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  • Do exército de Hitler ao ministério na Espanha
    Despertai! — 1990 | 8 de setembro
    • Do exército de Hitler ao ministério na Espanha

      Conforme narrado por Georg Reuter

      QUAL é o sentido da vida? Para a maioria de nós, chega uma hora, na vida em que fazemos essa pergunta crucial. Uma morte na família, um grave acidente, ou apenas as devastações da velhice talvez nos obriguem a refletir sobre os motivos de nossa existência.

      No meu caso, isso se deu no verão setentrional de 1930, quando eu tinha apenas seis anos. Eu vivia com meus pais na cidade de Essen, na Alemanha. Jamais me esquecerei como meu mundo livre de preocupações foi abalado no dia em que encontrei nosso querido canário morto em sua gaiola. ‘Como isto pôde acontecer?’, perguntei a mim mesmo. ‘Ele sempre cantava tão lindamente.’

      Eu delicadamente coloquei a ave morta numa lata vazia e a enterrei em nosso jardim. Mas não consegui esquecer o assunto. Mesmo depois de passados semanas e meses, continuei a meditar sobre a sorte dela, até não mais conseguir conter minha curiosidade. Dirigi-me resolutamente para o jardim e desenterrei a lata. Quando a abri, qual não foi a minha surpresa! A ave não mais estava lá. Tudo que restava dela eram alguns ossos e penas. Era só nisso que consistia a vida dum pássaro? Que dizer de nós? O que acontece conosco ao morrermos?

      Naquele tempo, minhas perguntas permaneceram sem respostas. Mas, sem que eu soubesse, havia horrendos acontecimentos que assomavam no horizonte, eventos que me fariam buscar mais fervorosamente as respostas para aquelas incomodativas perguntas da minha infância.

      A Lavagem Cerebral e a Violência Nazistas

      Os anos se passaram rapidamente e eu me tornei aprendiz no ramo da construção civil. No ínterim, Hitler alcançou o poder e sua máquina de propaganda funcionava a todo vapor para fazer a lavagem cerebral desta nação. As pessoas diziam “Heil Hitler!”, em vez de “Bom dia”. Em toda a parte havia uniformes: os Jungvolk (os Jovens), a Hitler-Jugend (Juventude Hitlerista), a Bund Deutscher Mädchen (Liga das Moças Alemãs), as SA (Sturmabteilungen, ou tropas de assalto), e as SS (Schutzstaffel, guarda de elite de Hitler). E eu me lembro vividamente das intermináveis paradas, da música e da fanfarra nas ruas — era uma época excitante para um jovem impressionável.

      Não demorou muito para que eu mesmo viesse a participar, levado pelo entusiasmo geral. O ar estava repleto de lemas nacionalistas, tais como: “Hoje, a Alemanha é nossa; amanhã, o mundo todo será nosso”, e: “A bandeira significa mais do que a morte.” Eu, como adolescente crédulo, os aceitava pelo seu valor aparente.

      Mas, mesmo naqueles primeiros anos, o regime nazista tinha seu lado perverso. Uma manhã, em novembro de 1938, vi uma sinagoga judaica em chamas. Estranhamente, havia bombeiros por perto, mas eles não moveram um dedo sequer para apagar o fogo. No mesmo dia, a principal galeria de lojas ficou coberta de vidro partido. Lojas de judeus tinham sido assaltadas e depredadas durante o que, mais tarde, veio a ser chamado de Kristallnacht (Noite de Cristal). Estes atos tinham sido organizados pelas SS como “manifestações espontâneas” de protesto popular contra os judeus. Em toda a parte se pregava o ódio contra os judeus.

      Meu Papel na II Guerra Mundial

      Quando tinha 16 anos, ouvi aquele fatídico anúncio pelo rádio, em 1.º de setembro de 1939: Tropas alemãs haviam cruzado a fronteira da Polônia. Começara a invasão da Polônia, e irrompera a II Guerra Mundial.

      Concluído meu aprendizado, alistei-me no exército alemão. Depois de meu treinamento inicial, fui mandado para a Polônia, onde testemunhei o incêndio do gueto judeu de Varsóvia. Vi trens lotados de pessoas com expressões patéticas, a caminho dos temíveis campos de concentração. Algo me parecia terrivelmente errado, mas eu punha de lado minhas dúvidas. Eu ainda confiava na infalível sabedoria do Führer.

