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  • g79 22/1 pp. 21-25
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  • Venha conosco à “terra do fogo”
  • Despertai! — 1979
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Despertai! — 1979
g79 22/1 pp. 21-25

Venha conosco à “terra do fogo”

Do correspondente de “Despertai”! nas Filipinas

TEM sede de aventura? Ótimo! Então acompanhe-nos à “Terra do Fogo”. Dirigimo-nos para a região de Davau, que abrange três grandes províncias no sul das Filipinas. No centro desta área acha-se a cidade de Davau, tecnicamente a maior cidade do mundo, embora suas casas não abranjam tanta área. Mas os limites oficiais da cidade abrangem centenas de quilômetros quadrados — alegadamente, até mesmo partes inexploradas do país! Muitos filipinos que são da região mais para o norte emigraram para cá, em busca de uma vida melhor. Mas, muito antes deles, os bagobos ocupavam tal área, então chamada Daba-Daba, ou “Terra do Fogo”.

Esse nome provém do costume tribal de queimar o daba-daba, um arbusto considerado sagrado pelos bagobos. O povo costumava queimá-lo ao sopé do monte Apo, o pico mais alto das Filipinas. Esses habitantes originais, ainda encontrados entre os imigrantes, são gente pacífica, de pele morena, com caraterísticas predominantemente indonésias. Sua linguagem possui um vocabulário rico em matizes. Na verdade, a civilização alterou um pouco seu antigo modo de vida, mas não inteiramente. Deixemos que nosso amigo, Lordo, bagobo típico, que se recorda de coisas dos velhos tempos, nos fale delas.

Vida Simples, Agrícola

“Nossa vida, outrora, era muito primitiva”, começa Lordo. “Ficávamos vagueando pela floresta, mudando-nos para qualquer lugar que o papai queria. Uma vez encontrávamos certo local adequado, começávamos a limpar o terreno, sob a orientação do papai. Derrubávamos enormes árvores e a densa vegetação rasteira era arrancada e queimada. Isto resultava num solo macio—uma bênção para nós, visto que não dispúnhamos então de animais de carga para nos ajudar a arar o solo. Nem sequer dispúnhamos dum arado —apenas de bolos, varas de cavar, e outras ferramentas simples. Cavávamos buracos na clareira recém-aberta e plantávamos arroz, milho, batata-doce e abacá. Deixávamos então as plantas entregues a si mesmas até à colheita.

“A colheita era uma ocasião boa. Mas, antes que pudéssemos gozar os frutos de nosso trabalho, fazíamos uma oferta aos deuses, ao pé da árvore balete. Colocávamos arroz cozido numa enorme folha de bananeira, e mergulhávamos nela os implementos que havíamos usado para cultivar a terra. Depois disso, enterrávamos o arroz no solo, como forma de agradecimento.

“Morávamos numa cabana que papai construíra de sapé, bambu, e pedaços compridos de madeira cortada das árvores da floresta. Era uma estrutura baixa, espraiada junto ao solo. Naturalmente, não dispúnhamos de mobília, apenas algumas pedras para o fogo, no canto. Dormíamos e comíamos no chão, usando os dedos como garfos e cascas de coco como tigelas.

“Rememorando, nossa relação familiar parece ter sido bem calorosa e íntima. Cada um conhecia seu lugar. Quando papai e outros homens conversavam juntos, usualmente as mulheres não entravam na conversa. Mamãe sempre achava um jeitinho de ficar a uma distância boa para não ouvir — talvez debulhando arroz ou tecendo uma esteira ou cesta, sob uma árvore sombreada. Nós, crianças, deixávamos então nosso cabelo crescer bem, e tínhamos dentes pretos devido a mascar vegetação silvestre. Ter dentes pretos era uma questão de orgulho, e identificava o ‘verdadeiro nativo’.

“Mais tarde, conseguimos adquirir um cavalo, alguns cães e também um búfalo asiático (carabao), para puxar cargas pesadas. Apresávamos e domesticávamos as aves selvagens que enchiam a floresta. Também, conseguíamos caçar porcos selvagens e cervos, bem como macacos, que vendíamos ou trocávamos por suprimentos. Mamãe limpava e cortava a carne nos tamanhos desejados e a estocava por dois dias, mais ou menos, num grande vaso de barro. Cozido em caniços verdes de bambu, tal alimento era considerado verdadeira iguaria.

