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Dolorosos problemas do passadoDespertai! — 1976 | 8 de novembro
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alguns, e isto tem sido apreciado e prezado. Para outros, houve, inegavelmente, vários graus de opressão. E, ao passo que muitas das anteriores injustiças foram corrigidas desde então, seus maus frutos ainda atingem aquela nação.
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Que base há para um futuro melhor?Despertai! — 1976 | 8 de novembro
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Que base há para um futuro melhor?
APÓS duzentos anos de história, é o estágio atual de desenvolvimento dos Estados Unidos um bom alicerce para um futuro melhor? Por certo, há grande força econômica na nação, junto com muitos outros fatores potenciais para o bem.
Muitas autoridades que estudam as tendências na economia, na educação, nos problemas sociais e na política, contudo, tiram sóbria conclusão. Acham que, ao passo que o país dispõe de muito poder e potencial para o bem, a menos que se invertam as tendências negativas, poderia haver profundas dificuldades logo à frente.
Observam que algo que morreu entre muitas famílias é o “Sonho Americano”. Este era a crença de que continuaria indefinidamente a haver aprimoramentos, com melhores empregos, mais dinheiro, mais elevado padrão de vida, segurança, paz mental, e um bom futuro para os jovens.
Mas, isso não se deu no caso de muitos. O Times de Nova Iorque noticia: “Parece estar crescente entre muitos estadunidenses o temor de que a festa acabou. O Grande Sonho Americano . . . parece um tanto menos atingível para muitas pessoas.
Crescente Problema
Um dos principais problemas tem de ver com a forma pela qual muitos estadunidenses financiaram grande parte de sua prosperidade nas últimas décadas. Tem sido feito com dinheiro emprestado — com dívidas, dívidas excessivas. Hipotecaram seu futuro para viver bem hoje. Mas, o débito em demasia leva à falência.
Devido à enorme e crescente dívida, a capacidade de grande número de pessoas, de muitas empresas, de alguns governos municipais e estaduais, e até mesmo do governo federal, de cobrir suas despesas, acha-se em grave perigo. Afirma U. S. News & World Report: “A dívida aumenta mais rápido do que a economia dos E. U. A., que tem de suportá-la. O total da dívida pública e particular agora eqüivale um tanto mais do que ao dobro da produção anual de bens e serviços desta nação.” A dívida total é agora de mais de três trilhões de dólares!
A revista observa que “a dívida das empresas, atualmente, é de cerca de 17 vezes o total dos lucros combinados das firmas, descontados os impostos”, e está subindo. A dívida do governo federal é bem superior a 600 bilhões de dólares, e também está aumentando. Nos últimos dezessete anos, apenas uma vez o governo apresentou pequeno superávit em seu orçamento anual. O déficit para o ano fiscal de 1975 foi superior a 43 bilhões de dólares. O déficit esperado para o ano fiscal de 1976 é, calculadamente, de 75 bilhões de dólares, um recorde de todos os tempos.
Em 1939, os juros pagos pela dívida pública eram de um bilhão de dólares por ano. Mas, no ano fiscal de 1977, espera-se que sejam de cerca de 45 bilhões de dólares! Apenas esses juros, para aquele ano, são maiores do que a dívida pública total acumulada na inteira história daquele país até à Segunda Guerra Mundial.
O Senador Harry F. Byrd Jr. afirma: “Se continuar esse tipo de gasto deficitário, creio ser inevitável que o país caminhe para o desastre.”
Mas, não são mais brilhantes as perspectivas comerciais nos meses recentes? Sim, a maioria dos economistas acham que já acabou a péssima recessão do passado recente. Todavia, grande parte da melhora está sendo financiada com dinheiro emprestado. Lançar 75 bilhões de dólares emprestados numa economia deveras melhora as condições, temporariamente. Mas, a carga da dívida se torna cada vez mais pesada. Alguns expressam preocupação de que isso pode ser semelhante ao heroinômano que tem de tomar cada vez mais do entorpecente até que seu sistema não possa mais suportá-lo e então entra em colapso.
Mais Baixos Padrões de Vida
A cidade de Nova Iorque verificou o que significa continuar gastando mais do que recebe. A carga de dívida da cidade se tornou tão pesada que tem grande dificuldade em conseguir mais dinheiro emprestado para cobrir as despesas atuais, muito menos ainda para pagar o empréstimo.
Assim, a cidade reduziu seus serviços, o que significou despedir também funcionários. Mas, mesmo com tais medidas drásticas, persiste o déficit. E torna-se cada vez mais difícil a cidade continuar elevando os impostos já pesados.
Assim como o padrão de vida duma cidade pode declinar, quando ela gasta dinheiro demais e não recolhe o bastante, assim, também, muitos peritos acham que é isto que pode acontecer com o país. Alguns acham que já começou. O Professor George Sternlieb, da Universidade Rutgers, disse: “Aquilo que presidimos não é nada menos que o declínio do padrão de vida estadunidense.”
Os impostos também ferem o padrão de vida das pessoas. São o item principal de mais rápido crescimento na inflação. Vários impostos já consomem mais de um terço do salário dum trabalhador. Com boa razão, o Secretário do Tesouro dos EUA, William E. Simon, disse: “O sistema de tributação federal que evoluiu desde os primeiros dias da república acha-se hoje em dificuldades.” Há receio duma ‘revolta contra os impostos’. Deveras, uma das razões da Guerra Revolucionária foi o que os colonos consideraram ser tributação injusta.
Pobreza e Riqueza
Apesar da prosperidade de que muitos gozem, persiste a pobreza. Declarou o Post de Nova Iorque: “Os cálculos do número de estadunidenses que vivem abaixo da linha de pobreza variam de 10 a 30 milhões.” Muitos outros vivem ao mesmo nível ou só pouco acima da linha de pobreza.
O colunista Jack Anderson fala de um co-repórter que se disfarçou como um ‘bóia fria’ e trabalhou como lavrador migrante. As acomodações que lhe foram providas “dificilmente eram adequadas para habitação humana”. As condições gerais, segundo disse, “mais faziam lembrar a senzala do século 19 do que qualquer moradia do século 20”.
Concluiu Anderson: “Há sinistra ironia em que as pessoas que trabalham nos campos mais abundantes do mundo com freqüência vivem em completa pobreza, ganhando só o suficiente para ir vivendo. Alguns vivem em virtual escravidão ao capataz agrícola, que recolhe mais do salário deles do que lhes paga. Para a maioria, não parece haver nenhuma fuga da pobreza perpetua dos campos.”
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