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Eu era jogador inveteradoA Sentinela — 1975 | 1.° de junho
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os páreos daquele dia, notei que um cavalo chamado Pineapple (Abacaxi) corria; apostei nele e ganhei! Os jogadores são assim. São muito supersticiosos. Assim, em vez de se apegarem às suas escolhas bem estudadas, apostam em palpites.
Estou certo de que a Igreja Católica se apercebe desta caraterística dos jogadores. Porque as freiras estavam sempre perto do hipódromo, com suas caixinhas de coleta. Como é que podia um católico, que muitos de nós éramos, não fazer caso duma “irmã” e ainda esperar ser bem sucedido apostando nos cavalos? Por isso contribuíamos. E se naquele dia ganhávamos, éramos especialmente generosos, esperando que com isso a sorte continuasse.
Sabe por que eu apostava tanto no número 839 — aquele que saiu vencedor e me pagou 300 dólares? Porque eu nasci no oitavo mês, minha filha mais velha no terceiro mês e minha esposa no nono mês. Era apenas superstição. Eu achava que era meu número de sorte — e ele rendia algumas vezes.
Mas o fato é que eu perdia mais do que ganhava e que a vida era miserável, especialmente para minha família. Eu queria parar. Decidia-me: “Não vou mais fazer isso. Simplesmente não vou mais apostar em cavalos. Nem mais vou olhar para uma folha de corridas.” E o que acontecia então?
Eu ia para o trabalho, e o colega ao meu lado me dizia: “Ora, você sabe que ontem apostei em tal e tal cavalo e isso me pagou tanto?” Eu pensava para mim mesmo: “Eu costumava apostar neste cavalo.” E então, a primeira coisa que fazia era apostar novamente.
PONTO DE VIRADA
Foi em 1944, porém, que aconteceu algo que finalmente mudou a minha vida. Eu me mudara temporariamente com minha família de Nova Iorque para trabalhar em Patterson Field, alguns quilômetros de Dayton, Ohio. Minha filha assinou para a revista Seventeen, e um brinde oferecia um “best-seller” do momento ou a Bíblia. Escolhi a Bíblia, visto que sempre desejava ter uma. Daí, poucos dias depois, chegou um homem à minha porta e deixou-me o livro “A Verdade Vos Tornará Livres”.
Algumas semanas mais tarde, enquanto estava sozinho, certa noite, peguei no livro e comecei a lê-lo. Ele tinha mais sentido para mim do que tudo o que havia ouvido a respeito de religião e da Bíblia. Fiquei convencido de que me indicava algo mais maravilhoso do que jamais ouvira em todos os meus trinta e oito anos.
Fiquei jubilante quando o homem voltou e aceitei então seu convite de assistir a uma reunião das testemunhas de Jeová. Mas então adoeci. Depois dum longo internamento num hospital, voltei a Nova Iorque. Entretanto, o homem em Ohio providenciou que uma Testemunha me visitasse ali.
Aceitando um convite para uma reunião, notei que a Testemunha que me acompanhava não fumava, de modo que lhe perguntei: “Fumam as testemunhas de Jeová?” Ao receber uma resposta negativa, lembro-me de pensar: “Ora, isto já me deixa fora. Fumar e apostar são dois hábitos que nunca poderei abandonar.” Mas, eu estava errado.
O QUE TORNOU POSSÍVEL A MUDANÇA
Pela primeira vez comecei a apreciar que grandioso Criador temos. Ora, eu havia crido em Deus antes. Sabia que existia. Senão, como poderia haver vida inteligente, com todas as suas complexidades? Mas, agora, Deus começou a ser real para mim. Eu pude compreender que ele tinha propósitos para a bênção da humanidade.
Muitas vezes antes eu havia orado a oração que nos foi ensinada no orfanato: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” (Mat. 6:9, 10, versão católica Douay) Mas comecei a apreciar então que o reino de Deus é um governo real e que finalmente atingimos o tempo da história em que Deus pôs este governo em funcionamento, com conseqüências que abalavam o mundo.
Fiquei convencido de que este sistema certamente precisava ser substituído. E fiquei emocionado ao saber que o Deus Todo-poderoso realmente ia fazer isso. A profecia do livro bíblico de Daniel ficou especialmente significativa para mim: “O Deus do céu estabelecerá um reino que jamais será arruinado. E o próprio reino . . . esmiuçará e porá termo a todos estes reinos, e ele mesmo ficará estabelecido por tempo indefinido.” (Dan. 2:44) As promessas bíblicas dum paraíso terrestre, sem doença e morte também tiveram forte influência na minha vida. — Sal. 37:9-11; Rev. 21:3, 4.
Decidi que, se este era o propósito de Deus para a bênção da humanidade, eu podia mostrar meu apreço por fazer o melhor para obedecer aos requisitos Dele. Aprendi que um requisito era que o homem fizesse “provisões para os seus próprios, e especialmente para os membros de sua família”. (1 Tim. 5:8) De modo que comecei a fazer isso, o que, naturalmente, exigiu reduzir muito minhas apostas. Minha família e outros que me conheciam não podiam deixar de ficar impressionados com a mudança.
O crescente desejo de agradar ao Deus Todo-poderoso tornou possível esta mudança. Mas também foi vital a leitura da literatura sadia das testemunhas de Jeová e a associação regular com elas. Quando eu ia às reuniões delas, eram sempre amigáveis. Mesmo os que eu não conhecia chegavam-se e me cumprimentavam. E eu podia ver que sua amizade era real; não era hipócrita. Quando se associa regularmente com pessoas assim, é influenciado de modo realmente benéfico. Até mesmo parei de fumar.
