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  • Maridos e esposas — sobrepujem os conflitos através da comunicação
    Despertai! — 1986 | 8 de janeiro
    • Maridos e esposas — sobrepujem os conflitos através da comunicação

      A FAMÍLIA — Um Abrigo de Paz?

      As armas são palavras apontadas com fria precisão para perfurar os pontos fracos da armadura emocional uns dos outros. Até mesmo as arengas, os berros, o espancamento, e jogar coisas em cima dos outros, são a porção diária das famílias que se acham em guerra declarada. Outras famílias, porém, deixaram de combater às claras, e têm-se recolhido a barreiras do silêncio e da chorosa frustração. Todavia, na maior parte, trata-se de membros de famílias que se importam com seu relacionamento uns com os outros. O que os impede, em sua vida doméstica, de obter o calor humano de que eles tão desesperadamente carecem? Como podem melhorar tais condições? Os artigos que seguem fornecem algumas respostas realísticas.

      JOANA e Paulo gozavam o que muitos achavam ser um “casamento perfeito”. Paulo, contudo, ficou emocionalmente envolvido com seu trabalho. ‘Quando chegava a casa, só queria falar sobre os excitantes desafios do meu serviço. Embora desse em Joana um beijo e um abraço pró-forma, minha mente estava em outra coisa’, confessou Paulo. Joana não partilhava o entusiasmo dele pelo seu trabalho. Dando duro como jovem mãe, ela se sentia negligenciada e abandonada. Isto gerou ressentimentos, uma vez que Paulo se mostrava insensível para com as emoções dela.

      Depois de algum tempo, Joana não se importava mais. Quando Paulo expunha seus problemas, ela respondia com fria indiferença. Ela, emocionalmente, ‘não estava ali’. Apesar de Paulo ser um hábil provedor e ela uma mãe capaz, tinham-se privado mutuamente de uma necessidade básica e de uma das dádivas mais significativas — a intimidade do coração. Tornaram-se emocionalmente estranhos, e esta falta de comunicação pessoal estava lentamente destruindo seu casamento.

      Uma Carência Afetiva

      Uma “função básica do casamento”, segundo os conselheiros Marcia Lasswell e Normal Lobsenz, talvez seja “obter e dar . . . apoio [emocional] um ao outro”. Devido às agressões do mundo em derredor, é vital tal apoio, por parte daqueles a quem amamos. A falta dele fere profundamente, e “por causa da dor de coração há um espírito abatido”. (Provérbios 15:13) A confiança em si e o espírito da pessoa podem ser abalados.

      Quando há dor de coração devido à insensibilidade do cônjuge, amiúde a pessoa fica irada. “Quando ele simplesmente se senta ali e diz que sou emotiva demais, fico louca de raiva”, declarou certa esposa. “Acabo chorando e me sentindo muito mal.” Ou, como Paulo se sentia: ‘Eu notava que, quando estávamos a sós, Joana demonstrava pouco entusiasmo, mas assim que alguém telefonava ou nos vinha visitar, ela ficava muito animada com eles, ignorando-me por completo. Eu ficava desolado, e, ao mesmo tempo, irado, por achar que estava sendo usado. Eu a sustentava, e, mesmo assim, ela agia como se preferisse a companhia de outros.’

      Alguns casais preferem sofrer em silêncio, tornando-se, efetivamente, “grandes fingidos”, como se tudo estivesse indo bem em seu casamento. Mas, o corpo sente o que o cérebro prefere ignorar. Dor crônica, dores de cabeça, um nó no estômago, depressão, frigidez e impotência, têm sido comunicados aos médicos por pessoas que têm conflitos maritais não-solucionados. Não raro, a hostilidade crescente culmina numa separação. Os pesquisadores calculam que a metade dos primeiros casamentos que acontecem agora nos Estados Unidos terminarão em divórcio.

      Mas, que se pode fazer para sobrepujar os conflitos e cultivar a intimidade? O segredo é: Aplicar os princípios bíblicos. Deus, que fez o coração e a mente, conhece nossas carências emocionais. Por conseguinte, a Bíblia, que contém o conselho dele, fornece a melhor orientação. Um casal deve não só conhecer, mas sinceramente tentar aplicar este conselho inspirado. Se aplicada, a Bíblia pode ajudar o casal a suprir adequadamente as mútuas carências emocionais. — Efésios 5:22-33.