      Logo depois da invasão da União Soviética pela Alemanha, fui mandado para a região do Cáucaso. Que triste foi ver uma região tão linda ensopada do sangue da guerra! Daí veio o pavoroso inverno setentrional de 1942-43, para o qual o exército alemão estava totalmente despreparado. Nós nem sequer conseguíamos enterrar nossos companheiros mortos no solo congelado. Aquele inverno marcou o fim de nosso avanço — perdemos a batalha de Stalingrado; perdeu-se um exército inteiro. Embora a propaganda de Hitler descrevesse nossa retirada como o estabelecimento de “fronteiras seguras”, nós, os soldados, simplesmente queríamos voltar para casa, da melhor forma que conseguíssemos. Aquelas duras realidades da guerra finalmente me convenceram de que os sonhos de grandeza de Hitler não passavam de mera fantasia.

      Na retirada da URSS, fui atingido por uma granada. Esta causou-me profundos ferimentos no peito, de modo que fui levado para um hospital militar. Ali me vi, face a face, com as estarrecedoras conseqüências da guerra: soldados mutilados, desespero e a grande futilidade de tudo aquilo. Meus pensamentos se voltaram para aquele canário morto. Existia, realmente, alguma diferença entre os homens e os animais?

      Eu tinha sido um dos felizardos. Recuperei-me dos ferimentos e também saí vivo da guerra. No fim da guerra, mandaram-me para um campo francês de prisioneiros de guerra, mas, por fim, pude voltar para junto de minha família, sendo que todos os membros dela tinham sobrevivido àqueles anos terríveis.

      Minha Perspectiva Mudou Para Sempre

      Durante minha longa ausência, meus pais e meu irmão tinham-se tornado Testemunhas de Jeová, de modo que logo ficamos envolvidos em longas conversas sobre religião. Eu não conseguia crer num Deus que permitia tanta iniqüidade e sofrimento. Nós, soldados alemães, usávamos um cinturão com uma fivela em que estava inscrito “Deus está conosco”. Mas, perguntava eu, será que Deus estava conosco enquanto sofríamos e morríamos? Os clérigos nos haviam garantido que Hitler era uma dádiva de Deus, mas era graças a ele que nosso país jazia em ruínas.

      Meu pai, usando a Bíblia como base para suas explicações, mostrou-me pacientemente por que vivíamos em tempos tão provadores. Ele me ajudou a entender que Deus não apóia nenhum dos lados nas guerras dos homens, e que, muito em breve, Ele ‘faria cessar as guerras até a extremidade da terra’. (Salmo 46:9) Ele me mostrou, à base das Escrituras, que, no que tange à morte, “não há nenhuma superioridade do homem sobre o animal”. — Eclesiastes 3:19.

      No domingo seguinte, meus pais me convidaram para acompanhá-los a um discurso público patrocinado pelas Testemunhas de Jeová. Jamais me esquecerei daquele dia. A reunião fui realizada numa escola em que pequenas carteiras serviam de assentos. Eu não tinha vontade de voltar à escola, todavia, lá estava eu, sentado, com minhas pernas enfiadas embaixo daquelas pequenas carteiras. Mas o discurso apresentado foi tão interessante que me fez esquecer o desconforto. Na segunda hora, notei que toda a assistência participava zelosamente da consideração dum assunto bíblico, fornecendo respostas às perguntas feitas pelo dirigente da reunião.

      Terminada a reunião, muitos dos presentes vieram dar-me boas-vindas. Sua sincera amabilidade me tocou. Eu era um fumante inveterado, de modo que fiquei surpreso ao notar que ninguém fumava.

      Daquele dia em diante, assisti a todas as reuniões das Testemunhas e até mesmo dei meus próprios comentários. Por fim, as coisas começavam a ficar claras para mim. Compreendi que Deus não era culpado de todo o sangue derramado na II Guerra Mundial. Fiquei sabendo que o Seu propósito era estabelecer um paraíso em toda a terra, com bênçãos eternas para a humanidade obediente. E havia um lugar para mim naquele propósito divino, caso eu assim desejasse.

      Esta certamente era uma mensagem que valia a pena divulgar. Hitler se jactara de seu “Reich de Mil Anos”, mas só havia governado 12 — e com aquele resultado horrível! É Cristo, e não Hitler, ou, aliás, qualquer outro governante humano, que pode estabelecer e que estabelecerá um reinado milenar sobre a terra, depois de remover todas as formas de iniqüidade que presentemente afligem a humanidade. — Revelação [Apocalipse] 20:4.

