BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia
BIBLIOTECA ON-LINE
da Torre de Vigia
Português (Brasil)
  • BÍBLIA
  • PUBLICAÇÕES
  • REUNIÕES
  • ‘Não consultei nem a carne, nem o sangue’
    A Sentinela — 1974 | 1.° de maio
    • isento. Outro soldado concordou que eu não precisava duma carteira de trabalho. Ele me perguntou então o que eu carregava. Era o compêndio bíblico Filhos, impresso clandestinamente em Bruxelas. Eu lhe disse que era um livro religioso, chamando sua atenção para as citações bíblicas e ele ficou satisfeito.

      Não podia obter cupons de racionamento para alimentos das autoridades, porque não queria arriscar registrar-me em qualquer prefeitura da Bélgica. Contudo, não passei fome, porque era notável o amor de meus irmãos cristãos. Embora eles mesmos tivessem apenas as meras necessidades da vida, faziam sacrifícios com alguns cupons de racionamento, entregando-os às Testemunhas responsáveis por ajuntá-los para seus irmãos cristãos que se ocultavam da Gestapo. Uma boa cenoura com um pedaço de pão satisfazia-me para o almoço. Eu havia cultivado a atitude expressa pelo apóstolo Paulo: “Aprendi a ser auto-suficiente em qualquer circunstância em que esteja.” (Fil. 4:11) As acomodações variavam; às vezes dormia no feno, num colchão de palha no chão, ou num banco duma estação da estrada de ferro.

      Minha bicicleta sempre era o meio mais seguro de transporte, porque podia facilmente evitar as multidões e as buscas. Naturalmente, viagens de cem quilômetros ou mais nem sempre eram fáceis, especialmente não nas Ardenas, durante o grosso do inverno, em estradas cobertas pela neve ou pelo gelo. Mas tínhamos muita alegria em levar alimento espiritual aos nossos irmãos cristãos, e seu apreço nos recompensava grandemente pelas dificuldades e pelos riscos que tomávamos. Jeová abençoou os esforços de seu povo, porque, dos cem que éramos na Bélgica em 1940, aumentamos para mais de seiscentos até o fim da guerra.

      NÃO MAIS NA CLANDESTINIDADE

      Depois do fim da ocupação, recebi a tarefa de ajudar a reorganizar as congregações do povo de Jeová. Quando se completou esta obra de reorganização, fui convidado a escolher uma região onde não se fazia nenhuma pregação e servir ali como ministro pioneiro especial. Escolhi a cidade de Arlon, baluarte jesuíta, no sul das Ardenas. Fui para lá apenas com a minha bicicleta, duas malas e uma vitrola portátil, para tocar discursos bíblicos gravados.

      Comecei a visitar as pessoas. Justamente naquela ocasião, a revista Consolação (agora Despertai!) publicava artigos que expunham os clérigos. Nem se precisa mencionar que minhas atividades puseram a cidade em polvorosa, mas eu havia sido endurecido pelos anos de guerra e estava decidido a continuar a pregar. Fez-se progresso, e finalmente uma família interessada ofereceu seu lar para um estudo da Sentinela em grupo.

      Um número bastante grande de mulheres, naquela região, mostrou interesse em ter um estudo bíblico. Por isso, pedi que uma irmã cristã, que era viúva e pregadora por tempo integral, me ajudasse com estes estudos bíblicos. Mais tarde nos casamos e ela se tornou minha companheira permanente no ministério. Aos quarenta e cinco anos de idade, ela aprendeu a andar de bicicleta para cuidar de seu serviço de pioneira. Este continuou a ser nosso modo de transporte até 1958. Pudemos ajudar muitas pessoas, nesta região, e hoje há uma congregação próspera nesta cidade, e mais outra congregação por perto.

      Mais tarde, a Sociedade designou-me para visitar as congregações como superintendente de circuito. Além de abranger três províncias belgas, incluía também o Grão-Ducado do Luxemburgo. Havia oposição especialmente severa no Grão-Ducado. As autoridades tornavam a vida difícil para nós, prendendo-nos muitas vezes. Cada vez confiscavam nossas bicicletas e nossas pastas de livros. Nossos irmãos cristãos providenciavam então outro equipamento para nós, e começávamos logo de novo. Finalmente, o caso foi levado perante o tribunal mais alto do Luxemburgo e a decisão foi a nosso favor. Todos os nossos bens confiscados foram devolvidos.

