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Deus respeita o arranjo da famíliaA Sentinela — 1972 | 1.° de dezembro
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Deus respeita o arranjo da família
QUANDO nasce uma criança os amigos e os parentes se reúnem e fazem observações tais como: ‘É igualzinho ao papai!’ Ou: ‘Parece-se muito com a mãe!’ Às vezes, a semelhança com o outro progenitor não é tão evidente na aparência física, mas torna-se evidente depois nas características de personalidade da criança. Deveras, dá-se hoje conosco o que se deu com o primeiro homem Adão, o qual, segundo diz a Bíblia, “tornou-se . . . pai dum filho à sua semelhança, à sua imagem, e chamou-o pelo nome de Sete”. — Gên. 5:3.
Jeová Deus tem sido muito coerente na questão do parentesco e dos direitos parentais. Ele deu aos pais o privilégio e a faculdade de terem filhos à sua própria imagem e semelhança. Sim, mais do que isso, permitiu-lhes criarem seus filhos do modo como bem entendessem. E apesar de alguns pais terem negligenciado seus filhos e outros os terem criado para serem até mesmo antagonistas de Deus não lhes tirou seus filhos para entregá-los aos cuidados de outros.
Isto certamente é justo e revela grande indulgência da parte de Deus. Ninguém pode de direito queixar-se de que Deus o impediu de treinar seus filhos como bem entenda. E ninguém que tenha deixado de ensinar os princípios de Deus aos filhos pode de direito queixar-se da aflição que a má conduta de seus filhos causa. Os pais negligentes não podem esquivar-se do princípio de que “o rapaz deixado solto causará vergonha à sua mãe”. — Pro. 29:15.
AS CRIANCINHAS NÃO ESTÃO SEM PECADO
Todos os filhos da humanidade, embora herdando algumas tendências desejáveis de seus pais, também herdam algumas indesejáveis. E todos, sem exceção, nasceram pecadores, em resultado de o seu primeiro pai ter perdido sua posição perante Deus, por meio da desobediência. A Bíblia nos diz: “Por intermédio de um só homem entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.” — Rom. 5:12.
Por meio do pecado, por ‘errar o alvo’ da norma de perfeição de Deus para ele, não atingindo a glória de Deus, que devia ter refletido, Adão deixou de transmitir a perfeição aos seus filhos. Isto influiu em toda a raça humana. “Pois todos pecaram e não atingem a glória de Deus.” — Rom. 3:23.
Graças à benignidade imerecida de Deus, o sacrifício resgatador de Cristo pode remover o pecado em que se nasce. A pessoa precisa, naturalmente, ter idade para aceitar a provisão de Deus para si mesma. Mas, que dizer dos filhos ainda em idade insuficiente para terem tal fé? Não estão sem pecado. O salmista Davi disse: “Eis que em erro fui dado à luz com dores de parto, e em pecado me concebeu minha mãe.” (Sal. 51:5) Portanto, como trata Deus com eles? Trata com estes filhos por meio do arranjo da família. Por quê? E como funciona este princípio?
Jeová acredita no arranjo da família e constituiu a família como unidade básica da sociedade terrestre. O lugar, o significado e a função da família originam-se com ele. Ele é o Pai “a quem toda família no céu e na terra deve o seu nome”. (Efé. 3:15) Ele dá à família dignidade e posição. O pai é o chefe da família, a mãe é a ajudadora, e os dois juntos têm a responsabilidade divina de controlar os filhos.
OS PAIS SÃO RESPONSÁVEIS PELOS FILHOS
Filhos muito pequenos, que ainda não atingiram a idade da responsabilidade, são quase que inteiramente o produto de seus pais por meio da hereditariedade, em adição ao treinamento e ambiente providos pelos pais. Por conseguinte, Deus mantém os pais responsáveis até que a criança atinja a idade de responsabilidade pelas suas próprias decisões e pelos seus próprios atos.