      “Não Sei O Que Mais Ela Quer”

      Não é fácil reconhecer as carências emocionais de nosso cônjuge. A pessoa talvez hesite em expressar suas carências a outros, por receio de ser rejeitada, ferida ainda mais, ou desiludida — ou talvez não saiba quais são tais carências. “Juro que não sei o que mais ela quer”, admitiu certo marido. “Ela persiste em dizer que temos de conversar, e, então, quando conversamos, sempre acontece que digo algo errado. . . . Assim, preocupo-me com isso, e passo a não dizer nada.”

      A Bíblia, porém, mostra que, em vez de se fechar, como fazia este marido, é preciso que demonstre discernimento. “Os da casa serão edificados pela sabedoria, e serão firmemente estabelecidos pelo discernimento”, declara Provérbios 24:3. Por conseguinte, tente discernir o que há por trás das ações e observações de seu cônjuge. Pergunte a si mesmo: Por que ele (ou ela) está-me dizendo isso? O que ele (ou ela) realmente deseja, ou necessita?

      Por vezes, uma esposa talvez deixe o marido perplexo com suas voláteis emoções. Mas “o homem de discernimento é de espírito frio”, e procura ‘extrair’ dela o verdadeiro problema. (Provérbios 17:27; 20:5) Estará ela enfrentando alguma carga emocional opressiva? (Compare com Eclesiastes 7:7.) Será a hostilidade que ela demonstra quanto à hora em que você, leitor, chega a casa do trabalho realmente um brado contra sua indiferença e falta de afeto? Ou será que a feriu por alguma ação impensada? Será preciso algum esforço — e tempo — extra para amainar as coisas? Discernir as carências, contudo, é apenas o primeiro passo. — Provérbios 12:18; 18:19.

      Cultivar Intimidade

      Na Bíblia, Jó declarou que as palavras de sua boca fortaleceriam o ouvinte. (Jó 16:5) Isto também se aplica ao casamento. São revigorantes as expressões sinceras que realçam a auto-estima de seu cônjuge. “Vós, maridos”, ordena a Bíblia, “continuai a morar com [suas esposas] da mesma maneira, segundo o conhecimento, atribuindo-lhes honra [considerando-as preciosas; especialmente queridas] como a um vaso mais fraco, o feminino”. (1 Pedro 3:7) Quando faz sua esposa sentir-se preciosa, com freqüência se desfaz a hostilidade dela.

      Naturalmente, conforme o costume, os casais são emocionalmente mais achegados em alguns países do que em outros. Sem embargo das tradições locais, porém, o marido que aplica a Bíblia em seu casamento discerne o valor de se achegar mais emocionalmente à sua esposa. Saber-se prezada pelo marido torna mais fácil para qualquer esposa expor a ele as profundezas de seu coração, e isto aumenta a felicidade de ambos.

      “Um bom ouvinte”, declara o livro The Individual, Marriage, and the Family (O Indivíduo, o Casamento e a Família), “tem a capacidade de fazer com que a outra pessoa se sinta especialmente prezada, e que aquilo que diz é interessante e significativo”. Assim sendo, os casais desejosos de cultivar intimidade devem prestar atenção a como escutam. O ouvinte ativo dá plena atenção ao cônjuge e tenta compreender aquilo que ele está dizendo, sem interromper, argumentar, ou mudar de assunto. Ouvir mostrando empatia, e cultivar interesse pessoal e altruísta nos assuntos de seu cônjuge, é o que dá vida à intimidade. — Filipenses 2:3, 4.

      Para aprimorar a intimidade, os conselheiros maritais sugerem ainda: (1) Aprendam a fazer de seu cônjuge o seu confidente, em vez de outrem. (2) Criem alguma ocasião de qualidade, cada dia, ou pelo menos semanalmente, sem distrações, quando podem extravasar seus sentimentos e suas idéias. (3) Compartilhem um com o outro pequenos acontecimentos cotidianos. (4) Mostrem regularmente afeição em pequenas coisas — em oferecer um presente pequeno, mas inesperado, executar uma tarefa que o outro não gosta (sem que isso lhe seja pedido), deixar um bilhetinho no pacote do lanche ou marmita do almoço, ou por um carinho ou um abraço inesperado.

