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    A Sentinela — 1969 | 1.° de outubro
    • A corrida pelo prêmio da vida

      CONFORME NARRADO POR OTTO MÄKELÄ

      FOI EM princípios de outono de 1919. Tomei meu lugar na linha de partida para uma corrida de 3.000 metros. Não pensei em vencer ou mesmo em ganhar um prêmio, pois achava que os outros corredores eram melhores do que eu. Ao se dar o sinal de partida, fiquei para trás. Era muito fácil de se correr, e quando já tínhamos percorrido dois quilômetros sem que o passo aumentasse, decidi aproximar-me dos na dianteira para ver o que acontecia lá na frente. Mesmo quando cheguei ao primeiro grupo, eles ainda continuaram no mesmo passo vagaroso. Fiquei muito intrigado, mas prossegui, tomando a dianteira, ainda não me dando conta de que os outros simplesmente não podiam correr mais depressa e que eu estava na minha melhor forma.

      Cerca de 400 metros antes do ponto de chegada, empenhei toda a minha força na corrida e deixei todos para trás, tornando-me o vencedor. Fiquei realmente surpreso de saber, também, que meu tempo tinha batido o recorde daquele ano na Finlândia. Alegrei-me com a façanha e pensei: “Aguardam-me grandes momentos de sucesso e baterei em breve recordes mundiais?” Não podia saber que, até o fim daquele ano, se me apresentaria a oportunidade de correr numa pista de corrida melhor.

      PRIMEIROS EVENTOS NA MINHA VIDA

      Como criança, sempre estive interessado em corridas, mas também me havia interessado nos assuntos mais sérios de que os adultos amiúde falavam. Quando tínhamos visitas que falavam de assuntos sérios, eu costumava afastar-me das outras crianças, ocultar-me num esconderijo sem ser observado e escutar a conversa. Alguns defendiam a Deus e a Bíblia, e outros o negavam. Eu os ouvia falar sobre um inferno de tormento eterno, o espiritismo e outros tópicos. Quando atingi uns oito a dez anos de idade, já havia debatido na mente se iria servir a Deus ou não. Quando acordava à noite e sentia medo, eu ficava preocupado com a idéia dum inferno de fogo.

      Quando tinha dez anos de idade, aceitei gradualmente a idéia de que a Bíblia era apenas invenção de homens e que havia sido o instrumento usado para dominar e oprimir os homens. Depois, quando cheguei aos doze anos, ouvi uns jovens missionários evangélicos-luteranos falar sobre o assunto de sua partida para terras pagãs. O que diziam, impressionou-me profundamente, tanto assim que “me converti” e comecei a ler a Bíblia. Quando meu professor soube disso, ficou muito satisfeito e prometeu matricular-me numa escola missionária. assim que eu tivesse idade suficiente. Todavia, com o passar dos anos, houve muitas mudanças. Meu professor faleceu. Eu tinha muitos problemas, embora continuasse a ler a Bíblia, sem compreender muita coisa.

      Mais tarde, fiquei tão afeiçoado aos esportes, que o assunto me enchia a cabeça a ponto de excluir quase tudo o mais. Mas, a minha consciência me incomodava de vez em quando. ‘Não será a obra missionária a vontade de Deus para você?’ eu lembrava a mim mesmo. Já havia orado por dez anos por aquela carreira.

      Certo dia, quando eu estava prestes a ir a uma corrida, chegou à casa uma senhora que ofereceu literatura religiosa. Se eu não tivesse já concordado em estar na corrida, teria de bom grado escutado tudo o que ela tinha a dizer. Não obstante, adquiri o livro O Mistério Consumado, que, entre outras coisas, considerava o livro bíblico de Revelação ou Apocalipse. Eu o li avidamente, nem me incomodando no mínimo com a condenação das religiões da cristandade pela Bíblia. Por outro lado, a “consagração” (dedicação) a Deus me parecia um passo grande demais para mim. Comecei a suspeitar que a aplicação dos princípios cristãos poderia resultar em ter de abandonar os esportes competitivos. Achei que nunca poderia fazer isso, deixando assim de ler o livro.

      Pouco depois, assisti a uma conferência pública proferida na nossa aldeia por um representante da Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia. Esta superava em muito qualquer sermão que eu já tinha escutado, mas ainda não houve em mim nenhuma mudança; continuei nos esportes.