Portanto, aquilo que os pais fazem quanto à sua relação com Deus influi na família inteira. Assim como a lei dos homens mantém os pais responsáveis pelos atos de seus filhos menores, assim também faz Deus. Quando um filho comete um crime, danificando propriedade, o pai pode esperar que a polícia bata na sua porta para levantar acusações contra ele e exigir o pagamento dos danos. Então, por que não devia Deus igualmente manter os pais responsáveis pelos atos de seus filhos menores?
RESULTADOS DE LONGO ALCANCE DO TREINAMENTO PARENTAL
Os atos certos ou errados dos pais ou o treinamento certo ou errado que dão podem influir nos filhos dos seus filhos, até mesmo nos bisnetos. Por exemplo, quando a geração que trata dos assuntos mundiais fica envolvida numa guerra, isto influi muito nas gerações futuras, assim como se deu em resultado da Primeira e da Segunda Guerra Mundial.
Visto que Deus concede aos pais o direito de criarem seus filhos sem a sua interferência, ele pode descrever os resultados para os pais que seguem Suas leis e para os que não o fazem. Ele disse a Moisés: “Eu, Jeová, teu Deus, sou um Deus que exige devoção exclusiva, trazendo punição pelo erro dos pais sobre os filhos, sobre a terceira geração e sobre a quarta geração no caso dos que me odeiam, mas usando de benevolência para com a milésima geração no caso dos que me amam e que guardam os meus mandamentos.” (Êxo. 20:5, 6) Não pode haver dúvida sobre isso: Os filhos criados do modo errado quase com certeza praticarão coisas más e receberão a retribuição pelos seus atos.
Abraão era exemplo dum chefe de família que seguiu o caminho de Deus e ensinou aos seus filhos a obediência a Deus. Isto mostrou ser uma bênção de longa duração para os seus descendentes. — Gên. 18:19; Deu. 4:37.
Entretanto, quando os descendentes de Abraão, mais tarde, se voltaram para a idolatria e para outras iniqüidades, foram levados ao cativeiro por nações inimigas. De fato, desde o exílio em Babilônia até a destruição de Jerusalém em 70 E. C., os judeus estiveram constantemente sob o domínio de potências mundiais pagãs, primeiro de Babilônia, depois da Pérsia, da Grécia e de Roma. Seus descendentes, por muitas gerações, sentiram o peso do pecado de seus antepassados.
Este princípio aplicava-se também às nações pagãs. Na construção da Torre de Babel, o povo que se afastara da adoração do Deus de Noé, Jeová, foi dividido em diversos grupos lingüísticos, e destes se desenvolveram nações. Seus descendentes encontravam-sa depois “apartados do estado de Israel e estranhos aos pactos da promessa, e não [tinham] esperança e [estavam] sem Deus no mundo”. (Efé. 2:12) Apenas os que se desviaram do proceder mau dos seus antepassados, abandonando o paganismo, chegaram a conhecer a Deus por adotarem a adoração dele.
Um caso ilustrativo do julgamento de criancinhas junto com seus pais iníquos é o dos cananeus. Por causa de sua longa história da mais profunda depravação, seus filhinhos foram executados junto com eles, às ordens de Deus, quando os israelitas ocuparam o país. — Deu. 7:1, 2.
Tudo isso mostra que Deus atribui mérito ou demérito aos filhinhos duma família, baseado na posição de seus pais. Exige-se mais alguma coisa dos pais, além de serem adoradores do verdadeiro Deus Jeová? E exige-se alguma coisa dos filhos jovens? Também, que dizer das famílias em que apenas um dos progenitores é adorador de Jeová e discípulo de Jesus Cristo? Estas perguntas serão consideradas no artigo que segue.
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Que efeito tem sua posição perante Deus sobre seus filhos?A Sentinela — 1972 | 1.° de dezembro
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Que efeito tem sua posição perante Deus sobre seus filhos?