      No entanto, até mesmo casais devotados um ao outro discordam, às vezes. As sugestões do encaixe acima podem ajudar a evitar que tais discussões cresçam ao ponto de destroçar o casamento.

      Mesmo que as desavenças se tornem graves, recuse-se a desistir de seu casamento. Certo casal, cujos conflitos levaram à separação, reconciliou-se por lerem juntos os conselhos bíblicos sobre o casamento, contidos em Colossenses 3:18, 19, determinados a aplicá-los. Quando discutiam com franqueza os sentimentos que provocavam tal ressentimento, ambos perguntaram: “Por que não me disse antes que se sentia assim?” Escutaram e tentaram entender o ponto de vista do outro. Agora, depois de já estarem unidos de novo por quase uma década, o marido reconhece: “As coisas só melhoraram graças aos lindos conselhos da Palavra de Jeová Deus. Nossa felicidade valeu todo o esforço feito.”

  • Adolescentes — como podem promover a paz na família?
    Despertai! — 1986 | 8 de janeiro
    • Adolescentes — como podem promover a paz na família?

      “ESCREVO para lhes pedir ajuda”, assim começava a carta duma jovem. “Parece que estou sempre brigando com meus pais. Sinto-me sozinha no mundo e muitas vezes fico deprimida. Se algo não acontecer logo, vou pôr fim à minha própria vida. . . . P.S. Não sugiram que converse com meus pais. Ninguém me escuta.”

      Embora não sinta tanto desespero quanto esta jovem, há muitos adolescentes que apresentam similar conflito em seu lar. As tarefas diárias, o horário de chegar a casa, roupas e penteados, o desempenho escolar, o namoro, e a atitude da pessoa para com os demais membros da família — todas estas são causas comuns de contendas.

      No entanto, muitos jovens verificam que os conselhos da Bíblia, quando aplicados, realmente promovem a paz. E, como é óbvio, existem reais vantagens de manter a paz com seus pais. (Veja encaixe na página ao lado.) Quais são os conselhos da Bíblia, porém, que o ajudam nesse sentido?

      ‘Honre e Obedeça’

      “Obedecei a vossos pais. . . . Honrai (prezai e valorizai como preciosos) vosso pai e vossa mãe . . . para que tudo vá bem convosco e para que vivais longo tempo na terra”, ordena a Bíblia em Efésios 6:1-3. (The Amplified Bible) Não deveria honrar a seus pais, que lhe deram vida, nutriram-no quando era um bebê desvalido, e se sacrificaram para lhe dar abrigo, roupa, alimento, e cuidados de saúde? A obediência significa fazer aquilo que seus pais tementes a Deus lhe pedem — mesmo que isso seja difícil. É mais fácil dizer do que fazer! Todavia, acatar os conselhos de seus pais, que têm muito mais experiência na vida, pode torná-lo mais sábio, e protegê-lo de dolorosas dores de coração.

      Na verdade, isto talvez signifique aprender a fazer ou a aceitar coisas que julga desagradáveis. Mas trata-se dum treinamento essencial para enfrentar as pressões do mundo dos adultos. O Dr. Paul Gabriel, psiquiatra infantil, constatou que “crianças que enfrentam as coisas” são aquelas que “conseguem tolerar a frustração”. Aprendem a lidar com desapontamentos, sem ficarem irritadas, e aprendem a aceitar o inevitável. A Bíblia também indica que enfrentar a adversidade pode edificar a personalidade. Lamentações 3:27 declara: “É bom que o varão vigoroso carregue o jugo durante a sua mocidade.”

      Mas, e se achar que seus pais despercebem seu ponto de vista? A Bíblia sugere: (1) Fale com calma, em vez de brigar por meio de palavras. (Provérbios 29:11) (2) Empregue palavras “doces”. Peça que lhe mostrem consideração e lhe ajudem, em vez de exigir tais coisas. (Provérbios 16:21) (3) Seja razoável. Forneça motivos sólidos para seu conceito, em vez de fazer comentários irrelevantes, tais como: “Todo o mundo faz isso.” — Veja Filipenses 4:5.