“Também aprendemos a fabricar vasos rústicos, ou a fundir pequenos sinos ou ornamentos de bronze, tais como braceletes, armilas, faixas para as pernas e colares. As mulheres adquiriam conhecimento de tecelagem, trabalhos de enfeites com renda e como colorir cânhamo mediante tinturas obtidas de raízes e folhas de certas árvores. Nem todos nós permanecemos na floresta, contudo. Alguns conseguiram cursar uma escola, e estes trabalham agora em serviços governamentais ou em firmas particulares. Um deles até mesmo tornou-se ‘prefeito’.”

Crenças Religiosas

Segundo Laura W. Benedict, em seu livro Bagobo Ceremonial, Magic and Myth (Cerimonial, Mágica e Mito dos Bagobos), os bagobos, como um todo, adoram numerosos deuses e têm muitos ritos religiosos. Um de tais rituais é o Ginum (de inum, que significa “beber”). A bebida alcoólica flui durante tal cerimônia, e, certa vez, era acompanhada pelo sacrifício duma ave, ou até mesmo dum humano. Os bagobos, para proteger-se de fantasmas e demônios, têm ritos que envolvem muita música, canto, dança e festança.

A semeadura de arroz, a colheita, o casamento e o enterro — tudo dispõe dum ritual. No Manganito, reunião noturna, as pessoas crêem receber mensagens de vários anitos (deuses), através dom médium, usualmente mulher. Mas a religião dos bagobos parece mais preocupada em evitar os efeitos dos buso (demônios) do que na adoração dos deuses.

O chefe da aldeia é chamado datu, e é auxiliado por anciãos e mulheres influentes. Cuidam dos problemas religiosos ou seculares num conselho informal. Também, há curandeiros, homens ou mulheres com certo conhecimento de curas mediante ervas ou mágica. Realizam casamentos e oficiam nos sacrifícios da colheita.

Namoro e Casamento

Entre os bagobos, o namoro é incentivado, de modo que os jovens possam conhecer-se bem uns aos outros. As jovens estão livres para aceitar ou rejeitar pretendentes. Usualmente o rapaz pede diretamente a mão duma jovem em casamento. Caso os pais dela objetem, ele lhes dará uma dádiva para agradá-los. Mas, se o rapaz for aceito, o pai da jovem devolverá o equivalente à metade do valor da dádiva, de modo que não pareça que sua filha está sendo vendida.

“Em alguns casos”, afirma Lordo, “o rapaz se dirigirá diretamente aos pais da moça e pedirá a mão dela. Os pais chamam a jovem e perguntam se ela quer o rapaz. Orientado pelos sentimentos dela, o pai fará sua decisão. Às vezes, os pais solicitam presentes. Caso o rapaz não possa oferecer presentes, trabalhará para obtê-los.” Em outros casos, o rapaz poderá dizer ao seu pai que deseja casar-se com certa moça. Por sua vez, o pai dele se dirigirá aos pais dela e fará os arranjos de tudo.

A esposa é honrada na família e exerce um papel influente mesmo nas decisões principais. Usualmente, o homem é monógamo. No entanto, segundo Lordo, poderá ter esposas adicionais, caso possa sustentá-las.

Os ritos cerimoniais do casamento incluem o abandono de roupas velhas por lançá-las no rio, a fim de afastar as doenças. Apontam-se lanças para a montanha, a fim de afastar o infortúnio. Daí, cachos do cabelo do casal são entrelaçados, para simbolizar sua união. Também, trocam-se presentes. O ritual inteiro abrange mais de 24 horas, e as bebidas e festividades sem formalidade não raro começam um dia ou dois antes da cerimônia formal.

Que Dizer da Morte e do Enterro?

Estes eventos tristes dispõem de seu próprio ritual, também. Após a morte, o corpo é colocado numa esteira no chão (com pequena almofada sob a cabeça), sendo coberto por um pedaço de cânhamo ou algodão. “Por ocasião da morte”, diz Lordo, “crê-se que a ‘alma’ deixa o corpo e renasce em outras formas de vida. Por isso, os bagobos não ferem sequer uma borboleta, mosquito, lagarto, mosca ou cigarra, especialmente à noite. Poderia ser a ‘alma’ de quem partiu!”

