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  • w80 15/10 pp. 21-25
  • A verdade transformou a vida deles

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  • A verdade transformou a vida deles
  • A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1980
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  • A MUDANÇA
  • INVERTEM-SE AS POSIÇÕES
  • MELHORA A SITUAÇÃO
  • A VERDADE ESPALHA-SE EM LATACUNGA
  • OUTRAS DESIGNAÇÕES
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A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1980
w80 15/10 pp. 21-25

A verdade transformou a vida deles

A PRIMEIRA coisa que se nota em Délia Rosero é a sua estatura. Ela é pequena. Com vivacidade, Délia explica: “Eu acho que descendo de pigmeus.” Seu rosto irradia alegria. Passa-se a gostar de Délia de imediato.

Seu marido, Daniel Rosero, é um “jovem” de 50 anos, e um homem bem-parecido e extrovertido. Quando se encontra com alguém, seu sorriso com freqüência extravasa-se num forte abraço. Mas, Daniel não foi sempre assim.

Conhecendo algo do passado deles, visitei-os recentemente com o propósito de escrever suas experiências. Pareceu-me que estas seriam de verdadeira ajuda e encorajamento para muitas pessoas.

A família Rosero mora na cidade andina de Latacunga, no Equador, uma cidade de cerca de 30.000 habitantes. Esta é uma comunidade agrícola onde abundam as flores e as pessoas se orgulham de serem cultivadores da terra. A conversa que se segue ocorreu enquanto nos sentávamos na sala de visitas da residência da família Rosero, que dá vistas para o rio Cutuche.

PROBLEMAS MARITAIS EXTREMOS

Délia inicia: “Eu tinha apenas 15 anos quando me casei. E não demorou muito para que eu percebesse a dura realidade. Por 14 anos estive em escravidão. Não tinha nenhum lugar para ir. Nenhuma esperança. Daniel bebia. Todo sábado, ele chegava para casa por volta da meia-noite, maltratando e espancando a família.

“Tem que se passar pelo desespero para saber como é. Quando Daniel me batia, eu subia numa cadeira, segurava fortemente contra o peito a imagem de ‘São’ Vicente Ferrer e gritava: ‘Bata-me! Bata-me!’ Daniel desistia por temer o ‘santo’.”

Daniel confirma o relato de Délia. “Nós nos casamos em 1948. Eu tinha somente 19 anos, era apenas um garotão. Sem nenhum preparo e realmente incapaz de sustentar uma família que aumentava. Por fim, tivemos quatro filhas e três filhos. Para mim, a vida não tinha objetivo.

“Segundo o que nos foi ensinado, meu futuro seria a morte e o inferno de fogo. O sacerdote havia-nos convencido de que éramos indignos, destinados à condenação eterna. Lembro-me de ter dito, com freqüência, nas minhas frustrações causadas pela embriaguez: ‘Eu vou ser queimado mesmo, portanto, deixe-me beber!’”

Retomando o assunto, Délia continua: “Tínhamos uma grande cesta de junco para guardar a roupa. Eu e o nosso filho mais velho, Benigno, esvaziávamos a cesta e com cuidado guardávamos a roupa em outro lugar. Então, quando Daniel chegava em casa irado, Benigno amiúde se escondia na cesta até seu pai ser vencido pelo sono. Era a única maneira de evitar os maus tratos.”

A casa cor-de-rosa da família Rosero, com um pátio bem arrumado e flores desabrochando, está bem longe da situação econômica dos seus primeiros anos de casados. Daniel explica: “Eu era calceiro — uma calça por dia. Trabalhava por peça. Mas, estava sempre pedindo ao alfaiate que me adiantasse o salário do dia seguinte.”

“O dinheiro para a comida não chegava para casa”, acrescenta Délia. Seus olhos enchem-se de lágrimas. “Oh! como é doloroso lembrar aqueles acertos de contas à meia-noite!” A situação da família degenerou a ponto de Délia, numa ocasião, empunhar uma grande faca e ameaçar: “Um de nós ou ambos talvez morramos, mas desta vez você não me vai bater.” Felizmente, a história da família Rosero não termina aí.

A MUDANÇA

Daniel fala sobre a significativa mudança. “Era um domingo de manhã do mês de junho de 1962. Mário Hernández, pioneiro especial (pregador de tempo integral das Testemunhas de Jeová), estava à porta fazendo sua apresentação bíblica para minha esposa, e eu estava na cama, fora da vista. Na realidade, eu estava prestando mais atenção do que Délia. Ouvira falar que a Bíblia era um dos melhores livros religiosos do mundo, contudo não me parecia ser necessariamente uma comunicação da parte de Deus.

“Quando Mário Hernández saiu, pulei da cama e insisti: ‘Chame o pregador! Chame o pregador de volta! Quero estudar a Bíblia.’”

Neste ponto Délia interpõe: “Eu estava descrente. Hesitei duas ou três vezes antes de sair à rua atrás da Testemunha.”