      Fale ‘do Fundo do Coração’

      Quando Gregório era adolescente, ele julgava ter pouco apoio emocional por parte de sua mãe. As restrições dela pareciam desarrazoadas. Sem qualquer base real, ela amiúde o acusava de cometer erros. A dor íntima que Gregório sentia o levava a um conflito diário. Um ministro, a quem ele se dirigiu em busca de ajuda, no Salão do Reino das Testemunhas de Jeová, instou com ele a que conversasse com sua mãe ‘do fundo do coração’. — Jó 33:3, The Holy Bible in the Language of Today (A Bíblia Sagrada na Linguagem Atual), de William Beck.

      “Esforcei-me muito em explicar a ela como eu realmente me sentia. Precisava da compreensão e do apoio emocional dela”, disse Gregório. “Ajudei-a a discernir que não estava fazendo nada de errado, e quão ferido me sentia por ela não confiar em mim. Bem, ela começou a entender meus sentimentos, e nosso relacionamento melhorou. Também, obedeci a ela e evitei dar-lhe algum motivo para não confiar em mim.” Quando as necessidades emocionais dum jovem não são satisfeitas, amiúde surge o ressentimento. Mas a comunicação de coração com os pais pode melhorar a atmosfera no lar.

      A situação melhorada no lar de Gregório pode ser melhor avaliada quando se considera que ele pertencia a um tipo crescente de família que apresenta problemas ímpares, a família de um só genitor.

      A Família de Um Só Genitor

      Na atualidade, uma de cada cinco crianças (ou jovens) nos Estados Unidos vive com apenas um genitor, e existem situações similares em outras terras. Uma mãe solteira do Peru falou da enorme carga que ela tem de levar, tal como trabalhar longas horas e então cuidar das tarefas domésticas. Todavia, ela disse: “O que torna a vida ainda mais difícil é quando os filhos não respeitam minhas ordens.”

      Se, como filho, pertencer a uma família assim, mostre compaixão por cultivar aquilo que a Bíblia chama de ‘compartilhar sentimentos’ ou empatia. (1 Pedro 3:8) Seja obediente. Prove que é realmente um verdadeiro filho ou filha não só por ajudar nas tarefas domésticas, mas também por apoiar emocionalmente a sua mãe ou seu pai. Alegre-se de ter alguém que se importa com você e que está decidido a criá-lo corretamente. Enfrentar com êxito os desafios adicionais da família de um só genitor o tornará uma pessoa melhor.a

      Na verdade, nenhum lar é perfeito. Todavia, focalize-se nos pontos positivos do seu, com olhos apreciativos, e então desta forma promova a paz.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja: “Só Me Resta Você, Mamãe”, em nossa edição de 22 de agosto de 1981.

      [Quadro na página 7]

      O Valor do Bom Relacionamento Entre Pais e Filhos Adolescentes

      “Existia consenso entre os [aproximadamente 200] estudos recapitulados, de que as consecuções acadêmicas, a liderança, e o pensamento criativo das crianças estava positivamente vinculado a relacionamentos entre pais e filhos . . . calorosos, de aceitação mútua e de boa compreensão.” — James Walters e Nick Stinnett, escrevendo na revista Journal of Marriage and the Family.

      “Quando o adolescente torna-se viciado em tóxicos ou em álcool, seu papel específico na família pode tornar-se crítico em relação ao vício ou ao tratamento.” — “Toxicomania: Assunto Familiar”, de M. Hager, publicado em The Journal.

      “Segundo certo estudo, quanto mais satisfeitos mostravam-se os adolescentes com a comunicação e a ajuda obtida dos pais, tanto mais elevada era sua auto-estima.” — E. Atwater, no livro Adolescence (Adolescência).

  • A paz familiar entre padrastos e enteados
    Despertai! — 1986 | 8 de janeiro
    • A paz familiar entre padrastos e enteados

      • ‘Padrasto alegadamente perde a paciência e mata de pancadas o enteado.’

      • ‘Adolescente mata padrasto dela, com pistola ainda fumegante’, segundo informe da Polícia.

      • ‘Rapaz de 14 anos é baleado pela madrasta, que se diz saturada com comportamento dele.’

      “AS FAMÍLIAS bínubas [que têm padrastos ou madrastas] podem ser os lugares mais estressantes”, explica o Dr. John Visher, co-fundador da Associação das Famílias Bínubas dos Estados Unidos. “Quando as pessoas entram num relacionamento com expectativas irrealísticas, é provável que se queixem de ficar sob considerável tensão.” Graças às vertiginosas taxas de divórcio, aumentaram dramaticamente as famílias bínubas. Mas, infelizmente, 44 por cento destas fracassam nos primeiros cinco anos! Todavia, muitas delas enfrentaram os problemas ímpares de plasmar uma só família de duas. A aplicação dos seguintes princípios bíblicos era vital.