AS EVIDÊNCIAS históricas consideradas no artigo precedente demonstram que aquilo que o progenitor faz influi profundamente nos seus filhos, estendendo-se a várias gerações futuras. O proceder certo dos pais na vida e seu exemplo correto forçosamente resultam em bem para seus filhos, especialmente quando os pais são verdadeiros servos de Jeová Deus. Sua posição perante Deus significa vida para os filhos, desde que lhes ensinem cuidadosamente as leis de Deus e incutam neles a obediência à autoridade parental.
O que acontece, porém, na situação em que um dos progenitores é “crente”, cristão, mas o outro não é? Fará esta união ou a continuação da união sem separação com que o crente fique contaminado ou impuro, tornando os filhos impuros, em conseqüência disso?
Não. Por que não? Por causa dos princípios justos de Deus, aos quais ele se apega lealmente, e por causa de sua benevolência para com os que o servem com devoção exclusiva. Ele consola os que estão em famílias divididas em questões religiosas, nas quais um é crente e o outro não, dizendo na sua Palavra: “Pois o marido incrédulo está santificado em relação à sua esposa, e a esposa incrédula está santificada em relação ao irmão; de outro modo, os vossos filhos seriam realmente impuros, mas agora são santos.” — 1 Cor. 7:14.
No idioma hebraico e no grego, nos quais se escreveu a Bíblia, palavras derivadas da palavra hebraica qadhásh, cujo significado básico é “reluzente, novo, puro”, e da palavra grega hágios, são traduzidas por “santo”, “santificado” e “posto à parte”. Tanto o uso hebraico como o grego tinham sentido religioso, espiritual e moral. Portanto, tudo o que era santificado era puro, santo e posto à parte para o serviço de Deus.
Esta posição limpa perante Deus resulta de se ter fé na provisão de Deus por meio de seu Filho. Quem não tem tal fé não tem sido purificado de sua imperfeição e pecaminosidade herdadas. Tais pessoas, chamadas pelo apóstolo Paulo de ‘incrédulos’, podem levar uma vida honesta e de boa moral. Mas não se separaram do mundo impuro. Não aceitaram a provisão de Deus para a remoção de seu estado pecador, não tendo sido ainda libertos da escravidão ao pecado por se tornarem verdadeiros seguidores do Senhor Jesus Cristo. Tais pessoas não são em si mesmas limpas aos olhos de Deus. — 2 Cor. 6:17; Tia. 4:4; João 8:34-36.
Note que a declaração do apóstolo, em 1 Coríntios 7:14, não diz que o próprio incrédulo fica limpo ou santo pelo vínculo marital. De fato, pode ser alguém que pratica a transgressão ou coisas impuras. Antes, Paulo diz que o incrédulo é santificado “em relação ao” crente. Portanto, Deus considera tal relação ou união marital como pura, em benevolência para com o crente e os filhos novos.
Em que base pode Deus assim favorecer os filhinhos duma família em questões religiosas? Ora, o casamento é instituição de Deus, e a relação marital é o arranjo correto para os humanos. Portanto, qualquer casamento correto tem a aprovação de Deus. Ele considera os cônjuges como sendo “uma só carne”. (Mat. 19:5) Por conseguinte, quando um dos cônjuges é cristão fiel, ele não é contaminado por continuar a conviver com o incrédulo. O casamento é aceitável a Deus. Se não fosse aceitável, os filhos seriam como que ilegítimos. Mas agora são considerados como santos e puros. Ou, quando ambos os cônjuges são incrédulos, o casamento em si mesmo não é condenado, mas os filhos são considerados iguais aos pais, não santificados ou santos perante Deus.
No entanto, os filhos que Deus considera como santos à base do mérito parental são os que ainda não têm bastante idade para compreender plenamente tudo o que se exige dos que servem a Deus. Não são capazes de fazer para si mesmos as decisões importantes exigidas daqueles que se tornam discípulos batizados do Senhor Jesus Cristo. Mas é muito importante lembrar-se de que mesmo tais filhos jovens precisam saber o significado da obediência. Precisam obedecer aos seus pais. Precisam ser filhos que não são desregrados, nem praticantes do que é mau. (Pro. 20:11) Isto torna imperativo que os pais, ou o progenitor que é crente, ensinem aos filhos a obediência e também lhes ensinem a verdade da Bíblia, em cada ocasião.
