação 7:9-17.

      “UMA NOVA TERRA”

      23. Quão seguramente serão os novos céus e a nova terra colocados no seu lugar por Jeová, e que espécie de ação poderá ter de tomar para levar seu povo para a Nova Ordem?

      23 A velha ordem iníqua, que se arraigou tão profundamente na terra, precisa desaparecer — na destruição! Jeová apronta agora todas as coisas para a gloriosa nova ordem! Ele ‘plantou’ os novos “céus” governamentais, arraigando-os tão profundamente na sua organização universal, que nunca poderão ser arrancados por homens ou demônios. A “nova terra” que ele inaugurará será colocada em alicerces tão firmes, que nada poderá fazê-la cambalear ou cair em ruína. Nesta nova ordem ele introduzirá o restante do Israel espiritual e a “grande multidão”, mesmo que tenha de fazer assim como fez no Mar Vermelho, lá nos dias de Moisés, agitando as águas e tornando-as revoltas, para abrir um corredor, a fim de que seu povo liberto passasse por ele. O seguinte é o que ele disse em Isaías 51:15, 16:

      “Eu, Jeová, sou teu Deus, Aquele que agita o mar para tumultuar as suas ondas. Jeová dos exércitos é seu nome. E porei as minhas palavras na tua boca e hei de cobrir-te com a sombra da minha mão, a fim de plantar os céus e lançar o alicerce da terra, e para dizer a Sião: ‘Tu és meu povo.”

      24. Na boca de quem colocou Jeová a sua palavra, e por que cobriu a tais com a sombra de sua mão?

      24 Nenhum obstáculo colocado no Seu caminho pelos inimigos mostrará ser invencível para Jeová. Assim como no monte Sinai Ele colocou sua palavra na boca de seu povo escolhido, por meio do mediador Moisés, e depois os guiou sob a sombra protetora de sua mão para a Terra da Promessa, assim fez com o restante do Israel espiritual. Pôs a sua palavra, sua mensagem do momento, na boca do restante espiritual, para que este a confessasse abertamente, perante todo o mundo, para a salvação de si mesmo e de todos os ouvintes favoráveis. Uma “grande multidão” de “outras ovelhas” tem aceito o que ouviu e tem tomado a palavra de Deus na sua boca. Visto que todos estes se tornaram Suas testemunhas cristãs, Jeová os abriga sob a sombra de sua mão, para protegê-los neste mundo.

      25. (a) De que será tornado parte o restante protegido, por Jeová, e que reconhecimento lhe fará Ele? (b) Em que constituirá Deus a “grande multidão” protegida, e de quem se diz que serão o povo?

      25 Jeová tem um objetivo ao agir assim. Seu objetivo é tornar o restante fiel, por fim, parte dos novos “céus” governamentais, como co-herdeiros do Rei Jesus Cristo. Quanto aos da “grande multidão” de “outras ovelhas”, Jeová fará deles a parte inicial da “nova terra”, a nova sociedade terrestre na Nova Ordem. Preservando o restante fiel do Israel espiritual durante a vindoura “grande tribulação”, estará dizendo a estes israelitas espirituais, que se ‘chegam ao Monte Sião celestial e à Jerusalém celestial’: “Tu és meu povo.” (Hebreus 12:22; Isaías 51:16) Também, a protetora “tenda de Deus” começará a estar com a “grande multidão” sobrevivente, e, como diz Revelação 21:3: “Eles serão os seus povos.”

      26. Que espírito estará ausente na Nova Ordem, e com que se enchem agora os que esperam entrar nela?

      26 Espírito santo operará e prevalecerá na nova ordem global. Jeová terá eliminado o polidor “espírito que agora opera nos filhos da desobediência”. Esses “filhos da desobediência” terão perecido na “grande tribulação”, e Satanás, o Diabo, junto com seus demônios, terão sido lançados no abismo. (Efésios 2:2; Revelação 20:1-3) Na preparação para a Nova Ordem, os prospectivos sobreviventes da vindoura “grande tribulação” continuam a ‘ficar cheios de espírito’ da parte de Deus. — Efésios 5:18.