      Melhor é o fim posterior dum assunto do que o seu princípio. Melhor é aquele que é paciente do que o soberbo no espírito. Não te precipites. . . em ficar ofendido.” (Eclesiastes 7:8, 9) A paciência é de importância crítica! É preciso estabelecer relacionamentos que sejam julgados comuns nas famílias naturais. Não são uma “família instantânea”. Os peritos afirmam que o processo de desenvolver o senso do “nós” talvez leve de quatro a sete anos. No período inicial, os padrastos e madrastas devem agir com calma. Tente não ficar logo ofendido, caso se baldem seus esforços iniciais de tornar-se amigo dos enteados.

      “Pela presunção só se causa rixa, mas há sabedoria com os que se consultam mutuamente.” (Provérbios 13:10) Uma atitude obstinada e presunçosa — quer por parte dos filhos, quer dos genitores — leva ao conflito. Fixem ocasiões regulares em que possam consultar-se mutuamente como família e expor os problemas. Aprendam a expressar seus sentimentos dum modo que mostre sensibilidade para com os outros. Quanto mais chegarem a conhecer os “novos” membros da família, por meio de comunicação aberta, tanto mais íntimos se tornarão.

      “Quem mostrar perspicácia num assunto achará o bem, e feliz é aquele que confia em Jeová.” (Provérbios 16:20) A perspicácia envolve ver além do óbvio e poder identificar as razões de certas atitudes e comportamento. (Veja entrevista na página oposta.) Esta qualidade pode ajudá-lo a ver o bem em outros.

      Por exemplo, no decorrer duma discussão explosiva, uma madrasta interrompeu e sugeriu: “Digamos todos uma coisa uns sobre os outros de que não gostemos, e então, logo depois, citemos algo que realmente apreciamos.” Mais tarde, ela escreveu: “Ficamos surpresos diante de todas as boas características que apreciávamos uns nos outros.” Lágrimas e abraços se seguiram. Em outra casa, um jovem se rebelou quando sua mãezinha se casou de novo, mas a perspicácia lhe trouxe a paz. “Depois de alguns meses, compreendi que este é o homem que torna minha mãe feliz”, disse José. “E isso é tudo que importa.”

      Mas, se irá ou não aplicar estes princípios dependerá de sua espiritualidade. ‘Confiar em Jeová’, desejando agradar a Ele, é a chave para a paz familiar entre padrastos e enteados.

  • “A convivência entre padrastos e enteados”
    Despertai! — 1986 | 8 de janeiro
    • “A convivência entre padrastos e enteados”

      Entrevista com a diretora da Fundação das Famílias Bínubas (EUA)

      A Sra. Jeannette Lofas, diretora da Fundação das Famílias Bínubas, co-autora do livro Living in Step (A Convivência Entre Padrastos e Enteados), estudou as pressões ímpares existentes numa família bínuba, ou em que um dos genitores contraiu novas núpcias. A seguinte entrevista que ela concedeu a um redator de Despertai!, narra como tais pressões podem ser enfrentadas com êxito.

      P. Sra. Lofas, por que é tão difícil ser padrasto ou madrasta?

      R. Com freqüência, a madrasta começa com um olho roxo mítico, e acaba ganhando um real. A maioria dos padrastos e madrastas esperam conseguir o reconhecimento de que goza o genitor biológico. Em geral, não conseguem. Quer consciente, quer inconscientemente, quase sempre tentam provar o que são. Amiúde os enteados rejeitam toda essa paternidade, porque se sentiriam desleais ao seu genitor ausente. O genitor biológico tem seu lugar consagrado. No início, o padrasto (ou madrasta) sofrerá um golpe. Nem sempre acontece: ‘Se me ama, amará também meus filhos.’

      P. Por que os enteados são amiúde hostis?

      R. É muito duro para um filho suportar o divórcio dos pais. A criança se sente mal quando mamãe vai embora, ou papai não está por perto para lhe dar bastante atenção. Não raro, os filhos transferem estes sentimentos feridos para o padrasto (ou madrasta). Chama-se a isto de deslocamento. Assim, o padrasto ou a madrasta torna-se facilmente o bode expiatório de todos estes sentimentos feridos. De súbito, a criança lhe demonstra uma reação horrorosa.