LIBERTEI-ME COMPLETAMENTE
Mas a jogatina tinha um domínio mais forte sobre mim. Fiquei surpreso, porque pensava que seria mais fácil de largar do que o fumo. No entanto, o impulso de apostar era sobrepujante, fazendo-me racionalizar: “Não há nenhum texto na Bíblia contra a jogatina. E eu estou cuidando da minha família.” De modo que apostava ocasionalmente. De fato, na minha primeira assembléia das testemunhas de Jeová em Cleveland, Ohio, em 1946, assisti à maioria das sessões, mas certa tarde saí para ir ao hipódromo.
Fiz este tipo de coisa por anos. Simplesmente não conseguia resistir ao impulso. “Tenho alguns dólares extras”, costumava pensar como desculpa. “Posso dar-me ao luxo de me divertir um pouco.” No entanto, com o tempo comecei a apostar mais do que intencionava. Também, por volta deste tempo, entrei em dificuldades financeiras ao ponto de que minha posição na congregação cristã estava em perigo. Foi uma crise na minha vida.
No entanto, irmãos cristãos vieram amorosamente em minha ajuda. Deram-me pacientemente conselho e orientação. E com a leitura de artigos na Sentinela e em Despertai!, comecei a apreciar mais plenamente quão má a jogatina realmente é. Especialmente o artigo “É o Jogo Correto Para os Cristãos?”, na Despertai! de 1964, teve efeito sobre mim. Ajudou-me a reconhecer que realmente há um texto contra a jogatina.
Eu sabia quão supersticiosos eram os jogadores, sempre tentando ganhar por adular a “Boa Sorte”. Defraudam e fazem quase tudo para ganhar — ganhar torna-se um ídolo e a Boa Sorte uma deusa. De modo que o texto considerado naquele artigo, Isaías 65:11, realmente me atingiu. Fala sobre os que abandonam o verdadeiro Deus e ‘põem em ordem uma mesa para o deus da Boa Sorte e enchem vinho misturado para o deus do Destino’.
Quando li isso, comecei a reconhecer quão de perto a jogatina está relacionada com a adoração falsa. De fato, isto me fez refletir em que muitas vezes observávamos que as pessoas ganhavam suas primeiras apostas — “sorte de principiante”, conforme dizíamos. Mas agora estou convencido de que é a trama do Diabo engodar pessoas a apostar, manipulando de certo modo os assuntos para que primeiro ganhem, enlaçando-os assim a uma forma degradante de adoração falsa, na qual passam a idolatrar o dinheiro e a Boa Sorte.
Com tal reconhecimento, passei a combater mais do que nunca o impulso de jogar. Simplesmente não podia ceder a ele! Já se passaram agora anos desde a minha última aposta e ainda assim tenho às vezes o impulso. Mas, porque sei que o Deus Todo-poderoso não aprova a jogatina, estou decidido a nunca mais fazer uma aposta.
Se for alguma vez tentado a jogar, lembre-se dos frutos terríveis disso — o que faz às pessoas, quanto as degrada e até mesmo enlaça na adoração falsa. E não faça nem mesmo aquela primeira aposta! Se já tiver sido enlaçado pela compulsão de jogar, pode ter a certeza de que pode vencer isso. Há um meio, e as testemunhas de Jeová terão prazer em ajudá-lo, assim como ajudaram a mim. — Contribuído.
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Nações Unidas — amigas ou inimigas da religião?A Sentinela — 1975 | 1.° de junho
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Nações Unidas — amigas ou inimigas da religião?
QUANDO Jesus Cristo esteve na terra, seus discípulos fizeram-lhe muitas perguntas. Muitas vezes ele respondeu primeiro segundo as circunstâncias imediatas e depois deu uma resposta profética mais completa, de maior alcance, que eles não entenderam na ocasião. Mais tarde, depois de Pentecostes de 33 E. C., passaram a entender. Algumas coisas haviam de ser entendidas claramente ainda mais tarde. Uma delas tem que ver com a organização mundial de paz e segurança que conhecemos hoje como Nações Unidas.
Um exemplo disso é a pergunta que os discípulos fizeram alguns dias antes da morte de Cristo: “Quando sucederão estas coisas [a respeito do julgamento contra Jerusalém e a destruição do templo] e qual será o sinal da tua presença e da terminação do sistema de coisas?” (Mat. 24:3) Jesus pormenorizou a vindoura destruição de Jerusalém. Daí passou a dar informação adicional, mostrando que sua resposta tinha também uma aplicação profética de longo alcance, à terminação do sistema de coisas dos nossos dias. A profecia focalizava em especial a destruição do sistema de religião falsa da cristandade. No seu empenho pela segurança mundial, será que as Nações Unidas encararão as religiões do mundo como ajuda ou como empecilho?
Uma particularidade destacada da resposta de Jesus foi a sua menção da profecia de Daniel a respeito da “coisa repugnante que causa desolação” e que havia de “estar em pé num lugar santo”. (Mat. 24:15, 16) Esta profecia teve cumprimento no primeiro século, quando os exércitos da Roma pagã entraram em Jerusalém, minando até mesmo a muralha do templo. Menos de quatro anos
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