      ABRE-SE OUTRA PISTA DE CORRIDA

      Um dos meus melhores amigos, que havia partilhado meu interesse nos esportes, era praticamente um incrédulo. Por esta razão eu sempre hesitara em falar com ele sobre religião. Temia que assim acabasse a nossa amizade. Encontrando-me com ele novamente, em certa ocasião, após uma longa separação, soube que tinha mudado de idéia quanto a casar-se com certa moça. Sua resposta de cinco palavras à minha pergunta surpresa foi: “Eu sou Estudante da Bíblia” (como se chamavam então as testemunhas de Jeová). Parece que a moça com que planejara casar-se não aprovara a sua nova religião. Ele quis acatar a admoestação bíblica de casar-se “somente no Senhor”, isto é, casar-se com alguém da mesma fé. — 1 Cor. 7:39.

      Este homem havia realmente mudado. Admirei-me que um homem pudesse renunciar mesmo às suas expectativas mais queridas, só por causa daquilo que a Bíblia diz. A profunda impressão que esta situação causou em mim induziu-me a considerar novamente a questão da dedicação. Novamente me surgiu na mente a pergunta: Prosseguiria na minha carreira intencionada nos esportes competitivos? A Bíblia indicava uma corrida muito mais apropriada: “Não sabeis que os corredores numa corrida correm todos, mas apenas um recebe o prêmio? Correi de tal modo, que o possais alcançar. Além disso, cada homem que toma parte numa competição exerce autodomínio em todas as coisas. Ora eles, naturalmente, fazem isso para obterem uma coroa corrutível, mas nós, uma incorrutível.” — 1 Cor. 9:24, 25.

      Diante de mim havia duas pistas de corrida, uma que oferecia fama e a glória do mundo, e a outra oferecia ao vencedor a aprovação de Deus e a vida eterna. Eu não poderia correr em ambas. A experiência de meu amigo foi uma lição maravilhosa para mim. Tomei a decisão de dedicar minha vida a Deus e pus-me a aprender todas as regras de minha nova carreira.

      O SINAL DE PARTIDA PARA A LONGA CORRIDA

      Em pouco tempo eu obtive todos os sete volumes dos Estudos das Escrituras, publicados pela Sociedade Torre de Vigia, e até princípios de 1920 eu já havia lido a todos eles. Fiquei completamente convencido de que o inferno bíblico não era senão a sepultura comum de toda a humanidade, e que, em vez de as pessoas terem almas, cada uma era uma alma. Muitas outras verdades bíblicas brilhavam agora claramente. No abril daquele ano sujeitei-me ao batismo em água como símbolo externo da dedicação que fizera. Para mim, era como que o sinal de partida nesta nova competição, a corrida pelo prêmio da vida.

      As coisas não eram fáceis. Meu pai havia morrido em 1914, e, visto que eu era o mais velho de seis filhos, cabia-me colaborar com mamãe para ganhar o sustento da família. Parecia-me que ia ficar preso por muito tempo nesta situação, ao passo que ansiava participar na obra missionária. Naqueles dias, nem todos os Estudantes da Bíblia participavam na pregação de casa em casa; isto era feito apenas por certos representantes de tempo integral da Sociedade Torre de Vigia. No entanto, decidi ter alguma parte na divulgação do conhecimento que havia adquirido, embora estivesse sendo restrito pelo pequeno negócio que tínhamos. Eu colocava literatura bíblica com muitos dos meus fregueses e mantinha muitas palestras interessantes. Mas, ainda não estava satisfeito.

      Durante 1920, o já mencionado amigo meu e eu nos associávamos com um pequeno grupo local de Estudantes da Bíblia, na maioria composto de mulheres. Éramos bastante acanhados e relativamente novos; de modo que as mulheres dirigiam as sessões de estudo. Instavam conosco para que liderássemos na oração e passássemos a dirigir as reuniões, mas ambos achávamos no início que não estávamos à altura da responsabilidade. Quando finalmente consenti, verifiquei que me cabia então tomar a dianteira no grupo. Começamos a fazer alguma pregação de casa em casa, e a congregação cresceu, primeiro a vinte pessoas, e depois ficou tão grande, que foi necessário organizar três grupos separados dentro dum raio de dez quilômetros.

      Visto que o nosso negócio de família não tinha muito movimento no princípio do ano, decidi passar janeiro e fevereiro de 1921 num território distante, onde eu podia pregar a pessoas que nunca haviam ouvido falar das maravilhosas promessas da Bíblia. Minha irmã tomou conta das coisas em casa. O território escolhido distava uns 200 quilômetros. Decidi falar às pessoas o mais que pudesse sobre as coisas que havia aprendido da literatura da Sociedade Torre de Vigia. As pessoas eram muito receptivas, falando de bom grado sobre a Bíblia e aceitando literatura.