      P. Como se pode ajudar uma criança (ou jovem) a lidar com tais sentimentos “feridos”?

      R. Em primeiro lugar, tanto o genitor como os filhos precisam reconhecer que tais sentimentos fazem parte normal da dinâmica, ou padrão de comportamento, duma família bínuba. Se lançar a culpa na criança ou na madrasta (ou no padrasto), em vez de na própria dinâmica, poderia meter-se em grandes dificuldades. Os filhos precisam compreender que, de início, é normal ficar transtornados, e sentir ira e frustração. Não raro, apenas ajudar o filho a reconhecer por que ele se sente assim, e mostrar-lhe empatia é de grande ajuda. O genitor biológico deve reassegurar ao filho que ele sempre terá uma posição especial, e, desta forma, não tem motivos de temer o padrasto (ou madrasta) como usurpador da ‘posição e terreno’.

      P. Pode um padrasto (ou madrasta) realmente disciplinar o enteado?

      R. Pode, por estabelecer ‘regras domésticas’ desde o início. O amor significa que fixará limites para as crianças e jovens, e não os deixará fazerem o que quiserem. A disciplina e o amor precisam ser equilibrados, quer na família bínuba, quer noutra. Mas, na convivência na família bínuba, é difícil sentir tal amor. Falta o sangue e a história, de modo que o padrasto talvez reaja de forma excessiva, ou o enteado talvez ressinta a disciplina da parte dum “estranho”. O padrasto deve estabelecer sua autoridade por sua liderança, em vez de por dar ordens.

      P. O que causa sérios problemas com o castigo?

      R. Quando o pai e a mãe discordam na frente dos filhos. A pior coisa para uma criança é presenciar o desacordo entre duas importantes figuras adultas. A criança não tem então para quem se voltar. Se a família bínuba não dispõe duma ‘diretriz familiar’, isso é devastador. É importantíssimo que os pais discutam em particular, e concordem em quais devem ser os padrões do lar, e quais as conseqüências se estes forem violados. Devem então esclarecer isto à criança. Um padrasto se expressou da seguinte forma: “É lindo quando a mãe diz: ‘Ele é meu marido, seu padrasto. Nós dois estamos criando você.’”

      P. Quão importante é o relacionamento do casal?

      R. Este é o relacionamento básico, e tem de ser forte; de outra forma o resto não dará certo. É preciso criar o que chamamos de força do casal. Isto gera uma família coesa. Sem isso, não só se transmitem mensagens confusas aos filhos, mas estes abrirão uma brecha entre os dois genitores. Saiam juntos como casal. Gozem seus filhos como casal, um não sobrecarregando o outro.

      P. São de ajuda os valores religiosos?

      R. São, sim, de grande ajuda. Habilitam a pessoa a erguer-se acima de erros insignificantes cometidos um contra o outro. Por exemplo, o marido, em certa ocasião, talvez favoreça erroneamente seu filho biológico. A esposa espuma de raiva. Daí, será que ela vai colocar-se acima da insignificância da briguinha, não mergulhando no marasmo do ocorrido? Na verdade, ele estava errado. E daí? Aconteceu. Qual o próximo passo? Os valores religiosos dela são de ajuda, porque ela vai pensar: ‘Qual seria a vontade de Deus? Que façamos que nossa família dê certo. Assim, que precisamos fazer agora para que isso aconteça? Por tentar sinceramente seguir a vontade de Deus, podemos fazer com que esse sistema dê certo.’

  • “A culpa é toda dele!” — Paz, apesar das diferenças
    Despertai! — 1986 | 8 de janeiro
    • “A culpa é toda dele!” — Paz, apesar das diferenças

      “BEM, se você se corrigir e fizer o que supostamente deve fazer”, retrucou Celeste, “então eu farei o que eu deveria fazer”. O marido dela, Alberto, absorveu o rompante. Mas, em sua mente, ele achava que deveria ser justamente o contrário. Ambos conheciam o que a Bíblia dizia, mas cada um achava que o outro não a estava aplicando.