      Mais tarde, fomos convidados a escolher outra região em que pregar, onde havia maior necessidade. Escolhemos Marche-en-Famenne, também nas Ardenas. Partimos para nossa designação, confiantes em que acharíamos acomodações antes de cair a noite. Mas não achamos nada. Por isso voltamos à estação da estrada de ferro, quando vimos, de repente, uma senhora dirigir-se a nós. Perguntou-nos se éramos os que procuravam alojamento; ela tinha exatamente o que necessitávamos. Começamos de novo desde o princípio.

      Com o passar dos anos, pudemos iniciar estudos bíblicos, mas foi preciso ter muita perseverança, porque passaram-se oito anos de trabalho árduo antes de nossa cozinha ficar pequena demais para as reuniões. No entanto, lançou-se o alicerce, e a congregação aumentou. De modo que, em 1967, fomos designados para outra região — Aywaille e suas redondezas, não muito longe de Liège.

      Novamente tivemos o privilégio de ajudar na edificação duma congregação, partindo praticamente do nada. Por fim, a congregação tornou-se bastante próspera para se estabelecer num local adequado, durante 1972.

      No começo de 1971, a saúde de minha esposa caiu repentinamente. Ela foi implacavelmente atacada de câncer. Havia sido minha companheira fiel durante vinte e cinco anos, compartilhando comigo as aflições e os sacrifícios, para que a luz da verdade de Deus pudesse brilhar no Luxemburgo.

      Assim como se deu com o apóstolo Paulo, que havia passado por muitas dificuldades, mas que estava cônscio da aprovação de Jeová, sinto-me feliz de ter estado no ministério de tempo integral por tantos anos. Não lamento não ter entrado em conferência com carne e sangue antes de tomar a minha decisão de servir a Jeová com toda a minha força vital. Se eu tivesse de começar tudo de novo, tomaria a minha bicicleta e sairia pregando a Palavra de Deus, assim como fiz em 1936. Jeová cuidou liberalmente de todas as minhas necessidades. Meu desejo é continuar fiel na tarefa de que me incumbiu.

  • Perguntas dos Leitores
    A Sentinela — 1974 | 1.° de maio
    • Perguntas dos Leitores

      ● O que significa a expressão “conduta desenfreada” encontrada em Gálatas 5:19?

      Seria de presumir-se que este termo (proveniente da palavra grega asélgeia) se referisse à conduta imoral, mas num grau menor e não muito sério. Isto, porém, não se dá, segundo a evidência disponível nas Escrituras e também nos antigos escritos seculares gregos em que aparece a palavra. Ela não se limita a atos de imoralidade sexual. E em vez de se relacionar com a má conduta de natureza um pouco insignificante ou menor, parece descrever atos que indicam uma atitude descarada, revelando desrespeito, desconsideração ou mesmo desprezo por normas, leis e autoridade. O ‘desenfreio’ da conduta, portanto, não se deve principalmente à fraqueza, mas resulta duma atitude de desrespeito, insolência ou sem-vergonhice.

      Em apoio disso, verificamos que os léxicos da língua grega definem asélgeia (e outras formas desta palavra) como descrevendo: “atos ultrajantes”, “licenciosidade, violência arbitrária”, “insolência”, “ultraje vulgar”, “brutal[idade]” (Liddell e Scott); “excesso, intemperança, em qualquer coisa, p. ex. linguagem, conduta, insolência” (Robinson); “concupiscência descontrolada, . . . ultraje, sem-vergonhice” (Thayer); “injustificada insolência desregrada” (Trench). A New Testament Wordbook (Vocabulário do Novo Testamento) de Barclay diz: “[Asélgeia] é usada por Platão no sentido de ‘impudência’. . . . É definida como ‘violência

Publicações em Português (1950-2026)
Sair
Login
  • Português (Brasil)
  • Compartilhar
  • Preferências
  • Copyright © 2025 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade
  • Configurações de Privacidade
  • JW.ORG
  • Login
Compartilhar