Não só se exige do pai criar os filhos “na disciplina e no conselho de autoridade de Jeová”, mas dá-se também aos filhos a ordem direta: “Vós, filhos, em tudo sede obedientes aos vossos pais, pois isso é bem agradável no Senhor”, e: “Filhos, sede obedientes aos vossos pais em união com o Senhor, pois isto é justo: ‘Honra a teu pai e a tua mãe’; que é o primeiro mandado com promessa: ‘Para que te vá bem e perdures por longo tempo na terra.’” — Efé. 6:1-4; Col. 3:20.
Conseqüentemente, se o filho jovem for rebelde e contrariar as ordens e os pedidos de seus pais, se ele, quando longe dos pais, fizer coisas que sabe que são contra a vontade deles ou erradas aos olhos de Deus, se ele se associar com companheiros que praticam transgressões, então certamente não pode reivindicar vir a estar sob os benefícios do mérito familiar. Ele anula o mérito que seu progenitor ou seus pais cristãos talvez tenham aos olhos de Deus, e ele é impuro, assim como são aqueles com quem pratica transgressões. — Sal. 50:16-20.
O que significa para o filho obediente ter o mérito dum progenitor ou de pais cristãos? Significa que tem o favor de Deus. Tem a proteção e a ajuda de Deus, assim como seu progenitor cristão. Não está sob a sentença de Deus contra ele, assim como está o mundo. (2 Ped. 2:9; veja Salmo 37:25, 26.) Quando Deus executar a sentença nos iníquos, ele poupará tais filhos como sendo puros e santos, do mesmo modo como o progenitor crente é santo.
Inversamente, a Bíblia declara: “‘Pois, eis que vem o dia que arde como fornalha, e todos os presunçosos e todos os que praticam a iniqüidade terão de tornar-se como restolho. E o dia que virá certamente os devorará’, disse Jeová dos exércitos, ‘de modo que não lhes deixará nem raiz nem galho’.” (Mal. 4:1) Quando Jerusalém foi destruída, em 70 E. C., por causa de sua infidelidade a Deus, os filhos também foram mortos junto com seus pais. Os cristãos que acataram o aviso profético de Jesus, de sair da cidade condenada antes de os romanos a cercarem, foram salvos junto com seus filhos.
Assim também, na destruição dos iníquos deste sistema de coisas, aplicar-se-á o princípio: Os filhos (os galhos) que não adotarem por conta própria um proceder justo, receberão a mesma sentença adversa dos pais (a raiz).
O reconhecimento de seus servos fiéis por parte de Jeová Deus revela seu grande amor e apreço pelos que o amam, e mostra também a sua capacidade sábia de fazer com que “todas as suas obras cooperem para o bem daqueles que amam a Deus”. (Rom. 8:28) Além disso, a justiça de Deus é magnificada por ele realizar tudo isso dentro da estrutura de seus próprios princípios declarados.
[Foto na página 726]
O filho jovem que é rebelde anula o mérito que seu progenitor cristão lhe possa dar aos olhos de Deus.
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Confie em Deus, não no seu próprio entendimentoA Sentinela — 1972 | 1.° de dezembro
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Confie em Deus, não no seu próprio entendimento
OS QUE prestam devoção exclusiva a Jeová Deus reconhecem que todos os julgamentos finais da humanidade estão nas mãos dele. O Rei Davi, no seu último conselho ao seu filho e sucessor Salomão, disse: “Jeová sonda todos os corações e discerne toda inclinação dos pensamentos.” — 1 Crô. 28:9; 1 Sam. 16:7.
Por isso, não devemos ficar ansiosos quanto a que sentença certas pessoas ou certos grupos irão receber. Entretanto, Jeová nos fornece orientações para que possamos seguir o proceder que resulte em sentença favorável para nós e também coopere para a posição correta de outros à vista de Deus.