      Os casais amiúde atingem tal impasse, crendo que os problemas deles se devem mormente às falhas do outro. Convicta de que a culpa era de Alberto, e que ele não iria mudar, Celeste foi embora de casa. “Achava que não adiantava tentar”, disse ela. “A situação parecia insolúvel.” Já sentiu isso alguma vez? Felizmente, este casal encontrou uma solução que salvou o casamento deles.

      Haverá um Único Culpado?

      Quando assistia a uma reunião das Testemunhas de Jeová, Celeste ouviu algo que lhe tocou o coração. Um ministro disse que a humildade era vital no aperfeiçoamento da comunicação marital. Celeste humildemente começou a examinar-se, para ver se ela mesma não tinha contribuído para o problema deles.

      Em realidade, todos somos prontos a inocentar-nos. “O homem que apresenta sua causa ao juiz parece ter razão; daí seu próximo chega e expõe a causa dele na sua verdadeira luz.” (Provérbios 18:17, The Bible in Basic English) Culpar o cônjuge somente fornece um motivo fútil, e evita o doloroso auto-exame em busca das possíveis causas do problema. Segundo a Bíblia, poderá ‘edificar’ ou ‘derrubar’ seu casamento com “suas próprias mãos”. (Provérbios 14:1) Examinarmos a nós mesmos na “verdadeira luz” com freqüência revela pontos passíveis de melhora.

      Este exame introspectivo foi o começo da solução para Celeste. Compreendeu não ser provável que conseguisse mudar seu marido, admitidamente “mandão”, do jeito como ela fazia as coisas. Mas ela podia mudar sua própria reação, e como ela falava com ele. Isto talvez o influenciasse a melhorar. Assim, voltou para casa, determinada então a cuidar de seu modo de falar. Os resultados foram positivos.

      O Poder da Língua

      “A língua pacífica é árvore de vida”, afirma a Bíblia, “mas a imoderada quebranta o espírito”. (Provérbios 15:4, Matos Soares) A linguagem impensada, “imoderada” não raro provoca ira e ressentimento. “Eu costumava sempre jogar-lhe em rosto que ele só se casou comigo para ter alguém que cuidasse da casa e dos filhos”, admitiu Celeste. “Ele ficava irado e começava a berrar. Bem, parei de dizer isso. Deixei de ser tão rabugenta e crítica. Em vez de rebaixá-lo na frente das crianças, eu esperava o momento oportuno para conversarmos sobre as coisas que eu não apreciava. Tentei escutar mais e elogiá-lo, sempre que possível.”

      O casamento deles melhorou, à medida que Alberto lhe correspondia. Será que suas palavras enriquecem seu casamento, ou causam dor, ‘quebrantando o espírito’ de seu cônjuge? Acata a ordem da Bíblia de ‘mostrar empatia e terna compaixão’? — 1 Pedro 3:8.

      Por exemplo, outro casal, Lauro e Michele, conversava sobre que sobremesa preparar para uma festinha. “Vamos simplificar as coisas. Compre um bolo”, instou Lauro. Michele insistiu em preparar um bolo caprichado. E com certeza, pouco antes de os convidados chegarem, Lauro ouviu um gemido vindo da cozinha. As camadas desenformadas tinham-se desmanchado. “Não lhe disse que era tolice tentar fazer tal bolo?”, disse Lauro, totalmente insensível à aflição dela. “Agora, o que vai apresentar como sobremesa?”

      “Foi por um fio que não lhe joguei toda aquela massa na cara”, confessou Michele. Somente a chegada dos convidados evitou a violência. Falaram-se pouquíssimo por dias a fio depois disso. Mas, poderia Lauro dizer que toda a culpa era dela? Pelo contrário, sua observação impensada ‘furou como uma espada’, produzindo uma resposta ardente. (Provérbios 12:18) Quão mais edificante teria sido se tivesse demonstrado empatia e sugerido outra sobremesa.

      Que fazer, porém, se seu cônjuge fica transtornado por causa de um amargo problema ou falha pessoal? Oh, compreende que você não é realmente o alvo. Mas, mesmo assim, como lida com a situação se tal pessoa, por frustração, descarrega os nervos em sua pessoa?

      Amor Abnegado

      Em vez de se retrair, a Bíblia aconselha: “Prossegui em levar os fardos uns dos outros e cumpri assim a lei do Cristo.” (Gálatas 6:2) Visto ser difícil oferecer apoio quando o cônjuge está aborrecido, é crucial aplicar a “lei do Cristo”.