      27. Na Nova Ordem, o que ocorrerá, que nem mesmo a medicina progressista pode hoje igualar?

      27 Só podemos tentar imaginar como será aqui, na terra, após a “guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”, no Har-Magedon, e após o encarceramento de Satanás e seus demônios no “abismo”. O espírito santo imperará então em toda a terra. Lembramo-nos de quão espantosamente o espírito santo operou nos dias de Jesus Cristo e de seus apóstolos, na terra, há dezenove séculos. Ocorreram milagres assombrosos, para a indizível alegria das pessoas beneficiadas por eles. A medicina progressista da atualidade não tem nada que se possa comparar com as curas instantâneas que ocorreram naquele tempo por espírito santo. Houve até mesmo ressurreições de pessoas dentre os mortos! Ainda mais, houve também uma cura espiritual, por meio da proclamação e do ensino das boas novas do reino messiânico de Jeová. Houve livramento dos retidos em servidão à religião falsa, tradicional e mortífera.

      PERSPECTIVAS DA NOVA ORDEM!

      28. Que papel, na terra, desempenhará o restante sobrevivente nas atividades da Nova Ordem, e até que chegue o tempo para quê?

      28 Os milagres que ocorreram nos dias da fundação da congregação cristã foram realmente maravilhosos. Mas, foram apenas vislumbres do que será realizado por espírito santo na nova ordem de Jeová. Podemos esperar que o restante sobrevivente participe nas atividades emocionantes no começo da Nova Ordem. Mas, não sabemos das Escrituras Sagradas por quanto tempo será. Eles aguardam um “casamento” — o casamento celestial do Cordeiro com sua inteira congregação-noiva. Quando este se realizar, desaparecerão do cenário terrestre e serão recompensados com uma participação feliz na “primeira ressurreição”. Por isso precisam mostrar-se fiéis até a morte.

      29. Verá a “grande multidão” a ressurreição da classe da Noiva ou a ressurreição de quem verá ela?

      29 A ressurreição da classe da Noiva será invisível aos olhos da “grande multidão” de sobreviventes da tribulação, os quais esperam habitar para sempre no paraíso restabelecido na terra. Mas, haverá ressurreições na terra, as quais serão visíveis à “grande multidão” na “hora” em que Deus ressuscitar os mortos humanos por meio de Cristo.

      30. No caso dos mortos humanos, remidos, de que dependerá se a ressurreição levará à vida eterna ou a um julgamento de condenação?

      30 O próprio Jesus Cristo aguarda esta hora. Ele a predisse, quando falou sobre o dia do julgamento mundial e disse: “Vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a sua voz e sairão, os que fizeram boas coisas, para uma ressurreição de vida, os que praticaram coisas ruins, para uma ressurreição de julgamento.” (João 5:27-29) No caso de todos os ressuscitados em virtude do sacrifício resgatador de Jesus Cristo, tudo depende de seu proceder futuro, sob o reino de Cristo, quanto a se a ressurreição finalmente resultará em vida eterna numa terra paradísica ou em julgamento, pelo qual serão condenados à destruição eterna. Aqueles que se renderem então ao prevalecente espírito santo e o deixarem ser a força diretriz na sua vida obterão vida eterna no Paraíso. Aqueles que resistirem ao espírito santo, cuja operação será então muitíssimo evidente, sofrerão a pena pelo pecado contra o espírito santo, a saber, a morte eterna.

      31. Que promessa feita no dia de sua morte ainda se sente o Rei Jesus Cristo obrigado a cumprir, e quando chegará a “hora” para isso?