Por causa da relação e dos sentimentos muito ternos para com os filhos jovens, e em vista do princípio de Deus quanto ao mérito familiar, considerado nos artigos precedentes, surgem algumas perguntas relacionadas que merecem ser consideradas.
FILHOS ADOTIVOS
Alguns perguntaram: ‘Que dizer de crianças adotadas? Não fazem parte da unidade familiar na qual foram adotadas, e não seria sua posição perante Deus governada pela posição de seus pais adotivos?’ Evidentemente que sim. Se os pais adotivos forem realmente cristãos, ensinarão a verdade da Palavra de Deus à criança. Se a criança for obediente aos seus pais adotivos e às leis de Deus que puder compreender, então, nestas circunstâncias, evidentemente se aplica o que o apóstolo Paulo disse em 1 Coríntios 7:14.
Por outro lado, o filho talvez seja criado por pais adotivos que não são cristãos. Parece que seria considerado como compartilhando do julgamento dos pais adotivos perante Deus. Naturalmente, se a criança tiver idade bastante para discernir o certo e o errado e fizer isso, mostrando decidido amor à justiça, procurando seriamente saber e seguir a verdade, embora seus pais adotivos não o façam, então poderá receber o favor de Deus. — Eze. 18:14-18; 33:18, 19.
Nos casos em que um casal tem um filho legalmente adotado e por isso assumiu responsabilidades por ele, contribui em muito, quer de modo bom, quer de modo mau, em determinar a posição do filho. Mas as pessoas ou os casais que apenas mantêm a criança no lar para um parente, ou os que são pagos para cuidarem duma criança, não devem esperar que a criança venha a ter o favor de Deus só porque eles são seus guardiães. Não são os responsáveis pela criança, e por isso não se aplicaria o princípio do mérito familiar. Entretanto, se ensinarem à criança aos seus cuidados a Palavra de Deus ao ponto que puderem, então isto, naturalmente, será para o bem-estar da criança, se ela escutar e seguir as boas coisas aprendidas.
Os que são servos de Deus devem fazer tudo o que podem para ensinar a verdade a outros, mas os que não têm responsabilidade direta para com uma criança não devem pensar que precisam intervir nos direitos dos pais. Quando alguém tem parentes que são incrédulos, é da responsabilidade dos pais em tais famílias incrédulas treinar seus filhos, e Deus permite-lhes fazer o que bem entendem. Naturalmente, quando se apresenta a oportunidade de falar a tais filhos sobre a verdade, pode-se fazer isso. Mas, ir além disso, por exemplo, por procurar obter o controle legal dos filhos, seria intrometer-se nos negócios dos outros. (1 Ped. 4:15) Deus não faz isso; por que devíamos nós? Deixe o assunto entregue a Deus, que se importa com os que têm coração reto.
PERIGO EM SE CASAR COM UM INCRÉDULO
Deve-se observar que, embora Deus abençoe a unidade familiar em que haja um crente, não é nada sábio que um cristão ou uma cristã se case com alguém incrédulo. Pois, embora Deus considere a relação marital como sagrada, não significa que não possam surgir problemas muito aflitivos. É muito mais difícil ensinar aos filhos o caminho de Deus numa família dividida em questões religiosas. O incrédulo talvez procure neutralizar os ensinos que os filhos recebem, ou talvez até mesmo procure impedir o ensino. Isto teria efeitos prejudiciais sobre os filhos. Talvez não se mostrem obedientes às coisas ensinadas pelo progenitor crente, e, neste caso, tais filhos também partilhariam da sentença de Deus contra o progenitor incrédulo.
Pode surgir uma situação muito difícil se o incrédulo decidir separar-se do crente por causa das diferenças religiosas. Se o incrédulo insistir numa separação, o crente ou a crente pode deixá-la ou deixá-lo partir. O apóstolo Paulo salienta que “o irmão ou a irmã não está em servidão em tais circunstâncias, mas Deus vos chamou à paz”. (1 Cor. 7:15) Mas, o que acontece quando há filhos? O incrédulo talvez procure ficar com os filhos. Ele ou ela talvez até mesmo receba a custódia deles por parte dum tribunal. Neste caso, a pouca oportunidade que o cônjuge crente tem para ver os filhos e falar-lhes sobre o caminho de Deus talvez não baste para amoldar os filhos de modo correto. Mesmo que o incrédulo se afaste, deixando os filhos com o crente, quanta dificuldade isto não causará ao crente! Lança fardos adicionais sobre o cônjuge cristão, que tem de sustentar os filhos e ao mesmo tempo cuidar de seu bem-estar espiritual de maneira correta.