Uma ou duas noites antes do enterro, a vigília à noite toda (damag) é observada para proteger o cadáver dos demônios. Sobre o caixão ou mortalha vê-se um desenho de crocodilo, com a boca aberta, exibindo a língua e os dentes. Este artifício é considerado eficaz para assustar os demônios. “À medida que a procissão fúnebre começa a sair”, acrescenta Lordo, “derrama-se água perto do corpo sem vida, na esperança de que a ‘alma’ não retorne. Espalham-se cinzas ao pé das escadas para captar as pegadas. Desta forma, os sobreviventes saberão se o morto voltou ou não ao terceiro dia. Caso um gafanhoto ou outro inseto surja naquele dia, diz-se que o morto está voltando, e, assim, oferece-se comida onde quer que tal criatura pouse. Se quem morreu foi um homem, também se oferece fumo, ao passo que uma flor é acrescentada, se for mulher.”

Há diferentes modos de livrar-se do cadáver. Outrora, era apenas baixado sobre uma esteira estendida no fundo duma cova. Às vezes, o corpo era envolto em casca, ou simplesmente deixado pendurado numa árvore! Outro costume era deixá-lo na casa, com portas e janelas inteiramente vedadas. A família abandonava tal casa e construía outra nas proximidades. Depois de um ano, as roupas tradicionais de luto são lançadas corrente abaixo, de modo que a “alma” do falecido não incomode mais os vivos.

Libertando-se

Embora muitos dentre esse povo interessante professem ser cristãos, os bagobos comuns ainda fazem ofertas ao pé da árvore balete. Sim, eles seguem as velhas tradições pagãs de seus antepassados.

Quando Lordo tinha 12 anos de idade, parecia ser a escolha ideal para suceder a seu avô, que possuía muitos poderes ocultos. Em retrospecto, Lordo declara:

“Eu ansiava o tempo em que poderia dispor de todo esse poder, e ainda mais. Sonhava em me tornar um datu, tendo a mais linda jovem como minha noiva, ou até mesmo possuindo várias esposas! Queria o poder de vida ou morte. Por conseguinte, cada dia, antes das lições do vovô, eu fazia ofertas aos deuses, ao pé da árvore balete.

“Vovô ensinou-me a usar as armas locais, a montar e desmontar dum cavalo com velocidade dum relâmpago, e a atirar uma lança com fantástica precisão. Não só me ensinou todas as demais artes de ataque e defesa que ele conhecia; também me ensinou a matar por certo preço. A vida doméstica não mais me interessava. Ficara obsedado com meus sonhos, e vagueava pela floresta, depois das lições, a fim de me comunicar com a natureza. Não raro, passava dias sem comer, dormindo sobre gigantescas raízes das enormes árvores da floresta.

“Meu progresso era excelente. Daí, porém, vovô morreu, e todos os meus sonhos de nada valeram! Desiludido, tornei-me beberrão e jogador, desperdiçando minha juventude na busca de prazeres mundanos. Então, em 1948, encontrei outro sonho, à base do qual edificar e trabalhar.

“Um dos kamatuoran, ou “povo da verdade”, como as Testemunhas de Jeová eram então conhecidas, deixou à minha porta um exemplar de seu folheto em cebuano, Descobertas. Antes, eu evitara as Testemunhas, mas agora li parte do folheto e a mensagem me atraiu. Por fim, conversei com eles, e desde então visitam regularmente minha casa.

“Naturalmente, este sonho novo me trouxe a ira do papai, que fez tudo que pôde para dissuadir-me disso. Até mesmo minha querida esposa (sim, eu já era casado então), xingava-me para desanimar-me. Todavia, eu estava determinado. Depois de uma luta dificílima, consegui, na força de Jeová, abandonar todos os meus vícios e me tornar um homem de vida limpa. — Fil. 4:13.

“Depois de observar a mudança dramática em minha vida, minha esposa também se interessou pela verdade bíblica. Com efeito, ralhou comigo por não lhe ter contado essa minha nova fé desde o princípio! Ela se teria juntado a mim mais cedo, disse ela. Mais tarde, ambos foi-nos aceitos para o batismo, e, no decorrer dos anos desde então, temos sentido as ricas bênçãos de Jeová sobre nós. Agora, sou ancião de uma das muitas congregações das Testemunhas de Jeová na ‘Terra do Fogo’.”

Em geral, as Testemunhas de Jeová acham fácil conversar com os bagobos, embora a maioria deles tenha dificuldades em aceitar as verdades bíblicas em substituição as suas tradições milenares. Outrossim, há os que, como Lordo, fizeram tal mudança e se apegam ao verdadeiro cristianismo. Acham-se entre as multidões que agora afluem ao “monte da casa de Jeová.” — Isa. 2:2-4.

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