      Essa maravilhosa esperança me encantava, e eu não podia esperar para contar tais coisas a meus amigos. Eu havia, por fim, encontrado o verdadeiro sentido da vida. Naturalmente, tive primeiro de deixar de fumar, algo que, de forma alguma, foi fácil para mim. Mas, fixei uma data, e, daquele dia em diante, recusei a me contaminar com o fumo. Compreendi que, como ministro de Deus, exigia-se que eu me livrasse de “toda imundície da carne e do espírito”. — 2 Coríntios 7:1.

      Serviço por Tempo Integral em Betel

      Após minha dedicação e batismo, logo comecei a trabalhar como ministro de tempo integral das Testemunhas de Jeová, junto com meu irmão. Parávamos nosso trabalho secular ao meio-dia, e então íamos de bicicleta para a área onde devíamos pregar. Embora, naqueles primeiros anos do após-guerra, raramente tivéssemos publicações, cuidávamos da melhor forma possível dos interessados que encontrávamos, deixando revistas, livros ou brochuras temporariamente emprestados, de modo que tantas pessoas quantas possível se beneficiassem da mensagem. Mas, logo esta situação mudaria.

      O irmão Nathan H. Knorr, então presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA), tinha recentemente visitado a Alemanha e vira a necessidade de mais publicações. Logo depois chegaram de Brooklyn as primeiras remessas, o que significava trabalho extra na filial da Alemanha, a fim de distribuir tais publicações para todas as congregações. Certo dia, eu e meu irmão recebemos um telegrama que dizia: “Venham de imediato para a Casa da Bíblia [Betel].”

      Lembro-me de comentar com meu irmão que tal designação certamente nos daria a oportunidade de estudar a Bíblia quase o dia inteiro. Mas tais concepções errôneas sobre Betel logo foram desfeitas quando nos disseram, ao ali chegarmos: “Precisamos de um homem no setor gráfico e outro no Departamento de Expedição! Por favor, pensem bem e decidam quem se oferecerá para que trabalho.” Acabei trabalhando no Departamento de Expedição, e meu irmão na gráfica.

      Naqueles dias atarefados, nosso tempo para a leitura da Bíblia certamente era reduzido. Às vezes trabalhávamos dia e noite, a fim de expedir todas as publicações para as congregações no tempo certo. Todavia, a associação com irmãos fiéis, tais como Erich Frost, Konrad Franke e August Peters, todos os quais tinham passado muitos anos em campos de concentração, contribuiu grandemente para nosso crescimento espiritual.

      No departamento em que eu trabalhava, havia uma jovem irmã, Magdalena Kusserow. Ela perseverara quatro anos num campo de concentração por se recusar a fazer a saudação: “Heil Hitler!”, enquanto que eu tinha sido mandado para um campo francês de prisioneiros de guerra por ter combatido, por falta de orientação, a favor daquele ideal. Todavia, a verdade da Palavra de Deus nos unira. Tínhamos os mesmos alvos e decidimos que queríamos servir a Deus juntos.a

      Cozinha-Locomotiva

      Depois de nosso casamento, estávamos ansiosos de prosseguir no serviço de tempo integral, sabendo que havia tanta coisa a fazer. E fomos abençoados com muitas designações interessantes. Por exemplo, em 1951, fui designado supervisor do departamento de alimentação do congresso de três dias em Frankfurt-sobre-o-Meno, em que planejávamos alimentar cerca de 35.000 congressistas.

      Tínhamos diante de nós uma tarefa desafiadora — preparar, com tão pouco equipamento, refeições quentes para tão grandes números. Mas ocorreu-nos a idéia de usar 51 grandes caldeirões a vapor, que poderiam ser aquecidos por meio duma locomotiva a vapor. Onde é que acharíamos a locomotiva? Finalmente convencemos a ferrovia a emprestar-nos uma das dela, e uma firma de Frankfurt-sobre-o-Meno fabricou algumas válvulas de baixa pressão para nós. Isto significava que a locomotiva supriria o vapor bem na pressão certa para a cocção.

      Que alívio foi, para todos nós, quando sua utilização experimental, no dia anterior ao congresso, resultou num grande sucesso! Publicaram-se extensivas notícias nos jornais, descrevendo o “novo invento” para alimentação em massa, acompanhadas de fotos de nossa cozinha e da locomotiva. Assim, a assembléia “Adoração Limpa” obteve muita publicidade favorável, sendo que a assistência atingiu finalmente mais de 47.000 pessoas.