      Jesus ordenou o amor abnegado. (João 13:34, 35) Este amor “não procura os seus próprios interesses”. (1 Coríntios 13:5) Mesmo que tenha legítima “razão para queixa”, tal amor o moverá a perdoar e a desperceber isso. (Colossenses 3:13) A abnegação exige ‘tomar a dianteira’ em mostrar honra e em retribuir o mal com o bem. — Romanos 12:10, 17-21.

      Todavia, ser abnegado não significa fazer absolutamente qualquer coisa para apaziguar o cônjuge. A Bíblia nos conta sobre Sara, que era submissa e abnegada. Sem embargo, ela não hesitava em dizer sem rodeios o que pensava ao marido dela, quando a situação o exigia. Ela colocava os benefícios a longo prazo para a família acima da perda momentânea da paz. — Gênesis 16:1-6; 21:8-11.

      Assim, caso seu cônjuge siga um proceder prejudicial, é “melhor a repreensão revelada do que o amor escondido”. (Provérbios 27:5) Mas, escolha o momento certo — longe dos filhos e de outros. Apele para seu cônjuge, ajudando-o a ver a sabedoria de mudar.

      A Preocupação Vital

      Por vezes, contudo, um cônjuge parece recusar-se a mudar. Talvez sugira dirigirem-se ambos a um habilitado conselheiro em busca de ajuda. Nas congregações das Testemunhas de Jeová, há superintendentes espiritualmente habilitados que se dispõem a ajudar. (Tiago 5:14, 15) Talvez tal ajuda mova seu cônjuge a aplicar os conselhos da Bíblia, em especial se ele ou ela der valor a um bom relacionamento com Deus.

      Mas, e se seu cônjuge não der tal valor? Nesse caso, o amor pelas leis de Deus tem de ser sua sobrepujante preocupação. O salmista, que na ocasião estava submetido a extrema pressão mental, escreveu: “Escolhi o caminho da fidelidade. . . . Correrei no próprio caminho dos teus mandamentos, porque fazes espaço para meu coração.” (Salmo 119:11, 30, 32) O salmista, que prezava as leis de Deus, não só aumentou o conhecimento de Deus em seu coração, mas também desenvolveu nele maior confiança na habilidade de Deus de sustentá-lo. Deus, portanto, ajudou-o a dispor do “espaço” em seu coração para suportar esta aflição emocional.

      Jeová é assim capaz de ajudá-lo também a abrir espaço em seu coração para alojar até mesmo o cônjuge não-cooperador. Saber que agrada a Deus, por guardar os mandamentos Dele, concede-lhe a paz interior.

      Realmente Dá Certo!

      Felizmente, já por quase dez anos, Celeste e Alberto foram reunidos, pondo fim à separação. Ambos, embora imperfeitos, tentam aplicar os conselhos da Bíblia. “Às vezes volto a alguns dos meus modos antigos de agir”, admitiu Alberto. “Mas continuo esforçando-me para mudar.”

      Todavia, Celeste tenta não reagir de forma exagerada. “É preciso aprender a aceitar algumas coisas sobre uma pessoa”, disse Celeste. “Ele é desse jeito. Não se pode mudar tudo nele — assim como não posso modificar todas as minhas imperfeições.” Francamente, Celeste chegou a uma conclusão essencial: a necessidade de perdoar errinhos insignificantes. (Mateus 18:21, 22) “Visto que tenho observado a reação do Alberto à minha mudança de atitude”, confessou Celeste, ao refletir sobre os sete anos hostis de casamento, antes da separação, “tenho pensado comigo mesma: ‘Por que não fiz isso antes?’ Aqueles anos teriam decorrido com muito mais suavidade.”

      Assim, não espere que seu cônjuge seja quase perfeito. O casamento, mesmo com o melhor dos cônjuges, ainda traz ‘tribulação na carne’. (1 Coríntios 7:28) Encare os problemas de frente, em vez de fugir deles por meio da separação ou dum divórcio frívolos.a Fortaleça sua resolução pessoal de guardar as leis de Deus, e comprovará a veracidade do Salmo 119:165: “Paz abundante pertence aos que amam a. . . lei [de Deus], e para eles não há pedra de tropeço.”

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