      31 O Rei celestial, Jesus Cristo, ainda se sente sob a obrigação de cumprir a promessa que fez ao malfeitor compassivo, que morreu ao seu lado no Calvário, naquele dia tenebroso de 14 de nisã de 33 E. C. Naturalmente, aquele malfeitor, então pendurado numa estaca, está morto agora e não se lembra de nada. (Eclesiastes 9:5, 10) Mas o glorificado Jesus Cristo lembra-se das suas palavras a esse compassivo: “Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso.” (Lucas 23:39-43) Em vista desta referência ao Paraíso, a “hora” em que Jesus deixar o malfeitor no túmulo memorial ouvir a sua voz só chegará quando o restabelecimento do Paraíso na terra já estiver bem avançado e o malfeitor ressuscitado puder notar a mudança no cenário terrestre. Harmonizando sua vida com o espírito santo, da parte de Deus por meio de Jesus Cristo, o malfeitor poderá fazer com que sua ressurreição seja da espécie que finalmente resulta em vida eterna no Paraíso global.

      32. Entre os acolhidos de volta dentre os mortos, para a vida terrena, haverá que “nuvem” mencionada nas Escrituras?

      32 Nós, os que então estivermos na terra, receberemos de volta, dos mortos, não só os nossos parentes e amigos remidos, mas também os fiéis homens e mulheres da antiguidade, que eram testemunhas de Jeová e também eram movidos por espírito santo. Estes incluirão a “tão grande nuvem de testemunhas”, de João Batista para trás, até o primeiro mártir a favor de Jeová, a saber, Abel. (Hebreus 11:2 a 12:1) É provável que estes tenham um papel influente na Nova Ordem.

      33. Que posição oficial receberão homens desta “nuvem” ao lado de outros, e para que comunicação talvez sirvam de intermediários?

      33 Dentre esses, o Rei Jesus Cristo tomará homens que ele ‘designará para príncipes em toda a terra’. (Salmo 45:16) Antes deles, já haverá “príncipes” na terra. Quem? Aqueles homens, dentre a “grande multidão” de sobreviventes da “tribulação”, que já terão sido designados para ser tais, no começo da Nova Ordem. (Revelação 7:9-17; Isaías 32:1, 2) Mas todos os “príncipes” serão representantes terrestres, visíveis, dos “novos céus”, o novo governo celestial de Jesus Cristo e dos 144.000 co-herdeiros de Jesus Cristo. Sem dúvida, estes “príncipes” servirão como intermediários na comunicação entre o Reino invisível e a sociedade terrestre, visível, da humanidade remida, a “nova terra”.a

      34. Na Nova Ordem, como cumprirá Jesus Cristo seu papel titular de “Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz”?

      34 A Nova Ordem será de paz serena, até os quatro cantos da terra. Estará sob o governo real daquele, cujo Pai celestial o designou para levar os títulos “Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz”, e “da abundância do domínio principesco e da paz não haverá fim”. (Isaías 9:6, 7) Ele se tornará Pai Eterno, porque seu “domínio principesco” será paterno, dando vida a todos os seus súditos obedientes como filhos dele. Será também Deus Poderoso, porque será Juiz semelhante a Deus; mas ele não será adorado como tal, pelos beneficiados na terra. — Salmo 82:1-6; João 1:1; 10:33-36.

      35. Quem somente será então adorado como Deus?

      35 Somente Jeová será adorado então, pois está escrito a respeito da Nova Ordem: “Eis que a tenda de Deus está com a humanidade, e ele residirá com eles e eles serão os seus povos. E o próprio Deus estará com eles. E enxugará dos seus olhos toda lágrima.” (Revelação 21:3, 4) Satanás, o Diabo, “o deus deste sistema de coisas”, não será deus da Nova Ordem. (2 Coríntios 4:4) A adoração do Diabo e dos demônios terá sido abolida. Jeová é que será adorado como Deus.