      Muitas foram as experiências felizes que tive durante aqueles meses, e algumas delas bem estranhas. Por exemplo, encontrei uma senhora que estava nas garras dos demônios e que ameaçava paralisar-me para que eu não me pudesse mexer. Mas, todas as tentativas de enfeitiçar-me fracassaram, e quando lhe expliquei com a Bíblia o assunto dos demônios e da escravidão a que sujeitam os humanos, ela não agüentou mais e chorou.

      ABREM-SE NOVOS CAMPOS

      Quando voltei para casa, depois daquele intervalo maravilhoso de dois meses na obra missionária, recebi uma carta surpreendente da filial da Sociedade Torre de Vigia em Hélsinqui. Poderia eu tornar-me seu representante viajante especial por duas semanas, percorrendo o país inteiro e dando conferências bíblicas em aldeias, vilas e até mesmo cidades? Embora eu no princípio hesitasse, pensei que, se esta era a vontade do Senhor, então eu poderia contar com o seu espírito para me ajudar. Concordei em aceitar isso e tive o privilégio feliz de falar a enormes assistências sobre o assunto “Chegou o Anticristo! — Quê? Quando? Onde?”

      As duas semanas passaram rapidamente, e logo eu estava novamente em casa. Mas, chegou outra mensagem inesperada de Hélsinqui, esta vez convidando-me a tornar-me representante viajante regular no que então se chamava de obra de “peregrino”. Minha responsabilidade para com a família assomou como barreira intransponível, mas, para a minha grande surpresa, os membros da minha família concordaram em partilhar do encargo e livrar-me para a obra que eu ansiava fazer. Naquele tempo, eu tinha vinte e quatro anos de idade, e consegui continuar por cinco anos, durante os quais cheguei a conhecer quase que todas as Testemunhas na Finlândia. Às vezes eu tinha assistências que ascendiam a mil. A obra era muito satisfatória; deveras, era emocionante ver pessoas responder assim à mensagem libertadora da Bíblia.

      Entrementes, a situação em casa também dava alegria. Minha mãe começou a ler regularmente A Sentinela. Também a minha irmã progrediu ao ponto de se dedicar. De fato, aquela pequena congregação mostrou ser uma escola de treinamento da qual partiram Testemunhas experientes para se empenhar na pregação de tempo integral em outras partes do campo. Alguns foram como missionários para a Estônia, e diversos outros, inclusive meu amigo mais antigo, foram convidados a ingressar no serviço de “peregrino”.

      Ao fim de cinco anos, fui convidado a vir ao escritório matriz da Sociedade em Hélsinqui, para ajudar nas muitas fases administrativas. Posso agora olhar para trás, para os vinte anos de tal atividade privilegiada como bom período de treinamento. Apreciei acima de tudo a oportunidade de observar de perto a orientação do espírito de Jeová nos assuntos do seu povo na terra. Depois, também, daquela posição vantajosa, pude observar a emocionante expansão que ocorreu na Finlândia.

      MAIS ALEGRIAS E RESPONSABILIDADES

      Casei-me aos quarenta anos de idade, e, embora isso envolvesse responsabilidades adicionais, não iria interferir com o meu ministério de tempo integral. Minha esposa se sentia satisfeita em ajudar no meu negócio secular. Não demorou até que tivéssemos quatro filhos, dois meninos e duas meninas. Durante este período, gastei muito tempo na filial da Sociedade em Hélsinqui. Todavia, gastava também cada semana algum tempo com a minha família, treinando e ajudando os filhos a crescerem em apreço da adoração verdadeira de Deus. As duas moças tornaram-se, por fim, missionárias, assim como um dos rapazes. Até mesmo a minha esposa, com todos os seus deveres adicionais, achava tempo de passar de vez em quando um mês inteiro na pregação de casa em casa. Jeová certamente abençoou todos os nossos esforços.

      Em 1958, com a exceção de um dos rapazes, a família inteira teve o privilégio de assistir à grande assembléia internacional realizada em Nova Iorque. Que experiência inesquecível! As lembranças e as impressões recebidas voltam à memória vez após vez. Foi um estímulo reanimador para a parte da corrida pela vida que ainda estava à frente.