      Quando ainda estava naquele congresso, recebi o convite de servir como representante viajante da congênere da Sociedade Torre de Vigia. Acompanhado de minha esposa, servi primeiro na obra de circuito, visitando uma congregação diferente cada semana, e então, na obra de distrito, visitando circuitos inteiros em assembléias. Que maravilhoso privilégio foi servir junto com irmãos como Martin Poetzinger (que mais tarde se tornou membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová), H. Dickmann e R. Kelsey. Aprendemos muito destes irmãos maduros. Cada dia passado com eles era uma bênção, porque cada um deles tinha diferentes dons a transmitir.

      Serviço Missionário na África e na Espanha

      Em 1961, tive o privilégio de cursar a Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia, em Brooklyn, Nova Iorque, numa turma composta mormente de irmãos, e que durou dez meses. Nessa época, minha esposa, que não pôde acompanhar-me, permaneceu na Alemanha. Embora separados, trocávamos experiências em nossas cartas freqüentes, de modo que o tempo simplesmente passou voando.

      Nossa designação missionária foi o Togo, pequeno país na África Ocidental. Ali tivemos de aprender um novo idioma, o ewe, a fim de tocar o coração das pessoas naquele país. Bem que valeu a pena tal esforço. Para o povo hospitaleiro do Togo, qualquer estrangeiro é um amigo, mas, se fala a língua deles, eles o consideram seu irmão.

      Logo depois de chegar ao Togo, comecei a estudar a Bíblia com um jovem africano chamado Abraham, que falava um pouco de inglês. Não demorou muito para ele me acompanhar na atividade de pregação, e ele se provou um inestimável ajudante, auxiliando-me a explicar a mensagem da Bíblia ao povo de língua ewe.

      Fizemos bom uso do livro Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado, que continha muitas gravuras e era ideal para dirigir estudos bíblicos. Mesmo assim, o povo simples do interior tinha dificuldades de captar alguns conceitos. Como poderiam entender o total de 144.000 mencionado em Revelação, capítulo 7, quando só estavam familiarizados com moedas de 25, de 50, ou, no máximo, de 100 francos? Meu companheiro era destro em usar os dedos das mãos, e, quando necessário, os dedos dos pés, para superar este problema. E, em outras ocasiões, simplesmente fazíamos desenhos na areia.

      Sentimo-nos muito tristes quando, devido a problemas de saúde, tivemos de retornar para a Europa, primeiro para Luxemburgo, e depois para a Alemanha. Mas o espírito missionário ainda persistia em nosso coração, e depois de algum tempo, pensamos em mudar-nos para servir onde havia mais necessidade — para a Espanha.

      Depois de aprendermos outra língua, tivemos de novo o privilégio de servir nossos irmãos espirituais na obra de circuito e de gastar um ano na construção do novo Lar de Betel perto de Madri. Tem sido muitíssimo satisfatório para mim e para Magdalena servirmos aqui na Espanha. Embora não mais disponhamos da força que tínhamos, nossa vida é muito significativa, porque continuamos aprendendo e continuamos a partilhar com outros aquilo que aprendemos.

      Rememorando, posso dizer que foi ricamente recompensada a minha busca do sentido da vida. Vi a falácia de confiar em homens, como Hitler, e, desde que conheci a verdade da Bíblia, dediquei-me a Deus. Quanta satisfação isso me tem dado! Agora sei que meu futuro não precisa ser como o do canário morto. Tenho a esperança duma vida significativa que jamais será abreviada! — Revelação 21:1-4.

      [Nota(s) de rodapé]

      a A história da vida de Magdalena Kusserow Reuter foi publicada em A Sentinela de 1.º de Setembro de 1985, em inglês.

      [Foto na página 18]

      Georg e Magdalena Reuter na Espanha.

  • Qual é a língua mais falada?
    Despertai! — 1990 | 8 de setembro
    • Qual é a língua mais falada?

      Se estiver pensando em termos de a língua internacional mais popular, provavelmente responderá essa pergunta dizendo que é o “inglês”. Todavia, de acordo com o World Almanac and Book of Facts (Almanaque Mundial e Livro de Fatos), de 1990, o mandarim, falado por cerca de 844 milhões de pessoas, é a língua mais usada pela família humana. Isto se contrasta com 437 milhões de pessoas, espalhadas em todo o mundo, que falam inglês. Que língua pensaria ser a terceira da liga mundial? O francês ou o espanhol? Não. É o hindi, falado por 338 milhões de pessoas, principalmente na Índia. O hindi e o urdo, que é falado por 90 milhões, principalmente no Paquistão, “são essencialmente a mesma língua, o hindustani”, de acordo com essa mesma publicação.

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