Quando a Testemunha voltou, Daniel pediu uma Bíblia. “Eu ainda me lembro da resposta do irmão Hernández”, continua Daniel. “‘Muito bem, eu lhe trarei uma Bíblia, mas não para ficar empoeirada. É para ser estudada!’ O irmão Hernández sempre foi assim. Bem objetivo. Ia direto ao ponto. A gente sabia qual era a situação.”

Daniel prossegue: “Quinze dias mais tarde começou o estudo da Bíblia, mas não de todo regular. Meu irmão Homero também começou a estudar e fez excelente progresso. Homero abandonou rapidamente o uso de imagens, mas, lembro-me de ter-lhe dito: ‘Homero, eu ainda continuo com a virgem Maria.’ Homero respondeu: ‘Irmãozinho, continue estudando! Logo você entenderá.’”

A decisão de Daniel, de fazer alguma coisa concernente ao que estava aprendendo, foi o resultado de assistir a uma assembléia de circuito das Testemunhas de Jeová. “Homero falou-me da assembléia em Ambato. Eu disse que se tivesse dinheiro suficiente iria.

“A organização me assombrou. Pessoas, muitas delas, convivendo em harmonia. Podia-se sentir o amor da multidão. Ninguém fumava. Não se ouviam palavras obscenas. Os homens jovens, e também os mais velhos, não faziam propostas amorosas, nem conversavam indecentemente com as moças. Lembro-me de ter pensado: ‘Esta é a verdade!’ O que me motivou não foi o medo da morte, nem o medo do fim do mundo. Foi a pureza da organização.”

INVERTEM-SE AS POSIÇÕES

“Cheguei para casa entusiasmado e comuniquei a Délia: ‘Vou tornar-me Testemunha de Jeová.”’

“Você é um beberrão. As Testemunhas de Jeová não são”, foi a resposta.

Nesta altura, explicou-me o casal Rosero, algo estranho começou a ocorrer. Daniel passou a mudar seu modo de vida para melhor, ao passo que Délia adotou uma atitude oposta. Parecia que tinha sido tomada pelo espírito de vingança. Daniel teria que passar por todo sofrimento dela.

“Não tem dinheiro para comida, ah! mas para a Bíblia tem!”, era a sua censura. Délia admite que atormentava deliberadamente Daniel. Ela se sentia segura, pois, ao passo que ele amadurecia espiritualmente, diminuía progressivamente o perigo de ele maltratá-la.

Numa ocasião, Daniel chorou abertamente: “Délia, Délia, eu mudei! O que está acontecendo com você?”, suplicou. Até mesmo Benigno perguntou à sua mãe, se ela na realidade preferia os espancamentos de outrora.

À medida que o conhecimento de Daniel aumentava, punha em prática o que aprendia. “O assunto das imagens apresentou-me alguns problemas”, comentou. “Eu achava que realmente me aconteceram milagres em resultado da intercessão das imagens. Mário Hernández, porém, usou 2 Coríntios 11:14 em seu argumento — ‘Satanás persiste em transformar-se em anjo de luz’. Minha reação? ‘Muito bem, os demônios podem ludibriar-nos com as imagens. Então, fora com elas!’”

Removendo todos os quadros e estátuas, e levando-os para o pátio, Daniel pulou sobre eles e mais tarde os queimou. “Eu estava horrorizada e corri para fora da casa, achando que o teto iria desabar como expressão da ira divina”, Délia relembra, “implorando todo o tempo: ‘Por favor, querido Deus, perdoe este ignorante. Rogo para que não nos castigue!’”

Daniel, porém, fizera a mudança. Em 4 de maio de 1963, foi batizado em símbolo de sua dedicação a Deus. “Depois disto, foi difícil”, continua Daniel. “O fumo era um verdadeiro problema. Lembro-me de que costumava dizer de manhã, no café: ‘Não me dê pão. Traga-me fumo.’ Mas este vício, eu também venci.”

MELHORA A SITUAÇÃO

Daniel e Homero Rosero foram as primeiras Testemunhas em Latacunga. Os irmãos lembram-se das palavras de Artur Bonno, que servia como superintendente de circuito: “Comportem-se como cristãos, porque abrirão assim a porta para outros.” E eles assim fizeram. Délia, com o tempo, dedicou sua vida a Jeová, fazendo isso em 1965.

Daniel recorda como Luís Narváez, superintendente da congregação, ajudou-o a adquirir mais confiança em si mesmo, com estas palavras: “Daniel, você aprendeu a verdade da Bíblia, o que é um verdadeiro feito. Por que você não aprende a fazer mangas, e a cortar e costurar paletós? Seja alfaiate!”

“E eu aprendi”, diz Daniel, com um largo sorriso. “Luís trazia-me seus paletós velhos. Eu os desmanchava completamente e os refazia. Adquiri prática e Luís adquiriu ternos quase novos. Estabeleci um negócio; montei uma excelente alfaiataria com vitrinas. Tornei-me alfaiate mestre. Não pedia mais adiantamentos. Os fregueses pagavam-me na hora. Com o tempo e a ajuda de Jeová compramos uma casa.”