Sim, os solteiros não devem desobedecer ao conselho do apóstolo quanto ao seu próprio bem-estar espiritual e ao dos filhos que talvez nasçam na união com o incrédulo. O apóstolo acompanhou o conselho bíblico aos israelitas, de não fazerem alianças maritais com incrédulos, ao aconselhar às viúvas a casar-se “somente no Senhor”. — 1 Cor. 7:39; Deu. 7:3, 4.
Por outro lado, aos que talvez já estejam envolvidos num casamento com um incrédulo ou em outras situações de vinculação que apresentam problemas relacionados com o serviço prestado a Deus, o apóstolo diz: “Qualquer que tenha sido a condição em que cada um foi chamado, irmãos, permaneça nela associado com Deus.” (1 Cor. 7:24) Quando alguém já está casado na ocasião em que obtém conhecimento da verdade e o cônjuge não se torna crente, Deus, não obstante, considera a relação como santa. Mas a pessoa solteira que se casa com alguém incrédulo não coloca em primeiro lugar sua associação com Deus. Arrisca seriamente a sua espiritualidade e coloca sua integridade em tensão extra.
CONFIANTE NA JUSTIÇA DE DEUS
Há outras questões que surgem relacionadas com o princípio do mérito familiar. A Bíblia não responde a todas elas. Deixa o julgamento de cada caso individual a Jeová e ao seu Filho, a quem Ele designou para julgar o mundo em justiça. — Atos 17:31; 2 Tim. 4:1.
Devíamos preocupar-nos e especular quanto a quem sobreviverá à “grande tribulação” ou quanto a quem ressuscitará? Se vivermos agora segundo as ordens de Deus e proclamarmos as boas novas o melhor que pudermos, estaremos fazendo a vontade de Deus.
Quanto aos julgamentos de Jeová, se chegarmos a conhecer a Deus, confiaremos nele, e seremos assim como Abraão, o qual, conhecendo a justiça e a misericórdia de Deus, usou-as como base para rogar a favor dos que viviam nas cidades iníquas de Sodoma e Gomorra, dizendo: “Suponhamos que haja cinqüenta homens justos no meio da cidade. Arrasá-los-ás então e não perdoarás ao lugar por causa dos cinqüenta justos que há nele? É inconcebível a teu respeito que atues desta maneira para entregar à morte o justo junto com o iníquo, de modo que se dê com o justo o que se dá com o iníquo! É inconcebível a teu respeito. Não fará o Juiz de toda a terra o que é direito?” A inigualável misericórdia de Jeová revelou-se em ele escutar o rogo de Abraão ao ponto em que, se houvesse apenas dez homens justos no distrito, Deus pouparia inteiramente as cidades. — Gên. 18:22-33.
Portanto, em vez de nos preocuparmos demais, é melhor esperar em Jeová, ao mesmo tempo continuando a fazer a sua vontade com a confiança expressa pelo salmista, que disse: “Bem sei, ó Jeová, que as tuas decisões judiciais são justiça.” — Sal. 119:75.
“Vou cantar por tempo indefinido sobre as expressões de benevolência da parte de Jeová. Com a boca tornarei conhecida a tua fidelidade, de geração em geração. Feliz o povo que conhece gritos de alegria. Ó Jeová, eles continuam a andar na luz da tua face. Em teu nome jubilam o dia inteiro e na tua justiça estão enaltecidos. Pois tu és a beleza da sua força; e pela tua boa vontade é enaltecido o nosso chifre.” — Sal. 89:1, 15-17.
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