      36. Que frutos enriquecerão a Nova Ordem, mas quem aparecerá no fim dos mil anos do reinado de Cristo?

      36 Toda a Nova Ordem será permeada por espírito santo. (Salmo 139:7-10) O Paraíso da Terra será enriquecido pelos “frutos” daquele espírito, tais como amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura e autodomínio. (Gálatas 5:22, 23) Tal condição espiritualmente frutífera florescerá até o fim do reinado milenar de Cristo. Mas o que se dará então? Satanás e seus demônios subirão do abismo, sendo soltos “por um pouco”. Eles tentarão, por meio de engano, fazer com que toda a terra seja novamente dominada pelo “espírito que agora opera nos filhos da desobediência”. Até que ponto serão bem sucedidos contra o prevalecente espírito santo de Deus? — Revelação 20:3.

      37. (a) Na Nova Ordem, que incursões farão Satanás e seus demônios contra o espírito santo prevalecente? (b) Como será Jeová vindicado para sempre?

      37 Somente ao ponto de induzir certo número dos da humanidade restabelecida a cometer o pecado imperdoável contra o espírito santo. Estes se cortam assim da Fonte celestial do espírito de vida, Jeová Deus. Isto significará para eles a morte eterna, “a segunda morte”. Mas, que dizer da vasta maioria da humanidade, no seu lindo lar paradísico? Ah! no caso deles, o espírito santo triunfará gloriosamente. Em amor eterno de espírito santo, resistirão aos enganos tentadores de Satanás. Permanecerão inabalavelmente leais ao Soberano legítimo de todo o universo, seu Deus, Jeová. Passarem com fidelidade pela prova final servirá para a vindicação eterna de Jeová. Produzirá a solução final e decisiva da muito disputada controvérsia dos séculos, a respeito da integridade altruísta das criaturas de Jeová para com ele, qual Soberano Universal. A acusação falsa de Satanás será amplamente refutada e Jeová será provado fiel, acima de tudo e para todo o sempre. (Romanos 3:4) O “pouco” tempo do livramento de Satanás terá então acabado. Portanto, seja ele, com todo o seu “descendente”, esmagado para nunca mais existir, em cumprimento da promessa edênica de Jeová. (Gênesis 3:15; Revelação 20:7-15) Aleluia!

      38. De que modo será eternamente feliz o futuro dos homens e das mulheres que então permanecerem cheios de espírito santo?

      38 Estaremos nós presentes ali para testemunhar a destruição eterna de toda a iniqüidade, no céu e na terra, e viver com um futuro à nossa frente? Feliz será este futuro infindável para todos os homens e mulheres que tiverem permanecido cheios de espírito santo, em devoção inquebrantável ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Julgados por Ele como merecedores do dom da vida eterna, usufruirão juventude perpétua, em perfeição humana, no meio dum Paraíso de beleza imarcescível e provisões inesgotáveis para uma vida alegre. Desejarão sempre viver em harmonia com o espírito santo que em todo o tempo esteve por detrás de tal nova ordem em honra de Deus. Tomara que nos mostremos dignos desta nova ordem! Em harmonia com este desejo de coração, seja nossa oração constante a do salmista Davi, dirigida a Deus no meio dum mundo hostil:

      “Livra-me dos meus inimigos, ó Jeová, é junto a ti que me abriguei. Ensina-me a fazer a tua vontade, porque tu és o meu Deus. Teu espírito é bom, guie-me ele na terra da retidão.” — Salmo 143:9, 10.

      39. Em conclusão, o que dizemos àqueles que mesmo já agora desejam viver em harmonia com o espírito de Deus?

      39 Em conclusão, dizemos sinceramente a todos os que mesmo já agora desejam viver em harmonia com a força ativa, santificadora, de Deus: “A benignidade imerecida do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a participação no espírito santo sejam com todos vós.” — 2 Coríntios 13:14.

Publicações em Português (1950-2026)
Sair
Login
  • Português (Brasil)
  • Compartilhar
  • Preferências
  • Copyright © 2025 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade
  • Configurações de Privacidade
  • JW.ORG
  • Login
Compartilhar