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  • g87 22/4 pp. 11-14
  • Encontrei o exército certo

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  • Encontrei o exército certo
  • Despertai! — 1987
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  • Formação Inicial
  • Primeiras Experiências da Vida no Exército
  • A Legião Estrangeira da França
  • Vida Nova num Novo País
  • Agi com Cautela
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Despertai! — 1987
g87 22/4 pp. 11-14

Encontrei o exército certo

ESTÁVAMOS EM 1944, durante a II Guerra Mundial. Como alemão, mantido preso pelos Aliados, meu desejo de fugir foi crescendo, até se tornar uma obsessão. Nada mais me importava. É por isso que eu e 13 co-prisioneiros pulamos de um trem que corria em alta velocidade, perto da fronteira do Marrocos espanhol.

Surpreendentemente, a não ser por graves ferimentos, todos nós sobrevivemos. No entanto, nossa liberdade durou pouco. Quatro dias depois, fomos capturados pela polícia montada do deserto, dos árabes. Mas o desejo de liberdade ainda ardia intensamente. Para sufocá-lo era preciso mais do que um corpo machucado, a humilhação da recaptura, e duros castigos.

Passaram-se meses, e éramos prisioneiros em Casablanca. Outro plano de fuga. Desta vez, cavamos laboriosamente um túnel de 20 metros. Isto exigiu três meses de estrênuos esforços, mas, por fim, chegou a noite da fuga. De novo, todos nós conseguimos escapar!

Houve outro período dolorosamente breve de liberdade, mas fomos capturados alguns dias depois. Desta vez, nosso castigo foi o isolamento numa prisão especial, com mais trabalhos forçados, durante um mês. Depois disso, fomos libertados para o campo regular de prisioneiros.

Eu só tinha 19 anos, e tais experiências me causaram uma impressão duradoura. Naquele tempo, eu estava seguro de estar no exército certo, o que fazia com que todos os meus esforços parecessem válidos.

Formação Inicial

Nasci em setembro de 1925, perto de Bremen, no norte da Alemanha. Papai era exímio jogador de futebol, nadador, e patinador no gelo; assim, cresci tendo vívido interesse pelos esportes. Mas também gostava muito de ler. Meus pais só iam à igreja no Natal, para assistir a um ofício fúnebre, ou em outras ocasiões especiais. Nas raras ocasiões que eu ia à igreja, ficava surpreso de ver quantas pessoas cochilavam durante boa parte do sermão do pastor.

À medida que ia ficando mais velho, eu lia histórias de aventuras e ficava fascinado ao aprender sobre outros países. Lembro-me de ler um livro sobre o estreito de Torres — uma ampla faixa de mar entre Papua Nova Guiné e a Austrália. Esta parte distante e intrigante da Terra me fascinava, e eu tinha vagas esperanças de, um dia, poder visitar aquela região remota.

Tínhamos uma enciclopédia, e eu lia o que ela dizia sobre as muitas religiões do mundo e todos os seus diferentes deuses. Por vezes ficava pensando se, dentre todos eles, não haveria realmente um Deus verdadeiro. Papai recebia regularmente pelo correio um jornal chamado Der Stürmer. Fiquei intrigado com o nome incomum, Jeová, usado com freqüência nas citações da Bíblia feitas pelo jornal. Papai explicou-me que este era o nome do Deus dos judeus. Eu tinha lido a respeito de muitos deuses antigos, como Odin, Tor, e Friga, bem como os deuses hindus Xiva, Vixenu e Brama, mas não tinha deparado antes com o nome Jeová.

Primeiras Experiências da Vida no Exército

Crescendo sob o domínio nazista, afiliei-me ao movimento da Juventude Hitlerista. Em 1939, começara a II Guerra Mundial, e, embora eu só tivesse 14 anos, recebi treinamento militar. Com o tempo, os ataques aéreos tornaram-se uma coisa comum na vida. Certa vez, fui despertado subitamente, quando uma bomba incendiária atravessou o nosso telhado, vindo parar junto da minha cama. Eu a apaguei com sacos de areia, e, assim, salvei nossa casa.

Em 1943, alistei-me na tropa de pára-quedistas e fui mandado para a França, a fim de receber treinamento. Depois do adestramento básico, fui mandado para as linhas de frente em Nettuno e em Anzio, na Itália. Uma bala perfurou minha perna, e fiquei hospitalizado por seis semanas em Bolonha. Voltei ao serviço ativo, e, não muito tempo depois disso, fui feito prisioneiro perto de Siena, na Itália.

Foi quando éramos levados de trem para o Marrocos francês que eu e meus 13 colegas fizemos nossa primeira tentativa de fuga. Depois de recapturados, fomos levados para um campo de prisioneiros de guerra nos montes Atlas Maior, perto do deserto do Saara. Ali aprendi a fazer tijolos à base de barro e palha misturados com água. Mais tarde fomos transferidos para uma prisão de Casablanca, e foi dali que realizamos nossa segunda tentativa de fuga, por cavar o túnel.