      Os anos se passaram rapidamente, sim, até mesmo décadas. Vinte e sete anos após o nosso casamento, todos os nossos quatro filhos estavam casados, cada um deles tendo escolhido um cônjuge dedicado a Jeová. Uma das minhas filhas ainda está na obra missionária de tempo integral, e tenho esperanças que os outros ainda a escolham por sua carreira na vida.

      Aconteceram também outras coisas. O Presidente Knorr, da Sociedade Torre de Vigia, visitou a Finlândia e fez alguns novos arranjos para a obra do Reino. Tive o privilégio de servir novamente como representante viajante, visitando e ajudando as congregações a aumentar e melhorar seu ministério. Isto contribuiu muito para o meu crescimento à madureza. Aprendi a compreender as muitas situações variadas e difíceis em que as Testemunhas se esforçam a agradar a Deus. Observei como o bom exemplo é muitas vezes mais valioso do que palavras. Regozijei-me com a abundância transbordante de alimento espiritual, ao passo que a luz sobre a Palavra escrita de Deus tem brilhado cada vez mais.

      Em 1958, comecei a preocupar-me com o fato de que, com a idade, minha corrida na carreira iria começar a diminuir. O representante da Sociedade na filial explicou-me que eu poderia continuar no serviço de tempo integral em uma só localidade, se eu achasse que as minhas energias não estavam mais à altura de muitas viagens. Apresentei o assunto a Jeová, em oração, pois não quis procurar uma saída fácil neste estágio da corrida.

      Por volta deste tempo, o presidente da Sociedade, N. H. Knorr, instou com a filial finlandesa a encontrar outro local e construir um novo escritório e uma nova gráfica para a obra em expansão. Lembrei-me de um lugar ideal para tal fim e senti-me feliz de ver minha sugestão aceita. Em pouco tempo construiu-se um novo escritório filial e novo lar de Betel. Bastou este pequeno encorajamento para me tirar daquele curto período de preocupação com a minha saúde. Decidi continuar como que com novo fôlego. Não haver interrupção na determinação, não haver diminuição no zelo até se atingir o ponto de chegada como vencedor — esta é a vontade de Jeová, e tenho a maior felicidade em cumprir a sua vontade.

      Portanto, eu servi novamente como representante viajante da Sociedade, e parece que a minha corrida está ficando cada vez melhor. Passaram-se nove anos neste serviço, em que tive o privilégio de servir por vinte anos. Tenho setenta anos de idade e posso dizer que já estou na pista de corrida uns quarenta e sete anos ao todo.

      Co-testemunhas, que sabem desta minha corrida aparentemente longa, muitas vezes têm perguntado: “Não está ficando cansado?” A mim me parece que eu poderia continuar indefinidamente na corrida como pregador de tempo integral ou em outro campo de serviço que se me apresentasse. Naturalmente, eu me dou conta de que muito depende da minha força e saúde físicas, e ainda mais da vontade de Deus para comigo.

      Tive até agora experiência em duas corridas diferentes, e por isso posso explicar a co-testemunhas, como muitas vezes faço, que a corrida pelo prêmio da vida difere radicalmente da corrida física. Na corrida física, além de se recuperar o fôlego, a energia da pessoa não aumenta durante a corrida. Mas, na corrida pelo grandioso prêmio da vida, Jeová continua a dar força renovada aos que correm fielmente. É conforme o profeta Isaías foi inspirado a declarar em nosso beneficio: “Ele dá poder ao cansado; e faz abundar a plena força para aquele que está sem energia dinâmica. Rapazes tanto se cansarão como se fatigarão e os próprios jovens sem falta tropeçarão, mas os que esperam em Jeová recuperarão poder. Ascenderão com asas quais águias. Correrão e não se fatigarão; andarão e não se cansarão.” — Isa. 40:29-31.

  • “Mostra-te uma bênção”
    A Sentinela — 1969 | 1.° de outubro
    • “Mostra-te uma bênção”

      ● Quando Jeová ordenou que Abraão (Abrão) se mudasse para outra terra, teve por objetivo um propósito amoroso. Abraão acatou a ordem, e, em resultado, foi abençoado e mostrou ser uma bênção para outros. O relato em Gênesis 12:1-4 reza: “Jeová passou a dizer a Abrão: ‘Saí da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que te mostrarei; . . . e mostra-te uma bênção.’ . . . Em vista disso, Abrão foi como Jeová lhe falara e Ló foi com ele.”

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