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A comunicação na família — por que entrou em colapso?Despertai! — 1985 | 22 de maio
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A comunicação na família — por que entrou em colapso?
TEMPOS ATRÁS, nos dias de sir Stamford Raffles, fundador do porto inglês de Singapura, não era incomum ter ele de esperar um ano inteiro para receber resposta de uma de suas mensagens para Londres. Mas isso foi no século 19. Atualmente, maravilhas tais como satélites de comunicação permitem o contato instantâneo com virtualmente qualquer lugar do mundo.
É irônico, contudo, que ao passo que o homem pode comunicar-se tão facilmente com alguém de outro continente, não raro fracassa quando se trata de comunicar-se com membros de sua própria família. Taxas vertiginosas de divórcio dão lúgubre testemunho disto. Pouco é de se admirar, então, que, em certo estudo de casais “felizes” e “infelizes”, os pesquisadores tiraram a seguinte conclusão: “A principal necessidade em muitos casamentos estremecidos é a de dispor de melhores meios de comunicação entre os cônjuges.” Mas, quantas famílias realmente comungam, isto é, conversam intimamente “com grande profundeza mental e espiritual”, como certo dicionário define esse termo? Não raro, há muito pouca ou nenhuma comunhão, de mentes, e muito menos de corações. Por que, então, acontece este colapso?
O Colapso da Comunicação: As Suas Causas
São muitos os fatores que operam contra a qualidade da vida familiar. Antes da industrialização, o “trabalho” era, mais ou menos, um assunto familiar, mas agora as coisas mudaram. Na maior parte do mundo, o homem ganha a vida labutando por longas horas longe de casa. Declinante economia mundial obriga muitas mulheres a fazer o mesmo. Assim, os filhos ficam sob os cuidados de pessoas pagas, ou ficam entregues a si mesmos. As escolas assumiram a inteira tarefa de educar os filhos — tarefa esta que, nos tempos antigos, era da responsabilidade primária dos pais. A tecnologia — o mesmo instrumento que tanto aprimorou as comunicações — às vezes funcionou no sentido de debilitar a vida familiar.
Antes dos dias do rádio, da TV, dos conjuntos estereofônicos, dos videocassetes, e dos videogames, os membros da família amiúde gastavam tempo conversando entre si. Mas, a atual superabundância de tais aparelhagens quase que acabou com a arte da conversação em algumas famílias. O informe do Instituto Nacional de Saúde Mental (dos EUA), intitulado Television and Behavior (Televisão e Comportamento), declara: “As reuniões familiares junto à lareira ou ao jantar parecem agora dar lugar às reuniões em frente ao televisor.” Especialmente perturbador foi o que se constatou nos Estados Unidos, “famílias gastando cerca da metade das horas em que estão acordadas, em casa, vendo televisão”. E o fato trágico é que, em muitas famílias, quando se liga a TV, a família se desliga; a conversa se reduz ao nível mínimo.
Com que resultado? A vida familiar se torna vazia. O companheirismo reflui, e os membros da família inevitavelmente se afastam. Mas, para que a família seja unida, ligada pelos vínculos do entendimento e do amor, é mister que haja comunhão de mentes e de corações. Os membros da família que gozam de tal comunicação podem edificar-se mutuamente para suportarem as corrosões duma sociedade tensa e atribulada. Como, então, pode uma família cultivar tal achego? Há abundante conselho, de muitas fontes. Mas, a melhor fonte de conselhos é o livro mais antigo que existe — a Bíblia! Examinemos como podem ser efetivamente aplicados alguns dos seus princípios.
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A comunicação na família — como pode melhorar?Despertai! — 1985 | 22 de maio
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A comunicação na família — como pode melhorar?
‘MEU marido nunca conversa comigo.’ ‘Minha esposa nunca ouve o que tenho a dizer.’ Estas queixas são comuns entre os casais. Os jovens com freqüência se sentem como Max, de 12 anos: “Não tenho receio de falar [com meus pais], mas tenho receio da possível reação deles.” Barricadas de silêncio separam assim os membros da família.
Alguns talvez arguam que, em muitos casos, o marido e a esposa simplesmente não formam um par ideal; que são irreparavelmente
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