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Perigo: usar demais uma só espécieDespertai! — 1973 | 22 de janeiro
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Entre julho e a colheita de 1970 cerca da 245 milhões de hectolitros de milho foram destruídos! Isso era 15 por cento de toda a colheita, no valor de cerca de seis bilhões de cruzeiros!
A respeito deste desastre com o milho, comentou o Times de Nova Iorque:
“A vulnerabilidade básica emana de que todos os fazendeiros plantam as melhores variedades de cada colheita ao mesmo tempo. A resultante uniformidade ameaça provocar o desastre quando algum novo inimigo mutante — como a mais recente variedade da ferrugem da folha do milho meridional — aparece.
“Como em tantas outras áreas do mundo moderno, o que faz bom sentido economicamente a curto prazo apresenta sérios problemas a longo prazo, tanto no sentido ecológico como econômico.”
No entanto, será que quaisquer das mais novas variedades de cereais sofreram dessa forma? Sim. Já foi atingida a nova variedade de arroz. No livro The Environmental Crisis (A Crise Ambiental), observou-se: “Já o arroz do tipo IR-8 enfrentou muitas dificuldades devido a este problema, mas estão sendo criadas ainda maiores monoculturas.”
Uma “monocultura” é o cultivo de uma única cultura e em geral não se usa o solo de qualquer outro modo. Assim, embora estejamos enfrentando dificuldades, ainda assim maiores monoculturas dos novos cereais parecem tornar-se a regra, porque os lavradores desejam ganhar dinheiro rápido.
Em fevereiro de 1972, novas estatísticas foram liberadas pelo Conselho Nacional de Alimentos e Agricultura sobre a situação nas Filipinas. Mostravam que um vírus mortífero para as plantas, chamado tungro já atacara cerca de 56.000 hectares de arrozais em Luzon e Mindanao. O Presidente Ferdinand Marcos disse ao Congresso filipino: “[1971] Foi um ano desastroso para a agricultura filipina.”
Por causa do arroz novo, de alta produtividade, plantado depois de 1966, as Filipinas esperavam a auto-suficiência e um pequeno excedente já em 1970. Mas, no ano retrasado, 1971 tornaram-se necessárias enormes importações — 460.000 toneladas métricas de arroz. E o governo predisse que o país encarava ampla escassez de cerca de 640.000 toneladas métricas em 1972 e quase o mesmo em 1973.
Assim, plantar cada vez maiores áreas com uma só cultura que dispõe duma base genética muito estreita é um proceder perigosíssimo, e míope. Mas, esse não e o único problema relacionado com os novos cereais.
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Quem se beneficia mais da “revolução verde”?Despertai! — 1973 | 22 de janeiro
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Quem se beneficia mais da “revolução verde”?
QUE conclusão poderia tirar a pessoa mediana ao ler como a “revolução verde” aumentou tão espetacularmente as colheitas? É provável que pense que cada vez mais pessoas famintas estão sendo alimentadas, de modo que seus números decrescem.
Será este o caso? Infelizmente não é. Quem mais se beneficia não são os mais necessitados. Podemos ver a razão disso quando os peritos agrícolas explicam o que precisa ser feito para se produzir as novas variedades de alta produtividade.
Por um lado, explica o Professor de virologia, Dean Fraser, da Universidade de Indiana, as novas sementes produzem abundantemente “apenas com a aplicação de grandes quantidades de fertilizantes”. Assim, é preciso que haja fertilizantes disponíveis. Mas, os fertilizantes nem sempre abundam nos países subdesenvolvidos.
Mesmo quando há estoques disponíveis, o lavrador precisa poder comprar o fertilizante. A maioria dos lavradores nos países mais pobres também são pobres. Destarte, o lavrador que já se acha em boas condições e pode comprar o fertilizante usualmente colhe os maiores benefícios, e não aquele que sofre mais fome ou pobreza.
Exigência Mais Urgente
Há outra coisa exigida que é ainda mais crítica do que o fertilizante. Em India’s Green Revolution (A Revolução Verde da Índia), o autor E. R. Frankel declara: “O cultivo bem sucedido de trigos anões depende ainda mais fortemente de suprimentos garantidos de água. Com efeito, a irrigação em ocasiões fixas do ciclo de crescimento da planta é essencial para que atinja seu potencial de alta produtividade.” E o arroz precisa ainda de mais água do que o trigo.
A irrigação não e a mesma coisa que a chuva. As novas variedades não podem depender da chuva incerta. Exigem a irrigação regular. Assim, o suprimento garantido de água é uma necessidade. Esta água de irrigação poderia provir de sistemas fluviais por meio de canais. Mas, nos países mais pobres, amiúde estes não foram construídos. Na maioria dos casos, exigem-se bombas para trazer a água do subsolo para a superfície.
Tudo isto exige tecnologia; são necessárias máquinas para escavar canais, e fábricas para produzir bombas. Também, Frankel afirma: “Adicionalmente, os novos trigos também exigem mais sofisticado equipamento agrícola para produzir ótimas safras: aprimorados arados, discos e grades para o correto nivelamento do solo [de outra forma a irrigação não seria prática]; brocas para sementes e fertilizantes, para o plantio raso e o espaçamento exato das sementes; e equipamento para a proteção das plantas, a fim de impedir a ferrugem e outras pragas.”
Quem se acha em condições de comprar tudo isto? De novo, é o lavrador que já é mais próspero.
Note que o equipamento de proteção é necessário. Isto inclui o uso abundante de pesticidas para proteger os grãos novos. Isto não só exige dinheiro, mas é um poluente. No entanto, o amplo uso é desculpado como sendo o menor de dois males. Acha-se que o homem faminto não se preocupa com o dano a longo prazo resultante dos pesticidas. Ele quer é sentir a comida em seu estômago. Todavia, há o preço inevitável que terá de pagar mais tarde.
Resumindo tais exigências, U. S. News World Report declarou: “As novas sementes, contudo, não podem sozinhas revolucionar a agricultura. Seu pleno potencial genético não pode ser alcançado sem a irrigação e a abundância de fertilizantes e pesticidas.” Tudo isso exige dinheiro. E os pobres e os famintos não são aqueles que dispõem dele.
Desigualmente Distribuídas
Devido a motivos como os precedentes,
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