A Legião Estrangeira da França

Embora a guerra terminasse em 1945, fomos mantidos presos no Marrocos. Em 1947, fomos levados para a França, onde continuei preso até 1948. Meu primeiro trabalho depois de solto foi cortar madeira nos Pireneus. Daí, porém, em 1950, alistei-me na Legião Estrangeira, da França, para combater o comunismo. Primeiro fui enviado para Sidi-bel-Abbès, na Argélia, e, mais tarde, para Phillipy, para ser um pára-quedista do exército francês.

Em seguida, fui enviado para combater na Indochina. Ali fui ferido numa emboscada, da qual só dois de nós escapamos vivos. Desta feita fiquei hospitalizado em Hanói, por seis semanas. Depois de me recuperar, fui de novo enviado para lutar na selva e nos arrozais. Ao todo, somei 20 saltos como pára-quedista.

Por fim, fiquei tão doente com icterícia que os médicos do exército deram minha vida por perdida. Eu consegui recuperar-me, mas fui declarado incapacitado para o serviço ativo. Todavia, não consegui obter uma baixa honrosa. Felizmente, meu período de licença era longo, de modo que solicitei minha volta para a África do Norte.

Enquanto estava ali, planejei outra fuga, mas desta feita sozinho. Compreendia que, de cada 100 fugitivos, 99 eram apanhados de novo. Assim, meu planejamento foi meticuloso. Consegui chegar a Porto Lyautey e embarcar num navio alemão de passageiros. Uma vez em alto-mar, e navegando em direção da Alemanha, estava seguro.

De volta à Alemanha, senti a felicidade de voltar ao convívio da minha família, depois de ter estado longe dela por dez anos. Um velho amigo de escola fez arranjos para eu me alistar na unidade alemã do exército inglês, tornando este o terceiro exército no qual estivera. Ganhava um bom dinheiro, mas estava ficando cada vez mais cansado da vida militar.

Vida Nova num Novo País

Surgiu diante de mim a oportunidade de emigrar para o Canadá ou para a Austrália. Escolhi a Austrália, e, em junho de 1955, cheguei a Sídnei, capital da Nova Gales do Sul. Soube que havia um emprego disponível num grande projeto hidrelétrico de irrigação nos montes Snowy, cerca de 480 quilômetros a sudoeste de Sídnei. Sabia que iria ser um trabalho duro, mas o salário era convidativo e ouvira dizer que havia muitos alemães e outros imigrantes europeus trabalhando nesse projeto.

Desde a guerra, eu não havia pensado muito sobre religião. Daquilo que tinha observado durante a guerra, ficara desiludido com ela. Jamais tinha ouvido falar em Testemunhas de Jeová, mas um colega de trabalho, que se declarou Testemunha, muitas vezes me falava sobre um remédio para as condições mundiais, e aquilo que ele dizia tinha muito sentido. No entanto, logo depois, ele voltou para Sídnei, e perdi o contato com ele.

Por volta desse tempo, conheci Christa e me casei com ela. Contei à minha esposa sobre as coisas que a Testemunha me falara, e ela também gostou do que ouviu. Assim, numa visita a Sídnei, contatei-o de novo. Embora também fosse alemão, sabia ler e falar inglês fluentemente, e nos deu um livro em inglês, Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado. Visto que tanto eu como Christa ainda estávamos aprendendo inglês, não conseguíamos entender tudo que o livro dizia, embora entendêssemos uma porção de coisas pelas gravuras.

Quando a Testemunha nos disse que o livro também estava disponível em alemão, fomos às pressas, num fim de semana chuvoso, até a filial da Sociedade Torre de Vigia (EUA) na Austrália, em Strathfield. Ali obtivemos o livro em alemão, e eu o li do princípio ao fim em uma só noite. Voltamos para assistir a uma reunião no Salão do Reino de Strathfield. Todos eram tão amigáveis, e nos pareceu ser amabilidade genuína, e não fingida. Deixamos a reunião sobraçando uma pilha de revistas A Sentinela e Despertai! bem como alguns outros livros, em alemão.

Agi com Cautela

Embora aquilo que aprendíamos parecesse maravilhoso, mostrei-me cauteloso quanto a assumir qualquer compromisso. Isto se dava, em parte, devido à experiência de minha mãe com a religião organizada. Em 1936, ela se desligou da Igreja Luterana, por ficar desapontada com as coisas que tinha ouvido e visto serem praticadas. Todavia, não perdeu a fé em Deus e, às vezes, falava-me sobre isso.

Daí, quando me alistei no exército, em 1943, todos nós tivemos de ir à igreja e ouvir a prédica do sacerdote. Ele nos garantia que, se morrêssemos em combate, iríamos imediatamente para o céu, para nos unir a todos os heróis do passado. Mais tarde, nas trincheiras e abrigos, notei que muitos soldados usavam crucifixos como proteção. Meu colega estava usando um quando foi atingido e morreu, bem junto a mim. Depois de me recuperar desse horror, meu primeiro pensamento foi: ‘Que benefício lhe trouxe o crucifixo?’