Mas, à medida que a verdade bíblica crescia em seu coração, Daniel percebeu que precisava, não de mais dinheiro, mas de mais tempo para pregar. Homero, seu irmão, tinha vários estudos bíblicos excelentes e Daniel desejava esta mesma alegria. Assim, em julho de 1968, ingressou no serviço de pioneiro especial. Nesta ocasião, havia na congregação 12 publicadores batizados do Reino e cerca de 30 pessoas assistindo às reuniões.

A VERDADE ESPALHA-SE EM LATACUNGA

Quando Luís Narváez estava para deixar Latacunga, Daniel lembra-se de que ele disse: “Daniel, quero deixar uma ‘ovelha’ para você.” A pessoa interessada era a esposa de um médico proeminente de Latacunga, o Dr. Mário Moscoso. Depois de duas semanas de iniciado o estudo, o Dr. Moscoso participou dele.

Daniel recorda: “Mário Moscoso foi sempre despretensioso. Nunca me fez sentir inadequado. De fato, ele fez que eu me tornasse estudante. Para achar as respostas às suas perguntas, eu tinha de estudar. O Dr. Moscoso era diretor do banco de sangue, e quando surgiu o assunto do sangue, este foi discutido abertamente. Em questão de semanas, ele deixou o seu cargo no banco de sangue.”

Dentro de seis meses, Mário Moscoso, que mais tarde se tornou o médico da família do presidente da república, agradeceu sinceramente a Daniel por ajudá-lo a conhecer a verdade. Enviou Daniel para estudar com seus parentes. “Ocorreu uma explosão da verdade por lá!”, Délia exclama. “A lista parecia um catálogo telefônico — famílias: Arma, Bravo, Coronel, Leon, Villagómez. Mais de 30 membros da família dedicaram sua vida a Jeová, sem falar das muitas crianças e de outros que assistiam às reuniões regularmente.

“Em três anos e meio, 60 novos foram batizados, e era comum em Latacunga haver assistências de 200 pessoas.”

OUTRAS DESIGNAÇÕES

Em 1971, a família Rosero foi designada para Cayambe, uma pequena comunidade de 8.000 pessoas. Daniel relata: “Levamos a família toda, inclusive minha sogra.” Em três anos e meio, foi estabelecida uma congregação em Cayambe, e 12 pessoas deram o passo decisivo da dedicação e simbolizaram isto pelo batismo em água.

O ano de 1974 levou a família Rosero para Otavalo, no Equador. “Novamente, toda nossa família se mudou, exceto Benigno e minha sogra, que ficou para cozinhar para ele. Mas, de qualquer maneira, a família cresceu”, diz Daniel, radiante. “Em dois anos, 11 novos foram batizados, incluindo três jovens que se tornaram meus genros. Casaram-se com três das minhas filhas.”

A partir de 1973, especialmente, o surto inflacionário tornou cada vez mais difícil para a família Rosero continuar no serviço de pioneiro especial. Mas eles tinham persistência. Em 1976, foram designados novamente para Latacunga, onde a tensão econômica era de certa forma menor.

Daniel explica: “Para mim, o maior encorajamento para perseverar é um estudo bíblico domiciliar progressivo. Peço regularmente a Jeová que me dirija às pessoas que realmente desejam a verdade, porque isto é tão estimulante para mim quanto o é para o estudante. No momento, há uma família ‘maravilhosa’ que está progredindo e assistindo às reuniões. Achei muito reveladora a descrição do marido sobre o seu desenvolvimento religioso. Ele disse: ‘Católico por tradição, batista por emoção, Testemunha de Jeová com conhecimento exato.’”

GRATIDÃO PELA VERDADE BÍBLICA

Nossa conversa diminui e vamos para o pátio onde há muitas zínias, rosas e videiras. Do outro lado do rio Cutuche, o gado pasta num tapete relvoso entre reluzentes roupas coloridas estendidas para secar. Eucaliptos empoeirados balançam ao vento. O céu é de um azul brilhante. Délia está pensativa.

“As pessoas me dizem que sou cheia de vida”, diz ela. “Sabe, eu devo tudo isto à verdade bíblica. Onde estariam os meus filhos sem a Palavra de Deus? Todos os sete estão batizados e firmes. A verdade tem significado para mim uma vida completamente nova e uma nova felicidade.” Ela abre-se num sorriso e diz: “Continuaremos a servir a Jeová e a confiar na sua orientação.”

Daniel acrescenta: “A verdade é vida para mim. Estou convencido de que, se não fosse pela verdade, eu teria morrido de alcoolismo.” Comentei que Daniel parece estar mais jovem cada vez que o vejo. Ele ri e comenta: “Sabe, as pessoas aqui em Latacunga dizem a mesma coisa. De fato, dizem que deve ter algo a ver com a minha pregação. Tem um texto bíblico que eu gosto de mostrar a elas, aqui no Salmo 92:14, 15: ‘Continuarão ainda a medrar durante o encanecer, continuarão gordos e com frescor, para contar que Jeová é reto. Ele é minha Rocha, em quem não há injustiça.’”

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