Fiquei atônito ao ver prisioneiros de guerra ingleses também usando o crucifixo. Pensei: ‘Se isto é cristianismo, então a religião cristã não serve para mim.’ Ora, homens que professavam ser cristãos estavam em ambos os lados — matando-se uns aos outros!

Da próxima vez que vi o sacerdote, perguntei-lhe sobre isso. Ele me disse que, quando se trava uma guerra, a pessoa precisa combater pelo seu país, mas, quando termina a guerra, todos devem voltar para suas próprias igrejas. Isto bastou para mim! ‘Existe algo terrivelmente errado’, arrazoei. Agora eu conseguia entender por que mamãe pedira seu desligamento da igreja.

Assim, mostrei-me compreensivelmente cauteloso. Todavia, logo fiquei convicto de que a mensagem da verdade da Bíblia era diferente. A hipocrisia da religião organizada nada tinha que ver com aquilo que a Bíblia ensinava. Pude entender então por que havia tanta confusão e tumulto na Terra. E fiquei muito contente de finalmente saber quem Jeová era. Ele é o verdadeiro Deus de todos e não apenas dos judeus, como meu pai havia dito.

Também, aprendi onde é que Cristo Jesus se enquadrava. Ele é o filho querido de Jeová, e Jeová o enviou à Terra para nos mostrar o que fazer e para prover um resgate, de modo que pudéssemos ganhar a vida eterna. Verifiquei que o Reino de Deus tornará a Terra um paraíso e, o que é mais, que este durará para sempre.

Por Fim o Exército Certo!

Logo compreendemos que, para comparecermos às reuniões cristãs com regularidade, nossas viagens para acampar, nos fins de semana, teriam de terminar, ou, pelo menos, de ser reduzidas. Outro problema que eu tinha era fumar demais. Durante 16 anos, eu fumara de 40 a 60 cigarros por dia, bem como ocasionalmente um charuto ou usara um cachimbo. Quando me foi indicado que tal contaminação do corpo humano desagrada a Deus, larguei esse hábito sujo de um dia para o outro.

Em fevereiro de 1963, eu e Christa simbolizamos, pelo batismo em água, a nossa dedicação a Jeová. Logo depois disso, iniciamos o ministério de tempo integral como pioneiros, e, em janeiro de 1965, fomos designados pioneiros especiais. Eu agora era um soldado do “exército” cristão de Jeová.

Em 1967, fomos para Papua Nova Guiné, servindo primeiro em Port Moresby, e, mais tarde, em Poppendetta. Retornamos à Austrália por curto período e, então, em 1970, voltamos para Papua Nova Guiné, onde servimos até setembro de 1981. Em um de nossos territórios designados, ajudamos a construir dois Salões do Reino e auxiliamos muitos a aprender as verdades da Bíblia. Viajávamos de canoa para a maioria dos lugares — utilizando motores de popa. Em três anos e meio, batizaram-se 29 pessoas ajudadas por nós.

Ambos contraímos malária cerebral. Fiquei inconsciente por 48 horas, e não se esperava que eu sobrevivesse. Por fim, em 1981, decidimos retornar à Austrália, onde continuamos como pioneiros especiais em Brisbane e, mais tarde, em Cairns, em Queensland setentrional. Nossa designação atual é a ilha de Thursday, no estreito de Torres, bem ao largo da ponta mais ao norte da Austrália continental. É aquele lugar distante a respeito do qual eu tinha lido, quando era apenas um rapazinho, não acreditando realmente que algum dia chegaria até lá.

Rememorando nossos 23 anos como pioneiros, não temos nada a lamentar por nos termos alistado neste “exército”. Nosso coração se regozija por termos podido ajudar cerca de 60 pessoas a dedicar sua vida a Jeová Deus. Derivamos grande felicidade de nosso serviço de pregação de tempo integral, e sempre incentivamos outros a empreender esta obra abençoada.

Agradeço constantemente a Jeová de que, depois de servir em três exércitos nacionais, sofrendo muitos desapontamentos e vendo, várias vezes, a morte de perto, pude alistar-me em Seu vitorioso exército como soldado de Cristo Jesus. (2 Timóteo 2:3) Sim, finalmente encontrei o exército certo, e oro para que possa continuar servindo para sempre como guerreiro fiel. — Conforme narrado por Siegmar Soostmeyer.

[Destaque na página 12]

Fui despertado subitamente, quando uma bomba incendiária atravessou o nosso telhado.

[Destaque na página 13]

Homens que professavam ser cristãos estavam em ambos os lados — matando-se uns aos outros!

[Foto na página 11]

Quando eu servia na Legião Estrangeira, da França.

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